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← Por que a especialização prematura nem sempre significa sucesso na carreira

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Showing Revision 40 created 09/29/2020 by Ruy Lopes Pereira.

  1. Eu gostaria de abordar
    o desenvolvimento do potencial humano
  2. e começar com talvez a história moderna
    de desenvolvimento de maior impacto.
  3. Muitos de vocês já devem ter ouvido falar
    da regra das 10 mil horas.
  4. Talvez até a adotem
    como um modelo de vida.
  5. A ideia principal é: para ser
    excelente em qualquer coisa,
  6. são necessárias 10 mil horas
    de prática concentrada.
  7. Portanto, é melhor começar
    o mais cedo possível.
  8. O garoto-propaganda
    dessa história é Tiger Woods.

  9. Seu pai lhe deu um taco de golfe
    quando ele tinha sete meses.
  10. Aos dez meses, ele começou a imitar
    o movimento do pai.
  11. Aos dois anos, podemos acessar o YouTube
    e vê-lo em rede nacional.
  12. Aos 21 anos, ele é o maior
    jogador de golfe do mundo.
  13. A clássica história das 10 mil horas.
  14. Outra história retratada
    em vários best-sellers

  15. é a das três irmãs Polgar,
  16. cujo pai decidiu lhes ensinar xadrez
    de uma maneira muito técnica
  17. desde muito cedo.
  18. Ele queria mesmo mostrar
  19. que, com uma vantagem na prática focada,
  20. qualquer criança poderia se tornar
    um gênio em tudo.
  21. De fato, duas de suas filhas se tornaram
    as melhores jogadoras de xadrez.
  22. Quando me tornei redator de ciências
    da "Sports Illustrated",

  23. fiquei curioso.
  24. Se a regra das 10 mil horas estiver certa,
  25. devemos ver que atletas de elite
    têm uma vantagem
  26. na suposta "prática deliberada".
  27. É uma prática treinada,
    com foco na correção de erros,
  28. e não apenas uma brincadeira.
  29. Quando cientistas
    estudam atletas de elite,
  30. eles os veem passarem mais tempo
    na prática deliberada,
  31. o que não é uma grande surpresa.
  32. Quando acompanham esses atletas
    ao longo de seu desenvolvimento,
  33. o padrão é o seguinte:
  34. no início, as elites futuras
    passam menos tempo
  35. na prática deliberada
    de seu esporte definitivo.
  36. Elas tendem a ter o que os cientistas
    chamam de "período de amostragem",
  37. em que testam uma série
    de atividades físicas,
  38. adquirem habilidades gerais,
  39. descobrem seus interesses e habilidades
  40. e se especializam
  41. até mais tarde do que colegas
    que param em níveis inferiores.
  42. Quando percebi isso, eu disse:

  43. "Puxa, isso não é compatível
    com a regra das 10 mil horas".
  44. Comecei a me perguntar sobre outras áreas
  45. que associamos à especialização
    prematura obrigatória,
  46. como a música.
  47. O padrão é geralmente semelhante.
  48. Esta pesquisa é de um
    dos melhores conservatórios,

  49. e quero chamar sua atenção
    para o seguinte:
  50. os músicos excepcionais não passavam
    mais tempo na prática deliberada
  51. do que a média dos músicos
    até o terceiro instrumento.
  52. Também tendiam a ter
    um período de amostragem,
  53. até mesmo músicos
    que consideramos precoces,
  54. como Yo-Yo Ma.
  55. Ele teve esse período.
  56. Só passou mais rápido por ele
    do que a maioria dos músicos.
  57. No entanto, essa pesquisa
    é quase totalmente ignorada.

  58. Muito mais impacto
  59. tem a primeira página do livro
    "Grito de guerra da mãe-tigre",
  60. em que a autora conta
    como deu um violino à filha.
  61. Parece que ninguém
    se lembra da parte do livro
  62. em que a filha diz:
    "Foi você quem escolheu, não eu",
  63. e desiste.
  64. Ao ver esse tipo de padrão surpreendente
    nos esportes e na música,

  65. eu me perguntava sobre áreas que afetam
    ainda mais pessoas, como a educação.
  66. Um economista descobriu
    um experimento natural
  67. no ensino superior
    da Inglaterra e da Escócia.
  68. No período em que ele estudava,
    os sistemas eram muito semelhantes.
  69. Menos na Inglaterra, os alunos
    tinham que se especializar na adolescência
  70. para se inscrever em um curso específico,
  71. enquanto na Escócia, podiam continuar
    tentando coisas na universidade
  72. se quisessem.
  73. E sua pergunta era: quem ganha a troca?
  74. Aqueles que se especializam cedo ou tarde?
  75. Os que se especializam cedo
    saltam para uma liderança de receita
  76. pois dominam
    mais habilidades específicas.
  77. Os que se especializam tarde
    tentam coisas diferentes
  78. e, quando escolhem, se adaptam melhor,
  79. ou o que os economistas
    chamam de "fator de qualidade".
  80. Suas taxas de crescimento
    são mais rápidas.
  81. Em seis anos, eles acabam
    com essa lacuna de renda.
  82. Aqueles que se especializam cedo
  83. abandonam a carreira
    em quantidade muito maior,
  84. pois foram obrigados a escolher muito cedo
    e fizeram escolhas insatisfatórias.
  85. Quem se especializa tarde
    ​​perde no curto prazo
  86. e ganha no longo prazo.
  87. Se pensássemos em escolha
    de carreira como namoro,
  88. talvez não houvesse a pressão
    para se estabelecer tão rápido.
  89. Fiquei interessado
    ao ver esse padrão de novo,

  90. explorando as origens de desenvolvimento
    de pessoas cujo trabalho eu admirava,
  91. como Duke Ellington, que evitava
    aulas de música quando criança
  92. para se concentrar em beisebol,
    pintura e desenho.
  93. Ou Maryam Mirzakhani,
    que não se interessava por matemática,
  94. sonhava em ser romancista,
  95. e se tornou a primeira e até então única
    mulher a ganhar a Medalha Fields,
  96. o prêmio mais prestigiado
    do mundo da matemática.
  97. Ou Vincent Van Gogh,
    com cinco carreiras diferentes,
  98. que as considerava como verdadeira vocação
    antes de fracassar de modo impressionante,
  99. e, aos 20 anos, adquiriu um livro
    chamado "Le Guide de l'ABC du Dessin".
  100. Isso funcionou bem.
  101. Claude Shannon era engenheiro elétrico
    da Universidade de Michigan
  102. que fez um curso de filosofia
    só para cumprir um requisito.
  103. Nesse curso, ele aprendeu
    sobre um sistema lógico de quase um século
  104. pelo qual afirmações verdadeiras e falsas
    podiam ser codificadas como 1s e 0s
  105. e resolvidas como problemas matemáticos.
  106. Isso levou ao desenvolvimento
    do código binário,
  107. que é hoje a base de todos
    os nossos computadores digitais.
  108. Finalmente, meu exemplo de pessoa,
    Frances Hesselbein...

  109. este sou eu com ela...
  110. Ela conseguiu seu primeiro emprego
    profissional aos 54 anos
  111. e chegou a se tornar a CEO da Girl Scouts,
  112. que ela salvou.
  113. Ela triplicou os membros da minoria,
  114. acrescentou 130 mil voluntários,
  115. e esta é uma das insígnias
    que resultou de seu mandato:
  116. um código binário para meninas
    que aprendem sobre computadores.
  117. Hoje, Frances dirige
    um instituto de liderança,
  118. onde trabalha, em Manhattan,
    todos os dias úteis.
  119. E ela tem apenas 104 anos.
  120. Quem sabe o que vem a seguir.
  121. (Risos)

  122. Nunca ouvimos histórias
    de desenvolvimento como essa.

  123. Não soubemos da pesquisa
  124. que revelou que ganhadores do Nobel
  125. têm 22 vezes mais chances
    de ter um passatempo fora do trabalho
  126. do que cientistas típicos.
  127. Nunca soubemos.
  128. Mesmo quando os artistas
    ou a obra são muito famosos,
  129. não ouvimos essas histórias.
  130. Por exemplo, eis um atleta que acompanhei.

  131. Aqui está ele aos seis anos,
    em um uniforme de rúgbi escocês.
  132. Ele tentou jogar tênis,
    esquiar, fazer luta livre.
  133. Sua mãe era treinadora de tênis,
    mas ela se recusou a treiná-lo
  134. porque ele não costumava
    devolver as bolas.
  135. Ele jogou basquete,
    tênis de mesa, fez natação.
  136. Quando os treinadores quiseram
    que ele jogasse com os mais velhos,
  137. ele recusou, pois só queria saber
    de luta livre profissional
  138. após o treino com os amigos.
  139. Ele tentou mais esportes:
  140. handebol, vôlei, futebol,
    badminton, skate...
  141. Então, quem é este amador?
  142. Este é Roger Federer,
  143. tão famoso quanto Tiger Woods;
  144. mas mesmo entusiastas do tênis
  145. geralmente não sabem nada
    sobre sua história de desenvolvimento.
  146. Qual é o motivo, embora essa seja a norma?
  147. Acho que, em parte, porque a história
    de Tiger é muito dramática,

  148. mas também porque parece
    uma narrativa organizada
  149. que podemos extrapolar para qualquer coisa
    em que queremos ser bons em nossa vida.
  150. Mas acho que isso é um problema,
  151. porque, de muitas maneiras,
    o golfe é um modelo especialmente horrível
  152. de quase tudo o que as pessoas
    querem aprender.
  153. (Risos)

  154. O golfe é o exemplo
    do que o psicólogo Robin Hogarth

  155. chamou de "ambiente
    de aprendizado benigno".
  156. Ambientes de aprendizado benignos
    têm metas e passos seguintes claros;
  157. regras claras e que nunca mudam;
  158. quando fazemos algo, recebemos
    um feedback rápido e preciso;
  159. o trabalho do ano seguinte
    parecerá o do ano que passou.
  160. Xadrez: também um ambiente
    de aprendizado benigno.
  161. A vantagem do mestre no xadrez é baseada
    no conhecimento de padrões recorrentes
  162. e, por isso, é muito fácil de automatizar.
  163. No outro extremo, estão
    "ambientes de aprendizagem malignos",
  164. onde metas e passos seguintes
    podem não estar claros.
  165. As regras podem mudar.
  166. Podemos ou não receber feedback
    quando fizermos algo.
  167. Ele pode estar atrasado, impreciso,
  168. e o trabalho do ano seguinte
    pode não parecer o do ano que passou.
  169. Qual desses parece o mundo
    em que cada vez mais viveremos?

  170. De fato, nossa necessidade
    de pensar de modo adaptável
  171. e de acompanhar as partes interconectadas
  172. mudou totalmente nossa percepção,
  173. de modo que, ao observarmos este diagrama,
  174. o círculo central à direita
    talvez pareça maior para nós
  175. porque o cérebro é atraído
    para a relação das partes no todo,
  176. ao passo que quem não foi exposto
    ao trabalho moderno,
  177. com a exigência de pensamento
    adaptável e conceitual,
  178. verá corretamente que os círculos
    centrais têm o mesmo tamanho.
  179. Aqui estamos nós
    no mundo maligno do trabalho,
  180. onde a hiperespecialização,
    às vezes, pode dar errado.
  181. Por exemplo, em uma pesquisa em 12 países

  182. que combinou pessoas
    com os anos de estudo de seus pais,
  183. seus resultados em testes
    e seus próprios anos de estudo,
  184. a diferença foi que alguns tiveram
    educação voltada à carreira
  185. e outros, educação geral mais ampla.
  186. O padrão era que aqueles
    com a educação voltada à carreira
  187. têm mais chances de ser
    contratados após o treinamento,
  188. e de ganhar mais dinheiro imediatamente,
  189. mas são menos adaptáveis ​
    num mundo em mudança,
  190. que passam muito menos tempo
    na força de trabalho em geral
  191. que ganham no curto prazo
    e perdem no longo prazo.
  192. Ou considerem um famoso estudo
    de 20 anos de especialistas

  193. que fazem previsões
    geopolíticas e econômicas.
  194. Os que faziam as piores previsões
    eram os mais especializados,
  195. que haviam passado toda a carreira
    estudando um ou dois problemas
  196. e viam o mundo inteiro
    por uma perspectiva ou modelo mental.
  197. Alguns deles pioraram
  198. à medida que acumulavam
    experiência e qualificações.
  199. Os que faziam as melhores previsões eram
    pessoas brilhantes com interesses amplos.
  200. Em algumas áreas, como a medicina,

  201. a especialização crescente tem sido
    tanto inevitável quanto benéfica,
  202. sem dúvida.
  203. No entanto, é uma faca de dois gumes.
  204. Há alguns anos, uma das cirurgias
    mais populares para dor no joelho
  205. foi testada num estudo
    controlado com placebo.
  206. Alguns pacientes passaram
    por "cirurgia placebo":
  207. os cirurgiões fazem uma incisão,
  208. batem como se fizessem algo,
  209. depois costuram a incisão do paciente.
  210. Isso funciona bem.
  211. Até o momento, cirurgiões especializados
    continuam a fazer muito esse procedimento.
  212. Então, se a hiperespecialização nem sempre
    é o truque em um mundo maligno, qual é?

  213. Pode ser difícil falar a respeito,
  214. porque nem sempre se parece
    com este caminho.
  215. Às vezes, parece sinuoso, em ziguezague
    ou mantendo uma visão mais ampla.
  216. Pode parecer que fica para trás.
  217. Mas quero falar
    sobre alguns desses truques.
  218. Se analisarmos a pesquisa sobre inovação
    tecnológica, ela mostra, cada vez mais,
  219. que as patentes de maior impacto
    não são de autoria de pessoas
  220. que se aprofundam cada vez mais
    numa área da tecnologia,
  221. como classificada pelo Escritório
    de Patentes dos EUA,
  222. mas por equipes que incluem pessoas
  223. que trabalharam num grande número
    de classes de tecnologia diferentes
  224. e mesclaram itens de áreas diferentes.
  225. Uma pessoa cujo trabalho admiro
    e que esteve à frente disso

  226. é um japonês chamado Gunpei Yokoi.
  227. Yokoi não se saiu bem
    nas provas de eletrônica na escola.
  228. Teve que se contentar com um emprego
    na manutenção de máquinas
  229. de uma empresa de cartas
    de baralho em Quioto.
  230. Ele não estava equipado para trabalhar
    com tecnologia de ponta,
  231. mas havia tantas informações
    facilmente disponíveis
  232. que talvez ele pudesse combinar
    coisas já bem conhecidas
  233. de modo que os especialistas
    não conseguiam perceber.
  234. Ele combinou tecnologias bem conhecidas
    da indústria de calculadoras
  235. com outras bem conhecidas
    da indústria de cartões de crédito
  236. e criou jogos portáteis.
  237. E eles foram um sucesso.
  238. Ele transformou a empresa
    de cartas de baralho,
  239. fundada em uma loja do século 19
    com fachada de madeira,
  240. em uma operação de brinquedos e jogos.
  241. Vocês já devem ter ouvido;
    chama-se Nintendo.
  242. A filosofia criativa de Yokoi

  243. se traduziu em "pensamento lateral
    com tecnologia conhecida",
  244. pegando tecnologia bem conhecida
    e usando-a de maneiras novas.
  245. E sua obra-prima foi esta:
  246. o Game Boy.
  247. Piada tecnológica em todos os sentidos.
  248. Foi lançado ao mesmo tempo
    que os concorrentes da Saga e da Atari,
  249. e os derrotou,
  250. porque Yokoi sabia que seus clientes
    não se importavam com a aparência,
  251. mas com a durabilidade, a portabilidade,
    a acessibilidade, a duração da bateria,
  252. a seleção de jogos.
  253. Eis o meu, que achei no porão
    da casa de meus pais.
  254. (Risos)

  255. Ele já viu dias melhores.

  256. Mas dá pra ver a luz vermelha acesa.
  257. Liguei e joguei Tetris,
    o que achei impressionante
  258. porque as baterias
    haviam expirado em 2007 e 2013.
  259. (Risos)

  260. Essa vantagem de amplitude também é válida
    em áreas mais subjetivas.

  261. Em um estudo fascinante sobre o que leva
    alguns criadores de quadrinhos
  262. a terem maior probabilidade
    de criar quadrinhos de sucesso,
  263. dois pesquisadores
  264. descobriram que não eram
    nem os anos de experiência na área,
  265. nem os recursos da editora,
  266. nem o número de quadrinhos
    criados anteriormente.
  267. Era o número de gêneros diferentes
    que um criador havia produzido.
  268. E, curiosamente,
  269. uma pessoa de visão ampla
    não poderia ser totalmente substituída
  270. por uma equipe de especialistas.
  271. Talvez não criamos tantas
    pessoas assim quanto poderíamos,
  272. porque, logo no início,
    elas parecem estar atrás,
  273. e não tendemos a incentivar nada
    que não pareça uma vantagem
  274. ou especialização.
  275. Na realidade, acho que, na busca
    bem-intencionada de uma vantagem,
  276. causamos um curto-circuito
    contraproducente
  277. até no modo como aprendemos coisas novas
  278. em um nível básico.
  279. Num estudo do ano passado, salas de aula
    de matemática da sétima série dos EUA

  280. receberam aleatoriamente
    tipos distintos de aprendizagem.
  281. Algumas receberam
    a chamada "prática bloqueada".
  282. Ou seja, recebemos o tipo de problema A,
    AAAAA, BBBBB e assim por diante.
  283. O progresso é rápido,
  284. as crianças estão felizes,
  285. está tudo ótimo.
  286. Outras salas de aula receberam
    a chamada "prática intercalada".
  287. É como pegar todos os tipos de problemas,
  288. jogá-los num chapéu
    e tirá-los aleatoriamente.
  289. O progresso é mais lento,
  290. as crianças ficam mais frustradas.
  291. Mas, em vez de aprender
    a executar procedimentos,
  292. elas aprendem a combinar uma estratégia
    a um tipo de problema.
  293. E, quando o teste chega,
  294. o grupo intercalado
    vence o grupo de prática bloqueada.
  295. Não passa nem perto.
  296. Achei muito dessa pesquisa
    profundamente contraintuitiva,

  297. a ideia de que uma vantagem,
  298. seja na escolha
    de uma carreira ou um curso
  299. ou no aprendizado de coisas novas,
  300. pode, às vezes, prejudicar
    o desenvolvimento de longo prazo.
  301. Naturalmente, acho que há
    tantas maneiras de ter sucesso
  302. quanto há pessoas.
  303. Mas acho que tendemos apenas
    a incentivar o caminho de Tiger,
  304. quando, cada vez mais, num mundo maligno,
  305. também precisamos de pessoas
    que sigam o caminho de Roger.
  306. Ou, como disse o eminente
    físico e matemático
  307. e escritor maravilhoso, Freeman Dyson,
  308. que faleceu ontem...
  309. espero estar honrando as palavras dele...
  310. Como disse ele:
  311. para um ecossistema saudável, precisamos
    tanto de pássaros quanto de sapos.
  312. Os sapos caem na lama,
    vendo todos os detalhes.
  313. Os pássaros voam alto,
    sem ver esses detalhes,
  314. mas integram o conhecimento dos sapos.
  315. E precisamos de ambos.
  316. O problema, disse Dyson,
  317. é que dizemos a todos
    para se tornarem sapos.
  318. E eu acho
  319. que, em um mundo maligno,
  320. isso é cada vez mais imprudente.
  321. Muito obrigado.

  322. (Aplausos)