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← Os tesouros escondidos de Timbuktu - Elizabeth Cox

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Showing Revision 25 created 11/10/2020 by Maricene Crus.

  1. Na orla do vasto deserto do Saara,
  2. cidadãos escaparam da cidade de Timbuktu
  3. e adentraram o deserto.
  4. Enterraram baús na areia,
    esconderam-nos em cavernas
  5. e os selaram em galerias secretas.
  6. Dentro deles havia um tesouro
    mais valioso do que ouro:
  7. os livros antigos da cidade.
  8. Fundada por volta de 1100 EC
    onde hoje se situa o Mali,

  9. a cidade de Timbuktu começou
    como um entreposto comercial comum.
  10. Mas sua localização única logo mudou isso.
  11. Timbuktu marcava a interseção
    de duas rotas comerciais essenciais,
  12. nas quais caravanas levando sal pelo Saara
  13. encontravam-se com comerciantes
    trazendo ouro do interior africano.
  14. No final dos anos 1300, essas rotas
    comerciais enriqueceram Timbuktu,
  15. e os governantes da cidade,
    os reis do Império do Mali,
  16. construíram monumentos e academias
    que atraíram estudiosos
  17. do Egito, Espanha e Marrocos.
  18. A localização da cidade a tornou um alvo
    para senhores da guerra e conquistadores.

  19. Com o declínio do Império do Mali,
    um de seus domínios, Songhai,
  20. começou a ganhar poder.
  21. Em 1468, o rei Songhai conquistou Timbuktu
  22. queimando construções
    e assassinando estudiosos.
  23. Mas com o tempo, a vida intelectual
    na cidade floresceu novamente.

  24. O reinado do segundo rei
    do Império Songhai,
  25. Askia Mohammed Toure,
  26. marcou o início de uma era
    dourada em Timbuktu.
  27. Ele reverteu as políticas regressivas
    de seu predecessor
  28. e incentivou a aprendizagem.
  29. Os governantes Songhai e a maioria
    da população de Timbuktu eram muçulmanos,

  30. e os seus acadêmicos estudavam o Islã
  31. da mesma forma que tópicos seculares,
    como matemática e filosofia.
  32. Nas bibliotecas de Timbuktu,
  33. tratados de filosofia grega
    ficavam ao lado dos escritos
  34. de historiadores,
    cientistas e poetas locais.
  35. O estudioso mais proeminente
    da cidade, Ahmed Baba,
  36. desafiava as opiniões prevalecentes,
  37. desde sobre o fumo até a escravidão.
  38. O comércio de ouro e sal financiou
    a transformação da cidade

  39. em um centro de aprendizagem.
  40. Os produtos dessa cultura intelectual
  41. se tornaram as mercadorias
    mais procuradas.
  42. Com papel da distante Veneza
  43. e tinta vibrante de plantas
    e minerais locais,
  44. os escribas de Timbuktu
    produziam textos em árabe
  45. e idiomas locais.
  46. Escritos em caligrafia e decorados
    com intrincados desenhos geométricos,
  47. os livros de Timbuktu eram procurados
    pelos membros mais ricos da sociedade.
  48. Em 1591, a era dourada
    chegou ao fim abruptamente

  49. quando o rei marroquino
    conquistou Timbuktu.
  50. Forças marroquinas prenderam Ahmed Baba
    e outros estudiosos proeminentes
  51. e confiscaram suas bibliotecas.
  52. Nos séculos que se seguiram, a cidade
    resistiu a uma sucessão de conquistas.
  53. Em meados de 1800,
    jihadistas sufis ocuparam Timbuktu
  54. e destruíram muitos manuscritos
    não religiosos.
  55. Em 1894, as forças coloniais francesas
    assumiram o controle da cidade,
  56. roubando ainda mais manuscritos
    e enviando-os para a Europa.
  57. O francês se tornou a língua oficial
    ensinada nas escolas,
  58. e novas gerações em Timbuktu
  59. não conseguiam ler
    os manuscritos árabes que restaram.
  60. Mesmo com tudo isso,

  61. a tradição literária de Timbuktu
    não morreu, mas foi escondida.
  62. Algumas famílias construíram
    bibliotecas secretas em suas casas
  63. ou enterraram os livros em seus jardins.
  64. Outras os esconderam em cavernas
    abandonadas ou buracos no deserto.
  65. Os manuscritos inestimáveis de Timbuktu
  66. se espalharam pelas aldeias
    em toda a área circundante,
  67. onde cidadãos comuns os protegeram
    por centenas de anos.
  68. Enquanto a desertificação
    e a guerra empobreciam a região,
  69. as famílias se apegavam aos livros antigos
  70. mesmo quando enfrentavam
    pobreza desesperadora e quase fome.
  71. Ainda hoje, a luta para proteger
    os livros continua.

  72. Dos anos 1980 ao início dos anos 2000,
  73. o estudioso Abdel Kader Haidara recuperou
    meticulosamente manuscritos ocultos
  74. de todo o norte do Mali
    e os levou de volta para Timbuktu.
  75. Mas em 2012, a guerra civil no Mali
    mais uma vez ameaçou os manuscritos,
  76. a maioria dos quais foi enviada
    para a vizinha Bamako.
  77. O futuro deles permanece incerto,
  78. visto que enfrentam ameaças
    humanas e ambientais.
  79. Esses livros representam
    nossas melhores, e muitas vezes únicas,
  80. fontes sobre a história
    pré-colonial da região.
  81. Muitos deles nunca foram lidos
    por estudiosos modernos,
  82. e muitos mais permanecem perdidos
    ou escondidos no deserto.
  83. A história que eles contêm está em jogo
    nos esforços para protegê-los
  84. e nos esforços de incontáveis gerações
    para impedir que essa história se perca.