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Onde estão os bebês dinossauros? Em uma apresentação fascinante no TEDxVancouver, o paleontólogo Jack Horner explica como os cortes de crânios fósseis revelaram um segredo chocante sobre alguns de nossos dinossauros mais queridos.

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Showing Revision 3 created 12/09/2016 by Gustavo Rocha.

  1. Posso pedir que, levantem as mãos
  2. ou batam palmas,
  3. as pessoas de outras gerações?
  4. Tenho interesse em saber quantas
  5. têm entre três e 12 anos.
  6. (Risos)
  7. Ninguém, hein?
  8. Tudo bem.
  9. Eu vou falar sobre dinossauros.
  10. Lembram-se dos dinossauros quando tinham essa idade?
  11. (Aplausos)
  12. Dinossauros são meio engraçados.
  13. (Risos)

  14. Nós vamos numa direção meio diferente agora.

  15. Espero que vocês percebam isso.
  16. Então vou dar logo meu recado:
  17. Tentem não entrar em extinção.
  18. (Risos)
  19. É isso.
  20. (Risos)

  21. As pessoas me perguntam muito --

  22. uma das perguntas que mais me fazem
  23. é: por que crianças gostam tanto de dinossauros?
  24. Que fascínio é esse?
  25. E geralmente digo:
  26. "Bem, dinossauros eram grandes,
  27. diferentes e desapareceram."
  28. Desapareceram todos.
  29. Bem, não é verdade,
  30. mas chegaremos lá num instante.
  31. O tema é mais ou menos este:
  32. grandes, diferentes e desaparecidos.
  33. O título da minha apresentação:
  34. Dinossauros que Mudam de Forma:
  35. A Causa de uma Extinção Prematura.
  36. Suponho que nos lembramos dos dinossauros.

  37. E há muitas formas diferentes.
  38. Muitos tipos diferentes.
  39. Muito tempo atrás,
  40. no início dos anos de 1900,
  41. museus estavam à procura de dinossauros.
  42. Eles saíram recolhendo todos eles.
  43. E essa é uma história interessante.
  44. Cada museu queria um dinossauro um pouco maior ou melhor
  45. do que os outros tinham.
  46. Então se o museu em Toronto conseguisse
  47. coletar um Tiranossauro, um grande,
  48. o museu em Ottawa queria um maior
  49. e melhor.
  50. E era assim em relação a todos museus.
  51. Portanto todos estavam à procura
  52. desses dinossauros maiores e melhores.
  53. Isso foi no início dos anos de 1900.
  54. Mais ou menos em 1970,

  55. alguns cientistas estavam reunidos
  56. e pensaram: "Mas o que é isso?
  57. Olhem esses dinossauros.
  58. São todos grandes.
  59. Onde estão os pequenos?"
  60. E eles pensaram
  61. e até escreveram artigos sobre isso:
  62. "Onde estão os dinossauros pequenos?"
  63. (Risos)
  64. Bem, vão a um museu e verão
  65. quantos filhotes de dinossauros existem.
  66. As pessoas supunham - e isso era um problema --
  67. as pessoas supunham
  68. que se tivessem dinossauros pequenos,
  69. se tivessem dinossauros jovens,
  70. seria fácil identificá-los
  71. Você teria um dinossauro grande
  72. e um dinossauro menor.
  73. Mas eles só tinham os grandes.
  74. E isso se resume ao seguinte:

  75. Primeiro, cientistas têm egos,
  76. e cientistas gostam de dar nomes aos dinossauros.
  77. Eles gostam de dar nome a tudo.
  78. Todos gostam de ter seu próprio animal e dar-lhe um nome.
  79. (Risos)
  80. Então toda vez que encontravam algo um pouco diferente,
  81. eles davam um nome diferente.
  82. E aconteceu, é claro,
  83. que acabamos com um monte de dinossauros diferentes.
  84. Em 1975,

  85. alguém teve uma luz.
  86. O Dr. Peter Dodson
  87. na Universidade da Pensilvânia
  88. percebeu que
  89. os dinossauros cresciam
  90. de modo parecido com o do pássaros,
  91. que é diferente
  92. de como os répteis crescem.
  93. Na verdade,
  94. ele usou o casuar como exemplo.
  95. E é bem legal - se vocês observarem o casuar,
  96. ou qualquer outro pássaro que tenha crista na cabeça,
  97. eles crescem
  98. até cerca de 80% do tamanho adulto
  99. antes da crista começar a crescer.
  100. Agora pensem nisso.
  101. Eles retêm suas características jovens
  102. até bem tarde, no que chamamos de ontogenia.
  103. Então, ontogenia craniana alométrica
  104. é o crescimento relativo do crânio.
  105. Assim podem ver
  106. que se vocês encontrassem um
  107. com 80% de crescimento
  108. e não soubessem que ele iria crescer mais e se tornar um casuar,
  109. vocês pensariam que eles eram dois animais diferentes.
  110. Portanto, isso era um problema,

  111. e Peter Dodson chamou à atenção para isso
  112. usando alguns dinossauros bico-de-pato
  113. então denominados Hypacrossauros.
  114. Ele mostrou
  115. que se pegasse um filhote e um adulto
  116. e fizesse uma estimativa de como ele deveria se parecer,
  117. se crescesse de forma linear,
  118. ele teria uma crista
  119. com cerca de metade do tamanho adulto.
  120. Mas o próprio subadulto
  121. aos 65%
  122. não teria nenhuma crista.
  123. E isso era interessante.
  124. E aí foi quando
  125. as pessoas perderam novamente o rumo.
  126. Quero dizer, se elas tivessem apenas aceitado isso,
  127. aceitado o trabalho de Peter Dodson e prosseguido com ele,
  128. teríamos muito menos dinossauros
  129. do que temos.
  130. Mas cientistas têm egos;
  131. eles gostam de dar nome às coisas.
  132. E assim continuaram a dar nomes aos dinossauros
  133. porque eles eram diferentes.
  134. Nós agora temos uma forma de testar

  135. se um dinossauro ou qualquer outro animal,
  136. é jovem ou adulto.
  137. E é através do corte de seus ossos.
  138. Mas cortar ossos de um dinossauro
  139. é complicado, como podem imaginar,
  140. porque nos museus
  141. ossos são preciosos.
  142. Vocês vão a um museu e eles estão muito bem cuidados.
  143. Eles os colocam em espuma, em recipientes pequenos.
  144. São muito bem cuidados.
  145. Eles não gostam que vocês entrem lá
  146. e queiram serrá-los ao meio para ver o interior.
  147. (Risos)
  148. Portanto, normalmente eles não os deixarão fazer isso.
  149. Mas eu tenho um museu
  150. e coleciono dinossauros
  151. e posso serrá-los ao meio.
  152. E é o que faço.
  153. (Aplausos)

  154. Se vocês abrirem um dinossauro pequeno,

  155. ele é muito esponjoso por dentro, como em A.
  156. E se cortarem um dinossauro mais velho,
  157. ele é bem denso.
  158. Dá pra ver que é um osso maduro.
  159. Portanto, é bem fácil distinguí-los.
  160. Por isso, o que quero fazer
  161. é mostrar-lhes esses.
  162. Na América do Norte, nas planícies do norte dos EUA
  163. e nas planícies do sul de Alberta e de Saskatchewan,
  164. há essa formação rochosa chamada Hell Creek
  165. que produz os últimos dinossauros que habitaram a Terra.
  166. E há 12 deles
  167. que são reconhecidos por todos --
  168. refiro-me aos 12 principais dinossauros
  169. que foram extintos.
  170. Então, vamos analizá-los.
  171. E é mais ou menos o que tenho feito.
  172. Então, meus alunos, minha equipe,
  173. nós os cortamos.
  174. Como podem imaginar,
  175. cortar o osso de uma perna é uma coisa,
  176. mas quando você vai a um museu
  177. e diz, "vocês não se importam que eu corte
  178. o crânio do seu dinossauro ao meio, não é?"
  179. eles dizem, "vá embora."
  180. (Risos)
  181. Então, aqui estão 12 dinossauros.
  182. E primeiro queremos ver esses três.
  183. Esses dinossauros são chamados de Paquicefalossauros.

  184. E todos sabem,
  185. que esses 3 animais são da mesma família.
  186. E supõem-se
  187. que sejam parentes
  188. como primos ou algo assim.
  189. Mas ninguém considerou
  190. que eles pudessem estar mais intimamente ligados.
  191. Em outras palavras,
  192. as pessoas os olhavam e viam as diferenças.
  193. E vocês sabem
  194. que se forem determinar
  195. se têm parentesco com seu irmão ou irmã,
  196. não conseguirão fazer isso pelas diferenças.
  197. Só se consegue determinar o grau de parentesco
  198. pelas semelhanças.
  199. Assim, as pessoas olhavam para esses

  200. e falavam sobre como eram diferentes.
  201. O Paquicefalossauro tem um domo grande e denso na cabeça,
  202. e tem pequenas protuberâncias na parte posterior da cabeça,
  203. e um monte de rugosidade na ponta do nariz.
  204. E o Stygimoloch, outro dinossauro
  205. da mesma era, que viveu no mesmo período,
  206. tem espinhos saindo da parte posterior da cabeça.
  207. Tem um domo minúsculo
  208. e um monte de rugosidade no nariz.
  209. E há essa coisa chamada
    Dracorex hogwartsia
  210. Adivinhem de onde vem o nome? Dragão.
  211. Portanto, aqui está um dinossauro
  212. que tem espinhos saindo da cabeça, sem domo
  213. e coisas rugosas no nariz.
  214. Ninguém reparou que as coisas rugosas pareciam iguais.

  215. Mas olharam para esses três
  216. e disseram, "São três dinossauros diferentes,
  217. e o Dracorex é provavelmente o mais primitivo deles.
  218. E um é mais primitivo do que o outro."
  219. Não ficou claro para mim
  220. como eles classificaram esses três.
  221. Mas se os alinharem,
  222. se pegarem aqueles três crânios e os alinharem,
  223. eles alinham-se assim.
  224. O Dracorex é o menor,
  225. o Stygimoloch é o mediano,
  226. o Paquicefalossauro é o maior.
  227. E alguém pensaria,
  228. que isso me daria uma pista.
  229. (Risos)
  230. Mas isso não deu nenhuma pista à eles.
  231. Porque, bem, sabemos o porquê.
  232. Cientistas gostam de dar nome às coisas.
  233. Por isso, se abrirmos

  234. o Dracorex --
  235. eu cortei nosso Dracorex --
  236. e vejam, é esponjoso por dentro,
  237. bem esponjoso por dentro.
  238. Quero dizer, é um jovem
  239. e estava crescendo bem depressa.
  240. Ia ficar maior.
  241. Se cortarem ao meio o Stygimoloch,
  242. será a mesma coisa.
  243. O domo, aquele pequeno domo,
  244. estava crescendo bem rápido.
  245. Estava aumentando muito rápido.
  246. O que é interessante, é que o espinho da parte posterior do Dracorex
  247. crescia na mesma velocidade.
  248. Os espinhos na parte posterior do Stygimoloch
  249. estavam, na verdade, sendo reabsorvidos,
  250. o que significa que iam ficando menores
  251. à medida que o domo crescia.
  252. E se observarmos o Paquicefalossauro,
  253. o Paquicefalossauro tem um domo sólido
  254. e suas pequenas protuberâncias na parte posterior da cabeça
  255. também estavam sendo reabsorvidas.
  256. Portanto, com apenas esses 3 dinossauros,

  257. podemos facilmente -- como cientistas --
  258. podemos levantar a hipótese
  259. de que são apenas fases de crescimento
  260. do mesmo animal.
  261. O que, claro, significa
  262. que o Stygimoloch e o Dracorex
  263. estão extintos.
  264. (Risos)
  265. Ok.
  266. O que, claro, significa
  267. que temos 10 dinossauros primários com que lidar.
  268. Então, meu colega na Universidade de Berkley,

  269. ele e eu estávamos olhando um Tricerátops.
  270. E antes do ano 2000 --
  271. lembrem-se,
  272. o Tricerátops foi descoberto nos anos de 1800 --
  273. antes de 2000, nunca tinham visto
  274. um triceratops jovem.
  275. Há Tricerátops em todos os museus do mundo,
  276. mas nunca ninguém coletou um jovem.
  277. E nós sabemos o porquê, certo?
  278. Porque todo mundo quer ter um adulto.
  279. Então todos tinham um grande.
  280. Então, fomos e coletamos muitas coisas
  281. e encontramos um monte de pequenos.
  282. Eles estão por todo lado. Estão por toda parte.
  283. Por isso, temos um monte deles em nosso museu.
  284. (Risos)
  285. E todos dizem que é porque eu tenho um museu pequeno.
  286. Quando se tem um museu pequeno, tem-se dinossauros pequenos.
  287. (Risos)

  288. Se olharem o Tricerátops,

  289. vocês conseguem ver ele mudando, mudando de forma.
  290. À medida que os jovens crescem,
  291. seus chifres, na verdade, curvam-se para trás.
  292. E depois, à medida que envelhecem,
  293. os chifres crescem para a frente.
  294. E isso é muito legal.
  295. Se olharem ao longo da borda do colar ósseo,
  296. eles têm esses ossinhos triangulares
  297. que crescem como triângulos
  298. e depois se achatam contra o colar ósseo
  299. mais ou menos como ocorre com os espinhos
  300. no Paquicefalossauro.
  301. E aí, porque os jovens estão em minha coleção,
  302. eu os corto
  303. e olho o seu interior.
  304. E o pequeno é bem esponjoso.
  305. O de tamanho médio é bem esponjoso.
  306. Mas o interessante
  307. é que o Tricerátops adulto também era esponjoso.
  308. E esse é um crânio de 2 metros de comprimento.
  309. É um crânio grande.
  310. Mas há outro dinossauro

  311. encontrado nessa formação
  312. que se parece com um Tricerátops, só que maior,
  313. e se chama Torossauro.
  314. E o Torossauro, quando o cortamos,
  315. tem osso maduro.
  316. Ele tem esses buracos grandes em seu escudo.
  317. E todos dizem, "Um Tricerátops e um Torossauro
  318. não podem ser o mesmo animal
  319. porque um deles é maior do que o outro."
  320. (Risos)
  321. "E tem buracos no escudo."
  322. E eu disse, "Bem, temos algum Torossauro jovem?"
  323. E eles disseram, "Não,
  324. mas ele tem buracos no escudo."
  325. Então um de meus alunos, John Scannella,

  326. examinou nossa coleção toda
  327. e descobriu
  328. que o buraco começava a se formar
  329. no Tricerátops
  330. e, lógico que está aberto, no Torossauro --
  331. então, ele encontrou os que estão em transição
  332. entre o Tricerátops e o Torossauro,
  333. o que foi super legal.
  334. Portanto, agora sabemos
  335. que o Torossauro
  336. é na verdade, um Tricerátops adulto.
  337. Agora, quando damos nomes aos dinossauros,
  338. quando damos nome a qualquer coisa,
  339. o nome original tende a ficar
  340. e o segundo nome é descartado.
  341. Portanto, o Torossauro está extinto.
  342. O Tricerátops, se ouviram as notícias,
  343. muitos repórteres entenderam tudo errado.
  344. Pensaram que deveríamos manter Torossauro e descartar Tricerátops.
  345. mas isso não vai acontecer.
  346. (Risos)

  347. Bem, podemos fazer isso com muitos dinossauros.

  348. Quero dizer, aqui está o Edmontossauro
  349. e o Anatotitan.
  350. Anatotitan: pato gigante.
  351. É um dinossauro bico-de-pato gigante.
  352. Aqui está outro.
  353. Então observamos a histologia óssea.
  354. A histologia óssea nos diz
  355. que o Edmontossauro é um jovem,
  356. ou pelo menos, um subadulto,
  357. e o outro é um adulto
  358. e temos uma ontogenia.
  359. E nos livramos do Anatotitan.
  360. Então podemos continuar a fazer isso.

  361. E o último
  362. é o T. Rex.
  363. Então há esses dois dinossauros,
  364. o T. Rex e o Nanotirano.
  365. (Risos)
  366. Mais uma vez, nos faz pensar.
  367. (Risos)
  368. Mas eles tinham uma boa pergunta.
  369. Eles olharam para eles
  370. e disseram, "Um tem 17 dentes e o maior tem 12 dentes.
  371. Isso não faz sentido,
  372. porque não conhecemos nenhum dinossauro
  373. que ganhe dentes à medida que envelhece.
  374. Portanto, deve ser verdade --
  375. eles devem ser diferentes."
  376. Então os cortamos.
  377. E como era de se esperar,
  378. o Nanotirano tinha um osso jovem
  379. e o maior tinha osso mais maduro.
  380. Parece que poderia ficar ainda maior.
  381. E no Museu das Rochosas onde trabalhamos,
  382. tenho quatro T. Rexes,
  383. por isso posso cortar um monte deles.
  384. Mas, na verdade, não precisei cortar nenhum,
  385. pois eu apenas alinhei seus maxilares
  386. e descobrimos que o maior tinha 12 dentes
  387. e o outro tinha 13
  388. e o seguinte tinha 14.
  389. E, claro, o Nano tinha 17.
  390. E simplesmente saímos para ver outras coleções
  391. e descobrimos um que tinha uns 15 dentes.
  392. Portanto, é mesmo muito fácil dizer
  393. que a ontogenia do Tiranossauro
  394. incluía o Nanotirano,
  395. e por isso, podemos descartar outro dinossauro.
  396. (Risos)

  397. Então, no que se refere

  398. ao fim de nosso Cretáceo
  399. sobraram sete.
  400. E é um bom número.
  401. Um bom número de extintos, eu acho.
  402. Como podem imaginar,
  403. isso não é muito popular entre alunos do 4º ano.
  404. Alunos do 4º ano adoram seus dinossauros,
  405. eles os memorizam
  406. E eles não estão nada contentes com isso.
  407. (Risos)

  408. Muito obrigado.

  409. (Aplausos)