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← O que os morcegos vampiros vacinados nos podem ensinar sobre pandemias

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Showing Revision 22 created 12/06/2019 by Margarida Ferreira.

  1. A história que vos quero contar hoje,
  2. para mim, começou em 2006.
  3. Foi quando eu ouvi falar pela primeira vez
    sobre o surto duma doença misteriosa
  4. que estava a acontecer na selva
    amazónica do Peru.
  5. As pessoas que estavam a ficar doentes
  6. tinham horríveis sintomas, aterradores.
  7. Tinham dores de cabeça incríveis,
  8. não conseguiam comer nem beber.
  9. Alguns deles até tinham alucinações,
  10. estavam confusos e agressivos.
  11. A parte mais trágica,
  12. era que muitas das vítimas eram crianças.
  13. E de todos os que adoeciam,
  14. nenhum sobrevivia.
  15. Resultou que o que estava a matar
    as pessoas era um vírus,
  16. mas não era o Ébola, não era o Zika,
  17. nem era um novo vírus
    nunca antes visto pela ciência.
  18. As pessoas estavam a morrer
    por causa de um antigo assassino
  19. que conhecemos há séculos.
  20. Estavam a morrer de raiva.
  21. E o que todas elas tinham em comum
    era que, enquanto dormiam,
  22. tinham sido mordidas pelo único mamífero
    que se alimenta exclusivamente de sangue:
  23. o morcego vampiro.
  24. Este género de epidemias
    que saltam de morcegos para pessoas,

  25. tornaram-se cada vez mais comuns
    nas duas últimas décadas.
  26. Em 2003, foi o SARS.
  27. Apareceu em mercados chineses de animais
    e propagou-se globalmente.
  28. Esse vírus, como aquele do Peru,
    foi finalmente localizado nos morcegos
  29. que, provavelmente, o tinham hospedado,
    desapercebido, durante séculos.
  30. Então, 10 anos depois, vemos o Ébola
    aparecer na África Ocidental,
  31. e isso surpreendeu quase todos
  32. porque, de acordo
    com a ciência na altura,
  33. o Ébola não era suposto
    aparecer na África Ocidental.
  34. Isso acabou por causar o maior
    e mais difundido surto de Ébola
  35. na história.
  36. Então, há aqui uma tendência
    perturbadora, não é?

  37. Os vírus mortais estão a aparecer
    em lugares onde não podemos esperá-los.
  38. Enquanto comunidade global de saúde,
  39. temos um problema muito grande.
  40. Estamos sempre a correr
    atrás da próxima emergência viral
  41. num ciclo perpétuo,
  42. sempre a tentar extinguir epidemias
    depois de elas já terem começado.
  43. Então, com doenças
    que aparecem todos os anos,
  44. agora é mesmo a altura
  45. de termos de começar a pensar
    no que podemos fazer sobre isso.
  46. Se apenas esperarmos que apareça
    o próximo Ébola,
  47. podemos não ter tanta sorte
    da próxima vez.
  48. Podemos enfrentar um vírus diferente
    que seja mais mortal,
  49. que se espalhe melhor entre as pessoas,
  50. ou que talvez supere as nossas vacinas,
  51. deixando-nos indefesos.
  52. Então, podemos prever pandemias?
  53. Podemos impedi-las?
  54. Estas são perguntas difíceis de responder,
  55. porque as pandemias
  56. — aquelas que se difundem globalmente,
  57. aquelas que queremos impedir —
  58. são acontecimentos muitos raros.
  59. E para nós, como espécie,
    isso é positivo,
  60. é por isso que estamos todos aqui.
  61. Mas do ponto de vista científico,
    há um pequeno problema.
  62. Isso porque, se algo
    só acontece uma ou duas vezes,
  63. não é suficiente para encontrar padrões,
  64. padrões que nos poderiam dizer quando
    ou onde a próxima pandemia pode atacar.
  65. Então, o que vamos fazer?
  66. Bem, acho que uma das soluções
    que talvez tenhamos é estudar alguns vírus
  67. que rotineiramente saltam de animais
    selvagens para as pessoas,
  68. ou para os nossos animais de estimação,
    ou para o nosso gado,
  69. mesmo que não sejam os mesmos vírus
  70. que pensamos que vão causar pandemias.
  71. Se pudermos usar
    esses vírus mortais quotidianos
  72. para tentar descobrir alguns dos padrões,
  73. do que gera aquele salto inicial
    e crucial duma espécie para outra,
  74. e, eventualmente, como poderemos pará-lo,
  75. vamos acabar mais bem preparados
  76. para os vírus que saltam
    entre espécies, mais raramente,
  77. mas que constituem
    uma maior ameaça de pandemias.
  78. A raiva, por terrível que seja,

  79. acaba por ser um vírus bastante
    benigno, neste caso.
  80. A raiva é um vírus assustador, letal.
  81. Tem 100% de fatalidade.
  82. Se formos infetados com raiva
    e não recebermos tratamento precoce,
  83. não há nada que se possa fazer.
  84. Não há cura.
  85. Vamos morrer.
  86. Mas a raiva não é só
    um problema do passado.
  87. Ainda hoje, a raiva mata
    50 a 60 mil pessoas por ano.
  88. Ponham esse número em perspetiva.
  89. Imaginem todo o surto do Ébola
    na África Ocidental
  90. — cerca de dois anos e meio.
  91. Condensem todas as pessoas
    que morreram nesse surto
  92. em apenas um ano.
  93. Isso é muito mau.
  94. Mas depois, multipliquem-no por quatro.
  95. Isso é o que acontece
    com a raiva todos os anos.
  96. Então, o que diferencia a raiva
    dum vírus como o Ébola

  97. é que, quando as pessoas contraem raiva,
  98. não contagiam outras pessoas.
  99. Isto significa que, quando
    uma pessoa apanha raiva,
  100. é porque foi mordida
    por um animal raivoso,
  101. que, geralmente, é um cão ou um morcego.
  102. Mas também significa
    que esses saltos entre espécies
  103. — tão importantes para entender,
  104. mas tão raros para a maioria dos vírus —
  105. acontecem aos milhares, na raiva.
  106. Então, de certa forma, a raiva
    é quase como a mosca-da-fruta
  107. ou o rato de laboratório dos vírus fatais.
  108. É um vírus que podemos usar
    e estudar para encontrar padrões
  109. e testar novas soluções.
  110. Quando ouvi pela primeira vez
    falar deste surto de raiva
  111. na Amazónia peruana,
  112. impressionou-me como algo
    potencialmente potente
  113. porque era um vírus que estava a saltar
    de morcegos para outros animais
  114. com frequência suficiente
    para podermos prevê-lo...
  115. ou mesmo impedi-lo.
  116. Então, no primeiro ano
    de estudante graduado
  117. com uma vaga lembrança
    das aulas de espanhol do secundário,
  118. apanhei um avião e fui para o Peru,
  119. à procura de morcegos vampiros.
  120. Os primeiros dois anos
    deste projeto foram muitos duros.
  121. Eu não tinha falta de projetos ambiciosos
    para livrar a América Latina da raiva,
  122. mas ao mesmo tempo,
  123. parecia haver uma quantidade infinita
    de deslizamentos de terras, pneus furados,
  124. falhas de eletricidade,
    parasitas no estômago, que me impediam.
  125. Mas isso, de certo modo,
    fazia parte do curso,
  126. do trabalho na América do Sul.
  127. Para mim, fazia parte da aventura.
  128. Mas o que me fez continuar
  129. era o conhecimento
    de que, pela primeira vez,
  130. o trabalho que eu estava a fazer
    podia ter um grande impacto
  131. nas vidas das pessoas a curto prazo.
  132. E isto mais me impressionou
  133. quando fomos para a Amazónia
  134. e tentámos apanhar morcegos vampiros.
  135. Tudo o que tínhamos de fazer era
    aparecer numa aldeia e perguntar:
  136. "Quem tem sido mordido
    por um morcego ultimamente?"
  137. As pessoas levantavam a mão
  138. porque, nessas comunidades,
  139. ser mordido por um morcego
    é uma ocorrência quotidiana,
  140. acontece todos os dias.
  141. Então, tudo o que tínhamos de fazer
    era ir à casa certa,
  142. abrir uma rede,
  143. aparecer à noite,
  144. e esperar até os morcegos
    entrarem a voar
  145. e alimentarem-se de sangue humano.
  146. Para mim, ver uma criança
    com uma mordidela na cabeça
  147. ou sangue nos lençóis,
  148. era mais que motivação suficiente
  149. para ultrapassar qualquer
    dor de cabeça logística ou física
  150. que eu sentisse nesse dia.
  151. Mas, como estávamos
    a trabalhar a noite toda,
  152. tinha muito tempo para pensar em como
    podia resolver este problema
  153. e reparei que havia
    duas perguntas importantes.
  154. A primeira era que sabíamos que as
    pessoas estavam sempre a ser mordidas,
  155. mas os surtos de raiva
    não estavam sempre a acontecer
  156. — de dois em dois anos,
    talvez até em cada década,
  157. ocorria um surto de raiva.
  158. E se pudéssemos prever
    quando e onde ia ser o próximo surto?
  159. Essa podia ser uma oportunidade real,
  160. de podermos vacinar
    as pessoas antes de tempo,
  161. antes de alguém começar a morrer.
  162. Mas o reverso da medalha
  163. é que a vacina é só um "penso adesivo".
  164. É uma estratégia de controlo de danos.
  165. Com certeza é salva-vidas,
    é importante e temos de fazê-lo,
  166. mas, vendo bem as coisas,
  167. por mais vacas, por mais pessoas
    que vacinássemos,
  168. havia sempre a mesma quantidade
    de raiva nos morcegos.
  169. O risco real de ser mordido
    não tinha mudado em nada.
  170. Então, a minha segunda pergunta era esta:
  171. Podíamos de alguma maneira
    eliminar o vírus na sua origem?
  172. Se conseguíssemos reduzir
    a quantidade de raiva nos morcegos,
  173. isso seria uma grande mudança.
  174. Estávamos a falar de passar
    duma estratégia de controlo de danos
  175. para uma estratégia baseada na prevenção.
  176. Então, como começar a fazer isso?
  177. A primeira coisa
    que precisávamos de entender
  178. era como este vírus funciona
    nos seus hospedeiros naturais
  179. — nos morcegos.
  180. Isso não é uma tarefa fácil
    para todas as doenças infecciosas,
  181. especialmente numa espécie
    solitária como os morcegos,
  182. mas tínhamos de começar por algum lado.
  183. Então, a maneira como começámos
    foi olhar para alguns dados históricos.
  184. Quando e onde estes surtos
    tinham acontecidos no passado?
  185. Ficou claro que a raiva era um vírus
  186. que tinha de estar em movimento.
  187. Não podia ficar parado.
  188. O vírus podia circular na área
    durante um ano, talvez dois,
  189. mas, se não encontrasse um novo grupo
    de morcegos para infetar noutro lugar,
  190. era muito provável que se extinguisse.
  191. Assim, resolvemos uma parte essencial
    do desafio de transmissão da raiva.
  192. Sabíamos que estávamos a lidar
    com um vírus em movimento,
  193. mas ainda não podíamos dizer para onde ia.
  194. Essencialmente, o que eu queria era mais
    uma previsão à moda do Google Maps:

  195. "Qual é o destino do vírus?
  196. "Qual é o caminho que vai
    levar para lá chegar?
  197. "Quão rápido se moverá?"
  198. Para isso, virei-me
    para os genomas da raiva.
  199. A raiva, como muitos outros vírus,
    tem um genoma minúsculo,
  200. mas que evolui muito, muito rapidamente.
  201. Tão rapidamente que, no momento
    em que o vírus muda de um sítio para outro
  202. terá sofrido algumas novas mutações.
  203. Assim, tudo o que temos de fazer
    é ligar os pontos
  204. através duma árvore evolutiva,
  205. que nos vai dizer onde o vírus
    esteve no passado
  206. e como se propagou por toda a paisagem.
  207. Assim, saí para recolher cérebros de vaca,
  208. porque é aí onde se apanha
    o vírus da raiva.
  209. Pela sequência do genoma que tínhamos
    dos vírus nesses cérebros de vaca,
  210. consegui descobrir
  211. que é um vírus que se espalha
    num raio de 15 a 30 km cada ano.
  212. Ok, isso significa que agora temos
    o limite da velocidade do vírus,
  213. mas ainda falta o outro elemento chave:
    para onde vai em primeiro lugar.
  214. Para isso, precisava de pensar
    um pouco mais como um morcego,
  215. porque a raiva é um vírus,
    não se desloca sozinho,
  216. tem de ser transportado
    pelos morcegos seus hospedeiros.
  217. Eu tinha de pensar na distância
    a que voavam e quantas vezes voavam.
  218. A minha imaginação
    não chegou para lá chegar
  219. nem os pequenos localizadores digitais
    que tentámos pôr nos morcegos.
  220. Não conseguimos obter
    a informação de que precisávamos.
  221. Virámo-nos para os padrões
    de acasalamento dos morcegos.
  222. Observámos certas partes
    do genoma do morcego,
  223. que nos diziam que alguns grupos
    de morcegos acasalavam um com o outro
  224. e outros eram mais isolados.
  225. O vírus estava a seguir o rasto
    traçado pelos genomas do morcego.
  226. No entanto, um desses rastos destacou-se
    por ser um pouco surpreendente,
  227. difícil de acreditar.
  228. Era um rasto que parecia atravessar
    diretamente os Andes peruanos,
  229. passando da Amazónia
    para a costa do Pacífico.
  230. Isto era bastante difícil de acreditar,
  231. como já disse,
  232. porque os Andes são muito altos,
    cerca de 6700 metros,
  233. e isso é demasiado alto
    para um vampiro voar.
  234. No entanto...
  235. quando olhámos mais atentamente,

  236. vimos, na parte norte do Peru,
  237. uma rede de vales
    que não eram muito altos
  238. para os morcegos de ambos os lados
    acasalarem uns com os outros.
  239. Olhámos ainda mais atentamente
  240. — e claro, havia raiva
    a espalhar-se por aqueles vales,
  241. cerca de 15 quilómetros por ano,
  242. exatamente como os nossos
    modelos evolucionários tinham previsto.
  243. O que eu não vos disse
  244. é que isto é uma coisa muito importante
  245. porque a raiva nunca tinha sido vista
    nos declives ocidentais dos Andes,
  246. nem nas costas do Pacífico
    da América do Sul.
  247. Estávamos a assistir, em tempo real,
    a uma primeira invasão histórica
  248. numa parte bastante grande
    da América do Sul,
  249. o que motivou a pergunta-chave:
  250. "O que vamos fazer quanto a isso?"
  251. A coisa mais óbvia a curto prazo,
    que podíamos fazer, era dizer às pessoas:
  252. "Vocês têm de se vacinar,
    vacinem os vossos animais;
  253. "a raiva está a chegar".
  254. Mas a mais longo prazo,
  255. podia ser ainda mais poderoso
    se pudéssemos usar esta nova informação
  256. para impedir que o vírus lá chegasse.
  257. Claro que não podemos dizer
    aos morcegos: "Hoje não voem",
  258. mas talvez pudéssemos impedir que o vírus
    fosse de boleia com os morcegos.
  259. Isso leva-nos à lição principal
    que tínhamos aprendido

  260. através dos programas
    de gestão da raiva, por todo o mundo,
  261. quer se trate de cães, de raposas,
    de doninhas, de guaxinins,
  262. na América do Norte, em África, na Europa.
  263. É que vacinar a origem animal
    é a única coisa que detém a raiva.
  264. Então, podemos vacinar os morcegos?
  265. Ouvimos falar, constantemente,
    de vacinar cães e gatos,
  266. mas não ouvimos falar assim tanto
    de vacinar morcegos.
  267. Pode parecer uma pergunta louca,
  268. mas a boa notícia é que já temos
    vacinas antirrábicas comestíveis
  269. especialmente concebidas para morcegos.
  270. E o que é ainda melhor
  271. é que essas vacinas podem
    espalhar-se de morcego para morcego.
  272. Basta colocá-las num deles
  273. e deixar que o hábito de
    se seduzirem uns aos outros
  274. faça o resto do trabalho.
  275. Isso quer dizer que, no mínimo,
  276. não temos de estar lá fora a vacinar
    milhares de morcegos, um por um,
  277. com seringas minúsculas.
  278. (Risos)

  279. Mas lá porque temos essa ferramenta
    não significa que sabemos usá-la.

  280. Agora temos uma lista
    enorme de perguntas.
  281. Quantos morcegos temos de vacinar?
  282. Em que época do ano temos de vacinar?
  283. Quantas vezes por ano temos de vacinar?
  284. Todas elas são perguntas fundamentais
  285. para lançar qualquer tipo
    de campanha de vacinação,
  286. mas são perguntas que não
    podemos responder no laboratório.
  287. Em vez disso, estamos a adotar
    uma abordagem um pouco mais colorida.
  288. Estamos a usar morcegos selvagens
    reais, mas vacinas falsas.
  289. Usamos géis comestíveis que fazem
    brilhar o pelo do morcego
  290. e pós de UV que se espalham entre
    os morcegos, quando chocam um no outro,
  291. deixando-nos estudar até que ponto
    uma vacina real se pode espalhar
  292. nestas colónias selvagens de morcegos.
  293. Ainda estamos
    na fase inicial deste trabalho,
  294. mas os resultados até agora
    são incrivelmente encorajadores.
  295. Estão a sugerir que, usando
    as vacinas que já temos,
  296. podemos reduzir drasticamente
    a dimensão dos surtos de raiva.
  297. E isso é importante porque,
    como se lembram
  298. a raiva é um vírus
    que tem de estar em movimento.
  299. Assim, cada vez que reduzimos
    a dimensão de um surto,
  300. estamos também a reduzir a probabilidade
  301. de o vírus conseguir chegar
    à colónia seguinte.
  302. Estamos a quebrar um elo
    na cadeia de transmissão.
  303. E cada vez que fazemos isso
  304. estamos a pôr o vírus
    um passo mais perto da extinção.
  305. A ideia, para mim, de um mundo
    no futuro não muito distante
  306. onde podemos realmente falar
    de erradicar totalmente a raiva,
  307. é incrivelmente encorajadora e animadora.
  308. Então, vou voltar à pergunta inicial:
  309. Podemos evitar pandemias?
  310. Não há soluções milagrosas
    para este problema,
  311. mas as minhas experiências com a raiva
    deram-me bastante otimismo quanto a isso.
  312. Acho que não estamos
    muito longe de um futuro
  313. em que teremos a genómica
    para prever surtos
  314. e vamos ter novas
    tecnologias inteligentes,
  315. como vacinas comestíveis
    que se espalham por si,
  316. que podem eliminar esses vírus na origem
  317. antes de terem hipótese
    de saltar para as pessoas.
  318. Quando se trata de combater pandemias,

  319. o Santo Graal é conseguir
    dar um passo em frente.
  320. E se me perguntarem,
  321. acho que uma das maneiras para fazer isso
  322. é usar alguns dos problemas
    que já temos hoje,
  323. como a raiva
  324. — mais ou menos como um astronauta
    pode usar um simulador de voo,
  325. tentando descobrir o que
    funciona ou não —
  326. e criar um conjunto de ferramentas
  327. para, quando houver muita coisa em jogo,
    não voarmos às cegas.
  328. Obrigado.

  329. (Aplausos)