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← Por que a ciência inovadora exige um mergulho no desconhecido.

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Showing Revision 27 created 07/15/2014 by Tulio Leao.

  1. No meio do meu doutorado,
  2. eu estava irremediavelmente emperrado.
  3. Cada direção de pesquisa que eu tentei,
  4. levou a um beco sem saída.
  5. Parecia que meus pressupostos básicos,
  6. simplesmente pararam de funcionar.
  7. Eu me sentia como um piloto
    voando através da neblina,
  8. e eu perdi todo o senso de direção.
  9. Eu parei de fazer a barba.
  10. Eu não conseguia sair da cama, pela manhã.
  11. Eu me sentia indigno
  12. de cruzar os portões da universidade,
  13. porque eu não era como Einstein ou Newton,
  14. ou qualquer outro cientista
  15. que eu tinha estudado, porque na ciência
  16. nós só aprendemos sobre os resultados,
    mas não sobre o processo.
  17. E obviamente, eu não
    poderia ser um cientista.
  18. Mas eu tive bastante apoio,

  19. e eu perseverei,
  20. e descobri algo novo sobre a natureza.
  21. Esta é uma incrível sensação de calma,
  22. ser a única pessoa no mundo,
  23. que sabe uma nova lei da natureza.
  24. E eu comecei o segundo projeto
    do meu doutorado,
  25. e aconteceu novamente.
  26. Eu fiquei emperrado, e eu perseverei.
  27. E eu comecei a pensar:
  28. "Talvez haja um padrão aqui".
  29. Falei com outros doutorandos,
    e eles disseram:
  30. "Sim, foi exatamente isso que
    aconteceu conosco,
  31. só que ninguém nos falou disso".
  32. Estudamos a ciência,
    como se fosse uma série
  33. de etapas lógicas,
    entre pergunta e resposta,
  34. mas fazer pesquisa, não é nada disso.
  35. Ao mesmo tempo, eu também estava estudando

  36. para ser um ator de teatro
    de improvisação.
  37. Então, física de dia,
  38. e à noite, sorrir, pular, cantar,
  39. e tocar meu violão.
  40. Teatro de improvisação,
  41. Assim como a ciência,
    te leva ao desconhecido,
  42. porque você tem que fazer uma cena,
  43. sem um diretor, sem um script,
  44. sem a mínima ideia do que
    você vai representar,
  45. ou o que os outros personagens vão fazer.
  46. Mas, ao contrário da ciência,
  47. no teatro de improvisação, eles
    te avisam desde o primeiro dia,
  48. o que vai acontecer
    quando você estiver no palco.
  49. Você vai falhar feio.
  50. Você vai ficar travado.
  51. E tínhamos que praticar a criatividade,
  52. sob aquela pressão.
  53. Por exemplo, tivemos um exercício
  54. onde formamos um círculo,
  55. e cada pessoa tinha que fazer
    o pior sapateado do mundo,
  56. e todos aplaudiam
  57. e incentivavam,
  58. dando suporte no palco.
  59. Quando tornei-me um professor,

  60. e tive que orientar meus próprios alunos
  61. em seus projetos de pesquisa,
  62. eu percebi novamente.
  63. Eu não sei o que fazer.
  64. Eu tinha estudado milhares
    de horas de física,
  65. biologia, química,
  66. mas nenhuma hora, nenhum conceito
  67. de como orientar, como guiar alguém,
  68. ir junto rumo ao desconhecido,
  69. ou sobre motivação.
  70. Então lembrei-me da improvisação teatral,

  71. e eu disse a meus alunos
    desde o primeiro dia,
  72. o que vai acontecer quando
    começarem a pesquisa,
  73. e isso tem a ver com o
    nosso esquema mental
  74. de como será a pesquisa.
  75. Porque, vejam, quando
    se faz qualquer coisa,
  76. por exemplo, se eu quero
    tocar este quadro,
  77. primeiro, meu cérebro
    cria um esquema,
  78. prevê o que meus músculos
    vão fazer exatamente,
  79. antes mesmo de eu começar
    a mover minha mão,
  80. e se eu ficar travado,
  81. se meu esquema não
    corresponde à realidade,
  82. causa uma tensão
    chamada dissonância cognitiva.
  83. Por isso é melhor que seus
    esquemas condigam com a realidade.
  84. Mas se você acredita no modo
    como a ciência é ensinada,
  85. e acredita em livros didáticos,
    você está sujeito
  86. ao seguinte esquema de pesquisa.
  87. Se "A" é a pergunta,
  88. e "B" é a resposta,
  89. a pesquisa é um caminho reto.
  90. O problema é que, se
    um experimento não funcionar,
  91. ou o estudante ficar deprimido,
  92. isso é considerado
    algo totalmente errado,
  93. e causa uma enorme tensão.
  94. E é por isso que eu ensino
    aos meus alunos
  95. um esquema mais realista.
  96. Eis um exemplo
  97. onde as coisas não condizem
    com seu esquema.
  98. (Risos)
  99. (Aplausos)
  100. Então, eu ensino aos meus alunos,
    um esquema diferente.

  101. Se "A" é a pergunta,
  102. "B" é a resposta,
  103. mantenha-se criativo na nuvem,
  104. e você começa a caminhar,
  105. e as experiências não funcionam,
    e não funcionam,
  106. e não funcionam,
    e não funcionam,
  107. até que você chega a um lugar
    ligado as emoções negativas,
  108. onde parece que os seus
    pressupostos básicos
  109. deixaram de fazer sentido,
  110. como se alguém puxasse o
    tapete debaixo dos seus pés.
  111. E eu chamo este lugar de "a nuvem".
  112. Você pode ficar perdido na nuvem
  113. por um dia, uma semana, um mês, um ano,
  114. por toda a sua carreira,
  115. mas às vezes, se você
    tiver sorte o suficiente
  116. e tiver apoio suficiente,
  117. você pode ver no material que tem à mão,
  118. ou talvez meditando
    sobre a forma da nuvem,
  119. uma nova resposta,
  120. "C", e você decide ir atrás disso.
  121. E as experiências não funcionam,
    e não funcionam,
  122. mas você chega lá,
  123. e então, você conta a todos sobre isso,
  124. publicando um artigo
    que diz "A" flecha "C",
  125. que é uma ótima maneira de se comunicar,
  126. contanto que você não
    se esqueça do caminho
  127. que o levou até lá.
  128. Agora, esta nuvem é uma parte inerente

  129. à pesquisa, uma parte inerente
    ao nosso ofício,
  130. porque a nuvem
    fica de guarda na fronteira.
  131. Ela fica de guarda na fronteira,
  132. entre o conhecido
  133. e o desconhecido,
  134. porque, a fim de descobrir
    algo realmente novo,
  135. pelo menos uma de nossas suposições
    básicas tem que mudar,
  136. e isso significa que, em ciência
  137. fazemos algo bastante heroico.
  138. Todos os dias, nós tentamos nos levar
  139. à fronteira entre o conhecido
    e o desconhecido,
  140. e enfrentar a nuvem.
  141. Percebam que eu coloquei "B"
    no lado do conhecido,

  142. porque sabíamos sobre ele desde o começo,
  143. mas "C" é sempre mais interessante
  144. e mais importante do que "B".
  145. "B" é essencial, para
    que se possa continuar,
  146. mas "C" é muito mais profundo,
  147. e é isso que é surpreendente
    sobre a pesquisa.
  148. Só conhecer aquela palavra: a nuvem,

  149. foi transformador no
    meu grupo de pesquisa,
  150. porque os alunos vieram me dizer,
  151. "Uri, estou na nuvem,"
  152. e eu disse: "Ótimo, você deve
    estar se sentindo terrível."
  153. (Risos)
  154. Mas eu fico feliz,
  155. porque talvez estejamos perto da fronteira
  156. entre o conhecido e o desconhecido,
  157. e temos uma chance de descobrir
  158. algo realmente novo,
  159. já que para o funcionamento
    de nossa mente,
  160. basta saber que a nuvem
  161. é normal, é essencial,
  162. e de fato, bela,
  163. podemos nos juntar à Sociedade
    de Apreciação das Nuvens,
  164. e isso desintoxica a sensação de que algo
  165. está profundamente errado comigo.
  166. E como um mentor, eu sei o que fazer,
  167. que é intensificar o meu apoio ao aluno,
  168. porque pesquisas em psicologia mostram
  169. que se você está sentindo
    medo e desespero,
  170. sua mente se reduz
  171. a formas seguras e
    conservadores de pensar.
  172. Se quiser explorar os caminhos arriscados,
  173. vai ter que sair da nuvem,
  174. precisa de outras emoções,
  175. solidariedade, apoio, esperança,
  176. que vêm do relacionamento
    com outra pessoa,
  177. então, como no teatro de improvisação,
  178. na ciência, é melhor caminhar
  179. juntos para o desconhecido.
  180. Então, tendo conhecimento da nuvem,

  181. a improvisação teatral também te ensina
  182. uma forma bem efetiva de ter conversas
  183. dentro da nuvem.
  184. Ela é baseada no princípio central
  185. do teatro de improvisação,
  186. e o teatro de improvisação
  187. me ajudou novamente.
  188. Chama-se dizer "Sim, e",
  189. às ofertas feitas por outros atores.
  190. Isso significa aceitar as ofertas
  191. e contribuir com elas, dizendo: "Sim, e".
  192. Por exemplo, se um ator diz:
  193. "Eis uma piscina de água",
  194. e o outro ator diz,
    "Não, isso é só um palco",
  195. este é o fim da improvisação.
  196. É o fim, e todos sentem-se frustrados.
  197. Isso é chamado de bloqueio.
  198. Se não estiver consciente
    das comunicações,
  199. conversas científicas podem
    ter vários bloqueios.
  200. Dizer "Sim, e", é mais ou menos assim.

  201. "Eis uma piscina de água."
    "Sim, vamos entrar nela"

  202. "Olha, é uma baleia!
    Vamos agarrá-la pelo rabo.

  203. Ela está nos puxando para a lua!"
  204. Dizer "Sim, e", ignora nosso
    criticismo interior.

  205. Todos temos um criticismo interior
  206. que vigia o que dizemos,
  207. para que não pensem que somos
    obscenos ou loucos ou não originais,
  208. e a ciência está cheia de medo
    de parecer não original.
  209. Dizer "Sim, e" ignora o criticismo
  210. e libera vozes ocultas da criatividade
  211. que você nem sabia que tinha,
  212. e elas muitas vezes carregam a resposta
  213. a respeito da nuvem.
  214. Então vejam, saber sobre a nuvem

  215. e sobre dizer "Sim, e"
  216. tornou meu laboratório muito criativo.
  217. Os alunos começaram a brincar
    com as ideias uns dos outros,
  218. e fizemos descobertas surpreendentes,
  219. na interface entre a física e a biologia.
  220. Por exemplo, ficamos presos por um ano
  221. tentando entender as intrincadas
  222. redes bioquímicas dentro
    de nossas células,
  223. e nós dissemos: "Estamos
    profundamente na nuvem",
  224. e tivemos uma conversa divertida,
  225. onde meu aluno Shai Shen Orr disse,
  226. "Vamos desenhar isso em um
    pedaço de papel, esta rede",
  227. e em vez de dizer,
  228. "Mas nós fizemos isso tantas vezes
  229. e não funcionou",
  230. Eu disse "Sim, e
  231. vamos usar um grande pedaço de papel",
  232. e então, o Ron Milo disse,
  233. "Vamos usar uma planta
    de arquitetura gigantesca,
  234. e eu sei onde imprimi-la",
  235. e nós imprimimos a rede
    e olhamos para ela,
  236. e foi aí que fizemos nossa
    descoberta mais importante,
  237. que aquela rede complicada, é feita apenas
  238. de um punhado de simples repetições
    de padrões de interação,
  239. como motivos em um vitral.
  240. Nós os chamamos de motivos de rede,
  241. e eles são os circuitos elementares
  242. que nos ajudam a compreender
  243. a lógica de como as células tomam decisões
  244. em todos os organismos,
    incluindo o nosso corpo.
  245. Logo depois disso,

  246. eu comecei a ser convidado a dar palestras
  247. para milhares de cientistas
    em todo o mundo,
  248. mas saber sobre a nuvem
  249. e sobre dizer "Sim, e"
  250. ficou dentro do meu laboratório,
  251. porque, sabem, na ciência
    não falamos do processo,
  252. nem sobre nada subjetivo ou emocional.
  253. Nós falamos sobre os resultados.
  254. Não tinha como falar
    sobre isso em conferências.
  255. Era impensável.
  256. E eu via cientistas
    de outros grupos travados,
  257. sem sequer uma palavra para descrever
  258. o que estavam vendo,
  259. e suas formas de pensar
    reduzidas a caminhos seguros,
  260. sua ciência não atingiu
    todo seu potencial,
  261. e eles estavam arrasados.
  262. Eu pensei: "é assim que as coisas são".
  263. Vou tentar deixar meu laboratório
    o mais criativo possível,
  264. e se todos fizerem o mesmo,
  265. a ciência acabará por se tornar
  266. cada vez melhor.
  267. Essa forma de pensar foi virada
    de cabeça para baixo,

  268. quando por acaso, fui ouvir
    a Evelyn Fox Keller
  269. dar uma palestra sobre sua experiência
  270. como uma mulher na ciência.
  271. E ela perguntou:
  272. "Por que é que nós não
    falamos sobre os aspectos
  273. subjetivo e emocional, de fazer ciência?
  274. Não é por acaso. É uma
    questão de valores".
  275. Vejam, a ciência busca o conhecimento
  276. que é objetivo e racional.
  277. Essa é a beleza da ciência.
  278. Mas também temos um mito cultural
  279. de que a prática da ciência,
  280. o que fazemos todos os dias
    para obter esse conhecimento,
  281. também é apenas objetivo e racional,
  282. como o Sr. Spock.
  283. E quando definimos algo
  284. como objetivo e racional,
  285. automaticamente, o outro lado,
  286. o subjetivo e o emocional,
  287. fica definido como não-ciência,
  288. ou anti-científico, ou uma
    ameaça à ciência,
  289. só que a gente não fala sobre isso.
  290. E quando eu ouvi aquilo,
  291. que a ciência tem uma cultura,
  292. tudo se encaixou para mim,
  293. porque, se a ciência tem uma cultura,
  294. a cultura pode ser mudada,
  295. e eu posso ser um agente de mudança,
  296. para mudar a cultura
    da ciência, onde for possível.
  297. E depois disso, assim que dei
    uma palestra em uma conferência,
  298. eu falei sobre a minha ciência
    e falei sobre a importância
  299. dos aspectos subjetivos e
    emocionais da ciência,
  300. e como deveríamos falar deles,
  301. e eu olhei para a platéia,
  302. e eles estavam distraídos.
  303. Eles não conseguiam ouvir
    o que eu estava dizendo
  304. no contexto de uma apresentação de
  305. dez slides de PowerPoint
    numa conferência.
  306. E eu tentei de novo,
    conferência após conferência,
  307. mas eu não estava conseguindo.
  308. Eu estava na nuvem.
  309. E finalmente, eu consegui sair da nuvem

  310. usando improvisação e música.
  311. Desde então, para todas as
    conferências que eu vou,
  312. eu dou uma palestra científica,
  313. e uma outra palestra especial chamada
    "Amor e medo no laboratório",
  314. e eu começo tocando uma canção,
  315. sobre o maior medo dos cientistas,
  316. que é, quando nós trabalhamos duro,
  317. descobrimos algo novo,
  318. e alguém o publica antes de nós.
  319. Nós chamamos isso de "ser escavado",
  320. e ser escavado é horrível.
  321. Faz-nos ter medo de falar
    uns com os outros,
  322. o que não é legal,
  323. porque viemos para a ciência
    para compartilhar nossas ideias,
  324. e aprender uns com os outros,
  325. e então eu toco um "blues",
  326. que -- (Aplausos) --
  327. chamado "Escavado Novamente",
  328. e peço a platéia para serem meu coral,
  329. e eu digo a eles, "Sua parte é
    'Escavado! Escavado!'"
  330. Soa desse jeito: "Escavado! Escavado!"
  331. Soa desse jeito.
  332. ♪ Eu fui escavado novamente ♪

  333. ♪ Escavado! Escavado! ♪

  334. E assim, começamos.

  335. ♪ Eu fui escavado novamente ♪

  336. ♪ Escavado! Escavado! ♪

  337. ♪ Eu fui escavado novamente ♪

  338. ♪ Escavado! Escavado! ♪

  339. ♪ Eu fui escavado novamente ♪

  340. ♪ Escavado! Escavado! ♪

  341. ♪ Eu fui escavado novamente ♪

  342. ♪ Escavado! Escavado! ♪

  343. ♪ Oh mama, você não consegue
    sentir a minha dor ♪

  344. ♪ Céus, ajudem-me!
    Eu fui escavado novamente ♪

  345. (Aplausos)
  346. Obrigado.

  347. Obrigado por serem meu vocal de apoio.
  348. E todos começam a rir, começam a inspirar,

  349. percebem que há
    outros cientistas ao redor,
  350. com problemas em comum,
  351. e começamos a falar
    sobre as coisas emocionais
  352. e subjetivas, que ocorrem na pesquisa.
  353. É como se um enorme tabu fosse quebrado.
  354. Finalmente, podemos falar disso
    numa conferência científica.
  355. E os cientistas passaram a
    formar grupos,
  356. onde se reúnem regularmente,
  357. e criam um espaço para falar das coisas
  358. emocionais e subjetivas
    de quando estão orientando,
  359. entrando no desconhecido,
  360. e até começaram cursos
  361. sobre o processo de fazer ciência,
  362. sobre entrar no desconhecido juntos,
  363. e muitas outras coisas.
  364. A minha visão é a seguinte,

  365. assim como todo cientista
    conhece a palavra "átomo",
  366. e sabe que a matéria é feita de átomos,
  367. todo cientista deveria conhecer palavras
  368. como "a nuvem", dizer "Sim, e",
  369. e a ciência vai se tornar
    muito mais criativa,
  370. fazer muitas outras
    descobertas inesperadas
  371. em benefício de todos nós,
  372. e também será muito mais divertida.
  373. E o que eu lhes peço para
    guardarem desta palestra,
  374. é que da próxima vez que enfrentarem
  375. um problema que não conseguirem resolver,
  376. no trabalho ou na vida,
  377. há uma palavra para o que você vai ver:
  378. a nuvem.
  379. E você pode atravessar a nuvem
  380. não sozinho, mas junto
  381. com alguém que seja sua fonte ou suporte,
  382. para dizer "Sim, e" para suas ideias,
  383. para ajudá-lo a dizer "Sim, e"
    para suas próprias ideias,
  384. para aumentar a chance de,
  385. através dos pedaços de nuvem,
  386. encontra aquele momento de calma,
  387. onde você terá o primeiro vislumbre
  388. de sua descoberta inesperada,
  389. o seu "C".
  390. Obrigado.

  391. (Aplausos)