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← A evolução do livro -- Julie Dreyfuss

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Showing Revision 8 created 06/26/2016 by Isabel Vaz Belchior.

  1. O que torna o livro, num livro?

  2. Será tudo o que armazena
    e transmite informação?
  3. Ou terá algo a ver com papel,
  4. capa,
  5. tipo de letra,
  6. tinta,
  7. o seu peso nas suas mãos,
  8. o cheiro das páginas?
  9. Será isto um livro?
  10. Provavelmente não.
  11. Mas será isto?
  12. Para achar estas respostas, há que recuar
    às origens do livro como o conhecemos,
  13. e perceber como estes aspectos se uniram,
  14. para criar algo maior
    que a soma das suas partes.
  15. O objecto mais antigo em que
    pensamos como um livro é o códice.
  16. Uma pilha de páginas,
    presas por uma das extremidades.
  17. Mas o momento decisivo
    na história do livro,
  18. foi a impressora de Johannes Gutenberg,
    em meados do século XV.
  19. O tipo móvel tinha sido inventado
    anteriormente na cultura oriental,
  20. mas a introdução da
    impressora de Gutenberg foi determinante.
  21. Subitamente, uma classe de elite de monges
    e a classe dominante
  22. perderam o controlo da produção de textos.
  23. As mensagens podiam
    ser divulgadas mais facilmente,
  24. e as cópias podiam ser produzidas
    constantemente.
  25. Então começaram a surgir tipografias
    por toda a Europa.
  26. O resultado desta explosão bibliográfica
  27. é-nos familiar nalguns aspectos,
    mas visivelmente diferente noutros.
  28. O esqueleto do livro,
    é o papel, a escrita e a capa.
  29. Há mais de 2000 anos, a China inventou
    o papel como superfície de escrita,
  30. precedido pelo papiro egípcio.
  31. Contudo, até ao séc. XVI, a maioria dos
    europeus escrevia em placas de madeira
  32. e pergaminhos resistentes,
    feitos de pele de animal esticada.
  33. A popularidade do papel
    acabou por se espalhar pela Europa,
  34. substituindo o papiro na maioria das
    impressões, pois ficava mais barato.
  35. As tintas surgiram das combinações
    de corantes de plantas e animais
  36. com água ou vinho.
  37. Mas, como a água não adere ao metal,
  38. o uso da impressora implicou uma mudança
    para óleo como base da tinta.
  39. As impressoras usavam tinta preta,
    gerada através da mistura
  40. de fuligem de lamparina,
    aguarrás e óleo de noz.
  41. Então e o tamanho e tipo de letra?
  42. As primeiras peças móveis
    eram de letras invertidas,
  43. fundidas em relevo,
    nos topos de peças de liga de chumbo.
  44. Eram feitas à mão e dispendiosas,
  45. e o "design" era tão diferente
    como as pessoas que esculpiam os moldes.
  46. Era impossível criar um padrão,
    até ter surgido a produção em massa
  47. e a criação de um sistema acessível
    de processamento de texto.
  48. Quanto ao tipo de letra,
    podemos agradecer a Nicolas Jenson,
  49. pois criou dois tipos de letra "Roman",
    que levaram a milhares de outras,
  50. tal como a famosa "Times Roman".
  51. Algo tinha de conter tudo isto junto.
  52. E até ao final do século XV, as capas
    eram essencialmente de madeira
  53. ou de várias folhas de papel
    coladas umas às outras.
  54. Estas seriam mais tarde
    substituídas pelo cartão.
  55. Destinado inicialmente a encadernações
    de alta qualidade no final do século XVII,
  56. acabaria mais tarde por se tornar
    numa opção mais económica.
  57. E embora as ilustrações de capas,
    hoje produzidas em massa,
  58. funcionem como ferramenta de "marketing",
    as primeiras eram feitas por encomenda.
  59. Até as lombadas têm uma história.
  60. Inicialmente, eram consideradas
    esteticamente irrelevantes.
  61. E as primeiras eram planas
    em vez de arredondadas.
  62. A forma plana facilitava a leitura,
  63. pois permitia deitar facilmente
    o livro numa mesa.
  64. Mas aquelas lombadas danificavam-se
    facilmente pelo desgaste do manuseamento.
  65. A forma arredondada
    resolveu esta questão,
  66. embora novos problemas tenham surgido,
    como ter o livro a fechar-se sozinho.
  67. Mas a flexibilidade era mais importante.
  68. Especialmente para quem gostava
    de ler em qualquer lugar.
  69. À medida que o livro evolui,
    e substituímos os textos fixos
  70. por ecrãs planos e tinta electrónica,
  71. serão estes objectos e arquivos
    considerados livros?
  72. Será que tocar na capa ou cheirar o papel
    adiciona algo vital à experiência?

  73. Ou será que a magia está nas palavras,
  74. independentemente de como se apresentem?