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← Aula 4 - Para que mais os argumentos são usados - Explicação

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Subtitles translated from English Showing Revision 3 created 12/11/2012 by michele.silva.

  1. Como eu disse na primeira aula, os argumentos são utilizados com muitos propósitos

  2. E, na aula anterior, vimos que eles podem ser usados para persuasão
  3. e também para justificativas de vários tipos.
  4. Mas persuasão e justificação não são os únicos propósitos pelos quais os argumentos são
  5. dados. Os argumentos são fornecidos para
  6. explicar coisas. Então, vamos passar essa aula
  7. falando sobre explicação. Realmente, o que vamos tentar fazer é
  8. explicar explicação. Explicamos as coisas o tempo todo,
  9. e vou dar um exemplo disso que provavelmente vai provocar o outro professor desse curso
  10. Ram, porque ele é de Chapel Hill. Mas,
  11. meu exemplo... alguém poderia perguntar "por que o time de basquete Duke venceu o campeonato
  12. nacional em 2010?" A resposta pode ser que eles tinham grandes
  13. jogadores, um grande técnico, e, claro, eles tiveram sorte.
  14. É preciso ter um pouco de sorte para vencer um campeonato nacional.
  15. Mas, de qualquer forma, uma explicação desse evento é uma razão pela qual ele aconteceu.
  16. Então explicar algo é dar uma razão pela qual aconteceu ou responder uma
  17. questão sobre o porque de ter acontecido. Note que quando você explica algo,
  18. voce assume que é verdade. Não faria sentido perguntar "por que
  19. o Duke venceu o campeonato nacional em 2011?"
  20. Porque não venceu. Você só pode perguntar por que uma coisa aconteceu
  21. se ela aconteceu. Então, já temos uma diferença
  22. entre explicação, justificação e persuasão.
  23. Quando você tenta persuadir alguém a acreditar em alguma coisa, essa coisa não tem
  24. de ser verdade e esse alguém não tem de acreditar nisso previamente.
  25. Quando você justifica algo, ok? Você pode justificar a crença em alguma coisa que
  26. alguém não acredita. Mas quando você explica alguma coisa, ambos
  27. argumentador e audiência assumem que a coisa aconteceu, que a conclusão
  28. é verdadeira, e estão observando as razões pelas quais ela aconteceu.
  29. Então, se o objetivo da explicação não é persuadir ou justificar e ambos argumentador e
  30. audiência já acreditam na conclusão, pra que tudo isso?
  31. Qual é o objetivo da explicação? O objetivo da explicação é aumentar o
  32. entendimento. Não é nos convencer que a conclusão é
  33. verdadeira, mas ajudar a entender por que ela é verdadeira.
  34. E podemos fazer isso de diversas formas.
  35. Existem, na verdade, de acordo com Aristóteles, quatro diferentes
  36. tipos de causas, como ele chamava, mas nós provavelmente as chamaríamos de explicações.
  37. A primeira, que ele chamou de causa eficiente, chamaremos apenas de explicação
  38. causal. Ela explica por que alguma coisa acontece.
  39. Por que a ponte caiu? Porque houve um terremoto, isso
  40. explica por que a ponte caiu. O segundo tipo de explicação ele chamou de
  41. explicação teleológica ou proposital porque ela usa o propósito ou "telos"
  42. do objetivo. Por que Joe foi ao mercado?
  43. Para comprar leite. Seu objetivo de comprar leite é o que explica
  44. por que ele foi ao mercado. O terceiro tipo de explicação é formal.
  45. Por que essa cavilha não entra nesse buraco? E a resposta é porque a cavilha é
  46. quadrada e o buraco é redondo. Por isso ela não cabe no buraco e
  47. está explicado. Isso ajuda a entender por que não coube.
  48. O quarto tipo de explicação é material.
  49. Por que esse taco de golf é tão leve? Por que pesa tão pouco?
  50. A resposta poderia ser "porque é feito de grafite".
  51. Isso ajuda você a entender por que o peso desse taco de golf é tão baixo.
  52. Ele seria muito mais pesado se fosse feito de aço.
  53. Então, podemos ter quatro tipos diferentes de explicação.
  54. Podemos ter causal, podemos ter teleológica, podemos ter formal e
  55. podemos ter material. E todos esses diferentes tipos de
  56. explicação têm o objetivo de nos ajudar a entender por que alguma coisa aconteceu.
  57. Você ouviu esse apito de trem? Queremos perguntar, por que o trem emite
  58. um barulho tão alto? Bem, uma resposta poderia ser que o que faz com
  59. que o trem faça esse barulho é que o condutor puxa uma alavanca no trem que
  60. produz esse barulho. Essa seria uma explicação causal.
  61. Outra explicação poderia ser a explicação teleológica.
  62. O trem estava passando por um cruzamento com carros e queria que os carros soubessem
  63. que estava vindo. Outra explicação poderia ser a explicação
  64. formal. Porque o apito em cima do
  65. trem tem uma determinada forma que faz o ar sair com uma dada vibração.
  66. E uma explicação final poderia ser uma explicação material.
  67. Porque o ar tem uma certa densidade e um dado material
  68. cria esse ruído. Portanto, podemos dar os quatro tipos de
  69. explicação para o mesmo evento. Aqui está outro exemplo em que podemos aplicar
  70. todos os quatro tipos de explicação a um único evento.
  71. Joe saltou de um avião, foi isso que fez com que caísse.
  72. Mas então, por que ele saltou de um avião? Para ter emoção.
  73. Por que ele caiu tão rápido? Por causa de sua forma, era aerodinâmica, e por causa do
  74. material do qual ele é composto, carne pesada, que era bem mais densa que
  75. o ar ao redor. Então, todos os quatro fatores compõem uma
  76. explicação de por que o Joe caiu quando ele saltou do avião.
  77. Agora precisamos falar sobre as formas de explicação.
  78. Podemos dar explicações de diversas formas.
  79. Por exemplo, se alguém perguntar "por que você se mudou para Duke?"
  80. Eu poderia contar uma história sobre as coisas que aconteceram antes de eu me mudar para Duke que me levaram
  81. a querer me mudar para Duke e eu poderia falar sobre a mudança para Duke e todas
  82. as pessoas legais aqui e assim por diante. Você pode dar explicações na forma de
  83. narrativas como essa. Mas note que isso não significa
  84. que qualquer um em circunstâncias similares irá se comportar exatamente da mesma maneira.
  85. Então, você não vai obter princípios gerais desse tipo de explicações
  86. narrativas. Mas outras explicações são dadas na
  87. forma de argumentos. E esse é o tipo em que estaremos
  88. interessados aqui. A forma em que as explicações ocorrem em
  89. argumentos é realmente muito simples. Uma premissa normalmente declara algum tipo de
  90. princípio geral que podemos aplicar a um grande número de situações diferentes.
  91. E então, a segunda premissa fala da situação atual e diz que esses
  92. tipos de características que o princípio menciona são instanciadas nesse caso.
  93. E então a conclusão diz: isso explica por que aconteceu desse modo nesse
  94. caso. Por exemplo,
  95. Se queremos saber por que um objeto cai, ok?
  96. Então, tem um livro e ele cai. Se queremos explicar isso, precisamos citar um
  97. princípio geral. Mas note que nem todos os objetos caem, alguns
  98. objetos na verdade sobem, como um balão de hélio sobe.
  99. Portanto, precisamos de um princípio que explique por que alguns objetos caem, e outros
  100. objetos sobem. Então, iremos entender por que os balões de hélio
  101. sobem. Só pra continuar com esse exemplo, a resposta é que, quando um objeto é
  102. suspenso livremente em um meio mais denso que o objeto, então
  103. ele sobe. E quando um objeto é suspenso livremente em
  104. um meio em que o objeto é mais denso que o meio, ele cai.
  105. Então, você pode explicar porque balões de hélio flutuam tendo como primeira premissa que
  106. quando um objeto é livremente suspenso em um meio, como um gás ou um
  107. líquido, e o meio é mais denso que o
  108. objeto, então o objeto sobe. Agora, vamos falar sobre as circunstâncias nesse
  109. caso particular. O balão de hélio é menos denso que
  110. o ar ao seu redor, portanto o balão de hélio sobe.
  111. E isso explica por que o balão de hélio sobe, e você pode ver como você daria
  112. outro argumento para explicar por que o livro caiu.
  113. Agora, essa forma de argumento dá a muitas pessoas a impressão de que qualquer
  114. generalização pode ser usada para explicação.
  115. Mas isso não é bem verdade. Um exemplo é a lei de Bode.
  116. A lei de Bode diz que 0.4 + 0.3 2^n pode ser usado para prever todas
  117. as distâncias entre os planetas e o sol, aonde n é o número do planeta.
  118. Assim, se n for Venus, então n é zero. A Terra é um, Marte é dois, e assim por diante.
  119. Essa lei foi realmente usada pra prever tanto o maior asteróide no cinturão de asteróides,
  120. Ceres, como Urânio. Então, essa lei é uma generalização que se aplica
  121. a todos os planetas que eram conhecidos no tempo de Bode e também usada pra prever novas
  122. observações de planetas. Muito legal.
  123. Ela na verdade acaba falhando quando são adicionados outros planetas, incluindo Netuno e
  124. Plutão. Mas,
  125. ainda assim ela funcionava muito bem para os dados que eles tinham.
  126. Mas ninguém pensou que essa lei explicava por que os planetas estavam àquela distância
  127. do Sol. Eles se encaixavam naquele padrão.
  128. Podia ser usado pra prever, mas não explicava por que eles estavam à distância a
  129. que estavam do sol. Então, a lei de Bode é um bom exemplo
  130. de que você pode ter uma generalização e uma predição sem explicação.
  131. Agora, aqui está um exemplo em que você pode ter explicação sem ter predição.
  132. Apenas pense em uma mulher que tem AIDS, fica grávida e dá a luz e seu
  133. filho tem AIDS também. Isso explicaria por que a criança
  134. nasceu com AIDS. Mas não vai prever que a criança terá
  135. AIDS porque, na verdade, menos de 50% das crianças que nascem de mães
  136. aidéticas têm AIDs. Então você não pode prever nada
  137. sobre a doença, mas pode obter uma explicação quando
  138. a criança realmente tem AIDS. E note também que o fato de que
  139. a mãe tem AIDS não justifica você acreditar que a criança tem AIDS.
  140. O que justifica você acreditar que a criança tem AIDS é que você testou
  141. o sangue da criança e encontrou HIV no sangue. Portanto, aqui temos um exemplo aonde existe
  142. uma explicação sem justificação ou predição.
  143. E assim, explicação é muito diferente dos outros usos de argumentos.
  144. Então, mais diretamente, qual é o objetivo da explicação?
  145. Bem, o objetivo da explicação é encaixar esse fenômeno particular em um padrão
  146. geral. E isso é o que todas essas explicações
  147. fazem. Por que você quer encaixá-las em um padrão
  148. geral é simplesmente para aumentar seu entendimento de porque elas aconteceram.
  149. Elas aconteceram porque elas se encaixam nesse tipo particular de padrão.
  150. E esse tipo de entendimento, encaixá-las em um padrão bem conhecido, é
  151. útil porque a maioria das coisas que queremos
  152. explicar são meio estranhas, pouco usuais, desconcertantes, fenômenos surpreendentes.
  153. Daí você precisa de uma explicação. Porque encaixá-la em um padrão a torna
  154. um pouco menos desconcertante, um pouco menos surpreendente, porque ela mostra que é similar
  155. a outras coisas que aconteceram antes.
  156. E isso é o que a lei de Bode não faz, pois a lei de Bode, ainda que válida
  157. para todos os planetas que haviam sido observados no tempo de Bode, não explica
  158. nada mais. Ela não se encaixa em um padrão maior
  159. com outros planetas ao redor de outros sistemas solares.
  160. E agora que descobrimos planetas, ficamos sabendo que muitos planetas ao redor de outras
  161. estrelas não parecem seguir a lei de Bode nem de perto.
  162. Então, ela não encaixa nosso sistema solar em um padrão geral.
  163. E é por isso que mesmo que seja uma generalização e fosse usada para prever
  164. outros planetas, ela não provê uma explicação de por que os planetas estão a uma certa
  165. distância do sol. Então agora aprendemos um pouco sobre
  166. o que é e o que não é uma explicação.
  167. Explicação é uma tentativa de encaixar um fenômeno particular em um padrão
  168. geral, de forma a aumentar o nosso entendimento de por que algo aconteceu, e para
  169. remover a confusão ou surpresa. Explicação não é persuasão, ou
  170. justificação, ou generalização, ou predição.
  171. Esses são outros usos do argumento. Então, vimos uma grande variedade de
  172. usos diferentes do argumento, mas apenas arranhamos a superfície.
  173. Podem existir muitos outros, e muito mais a dizer sobre cada um deles.
  174. Então, se você quer aprender mais sobre esses objetivos dos argumentos, um bom lugar para
  175. começar seria o capítulo um do livro texto "Understanding
  176. Arguments (Entendendo Argumentos)". Mas vamos deixar esse tópico por
  177. enquanto e nos voltar para um tópico distinto. Para entender alguma coisa você quer
  178. saber, não somente a finalidade, mas o material do qual é feita.
  179. Portanto, as próximas aulas serão sobre o material do qual os argumentos são
  180. compostos, a saber: a linguagem