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O dilema ético dos bebês projetados

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    E se eu pudesse fazer para vocês
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    um bebê projetado?
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    E se vocês, como futuros pais,
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    e eu, como cientista, decidíssemos
    seguir nesse caminho juntos?
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    E se não o fizéssemos?
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    Se pensássemos: "É uma péssima ideia",
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    mas muitos de sua família,
    amigos e colegas de trabalho
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    tivessem tomado essa decisão?
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    Vamos avançar rapidamente
    apenas 15 anos no futuro.
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    Vamos imaginar que estamos em 2030,
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    e vocês são pais.
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    Vocês têm sua filha Marianne ao seu lado
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    e em 2030 ela é o que chamamos de natural,
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    porque não tem modificações genéticas.
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    Pelo fato de você e seu parceiro
    terem tomado essa decisão,
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    muitos do seu círculo social
    olham vocês de forma diferente.
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    Acham que são ludistas
    ou têm fobia de tecnologia.
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    Jenna, a melhor amiga de Marianne,
    que mora ao lado,
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    tem uma história diferente.
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    Ela nasceu geneticamente modificada
    com uma série de melhorias.
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    Sim, melhorias.
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    E esses aperfeiçoamentos
    foram introduzidos
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    usando uma nova tecnologia
    de modificação genética
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    que tem o nome engraçado de CRISPR,
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    Em inglês, parece com "crisp", crocante,
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    mas isso é CRISPR.
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    Os cientistas que os pais de Jenna
    contrataram para fazer isso,
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    por muitos milhões de dólares,
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    introduziram o CRISPR
    em vários embriões humanos.
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    Eles fizeram testes genéticos
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    e previram que aquele pequeno
    embrião, o embrião de Jenna,
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    seria o melhor que poderia existir.
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    E agora Jenna é uma pessoa real.
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    Ela está sentada no tapete da sua sala
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    brincando com sua filha Marianne.
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    E suas famílias se conhecem há anos,
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    e começa a ficar muito claro para vocês
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    que a Jenna é extraordinária.
  • 2:01 - 2:03
    Ela é incrivelmente inteligente.
  • 2:03 - 2:06
    Sendo honestos, vocês diriam
    que ela é mais inteligente do que vocês,
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    e ela tem apenas cinco anos.
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    (Risos)
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    Ela é linda, alta, atlética,
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    e a lista de qualidades é enorme.
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    E, de fato, há toda uma nova geração
  • 2:19 - 2:21
    dessas crianças geneticamente modificadas.
  • 2:22 - 2:24
    Até aqui parece
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    que são mais sadias
    do que a geração de seus pais,
  • 2:26 - 2:28
    do que a sua geração.
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    E elas têm menos gastos com saúde.
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    São imunes a uma série de doenças,
  • 2:35 - 2:38
    incluindo HIV/AIDS e doenças genéticas.
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    Tudo isso parece maravilhoso,
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    mas vocês não conseguem evitar
    um sentimento perturbador,
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    um profundo sentimento
    de que há algo errado com a Jenna,
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    e sentem o mesmo sobre outras crianças
    geneticamente modificadas que já viram.
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    Vocês também leram recentemente,
    nos jornais, notícias
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    que um estudo sobre essas crianças
    que nasceram como bebês projetados
  • 3:02 - 3:04
    indica que elas podem ter problemas,
  • 3:04 - 3:09
    como maior grau de narcisismo
    e da agressividade.
  • 3:10 - 3:11
    Mais imediatamente em sua cabeça
  • 3:11 - 3:15
    vêm algumas notícias que vocês
    tiveram da família de Jenna.
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    Ela é tão inteligente
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    que agora irá para uma escola especial,
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    diferente daquela
    em que sua filha Marianne estuda,
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    e isso é o tipo de coisa
    que causa problemas em sua família.
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    Marianne tem chorado.
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    Na noite passada, ao colocá-la na cama
    e lhe dar um beijo de boa-noite,
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    ela disse, "Papai, a Jenna não vai
    ser mais minha amiga?"
  • 3:36 - 3:40
    Como estou contando uma história
    imaginária do ano 2030,
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    certamente alguns de vocês
    devem estar pensando
  • 3:43 - 3:45
    que se trata de um cenário
    de ficção científica, certo?
  • 3:45 - 3:48
    Acham que estão lendo
    um livro de ficção científica
  • 3:48 - 3:51
    ou que talvez seja
    uma coisa do tipo Halloween.
  • 3:51 - 3:53
    Mas essa é uma realidade
    possível para nós
  • 3:53 - 3:55
    daqui a 15 anos.
  • 3:55 - 3:58
    Sou um pesquisador
    de células-tronco e genética
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    e posso ver essa nova tecnologia CRISPR
  • 4:01 - 4:03
    e seu provável impacto.
  • 4:04 - 4:07
    E podemos nos deparar com essa realidade
  • 4:07 - 4:10
    e muito irá depender
    do que decidirmos fazer hoje.
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    Se ainda estiverem no modo
    ficção científica de pensar,
  • 4:14 - 4:19
    considerem que o mundo da ciência
    teve um grande choque recentemente
  • 4:19 - 4:22
    e que o grande público
    nem mesmo sabe disso.
  • 4:22 - 4:25
    Pesquisadores chineses,
    há apenas alguns meses,
  • 4:25 - 4:29
    relataram a criação de embriões
    humanos geneticamente modificados.
  • 4:29 - 4:32
    Essa foi a primeira vez na história.
  • 4:32 - 4:35
    E eles fizeram isso usando
    essa nova tecnologia CRISPR.
  • 4:36 - 4:37
    Não funcionou perfeitamente,
  • 4:37 - 4:41
    mas eu ainda acho que eles
    meio que entreabriram a porta
  • 4:41 - 4:43
    da caixa de Pandora nesse tema.
  • 4:44 - 4:47
    Eu acho que algumas pessoas
    vão seguir com essa tecnologia
  • 4:47 - 4:49
    e tentar fazer bebês projetados.
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    Antes de seguir, alguns de vocês
    podem levantar as mãos e dizer:
  • 4:53 - 4:56
    "Alto lá, Paul, vamos devagar.
  • 4:56 - 4:57
    Isso não seria ilegal?
  • 4:57 - 5:01
    Não se pode simplesmente sair
    por aí criando um bebê projetado."
  • 5:02 - 5:04
    E, em certa medida, vocês estariam certos.
  • 5:04 - 5:06
    Em alguns países, isso não seria possível.
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    Mas em muitos outros países,
    incluindo o meu, os Estados Unidos,
  • 5:10 - 5:14
    não existem leis para isso e, assim,
    em teoria, isso poderia ser feito.
  • 5:15 - 5:19
    Houve outro fato este ano
    com impacto nessa área,
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    e que aconteceu não tão
    longe daqui, na Inglaterra.
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    E a Inglaterra tradicionalmente,
    tem sido o país mais rigoroso
  • 5:26 - 5:28
    quando se fala de modificação
    genética humana.
  • 5:28 - 5:30
    Isso era ilegal lá,
  • 5:30 - 5:32
    mas, há apenas alguns meses,
  • 5:32 - 5:34
    eles abriram uma exceção a essa regra.
  • 5:34 - 5:36
    Aprovaram uma nova lei
  • 5:36 - 5:39
    permitindo a criação de humanos
    geneticamente modificados,
  • 5:40 - 5:44
    com o nobre objetivo de tentar evitar
    um tipo raro de doença genética.
  • 5:44 - 5:48
    Mas ainda acho que esses eventos
    combinados nos levam
  • 5:48 - 5:51
    além, na direção da aceitação
  • 5:51 - 5:53
    da modificação genética humana.
  • 5:54 - 5:57
    Assim, tenho falado
    sobre essa tecnologia CRISPR.
  • 5:57 - 5:59
    Mas o que é de fato a CRISPR?
  • 5:59 - 6:03
    Se pensarem sobre os OGMs
    com os quais estamos mais familiarizados,
  • 6:03 - 6:06
    como tomates e trigo
    geneticamente modificados
  • 6:06 - 6:08
    e coisas parecidas,
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    a CRISP é similar às tecnologias
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    que usamos com esses vegetais,
  • 6:12 - 6:15
    mas é incrivelmente melhor,
  • 6:15 - 6:17
    mais barata e rápida.
  • 6:18 - 6:20
    Então o que é isso?
  • 6:20 - 6:22
    É como se fosse
    um canivete suíço genético.
  • 6:22 - 6:24
    Suponhamos que isto
    seja um canivete suíço,
  • 6:24 - 6:26
    com várias ferramentas embutidas,
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    e uma das ferramentas seja como uma lupa
  • 6:29 - 6:31
    ou um GPS para o nosso DNA,
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    que pode localizar um certo ponto.
  • 6:34 - 6:36
    Outra ferramenta seja como uma tesoura,
  • 6:36 - 6:39
    que possa cortar o DNA
    exatamente nesse ponto.
  • 6:39 - 6:41
    E, finalmente, uma caneta
  • 6:41 - 6:46
    com a qual pudéssemos reescrever
    o código genético naquele lugar.
  • 6:46 - 6:47
    Simples assim.
  • 6:48 - 6:51
    E essa tecnologia, que entrou em cena
    há apenas três anos,
  • 6:51 - 6:53
    arrebatou a ciência.
  • 6:54 - 6:58
    Essa evolução é tão rápida
    e tão animadora para os cientistas
  • 6:58 - 7:02
    -- e admito estar fascinado por ela
    e usá-la no meu laboratório --,
  • 7:03 - 7:06
    que acho que alguém dará um passo além
  • 7:06 - 7:09
    e continuará o trabalho de MG
    em embriões humanos,
  • 7:09 - 7:12
    talvez criando bebês projetados.
  • 7:13 - 7:15
    Isso é tão universal agora.
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    Isso veio à tona há três anos apenas.
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    E hoje existem milhares
    de laboratórios que têm isso à mão
  • 7:22 - 7:24
    e estão fazendo pesquisas importantes.
  • 7:24 - 7:27
    Muitos deles não estão
    interessados em projetar bebês.
  • 7:27 - 7:29
    Eles estão estudando as doenças humanas
  • 7:29 - 7:32
    e outros importantes elementos da ciência.
  • 7:32 - 7:34
    Existem pesquisas muito boas
    em curso com a CRISPR.
  • 7:35 - 7:38
    O fato de atualmente podermos
    fazer modificações genéticas
  • 7:38 - 7:42
    que costumavam levar anos
    e custar milhões de dólares,
  • 7:42 - 7:45
    e em poucas semanas,
    por uns milhares de dólares,
  • 7:45 - 7:47
    para mim, como cientista, é fantástico,
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    mas, de novo, ao mesmo tempo,
  • 7:50 - 7:53
    isso abre a porta para pessoas
    irem longe demais.
  • 7:53 - 7:55
    E, para algumas pessoas,
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    o foco não será tanto a ciência.
  • 7:58 - 8:00
    Essa não será a motivação delas.
  • 8:00 - 8:03
    Será ideologia ou corrida por lucros.
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    E elas chegarão aos bebês projetados.
  • 8:08 - 8:12
    Então, por que deveríamos
    nos preocupar com isso?
  • 8:12 - 8:15
    Sabemos, a partir de Darwin,
    se voltarmos dois séculos,
  • 8:15 - 8:19
    que a evolução e a genética impactaram
    profundamente a humanidade,
  • 8:20 - 8:21
    quem somos hoje.
  • 8:22 - 8:26
    Alguns pensam que existe um darwinismo
    social em andamento no nosso mundo,
  • 8:26 - 8:28
    e talvez até mesmo uma eugenia.
  • 8:29 - 8:32
    Imaginem essas tendências, essas forças,
  • 8:32 - 8:35
    turbinando essa tecnologia CRISPR,
  • 8:35 - 8:38
    que é tão poderosa e tão universal.
  • 8:39 - 8:43
    De fato, podemos voltar apenas um século
  • 8:43 - 8:46
    para ver a força que a eugenia pode ter.
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    Meu pai, Peter Knoepfler,
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    nasceu aqui mesmo em Viena.
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    Era Vienense e nasceu aqui em 1929.
  • 8:57 - 9:00
    Quando meus avós tiveram
    o pequeno bebê Peter,
  • 9:01 - 9:02
    o mundo era muito diferente, certo?
  • 9:02 - 9:04
    Era uma Viena diferente.
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    Os EUA eram diferentes.
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    O mundo era diferente.
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    A eugenia estava crescendo,
  • 9:09 - 9:11
    e meus avós se deram conta
  • 9:11 - 9:13
    rapidamente, creio,
  • 9:13 - 9:16
    de que estavam do lado errado
    da equação da eugenia.
  • 9:17 - 9:19
    Então, embora aqui fosse sua casa
  • 9:19 - 9:21
    e o lar de toda a sua família,
  • 9:21 - 9:26
    e de esta região ter sido o lar
    da sua família por gerações,
  • 9:26 - 9:29
    eles decidiram, por conta da eugenia,
  • 9:29 - 9:30
    que deveriam partir.
  • 9:31 - 9:33
    Eles sobreviveram,
    mas com o coração partido,
  • 9:33 - 9:37
    e não estou certo de que meu pai
    tenha superado ter deixado Viena.
  • 9:37 - 9:41
    Ele saiu quando tinha
    apenas oito anos, em 1938.
  • 9:43 - 9:46
    Então, hoje, vejo uma nova eugenia
  • 9:46 - 9:48
    borbulhando na superfície.
  • 9:48 - 9:53
    Era para ser uma eugenia
    amável, gentil, positiva
  • 9:53 - 9:55
    e diferente dessas coisas do passado.
  • 9:56 - 10:00
    Mas acho que, mesmo que o objetivo
    seja melhorar as pessoas,
  • 10:01 - 10:03
    poderia ter consequências negativas,
  • 10:03 - 10:05
    e me preocupa muito
  • 10:05 - 10:07
    que alguns dos maiores proponentes
    dessa nova eugenia
  • 10:07 - 10:11
    pensem que a CRISPR seja o passaporte
    para fazer isso acontecer.
  • 10:12 - 10:15
    Assim, devo admitir, vocês sabem,
    quando se fala em eugenia,
  • 10:15 - 10:17
    fala-se sobre aperfeiçoar as pessoas.
  • 10:17 - 10:19
    É uma questão complicada.
  • 10:19 - 10:22
    O que é melhor em termos de um ser humano?
  • 10:22 - 10:25
    Mas admito pensar que talvez muitos de nós
  • 10:25 - 10:28
    podemos concordar que os seres humanos
  • 10:28 - 10:30
    talvez possam ter um pouco de melhoria.
  • 10:30 - 10:32
    Olhem para nossos políticos,
  • 10:32 - 10:34
    aqui, vocês sabem, nos Estados Unidos.
  • 10:34 - 10:38
    Melhor nem falar sobre lá agora.
  • 10:38 - 10:40
    Talvez, mesmo se nos olharmos no espelho,
  • 10:40 - 10:43
    deve haver maneiras de achar
    que podemos melhorar.
  • 10:43 - 10:47
    Eu desejaria, honestamente, ter mais
    cabelos aqui, ao invés de ser careca.
  • 10:47 - 10:50
    Alguns desejariam ser mais altos,
  • 10:50 - 10:53
    ter peso ou aparência diferentes.
  • 10:54 - 10:57
    Se pudermos fazer essas coisas,
    fazer essas coisas acontecerem
  • 10:57 - 11:00
    ou fazê-las acontecer
    com as nossas crianças,
  • 11:00 - 11:01
    isso seria muito sedutor.
  • 11:02 - 11:05
    Ainda que com isso viessem esses riscos.
  • 11:05 - 11:07
    Eu falei sobre a eugenia,
  • 11:07 - 11:10
    mas há riscos para os indivíduos também.
  • 11:10 - 11:12
    Se desconsiderarmos
    o aprimoramento das pessoas,
  • 11:12 - 11:17
    e tentarmos apenas torná-las mais
    saudáveis usando a modificação genética,
  • 11:17 - 11:19
    com essa tecnologia tão nova
  • 11:19 - 11:21
    e tão poderosa,
  • 11:21 - 11:24
    poderíamos, por acidente,
    tornar as pessoas mais doentes.
  • 11:25 - 11:27
    Isso poderia acontecer facilmente.
  • 11:27 - 11:28
    E há outro risco,
  • 11:28 - 11:33
    que é toda a pesquisa legítima
    e importante da modificação genética
  • 11:33 - 11:34
    que acontece nos laboratórios,
  • 11:34 - 11:37
    repito, sem interesse em bebês projetados,
  • 11:37 - 11:40
    e algumas pessoas indo
    pelo caminho de projetar bebês,
  • 11:40 - 11:42
    as coisas ficariam tão ruins
  • 11:42 - 11:45
    que poderiam pôr tudo a perder.
  • 11:45 - 11:48
    Eu também acho que não é tão improvável
  • 11:48 - 11:52
    que os governos possam começar
    a ter interesse na modificação genética.
  • 11:53 - 11:58
    Por exemplo, nossa imaginada criança
    modificada geneticamente, a Jenna,
  • 11:58 - 11:59
    que é mais saudável,
  • 11:59 - 12:03
    se houver uma geração assim,
    haverá menos custo de saúde,
  • 12:03 - 12:07
    é possível que os governos comecem
    a tentar estimular os cidadãos
  • 12:07 - 12:09
    a adotarem a modificação genética.
  • 12:09 - 12:11
    Vejam a política do filho único na China.
  • 12:11 - 12:17
    Um pensamento que evitou o nascimento
    de 400 milhões de seres humanos.
  • 12:18 - 12:21
    Então, não está além da esfera do possível
  • 12:21 - 12:25
    que a modificação genética
    possa ser algo que o governo estimule.
  • 12:25 - 12:29
    E se bebês projetados
    se tornarem populares,
  • 12:29 - 12:31
    na nossa era digital,
  • 12:31 - 12:33
    com vídeos virais, mídia social,
  • 12:33 - 12:36
    e se os bebês projetados
    se tornassem uma moda,
  • 12:36 - 12:38
    e tornassem muito famosos,
  • 12:38 - 12:40
    novos Kardashians ou coisa assim?
  • 12:40 - 12:41
    (Risos)
  • 12:41 - 12:45
    Será que podemos realmente
    controlar essas tendências?
  • 12:45 - 12:48
    Não estou convencido de que possamos.
  • 12:49 - 12:52
    Então, outra vez, hoje é Halloween
  • 12:52 - 12:54
    e, quando se fala em modificação genética,
  • 12:54 - 12:57
    existe um personagem
    associado ao Halloween
  • 12:57 - 13:02
    de que falamos e sempre nos lembramos,
    que é o Frankenstein.
  • 13:03 - 13:07
    Especialmente alimentos modificados
    e todas essas outras coisas.
  • 13:07 - 13:12
    Mas, se pensarmos nisso agora
    no contexto humano,
  • 13:12 - 13:13
    num dia como o Halloween,
  • 13:13 - 13:18
    se os pais podem, na essência,
    "customizar" seus filhos geneticamente,
  • 13:18 - 13:23
    estamos falando de algo
    como um Frankenstein 2.0?
  • 13:24 - 13:27
    Não creio; não acho que será
    assim tão radical.
  • 13:27 - 13:31
    Mas, se formos meio que hackear
    o código humano,
  • 13:31 - 13:35
    acho que é imprevisível
    em termos do que pode advir disso.
  • 13:35 - 13:36
    Ainda haverá perigos.
  • 13:38 - 13:39
    Podemos olhar o passado,
  • 13:39 - 13:42
    para outros elementos
    da ciência transformadora
  • 13:42 - 13:46
    e ver como eles podem sair de controle
  • 13:46 - 13:47
    e permear a sociedade.
  • 13:48 - 13:51
    Então lhes darei um exemplo,
    que é o da fertilização in vitro.
  • 13:52 - 13:56
    Há quase 40 anos,
  • 13:56 - 14:00
    o primeiro bebê de proveta,
    Louise Brown, nasceu
  • 14:00 - 14:01
    e foi espetacular,
  • 14:01 - 14:07
    e acho, que desde lá, 5 milhões
    de bebês de proveta nasceram,
  • 14:07 - 14:08
    trazendo felicidade imensurável.
  • 14:08 - 14:11
    Muitos pais podem agora amar seus filhos.
  • 14:12 - 14:14
    Mas, se pensarmos nisso, em 4 décadas,
  • 14:14 - 14:17
    5 milhões de bebês nasceram
    com base em uma tecnologia nova,
  • 14:18 - 14:19
    é realmente incrível,
  • 14:19 - 14:22
    e o mesmo tipo de coisa poderia acontecer
  • 14:22 - 14:25
    com a modificação genética humana
    e bebês projetados.
  • 14:25 - 14:28
    Então, dependendo das decisões
    que tomarmos nos próximos meses,
  • 14:28 - 14:30
    próximo ano ou coisa assim,
  • 14:30 - 14:33
    se o primeiro bebê projetado nascer,
  • 14:33 - 14:34
    em algumas décadas
  • 14:34 - 14:38
    poderiam muito bem existir milhões
    de humanos geneticamente modificados.
  • 14:38 - 14:42
    E há uma diferença também, porque,
    se nós, vocês no auditório ou eu mesmo,
  • 14:42 - 14:45
    se decidirmos ter bebês projetados,
  • 14:45 - 14:49
    seus filhos também serão geneticamente
    modificados, e assim por diante,
  • 14:49 - 14:51
    porque é hereditário.
  • 14:51 - 14:52
    E essa é a grande diferença.
  • 14:54 - 14:55
    Com tudo isso em mente,
  • 14:56 - 14:57
    o que devemos fazer?
  • 14:58 - 15:00
    Na verdade, haverá uma reunião
  • 15:00 - 15:03
    em um mês a contar
    de amanhã, em Washington,
  • 15:03 - 15:05
    da Academia Nacional de Ciências dos EUA
  • 15:05 - 15:07
    para discutir essa questão específica.
  • 15:07 - 15:11
    Qual o caminho certo a seguir
    com a modificação genética humana?
  • 15:12 - 15:14
    Neste momento acredito
  • 15:14 - 15:16
    que precisamos de tempo.
  • 15:16 - 15:17
    Temos de acabar com isso.
  • 15:17 - 15:21
    Não deveríamos permitir a criação
    de pessoas geneticamente modificadas,
  • 15:21 - 15:24
    porque é simplesmente
    muito perigoso e muito imprevisível.
  • 15:25 - 15:27
    Mas existem muitas pessoas...
  • 15:27 - 15:28
    (Aplausos)
  • 15:28 - 15:29
    Obrigado.
  • 15:29 - 15:32
    (Aplausos)
  • 15:36 - 15:38
    E admito, como cientista,
  • 15:38 - 15:41
    que é um pouco assustador
    dizer isso em público,
  • 15:41 - 15:46
    porque a ciência geralmente não gosta
    de autorregulação e coisas do tipo.
  • 15:47 - 15:50
    Acredito que precisamos
    suspender essas pesquisas,
  • 15:50 - 15:53
    mas existem muitos que não
    apenas discordam de mim,
  • 15:53 - 15:55
    mas veem exatamente o oposto.
  • 15:55 - 15:58
    Eles são do tipo: "Acelera,
    velocidade total adiante,
  • 15:58 - 16:00
    vamos fazer bebês projetados".
  • 16:00 - 16:03
    Então, na reunião de dezembro
  • 16:03 - 16:06
    e em outras reuniões que provavelmente
    ocorrerão nos próximos meses,
  • 16:06 - 16:09
    é muito possível
    que não haverá adiamento.
  • 16:09 - 16:12
    Acho que parte do problema
  • 16:12 - 16:14
    é que toda essa tendência,
  • 16:14 - 16:19
    essa revolução da modificação genética
    aplicada aos seres humanos
  • 16:19 - 16:20
    é desconhecida pelo público.
  • 16:20 - 16:22
    Ninguém está dizendo:
  • 16:22 - 16:26
    "Vejam, é importante, é revolucionário,
  • 16:26 - 16:28
    e isso pode nos afetar diretamente".
  • 16:28 - 16:31
    E parte do meu objetivo
    é de fato mudar isso,
  • 16:31 - 16:34
    e educar e engajar o público
  • 16:34 - 16:37
    e fazer vocês falarem sobre isso.
  • 16:38 - 16:41
    E espero que haja nessas reuniões
    lugar para o público,
  • 16:41 - 16:44
    para trazer também sua voz.
  • 16:46 - 16:50
    Se visualizarmos agora 2030,
    aquela história imaginária,
  • 16:51 - 16:54
    dependendo das decisões
    que tomarmos, repito, hoje,
  • 16:54 - 16:56
    literalmente não temos muito tempo,
  • 16:56 - 16:58
    nos próximos meses,
    no próximo ano ou quase,
  • 16:58 - 17:01
    porque essa tecnologia está
    se espalhando rapidamente.
  • 17:02 - 17:04
    Vamos imaginar que voltamos
    àquela realidade.
  • 17:05 - 17:06
    Estamos num parque,
  • 17:06 - 17:10
    e nosso filho está brincando no balanço.
  • 17:11 - 17:13
    Nosso filho é um garoto natural
  • 17:13 - 17:17
    ou decidimos ter um filho projetado?
  • 17:17 - 17:20
    Digamos que tenhamos seguido
    o caminho tradicional
  • 17:20 - 17:23
    e temos nosso filho no balanço,
  • 17:23 - 17:26
    e, francamente, ele está
    longe de se perfeito.
  • 17:26 - 17:28
    O cabelo não para penteado, como o meu.
  • 17:28 - 17:30
    O nariz está entupido.
  • 17:31 - 17:33
    Não é o melhor aluno do mundo.
  • 17:33 - 17:35
    É adorável, vocês o amam,
  • 17:35 - 17:37
    mas, no balanço ao lado,
  • 17:37 - 17:40
    o melhor amigo dele é um garoto
    modificado geneticamente,
  • 17:40 - 17:43
    e os dois estão balançando juntos,
  • 17:43 - 17:45
    e é impossível não compará-los, certo?
  • 17:45 - 17:47
    E o garoto modificado balança mais alto,
  • 17:47 - 17:50
    tem melhor aparência, é melhor aluno,
  • 17:50 - 17:53
    não está com o nariz sujo
    que precisa ser assoado.
  • 17:53 - 17:55
    Como vocês se sentem com relação a isso?
  • 17:55 - 17:58
    E que decisão tomarão da próxima vez?
  • 17:59 - 18:00
    Obrigado.
  • 18:00 - 18:03
    (Aplausos)
Title:
O dilema ético dos bebês projetados
Speaker:
Paul Knoepfler
Description:

Criar pessoas geneticamente modificadas já não é fantasia de ficção científica; isso já é um provável cenário futuro. O biólogo Paul Knoepler estima que, daqui a 15 anos, os cientistas usarão a tecnologia de modificação de genes CRISPR para fazer algumas "atualizações" nos embriões humanos, alterando a aparência física para eliminar o risco de doenças autoimunes. Nesta palestra provocadora, Knoepfler nos prepara para a revolução dos bebês projetados que está chegando e suas consequências pessoais e imprevisíveis.

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Video Language:
English
Team:
TED
Project:
TEDTalks
Duration:
18:19

Portuguese, Brazilian subtitles

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