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← Você não está sozinho em sua solidão

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Showing Revision 28 created 08/24/2019 by Leonardo Silva.

  1. Olá.
  2. Eu gostaria de lhes apresentar uma pessoa.
  3. Este é Jomny.
  4. É "Jonny", mas escrito
    acidentalmente com "m",
  5. caso vocês se perguntem,
  6. porque não somos tão perfeitos.
  7. Jomny é um alienígena, enviado à Terra
    com a missão de estudar os seres humanos.

  8. Ele se sente perdido, só e longe de casa.
  9. Acho que todos nós já nos sentimos assim.
  10. Pelo menos, eu já me senti.
  11. Escrevi essa história
    sobre esse alienígena
  12. num momento de minha vida
    em que eu me sentia como um deles.
  13. Havia acabado de me mudar para Cambridge
    e começar meu doutorado no MIT.
  14. Eu me sentia intimidado, isolado,
    como se não pertencesse àquele lugar.
  15. Mas eu tinha uma espécie de salva-vidas.

  16. Eu escrevia piadas havia muitos anos
  17. e as compartilhava nas mídias sociais.
  18. Descobri que eu me dedicava
    cada vez mais a essa atividade.
  19. Para muitas pessoas, a internet
    pode parecer um lugar solitário.

  20. Pode parecer assim:
  21. um enorme vazio, infinito e vasto
  22. para onde podemos gritar constantemente,
    mas ninguém jamais escutará.
  23. No entanto, encontrei conforto
    falando para o vazio.
  24. Descobri, ao compartilhar
    meus sentimentos com o vazio,
  25. que ele, por fim, começava a me responder.
  26. Acontece que o vazio
    não é um espaço solitário e infinito,
  27. mas é repleto de todo tipo de pessoas,
    que também o encaram e querem ser ouvidas.
  28. Há muitas coisas ruins
    que vêm das mídias sociais.
  29. Não estou tentando contestar isso.
  30. Estar on-line, em dado momento,
    é sentir muita tristeza,
  31. raiva e violência.
  32. Pode parecer o fim do mundo.
  33. Mas, ao mesmo tempo, fico em conflito
  34. porque não posso negar o fato de que
    muitos de meus amigos mais próximos
  35. são pessoas que conheci na internet.
  36. Acho que isso se deve, em parte,
  37. a essa natureza confessional
    das mídias sociais.
  38. Pode parecer que estamos escrevendo
  39. em um diário pessoal e íntimo,
    completamente particular,
  40. mas, ao mesmo tempo,
    queremos que todos leiam.
  41. Acho que o prazer disso
    é começarmos a vivenciar coisas
  42. a partir da perspectiva de pessoas
    completamente diferentes de nós,
  43. o que, às vezes, é bom.
  44. Por exemplo, quando entrei no Twitter,

  45. descobri que muitas das pessoas
    que eu estava seguindo
  46. falavam sobre saúde mental, faziam terapia
  47. e não tinham nada do estigma
    que costumam ter
  48. quando falamos sobre esses
    assuntos pessoalmente.
  49. Por meio delas, a conversa
    sobre saúde mental tornava-se normal,
  50. e elas me ajudavam a perceber
  51. que fazer terapia era algo
    que também me ajudaria.
  52. Para muitas pessoas,

  53. parece assustador
    falar sobre todos esses assuntos
  54. de um modo tão público
    e aberto na internet.
  55. Sinto que muitas pessoas
  56. acham que ficar on-line
    é algo muito assustador
  57. se ainda não tiverem
    uma formação plena e perfeita.
  58. Mas acho que a internet pode ser
    um ótimo lugar para não conhecer
  59. e que podemos tratar isso com entusiasmo,
  60. porque, para mim, há algo importante
    sobre compartilhar nossas imperfeições,
  61. inseguranças e vulnerabilidades
  62. com outras pessoas.
  63. [sou como uma cebola. embaixo das camadas
    sou menor e mais temeroso]

  64. Quando alguém compartilha
    que está triste, com medo

  65. ou sozinho, por exemplo,
  66. isso me faz sentir menos sozinho,
  67. não por me livrar de minha solidão,
  68. mas por me mostrar que não sou só eu
    que me sinto solitário.
  69. Como escritor e artista,
  70. eu me importo muito em tornar
    esse conforto de ser vulnerável
  71. algo comum, que podemos
    compartilhar uns com os outros.
  72. Fico animado em externalizar o interior,
  73. em pegar sentimentos pessoais invisíveis,
    que não sei expressar em palavras,
  74. trazê-los à luz, verbalizá-los
  75. e compartilhá-los com outras pessoas,
  76. esperando poder ajudá-las a achar palavras
    para os sentimentos delas também.
  77. Sei que isso parece ser algo importante,

  78. mas, no final, estou interessado
    em colocar todas essas coisas
  79. em pacotes pequenos e acessíveis,
  80. porque, quando conseguimos
    escondê-las em partes menores,
  81. acho que ficam mais fáceis
    de acessar, mais divertidas
  82. e nos ajudam a ver mais facilmente
    nossa humanidade comum.
  83. Às vezes, ocorre por meio de um conto;
  84. outras vezes, de um livro bonitinho
    de ilustrações, por exemplo.
  85. E, às vezes, vem sob a forma
    de uma piada boba que coloco na internet.
  86. Por exemplo, há alguns meses,
    publiquei a ideia de um aplicativo
  87. para um serviço de passear com cães
  88. em que um cão aparece
    na porta de sua casa,
  89. e você tem que sair e levá-lo pra passear.
  90. (Risos)

  91. Se houver desenvolvedores
    de aplicativos aqui,

  92. me procurem após a palestra.
  93. Também gosto de compartilhar toda vez
    que fico ansioso por enviar um e-mail.

  94. Assinar "Cordialmente" nos e-mails
    é dizer que "estou tentando cordialmente",
  95. ou seja, "Por favor, não me odeie,
    juro que estou tentando cordialmente!"
  96. Ou minha resposta
    para o clássico quebra-gelo:

  97. "Se eu pudesse jantar com alguém,
    vivo ou morto, eu jantaria.
  98. Estou muito solitário".
  99. (Risos)

  100. Descubro que, quando publico
    coisas assim on-line,

  101. a reação é muito parecida.
  102. As pessoas se reúnem para compartilhar
    uma risada, esse sentimento
  103. e depois se dispersam com a mesma rapidez.
  104. (Risos)

  105. Sim, me deixando sozinho de novo.

  106. Mas acho que esses pequenos encontros
    podem ser muito significativos.
  107. Por exemplo, quando me formei
    na faculdade de arquitetura

  108. e me mudei para Cambridge,
  109. publiquei esta pergunta:
  110. "Com quantas pessoas na vida
    você já teve sua última conversa?"
  111. Eu estava pensando em meus próprios amigos
  112. que haviam se mudado para cidades
    e até países diferentes,
  113. e como seria difícil para mim
    manter contato com eles.
  114. Mas outras pessoas começaram a responder
    e a compartilhar suas experiências.
  115. Uma pessoa falou sobre um parente
    com quem havia brigado.
  116. Outra pessoa falou sobre um ente querido
    que faleceu de modo rápido e inesperado.
  117. Alguém falou sobre amigos da escola
    que também haviam se mudado.
  118. Mas depois algo muito bom
    começou a acontecer.
  119. Em vez de apenas responder pra mim,
  120. as pessoas começaram
    a responder umas às outras,
  121. a conversar e compartilhar
    suas experiências,
  122. a consolar umas às outras
  123. e a incentivar umas às outras
  124. a contatarem aquele amigo
    com quem não falavam há algum tempo
  125. ou aquele parente com quem haviam brigado.
  126. Por fim, criamos
    uma pequena microcomunidade.
  127. Foi como um grupo de apoio
  128. formado por todos os tipos
    de pessoas que se reuniam.
  129. Acho que, toda vez que publicamos on-line,
  130. há uma chance de se formarem
    essas pequenas microcomunidades.
  131. Há uma chance de todos os tipos
    de criaturas diferentes
  132. poderem se reunir e serem atraídos.
  133. Às vezes, no meio da confusão da internet,
    conseguimos encontrar nossa alma gêmea.
  134. Às vezes, isso acontece
    quando lemos respostas e comentários
  135. e encontramos uma resposta
    particularmente gentil,
  136. perspicaz ou engraçada.
  137. Às vezes, isso ocorre
    quando seguimos alguém
  138. e vemos que essa pessoa já nos segue.
  139. Às vezes, acontece quando observamos
    alguém conhecido na vida real,
  140. vemos as coisas que ambos escrevemos
  141. e percebemos que compartilhamos
    muitos interesses em comum,
  142. o que nos aproxima mais.
  143. Às vezes, se tivermos sorte,
  144. encontraremos outro alienígena.
  145. [quando dois alienígenas
    se encontram num lugar estranho,

  146. parece um pouco mais como o lar]
  147. Mas também estou preocupado
    porque, como sabemos,

  148. a internet, em geral, não é assim.
  149. Sabemos que, na maioria das vezes,
  150. ela parece um lugar
    onde nos entendemos mal,
  151. onde entramos em conflito
    uns com os outros,
  152. onde há todo tipo de confusão,
    gritos e berros,
  153. e parece que há muita coisa de tudo.
  154. Parece um caos,
  155. e não sei como separar
    as partes ruins das boas,
  156. porque, como sabemos e temos visto,
  157. as partes ruins podem realmente nos ferir.
  158. Parece-me que as plataformas que usamos
    para ocupar esses espaços on-line
  159. foram concebidas de modo
    ignorante ou intencional
  160. para admitir assédio e abuso,
    para propagar informações incorretas,
  161. para permitir o ódio, o discurso de ódio
    e a violência gerada.
  162. Parece que nenhuma
    de nossas plataformas atuais
  163. está fazendo o bastante
    para resolver e consertar isso.
  164. Mas, mesmo assim, e talvez infelizmente,

  165. ainda sou atraído por esses espaços
    on-line, como muitos outros,
  166. porque, às vezes, parece ser
    o lugar onde está todo mundo.
  167. Eu me sinto bobo
  168. e idiota, às vezes,
  169. por valorizar esses pequenos momentos
    de ligação humana em tempos como estes.
  170. Mas sempre trabalhei com essa ideia
  171. de que esses pequenos momentos
    de humanidade não são supérfluos.
  172. Não são, de modo algum, refúgios do mundo,
  173. mas sim as razões pelas quais
    chegamos a esses espaços.
  174. Eles são importantes, vitais,
    afirmam e nos dão vida.
  175. São santuários pequenos e temporários
  176. que nos mostram que não estamos
    tão sós quanto achamos.
  177. Então, mesmo que a vida seja ruim,
    todos estejam tristes
  178. e, um dia, todos nós morreremos...
  179. [veja. a vida é ruim. todos tristes.

  180. vamos todos morrer,
    mas já comprei este castelo inflável
  181. então você vai tirar os sapatos ou não]
  182. Acho que o castelo inflável
    metafórico, nesse caso,

  183. são nossos relacionamentos
    e nossas ligações com outras pessoas.
  184. Assim, certa noite,

  185. quando eu estava particularmente triste
    e sem esperança sobre o mundo,
  186. gritei para o vazio,
  187. para a escuridão solitária.
  188. Eu disse: "Neste momento,
    entrar nas mídias sociais
  189. é como segurar a mão de alguém
    no fim do mundo".
  190. Dessa vez, em vez do vazio respondendo,
  191. foram as pessoas que apareceram,
  192. que começaram a me responder
    e a falar umas com as outras.
  193. Aos poucos, formou-se
    uma pequena comunidade.
  194. Todos se uniram para dar as mãos.
  195. E, nestes tempos perigosos e incertos,

  196. no meio de tudo isso,
  197. acho que temos que nos agarrar
    às outras pessoas.
  198. Sei que é algo pequeno,
    feito de pequenos momentos,
  199. mas acho que é um pontinho
    bem minúsculo de luz
  200. em toda a escuridão.
  201. Obrigado.

  202. (Aplausos)

  203. Obrigado.

  204. (Aplausos)