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Assumam os dados do vosso corpo

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    Quando eu era criança, adorava a informação
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    que podia obter a partir de dados
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    e das histórias que podiam
    ser contadas com números.
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    Lembro-me de crescer frustrada
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    com a maneira com que
    os meus próprios pais
  • 0:13 - 0:17
    me mentiam, usando números:
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    "Thalithia, já te disse isto
    mais de mil vezes!"
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    "Não pai, só me disseste 17 vezes,
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    "e em duas delas a culpa não foi minha."
  • 0:28 - 0:29
    (Risos)
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    Acho que foi uma das razões por que
    fiz um doutoramento em estatística.
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    Sempre quis saber
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    o que é que as pessoas tentam
    esconder com os números?
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    Como perita em estatística,
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    quero que as pessoas me mostrem os dados
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    para eu poder decidir por mim mesma.
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    Quando Donald e eu estávamos
    à espera do nosso terceiro filho,
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    chegámos à semana 41 e meio,
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    o que alguns de vocês provavelmente
    chamam de estar para lá do tempo.
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    Os peritos em estatística chamam a isso
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    estar no intervalo de confiança de 95%.
  • 0:57 - 0:59
    (Risos)
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    Nessa altura da gravidez
  • 1:01 - 1:03
    tínhamos de fazer
    um teste de esforço ao bebé
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    de dois em dois dias.
  • 1:05 - 1:07
    É um processo normalíssimo
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    que testa se o bebé sente
    algum tipo de esforço indevido.
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    Quase nunca se é visto
    pelo nosso médico,
  • 1:14 - 1:17
    apenas pela pessoa que está a trabalhar
    no hospital naquele dia.
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    Fomos fazer um teste de esforço
    e, 20 minutos depois,
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    o doutor sai e diz:
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    "O seu bebé está em esforço,
    precisamos de induzir o parto."
  • 1:29 - 1:34
    Claro, como perita em estatística,
    qual é a minha resposta?
  • 1:35 - 1:38
    "Mostre-me os dados!"
  • 1:38 - 1:39
    Ele diz-nos que
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    o batimento cardíaco do bebé
  • 1:42 - 1:45
    esteve durante 18 minutos
    numa zona normal
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    e, durante dois minutos,
    esteve no que parecia
  • 1:47 - 1:50
    coincidir com a minha frequência cardíaca.
  • 1:50 - 1:51
    E eu disse:
  • 1:51 - 1:54
    "Será possível que talvez fosse
    o meu batimento cardíaco?
  • 1:54 - 1:56
    "Eu mexi-me um bocadinho,
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    "com 41 semanas, é difícil estar de costas
  • 1:58 - 2:00
    "sem nos mexermos, durante 20 minutos.
  • 2:00 - 2:02
    "Se calhar mexi-me um pouco."
  • 2:02 - 2:06
    Ele disse:
    "Bem, não queremos correr riscos."
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    Eu disse: "Ok."
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    "E se eu estivesse nas 36 semanas
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    "com esta mesma informação?
  • 2:13 - 2:15
    "A sua decisão seria induzir?"
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    "Bem, não, nesse caso esperaria
  • 2:18 - 2:20
    "até que tivesse pelo menos 38 semanas,
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    "mas está quase nas 42.
  • 2:22 - 2:24
    "Não há razão nenhuma para
    deixar o bebé aí dentro,
  • 2:24 - 2:26
    "vamos arranjar-lhe um quarto."
  • 2:26 - 2:29
    Eu disse:
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    "Bem, porque não repete o teste?
  • 2:32 - 2:34
    "Podemos adquirir mais dados.
  • 2:34 - 2:37
    "Posso tentar não me mexer
    durante 20 minutos.
  • 2:37 - 2:38
    "Podemos fazer a média dos valores
  • 2:38 - 2:41
    "e ver o que sai daí."
  • 2:41 - 2:43
    (Risos)
  • 2:43 - 2:45
    E ele começa:
  • 2:47 - 2:51
    "Minha senhora, só não quero que aborte."
  • 2:54 - 2:56
    Já somos três.
  • 2:56 - 2:57
    E depois ele diz:
  • 2:57 - 3:02
    "A sua probabilidade
    de ter um aborto duplica
  • 3:02 - 3:05
    "quando passa da data esperada.
    Vamos arranjar-lhe um quarto."
  • 3:05 - 3:11
    Uau. Então, como perita em estatística,
    qual é a minha resposta?
  • 3:11 - 3:12
    "Mostre-me os dados!"
  • 3:12 - 3:14
    "Está a falar de probabilidades,
  • 3:14 - 3:16
    "eu trabalho com probabilidades o dia todo.
  • 3:16 - 3:17
    "Vamos falar de probabilidades."
  • 3:17 - 3:18
    (Risos)
  • 3:18 - 3:20
    Vamos falar de probabilidades.
  • 3:20 - 3:21
    Então eu digo:
  • 3:21 - 3:25
    "Ótimo. A probabilidade
    sobe de 30 % para 60 %?
  • 3:25 - 3:27
    "Onde é que estamos nesta coisa do aborto?"
  • 3:27 - 3:30
    E ele começa: "Não tanto, mas duplica.
  • 3:30 - 3:33
    "Nós só queremos
    o que é melhor para o bebé."
  • 3:35 - 3:38
    Destemida, tento uma aproximação
    diferente e digo-lhe:
  • 3:38 - 3:44
    "Ok, de entre 1000 mulheres
    grávidas no fim do tempo,
  • 3:44 - 3:46
    "quantas destas vão abortar
  • 3:46 - 3:48
    "exatamente antes do fim da gravidez?"
  • 3:48 - 3:51
    Ele olha para mim e para o Donald e diz:
  • 3:51 - 3:54
    "Cerca de 1 em cada 1000".
  • 3:55 - 3:58
    Eu digo-lhe: "Ok, e dessas 1000 mulheres,
  • 3:58 - 4:01
    "quantas vão sofrer um aborto logo
    após o termo da gravidez?"
  • 4:03 - 4:05
    "Cerca de duas."
  • 4:05 - 4:06
    (Risos)
  • 4:06 - 4:09
    "Ok, então está a dizer
    que as minhas hipóteses
  • 4:09 - 4:14
    "vão de uma probabilidade
    de 0,1 % para 0,2 %."
  • 4:14 - 4:16
    (Risos)
  • 4:17 - 4:19
    Ok, neste momento
    os dados não nos convencem
  • 4:19 - 4:21
    de que precisamos de induzir o parto,
  • 4:21 - 4:23
    por isso encaminhamos a conversa
  • 4:23 - 4:26
    para o facto de as induções
    criarem uma maior taxa de cesarianas,
  • 4:26 - 4:29
    uma situação que
    gostaríamos de evitar, se possível.
  • 4:29 - 4:31
    Então disse:
  • 4:31 - 4:34
    "De qualquer maneira não acho que a
    data provável do parto esteja correta."
  • 4:35 - 4:36
    (Risos)
  • 4:36 - 4:38
    Isto deixou-o atordoado
  • 4:38 - 4:41
    — parecia meio confuso — e eu disse:
  • 4:41 - 4:43
    "Talvez não saiba isto,
  • 4:43 - 4:44
    "mas a data provável do parto
  • 4:44 - 4:47
    "é calculada assumindo
    um ciclo normal de 28 dias,
  • 4:47 - 4:48
    "e o meu ciclo varia
  • 4:48 - 4:52
    "— às vezes é de 27, às vezes vai até 38 —
  • 4:52 - 4:54
    "e tenho estado a recolher dados
    para o provar."
  • 4:55 - 4:57
    (Risos)
  • 4:59 - 5:04
    Então acabámos por sair do hospital
    nesse dia, sem induzir o parto.
  • 5:04 - 5:09
    Tivemos de assinar um termo de
    responsabilidade para podermos sair.
  • 5:10 - 5:14
    Não estou a dizer que não devem
    ouvir o que os vossos médicos dizem
  • 5:14 - 5:16
    porque, no caso da nossa primeira criança,
  • 5:16 - 5:19
    induzimos o parto às 38 semanas,
    porque o muco cervical não era suficiente.
  • 5:19 - 5:22
    Não sou contra intervenções médicas.
  • 5:22 - 5:24
    Então porque é que estávamos confiantes
  • 5:24 - 5:26
    para sair do hospital naquele dia?
  • 5:26 - 5:28
    Bem, tínhamos dados que contavam
    uma história diferente.
  • 5:28 - 5:33
    Tínhamos recolhido informação
    durante seis anos.
  • 5:33 - 5:36
    Eu tinha dados sobre a temperatura
  • 5:36 - 5:38
    que contavam uma história diferente.
  • 5:38 - 5:45
    Provavelmente podíamos estimar
    a data de conceção com bastante precisão.
  • 5:45 - 5:47
    Sim, é a história que todos querem contar
  • 5:47 - 5:49
    no casamento dos nossos filhos.
  • 5:49 - 5:50
    (Risos)
  • 5:50 - 5:53
    "Lembro-me como se fosse ontem.
  • 5:53 - 5:56
    "A minha temperatura era de uns
    esfuziantes 36,5 graus
  • 5:56 - 5:59
    "quando olhei o teu pai nos olhos."
  • 5:59 - 6:01
    (Risos)
  • 6:01 - 6:06
    Oh, sim. Daqui a 22 anos,
    estamos a contar essa história.
  • 6:07 - 6:10
    Estávamos confiantes para vir embora
    porque tínhamos recolhido dados.
  • 6:10 - 6:12
    Com o que é que se parecem estes dados?
  • 6:12 - 6:15
    Aqui está um gráfico normal
  • 6:15 - 6:18
    da temperatura de uma mulher ao acordar,
  • 6:18 - 6:19
    durante o curso de um ciclo.
  • 6:19 - 6:22
    Desde o início de um ciclo menstrual
    até ao início do seguinte.
  • 6:22 - 6:25
    Podem verificar que
    as temperaturas não são aleatórias.
  • 6:25 - 6:27
    Há claramente um padrão baixo
  • 6:27 - 6:29
    no início do ciclo.
  • 6:29 - 6:31
    Depois regista-se um salto e, em seguida,
  • 6:31 - 6:34
    um conjunto de temperaturas mais altas
    durante o fim do ciclo.
  • 6:34 - 6:36
    Que está a acontecer?
  • 6:36 - 6:38
    O que é que os dados nos dizem?
  • 6:39 - 6:41
    Bem, no início do nosso ciclo,
  • 6:41 - 6:43
    a hormona estrogénio é dominante.
  • 6:43 - 6:46
    Esse estrogénio causa uma descida
  • 6:46 - 6:48
    da temperatura corporal.
  • 6:48 - 6:51
    Na ovulação, o nosso corpo liberta um ovo
  • 6:51 - 6:56
    e a progesterona assume o controlo,
    favorecendo a gestação.
  • 6:56 - 6:58
    Então o nosso corpo aquece
  • 6:58 - 7:02
    à espera de alojar
    este novo ovo fertilizado.
  • 7:02 - 7:05
    Porquê o salto na temperatura?
  • 7:05 - 7:09
    Pensem numa ave a chocar os ovos.
  • 7:09 - 7:10
    Porque é que se senta em cima deles?
  • 7:10 - 7:12
    Quer mantê-los quentes,
  • 7:12 - 7:14
    protegê-los e mantê-los quentes.
  • 7:14 - 7:16
    Isso é o que os nossos corpos
    fazem mensalmente,
  • 7:16 - 7:18
    aquecem na expetativa
  • 7:18 - 7:21
    de manter quente uma nova vida.
  • 7:21 - 7:24
    E, se nada acontece
    e não estiverem grávidas,
  • 7:24 - 7:28
    então o estrogénio volta a tomar conta
    da situação e o ciclo recomeça.
  • 7:29 - 7:30
    Mas se engravidarem,
  • 7:30 - 7:33
    às vezes nota-se uma outra
    mudança nas temperaturas
  • 7:33 - 7:37
    que ficam elevadas durante os nove meses.
  • 7:37 - 7:40
    É por isso que se veem mulheres grávidas
    a suar e com calor
  • 7:40 - 7:43
    porque as suas temperaturas estão elevadas.
  • 7:43 - 7:48
    Aqui está um gráfico de há três
    ou quatro anos atrás.
  • 7:48 - 7:50
    Estávamos mesmo entusiasmados
    com este gráfico.
  • 7:50 - 7:52
    Podem ver que
    o nível de temperatura é baixo.
  • 7:52 - 7:55
    Depois muda e,
    durante cerca de cinco dias,
  • 7:55 - 7:58
    que é mais ou menos o tempo
    que um ovo leva a viajar
  • 7:58 - 8:00
    pelas trompas de Falópio e a implantar-se,
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    vê-se que essas temperaturas
    sobem um pouco.
  • 8:04 - 8:07
    De facto, temos uma segunda
    mudança das temperaturas,
  • 8:07 - 8:09
    que um teste de gravidez confirmou
  • 8:09 - 8:12
    tratar-se de facto da gravidez
    do nosso primeiro filho.
  • 8:12 - 8:14
    Estávamos mesmo felizes.
  • 8:14 - 8:16
    Até que alguns dias mais tarde
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    notei algum sangramento,
    seguido de um fluxo grande de sangue.
  • 8:21 - 8:24
    Tratava-se de facto de
    um aborto espontâneo.
  • 8:26 - 8:29
    Se não tivesse medido a minha temperatura
  • 8:29 - 8:33
    teria pensado que o meu período
    estava atrasado esse mês,
  • 8:33 - 8:35
    mas nós tínhamos informação
  • 8:35 - 8:38
    que mostrava que
    tínhamos perdido esse bebé.
  • 8:38 - 8:39
    Apesar de estes dados revelarem
  • 8:39 - 8:42
    um evento infeliz nas nossas vidas,
  • 8:42 - 8:44
    podíamos partilhá-los com o médico.
  • 8:44 - 8:46
    Se houvesse problemas
    de fertilidade ou outros problemas,
  • 8:46 - 8:48
    tínhamos dados para dizer:
  • 8:48 - 8:50
    "Nós engravidámos,
    a nossa temperatura mudou
  • 8:50 - 8:52
    "e, por alguma razão, perdemos este bebé.
  • 8:52 - 8:55
    "O que é que podemos fazer
    para prevenir este problema?"
  • 8:55 - 8:59
    E não é só sobre temperaturas
  • 8:59 - 9:01
    e não é só sobre fertilidade;
  • 9:01 - 9:05
    podemos usar os dados sobre o nosso corpo
    para saber muitas coisas.
  • 9:05 - 9:09
    Por exemplo, sabiam que
    medir a temperatura pode-nos dizer muito
  • 9:09 - 9:11
    sobre o estado da nossa tiroide?
  • 9:11 - 9:15
    A nossa tiroide é como se fosse
    o termostato numa casa.
  • 9:15 - 9:17
    Há uma temperatura ótima
    que queremos em casa
  • 9:17 - 9:19
    e programamos o termostato.
  • 9:19 - 9:22
    Quando a casa arrefece,
    o termostato liga-se e diz:
  • 9:22 - 9:24
    "É melhor aquecer o ar."
  • 9:24 - 9:27
    E se fica demasiado quente,
    o termostato diz:
  • 9:27 - 9:30
    "Liga o ar condicionado. Arrefece-nos."
  • 9:30 - 9:34
    É exatamente assim que a tiroide funciona.
  • 9:34 - 9:36
    A tiroide tenta manter
    uma temperatura ótima
  • 9:36 - 9:37
    para o nosso corpo.
  • 9:37 - 9:41
    Se fica demasiado frio, a tiroide diz:
    "Precisamos de aquecer."
  • 9:41 - 9:43
    Se fica demasiado quente,
    a tiroide arrefece-nos.
  • 9:43 - 9:47
    Mas o que é que acontece
    quando a tiroide não funciona bem?
  • 9:47 - 9:49
    Quando não funciona,
  • 9:49 - 9:51
    nota-se nas nossas temperaturas corporais,
  • 9:51 - 9:54
    que tendem a ser mais baixas que
    o normal ou muito irregulares.
  • 9:54 - 9:55
    Ao recolher esta informação,
  • 9:55 - 9:58
    podemos saber mais sobre a nossa tiroide.
  • 9:58 - 10:01
    Se tivermos um problema de tiroide
    e formos ao médico,
  • 10:01 - 10:06
    ele irá medir a quantidade de hormona
    estimulante da tiroide no sangue.
  • 10:08 - 10:11
    Ótimo. Mas o problema com esse teste
  • 10:11 - 10:14
    é que não nos diz quão ativa
    a hormona está no nosso corpo.
  • 10:14 - 10:16
    Pode existir uma grande
    quantidade da hormona
  • 10:16 - 10:17
    que não está a trabalhar ativamente
  • 10:17 - 10:19
    para regular a temperatura corporal.
  • 10:19 - 10:21
    Por isso, ao medir a temperatura
    todos os dias,
  • 10:21 - 10:23
    recolhemos informação
    sobre o estado da tiroide.
  • 10:25 - 10:27
    E se não quiserem medir
    a temperatura todos os dias?
  • 10:27 - 10:28
    Eu defendo que o façam,
  • 10:28 - 10:30
    mas há muitas outras coisas
    que podemos fazer.
  • 10:30 - 10:33
    Podemos medir a nossa pressão arterial,
    pesarmo-nos.
  • 10:33 - 10:35
    Quem é que não gosta da perspetiva
  • 10:35 - 10:37
    de se pesar todos os dias?
  • 10:37 - 10:38
    (Risos)
  • 10:38 - 10:43
    Pouco tempo depois de nos casarmos,
    o Donald tinha o nariz entupido
  • 10:43 - 10:46
    e tinha estado a tomar uma quantidade
    enorme de medicação
  • 10:46 - 10:50
    para tentar aliviar o nariz entupido,
    mas sem sucesso.
  • 10:50 - 10:54
    Naquela noite acorda-me e diz:
  • 10:54 - 10:58
    "Querida, não consigo respirar pelo nariz."
  • 10:58 - 11:01
    Eu viro-me, olho para ele e digo:
  • 11:01 - 11:03
    "Consegues respirar pela boca?"
  • 11:03 - 11:04
    (Risos)
  • 11:04 - 11:06
    E ele diz:
  • 11:07 - 11:11
    "Sim... mas não consigo
    respirar pelo nariz!"
  • 11:12 - 11:13
    Então, como qualquer boa esposa,
  • 11:13 - 11:16
    levo-o imediatamente às urgências,
  • 11:16 - 11:18
    às 2 da manhã.
  • 11:18 - 11:22
    Enquanto conduzo,
    não consigo parar de pensar:
  • 11:22 - 11:25
    "Não podes morrer agora.
  • 11:25 - 11:27
    "Acabamos de nos casar,
  • 11:27 - 11:29
    "as pessoas vão pensar que te matei!"
  • 11:29 - 11:32
    (Risos)
  • 11:32 - 11:35
    Chegamos às urgências,
    somos vistos pela enfermeira,
  • 11:35 - 11:37
    ele não consegue respirar pelo nariz,
  • 11:37 - 11:40
    leva-nos lá para trás e o médico diz:
  • 11:40 - 11:42
    "Então o que é que se passa?"
    e ele responde:
  • 11:42 - 11:43
    "Não consigo respirar pelo nariz."
  • 11:43 - 11:45
    O médico diz:
    "Não consegue respirar pelo nariz?"
  • 11:45 - 11:48
    Não, mas consegue respirar pela boca.
  • 11:48 - 11:51
    (Risos)
  • 11:51 - 11:55
    Ele dá um passo atrás,
    olha para nós ambos e diz:
  • 11:55 - 11:58
    "Acho que sei qual é o problema.
  • 11:58 - 11:59
    "Está a ter um ataque cardíaco.
  • 11:59 - 12:01
    "Vou pedir-lhe um ECG e uma TAC
  • 12:01 - 12:03
    "imediatamente."
  • 12:05 - 12:06
    E nós a pensar:
  • 12:06 - 12:08
    "Não, não, não. Não é um ataque cardíaco.
  • 12:08 - 12:14
    "Ele consegue respirar, mas só pela boca.
    Não, não, não, não, não."
  • 12:14 - 12:16
    Continuamos a discutir com esse doutor
  • 12:16 - 12:20
    porque achamos que ele fez
    um diagnóstico incorreto e ele diz:
  • 12:20 - 12:23
    "Não se preocupem,
    vai correr tudo bem, acalmem-se."
  • 12:23 - 12:24
    E eu a pensar:
    "Como quer que nos acalmemos?
  • 12:24 - 12:27
    "Não acho que ele esteja
    a ter um ataque cardíaco."
  • 12:27 - 12:30
    Por sorte, este médico
    estava no fim do turno.
  • 12:30 - 12:34
    Entretanto chega o novo doutor,
    vê-nos claramente atordoados,
  • 12:34 - 12:37
    com um marido que não consegue
    respirar pelo nariz.
  • 12:37 - 12:39
    (Risos)
  • 12:39 - 12:41
    E começa a fazer-nos perguntas:
  • 12:42 - 12:45
    "Faz exercício físico?"
  • 12:46 - 12:53
    "Andamos de bicicleta,
    vamos ao ginásio... de vez em quando.
  • 12:53 - 12:55
    (Risos)
  • 12:55 - 12:57
    "Mexemo-nos".
  • 12:58 - 13:01
    "O que é que estavam a fazer
    antes de virem para o hospital?"
  • 13:01 - 13:03
    E eu penso, sinceramente,
    eu estava a dormir.
  • 13:03 - 13:06
    Mas ok, o que é o Donald
    estava a fazer antes de vir?
  • 13:06 - 13:09
    Então o Donald conta a
    e medicação que estava a tomar:
  • 13:09 - 13:13
    "Tomei este descongestionante
    e depois tomei este 'spray' nasal,"
  • 13:13 - 13:15
    De repente, faz-se luz e o médico diz:
  • 13:15 - 13:19
    "Oh! Nunca se deve misturar esse
    descongestionante com esse "spray" nasal.
  • 13:19 - 13:21
    "É obstrução certa.
    Tome este em vez desse."
  • 13:21 - 13:23
    E dá-nos uma receita.
  • 13:23 - 13:26
    Olhámos um para o outro,
    eu olhei para o médico e disse:
  • 13:26 - 13:28
    "Porque é que você foi capaz
  • 13:28 - 13:31
    "de nos dar um diagnóstico
    correto para o problema,
  • 13:31 - 13:32
    "e o doutor anterior queria
  • 13:32 - 13:35
    "que fizéssemos um ECG e uma TAC?"
  • 13:35 - 13:38
    Ele olhou para nós e disse:
  • 13:38 - 13:40
    "Quando um homem de 158 kg
    entra nas urgências
  • 13:40 - 13:42
    "e diz que não consegue respirar,
  • 13:42 - 13:43
    "assumimos que está a ter
    um ataque cardíaco
  • 13:43 - 13:46
    "e guardamos as perguntas para mais tarde."
  • 13:47 - 13:53
    Os médicos das urgências estão treinados
    para tomar decisões rápidas,
  • 13:53 - 13:55
    mas nem sempre as certas.
  • 13:55 - 13:57
    Se tivéssemos tido alguma informação
  • 13:57 - 13:59
    sobre a nossa condição cardíaca
    para lhe transmitir,
  • 13:59 - 14:03
    talvez tivéssemos tido
    um melhor diagnóstico à primeira tentativa.
  • 14:03 - 14:05
    Quero que observem o seguinte gráfico,
  • 14:05 - 14:07
    com os resultados da pressão arterial
  • 14:07 - 14:11
    de outubro 2010 a julho 2012.
  • 14:11 - 14:13
    Reparem que estes resultados
  • 14:13 - 14:17
    começam na zona de
    pré-hipertensão/hipertensão
  • 14:17 - 14:19
    mas, ao longo de um ano e meio,
  • 14:19 - 14:22
    deslocam-se para a zona normal.
  • 14:22 - 14:26
    Esta é a pressão arterial
    de um rapaz saudável de 16 anos.
  • 14:26 - 14:30
    Que história é que estes dados nos contam?
  • 14:30 - 14:33
    Obviamente, são os dados de alguém
  • 14:33 - 14:36
    que sofreu uma transformação dramática.
  • 14:36 - 14:40
    Felizmente para nós,
    essa pessoa está aqui connosco hoje.
  • 14:41 - 14:45
    O tipo de 158 kg que entrou
    nas urgências comigo
  • 14:45 - 14:51
    é agora um tipo ainda mais "sexy"
    e saudável, com 102 kg.
  • 14:53 - 14:55
    Esta é a sua pressão arterial.
  • 14:55 - 14:58
    Ao longo de um ano e meio
  • 14:58 - 15:00
    Donald mudou a maneira de comer
  • 15:00 - 15:02
    e os nossos hábitos de exercício mudaram.
  • 15:02 - 15:04
    O seu coração respondeu
  • 15:04 - 15:06
    e a sua pressão arterial
    respondeu à mudança
  • 15:06 - 15:08
    que ele fez no seu corpo.
  • 15:08 - 15:10
    Então qual é a mensagem
  • 15:10 - 15:12
    que eu quero que levem para casa hoje?
  • 15:14 - 15:18
    Ao assumirem o controlo
    dos vossos dados, tal como nós fizemos,
  • 15:18 - 15:22
    simplesmente fazendo estas
    simples automedições,
  • 15:22 - 15:25
    transformam-se em peritos
    sobre o vosso corpo.
  • 15:25 - 15:27
    Vocês são os especialistas.
  • 15:27 - 15:29
    Não é difícil.
  • 15:29 - 15:31
    Não é preciso um doutoramento
    em estatística
  • 15:31 - 15:32
    para serem peritos de vocês.
  • 15:32 - 15:34
    Não é preciso um curso de medicina
  • 15:34 - 15:36
    para serem especialistas do vosso corpo.
  • 15:36 - 15:39
    Os médicos são peritos na população
  • 15:39 - 15:42
    mas vocês são peritos em vocês mesmos.
  • 15:42 - 15:44
    E quando os dois se juntam,
  • 15:44 - 15:46
    quando dois peritos se juntam,
  • 15:46 - 15:48
    os dois em conjunto são capazes
    de tomar uma melhor decisão
  • 15:48 - 15:50
    do que o vosso médico sozinho.
  • 15:50 - 15:54
    Agora que percebem o poder da informação,
  • 15:54 - 15:56
    o que podem ganhar com a recolha
    de informações pessoais,
  • 15:56 - 15:59
    gostaria que se levantassem
    e levantassem a mão direita.
  • 15:59 - 16:02
    (Risos)
  • 16:02 - 16:04
    Sim, levantem-se.
  • 16:07 - 16:14
    Eu desafio-vos a assumirem o
    controlo dos vossos dados.
  • 16:14 - 16:18
    E hoje, tenho a honra de vos conceder
  • 16:18 - 16:22
    um diploma TEDx de Introdução à Estatística
  • 16:22 - 16:26
    com o foco em análise de dados temporais
  • 16:26 - 16:29
    com todos os direitos e privilégios
    que isso implica.
  • 16:30 - 16:33
    Por isso, da próxima vez
    que estiverem no consultório médico
  • 16:33 - 16:37
    como recém-peritos em estatística,
  • 16:37 - 16:39
    qual deve ser sempre a vossa resposta?
  • 16:39 - 16:40
    Público: Mostre-me os dados!
  • 16:40 - 16:41
    TW: Não consigo ouvi-los!
  • 16:41 - 16:43
    Público: Mostre-me os dados!
  • 16:43 - 16:44
    TW: Mais uma vez!
  • 16:44 - 16:46
    Público: Mostre-me os dados!
  • 16:46 - 16:47
    TW: Mostre-me os dados.
  • 16:47 - 16:48
    Obrigada.
  • 16:48 - 16:50
    (Aplausos)
Title:
Assumam os dados do vosso corpo
Speaker:
Talithia Williams
Description:

A nova geração de sofisticados medidores de acividade (que medem a frequência cardíaca, o sono, os passos por dia) podem parecer ter como público alvo os atletas de alta competição. Mas Talithia Williams, perita em estatística, argumenta que todos nós devíamos medir e registar dados simples sobre o nosso corpo todos os dias — porque os nossos dados podem revelar mais sobre nós do que aquilo que os médicos sabem.

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Video Language:
English
Team:
TED
Project:
TEDTalks
Duration:
17:07
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  • Confesso que foi complicado traduzir o título "Own your body's data".

    No fim, achei que "assumir" representava melhor a ideia de nos encarregar-mos e tomarmos a responsabilidade sobre esta informação.

  • Errr.... encarregarmos! :)

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