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← Como superar os nossos preconceitos? Caminhe corajosamente em direção a eles

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Showing Revision 23 created 01/13/2015 by Tulio Leao.

  1. Eu estava numa viagem longa nesse verão
  2. e estava me divertindo muito,
    ouvindo o livro incrível
  3. de Isabel Wilkerson
    "O Calor de Outros Sóis".
  4. Ele documenta 6 milhões de negros
    fugindo do Sul de 1915 a 1970
  5. buscando um refúgio de toda a brutalidade
  6. e tentando encontrar
    uma oportunidade melhor no Norte,
  7. e ele estava repleto de histórias
    sobre a resiliência e esplendor
  8. dos afro-americanos,
  9. e era também muito difícil ouvir
    todas as histórias dos horrores
  10. e da humildade e todas as humilhações.
  11. Foi especialmente difícil ouvir
    sobre os açoitamentos e queimaduras
  12. e os linchamentos de homens negros.
  13. E eu disse: "Sabem,
    isso é um pouco profundo.
  14. Eu preciso de um tempo.
    Vou ligar o rádio."
  15. Eu o liguei e lá estava:
  16. Ferguson, Missouri,
  17. Michael Brown,
  18. um negro de 18 anos de idade,
  19. desarmado, baleado por um policial
    branco, caído no chão, morto,
  20. sangue escorrendo por quatro horas
  21. enquanto sua avó e criancinhas
    e seus vizinhos observavam horrorizados
  22. e eu pensei:
  23. aqui está novamente.
  24. Essa violência, essa brutalidade
    contra homens negros
  25. vem acontecendo há séculos.
  26. Quero dizer, é a mesma história.
    Apenas com nomes diferentes.
  27. Poderia ter sido Amadou Diallo.
  28. Poderia ter sido Sean Bell.
  29. Poderia ter sido Oscar Grant.
  30. Poderia ter sido Trayvon Martin.
  31. Essa violência, essa brutalidade,

  32. é algo que é realmente parte
    da nossa psique nacional.
  33. É parte da nossa história coletiva.
  34. O que nós vamos fazer a respeito?
  35. Sabem aquela parte de nós
    que ainda cruza a rua,
  36. tranca as portas,
  37. agarra as bolsas,
  38. quando vemos um jovem negro?
  39. Aquela parte.
  40. Quero dizer, sei que não estamos
    atirando nas pessoas pelas ruas,

  41. mas estou dizendo que os mesmos
    estereótipos e preconceitos
  42. que estimulam aqueles exemplos
    de incidentes trágicos
  43. estão em nós.
  44. Nós fomos educados neles também.
  45. Eu acredito que possamos impedir
    esses tipos de incidentes,
  46. que esses Fergusons aconteçam,
  47. olhando para dentro e estando
    dispostos a mudar a nós mesmos.
  48. Então tenho um chamado à ação para vocês.

  49. Existem três coisas que quero
    oferecer hoje para refletirmos
  50. como maneiras de impedir
    que Ferguson aconteça novamente;
  51. três coisas que eu acho que nos ajudarão
  52. a corrigir nossas imagens
    dos jovens negros;
  53. três coisas que eu espero
    não apenas irão protegê-los,
  54. mas que abrirão o mundo
    para que eles possam prosperar.
  55. Vocês podem imaginar isso?
  56. Podem imaginar o nosso país
    incluindo os jovens negros,
  57. vendo-os como parte do nosso futuro,
    dando-lhes o tipo de abertura,
  58. um tipo de benevolência que
    damos àqueles que amamos?
  59. Quanto melhor seriam as nossas vidas?
    Quanto melhor seria o nosso país?
  60. Deixem-me começar com o número um.

  61. Temos que nos livrar da negação.
  62. Parem de tentar ser boas pessoas.
  63. Precisamos de pessoas verdadeiras.
  64. Eu faço muitos trabalhos de diversidade
  65. e as pessoas vêm até mim
    no começo dos seminários
  66. e dizem: "Oh, Senhorita Diversidade,
    estamos muitos felizes por estar aqui...
  67. (Risos)
  68. mas não temos um pingo
    de preconceito em nosso sangue".
  69. E eu digo: "É mesmo?
  70. Porque eu faço esse trabalho todo dia
    e vejo todos os meus preconceitos."
  71. Não faz muito tempo, eu estava num voo

  72. e ouvi a voz de uma pilota
    no sistema de alto-falante,
  73. e fiquei muito empolgada e emocionada.
  74. Eu pensei: "Mulheres, estamos arrasando.
  75. Estamos na estratosfera agora."
  76. Estava tudo bem, até que começou
    a ficar turbulento e instável,
  77. e eu pensei:
  78. "Espero que ela saiba pilotar."
  79. (Risos)
  80. Pois é, certo?
  81. Mas eu nem sabia que era preconceito
  82. até eu voltar o outro trecho da viagem
    e tem sempre um cara pilotando
  83. e é geralmente turbulento e instável
  84. e eu nunca questionei
    a confiança de um piloto.
  85. O piloto é bom.
  86. Agora, aqui está o problema.
  87. Se me perguntarem explicitamente,
    eu diria: "Uma pilota: incrível!"
  88. Mas parece que quando as coisas apertam
    e ficam um tanto difíceis, arriscadas,
  89. eu me apoio em um preconceito
    que eu nem sabia que tinha.
  90. Sabem, aviões rápidos no céu,
  91. eu quero um homem.
  92. Esse é o meu padrão.
  93. Homens são o meu padrão.
  94. Quem é o padrão de vocês?
  95. Em quem vocês confiam?
  96. De quem vocês têm medo?
  97. A quem vocês se sentem
    implicitamente conectados?
  98. De quem vocês fogem?
  99. Vou contar a vocês o que descobrimos.

  100. O teste implícito de associação,
    o qual mede preconceito inconsciente,
  101. vocês podem fazer on-line.
  102. Cinco milhões de pessoas já o fizeram.
  103. Verificou-se que nosso padrão é o branco.
    Nós gostamos de pessoas brancas.
  104. Nós preferimos os brancos.
    O que quero dizer com isso?
  105. Quando mostram imagens de
    homens negros e brancos às pessoas
  106. conseguimos associar mais rapidamente
  107. aquela foto com uma palavra positiva,
    a pessoa branca com a palavra positiva,
  108. do que quando estamos tentando associar
  109. o positivo a um rosto negro e vice-versa.
  110. Quando vemos um rosto negro,
  111. é mais fácil para nós conectar
    o negro com o negativo
  112. do que é com o branco e o negativo.
  113. Setenta por cento das pessoas brancas
    fazendo aquele teste preferem os brancos.
  114. Cinquenta por cento de pessoas negras
    fazendo aquele teste preferem os brancos.
  115. Vejam, todos nós fomos contaminados
    pelo preconceito.
  116. O que fazemos com o fato de que
    nosso cérebro associa automaticamente?

  117. Sabem, uma das coisas que vocês
    estão pensando provavelmente,
  118. e vocês talvez pensem: "Querem saber?
  119. Eu vou simplesmente apostar tudo
    na indiferença à cor.
  120. Sim, vou me comprometer com isso."
  121. Vou sugerir isso a vocês? Não.
  122. Nós já fomos ao limite
    tentando fazer uma diferença
  123. tentando não ver a cor.
  124. O problema nunca foi o de vermos a cor.
    Era o que fazíamos quando víamos a cor.
  125. É um ideal falso.
  126. E enquanto estamos
    ocupados fingindo não ver,
  127. não estamos conscientes das maneiras
    nas quais a diferença racial
  128. está mudando as possibilidades das
    pessoas, que as impedem de prosperar
  129. e às vezes causa a morte prematura delas.
  130. Então, na verdade, o que os cientistas
    estão nos dizendo é: esqueçam.

  131. Nem pensem em indiferença à cor.
  132. Na verdade, o que eles estão sugerindo é,
  133. encarem algumas pessoas negras incríveis.
  134. (Risos)
  135. Olhem diretamente para
    os rostos delas e os memorizem,
  136. porque quando olhamos
    para pessoas incríveis que são negras,
  137. isso ajuda a desassociar
  138. a associação que acontece
    automaticamente no nosso cérebro.
  139. Por que vocês acham que estou mostrando
    esses homens negros lindos atrás de mim?
  140. Havia tantos que tive que eliminá-los.
  141. Certo, então a coisa é:
  142. estou tentando restaurar suas associações
    automáticas sobre quem são homens negros.
  143. Estou tentando lembrar vocês
  144. de que jovens negros cresceram
    para tornarem-se seres humanos incríveis
  145. que mudaram e melhoraram a nossa vida.
  146. Então, esta é a questão.

  147. A outra possibilidade na ciência,
  148. está mudando temporariamente
    nossas suposições automáticas,
  149. mas sabemos de uma coisa
  150. que se vocês escolherem
    uma pessoa branca que é detestável
  151. e a colocarem próxima a uma pessoa de cor,
  152. uma pessoa negra, que seja fabulosa,
  153. isso, às vezes, faz com que
    desassociemos também.
  154. Então pensem em
    Jeffrey Dahmer e Colin Powell.
  155. Simplesmente os encarem, certo? (Risos)
  156. Então são coisas assim.
    Vão procurar o seu preconceito.
  157. Por favor, abandonem a negação
    e procurem dados de divergência
  158. que provarão que, na verdade,
    seus antigos estereótipos estão errados.
  159. Certo, esse é o número um: número dois,

  160. o que eu vou dizer é caminhem em direção
    aos jovens negros e não para longe deles.
  161. Não é o mais difícil a se fazer,
  162. mas também é uma dessas coisas
  163. que vocês têm que ter consciência
    e a intenção de fazer.
  164. Eu estive em uma área da Wall Street
    uma vez há muitos anos
  165. com uma colega minha
    realmente maravilhosa,
  166. que faz trabalho de diversidade comigo,
    é uma mulher de cor, coreana.
  167. E estávamos lá fora, era tarde da noite,
  168. sem saber aonde ir, estávamos perdidas.
  169. Eu vi uma pessoa do outro lado da rua
    e pensei: "Oh ótimo, um cara negro."
  170. Eu estava indo em direção a ele
    sem ao menos pensar nisso.
  171. E ela disse: "Oh, isso é interessante."
  172. O cara do outro lado da rua,
    ele era um cara negro.
  173. Eu pensei: "Caras negros geralmente
    sabem onde eles estão indo."
  174. Não sei exatamente por que acho isso,
    mas é o que eu acho.
  175. Então ela disse: "Oh, você foi tipo,
    'Oba, um cara negro'
  176. e eu disse 'Opa, um cara negro.'"
  177. Outra direção. Mesma necessidade,
    mesmo cara, mesma roupa,
  178. mesma hora, mesma rua, reação diferente.
  179. Ela disse: "Sinto-me mal.
    Sou consultora de diversidade.
  180. Eu fui preconceituosa.
    Sou uma mulher de cor. Meu Deus!"
  181. Eu disse: "Quer saber? Por favor.
    Nós precisamos relaxar quanto a isso.
  182. Você tem que perceber que eu tenho
    uma história com caras negros."
  183. (Risos)
  184. Meu pai é negro.
    Entende o que estou dizendo?
  185. Eu tenho um filho negro de 1,95 m.
    Eu fui casada com um cara negro.
  186. A minha coisa com o negro
    é tão ampla e tão profunda
  187. que eu posso descobrir quem aquele cara é,
  188. e ele era o meu cara negro.
  189. Ele disse: "Olá, senhoritas, eu sei
    onde estão indo. Eu levo vocês lá."
  190. Preconceitos são as histórias
    que inventamos sobre as pessoas

  191. antes de sabermos de fato quem elas são.
  192. Mas como vamos saber quem elas são
  193. quando nos disseram
    para evitá-las e sentir medo delas?
  194. Então vou pedir que caminhem
    em direção ao seu desconforto.
  195. E não estou pedindo que
    vocês corram riscos loucos.
  196. Só estou dizendo, façam um inventário,
  197. ampliem os seus círculos
    social e profissional.
  198. Quem está no seu círculo?
  199. Quem está faltando?
  200. Quantos relacionamentos autênticos
  201. vocês têm com jovens negros,
    pessoas, homens, mulheres?
  202. Ou qualquer outra grande
    diferença de quem vocês são
  203. e como vocês se comportam, digamos?
  204. Porque, querem saber?
    Basta olhar ao seu redor.
  205. Deve haver alguém
    no trabalho, na escola,
  206. na sua casa de culto, algum lugar,
    existe algum jovem negro lá.
  207. E vocês são legais, dizem oi
  208. Estou dizendo pra irem mais fundo, mais
    próximo e construírem relacionamentos,
  209. os tipos de amizades que realmente façam
    com que vocês vejam a pessoa holística
  210. e irem realmente contra os estereótipos.
  211. Conheço alguns de vocês aí,
  212. eu sei porque tenho alguns amigos brancos
    em particular que dirão,

  213. "Vocês não imaginam como sou desajeitado.
  214. Eu não acho que isso vai funcionar comigo.
  215. Tenho certeza que estragarei tudo."
  216. Certo, talvez, mas isso não tem a ver
    com perfeição e sim com conexão.
  217. E vocês não vão ficar confortáveis
    antes de se sentirem desconfortáveis.
  218. Quero dizer, vocês têm que fazer isso.
  219. E jovens negros, o que estou dizendo é
  220. se alguém vier ao seu encontro, de modo
    genuíno e autêntico, aceitem o convite.
  221. Nem todo mundo está contra vocês.
  222. Vão à procura daquelas pessoas
    que podem ver a sua humanidade.
  223. É a empatia e a compaixão
  224. que nasce dos relacionamentos
    com pessoas que são diferentes de vocês.
  225. Algo realmente poderoso e lindo acontece:
  226. vocês começam a perceber
    que elas são vocês,
  227. que elas são parte de vocês,
    que elas estão na sua família,
  228. e assim deixamos de ser espectadores
  229. e nos tornamos atores,
    nos tornamos defensores
  230. e nos tornamos aliados.
  231. Então abandonem o seu conforto
    por uma coisa maior e mais brilhante,
  232. porque é assim que vamos evitar
    que um outro Ferguson aconteça.
  233. É assim que criamos uma comunidade
  234. onde todos, especialmente
    jovens negros, podem prosperar.
  235. Essa última coisa será mais difícil

  236. e eu sei, mas vou expressá-la mesmo assim.
  237. Quando vemos uma coisa, nós temos
    que ter a coragem de dizer algo,
  238. mesmo para as pessoas que amamos.
  239. Sabem, estamos em férias e será uma época
  240. quando nos sentamos em volta
    da mesa e nos divertimos.
  241. Muitos de nós estarão de férias,
  242. e vocês têm que ouvir
    as conversas ao redor da mesa.
  243. Vocês começam a dizer coisas do tipo:
    "A vovó é preconceituosa."
  244. (Risos)
  245. "O tio Joe é racista."
  246. E sabem, nós amamos
    a vovó e o tio Joe. Amamos.
  247. Sabemos que eles são "boas pessoas",
    mas o que eles dizem é errado.
  248. E temos que poder dizer algo,
    porque sabem quem mais está à mesa?
  249. As crianças estão à mesa.
  250. Nos perguntamos porque esses preconceitos
    não morrem e passam de geração a geração?
  251. Porque não estamos dizendo nada.
  252. Temos que estar dispostos a dizer: "Vovó,
    não chamamos mais as pessoas assim."
  253. "Tio Joe, não é verdade
    que ele merecia aquilo.
  254. Ninguém merece aquilo."
  255. E temos que estar dispostos
  256. a não proteger as nossas
    crianças da feiura do racismo
  257. quando os pais negros não podem
    se dar ao luxo de fazer isso,
  258. especialmente aqueles
    que têm filhos negros jovens.
  259. Nós temos que dizer
    às nossas crianças, nosso futuro,
  260. que temos um país fantástico,
    com ideais incríveis.
  261. Nós trabalhamos com muito afinco
    e fizemos algum progresso,
  262. mas ainda não terminamos.
  263. Ainda temos em nós essa ideia antiga
  264. sobre superioridade e isso está fazendo
  265. com que incorporemos isso
    ainda mais nas nossas instituições
  266. e na nossa sociedade e gerações,
  267. e está criando o desespero
  268. e disparidades e uma desvalorização
    devastadora dos jovens negros.
  269. Nós ainda lutamos,
    vocês têm que dizer a elas,
  270. vendo tanto a cor
  271. quanto o caráter de um jovem negro,
  272. mas que vocês esperam que elas,
  273. sejam parte das forças
    de mudança nessa sociedade
  274. que se levantarão contra a injustiça
    e estão dispostos, acima de tudo,
  275. a fazer uma sociedade onde jovens negros
    possam ser vistos por tudo que eles são.
  276. Tantos homens negros incríveis,

  277. aqueles que são os estadistas
    mais incríveis que já viveram,
  278. soldados corajosos,
  279. trabalhadores diligentes e maravilhosos.
  280. Essas são as pessoas
    que são pregadores poderosos.
  281. Eles são cientistas incríveis
    e artistas e escritores.
  282. Eles são comediantes dinâmicos.
  283. Eles são vovôs corujas,
  284. filhos afetivos.
  285. Eles são pais fortes,
  286. e são jovens com sonhos próprios.
  287. Obrigada.

  288. (Aplausos)