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← Vamos proteger os oceanos como os parques nacionais

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Showing Revision 6 created 11/01/2018 by Margarida Ferreira.

  1. De todas as minhas memórias de infância
  2. há uma que se destaca
    sobre todas as restantes.
  3. É a altura em que os meus corajosos pais
  4. alugaram uma caravana, meteram-me
    lá dentro com os meus irmãos
  5. e dirigiram-se para oeste
    da nossa casa em Minneapolis
  6. para o Parque Nacional de Yellowstone.
  7. Vimos as vistas todas, os géiseres,
    parámos nas Badlands
  8. mas, mais do que qualquer desses locais,
    lembro-me disso como uma aventura.
  9. Esta foi a minha apresentação
    ao Oeste Selvagem.

  10. Mas foi só quando mais velho
  11. e aprendi mais coisas
    sobre o Serviço Nacional de Parques
  12. que percebi a sorte que tinha.
  13. Por um lado, por ter tido
    aquela experiência
  14. mas também porque, há centenas de anos,
  15. as pessoas tiveram a clarividência
    de reservar os melhores locais,
  16. os melhores ecossistemas
    do país, para toda a gente
  17. e para as gerações futuras.
  18. Para apreciar devidamente
    como essa ideia foi previdente,
  19. temos que recuar
  20. e olhar para a história
    do Serviço Nacional de Parques.
  21. Muita gente sabe que o primeiro parque
    nacional foi Yellowstone, em 1872,

  22. Muita gente pensa em John Muir,
    o poeta naturalista
  23. que foi um grande visionário
  24. em inspirar as pessoas
    na ideia da conservação,
  25. de que precisamos de reservar
    os melhores locais e protegê-los.
  26. Tinha audiência em círculos muito altos
  27. — há uma história de Teddy Roosevelt
    ter ido fazer uma caminhada com John Muir
  28. em Yosemite, durante a sua presidência,
  29. durante quatro dias, totalmente
    sem formalismos, apenas os dois.
  30. Imaginam um presidente
  31. a desaparecer, sem qualquer
    protocolo, durante quatro dias?
  32. (Risos)

  33. Sem Twitter.

  34. (Risos)

  35. (Aplausos)
  36. Gosto da ideia.

  37. Mas isso teve grande impacto
    em Theodore Roosevelt.

  38. E criou dezenas de parques nacionais,
  39. centenas de milhares de hectares
    de refúgios nacionais da vida selvagem.
  40. Foi uma administração importante
    mas não foi um negócio fechado.
  41. Menos de 10 anos depois
    de ele ter criado todos esses locais,
  42. o futuro desses locais
    estava em grande dúvida.
  43. Foi só quando Stephen Mather,
  44. um homem de negócios de Chicago,
  45. escreveu uma carta furiosa,
    ao Departamento do Interior, a dizer:
  46. "Vocês não estão a fazer um bom trabalho,
    na proteção e preservação destes locais".
  47. Nessa altura, fez-se qualquer coisa.
  48. O Departamento do Interior
    respondeu-lhe:
  49. "Mr. Mather, se se preocupa
    tanto com isso,
  50. "porque é que não vem
    a Washington e trata disso?"
  51. (Risos)

  52. E ele foi.

  53. Arranjou um cargo
    no Departamento do Interior
  54. mas, mais importante,
    iniciou uma campanha.
  55. Teve uma reunião, em 1914,
    a dois quarteirões daqui,
  56. no California Hall
  57. e reuniu os superintendentes
    dos parques e outras pessoas
  58. que se preocupavam
    com a ideia da conservação.
  59. Estabeleceram um plano,
    congeminaram uma campanha
  60. que acabou por levar
    ao Serviço Nacional de Parques, em 1916.
  61. Isso é muito importante
  62. porque passou duma ideia
    de que se devia proteger aqueles locais
  63. para um plano real,
  64. uma forma de as pessoas aderirem
    e levarem essa ideia para a frente
  65. para as gerações futuras,
  66. para que crianças como eu
    pudessem ter experiências extraordinárias.
  67. Esta é a história
    dos Parques Nacionais em terra.

  68. O oceano, de que vou falar hoje,
  69. é uma história totalmente diferente.
  70. Estamos quase exatamente
    com cem anos de atraso.
  71. O primeiro santuário marinho
    foi em 1972,
  72. depois do derrame de petróleo
    em Santa Barbara.
  73. As pessoas interessaram-se
    em agarrar nesse conceito
  74. e aplicaram-no aos ambientes
    submarinos.
  75. Tivemos o nosso John Muir
    que é a Dra. Sylvia Earle,
  76. que tem sido uma defensora incansável
  77. para a criação de áreas marinhas
    protegidas em todo o mundo.
  78. Sei que há muitas más notícias
    sobre os oceanos,
  79. a poluição do plástico,
    o embranquecimento dos corais,
  80. a pesca em excesso
  81. — por vezes, é difícil
    assimilar tudo isso.
  82. Mas esta ideia de reservar
    locais para a natureza está a funcionar.
  83. A ciência diz-nos que,
    se reservarmos estes locais,
  84. a natureza regenerará
    e podemos manter os oceanos saudáveis.
  85. Por isso, sabemos que a ideia funciona.
  86. A Dra. Sylvia Earle
    tem sido influente, tal como John Muir,
  87. junto das administrações
  88. — George W. Bush e Obama
    foram fantásticos presidentes do oceano,
  89. criando áreas marinhas protegidas
    por todo o país.
  90. Isto não é uma ideia conservadora
    nem uma ideia liberal,
  91. nem sequer é uma ideia americana,
  92. é apenas uma boa ideia.
  93. (Risos)

  94. (Aplausos)

  95. Aqui estamos, uns anos depois.

  96. E agora a administração está a propor
    inverter uma série de progressos
  97. que fizemos nos últimos 20 anos.
  98. Vá lá, não chorem — organizem-se.
  99. Precisamos de fazer o que Stephen Mather
    fez há 100 anos.
  100. Precisamos de iniciar uma campanha
    para cativar as pessoas para esta ideia.
  101. Penso que precisamos duma liga
    de cidadãos cientistas para o oceano.
  102. Já vi vislumbres desse futuro
    e sei que é possível.
  103. O meu amigo Erik e eu começámos
    a criar robôs submarinos,

  104. pequenas câmaras nadadoras
    com luzes que vemos debaixo de água.
  105. Começámos a construi-las
    na garagem dele, há cinco anos,
  106. e assistimos ao seu crescimento
  107. nesta comunidade de milhares
    de pessoas do mundo inteiro
  108. que acreditam que todos devem
    ter acesso a esses locais.
  109. Todos merecemos os instrumentos
    para ir e explorar.
  110. Há histórias como a de Laura James,
  111. que com o seu robô descobriu
  112. que as estrelas-do-mar na sua área
    estavam a morrer.
  113. Iniciou uma campanha de cidadã cientista,
    e recolheu dados
  114. chamando a atenção para a síndroma
    de desgaste das estrelas-do-mar,
  115. tentou perceber o que estava a acontecer.
  116. Há histórias de pescadores no México,
  117. que usaram os robôs para criar
    áreas marinhas protegidas,
  118. onde o mero-crioulo estava a desovar,
    para proteger o futuro desta espécie.
  119. São coisas fantásticas.
  120. Descobrimos que, se dermos
    os instrumentos às pessoas,
  121. elas usá-los-ão corretamente.
  122. Mas precisamos de dar mais um passo.

  123. Penso que podemos recuperar
    a cartilha de Stephen Mather.
  124. O que é que ele fez?
  125. A primeira coisa que ele fez
    foi concentrar-se nas infraestruturas.
  126. O ano de 1914 não foi apenas
    uma época para os parques,
  127. foi também uma época
    para o automóvel,
  128. o Ford T estava a sair
    da linha de montagem.
  129. Stephen Mather compreendeu
  130. que ele ia ter um papel
    importante na cultura americana.
  131. Assim, fez parcerias com associações
    de autoestradas do país
  132. para construir estradas grandes e belas
    para esses parques.
  133. E funcionou, praticamente
    inventou o acampamento automóvel.
  134. Sabia que, se as pessoas
    não fossem àqueles locais,
  135. nunca se apaixonariam por eles
    e não se preocupariam.
  136. Essa ideia que ele teve
    foi muito perspicaz.
  137. A segunda coisa que fez

  138. foi concentrar-se
    na filantropia visionária.
  139. Stephen Mather era um empresário
    de sucesso de Chicago,
  140. e quando uma associação
    de parques precisava de financiamento,
  141. quando uma associação
    de estradas precisava de financiamento,
  142. iam ter com ele, preenchia
    um cheque, satisfazia os pedidos.
  143. Há uma ótima história
    do seu amigo William Kent
  144. que reconheceu que havia
    uma pequena mancha de sequoias
  145. esquecidas na base do Monte Tam.
  146. e, rapidamente, comprou o terreno
  147. e doou-o aos Parques Nacionais.
  148. É hoje o Muir Woods.
  149. — um dos parques nacionais
    mais populares de todo o país.
  150. Os meus pais vieram de Minnesota
    de visita
  151. mas não se preocupam com esta palestra
  152. só falam em ir ao Muir Woods.
  153. (Risos)

  154. Mas a última coisa é fundamental.

  155. Stephen Mather concentrou-se
    na participação.
  156. Numa das primeiras reuniões que teve
    sobre este novo sistema, disse:
  157. "Se forem escritores, quero
    que escrevam sobre isto.
  158. "Se forem empresários,
  159. "quero que contem
    aos vossos clubes e organizações.
  160. "Se trabalham para o governo,
    quero que aprovem regulamentações".
  161. Toda a gente tinha uma tarefa.
  162. "Cada um de vocês, todos vocês,
    tem um papel a desempenhar
  163. "para proteger estes locais
    para as gerações futuras".
  164. Cada um de vocês, todos vocês.
  165. Adoro isto.
  166. É esse o plano — simples,
    um plano de três pontos.

  167. Penso que podemos fazer o mesmo.
  168. Este foi o cabeçalho
    quando Obama criou
  169. o Monumento Nacional
    Papahanaumokuakea:
  170. "Há muito para ver,
    mas é preciso sorte para lá chegar".
  171. Mas, tal como Mather,
  172. temos que nos concentrar
    na tecnologia da nossa época,
  173. podemos criar infraestruturas digitais
    novas e fantásticas
  174. para atrair as pessoas para os oceanos.
  175. O Santuário Marinho Nacional
  176. criou todos estes maravilhosos
    vídeos VR 360
  177. onde podemos ir e ver
    como são esses locais.
  178. A nossa equipa está sempre
    a criar novos instrumentos.

  179. Este é o último, é o "drone"
    tridente submarino.
  180. É um submarino de mergulho,
    é elegante, pode meter-se numa mochila,
  181. pode descer até 100 metros, mais fundo
    do que a maioria dos mergulhadores.
  182. Pode observar ambientes
    que a maioria das pessoas nunca viram.
  183. Estão a chegar mais instrumentos
    e precisamos deles cada vez melhores.
  184. Também podemos usar
    mais filantropos visionários.
  185. Quando Erik e eu iniciámos isto,
    não tínhamos dinheiro nenhum.

  186. Estávamos a construir isto
    na garagem dele.
  187. Mas fomos à Kickstarter.
  188. Encontrámos mais de 1800 pessoas,
  189. angariámos no Kickstarter
    quase um milhão de dólares,
  190. encontrando outras pessoas
    que pensam:
  191. "Sim, isso é uma boa ideia.
    Quero participar nisso".
  192. Precisamos de mais formas
    para cativar as pessoas
  193. que se tornem em filantropos
    visionários.
  194. Também tivemos filantropos tradicionais
  195. que nos arranjaram financiamentos
    ma iniciativa SEE
  196. — a Science Education and Exploration —
  197. que nos vão ajudar a doar unidades
    às pessoas na linha da frente,
  198. pessoas que estão a fazer ciência,
  199. que nos contam as histórias,
    que inspiram comunidades.
  200. Podem ir a OpenExplorer.com
    e ver o que as pessoas andam a fazer,
  201. é extremamente inspirador.
  202. Espero que também
    vos incite a participarem.
  203. Porque há muito espaço
    para participarem.

  204. Queremos ouvir as ideias
    que têm para contar essas histórias.
  205. Porque tudo tem a ver
    com o empenhamento.

  206. Há todo o tipo de novas formas
    interessantes para as pessoas participarem
  207. na proteção desses locais.
  208. E na sua compreensão.
  209. Como Reef Check — mergulhadores com botija
    vão mergulhar e nadar em percursos
  210. para contar peixes
    e arranjar dados de biodiversidade.
  211. Reúnem informações de que precisamos
    para proteger esses locais.
  212. Se forem até à praia,
    participem em MPA Watch.
  213. Documentem que atividades veem
    quando vão a diferentes áreas.
  214. Há espaço para toda a gente participar.
  215. É só isso, é aquilo de que precisamos.
  216. Precisamos de criar um futuro
    para os netos dos nossos netos.
  217. No mês passado, fui velejar

  218. e chegámos às ilhas Farallon,
    a 25 milhas de São Francisco.
  219. A maioria das pessoas pensa nelas
    como um santuário de aves,
  220. mas agarrámos no nosso robô
    e enviámo-lo lá abaixo.
  221. Todas as pessoas no barco
  222. ficaram espantadas com a vida
    por baixo da superfície.
  223. Ou seja, são ecossistemas
    extremamente importantes.
  224. É todo um mundo selvagem
    que ainda não explorámos.
  225. Temos agora uma oportunidade
  226. tal como tivemos há 100 anos,
  227. para proteger estes locais,
  228. para instituir um plano,
    para envolver as pessoas.
  229. No ano passado, quando saiu
    a ordem executiva,

  230. para revisão de todos os progressos
    que tínhamos feito,
  231. todas essas áreas marinhas protegidas,
  232. houve mais de 100 000 pessoas
    que comentaram "online".
  233. Quase todas essas cartas diziam:
  234. "Não o façam: proteger esses locais
    é o que se deve fazer",
  235. A minha mensagem para essas
    100 000 pessoas, essas 100 000 cartas, é:
  236. "Não esperem por Washington.
  237. "Podemos ser nós a fazê-lo".
  238. Obrigado.

  239. (Aplausos)