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← Como os EUA abandonam os novos pais — e os seus bebés | Jessica Shortall | TEDxSMU

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Showing Revision 5 created Today by Margarida Ferreira.

  1. Qual o aspeto de uma mãe que trabalha?
  2. Se procurarem na Internet
    é isto que vos mostram.
  3. Não admira que seja isto que produzimos
  4. (Risos)
  5. se tentarmos trabalhar ao computador
    com um bebé ao colo.
  6. (Risos)
  7. Mas não, esta não é uma mãe trabalhadora.
  8. Hão de reparar num aspeto destas fotos.
    Vamos ver muitas como estas.
  9. É uma imagem com uma luminosidade
    natural assombrosa.
  10. que, como todos sabemos,
  11. é a marca da imagem
    de todos os locais de trabalho americanos.
  12. (Risos)
  13. Há milhares de imagens como estas.
  14. Basta pôr a expressão "working mother"
    em qualquer motor de busca Google
  15. para encontrarmos estas fotos.
  16. A Internet está cheia delas,
  17. encabeçam as publicações
    de blogues e noticias
  18. e eu sinto-me obcecada por elas
    e pela mentira que nos impingem
  19. e o conforto que nos transmitem
  20. de que, em relação
    às mães trabalhadoras nos EUA,
  21. tudo corre bem.
  22. Mas nada corre bem.
  23. Enquanto país, pomos milhões
    de mulheres a voltar ao trabalho
  24. todos os anos, demasiado cedo
    e de forma terrível,
  25. logo depois de elas darem à luz.
  26. É um problema moral
  27. mas hoje também vos vou dizer
    porque é que é um problema económico.
  28. Fico tão irritada e obcecada
    com o irrealismo destas imagens
  29. que não se parecem
    nada com a minha vida,
  30. que decidi fotografar e ser a estrela
    numa série humorística de fotografias
  31. que espero que o mundo comece a usar
  32. só para mostrar a terrível realidade
    de ter de voltar ao trabalho
  33. quando a fonte alimentar do bebé
    está pendurada no nosso peito.
  34. Vou mostrar apenas duas delas.
  35. (Risos)
  36. Nada melhor para conseguir uma promoção
    do que uma mancha de leite
  37. no nosso vestido,
    durante uma apresentação.
  38. Hão de reparar que não há
    nenhum bebé nesta foto
  39. porque não é assim que as coisas funcionam
  40. para a maioria das mães trabalhadoras.
  41. Sabiam — isto vai dar cabo do vosso dia —
  42. que, sempre que descarregamos
    um autoclismo,
  43. o conteúdo passa a aerossol
    e é transportado no ar durante horas?
  44. No entanto, para muitas mães trabalhadoras
  45. é o único sítio durante o dia
    em que podem bombar o leite,
  46. para os seus bebés recém-nascidos.
  47. Eu divulguei estas coisas,
    umas dezenas delas, por todo o mundo.
  48. Queria chamar a atenção.
  49. Mas não sabia que também
    estava a abrir uma porta,
  50. porque agora, pessoas totalmente
    desconhecidas, de todas as condições,
  51. estão sempre a escrever-me
  52. só para me dizerem como é
    para elas voltarem ao trabalho
  53. dias ou semanas depois
    de terem um bebé.
  54. Vou contar-vos 10 das suas histórias.
  55. São totalmente reais,
    algumas delas muito cruas,
  56. e nenhuma delas se parece com isto.
  57. Esta é a primeira.
  58. "Eu era um membro de serviço
    no ativo, numa prisão federal.
  59. "Regressei ao trabalho
    depois do máximo de oito semanas
  60. permitidas para uma cesariana.
  61. "Um colega estava aborrecido
    por eu ter estado 'de férias',
  62. "e abriu a porta de propósito,
    quando eu estava a tirar o leite
  63. "e postou-se na porta
    com os presos no meio do pátio".
  64. A maioria das histórias que estas
    mulheres, desconhecidas me enviam
  65. nem sequer são sobre a amamentação.
  66. Uma mulher escreveu-me para dizer:
  67. "Dei luz a gémeos e voltei ao trabalho
    depois de sete semanas sem vencimento.
  68. "Emocionalmente, eu estava um farrapo.
  69. "Fisicamente, tive uma grave hemorragia
    durante o parto e uma grave rotura,
  70. "por isso quase não podia
    estar de pé, sentada ou a andar.
  71. "O meu patrão disse-me que não podia
    usar os meus dias de férias
  72. "porque estava-se na altura do orçamento".
  73. Acabei por pensar que não podemos
    olhar para situações destas
  74. porque ficamos horrorizadas,
  75. e, se ficamos horrorizadas,
    temos de fazer algo quanto a isso.
  76. Portanto, optamos por olhar
    e acreditar nestas imagens.
  77. Eu não sei o que se passa nesta foto
  78. porque acho-a esquisita
    e um pouco assustadora.
  79. (Risos)
  80. O que é que ela está a fazer?
  81. Mas sei o que nos diz,
  82. diz-nos que está tudo bem.
  83. Esta mãe trabalhadora, todas elas
    e todos os seus bebés estão ótimos.
  84. Aqui não há nada para ver.
  85. Afinal, foram as mulheres que escolheram,
  86. por isso, o problema não é nosso.
  87. Eu quero dividir esta coisa
    de escolha em duas partes.
  88. A primeira escolha diz
    que as mulheres escolheram trabalhar.
  89. Isso não é verdade.
  90. Hoje, nos EUA, as mulheres
    constituem 47% da força de trabalho
  91. e em 40% das famílias norte-americanas
  92. uma mulher é o único
    ou o principal ganha-pão.
  93. O nosso trabalho pago é uma parte,
    uma enorme parte, do motor da economia
  94. e é essencial para as nossas famílias.
  95. A nível nacional,
    o nosso trabalho pago não é opcional.
  96. A escolha número dois diz
    que as mulheres escolhem ter filhos,
  97. por isso, só as mulheres devem suportar
    as consequências dessa decisão.
  98. Isto é uma daquelas coisas
  99. que, quando ouvimos de passagem,
    podem parecer corretas.
  100. "Eu não lhe disse para ter um filho.
  101. "Nem estava lá quando isso aconteceu.
  102. Mas essa posição
    ignora uma verdade fundamental:
  103. a nossa procriação,
    à escala nacional, não é uma opção.
  104. Os bebés que muitas das mulheres
    trabalhadoras estão a ter hoje,
  105. serão um dia a nossa força de trabalho,
    protegerão as nossas costas,
  106. formarão a nossa base de impostos.
  107. A nossa procriação,
    à escala nacional, não é uma opção.
  108. Não se trata de escolhas.
  109. Precisamos de mulheres a trabalhar,
    precisamos que elas tenham filhos.
  110. Devemos fazer com que
    estas coisas, ao mesmo tempo,
  111. sejam minimamente agradáveis.
  112. Ok, vamos a um teste relâmpago:
  113. Qual é a percentagem de mulheres
    trabalhadoras nos EUA
  114. que não têm acesso a licença
    de maternidade paga?
  115. 88%.
  116. 88% de mães trabalhadoras
    não recebem um minuto de licença paga
  117. depois de terem um bebé.
  118. Vocês agora devem estar a pensar
    na licença não paga.
  119. Existe nos EUA, chama-se FMLA
    mas não funciona.
  120. Dada a forma como está estruturada,
    com todo o tipo de exceções.
  121. metade das mães
    não podem beneficiar dela.
  122. É assim que é:
  123. "Adotámos o nosso filho.
  124. "Quando recebi a chamada,
    no dia em que ele nasceu,
  125. "tive de sair do trabalho.
  126. "Não tinha trabalhado tempo suficiente
    para beneficiar do FMLA,
  127. "por isso não tive direito
    à licença não paga.
  128. "Quando saí do trabalho para receber
    o meu filho recém-nascido,
  129. "perdi o emprego".
  130. Estas fotos escondem outra
    realidade, outra faceta.
  131. Dentre as que têm acesso
    a essa licença não paga,
  132. a maioria das mulheres
    não podem gozar a maior parte dela.
  133. Uma enfermeira disse-me:
  134. "Não me qualifiquei
    para incapacidade a curto prazo
  135. "porque a minha gravidez foi considerada
    como uma situação pré-existente.
  136. "Usámos todo o crédito fiscal
    e metade das nossas poupanças
  137. "durante as seis semanas não pagas.
  138. "Não podíamos aguentar mais tempo.
  139. "Fisicamente foi difícil
    mas emocionalmente ainda foi pior.
  140. "Sofri durante meses
    por estar longe do meu filho".
  141. Esta decisão de voltar
    ao trabalho tão cedo
  142. é uma decisão racional económica
    motivada pelas finanças da família,
  143. mas é fisicamente terrível
  144. porque pôr um ser humano
    no mundo é complicado.
  145. Uma empregada de mesa disse-me:
  146. "Com o primeiro filho, voltei ao trabalho
    cinco semanas depois do parto.
  147. "Com o segundo, tive de fazer
    uma grande cirurgia depois do parto,
  148. "por isso esperei seis semanas
    para voltar ao trabalho.
  149. "Tive rasgões de terceiro grau".
  150. 23% das mães trabalhadoras nos EUA
  151. voltam ao trabalho
    duas semanas depois do parto.
  152. "Eu trabalhava num bar e cozinhava,
    75 horas por semana, enquanto grávida.
  153. "Tive de voltar ao trabalho
    antes de o meu bebé ter um mês,
  154. "e trabalhava 60 horas por semana.
  155. "Uma das minhas colegas
    só pôde estar 10 dias com o bebé dela".
  156. Claro, isto não é só um cenário
    com implicações económicas e físicas.
  157. Um parto é, e será sempre,
  158. um acontecimento
    extremamente psicológico.
  159. Uma professora disse-me:
  160. "Regressei ao trabalho oito semanas
    depois de o meu filho nascer.
  161. "Já sofria de ansiedade,
  162. "mas os ataques de pânico que eu tive
    antes de voltar ao trabalho
  163. "eram insuportáveis".
  164. Falando estatisticamente,
  165. quanto mais curta é a licença
    de uma mulher depois do parto,
  166. mais provavelmente ela sofrerá
    de perturbações pós-parto,
  167. como depressão e ansiedade.
  168. Entre as muitas possíveis consequências
    dessas perturbações,
  169. o suicídio é a segunda causa
    mais comum de morte
  170. das mulheres, no primeiro ano pós-parto.
  171. Atenção a esta história:
  172. Eu nunca conheci esta mulher
    mas é difícil esquecê-la.
  173. "Senti uma dor e uma fúria tremenda
    por ter perdido o essencial,
  174. "um tempo irrepetível e formativo
    com o meu filho.
  175. "O trabalho de parto deixou-me
    totalmente abalada.
  176. "Durante meses, só me lembro
    dos gritos: cólicas, diziam.
  177. "Por dentro, estava a afogar-me.
  178. "Todas as manhãs,
    perguntava a mim mesma
  179. quanto tempo eu ia aguentar.
  180. "Permitiram-me levar
    o meu bebé para o trabalho.
  181. "Fechava a porta do gabinete
    embalava-o e tentava calá-lo.
  182. "Implorava-lhe que deixasse de gritar
    para eu não ter problemas.
  183. "Escondia-me atrás daquela porta
    todos os malditos dias
  184. "e chorava enquanto ele gritava.
  185. "Chorava na casa de banho
    enquanto lavava a bomba do leite.
  186. "Todos os dias, chorava a caminho
    do trabalho e quando voltava para casa.
  187. "Prometi ao meu chefe que o trabalho
    que não fizesse de dia
  188. "fá-lo-ia à noite, em casa.
  189. "Achava que devia ter algum problema
    para não conseguir lidar com aquilo.".
  190. Isto quanto às mães.
  191. E quanto aos bebés?
  192. Enquanto país, preocupamo-nos
    com os milhões de bebés
  193. nascidos todos os anos
    de mães trabalhadoras?
  194. Não. Só nos preocupamos
    quando eles chegam à idade de trabalhar,
  195. de pagar impostos,
    de prestar serviço militar.
  196. Dizem-lhes: "Vemo-nos
    quando tiveres 18 anos.
  197. "Até lá chegares, o problema é teu".
  198. Uma das razões por que sei isto
    é que os bebés
  199. cujas mães estão com eles
    durante 12 semanas ou mais,
  200. têm mais probabilidade de receber
    vacinas e inspeções no primeiro ano.
  201. Assim, esses bebés estão mais protegidos
    contra doenças mortais e incapacitantes.
  202. Mas essas coisas estão escondidas
    por detrás de imagens como esta.
  203. Os EUA têm uma mensagem
  204. para as mães que trabalham
    e para os seus bebés:
  205. "Qualquer tempo que passem juntos
    devem sentir-se agradecidas.
  206. "Vocês são um inconveniente
  207. "para a economia
    e para os vossos patrões".
  208. Esta conversa de gratidão
    aparece em muitas histórias que oiço.
  209. Uma mulher disse-me:
  210. "Fui trabalhar oito semanas
    depois duma cesariana
  211. "porque o meu marido
    estava desempregado.
  212. "Sem mim, a minha filha
    teve dificuldade em desenvolver-se.
  213. "Não aceitava o biberão.
    Começou a perder peso.
  214. "Felizmente, o meu patrão
    foi muito compreensivo.
  215. "Deixou que a minha mãe
    me levasse a bebé
  216. "que estava a oxigénio
    e tinha um monitor,
  217. "quatro vezes por turno,
    para eu poder amamentá-la".
  218. Há um pequeno clube
    de países no mundo
  219. que não proporcionam
    licença paga às mães.
  220. Querem saber quem são eles?
  221. Os primeiros oito representam
    oito milhões de população total.
  222. São a Papua Nova-Guiné,
    o Suriname e as pequenas ilhas nação
  223. da Micronésia, Ilhas Marshall,
    Nauru, Niue, Palau e Tonga.
  224. O número nove são os EUA,
  225. com 320 milhões de pessoas.
  226. E é tudo.
  227. É o fim da lista.
  228. Todas as outras economias do planeta
  229. arranjaram forma de ter
    uma licença de maternidade paga
  230. para as pessoas que trabalham
    para o futuro desses países.
  231. Mas nós dizemos;
    "É impossível fazermos isso".
  232. Dizemos que o mercado
    resolverá esse problema
  233. e depois damos vivas quando
    as empresas oferecem
  234. uma maior licença de maternidade paga
  235. às mulheres que já são as mais instruídas
    e mais bem pagas de todas.
  236. Lembram-se dos 88%?
  237. São as mulheres de rendimentos médios
    e baixos que não vão beneficiar disso.
  238. Sabemos que há custos enormes
    económicos, financeiros,
  239. físicos e emocionais
    nesta abordagem.
  240. Decidimos — decidimos,
    não foi por acaso —
  241. passar esses custos, diretamente,
    para as mães trabalhadoras e seus bebés.
  242. Sabemos que o preço é mais alto
    para mulheres de baixos rendimentos,
  243. portanto, desproporcionadamente
    para as mulheres de cor.
  244. Mas passamo-los na mesma.
  245. Tudo isto é uma vergonha para os EUA.
  246. Mas também é um risco para os EUA.
  247. Porque o que aconteceria
  248. se todas estas alegadas escolhas
    individuais de ter bebés
  249. começassem a passar a escolhas
    individuais de não ter bebés?
  250. Uma mulher disse-me:
  251. "Ser mãe é difícil,
    não devia ser traumático.
  252. "Quando falamos em aumentar a família,
  253. "pensamos em quanto tempo
    eu teria de cuidar de mim e de outro bebé.
  254. "Se tivermos de passar
    pelo mesmo que o primeiro,
  255. "o melhor é ficar apenas com um filho".
  256. A taxa de natalidade para manter estável
    a população que os EUA precisam
  257. é de 2,1 filhos por mulher.
  258. Nos EUA hoje, estamos em 1,86.
  259. Precisamos que as mulheres
    tenham filhos,
  260. e estamos a desincentivar ativamente
    as mulheres trabalhadoras de os terem.
  261. O que aconteceria à força de trabalho,
    à inovação, ao PIB,
  262. se, uma a uma, as mães trabalhadoras
    deste país, viessem a decidir
  263. que não podem suportar
    mais do que um?
  264. Estou aqui hoje com uma
    única ideia que vale a pena espalhar
  265. e vocês já sabem qual é.
  266. Há muito que o país
    mais poderoso da Europa
  267. devia proporcionar licença
    de maternidade paga
  268. às pessoas que fazem o trabalho
    do futuro deste país
  269. e aos bebés que representam esse futuro.
  270. A maternidade é um bem público.
  271. Essa licença deve ser
    subsidiada pelo estado,
  272. não deve haver exceções
    para as pequenas empresas,
  273. o tempo de trabalho ou os empresários.
  274. Tem de poder ser partilhada
    pelos parceiros.
  275. Eu hoje tenho falado muito das mães,
  276. mas os pais são importantes
    a muitos níveis.
  277. Nenhuma mulher
    deve ter de voltar ao trabalho
  278. enquanto está a recuperar e a sangrar.
  279. Nenhuma família deve
    esgotar as suas poupanças
  280. para comprar uns dias de descanso
    e de recuperação e de contacto.
  281. Nenhum frágil recém-nascido
  282. deve ter de ir diretamente
    da incubadora para um berçário
  283. porque os pais esgotaram
    todo o seu escasso tempo,
  284. na Unidade de Cuidados
    Intensivos Neonatais.
  285. Nenhuma família trabalhadora
    deve ouvir dizer
  286. que o conflito entre
    o seu trabalho necessário
  287. e a sua maternidade necessária
  288. é apenas um problema dela.
  289. O problema é que, quando isso acontece
    a uma nova família, é desgastante
  290. e uma família com um bebé
    é mais vulnerável, financeiramente,
  291. do que já era,
  292. por isso uma mãe não pode protestar.
  293. Mas todos nós temos vozes.
  294. Eu já não posso ter mais filhos.
  295. Vocês podem vir a ter um bebé,
  296. podem já não ter mais bebés,
  297. podem não ter nenhum bebé.
  298. Isso não interessa.
  299. Temos de deixar de encarar isto
    como o problema duma mãe
  300. ou mesmo como um problema das mulheres.
  301. Isto é um problema dos EUA.
  302. Precisamos de deixar de aceitar
    a mentira que estas imagens nos impingem.
  303. Precisamos de deixar de ficar
    tranquilas com elas.
  304. Precisamos de questionar
    porque é que isto não pode funcionar,
  305. quando vemos que funciona
    em todas as partes do mundo.
  306. Precisamos de reconhecer
    que esta realidade dos EUA
  307. é uma vergonha para nós e um perigo.
  308. Porque não é,
  309. não é.
  310. Uma mãe trabalhadora não é nada disto.
  311. (Aplausos)