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← A corrida para decifrar uma língua misteriosa - Susan Lupack

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Showing Revision 8 created 07/16/2020 by Leonardo Silva.

  1. No início do século 20, na ilha de Creta,
  2. o arqueólogo britânico Arthur Evans
    descobriu cerca de 3 mil tabuinhas
  3. inscritas com símbolos estranhos.
  4. Ele achava que esses símbolos
    representavam a língua falada
  5. pela civilização mais antiga da Europa.
  6. O significado desses símbolos
    iludiria estudiosos por 50 anos.
  7. Evans descobriu essas tabuinhas
    em meio aos afrescos coloridos

  8. e aos corredores intrincados
    do palácio de Cnossos.
  9. Ele deu à civilização o nome de minoica,
  10. em homenagem ao mítico
    soberano de Creta, o rei Minos.
  11. Ele achava que a escrita,
    batizada de Linear B,
  12. representava a língua minoica,
  13. e estudiosos de todo o mundo
    tinham suas próprias teorias.
  14. Seria a língua perdida dos etruscos?
  15. Ou talvez representasse
    uma forma primitiva de basco?
  16. O mistério se intensificou porque Evans
    mantinha as tabuinhas bem guardadas.

  17. Apenas 200 das inscrições
    foram publicadas durante sua vida.
  18. Mas ele não foi capaz
    de decifrar a escrita.
  19. No entanto, conseguiu fazer
    duas observações precisas:
  20. as tabuinhas eram
    registros administrativos,
  21. e a escrita era um silabário,
  22. em que cada símbolo representava
    uma consoante e uma vogal,
  23. combinadas com caracteres em que cada um
    representava uma palavra inteira.
  24. Evans se dedicou à Linear B
    por três décadas

  25. até que uma estudiosa
    do Brooklyn, Nova York,
  26. chamada Alice Kober
  27. partisse para resolver o mistério.
  28. Kober era professora de línguas
    clássicas do Brooklyn College
  29. quando poucas mulheres
    ocupavam tais cargos.
  30. Para ajudar em sua busca,
    ela aprendeu muitas línguas.
  31. Sabia que precisaria de conhecimento
    para decifrar a Linear B.
  32. Nas duas décadas seguintes,
    ela analisou os símbolos.
  33. Trabalhando com as poucas
    inscrições disponíveis,

  34. ela anotava a frequência
    com que cada símbolo aparecia.
  35. Depois registrava com que frequência
    cada símbolo aparecia próximo a outro.
  36. Ela guardava suas descobertas em papéis
    de rascunho em caixas de cigarros
  37. devido ao fornecimento escasso de papel
    durante a Segunda Guerra Mundial.
  38. Ao analisar essas frequências,

  39. ela descobriu que a Linear B
    dependia de terminações de palavras
  40. para a gramática das frases.
  41. A partir disso, ela começou a construir
    um gráfico das relações entre os sinais,
  42. aproximando-se mais do que ninguém
    antes de decifrar a Linear B.
  43. Mas ela morreu, provavelmente de câncer,
    em 1950, aos 43 anos.
  44. Enquanto Kober analisava
    as tabuinhas de Cnossos,

  45. um arquiteto chamado Michael Ventris
  46. também trabalhava
    para decifrar a Linear B.
  47. Ele ficou obcecado com a Linear B
    como aluno, depois de ouvir Evans falar.
  48. Até se dedicou a decifrar a escrita
    enquanto servia na Segunda Guerra Mundial.
  49. Após a guerra, Ventris se baseou
    no padrão de Kober

  50. a partir de um conjunto recém-divulgado
    de inscrições da Linear B
  51. obtidas de um local arqueológico
    diferente chamado Pilos,
  52. na Grécia continental.
  53. Seu verdadeiro avanço ocorreu
    quando ele comparou as tabuinhas de Pilos
  54. com as de Cnossos
  55. e viu que certas palavras apareciam
    nas tabuinhas de um local,
  56. mas não do outro.
  57. Ele se perguntava se aquelas palavras
    representavam os nomes de lugares
  58. específicos para cada local.
  59. Ele sabia que, ao longo dos séculos,

  60. nomes de lugares tendem
    a permanecer constantes
  61. e decidiu comparar a Linear B
    a um antigo silabário da ilha de Chipre.
  62. A escrita cipriota foi usada
    centenas de anos após a Linear B,
  63. mas alguns dos símbolos eram semelhantes.
  64. Ele se perguntava se os sons
    também seriam semelhantes.
  65. Quando Ventris ligou
    alguns sons do silabário cipriota
  66. às inscrições da Linear B,
  67. ele chegou à palavra Cnossos,
  68. o nome da cidade onde Evans
    havia descoberto as tabuinhas.
  69. Em um efeito dominó,
    Ventris desvendou a Linear B,
  70. com cada palavra revelando mais claramente
  71. que a língua da Linear B
    não era minoica, mas grega.
  72. Ventris morreu em um acidente de carro
    4 anos depois, aos 34 anos,

  73. mas sua descoberta reescreveu
    um capítulo da história.
  74. Evans insistia que os minoicos haviam
    conquistado os gregos do continente
  75. e, por este motivo, exemplos da Linear B
    foram encontrados no continente.
  76. Mas a descoberta de que a Linear B
    representava o grego, e não o minoico,
  77. mostrou que havia acontecido o oposto:
  78. os gregos do continente invadiram Creta
  79. e adotaram a escrita minoica
    em sua própria língua.
  80. Mas a história ainda não acabou.

  81. A língua atual dos minoicos,
  82. representada por outra escrita
    chamada Linear A,
  83. ainda não foi decifrada.
  84. Isso permanece um mistério,
  85. pelo menos por enquanto.