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Carl Safina: os responsáveis e vítimas do vazamento de óleo.

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    Este é o oceano que eu conhecia.
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    E acho que
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    desde que estive no Golfo algumas vezes,
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    fiquei meio traumatizado
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    pois, para qualquer lugar do oceano que eu olhe agora,
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    não importa onde eu esteja,
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    mesmo onde eu sei
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    que o óleo não chegou,
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    eu vejo manchas.
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    E acho que estou ficando muito
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    assombrado com isso.
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    Mas o que eu quero falar para vocês hoje
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    são coisas que tentam
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    colocar tudo isso em contexto,
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    não somente sobre a erupção do óleo,
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    mas o que isso significa e porque isso aconteceu.
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    Primeiro, um pouco sobre mim.
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    Eu sou simplesmente um cara que gosta de pescar
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    desde criança.
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    E por causa disso,
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    eu acabei estudando pássaros marinhos
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    para ficar perto dos habitats costeiros que eu tanto amava.
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    E agora eu escrevo livros
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    sobre como o oceano está mudando.
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    E o oceano certamente está mudando rapidamente.
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    Nós vimos um gráfico um pouco antes.
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    Que vivemos numa bola de gude
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    que tem só um pouco
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    de umidade nela.
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    É como se você molhasse uma bola de gude na água.
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    E a mesma coisa com a atmosfera.
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    Se vocês pegassem toda a atmosfera
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    e a enrolassem na forma de uma bola,
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    vocês teriam aquela pequena esfera de gás à direita.
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    Então vivemos na
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    bolha de sabão mais frágil que se pode imaginar,
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    uma bolha de sabão muito sagrada,
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    mas muito, muito fácil de afetar.
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    E toda a queima de óleo e carvão e gás,
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    todos os combustíveis fósseis,
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    mudaram a atmosfera consideravelmente.
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    Níveis de dióxido de carbono aumentam mais e mais.
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    Estamos deixando o clima mais quente.
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    Então o que aconteceu no Golfo
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    é só uma parte
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    de uma problema muito maior que temos
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    com a energia que usamos para gerenciar a civilização.
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    Além do aquecimento,
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    temos o problema dos oceanos ficarem mais acidificados.
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    E isso já pode ser medido,
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    e já afeta animais.
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    Agora no laboratório,
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    se vocês pegarem um molusco e colocarem num pH
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    que é -- não de 8,1
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    que é o pH normal da água do mar --
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    mas 7,5,
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    ele se dissolve em três dias.
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    Se tirarem uma larva de ouriço do mar
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    de 8,1 e
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    colocarem-na num pH 7,7 --
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    o que não é uma mudança grande --
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    ela se deforma e morre.
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    E larvas de ostras comerciais já estão
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    morrendo em grande escala
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    em alguns lugares.
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    Corais estão crescendo mais devagar
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    em alguns lugares por causa desse problema.
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    Então isso é importante.
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    Agora, vamos fazer uma pequena excursão
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    rapidamente ao redor do Golfo.
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    Uma das coisas que realmente me impressiona nas pessoas do Golfo é que
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    elas são realmente pessoas aquáticas de verddade.
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    E elas sabem lidar com água.
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    Elas lidam com furações que vêm e vão.
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    Quando a água abaixa, eles sabem o que fazer.
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    Mas quando é algo diferente da água,
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    e o habitat aquático deles muda,
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    eles não têm muitas opções.
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    Na verdade, aquelas comunidades inteiras
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    não têm muitas opções.
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    Eles não têm outra coisa para fazer.
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    Eles não podem trabalhar
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    nos hotéis locais
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    pois não existem [hotéis] na comunidade deles.
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    Se vocês forem ao Golgo e olharem ao redor,
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    vocês veem muito óleo.
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    Veem muito óleo no oceano.
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    Veem muito óleo na costa.
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    Se vocês forem forem ao lugar da explosão,
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    é inacreditável.
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    Parece que vocês esvaziaram o cárter dos seus carros
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    e simplesmente despejaram tudo no oceano.
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    E uma das coisas mais incríveis, creio eu,
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    é que não há ninguém lá
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    tentando coletar o óleo
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    no local onde é mais denso.
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    Partes do oceano lá
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    parecem absolutamente apocalípticas.
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    Vocês percorrem a costa,
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    vocês o encontam em todos os lugares.
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    Uma tremenda sujeira.
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    Se forem a lugares onde ele acabou de chegar,
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    como a parte leste do Golfo, no Alabama,
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    ainda há pessoas usando a praia
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    enquanto há pessoas limpando a praia.
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    E eles têm uma maneira muito estranha de limpar a praia.
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    Eles não podem colocar mais do que 4,5kg de areia
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    em um saco plástico de 200 litros.
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    Eles têm milhares e milhares de sacos plásticos.
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    Não sei o que eles vão fazer com toda essa coisa.
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    Ao mesmo tempo, ainda há pessoas tentando usar a praia.
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    Elas não veem o minúsculo aviso
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    que diz: "Fique longe da água."
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    Seus filhos estão na água; estão com piche
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    por toda a roupa e sandálias. Uma imundície.
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    Se forem a um lugar onde o óleo está há algum tempo,
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    é uma imundície muito maior.
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    E basicamente ninguém mais está lá,
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    umas poucas pessoas tentando
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    continuar usando a praia.
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    Vocês veem pessoas que estão realmente chocadas.
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    São pessoas que trabalham duro.
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    Tudo o que eles sabem da vida é acordar de manhã,
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    e se os motores dão a partida, eles vão ao trabalho.
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    Eles sempre sentiram que poderiam confiar na
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    segurança que a natureza trazia para eles
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    através do ecossistema do Golfo.
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    E agora veem o seu mundo entrar em colapso.
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    E vocês podem ver, literalmente,
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    sinais do seu choque,
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    sinais da sua indignação,
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    sinais da sua fúria,
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    e sinais da sua dor.
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    Essas são as coisas que podem ser vistas.
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    Mas também há muito que não se vê,
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    embaixo d'água.
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    O que está acontecendo embaixo d'água?
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    Bem, alguns dizem que
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    há colunas de óleo.
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    Alguns dizem que não há colunas de óleo.
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    E o congressista Markey pergunta:
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    "Será que vamos precisar um passeio de submarino
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    para realmente constatar se há colunas de óleo?"
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    Mas eu não pude pegar o submarino,
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    especialmente entre o dia em que soube que viria aqui e o dia de hoje --
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    então tive que fazer
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    um pequeno experimento por mim mesmo
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    para ver se havia óleo no Golfo do México.
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    Este é o Golfo do México,
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    um lugar cintilante cheio de peixes.
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    E eu criei um pequeno vazamento de óleo
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    no Golfo do México.
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    E verifiquei que -- na verdade eu confirmei a hipótese
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    que água e óleo não se misturam
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    até você adicionar um dispersante.
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    E então
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    eles começam a se misturar.
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    E você coloca um pouco de energia
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    do vento e das ondas.
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    E o resultado é uma grande sujeira
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    tão grande
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    que não se pode limpar,
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    não se pode tocar, não se pode extrair
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    e, para mim o mais importante -- isso é o que eu penso --
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    não se pode ver.
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    Acho que isso está sendo escondido de propósito.
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    Isso é uma catástrofe e uma confusão tão grandes
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    que muita coisa está vazando pelas beiradas do fluxo de informação.
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    Mas como muitas pessoas falaram,
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    há uma grande tentativa de abafar o que está acontecendo.
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    Pessoalmente, penso que
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    os dispersantes são
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    a maior estratégia para esconder o corpo,
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    pois colocamos o assassino
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    para tomar conta da cena do crime.
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    Mas podem ver.
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    Vocês podem ver onde o óleo
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    está concentrado na superfície,
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    e então ele é atacado,
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    pois eles não querem a evidência, na minha opinião.
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    OK.
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    Ouvimos que bactérias comem óleo?
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    As tartarugas também.
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    Quando ele [o petróleo] se quebra,
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    ainda tem um longo caminho a percorrer
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    antes de chegar às bactérias.
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    Ele é comido pelas tartarugas. Fica preso nas guelras dos peixes.
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    Estes caras têm que nadar através dele.
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    Ouvi uma história incrível hoje
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    quando estava no trem vindo para cá.
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    Um escritor chamado Ted Williams me ligou.
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    Ele me perguntava umas questões
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    sobre o que eu vi,
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    pois está escrevendo uma reportagem para a revista Audubon.
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    Ele disse que tinha estado no Golfo há pouco tempo --
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    mais ou menos uma semana --
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    e um cara que tinha sido um guia de pesca recreativa
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    levou-o para mostrar o que estava acontecendo.
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    Toda a agenda anual daquele guia
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    está com as reservas canceladas.
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    Ele não tem mais reservas.
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    Todos quiseram a devolução do depósito. Todos estão fugindo.
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    Esta é a história de milhares de pessoas.
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    Mas ele contou ao Ted
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    que no último dia que saiu,
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    um golfinho
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    apereceu de repende ao lado do barco.
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    E estava espirrando óleo
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    pelo espiráculo.
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    E ele se afastou
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    porque era
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    sua última viagem de pesca,
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    e ele sabia que os golfinhos espantam os peixes.
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    Então ele se afastou do local.
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    Deu a volta alguns minutos depois,
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    o golfinho estava de novo ao lado do barco.
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    Ele disse que em 30 anos de pesca
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    ele nunca viu um golfinho fazer isso.
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    E ele sentiu que --
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    Sentiu que ele vinha
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    para pedir ajuda. Desculpe.
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    Agora, no vazamento da Exxon Valdez,
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    cerca de 30 % das baleias assassinas
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    morreram nos primeiros meses.
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    A população delas jamais se recuperou.
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    Então a taxa de recuperação disso tudo
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    vai ser variável.
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    Vai levar mais tempo para algumas coisas.
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    E outras coisas provavelmente
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    voltarão mais rapidamente.
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    Outra coisa sobre o Golfo que é importante
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    é que há muitos animais
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    que se concentram no Golfo
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    em certas partes do ano.
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    Então o Golfo é uma região de água muito importante --
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    mais importante do que um volume similar
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    no mar aberto do Oceano Atlântico.
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    Atuns nadam por todo o oceano.
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    Eles chegam à corrente do Golfo. Vão até a Europa.
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    Quando chega o momento da desova, eles entram.
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    E esses dois atuns que foram marcados,
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    vocês podem vê-los na área de desova
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    bem na área da mancha.
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    Eles provavelmente estão tendo, no mínimo,
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    uma temporada de desova catastrófica este ano.
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    Espero que talvez os adultos
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    estejam evitando a água suja.
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    Eles geralmente não gostam da ir na água
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    que está muito suja mesmo.
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    Mas estes são animais
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    muito atléticos.
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    Não sei que tipo de coisa vai acontecer às guelras.
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    Não sei se vai afetar os adultos.
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    Se isso não acontecer, certamente vai afetar
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    seus ovos e larvas, estou certo disso.
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    Mas se olharem para o gráfico que cai e cai e cai,
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    foi isso que fizemos com esta espécie
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    através da pesca indiscriminada por décadas.
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    Ao mesmo tempo que a mancha,
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    o vazamento, a erupção,
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    é uma catástrofe,
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    acho que é importante ter em mente
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    que fizemos muito para afetar o que há no oceano
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    por muito, muito tempo.
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    Não é como se estivéssemos começando com algo
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    que estava bem.
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    Estamos começando com algo que passou por vários estresses
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    e muitos problemas desde o início.
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    Se vocês olhares para os pássaros,
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    há vários pássaros no Golfo
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    que se concentram no Golfo em certas partes do ano,
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    e depois vão embora.
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    E eles ocupam áreas maiores.
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    Por exemplo,
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    a maioria dos pássaros na foto são migratórios.
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    Todos estavam no Golfo em maio,
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    quando o óleo começava a chegar nas praias em alguns lugares.
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    Abaixo na parte esquerda
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    estão a rola-do-mar e o maçarico-branco.
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    Eles acasalam no alto ártico,
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    e no inverno vão para o sul da América do Sul.
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    Mas eles se concentram no Golfo
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    e se espalham ao longo do ártico.
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    Eu vi pássaros que acasalam na Groenlândia
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    lá no Golfo.
  • 11:25 - 11:28
    Então é uma questão hemisférica.
  • 11:28 - 11:30
    Os efeitos econômicos
  • 11:30 - 11:33
    são no mínimo nacionais em vários aspectos.
  • 11:33 - 11:36
    Os efeitos biológicos são certamente hemisféricos.
  • 11:38 - 11:40
    Acho que este é um dos
  • 11:40 - 11:43
    exemplos mais inacreditáveis
  • 11:43 - 11:45
    de total falta de preparo
  • 11:45 - 11:47
    que consigo pensar.
  • 11:47 - 11:50
    Até mesmo quando os japoneses bombardearam Pearl Harbor,
  • 11:50 - 11:52
    pelo menos ele revidaram.
  • 11:52 - 11:54
    E parecemos ser incapazes
  • 11:54 - 11:56
    de descobrir o que fazer.
  • 11:56 - 11:59
    Não havia nada preparado.
  • 12:00 - 12:02
    E, como vocês sabem, como podemos perceber
  • 12:02 - 12:04
    pelo que eles estão fazendo.
  • 12:04 - 12:06
    O que eles estão usando são principalmente bóias e dispersantes.
  • 12:06 - 12:09
    As bóias não foram feitas para o mar aberto.
  • 12:09 - 12:12
    Elas não conseguem conter
  • 12:12 - 12:15
    o óleo onde ele está mais concentrado.
  • 12:15 - 12:17
    Elas chegam perto da praia. Olhem esses dois barcos.
  • 12:17 - 12:20
    O da direita é chamado Fishing Fool [bobo pesqueiro].
  • 12:20 - 12:22
    E acho que é um ótimo nome
  • 12:22 - 12:25
    para barcos que acreditam que vão fazer alguma coisa
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    que faça alguma diferença nisso ao arrastar uma bóia entre eles,
  • 12:28 - 12:30
    onde há literalmente centenas de milhares
  • 12:30 - 12:32
    de quilômetros quadrados no Golfo
  • 12:32 - 12:34
    com óleo na superfície.
  • 12:34 - 12:37
    Os dispersantes fazem o óleo ir para baixo das bóias.
  • 12:37 - 12:39
    As bóias têm cerca de
  • 12:39 - 12:41
    30 centímetros de diâmetro.
  • 12:42 - 12:45
    Portanto isso é absolutamente insano.
  • 12:45 - 12:47
    Aqui estão os barcos de camarões que são usados.
  • 12:47 - 12:50
    Há centenas de barcos de camarões usados para arrastar bóias em vez de redes.
  • 12:50 - 12:52
    Aqui estão eles trabalhando.
  • 12:52 - 12:54
    Vocês podem ver
  • 12:54 - 12:57
    que toda a água com óleo simplesmente vai para trás da bóia.
  • 12:57 - 13:00
    O que estão fazendo é mexê-la.
  • 13:00 - 13:02
    É simplesmente ridículo.
  • 13:02 - 13:05
    Além disso, por toda extensão de costa que tem bóias --
  • 13:05 - 13:07
    centenas e centenas de quilômetros de costa --
  • 13:07 - 13:09
    por toda a extensão de costa que tem bóias,
  • 13:09 - 13:12
    existem extensões de costa adjacentes que não têm bóias.
  • 13:12 - 13:14
    Há grande oportunidade
  • 13:14 - 13:17
    para que o óleo e aágua suja passem por trás delas.
  • 13:17 - 13:20
    E a foto de baixo, é uma colônia de pássaros que foi cercada de bóias.
  • 13:20 - 13:23
    Todo mundo está tentando proteger
  • 13:23 - 13:25
    as colônias de pássaros ali.
  • 13:25 - 13:28
    Bem, como um ornitologista,
  • 13:28 - 13:31
    posso dizer que pássaros voam, e que --
  • 13:31 - 13:33
    (Risos)
  • 13:35 - 13:38
    E que cercar de bóias uma colônia de pássaros
  • 13:38 - 13:41
    não adianta, não adianta.
  • 13:41 - 13:44
    Estes pássaros sobrevivem mergulahndo nas águas.
  • 13:45 - 13:48
    Na verdade,
  • 13:48 - 13:51
    o que eu realmente acho que eles deveriam fazer, se é que vale a pena --
  • 13:51 - 13:54
    estão tentando com tanto empenho proteger aqueles ninhos --
  • 13:54 - 13:57
    se eles destruíssem cada um dos ninhos
  • 13:57 - 13:59
    alguns pássaros iriam embora,
  • 13:59 - 14:02
    e isso seria melhor para eles, num ano como este.
  • 14:02 - 14:05
    Quanto à limpá-los,
  • 14:05 - 14:08
    Não quero insultar as pessoas
  • 14:08 - 14:10
    que limpam os pássaros.
  • 14:10 - 14:12
    É muito importante
  • 14:12 - 14:14
    expressar nossa compaixão.
  • 14:14 - 14:16
    Acho que essa é a coisa mais importante que as passoas têm,
  • 14:16 - 14:18
    compaixão.
  • 14:18 - 14:20
    É importante capturar essas imagens
  • 14:20 - 14:22
    e mostrá-las.
  • 14:22 - 14:25
    Mas na realidade, onde esses pássaros vão ser soltos?
  • 14:25 - 14:27
    É como pegar alguém de um prédio em chamas,
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    tratar a inalação de fumaça que eles sofreram
  • 14:29 - 14:32
    e mandá-los de volta ao prédio, pois o óleo ainda está vazando.
  • 14:33 - 14:35
    Eu me recuso e reconhecer isso
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    como um acidente.
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    Acho que é o resultado de completa negligência.
  • 14:41 - 14:46
    (Aplausos)
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    Não só da BP.
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    A BP operava
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    de maneira deleixada e descuidada
  • 14:53 - 14:55
    porque eles podiam.
  • 14:55 - 14:57
    E permitiram que eles fizessem isso
  • 14:57 - 15:00
    por causa da completa falta de fiscalização
  • 15:00 - 15:03
    pelo governo que deveria ser
  • 15:03 - 15:06
    nosso governo, nos protegendo.
  • 15:08 - 15:10
    Acontece que --
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    vocês encontram esta placa em quase todos os barcos comerciais nos EUA --
  • 15:13 - 15:15
    vocês sabem, se derramarem alguns litros de óleo,
  • 15:15 - 15:17
    estarão numa grande encrenca.
  • 15:17 - 15:19
    E vocês ficam pensando
  • 15:19 - 15:22
    para quem as leis são feitas,
  • 15:22 - 15:25
    e quem ficou acima da lei.
  • 15:25 - 15:27
    Mas há coisas que podemos fazer no futuro.
  • 15:27 - 15:30
    Poderíamos ter os equipamentos realmente necessários.
  • 15:30 - 15:32
    Não levaria muito tempo
  • 15:32 - 15:34
    para prever que
  • 15:34 - 15:36
    depois de fazer 30 mil poços
  • 15:36 - 15:39
    no fundo do mar do Golfo do México procurando por óleo,
  • 15:39 - 15:41
    o óleo poderia começar a vazar de um deles.
  • 15:41 - 15:44
    E você teria alguma ideia do que fazer.
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    Isso é certamente uma das coisas que precisamos fazer.
  • 15:47 - 15:49
    Mas acho que precisamos entender onde esse vazamento
  • 15:49 - 15:52
    realmente começou.
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    Começou com a destruição da
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    ideia de que o governo está lá
  • 15:57 - 16:00
    porque é o nosso governo, que deveria proteger
  • 16:00 - 16:02
    o interesse público.
  • 16:06 - 16:08
    Então acho que a explosão do óleo,
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    o socorro aos bancos,
  • 16:10 - 16:13
    a crise das hipotecas e tudo isso
  • 16:13 - 16:16
    são sintomas da
  • 16:16 - 16:18
    mesma causa.
  • 16:18 - 16:20
    Ainda parecemos entender que
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    ao menos precisamos da polícia para nos proteger
  • 16:23 - 16:26
    de alguns caras maus.
  • 16:26 - 16:28
    E mesmo que a polícia seja meio incômoda algumas vezes --
  • 16:28 - 16:30
    nos dando multas e coisas do gênero --
  • 16:30 - 16:33
    ninguém diz que devemos nos livrar dela.
  • 16:33 - 16:36
    Mas todo o resto do governo agora
  • 16:36 - 16:38
    e nos últimos 30 anos,
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    tem essa ideia de desregulamentação
  • 16:41 - 16:43
    que é causada diretamente
  • 16:43 - 16:45
    pelas pessoas das quais
  • 16:45 - 16:47
    precisamos ser protegidas,
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    pagando para tirar o governo debaixo de nós.
  • 16:50 - 16:59
    (Aplausos)
  • 17:00 - 17:03
    Isso vem sendo um problema por muitos e muitos anos.
  • 17:03 - 17:06
    Vocês podem ver que
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    as corporações eram ilegais na fundação dos EUA.
  • 17:08 - 17:11
    E mesmo Thomas Jefferson reclamou
  • 17:11 - 17:14
    que elas já estavam
  • 17:14 - 17:17
    desafiando as leis do nosso país.
  • 17:18 - 17:20
    Pois bem, as pessoas que dizem
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    que são conservadoras,
  • 17:22 - 17:24
    se elas realmente quisessem ser
  • 17:24 - 17:26
    realmente conservadoras e realmente patrióticas,
  • 17:26 - 17:28
    essas pessoas diriam a essas corporações
  • 17:28 - 17:30
    que fossem para o inferno.
  • 17:30 - 17:33
    Isso é o que significaria ser conservador.de verdade.
  • 17:34 - 17:36
    Então o que realmente precisamos fazer
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    é retomar a ideia de
  • 17:38 - 17:40
    que esse é o nosso governo
  • 17:40 - 17:42
    salvaguardando nossos interesses
  • 17:42 - 17:44
    e retomar o sendo de unidade
  • 17:44 - 17:46
    e causa comum em nosso país
  • 17:46 - 17:48
    que foram perdidos.
  • 17:49 - 17:51
    Acho que há sinais de esperança.
  • 17:51 - 17:53
    Acho que estamos acordando um pouco.
  • 17:53 - 17:55
    O Ato Glass-Steagall --
  • 17:55 - 17:57
    que deveria nos proteger do tipo de coisa
  • 17:57 - 17:59
    que causou a recessão,
  • 17:59 - 18:01
    e o colapso dos bancos
  • 18:01 - 18:03
    e tudo o que precisou de socorro --
  • 18:03 - 18:05
    que entrou em vigor em 1933,
  • 18:05 - 18:08
    foi sistematicamente destruído.
  • 18:08 - 18:10
    Mas agora há uma disposição para colocar algumas dessas coisas
  • 18:10 - 18:12
    de volta no lugar.
  • 18:12 - 18:14
    Mas os lobistas já estão todos lá
  • 18:14 - 18:16
    tentando enfraquecer as regulamentações
  • 18:16 - 18:19
    pouco depois que a legislação passou.
  • 18:19 - 18:21
    Então é uma luta que continua.
  • 18:21 - 18:23
    Agora é um momento histórico.
  • 18:23 - 18:25
    Ou teremos uma catástrofe
  • 18:25 - 18:27
    absolutamente sem proporções
  • 18:27 - 18:29
    com esse vazamento de óleo no Golfo,
  • 18:29 - 18:31
    ou faremos o que precisamos com isso,
  • 18:31 - 18:33
    como muitas pessoas já falaram hoje.
  • 18:33 - 18:35
    É certamente um tema comum
  • 18:35 - 18:37
    a necessidade de fazer acontecer a partir deste momento.
  • 18:37 - 18:39
    Nós já passamos por isso
  • 18:39 - 18:41
    com outras modalidades de perfuração em alto mar.
  • 18:41 - 18:44
    Os primeiros poços no oceano eram chamados de "baleias."
  • 18:44 - 18:47
    As primeiras perfurações eram chamadas de "arpões."
  • 18:47 - 18:50
    Nós acabamos com as baleias naquela época.
  • 18:50 - 18:52
    Como é que agora estamos atados a isso?
  • 18:52 - 18:54
    Desde que vivemos em cavernas,
  • 18:54 - 18:56
    toda vez que queríamos energia
  • 18:56 - 18:59
    colocávamos fogo em algo, e ainda é isso que estamos fazendo.
  • 18:59 - 19:01
    Ainda estamos colocando fogo em algo
  • 19:01 - 19:04
    toda vez que queremos energia.
  • 19:04 - 19:06
    E as pessoas dizem
  • 19:06 - 19:08
    que não podemos ter energia limpa
  • 19:08 - 19:11
    porque é muito caro.
  • 19:11 - 19:13
    Quem disse que é muito caro?
  • 19:13 - 19:15
    As pessoas que nos vendem combustíveis fósseis.
  • 19:15 - 19:18
    Já estivemos assim antes em relação a energia,
  • 19:18 - 19:20
    e as pessoas dizendo que a economia
  • 19:20 - 19:22
    não iria suportar a mudança,
  • 19:22 - 19:25
    porque a energia mais barata era a escravidão.
  • 19:25 - 19:28
    A energia é sempre uma questão moral.
  • 19:28 - 19:30
    É uma questão que é moral agora mesmo.
  • 19:30 - 19:32
    É uma questão de certo e errado.
  • 19:32 - 19:34
    Muito obrigado.
Title:
Carl Safina: os responsáveis e vítimas do vazamento de óleo.
Speaker:
Carl Safina
Description:

O vazamento de óleo no Golfo está além da compreensão, mas sabemos que é ruim. Carl Safina mostra os fatos nesta análise que é de enfurecer. Ele argumenta que as consequências irão muito além do Golfo -- e muitas das chamadas soluções estão piorando a situação.

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Video Language:
English
Team:
TED
Project:
TEDTalks
Duration:
19:35
Fers Gruendling added a translation

Portuguese, Brazilian subtitles

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