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← Parem de dançar ao som da vossa opressão

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Showing Revision 4 created 09/28/2020 by Margarida Ferreira.

  1. Às vezes, vou a uma sessão de ginástica,
  2. ou vou a um espetáculo musical,
  3. ou a qualquer lugar
    que tenha música ambiente
  4. e dou por mim a gostar do ritmo,
  5. das melodias e das batidas...
  6. Paro um segundo para escutar as letras,
  7. letras que, por exemplo,
    nos colocam numa posição de subserviência
  8. que nunca toleraríamos
    em nenhum outro contexto.
  9. Fico chocada por ver até que ponto
    normalizamos o sexismo na nossa cultura.
  10. Eu ouço essas músicas e penso:
  11. "Eu não quero ter que curtir
    ao som da minha própria opressão".
  12. A música é uma das formas
    de comunicação mais poderosas,

  13. porque tem o potencial
    para elevar ou para oprimir.
  14. A música alimenta as emoções.
    A música alimenta a alma.
  15. A música abre a nossa alma.
  16. Abre os nossos canais
    para receber informações
  17. sobre o modo de vida
    de outras pessoas,
  18. para nos informar dos nossos deveres.
  19. Embora eu não tenha problemas
    com a fantasia masculina,
  20. o que realmente me incomoda
  21. é que, de acordo com um estudo recente,
    só 2,6% de todos produtores musicais
  22. se identificam como mulheres.
  23. Isso significa uma percentagem
    ainda menor de transexuais
  24. ou de não conformidade de género.
  25. Porque é que isso é importante?
  26. Porque, se não possuirmos
    e não controlarmos
  27. a nossa própria narrativa,
  28. outras pessoas irão contar
    as nossas histórias por nós,
  29. e irão perceber tudo mal,
  30. perpetuando os mesmos mitos
    que nos prendem.
  31. Eu não venho aqui dizer-vos
    como devem fazer a vossa música.

  32. Venho aqui para proporcionar
    e conceber a alternativa.
  33. Uma estratégia que utilizo na minha música

  34. é fazer batidas globais,
    edificantes, enérgicas, percussivas
  35. e colocar as letras por cima
  36. que genuinamente descrevam
    as experiências da minha vida.
  37. sem contribuir para a opressão
    de qualquer outra pessoa.
  38. É engraçado, porque é o mesmo motivo
  39. que nos leva a desculpamo-nos
    por tantas letras problemáticas;
  40. é porque amamos
    o que as batidas nos fazem sentir.
  41. Um exemplo disso é a minha música
    "Top Knot Turn Up."

  42. (Música: "Top Knot Turn Up")

  43. ♪ Eu apaguei as notificações
    do telefone, para ter mais tempo

  44. ♪ Sem bolhas para perturbar
    o meu estado de espírito tranquilo
  45. ♪ Só para saber,
    não estou aqui para agradar
  46. ♪ Cabelo preso, faço-o como deve ser
  47. ♪ O meu tempo não é propriedade tua
  48. ♪ Quando sou produtiva
    como os meus ovários, hei!
  49. ♪ Deixem uma rapariga respirar,
    direitos básicos e liberdade
  50. ♪ Livre da insegurança
    que o mundo projeta em mim
  51. ♪ Não me incomodem
    quando estou concentrada
  52. ♪ O futuro é feminino,
    vocês já sabem disso

  53. ♪ Luto contra a corrupção
    no supremo tribunal dos EUA.

  54. ♪ Apareceu no meu carrapito
    desde que escrevi isto
  55. ♪ É um carrapito virado para cima,
    é um carrapito virado para cima.
  56. ♪ É um carrapito virado para cima,
    é um carrapito virado para cima.
  57. ♪ É um carrapito virado para cima,
    é um carrapito virado para cima.
  58. ♪ É um carrapito virado para cima,
  59. Eu quero que continuemos a fazer
    músicas bonitas, sexualmente positivas

  60. sobre a alegria e a liberdade.
  61. Quero que aceitemos o nosso prazer
  62. tal como aceitamos o nosso sofrimento.
  63. Quero que celebremos
    os aspetos autênticos,
  64. matizados,
  65. e multidimensionais
    da nossa existência humana,
  66. em vez de realizarmos narrativas falsas
    de sexualidade degradante
  67. a fim de nos sentirmos aceites ou amados.
  68. Outra estratégia
    que eu utilizo na minha música

  69. para combater a misoginia
    que existe nas ondas da rádio
  70. é retratar visualmente o mundo
    onde eu gostaria que vivêssemos.
  71. No videoclipe da minha música
    "See Me Thru",
  72. que é como uma canção R&B
    eletrónica, vibrante e estranha,
  73. escolhi duas das minhas
    queridas amigas, Ania e Dejha,
  74. para desempenharem o papel de amantes,
    porque elas são casadas ​​na vida real.
  75. Mas o que vocês não sabem
    é que elas também estão atrás da câmara
  76. a conceber e a realizar todo o vídeo.
  77. (Vídeo)
  78. Hei! Oh!

  79. As minhas emoções estavam cansadas.
  80. A música devia ser segura e acessível
    para todos poderem experimentar.

  81. Como veem, não se trata
    de perder o "sex appeal" ou a onda
  82. que aquela música tem.
  83. Trata-se de escrever mensagens
    que infundem ternura e positividade
  84. numa música que nos motiva
    e nos desafia.
  85. E enquanto nós como músicos
    temos a responsabilidade

  86. de fazer música que não marginalize,

  87. os consumidores também
    podem fazer parte da mudança.
  88. Primeiro, temos de escolher
    que músicas queremos silenciar
  89. e que músicas queremos
    tornar mais fortes.
  90. Temos de dizer: "Respeito-me o suficiente
    para dizer que não quero ouvir isto,
  91. "e também não quero que isto
    esteja em casa de outras pessoas."
  92. Em segundo lugar,
    podemos perguntar-nos:
  93. "Esta música ou esta mensagem
  94. "contribui para a opressão
    de outra pessoa?
  95. "Porque é que tolero isto?"
  96. Finalmente, todos nós podemos optar
    por fazer listas de músicas
  97. que forneçam o clima certo
    que procuramos para cada momento,
  98. sem mensagens problemáticas.
  99. Porque é que isso é importante?
  100. Porque vai ensinar aos algoritmos
    dos nossos "streamings" e do nosso mundo
  101. o que é que queremos ouvir,
  102. criando mudanças a longo prazo
    e um mecanismo de "feedback"
  103. com impacto em toda a indústria.
  104. Isto não é uma mensagem

  105. apenas para um pequeno grupo de pessoas.
  106. É uma mensagem que afeta toda a gente
  107. porque, quando protegemos e libertamos
    os nossos géneros mais vulneráveis,
  108. libertamos toda a gente.