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← Por que devemos parar de dançar ao som de nossa própria opressão

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Showing Revision 15 created 09/02/2020 by Leonardo Silva.

  1. Muitas vezes,
  2. estou em uma aula na academia,
  3. ou vou a uma casa de shows,
  4. ou a qualquer lugar com música ambiente,
  5. e me encontro adorando os ritmos,
  6. as melodias e as batidas.
  7. Então paro um pouco
    para escutar a letra das músicas
  8. que, por exemplo, nos colocam
    em uma posição de subserviência
  9. que jamais toleraríamos
    em qualquer outro contexto.
  10. Fico horrorizada
  11. com o grau de normalização
    do sexismo em nossa cultura.
  12. Escuto as músicas e penso:
  13. não quero ter que aumentar o som
    de minha própria opressão.
  14. A música é uma das formas
    mais poderosas de comunicação

  15. porque tem o potencial
    de elevar ou de oprimir.
  16. A música satisfaz as emoções e a alma.
  17. A música revela nossa alma.
  18. Ela abre nossos canais
    para receber informações
  19. sobre a classe social dos outros,
  20. para informar nosso próprio papel.
  21. Embora eu não tenha problemas
    com a fantasia masculina,
  22. o que me incomoda
  23. é que, segundo um estudo recente,
    só 2,6% de todos os produtores musicais
  24. se identificam como mulheres,
  25. ou seja, um percentual ainda menor
  26. se identifica como transgênero
    ou não conformante de gênero.
  27. E por que isso importa?
  28. Porque, se não tivermos e controlarmos
    nossa própria narrativa,
  29. outros contarão nossas histórias por nós
  30. e o farão de modo errado,
  31. perpetuando os próprios mitos
    que nos reprimem.
  32. E não vim para dizer aos outros
    como fazer a música deles,

  33. mas para oferecer e traçar a alternativa.
  34. Uma estratégia que uso em minha música

  35. é criar batidas globais inspiradoras,
    vigorosas e percussivas
  36. e criar letras para elas
  37. que descrevem verdadeiramente
    minhas experiências de vida
  38. sem contribuir para a opressão de ninguém.
  39. É engraçado, porque é o mesmo motivo
  40. pelo qual perdoamos
    tantas letras problemáticas;
  41. é porque adoramos a forma
    como as batidas nos fazem sentir.
  42. Um exemplo disso é minha música
    "Top Knot Turn Up".

  43. (Música: "Top Knot Turn Up")

  44. ♪ Silenciei meu celular
    pra ter mais tempo ♪

  45. ♪ Sem esquemas pra perturbar
    meu estado de espírito ♪
  46. ♪ Saiba de uma coisa:
    não vim pra agradar ♪
  47. ♪ Cabelo preso, eu o prendo direito ♪
  48. ♪ Meu tempo não lhe pertence ♪
  49. ♪ Quando sou produtiva
    como meus ovários, ei! ♪
  50. ♪ Dê a uma garota espaço pra respirar,
    direitos básicos e liberdade ♪
  51. ♪ Livre da insegurança
    que o mundo projeta sobre mim ♪
  52. ♪ Por favor, não tire minha concentração ♪
  53. ♪ O futuro é feminino, você já sabe ♪
  54. ♪ Luto contra a corrupção na Justiça ♪
  55. ♪ Meu coque surgiu
    desde quando compus isto ♪
  56. ♪ E o coque surgiu
    e o coque surgiu, surgiu, surgiu ♪
  57. ♪ E o coque surgiu
    e o coque surgiu, surgiu, surgiu ♪
  58. ♪ E o coque surgiu, e o coque surgiu, ei ♪
  59. ♪ E o coque surgiu ♪
  60. (Fim da música)

  61. Quero que continuemos criando músicas
    bonitas e positivas em relação ao sexo

  62. sobre alegria e liberdade.
  63. Quero que abracemos nosso próprio prazer
    tanto quanto abraçamos nossa própria dor.
  64. Quero que comemoremos
    os aspectos autênticos,
  65. diferenciados
  66. e multidimensionais
    de nossa existência humana,
  67. em vez de apresentar narrativas falsas
    de sexualidade degradante
  68. para nos sentirmos aceitos ou amados.
  69. E outra estratégia que uso em minha música

  70. para combater a misoginia
    que existe nas ondas do rádio
  71. é retratar visualmente o mundo
    em que eu gostaria que vivêssemos.
  72. No vídeo de minha música "See Me Thru",
  73. que é como uma música de R&B
    vibrante, não binária e eletrônica,
  74. lanço duas amigas queridas, Ania e Dejha,
  75. para fazer o papel de amantes,
    porque elas são casadas ​​na vida real.
  76. Mas o que você não sabe é que elas
    também estão por trás das câmeras,
  77. concebendo e dirigindo o vídeo inteiro.
  78. (Vídeo) Eiiiii, ahhhh.

  79. Minhas emoções estavam cansadas.
  80. A música deve ser segura
    e acessível para todos.

  81. Não se trata de perder a atração sexual
    ou o estilo que a música tem,
  82. mas sim de escrever mensagens
    que inspirem ternura e positividade
  83. na música que nos motiva e nos desafia.
  84. Embora nós, como músicos,
    tenhamos a responsabilidade

  85. de criar música que não enfraqueça,
  86. os ouvintes também podem
    fazer parte da mudança.
  87. Primeiro, escolhemos
    quais músicas queremos silenciar
  88. e quais queremos tocar mais alto.
  89. Vamos dizer: "Eu me respeito o bastante
    pra dizer que não quero ouvir isso
  90. e também não quero isso para os outros".
  91. Segundo, podemos apenas nos perguntar:
  92. "Será que esta música ou esta mensagem
    contribui para a opressão de alguém?
  93. Por que eu a tolero?"
  94. Finalmente, todos nós podemos escolher
    fazer listas de reprodução ou música de DJ
  95. que dê a sensação ou o clima certo
    que procuramos naquele momento,
  96. sem as mensagens problemáticas.
  97. Por que isso importa?
  98. Porque vai ensinar aos algoritmos
    de nossos sistemas e de nosso mundo
  99. exatamente o que queremos ouvir,
  100. criando mudanças de longo prazo
    e um mecanismo de feedback
  101. que afeta toda a indústria.
  102. Esta não é uma mensagem

  103. para apenas um pequeno grupo de pessoas.
  104. Esta é uma mensagem que afeta todos,
  105. porque, quando protegemos e libertamos
    nossos gêneros mais vulneráveis,
  106. libertamos todos.