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← Porque é que devemos ler "The Joy Luck Club", de Amy Tan? — Sheila Marie Orfano

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Showing Revision 3 created 02/18/2020 by Margarida Ferreira.

  1. Em casa da sua tia An-mei,
  2. Jing-Mei senta-se, contrariada,
  3. no canto este da mesa do majongue.
  4. Nos cantos norte, sul e oeste
    estão as tias,

  5. membros de longa data
    do Joy Luck Club.
  6. Este grupo de famílias migrantes
    junta-se todas as semanas
  7. para trocar mexericos,
  8. saborear "wonton" e "chaswei" doce
    e jogar majongue.
  9. Mas a fundadora do clube, Suyuan,
    mãe de Jing-Mei, morreu há pouco tempo.
  10. A princípio, Jing-Mei recusa
    substituí-la na mesa.
  11. Mas, quando as tias revelam um segredo
    bem escondido da vida de Suyuan,
  12. Jing-Mei percebe que ainda tem
    muito a aprender sobre a mãe
  13. e sobre si mesma.
  14. No romance de estreia de Amy Tan,
    de 1989, "The Joy Luck Club",

  15. esta reunião à mesa do majongue
    é o ponto de partida
  16. para uma série de histórias interligadas.
  17. O livro tem uma estrutura solta
    que imita o formato do jogo chinês.
  18. Tal como o majongue
    se joga em quatro partidas,
  19. com quatro mãos cada, pelo menos,
  20. o livro está dividido em quatro partes,
    cada uma com quatro capítulos.
  21. Alternadamente situados
    na China ou em São Francisco,
  22. cada capítulo narra uma única história
    de uma das quatro matriarcas
  23. do Joy Luck Club
    ou das suas filhas nascidas nos EUA.
  24. Essas histórias transportam os leitores
    a zonas de guerra

  25. e a aldeias da China rural,
    e aos casamentos modernos
  26. e reuniões tensas
    em volta da mesa do jantar.
  27. Afloram temas de sobrevivência
    e perda, de amor e da sua falta,
  28. de ambições
    e da sua realidade insatisfeita.
  29. Num deles, a Tia Lin planeia
    fugir da família hostil
  30. do seu prometido marido,
  31. o que acabou por a levar até aos EUA.
  32. Noutro, o dia à moda americana
    da família de Hsu, na praia,
  33. acaba em tragédia,
    quando Rose não aguenta
  34. a responsabilidade
    que a mãe lhe atribuiu.
  35. A tragédia resultante traumatiza
    a família durante anos.
  36. Estes contos ilustram as divisões
    comuns que se podem formar

  37. entre gerações e culturas,
    principalmente em famílias migrantes.
  38. Todas as mães experimentaram
    grandes dificuldades
  39. durante a sua vida na China
  40. e trabalharam incansavelmente
    para darem aos seus filhos
  41. melhores oportunidades nos EUA.
  42. Mas as filhas sentem o peso
    da frustração dos pais
  43. em relação às esperanças
    e às altas expetativas.
  44. Jing-Mei sente esta pressão quando joga
    majongue com as amigas da mãe.
  45. Preocupa-se: "Veem em mim as filhas delas,
    tão ignorantes,
  46. tão inconscientes de todas
    as verdades e esperanças
  47. como as que elas trouxeram para os EUA".
  48. Vezes sem conta,
  49. as mães esforçam-se por lembrar
    às filhas a sua história e o seu legado.
  50. Entretanto, as filhas esforçam-se
  51. por reconciliar a perceção
    que as mães têm delas,
  52. com quem elas são na verdade.
  53. "A minha filha conhece-me?"
    perguntam algumas das histórias.
  54. "Porque é que a minha mãe
    não percebe?" respondem outras.
  55. Nas suas interrogações,

  56. Tan fala das ansiedades
    que muitos imigrantes sofrem
  57. que se sentem alienadas
    da sua terra natal
  58. e desligadas do seu país adotivo.
  59. Entrelaçando os contos destas
    quatro mães e filhas,
  60. Tan torna claro que Jing-Mei
  61. e as suas iguais encontram a força
    para lidar com os problemas diários
  62. nos valores que as mães lhes transmitiram.
  63. Quando "The Joy Luck Club"
    foi publicado,

  64. Tan não esperava um grande êxito.
  65. Mas contra as previsões dela,
    o livro foi um enorme êxito
  66. da crítica e comercial.
  67. Hoje, estas personagens
    ainda cativam leitores de todo o mundo.
  68. Não só pela forma como falam
    com os sino-americanos
  69. e os imigrantes, sobre as suas experiências
  70. mas também por revelar
    uma verdade mais profunda:
  71. a necessidade de ser visto e compreendido
    por aqueles que amamos.