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Um relógio inteligente com IA que deteta convulsões

  • 0:02 - 0:03
    Este é Henry,
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    um rapazinho fofo.
  • 0:05 - 0:07
    Quando Henry tinha três anos,
  • 0:07 - 0:12
    a mãe dele viu-o a ter convulsões febris.
  • 0:13 - 0:18
    Estas convulsões acontecem
    quando alguém tem febre.
  • 0:18 - 0:20
    O médico disse:
  • 0:20 - 0:23
    "Não se preocupe tanto,
    isto costuma passar com a idade."
  • 0:24 - 0:27
    Quando Henry tinha quatro anos,
    teve uma convulsão
  • 0:28 - 0:31
    daquelas que fazem sacudir o corpo
    e perder a consciência,
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    uma convulsão generalizada tónico-clónica.
  • 0:35 - 0:41
    Enquanto esperava
    o diagnóstico de epilepsia,
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    um dia de manhã,
    a mãe de Henry foi acordá-lo.
  • 0:45 - 0:48
    Quando entrou no quarto,
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    encontrou o corpo de Henry
    frio e sem vida.
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    Henry morreu de SUDEP,
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    morte súbita inesperada em epilepsia.
  • 1:02 - 1:05
    Estou curiosa para saber
    se já ouviram falar de SUDEP.
  • 1:06 - 1:10
    Este é um público instruído
    mas só vejo algumas mãos no ar.
  • 1:10 - 1:15
    Acontece quando uma pessoa epilética
    mas, fora isso, saudável, morre
  • 1:15 - 1:18
    e não se consegue determinar
    a razão numa autópsia.
  • 1:20 - 1:24
    Em cada sete a nove minutos,
    morre alguém de SUDEP.
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    São cerca de duas SUDEP por TED Talk.
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    Ora, um cérebro saudável
    tem atividade elétrica.
  • 1:35 - 1:37
    Podem ver algumas ondas elétricas
  • 1:37 - 1:40
    a saírem desta imagem de um cérebro.
  • 1:40 - 1:44
    Estas ondas deviam parecer-se
    com uma atividade elétrica normal
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    lidas por um EEG, a nível superficial.
  • 1:47 - 1:51
    Quando se tem uma convulsão,
    há uma atividade elétrica fora do comum,
  • 1:51 - 1:52
    e pode ser focal.
  • 1:52 - 1:55
    Pode acontecer apenas
    numa pequena parte do cérebro.
  • 1:55 - 1:58
    Quando isso acontece,
    pode-se sentir uma sensação estranha.
  • 1:59 - 2:02
    Pode estar a acontecer a vários
    membros da audiência agora
  • 2:02 - 2:04
    e a pessoa ao vosso lado
    poderá nem notar.
  • 2:04 - 2:07
    No entanto, se for uma convulsão
  • 2:07 - 2:10
    daquelas em que uma "fagulha"
    pega fogo ao cérebro
  • 2:10 - 2:12
    e depois se generaliza,
  • 2:12 - 2:16
    essa convulsão generalizada
    faz perder a consciência
  • 2:16 - 2:18
    e faz sacudir o corpo.
  • 2:19 - 2:23
    Acontecem mais SUDEPs
    nos EUA todos os anos
  • 2:23 - 2:26
    do que síndromes de
    morte súbita do lactente.
  • 2:26 - 2:29
    Ora, quantos de vós é que já
    ouviram falar deste último?
  • 2:29 - 2:31
    Pois é, quase todos vocês
    colocam a mão no ar.
  • 2:32 - 2:33
    O que se passa, então?
  • 2:33 - 2:38
    Por que razão é que algo mais comum
    é menos conhecido?
  • 2:38 - 2:41
    O que pode ser feito
    para impedir uma SUDEP?
  • 2:41 - 2:43
    Existem duas coisas,
    provadas cientificamente,
  • 2:43 - 2:47
    que ajudam a impedir
    ou a reduzir o risco de SUDEP.
  • 2:47 - 2:50
    A primeira é: "Siga as instruções
    do médico
  • 2:50 - 2:51
    "e tome a sua medicação."
  • 2:51 - 2:54
    Dois terços das pessoas que têm epilepsia
  • 2:54 - 2:56
    conseguem controlá-la com a medicação.
  • 2:56 - 3:00
    A segunda coisa que reduz
    o risco de SUDEP é a companhia.
  • 3:00 - 3:05
    É ter alguém presente
    quando se tem uma convulsão.
  • 3:05 - 3:09
    O SUDEP, mesmo que a maioria
    não tenha ouvido falar disto,
  • 3:09 - 3:14
    é a segunda maior causa
    da possível perda de anos de vida
  • 3:14 - 3:17
    de todas as doenças neurológicas.
  • 3:17 - 3:22
    O eixo vertical é o número de mortes
  • 3:22 - 3:25
    vezes o número de anos de vida,
  • 3:25 - 3:28
    portanto, maior quer dizer maior impacto.
  • 3:29 - 3:32
    O SUDEP, ao contrário destes outros,
  • 3:32 - 3:37
    pode ser evitado com a ajuda
    das pessoas aqui presentes.
  • 3:38 - 3:45
    O que está Roz Picard,
    investigadora de IA, aqui a fazer?
  • 3:45 - 3:47
    Não sou neurologista.
  • 3:47 - 3:52
    Quando estava a trabalhar no Media Lab
    na medição das emoções,
  • 3:52 - 3:55
    a tentar tornar as nossas máquinas
    mais inteligentes quanto às emoções,
  • 3:55 - 3:58
    começámos a trabalhar
    na medição do "stress".
  • 3:59 - 4:01
    Construímos muitos sensores
  • 4:01 - 4:04
    que mediram o "stress"
    de maneiras diferentes.
  • 4:04 - 4:06
    Um deles, em particular,
  • 4:06 - 4:10
    surgiu deste trabalho antigo
    a medir palmas das mãos suadas
  • 4:10 - 4:12
    com um sinal elétrico.
  • 4:12 - 4:14
    É um sinal de condutância da pele
  • 4:14 - 4:16
    que costuma aumentar
    quando estamos nervosos,
  • 4:16 - 4:19
    mas descobriu-se que
    também aumenta por outros motivos.
  • 4:19 - 4:22
    A medição com fios na mão
    é pouco conveniente.
  • 4:22 - 4:26
    Por isso, inventámos outros meios
    de fazê-lo no MIT Media Lab.
  • 4:26 - 4:28
    Com estes dispositivos portáteis,
  • 4:28 - 4:33
    começámos a recolher os primeiros
    dados clínicos 24 horas por dia.
  • 4:34 - 4:36
    Aqui está uma imagem que mostra como foi
  • 4:36 - 4:43
    a primeira vez que um estudante
    recolheu dados da condutância no pulso.
  • 4:43 - 4:46
    Vamos ampliar um pouco.
  • 4:46 - 4:49
    O que estão a ver é
    24 horas da esquerda para a direita,
  • 4:49 - 4:51
    e aqui estão dois dias de dados.
  • 4:51 - 4:53
    Primeiro, o que nos surpreendeu
  • 4:53 - 4:57
    foi que o sono foi
    o maior pico de atividade do dia.
  • 4:57 - 4:59
    Isto soa-nos mal, certo?
  • 4:59 - 5:03
    Estamos calmos durante o sono,
    o que se passa aqui, então?
  • 5:03 - 5:05
    Descobrimos que
    a nossa fisiologia durante o sono
  • 5:05 - 5:08
    é muito diferente da fisiologia
    durante o resto do dia.
  • 5:08 - 5:10
    Apesar de ainda haver algum mistério
  • 5:10 - 5:14
    sobre os picos de atividade
    serem maiores durante o sono,
  • 5:14 - 5:17
    cremos que estão relacionados
    com a consolidação da memória
  • 5:17 - 5:19
    e a formação da memória durante o sono.
  • 5:20 - 5:23
    Vimos também coisas
    que já eram esperadas.
  • 5:24 - 5:26
    Quando um estudante do MIT
    trabalha no laboratório
  • 5:26 - 5:27
    ou faz trabalhos de casa,
  • 5:28 - 5:32
    não há apenas "stress" emocional,
    mas também uma carga cognitiva,
  • 5:32 - 5:36
    e descobriu-se que esta carga
    e envolvimento mental,
  • 5:36 - 5:39
    a excitação sobre a aprendizagem,
  • 5:39 - 5:42
    estas coisas também fazem
    aumentar o sinal.
  • 5:43 - 5:47
    Infelizmente, para constrangimento
    dos professores do MIT,
  • 5:47 - 5:48
    (Risos)
  • 5:48 - 5:52
    o ponto mais baixo do dia
    é a atividade da sala de aula.
  • 5:53 - 5:55
    Estou a mostrar-vos
    os dados de uma só pessoa,
  • 5:55 - 5:58
    mas isto, infelizmente,
    é verdade de modo geral.
  • 6:00 - 6:05
    Esta pulseira contém
    um sensor de condutância da pele.
  • 6:05 - 6:10
    Um dia, um dos nossos estudantes
    veio bater-me à porta,
  • 6:10 - 6:13
    mesmo no fim do semestre de dezembro.
  • 6:13 - 6:15
    Ele disse: "Professora Picard,
  • 6:15 - 6:18
    "pode-me emprestar uma
    das suas pulseiras com sensores?
  • 6:18 - 6:21
    "O meu irmão mais novo é autista,
    não consegue falar,
  • 6:21 - 6:24
    "e quero ver o que está
    a causar-lhe 'stress'."
  • 6:25 - 6:27
    Eu disse: "Claro,
    aliás, leva duas pulseiras."
  • 6:27 - 6:30
    pois avariavam-se com facilidade,
    naquela altura.
  • 6:30 - 6:33
    Ele levou-as para casa,
    colocou-as no irmão.
  • 6:33 - 6:36
    Ora, eu estava de volta ao MIT,
    a observar os dados no portátil,
  • 6:36 - 6:39
    e no primeiro dia, pensei:
    "Isto é estranho,
  • 6:39 - 6:42
    "Ele colocou-as nos dois pulsos
    sem esperar que uma se avariasse.
  • 6:42 - 6:44
    "Tudo bem, não sigas
    as minhas instruções."
  • 6:44 - 6:46
    Ainda bem que não o fez.
  • 6:46 - 6:50
    No segundo dia - tudo calmo,
    parecia atividade da sala de aula.
  • 6:51 - 6:53
    Uns dias mais adiante.
  • 6:53 - 6:58
    No dia seguinte, um dos sinais
    de pulso estava parado
  • 6:58 - 7:02
    e o outro tinha o maior
    pico de atividade que já tinha visto.
  • 7:02 - 7:05
    Pensei: "O que se está a passar?
  • 7:05 - 7:08
    "Já causámos 'stress' no MIT
    a tantas pessoas, de tantas formas.
  • 7:09 - 7:11
    "Nunca tinha visto um pico deste tamanho."
  • 7:12 - 7:14
    E era apenas num dos lados.
  • 7:15 - 7:18
    Como é possível estar sob "stress"
    apenas num dos lados do corpo?
  • 7:18 - 7:21
    Pensei que um ou os dois sensores
    estivessem estragados.
  • 7:21 - 7:23
    Eu sou engenheira elétrica de formação,
  • 7:23 - 7:26
    por isso comecei uma série de coisas
    para descobrir a causa.
  • 7:26 - 7:29
    Resumindo, não consegui reproduzir aquilo.
  • 7:29 - 7:32
    Por isso, optei por depurar,
    à moda antiga.
  • 7:32 - 7:35
    Liguei para o estudante,
    que estava em casa de férias.
  • 7:35 - 7:40
    "Olá, como está o teu irmão?
    Que tal o Natal?
  • 7:40 - 7:43
    "Olha, tens alguma ideia
    do que lhe aconteceu?"
  • 7:43 - 7:46
    Disse-lhe a data e a hora exata,
    e dei-lhe os dados.
  • 7:46 - 7:50
    Ele disse: "Não sei, vou ver o diário."
  • 7:51 - 7:54
    O diário?
    Um estudante do MIT tem um diário?
  • 7:54 - 7:56
    Esperei e ele voltou.
  • 7:56 - 7:57
    Ele tinha a data e a hora exata,
  • 7:57 - 8:01
    e disse: "Isso aconteceu
    mesmo antes de ele ter uma convulsão."
  • 8:03 - 8:06
    Na altura eu não sabia
    nada sobre epilepsia,
  • 8:06 - 8:08
    e fiz uma série de pesquisas.
  • 8:08 - 8:12
    Apercebi-me que o pai de um
    dos estudantes era neurocirurgião
  • 8:12 - 8:14
    no Hospital Infantil de Boston,
  • 8:14 - 8:16
    ganhei coragem e liguei
    ao doutor Joe Madsen.
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    "Olá, doutor Madsen, sou Rosalind Picard.
  • 8:19 - 8:22
    "É possível alguém ter
  • 8:22 - 8:27
    "um aumento de atividade
    no sistema nervoso simpático,"
  • 8:27 - 8:29
    - que é o que leva à condutância da pele -
  • 8:29 - 8:32
    "vinte minutos antes de
    ter uma convulsão?"
  • 8:32 - 8:35
    Ele responde:
    "Provavelmente não."
  • 8:36 - 8:37
    E diz: "É interessante.
  • 8:37 - 8:40
    "Há pessoas que se arrepiam
    apenas num dos braços
  • 8:40 - 8:42
    "vinte minutos antes
    de terem uma convulsão."
  • 8:43 - 8:44
    E eu digo: "Num dos braços?"
  • 8:45 - 8:47
    Não lhe quis dizer isso antes
  • 8:47 - 8:49
    porque achava que era
    demasiado ridículo.
  • 8:49 - 8:51
    Ele explicou como isso
    podia acontecer no cérebro,
  • 8:51 - 8:53
    ficou interessado
    e mostrámos-lhe os dados.
  • 8:53 - 8:56
    Criámos mais uns dispositivos,
    com certificado de segurança.
  • 8:56 - 8:59
    Inscreveram-se 90 famílias num estudo,
  • 8:59 - 9:02
    todas com crianças que
    iriam ser monitorizadas 24 horas por dia
  • 9:02 - 9:05
    com EEG de padrão ouro na cabeça
  • 9:05 - 9:07
    para ler a atividade cerebral,
  • 9:07 - 9:09
    um vídeo para observar o comportamento,
  • 9:09 - 9:12
    eletrocardiogramas - ECG,
    e ainda EDA, atividade eletrodérmica,
  • 9:12 - 9:15
    para ver se existia algo nessa área
  • 9:15 - 9:18
    que pudéssemos analisar,
    relacionado com convulsões.
  • 9:18 - 9:25
    Observámos, em todos os casos,
    no primeiro grupo de convulsões,
  • 9:25 - 9:28
    uma enorme quantidade de respostas
    na condutância de pele.
  • 9:28 - 9:30
    O azul no meio, o sono do menino,
  • 9:30 - 9:32
    normalmente é o maior pico do dia.
  • 9:32 - 9:36
    Estas três convulsões aqui
    destacam-se na "floresta"
  • 9:36 - 9:38
    como árvores gigantes.
  • 9:39 - 9:43
    Além disso, quando juntamos
    a condutância da pele
  • 9:43 - 9:46
    ao movimento do pulso
  • 9:46 - 9:51
    recebem-se muitos dados
    e aprendizagem automática e IA,
  • 9:51 - 9:56
    pode-se construir uma IA automatizada
    que deteta estes padrões
  • 9:56 - 10:00
    de maneira mais eficaz
    do que um detetor de movimento.
  • 10:00 - 10:04
    Por isso, percebemos que
    precisávamos de aprofundar isto.
  • 10:04 - 10:07
    Com o trabalho de doutoramento
    de Ming-Zher Poh
  • 10:07 - 10:10
    e depois com melhorias da Empatica,
  • 10:10 - 10:14
    este projeto melhorou e a despistagem
    de convulsões é mais exata.
  • 10:14 - 10:17
    Ainda aprendemos outras coisas
    sobre SUDEP durante o estudo.
  • 10:17 - 10:20
    Uma das coisas que aprendemos
    é que o SUDEP,
  • 10:20 - 10:23
    apesar de ser raro depois
    de uma convulsão tónico-clónica,
  • 10:23 - 10:26
    é mais provável acontecer
    depois de uma convulsão destas.
  • 10:26 - 10:29
    Quando acontece, não é durante a convulsão
  • 10:29 - 10:32
    nem imediatamente a seguir à mesma,
  • 10:32 - 10:34
    mas na fase imediatamente a seguir,
  • 10:34 - 10:37
    quando a pessoa parece estar
    muito quieta e sossegada,
  • 10:37 - 10:42
    pode entrar noutra fase,
    na qual deixa de respirar,
  • 10:42 - 10:45
    e depois de deixar de respirar,
    o coração para.
  • 10:45 - 10:48
    Portanto, há algum tempo
    para alguém acudir.
  • 10:48 - 10:53
    Aprendemos também que há no cérebro
    uma região chamada amígdala,
  • 10:53 - 10:56
    que tínhamos estado a estudar
    na investigação das emoções.
  • 10:56 - 10:58
    Temos duas amígdalas.
  • 10:58 - 10:59
    Se for estimulada a da direita,
  • 10:59 - 11:02
    há uma grande resposta
    na condutância da pele.
  • 11:02 - 11:06
    Ora, temos de marcar logo
    uma craniotomia para fazer isto,
  • 11:06 - 11:09
    algo que não fazemos
    propriamente de boa vontade,
  • 11:09 - 11:12
    mas causa uma grande resposta
    na condutância da pele.
  • 11:12 - 11:16
    Se estimularmos a da esquerda,
    há uma resposta na palma da mão.
  • 11:16 - 11:20
    Além disso, quando a amígdala
    é estimulada,
  • 11:20 - 11:23
    enquanto estamos sentados
    a trabalhar, por exemplo,
  • 11:23 - 11:25
    não mostramos sinais de desconforto,
  • 11:26 - 11:28
    mas deixamos de respirar
  • 11:28 - 11:32
    e só voltamos a respirar
    se alguém nos estimular.
  • 11:33 - 11:34
    "Ei, Roz, estás aí?"
  • 11:34 - 11:37
    Abrimos a boca para falar.
  • 11:37 - 11:39
    Conforme respiramos para falar,
  • 11:39 - 11:41
    começamos a respirar de novo.
  • 11:43 - 11:46
    Tínhamos começado
    a trabalhar no "stress",
  • 11:46 - 11:49
    e tínhamos construído
    uma série de sensores
  • 11:49 - 11:51
    que estavam a recolher dados
    com boa qualidade.
  • 11:51 - 11:53
    Podíamos sair do laboratório
    e levar isto para fora,
  • 11:53 - 11:56
    encontrámos acidentalmente
    muitas respostas com a convulsão,
  • 11:56 - 11:59
    uma atividade neurológica
    que estava a causar uma resposta
  • 11:59 - 12:01
    maior que os fatores
    de "sress" tradicionais;
  • 12:01 - 12:03
    muitas parcerias com hospitais,
  • 12:03 - 12:05
    uma unidade de monitorização de epilepsia,
  • 12:05 - 12:07
    no Hospital Infantil
    de Boston e de Brigham,
  • 12:07 - 12:10
    juntamente com
    aprendizagem automática e IA
  • 12:10 - 12:13
    para recolher ainda mais dados
  • 12:13 - 12:15
    para tentar compreender
    estes acontecimentos
  • 12:15 - 12:18
    e para tentar evitar o SUDEP.
  • 12:18 - 12:22
    É agora comercializado pela Empatica,
  • 12:22 - 12:24
    uma empresa "start-up"
    da qual sou cofundadora,
  • 12:25 - 12:29
    cuja equipa fez um trabalho incrível
    para melhorar a tecnologia
  • 12:29 - 12:31
    de modo a criar um elegante sensor
  • 12:31 - 12:34
    que não só diz as horas e os passos,
    o sono e todas essas coisas,
  • 12:34 - 12:38
    mas é também uma máquina
    de aprendizagem em tempo real
  • 12:38 - 12:40
    que deteta convulsões
    tónico-clónicas generalizadas
  • 12:40 - 12:42
    e envia uma mensagem de alerta
  • 12:42 - 12:45
    no caso de convulsões
    e perda de consciência.
  • 12:46 - 12:48
    Acabou de ser aprovado pela FDA
  • 12:48 - 12:53
    como o primeiro relógio inteligente
    com certificação em neurologia.
  • 12:54 - 12:58
    (Aplausos)
  • 13:03 - 13:06
    O próximo "slide" fez aumentar
    a minha condutância da pele.
  • 13:07 - 13:09
    Uma manhã, estou a ver o meu "email",
  • 13:09 - 13:11
    e vejo a história de uma mãe
  • 13:11 - 13:13
    que disse que estava a tomar banho,
  • 13:13 - 13:15
    e tinha o telefone
    na bancada, perto dela,
  • 13:15 - 13:18
    e disse que a filha podia precisar de ajuda.
  • 13:18 - 13:21
    Sai do banho e vai a correr
    ao quarto da filha,
  • 13:21 - 13:25
    que está na cama, de barriga para baixo,
    azulada e sem respirar.
  • 13:25 - 13:29
    Ela vira-a - estimulação humana -
  • 13:29 - 13:32
    e a filha respira, e volta a respirar,
  • 13:32 - 13:36
    volta a ganhar cor e fica bem.
  • 13:38 - 13:41
    Acho que eu é que fiquei pálida
    a ler este "email".
  • 13:41 - 13:43
    O que eu disse logo foi:
    "Não é perfeito.
  • 13:43 - 13:45
    "O Bluetooth ou a bateria
    podem não funcionar.
  • 13:45 - 13:48
    "Estas coisas podem correr mal.
    Não se fiem nisto."
  • 13:48 - 13:51
    Ela disse: "Não faz mal.
    Nenhuma tecnologia é perfeita.
  • 13:51 - 13:54
    "Ninguém pode estar sempre presente.
  • 13:55 - 13:59
    "Mas este dispositivo,
    juntamente com IA,
  • 13:59 - 14:02
    "permitiu-me chegar lá a tempo
    de salvar a vida da minha filha."
  • 14:06 - 14:08
    Tenho estado a falar só em crianças,
  • 14:08 - 14:13
    mas o SUDEP culmina em pessoas
    na casa dos 20, 30 e 40 anos.
  • 14:14 - 14:15
    A próxima coisa que vou dizer
  • 14:15 - 14:18
    provavelmente irá deixar
    muita gente desconfortável,
  • 14:18 - 14:20
    mas é menos desconfortável
    do que ficaremos
  • 14:20 - 14:24
    se esta lista incluísse pessoas
    que vocês conhecem
  • 14:24 - 14:27
    Isto poderia acontecer
    a alguém que conhecem?
  • 14:27 - 14:30
    A razão por que faço esta
    pergunta desconfortável
  • 14:30 - 14:35
    é porque uma em cada 26 pessoas
    irá ter epilepsia a certa altura,
  • 14:35 - 14:37
    e pelo que tenho percebido,
  • 14:37 - 14:40
    pessoas com epilepsia muitas vezes
    não dizem a amigos nem vizinhos
  • 14:41 - 14:42
    que têm epilepsia.
  • 14:42 - 14:47
    Por isso, se estão dispostos
    a deixá-las usar uma IA ou o que for
  • 14:47 - 14:51
    para vos chamarem num possível
    momento de necessidade,
  • 14:51 - 14:53
    se lhes disserem que estão dispostos,
  • 14:53 - 14:55
    podem fazer a diferença na vida delas.
  • 14:56 - 14:59
    Para quê trabalhar arduamente
    para construir IAs?
  • 15:00 - 15:01
    Dou-vos algumas razões:
  • 15:02 - 15:04
    Uma delas é Natasha,
    a menina que sobreviveu.
  • 15:04 - 15:07
    A família dela queria que
    soubessem o seu nome.
  • 15:07 - 15:09
    Outra razão é a família dela
  • 15:09 - 15:11
    e as pessoas maravilhosas
  • 15:11 - 15:14
    que querem apoiar as pessoas
    que têm certas doenças
  • 15:14 - 15:17
    que não se sentem à vontade
    para contar às outras pessoas.
  • 15:18 - 15:20
    A outra razão são todos vocês,
  • 15:20 - 15:25
    pois temos a oportunidade
    de modelar o futuro da IA.
  • 15:25 - 15:28
    Podemos realmente mudá-lo,
  • 15:28 - 15:30
    porque somos nós
    que o estamos a construir.
  • 15:30 - 15:32
    Por isso, vamos construir IA
  • 15:32 - 15:35
    que melhore a vida de todos.
  • 15:36 - 15:37
    Obrigada.
  • 15:37 - 15:41
    (Aplausos)
Title:
Um relógio inteligente com IA que deteta convulsões
Speaker:
Rosalind Picard
Description:

Todos os anos em todo o mundo, mais de 50 mil pessoas epiléticas mas, fora isso, saudáveis, morrem subitamente - com um síndrome chamado SUDEP (morte súbita inesperada em epilepsia). Estas mortes podem ser evitadas, afirma Rosalind Picard, investigadora de inteligência artificial. Aprendam como Picard ajudou a criar um relógio inteligente inovador que pode detetar convulsões epiléticas à medida que estas ocorrem e enviar alertas para os entes queridos próximos para que possam chegar a tempo de ajudar.

Esta palestra foi feita num evento TEDx, organizado de forma independente por uma comunidade local mas usando o formato das Conferências TED. Saiba mais em: http://ted.com/tedx

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Video Language:
English
Team:
TED
Project:
TEDTalks
Duration:
15:54

Portuguese subtitles

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