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Confiança - Um Investimento em Valor | Emília O. Vieira | TEDxPorto

A história financeira está repleta de bolhas e crashes. Em 1630, os homens de negócios holandeses levaram os preços das tulipas para um nível tal que um bolbo era tão valioso como uma casa. Um século depois, a nata da sociedade inglesa participou na famosa bolha dos mares do sul. Em 1840, os caminhos de ferro dominaram a imaginação do público investidor. Os anos 20 viram uma bolha nos valores das ações e da terra que culminaram no crash de Wall Street e na Grande Depressão. As consequências imediatas do crash e da depressão foram não só económicas, mas também políticas: o crescimento do extremismo político levou à segunda guerra mundial.
As crises financeiras não são desastres naturais que não podemos evitar. Elas têm origem no comportamento humano. As políticas económicas podem aumentar ou reduzir a sua frequência e dimensão. Os acordos pós-guerra estabeleceram um capitalismo regulado na maior parte do mundo desenvolvido. As estruturas regulatórias implementadas e a arquitetura financeira global criada na conferência de Bretton Woods serviram bem o mundo ao longo de várias décadas. Este foi o período mais longo e mais estável.
A desregulação iniciada na década de 70 permitiu o crescimento da engenharia financeira e deu lugar a produtos complexos, focados no curto prazo, alavancados e altamente comissionados. Uma indústria que deveria estar focada no dever de fidúcia e na guarda dos interesses dos seus clientes a longo prazo, passou a ser dominada pela especulação e o curto prazo. A crise financeira de 2008 foi o resultado de todas estas práticas levadas a cabo pelos gestores e às quais os legisladores, reguladores e auditores assistiram sem proteger os interesses de quem deveriam servir. O resultado foi a perda de confiança no sistema financeiro e nos seus atores.
A confiança é uma espécie de ativo intangível, cujo valor a longo prazo é imenso. O sistema financeiro deve basear-se num sistema de valores em que as pessoas acreditem e dependam. Não precisamos de ter fé na boa vontade humana, mas precisamos de ter confiança que as promessas e compromissos, uma vez assumidos, serão cumpridos. É necessário garantir que o sistema, no seu todo, não beneficia indevidamente alguns à custa de outros. É fundamental confiar e ser de confiança. CEO e cofundadora da Casa de Investimentos, investidora em valor e escreve regularmente sobre investimento.
Lecionou e prestou consultoria na área da engenharia financeira quantitativa e mercados financeiros, tendo trabalhado com instituições financeiras de topo em Londres, Paris, Zurique, Madrid, Frankfurt, Istambul, Budapeste, Nova Iorque, Tóquio e Singapura. Colaborou durante três anos com o Departamento de Finanças Empresariais do UBS na avaliação de empresas e preparação de OPV´s em Londres, Zurique e NY.
Dirigiu e lecionou programas técnicos de formação financeira no Instituto Mercado de Capitais da Bolsa de Derivados do Porto. Fez parte do corpo docente da Universidade Católica Portuguesa, tendo sido diretora e lecionado o Mestrado em Finanças. Foi quadro do BPA.
É licenciada em Gestão de Empresas pela U.Minho e Mestre em Finanças pela Universidade de Lancaster. A sua tese de mestrado sobre modelização da curva de rendimentos é considerada uma peça de investigação excecional. This talk was given at a TEDx event using the TED conference format but independently organized by a local community. Learn more at https://www.ted.com/tedx