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← Ser jovem e causar impacto

Aos 18 anos, o trabalho de Natalie Warne com o movimento Invisible Children (Crianças Invisíveis) fez dela uma heroína para jovens ativistas. Ela usa sua história inspiradora para nos lembrar de que nunca se é jovem demais para mudar o mundo.

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Showing Revision 93 created 03/28/2018 by Raissa Mendes.

  1. Minha mãe é uma mulher negra e forte,

  2. que criou os filhos para terem
    a sua mesma força e orgulho.
  3. Esse espírito estava
    representado numa parede
  4. em nosso pequeno apartamento
    de dois quartos no sul de Chicago.
  5. Duas fotos orgulhosamente penduradas:
    uma foto enorme de meus irmãos e eu,
  6. e a outra, uma foto da minha mãe,
    aos 12 anos de idade,
  7. olhando nos olhos
    do Dr. Martin Luther King Jr.
  8. Quando eu era pequena,
    eu costumava ficar na ponta dos pés,

  9. olhar para essa foto,
  10. fechar bem os olhos
    e simplesmente fingir que era eu
  11. olhando para o homem que revolucionou
    o Movimento dos Direitos Civis,
  12. que marchou sobre Washington
    e transformou uma geração
  13. com suas palavras: "Eu tenho um sonho".
  14. Mas eu o conheci.

  15. Obviamente não conheci o Dr. King,
  16. mas conheci um homem
    chamado Dr. Vincent Harding.
  17. Ele trabalhou com Dr. King desde o início
  18. e até escreveu alguns
    de seus icônicos discursos.
  19. Esse foi um momento realmente
    importante pra mim quando criança,
  20. porque foi a primeira vez em que percebi
  21. que não foi só o Dr. King
    quem liderou essa revolução,
  22. mas ele estava cercado por um movimento
    feito de anônimos extraordinários.
  23. Anônimos extraordinários são pessoas
    que trabalham abnegada e intensamente

  24. por aquilo em que acreditam,
  25. pessoas motivadas pela convicção,
    e não pelo reconhecimento.
  26. Só consegui perceber
    a importância desse momento
  27. quando estava bem mais velha.
  28. E, como falei, cresci em Chicago.

  29. Cresci num bairro difícil e pobre,
  30. mas isso não fez diferença,
  31. pois eu literalmente tenho
    a família mais incrível do mundo.
  32. Duas coisas com as quais lutei
    muito enquanto crescia
  33. foi o fato de meu pai
    ser muito doente minha vida toda.
  34. Ele sofre de Parkinson e pancreatite
  35. e, quando criança, era muito difícil
    ver meu herói sofrer tanto.
  36. E meu outro problema era comigo.
  37. Acho que eu tinha uma crise de identidade.
  38. Tive de mudar quatro vezes
    durante o ensino médio,
  39. e no primeiro ano frequentei
    uma escola extremamente racista.
  40. Os colegas eram muito cruéis.
  41. Mandavam cartas de ódio, escreviam
    coisas terríveis em nossos armários
  42. e, por eu ser birracial, me diziam:
  43. "Você não pode ser as duas,
    tem de escolher: preta ou branca".
  44. E acabei me ressentindo de ser ambas.
  45. De repente, em 2008, no último ano,
  46. sendo mestiça, racialmente ambígua,
    começou um modismo legal,
  47. tipo: "Natalie, tudo bem você gostar
    de você. Agora você é bonita".
  48. Eu me enchi, cansei de ligar
    pro que as outras pessoas pensavam,
  49. e só queria terminar logo,
  50. fazer meu curso, seja qual fosse
    a minha próxima escola, e me formar.
  51. Foi somente aos 17 anos, quando vi
    um filme chamado "Crianças Invisíveis",

  52. que algo aconteceu.
  53. Crianças-soldados,
  54. crianças da idade dos meus sobrinhos
  55. sendo sequestradas, obrigadas
    a usar AK-47 e forçadas a matar,
  56. não só qualquer um,
    mas frequentemente os próprios pais,
  57. os próprios irmãos...
  58. um exército rebelde cometendo assassinato
    em massa sem razão política ou religiosa,
  59. simplesmente porque sim.
  60. E por 25 anos,
  61. 25 anos esse conflito acontecendo...
  62. Tenho 20 anos,
  63. o que torna esse conflito
    cinco anos mais velho do que eu.
  64. Um homem,
  65. um homem com uma voz carismática,
  66. começou essa coisa toda.
  67. Seu nome é Joseph Kony.
  68. Quando vi esse filme, algo aconteceu.

  69. Algo começou a se revolver dentro de mim,
  70. e não consegui identificar o que era,
    não sabia se era raiva, se era pena,
  71. se me sentia culpada
  72. por ouvir pela primeira vez
    sobre uma guerra de 25 anos.
  73. Nem consegui dar nome a isso.
  74. Só sabia que tinha mexido comigo
    e comecei a questionar.
  75. O que fazer? O que uma pessoa
    de 17 anos de idade pode fazer?
  76. Tem de haver alguma coisa.
  77. E eles me deram algo.

  78. Os criadores e cineastas
    desse filme me contaram
  79. que havia um projeto de lei
    que, se conseguisse ser aprovado,
  80. teria dois efeitos:
    a captura de Joseph Kony
  81. e dos principais comandantes
    desse exército rebelde
  82. e, segundo, o financiamento
    para recuperar essas regiões
  83. devastadas por 25 anos de guerra.
  84. E eu: "Feito, contem comigo.
  85. Juro que vou fazer o possível
    pra ele ser aprovado".
  86. Assim, eu e mais 99 idealistas
    de 18 a 20 anos de idade

  87. subimos num avião para estagiar
    em San Diego com Invisible Children.
  88. Adiei a faculdade,
    não éramos pagos para trabalhar,
  89. e podiam me chamar de irresponsável
    ou louca - meus pais chamaram -
  90. mas, para nós, teria sido insano não ir.
  91. Todos nós sentimos essa urgência
    e faríamos o que fosse necessário
  92. para aprovar esse projeto de lei.
  93. Assim, recebemos nossa primeira tarefa:

  94. planejar um evento chamado
    Rescue of Joseph Kony's Child Soldiers,
  95. em que os participantes iriam
    a uma centena de cidades do mundo
  96. e protestariam no centro,
    até que uma celebridade ou figura política
  97. viesse e usasse sua voz
    em favor dessas crianças-soldados,
  98. e, então, aquela cidade seria "resgatada".
  99. Mas o negócio é que não iríamos embora
    até que a cidade fosse resgatada.
  100. Me deram Chicago e outras nove cidades,
    e falei pros meus chefes algo assim:
  101. "Se vamos atrás dos figurões,
    por que não ir atrás da rainha?
  102. Por que não ir atrás da Oprah Winfrey?"
  103. Me acharam um pouco idealista,
    mas eu estava tentando pensar grande.
  104. Estávamos fazendo coisas impossíveis,
  105. por que não tentar alcançar
    coisas mais impossíveis?
  106. E então teríamos de janeiro
    a abril pra fazer isso.
  107. Esse é o número de horas
    que gastei em logística,

  108. desde conseguir autorizações,
    até mobilizar participantes
  109. e encontrar espaços.
  110. Esse é o número de vezes
    em que fui rejeitada
  111. por agentes de celebridades
    ou secretárias de políticos.
  112. Essa é a quantidade de dinheiro
    que gastei do meu bolso
  113. com Red Bull e Coca diet pra ficar
    acordada durante o movimento.
  114. (Risos)

  115. Podem me criticar, se quiserem.

  116. Essa é a conta do hospital
    pela infecção renal que peguei
  117. devido ao consumo exagerado
    de cafeína devido a esse evento.
  118. (Risos)

  119. Esses foram só alguns dos absurdos que
    fizemos pra organizar e realizar o evento.

  120. Então chegou 21 de abril,
    e o evento começou

  121. em uma centena de cidades
    no mundo, e foi lindo.
  122. Seis dias depois, todas as cidades
    foram resgatadas, exceto uma:
  123. Chicago.
  124. Então, estávamos esperando em Chicago.

  125. Começaram a chegar pessoas do mundo todo
  126. e do país inteiro para reforçar
    e juntar suas vozes às nossas.
  127. E, finalmente, em 1º de maio,
    cercamos o estúdio da Oprah
  128. e conseguimos a atenção dela.
  129. Esse é um clipe de um filme
    chamado "Together We Are Free",

  130. documentando o evento de resgate
    e minha tentativa de chegar até a Oprah.
  131. (Vídeo) Oprah Winfrey:
    Quando cheguei ao meu escritório,

  132. havia um enorme... quando vocês
    chegaram, havia um grupo aí fora?
  133. Multidão: Sim.

  134. OW: ... com cartazes perguntando se eu
    conversaria cinco minutos com eles,

  135. então, eu concordei.
  136. E eles estavam com um grupo
    chamado Invisible Children,
  137. e eu disse a esse grupo do lado de fora
  138. que lhes daria um minuto
    para eles falarem sobre sua causa.
  139. Homem: Oprah, muito obrigado
    por nos receber.

  140. Basicamente, estas pessoas aqui fora
    viram a história de 30 mil crianças
  141. sequestradas por um líder rebelde
    chamado Joseph Kony.
  142. E estão aqui em solidariedade,
  143. e estão há seis dias aqui fora.
  144. Isso movimentou 100 mil
    pessoas no mundo todo.
  145. Agora temos estas 500 aqui,
  146. para que você possa
    dar visibilidade a essa causa
  147. e possamos acabar com a guerra mais longa
    da África e resgatar essas crianças
  148. que são crianças-soldados
    na África Oriental.
  149. Oprah, preciso dizer o nome dessa garota,
    a Natalie aqui, ela tem 18 anos,
  150. ela estagiou conosco este ano,
  151. e ela falou: "Meu objetivo
    é chegar até a Oprah".
  152. Ela conseguiu que 2 mil pessoas
    viessem no sábado, mas choveu.
  153. Ela ficou aqui na chuva com 50 pessoas.
  154. Quando ouviram que ela estava
    aqui, centenas começaram a chegar.
  155. Aqui há pessoas do México,
    da Austrália, e a Natalie tem 18 anos.
  156. Não ache que você é jovem demais;
    você pode mudar o mundo a qualquer tempo.
  157. Comece agora. Comece hoje.
  158. (Vivas) (Aplausos)

  159. Homem: Valeu a pena?

  160. Multidão: Sim!

  161. Natalie! Natalie! Natalie!

  162. (Música)

  163. Juntos somos livres!
    Juntos somos livres!

  164. (Aplausos) (Vivas)

  165. (No palco) NW: Vocês acham
    que esse é o momento da minha vida,

  166. o auge que fez de mim uma extraordinária.
  167. E foi um momento incrível,
    eu estava nas nuvens.
  168. Dez milhões de pessoas
    assistem ao "Oprah Winfrey Show".
  169. Mas, olhando pra trás, não foi o auge.
  170. Não me entendam mal, como eu disse,
    foi um grande momento,
  171. e rendeu uma foto de perfil irada
    no Facebook durante uma semana.
  172. (Risos)

  173. Mas eu tinha sido extraordinária
    o tempo todo, e não estava sozinha.

  174. Apesar de a minha história
    ter sido mostrada neste filme,

  175. eu era apenas uma de 100 estagiários
    que se mataram pra fazer isso acontecer.
  176. Eu estava no alto,
  177. mas o cara que me segurava
    nos ombros é o meu melhor amigo.
  178. Seu nome é Johannes Oberman, e trabalhou
    comigo em Chicago desde o início,
  179. tantas horas quanto eu,
    e ficou acordado tantas noites quanto eu.
  180. A garota da direita,
    o nome dela é Bethany Bylsma.
  181. Bethany planejou Nova Iorque e Boston,
  182. e eles foram na verdade
    os eventos mais lindos que tivemos.
  183. A garota da esquerda chama-se Colleen.
  184. Colleen se mudou para o México,
    se mudou mesmo, por três meses,
  185. para planejar cinco eventos lá,
  186. até ser mandada embora
    um dia antes dos eventos
  187. por causa da gripe suína.
  188. E também houve essa família.
  189. Essa família não veio para o resgate,
    não conseguiram vir,
  190. mas pediram centenas de pizzas para nós,
  191. e mandaram entregar na esquina
    das ruas Michigan e Randolph,
  192. onde protestávamos em silêncio.
  193. Vejam, foram pessoas assim,
    fazendo tudo o que podiam,
  194. simultaneamente, em sintonia,
  195. sem se importar com quem estava
    assistindo, que fizeram a coisa acontecer.
  196. Não tinha a ver com ir à Oprah,
  197. porque, quando desci daqueles ombros,
    a guerra não tinha acabado.
  198. Era sobre aquele projeto.
  199. Oprah foi um degrau
    no caminho para aquele projeto.
  200. O projeto era o objetivo.
  201. Era no projeto que tínhamos
    sempre os olhos grudados.
  202. Ele ia nos ajudar a acabar
    com a guerra mais longa da África.
  203. E foi isso o que levou
    centenas de pessoas às ruas
  204. para o evento de resgate no mundo todo.
  205. E valeu a pena.

  206. Dez dias depois de termos ido à Oprah,
  207. o projeto foi apresentado no Congresso.
  208. Um ano depois, ele conseguiu a unanimidade
  209. das 267 assinaturas no Congresso.
  210. E, uma semana depois disso,
  211. o presidente Obama sancionou
    nosso projeto de lei.
  212. (Aplausos)

  213. E nenhum de nós, estagiários, estava lá.

  214. Não estávamos lá naquele momento,
    nossos idealizadores estavam.
  215. São os caras se desmanchando lá atrás.
  216. Mas foi aquele momento
    que fez tudo valer a pena.
  217. Foi para isso que milhares
    de anônimos extraordinários
  218. trabalharam duro para fazer acontecer.
  219. Sabem, os momentos Oprah,

  220. eles provam que o teoricamente
    impossível pode ser feito.
  221. Eles nos inspiram,
    aumentam nossa confiança.
  222. Mas o momento não é um movimento.
  223. Mesmo muitos desses momentos
    juntos não alimentam um movimento.
  224. O que alimenta um movimento são
    os anônimos extraordinários por trás dele.
  225. Pra mim, o que me segurou
    nos eventos de resgate

  226. foi pensar nessas crianças-soldados,
    virou algo pessoal
  227. Acabei indo à África,
    e conheci pessoas incríveis.
  228. Tenho amigos que têm vivido
    nesse conflito a vida inteira,
  229. e aquilo se tornou algo pessoal.
  230. Mas isso não tem de ser o que te move.

  231. Vocês podem querer ser
    o próximo Shepard Fairey,
  232. ou a próxima JK Rowling,
  233. ou o próximo sei lá quem, não importa,
  234. mas seja lá o que quiserem, vão com tudo,
  235. não por causa de fama ou fortuna,
  236. mas simplesmente porque vocês acreditam,
    porque é o que faz seu coração cantar,
  237. é a sua dança.
  238. É isso que vai definir nossa geração,

  239. quando começarmos a ir atrás e lutar
    pelas coisas que amamos e queremos.
  240. No colégio, eu ligava demais
    pro que as pessoas pensavam sobre mim.

  241. E o incrível deste evento aqui
    é o fato de muitos serem tão jovens.
  242. Descubram aquilo que os inspira,
    que vocês amam, e corram atrás.
  243. Lutem por isso, porque é isso
    o que vai mudar o mundo,
  244. e é isso o que nos define.
  245. Apesar do que as pessoas acham,

  246. meus momentos Oprah,
    estar aqui no TED, não me definem,
  247. porque, se forem
    até minha casa, em Los Angeles,
  248. vão me ver trabalhando de garçonete
    e babá pra pagar as contas
  249. enquanto persigo meu sonho
    de me tornar uma cineasta.
  250. Em cada um desses pequenos,
    anônimos e monótonos atos,
  251. todo santo dia tenho de me lembrar
    de ser extraordinária.
  252. E, acreditem, quando a porta
    se fecha e as câmeras são desligadas,
  253. é duro.
  254. Mas, se há algo que quero
    que levem com vocês,
  255. algo que eu poderia dizer,
    não só pra vocês, mas pra mim,
  256. é que são os atos
    que nos fazem extraordinários,
  257. não os momentos Oprah.
  258. Obrigada.