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Showing Revision 33 created 09/26/2020 by Margarida Ferreira.

  1. Vou falar do desenvolvimento
    do potencial humano
  2. e vou começar com a história
    do desenvolvimento moderno,
  3. talvez de maior impacto.
  4. Muitos de vocês talvez já tenham
    ouvido falar da regra das 10 000 horas.
  5. Talvez até ajustem a vossa vida
    a essa regra.
  6. Basicamente, é a ideia de que,
    para se ser excecional nalguma coisa
  7. são precisas 10 000 horas
    de prática concentrada,
  8. por isso o melhor é começar
    o mais cedo possível.
  9. O exemplo desta história é o Tiger Woods

  10. Sabe-se que pai lhe ofereceu um taco
    quando ele tinha sete meses.
  11. Aos 10 meses, começou a imitar
    a tacada do pai.
  12. Aos dois anos, podem ir ao YouTube
    vê-lo num canal de televisão nacional.
  13. Aos 21 anos, é o maior jogador
    de golfe do mundo,
  14. a quinta-essência
    da história das 10 000 horas.
  15. Outra história que aparece
    em muitos livros "best-sellers"

  16. é a das três irmãs Polgar,
  17. cujo pai decidiu ensinar-lhes
    a jogar xadrez, de forma técnica,
  18. desde muito novinhas.
  19. Na realidade, ele queria mostrar
  20. que com um êxito precoce
    numa prática concentrada,
  21. qualquer criança podia ser
    um génio em qualquer coisa.
  22. De facto, duas das filhas
    vieram a ser grão-mestres de xadrez
  23. Quando passei a escritor de ciência
    na revista "Sports Illustrater",

  24. fiquei curioso
  25. Se esta regra das 10 000 horas
    estava certa,
  26. devíamos ver que os atletas de elite
    têm um êxito precoce
  27. na chamada "prática deliberada",
  28. ou seja, um exercício orientado
    para a correção do erro,
  29. não andar apenas a brincar.
  30. Quando os cientistas
    estudam os atletas de elite,
  31. verificam que eles gastam
    mais tempo na prática deliberada
  32. — o que não é grande surpresa.
  33. Quando acompanham o percurso
    de desenvolvimento dos atletas,
  34. o padrão é este:
  35. os futuros atletas de elite
    gastam menos tempo de início
  36. na prática deliberada
    do seu desporto final.
  37. Normalmente têm o que os cientistas
    chamam "período de amostragem"
  38. em que experimentam
    diversas atividades físicas,
  39. adquirem capacidades gerais e variadas,
  40. ficam a conhecer
    os seus interesses e capacidades
  41. e adiam a especialização por mais tempo
  42. do que os que atingem
    um nível estável mais cedo.
  43. Então, quando vi isso, pensei:

  44. "Céus, isto não encaixa
    na regra das 10 000 horas, pois não?"
  45. Comecei, então, a analisar outras áreas
  46. que associamos à especialização
    obrigatoriamente precoce,
  47. como a música.
  48. O padrão é frequentemente semelhante.
  49. Este é um estudo,
    de uma escola de música mundial,

  50. e quero salientar
    que os músicos excecionais
  51. só começaram a gastar mais tempo
    do que os músicos medianos
  52. na prática deliberada,
  53. no terceiro instrumento.
  54. Também eles, normalmente,
    têm um período de amostragem,
  55. mesmo os músicos
    notavelmente precoces
  56. como o Yo-Yo Ma.
  57. Ele teve um período de experiência,
  58. só que ultrapassou-o mais depressa
    que a maioria dos músicos.
  59. Contudo, este estudo
    é quase totalmente ignorado.

  60. Tem muito mais impacto
  61. a primeira página do livro
    "Battle Hym of the Tiger Mother",
  62. onde a autora recorda
    quando entregou o violino à sua filha.
  63. Ninguém se lembra
    da parte mais à frente no livro
  64. em que a filha se vira para a mãe e diz:
  65. "Tu é que escolheste,
    não fui eu!" e desiste.
  66. Depois de ver este padrão surpreendente
    no desporto e na música,

  67. comecei a analisar outras áreas
    que ainda afetam mais as pessoas,
  68. como o ensino.
  69. Uma experiência natural
  70. encontrada nos sistemas de ensino
    de Inglaterra e da Escócia.
  71. mostrou sistemas muito parecidos,
  72. mas, em Inglaterra, os alunos tinham
    de se especializar por volta dos 15 anos
  73. e escolher um curso específico
    de estudos, para isso,
  74. enquanto na Escócia continuavam
    a experimentar coisas até à universidade,
  75. se quisessem.
  76. E perguntava: Quem leva a melhor:
    os que se especializam cedo ou tarde?
  77. Observou que os que escolheram
    mais cedo, destacam-se no rendimento
  78. porque têm mais capacidades
    numa área específica.
  79. Os que escolheram mais tarde
    procuram coisas diferentes
  80. e, quando escolhem, adaptam-se melhor
  81. ou têm "qualidade de correspondência".
  82. Por isso, as taxas de crescimento
    são mais rápidas.
  83. Mas. passados seis anos, desaparece
    essa diferença de rendimento
  84. Entretanto, os que escolheram mais cedo,
    abandonam a carreira em número mais alto
  85. porque, como tiveram
    de escolher muito cedo.
  86. fizeram más escolhas com maior frequência.
  87. Assim, os especialistas tardios
    perdem a curto prazo,
  88. mas ganham a longo prazo.
  89. Se pensássemos na escolha
    da carreira como um namoro,
  90. talvez não pressionássemos as pessoas
    para assentarem tão depressa.
  91. Vendo este padrão outra vez,
    fiquei interessado em explorar

  92. o desenvolvimento de pessoas
    cujo trabalho admiro há anos,
  93. como o Duke Ellington, que rejeitou
    aulas de música em criança
  94. para se dedicar ao basebol,
    à pintura e ao desenho.
  95. Maryam Mirzakhani não se interessava
    pela matemática, em jovem
  96. — sonhava ser escritora —
  97. e acabou por ser a primeira
    e até agora a única mulher
  98. a ganhar a medalha Fields,
  99. o mais prestigiado prémio da matemática.
  100. Vincent Van Gogh
    teve cinco carreiras diferentes,
  101. que achava serem a sua real vocação,
  102. antes de se desvanecerem
    de forma espetacular
  103. e, quase aos 30 anos, encontrou um livro
    chamado "O Guia do ABC do Desenho".
  104. Resultou bem.
  105. Claude Shannon, engenheiro de
    eletricidade na universidade de Michigan,
  106. fez um curso de filosofia
    apenas para cumprir um requisito.
  107. Nele, ficou a conhecer um sistema
    de lógica com quase um século.
  108. em que as afirmações verdadeiras e falsas
    eram codificadas com uns e zeros
  109. e resolvidas como problemas de matemática.
  110. Isso levou ao desenvolvimento
    do código binário,
  111. que está na base de
    todos os computadores digitais atuais.
  112. Por fim, Frances Hesselbein,
    o meu modelo de inspiração

  113. — aqui sou eu com ela.
  114. Ela teve o primeiro trabalho
    profissional aos 54 anos
  115. e acabou em CEO da Girls Scouts,
    que salvou.
  116. Triplicou os sócios minoritários,
  117. e adicionou 130 000 voluntários.
  118. Este é um dos certificados profissionais
    que resultaram da gestão dela:
  119. é um código binário para raparigas
    que estudam informática.
  120. Atualmente, Frances gere
    um instituto de liderança
  121. onde trabalha,
    todos os dias, em Manhanttan.
  122. Só tem 104 anos,
    quem sabe o que vem a seguir?
  123. (Risos)

  124. Já ouviram histórias
    de progressão como esta?

  125. Nunca nos falaram da investigação
    que descobriu que os cientistas
  126. premiados com o Nobel
    têm 22 vezes mais hipóteses
  127. do que os cientistas típicos
    de ter um "hobby".
  128. Nunca ouvimos falar nisso.
  129. Mesmo quando os artistas
    ou a obra são muito famosos,
  130. não ouvimos falar destas
    histórias de desenvolvimento.
  131. Este é um atleta que tenho acompanhado.

  132. Aqui quando tinha seis anos,
    com o "kit" de râguebi da Escócia.
  133. Experimentou ténis, esqui, luta livre.
  134. A mãe dele era treinadora de ténis
    mas recusou-se a treiná-lo
  135. porque ele não batia
    as bolas normalmente.
  136. Jogou basquetebol,
    pingue-pongue, fez natação
  137. para ele jogar com rapazes mais velhos,
  138. ele recusava, porque ele
    só queria falar de luta livre,
  139. depois do treino, com os amigos.
  140. E continuou a experimentar
    mais desportos:
  141. andebol, voleibol, futebol,
    badminton, "skate"...
  142. Então, quem é este amador?
  143. É o Roger Federer.
  144. Em adulto, tão famoso como Tiger Woods,
  145. contudo, mesmo os entusiastas do ténis
  146. raramente conhecem
    a história da sua evolução.
  147. Porquê, apesar de isto ser a norma?
  148. Penso que, em parte, é porque
    a história do Tiger é muito notável,

  149. mas também porque parece
    que esta narrativa organizada
  150. pode ser extrapolada para qualquer coisa
    em que queremos ser bons na nossa vida.
  151. Mas, acho que isso é um problema,
  152. porque acontece que, em muitos aspetos,
    o golfe é um modelo horrível
  153. de quase tudo o que
    as pessoas querem aprender.
  154. (Risos)

  155. O golfe é o epíteto daquilo
    a que o psicólogo Robin Hogarth chama

  156. "ambiente de aprendizagem amável".
  157. Nos ambientes de aprendizagem amáveis,
    os objetivos são claros,
  158. as regras são claras e nunca mudam.
  159. Quando fazemos uma coisa,
    recebemos um "feedback" rápido e exato.
  160. O trabalho do próximo ano
    será como no ano passado.
  161. O xadrez também é um ambiente igual.
  162. A vantagem do grão-mestre
  163. baseia-se em conhecer
    os padrões recorrentes,
  164. o que é também a razão
    de ser tão fácil de automatizar.
  165. Por outro lado, há os "ambientes
    de aprendizagem traiçoeiros",
  166. em que os objetivos podem não ser claros,
  167. as regras podem mudar.
  168. Podemos ter ou não "feedback"
    quando fazemos alguma coisa.
  169. Pode ser tardio, pode não ser exato,
  170. e o trabalho do próximo ano,
    pode não se parecer com o ano passado.
  171. Portanto, qual destes mundos
    se parece cada vez mais com o nosso?

  172. De facto, a nossa necessidade
    de pensar de forma adaptável
  173. e de seguir as partes interligadas
  174. mudou profundamente a nossa perceção.
  175. Quando olhamos para este diagrama,
  176. o círculo central da direita,
    pode parecer-nos maior
  177. porque o nosso cérebro é traído
  178. pela relação das partes no todo,
  179. enquanto alguém que não foi
    exposto ao trabalho moderno
  180. com as suas exigências
    de pensamento conceptual adaptável,
  181. verá, e bem, que os círculos
    do centro têm o mesmo tamanho.
  182. Portanto, cá estamos no mundo
    de trabalho traiçoeiro,

  183. e aí, por vezes, a hiperespecialização
    pode virar-se contra nós.
  184. Por exemplo, uma investigação
    numa dúzia de países,
  185. que comparou as pessoas
    com a escolaridade dos pais,
  186. as suas notas dos testes,
  187. os seus anos de escolaridade,
  188. a diferença era que alguns
    tiveram um ensino centrado na carreira,
  189. e outros tiveram um ensino mais alargado.
  190. Os que tiveram um ensino
    centrado na carreira,
  191. têm possibilidade de ser
    contratados imediatamente
  192. e mais probabilidades
    de ganhar logo mais
  193. mas adaptam-se menos
    ao mundo de trabalho em mudança
  194. e mantêm-se menos tempo
    no mercado de trabalho.
  195. Ganham a curto prazo
    e perdem a longo prazo.
  196. Ou consideremos um famoso
    estudo de 20 anos

  197. sobre especialistas que fizeram
    previsões económicas e geopolíticas.
  198. Os piores analistas
    foram os peritos mais especializados
  199. aqueles que tinham passado toda a carreira
    a estudar um ou dois problemas
  200. e viam o mundo inteiro
    através de uma lente ou modelo mental.
  201. Alguns deles até pioraram
  202. à medida que acumulavam
    experiência e referências.
  203. Os melhores analistas eram as pessoas
    brilhantes com interesses variados
  204. Mas nalgumas áreas, como a medicina,

  205. a especialização crescente
    tem sido inevitável e benéfica,
  206. não há dúvida.
  207. Contudo, tem sido uma faca de dois gumes.
  208. Há anos, a cirurgia mais corrente
    para tratar as dores no joelho
  209. foi testada num ensaio
    controlado por placebo.
  210. Uns doentes tiveram uma "cirurgia falsa".
  211. Os cirurgiões faziam uma incisão,
  212. fingiam fazer alguma coisa
    e suturavam o doente.
  213. Isso funcionou muito bem.
  214. Mas os cirurgiões especialistas
    no procedimento
  215. continuam a fazer isto aos milhões.
  216. Se a hiperespecialização nem sempre é
    a solução num mundo cruel, então o que é?

  217. Pode ser difícil falar disto,
  218. porque nem sempre tem este aspeto.
  219. Às vezes é como ziguezaguear
    e deambular
  220. ou manter uma visão mais alargada.
  221. Pode parecer que se fica para trás.
  222. Mas vou falar do que podem
    ser alguns truques.
  223. A investigação sobre inovação tecnológica,
    mostra, de forma crescente,
  224. que a maioria das patentes com impacto
    não são da autoria de indivíduos
  225. que aprofundam cada vez mais
    uma área da tecnologia
  226. como classificado pelo instituto
    de patentes dos EUA,
  227. mas sobretudo por equipas
    que incluem indivíduos
  228. que trabalharam num grande número
    de diferentes classes de tecnologia
  229. e muitas vezes juntam coisas
    de diferentes áreas.
  230. Alguém cujo trabalho admiro,
    e que trabalhou na vanguarda disto,

  231. é um japonês chamado Gunpei Yokoi.
  232. Yokoi teve má nota no exame
    de eletrónica, na escola,
  233. por isso teve de aceitar um trabalho
    inferior, na manutenção de máquinas,
  234. numa empresa de jogos
    de cartas em Quioto.
  235. Percebeu que não estava preparado
    para trabalhar em tecnologia de ponta,
  236. mas havia tanta informação de fácil acesso
  237. que talvez pudesse combinar as coisas
    que já eram conhecidas
  238. de uma forma que os especialistas
    estavam demasiado limitados para ver.
  239. Juntou a tecnologia muito conhecida
    da indústria de calculadoras
  240. com a tecnologia conhecida
    da indústria de cartões de crédito
  241. e fez jogos portáteis que foram um êxito.
  242. E transformou a empresa
    de jogos de cartas,
  243. que fora fundada numa montra
    de madeira do século XIX,
  244. numa operadora de brinquedos e jogos.
  245. Devem ter ouvido falar dela:
    chama-se Nintendo.
  246. A filosofia criativa de Yokoi

  247. traduziu-se em "pensamento lateral
    com uma tecnologia ultrapassada",
  248. dando nova utilização a uma
    tecnologia conhecida.
  249. E a sua obra prima foi isto:
    o "Game Boy".
  250. Uma piada tecnológica
    em todos os sentidos.
  251. Apareceu ao mesmo tempo que
    o concorrente a cores da Saga e da Atari,
  252. mas bateu-os aos pontos,
  253. porque Yokoi sabia que
    os que os clientes queriam
  254. não era a cor.
  255. Era a durabilidade e a portabilidade,
    o preço baixo, a duração da bateria.
  256. a variedade de jogos.
  257. Este é o meu que encontrei
    na arrecadação dos meus pais.
  258. (Risos)

  259. Já teve melhores dias.

  260. Mas a luz vermelha está acesa.
  261. Liguei-o, joguei um pouco de Tetris,
  262. coisa que achei impressionante
  263. porque as pilhas tinham expirado
    em 2007 e 2013.
  264. (Risos)

  265. Portanto esta vantagem ainda é válida
    em campos mais subjetivos.

  266. Num estudo fascinante sobre o que guia
    alguns autores de banda desenhada
  267. para aumentarem a probabilidade
    de criar séries de grande sucesso,
  268. uns investigadores descobriram
  269. que não tinham sido os anos
    de experiência na área
  270. nem os recursos do editor
  271. nem o número de séries já criadas.
  272. Tinha sido o número de géneros diferentes
    em que um autor já tinha trabalhado.
  273. E curiosamente,
  274. um indivíduo polivalente
    não podia ser totalmente substituído
  275. por uma equipa de especialistas.
  276. Provavelmente não fazemos tantas
    pessoas destas como podíamos fazer
  277. porque, no início,
    elas pareciam ficar para trás
  278. e nós não incentivamos nada que não
    se pareça com um êxito precoce
  279. ou especialização.
  280. Estou a pensar na boa intenção
    de um êxito precoce,
  281. por vezes, de forma contraproducente,
  282. até prejudicamos a forma
    como aprendemos coisas novas,
  283. a um nível essencial.
  284. Num estudo do ano passado,
    turmas do sétimo ano nos EUA

  285. foram aleatoriamente distribuídas
    por diferentes métodos de aprendizagem.
  286. Alguns tiveram
    a chamada "prática em blocos".
  287. É como ter um problema tipo A,
  288. AAAAA, BBBBB, e por aí fora.
  289. O progresso é rápido,
  290. as crianças estão contentes,
    tudo é ótimo.
  291. Outras turmas receberam
    a chamada "prática intercalada".
  292. É como se pegássemos em todos
    os tipos de problemas e os misturássemos
  293. e os tirássemos aleatoriamente.
  294. O progresso é mais lento,
    as crianças ficam mais frustradas.
  295. Mas, em vez de aprenderem
    como executar os procedimentos,
  296. elas aprendem a ligar uma
    estratégia a um tipo de problema.
  297. E chegada a hora de fazer um teste,
  298. o grupo intercalado ultrapassou
    o grupo de prática em bloco.
  299. Com uma grande diferença.
  300. Achei muitos destes estudos
    profundamente contraintuitivos,

  301. a ideia de que uma vantagem inicial
  302. seja na escolha duma carreira,
    de uma disciplina de estudo,
  303. seja na aprendizagem de coisas novas,
  304. pode prejudicar
    o desenvolvimento a longo prazo.
  305. Naturalmente, acho que há
    tantas formas de ter sucesso
  306. quantas as pessoas.
  307. Mas acho que tendemos a incentivar
    e encorajar o caminho de Tiger,
  308. quando cada vez mais,
    num mundo traiçoeiro,
  309. precisamos de pessoas que façam
    também o percurso de Roger.
  310. Ou, tal como disse
    o ilustre físico e matemático,
  311. e escritor maravilhoso, Freeman Dyson
  312. — Dyson faleceu ontem,
  313. por isso espero estar aqui
    a homenagear as palavras dele —
  314. ele disse: um ecossistema saudável
    precisa de pássaros e sapos.
  315. Os sapos estão lá em baixo na lama,
  316. e veem todos os pequenos pormenores.
  317. Os pássaros voam no alto,
    não veem esses pormenores
  318. mas integram o conhecimento dos sapos.
  319. Nós precisamos de ambos.
  320. O problema, afirmava Dyson,
  321. é que estamos a dizer a todos
    que sejam sapos.
  322. E, eu acho que, num mundo traiçoeiro,
  323. isso é cada vez mais limitativo.
  324. Muito obrigado.

  325. (Aplausos)