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← Por que a fofoca começa e se espalha no trabalho | Joe Mull | TEDxStripDistrict

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Showing Revision 12 created 01/30/2020 by Raissa Mendes.

  1. Quando meu filho Miles
    tinha três anos, ele se apaixonou.
  2. O objeto da paixão dele
    era uma brincadeira:
  3. esconde-esconde.
  4. Embora eu ame demais o Miles,
    preciso admitir pra vocês
  5. que ele era muito ruim nisso.
  6. (Risos)
  7. Primeiro, porque ele contava
    onde ia se esconder.
  8. Ele dizia: "Papai, você conta até dez,
    e eu me escondo aqui".
  9. (Risos)
  10. A segunda razão de ele ser
    tão ruim no esconde-esconde
  11. é que, depois de achar
    um lugar pra se esconder,
  12. ele se escondia
  13. e ficava rindo o tempo todo
    no esconderijo.
  14. (Risos)
  15. Bom, se você brinca de esconde-esconde
    e fica fazendo barulho sem parar,
  16. você simplesmente é ruim.
  17. (Risos)
  18. E a terceira razão de ele ser
    ruim no esconde-esconde
  19. é por causa do que acontecia
    depois da contagem.
  20. Ele saía pra se esconder,
    eu apoiava o rosto na parede...
  21. e vocês sabem como funciona, né?
  22. "... 6, 7, 8, 9, 10! Posso ir?"
  23. (Plateia) Lá vou eu!
  24. "Pode vir!"
  25. (Risos)
  26. Certa noite, antes de dormir,
    estávamos brincando de esconde-esconde.
  27. Ele se escondeu no quarto da irmã
    enquanto eu contava.
  28. Passei pelo corredor procurando por ele
  29. e entrei no quarto da irmã dele,
  30. e o que vi diante de mim
    me deu vontade de rir.
  31. Fiquei muito feliz na hora
    por estar com meu celular no bolso
  32. porque peguei o celular e bati uma foto.
  33. Vou mostrar a vocês a foto agora,
  34. e quero que olhem bem pra ela.
  35. Me desculpem, ela está
    meio escura e desfocada,
  36. mas vejam se conseguem achar o Miles.
  37. (Risos)
  38. Eu disse que ele era ruim.
  39. (Risos)
  40. Se não perceberam, ele está deitado
    no enorme unicórnio rosa da irmã
  41. com um travesseiro das princesas
    da Disney sobre o rosto...
  42. Quantos aqui têm filhos?
  43. E já viram algo assim antes? Já?
  44. Então sabem o que está acontecendo aqui.
  45. Miles acredita que...?
  46. Que, como ele não consegue me ver,
    eu também não vou conseguir vê-lo.
  47. Se você tiver filhos,
  48. você sabe que ele vai melhorar
    conforme for crescendo, né?
  49. Bem...
  50. (RIsos)
  51. Na verdade, só em parte.
  52. Na verdade,
  53. Miles vai acabar
    desenvolvendo a capacidade
  54. de ver as coisas a partir
    da perspectiva do outro,
  55. pelo menos no que tange
    ao fisicamente visível.
  56. Mas será realmente difícil para ele
  57. ver as coisas sob o ponto
    de vista do outro
  58. no sentido de entender por que
    o outro diz o que diz
  59. e faz o que faz.
  60. Acontece que, quando adultos,
    deixamos muito a desejar nesse aspecto.
  61. Quase nunca fazemos isso.
  62. E não somos bons nisso.
  63. E isso tem tudo a ver com por que a fofoca
    começa e se espalha no trabalho.
  64. Bem, vou falar um pouco
    sobre a psicologia por trás disso,
  65. mas antes quero falar
    sobre o que ocorre no trabalho
  66. quando uma pessoa está
    um pouco incomodada com outra.
  67. Ah, e pra ser justo com o Miles,
  68. devo dizer que ele não é o único filho
    que não sabia brincar de esconde-esconde.
  69. A irmã mais velha dele, Lilly,
    também não era lá essas coisas.
  70. (Risos)
  71. Vamos falar sobre
    o que acontece no trabalho
  72. quando uma pessoa fica aborrecida
    por algo dito ou feito por outra.
  73. Quando o funcionário A
  74. fica aborrecido ou incomodado com algo
    dito ou feito pelo funcionário B,
  75. será que o funcionário A
    procura o funcionário B e diz:
  76. "Com licença..."
  77. (Risos)
  78. "Aconteceu isso,
  79. estou meio incomodado.
  80. Vamos sentar pra conversar, como adultos?"
  81. É assim onde vocês trabalham?
  82. (Plateia) Não.
  83. O que o funcionário A faz em vez disso?
  84. Procura outro funcionário,
    liga pra um amigo... isso mesmo.
  85. Ele procura um colega,
    um amigo, um confidente,
  86. e diz: "Ei, quero te contar uma coisa".
  87. Bem, para os fins educativos de hoje,
  88. vamos fingir que essas pessoas
    trabalham juntas num consultório médico.
  89. A funcionária A procura uma colega
    e diz: "Ei, quero te contar uma coisa.
  90. Acredita que atendi
    14 pacientes hoje de manhã,
  91. e aquela ali só atendeu 3?
  92. Não sei qual é a dela,
    mas não aguento mais ela".
  93. Agora, vejam só que interessante:
  94. a outra pessoa quase sempre
    tem a mesma reação,
  95. independentemente
    da empresa em que trabalhe,
  96. do cargo que exerça,
  97. ou da natureza da queixa
    que acabou de ouvir.
  98. Quase sempre,
  99. quando o funcionário A procura um amigo,
    um companheiro no trabalho,
  100. ele diz: "Ouve só isso",
  101. a outra pessoa ouve a queixa,
    entra na onda e diz:
  102. "Tô sabendo!"
  103. (Risos)
  104. "Ela também fez isso comigo
    semana passada!"
  105. "Ahã." "Ahã." Ahã."
  106. Aí, de repente,
  107. surge um pequeno triângulo do drama.
  108. É assim que o drama tem início
    no ambiente de trabalho.
  109. Para deixar claro, não estou usando
    o termo "triângulo do drama" como ironia.
  110. Trata-se de um padrão
    de comportamento humano
  111. que existe há décadas,
  112. e foi demonstrado no fim dos anos 60
  113. por um psicoterapeuta
    chamado Stephen Karpman.
  114. Ao publicar seu trabalho,
    ele o chamou de "Triângulo do Drama".
  115. Esses tipos de padrão de comportamento
    não ocorrem apenas no trabalho,
  116. mas em grupos de todas formas e tamanhos.
  117. Se você vai à igreja, acontece lá.
  118. No bairro onde você mora também acontece.
  119. Acontece até dentro
    da sua própria família.
  120. Seja sincero:
  121. quando você fica chateado com sua mãe,
  122. você liga pra ela ou pra sua irmã?
  123. (Risos)
  124. "Olha, cansei da mamãe. Fale com ela."
  125. (Risos)
  126. E esse padrão de comportamento
    é tão previsível e comum
  127. que esses personagens têm nome.
  128. Chamamos o funcionário A de "A Vítima".
  129. É assim que ele se enxerga.
  130. "Estou sendo injustiçado
    de alguma forma pelo funcionário B."
  131. A outra pessoa é chamada
    de "O Socorrista".
  132. É assim que ela se enxerga.
  133. "Meu colega precisa de mim,
    da minha ajuda, conselho, opinião.
  134. Ele precisa que eu o ouça e o apoie."
  135. E isso é bobagem.
  136. Ela só está ali por dois motivos.
  137. Primeiro, é legal quando te incluem
    e te contam uma fofoca
  138. e, segundo:
  139. "Eu meio que fico contente
    por não ser eu o objeto da fofoca".
  140. Aí, chamamos a terceira pessoa
    de "O Perseguidor".
  141. E me perdoem pela caligrafia,
  142. mas é assim que essa pessoa é vista
    pelos outros nesse triângulo do drama.
  143. É uma pessoa má, de mau caráter,
  144. que faz escolhas ruins.
  145. Bem, os triângulos do drama
    se formam por duas razões.
  146. A mais fácil de entender
    é que eles são simplesmente mais fáceis.
  147. Quase sempre é mais fácil
    para o funcionário A
  148. buscar o conforto da validação dos outros
  149. do que entrar no desconforto do confronto.
  150. É mais fácil achar alguém
    que diga que você tem razão
  151. do que ter uma conversa desconfortável
  152. em que talvez você
    possa estar errado ou parecer tolo.
  153. Mas, na verdade, tem muito
    mais coisa acontecendo aqui,
  154. que ocorre antes de qualquer
    um neste padrão procurar alguém.
  155. Na verdade, nosso cérebro
    pega alguns atalhos
  156. que nos levam a esse padrão
    de comportamento previsível
  157. sem que nem sequer percebamos
    que isso aconteceu.
  158. Vou dar um exemplo.
  159. O que você acha de uma pessoa
    que chega atrasada no trabalho?
  160. "Preguiçoso." "Não está nem aí."
  161. "Egoísta."
  162. Vejam só as repostas que surgem.
  163. Quando faço essa pergunta em oficinas
  164. ou em trabalhos de desenvolvimento
    de equipes em empresas,
  165. as respostas que surgem a essa pergunta
  166. são praticamente uma lista
    de falhas de caráter.
  167. "Preguiçoso". "Não veste a camisa."
    "Não está nem aí." "Desorganizado".
  168. São versões de: "Ele não fez
    o que tinha que fazer
  169. pra estar onde tinha que estar
    na hora em que tinha que estar".
  170. Mas e quando é você que chega atrasado?
  171. Aí qual é o motivo?
  172. O trânsito?
    (Risos)
  173. Seja qual for a razão,
    é uma das boas, não?
  174. (Risos)
  175. A verdade é que somos programados
  176. para julgar a nós mesmos
    de forma mais favorável que aos outros.
  177. São atalhos que nosso cérebro
    toma todos os dias,
  178. vieses que nosso cérebro tem a nosso favor
  179. e contra todos os demais.
  180. O primeiro deles, que quero salientar
    e que leva à fofoca no trabalho,
  181. chama-se "o viés
    da superioridade ilusória".
  182. Não preciso que se lembrem do nome;
    só que saibam o que significa.
  183. Somos programados para inflar
    e superestimar nossos talentos,
  184. capacidades, julgamento.
  185. O exemplo mais conhecido disso
    é um estudo feito com motoristas,
  186. em que lhes foi pedido que avaliassem
    sua própria habilidade ao volante.
  187. E sabem que 93% deles
    se avaliaram como acima da média?
  188. Vou deixar vocês com essa um instante.
  189. (Risos)
  190. Em outras palavras, 93% dos motoristas
    se avaliaram como melhores
  191. do que 50% de todos os motoristas.
  192. Vocês sabem como é.
  193. Isso acontece no trabalho também.
  194. Vamos imaginar que eu trouxesse
    todos da sua empresa pra esta sala
  195. e dissesse: "Parabéns, todos aqui
    vão receber um aumento;
  196. algo entre 2% e 4%,
    com base em merecimento.
  197. Peguem este cartão.
  198. Escrevam nele
  199. o percentual de aumento de salário
    que acreditam que devem receber".
  200. De primeira, o que ninguém vai escrever?
  201. Ninguém vai escrever 2%.
  202. Sabe o que ninguém mais vai escrever?
  203. 3%.
  204. (Risos)
  205. Ninguém levanta a mão
    e diz: "Sou mediano".
  206. (Risos)
  207. Vão escrever 3,1%.
  208. E vocês têm alguns funcionários
    que escreveriam 4%.
  209. E o cara que, tipo, escreve 7%,
  210. o cara que limpou a geladeira suja
    da copa essa semana?
  211. Este cara aqui.
  212. Bum!
  213. (Risos)
  214. Nós superestimamos nossas próprias
    habilidades e desempenho.
  215. Até em casa somos assim.
  216. Quantos já planejaram consertar
    algo em casa no fim de semana
  217. e pensaram: "Isso vai levar
    umas quatro horas",
  218. e levou quatro finais de semanas?
  219. (Risos)
  220. Somos programados para julgar
    a nós mesmos de forma mais favorável.
  221. É quase como se houvesse um anjo
    sentado em nosso ombro,
  222. sussurrando todo dia em nosso ouvido:
  223. "Você é o melhor".
  224. (Risos)
  225. "Você é uma pessoa muito legal."
  226. (Risos)
  227. "Você é incrível!"
  228. E nós acreditamos nele.
  229. (Risos)
  230. Mas o problema é o seguinte:
  231. esse anjo não está só.
  232. No outro ombro, fica um diabinho
    que também sussurra em nosso ouvido
  233. e cuja função é avaliar todos os outros.
  234. O diabinho é outro viés
    que carregamos conosco todo dia
  235. chamado "erro fundamental de atribuição".
  236. Cientistas sociais descobriram
  237. que, quando avaliamos as escolhas
    e o comportamento dos outros,
  238. decidimos que eles se devem
    não a situações mas ao caráter.
  239. Em outras palavras, quando vemos
    alguém fazer algo questionável,
  240. decidimos imediatamente
    que seu caráter é questionável.
  241. Aquele cara que te fecha no trânsito?
  242. "Quem ele pensa que é?
  243. Deve ser egoísta, se acha. Um idiota!"
  244. Aquele colega de trabalho
    que está molengando hoje?
  245. "Não está nem aí, não se esforça."
  246. O que você pensa de alguém
    que chega atrasado no trabalho?
  247. "Preguiçoso." "Desorganizado."
    "Não veste a camisa."
  248. Temos um diabinho sussurrando
    todos os dias em nosso ouvido,
  249. e ele sussurra uma história inventada
    sobre por que os outros agem como agem,
  250. e essa história quase sempre
    presume má-fé.
  251. Então, por que a fofoca começa
    e se espalha no trabalho?
  252. Porque, como uma criança
    brincando de esconde-esconde,
  253. ficamos tão distraídos
  254. que não paramos pra enxergar a situação
    sob a perspectiva do outro,
  255. para entender melhor
    por que ele fez o que fez
  256. e disse o que disse.
  257. Em vez disso, os vieses do nosso cérebro
    sussurram em nosso ouvido todo dia:
  258. "Numa escala de 1 a 10,
    eu sou 7, 'brother',
  259. e todos os outros são 4".
  260. E quando começamos a acreditar nisso,
    quando damos ouvido a esses vieses,
  261. quando decidimos que nossas escolhas
    e comportamentos são virtuosos
  262. e que os dos outros nem tanto,
  263. isso no faz começar a julgar os outros.
  264. E aí, convidamos outras pessoas
    para se juntarem a nós nesse ciclo.
  265. A verdade é que, se quisermos
    diminuir a fofoca no trabalho,
  266. existem dois comportamentos principais
    com que sua equipe tem que se comprometer:
  267. presumir boa-fé
  268. e procurar a fonte.
  269. Presumir boa fé é simplesmente parar
    e fazer uma pergunta muito importante:
  270. "Que explicação seria perfeitamente
    legítima pro comportamento dessa pessoa?"
  271. "O que faria um pessoa boa
    agir dessa forma?"
  272. O cara que te fechou no trânsito?
  273. Talvez ele seja um babaca idiota,
  274. ou talvez esteja correndo pro hospital
    numa emergência médica de família.
  275. A colega de trabalho molengando?
  276. Tá, talvez ela não esteja nem aí,
  277. ou talvez o chefe dela
    tenha lhe pedido pra desacelerar.
  278. Aquele colega que chegou atrasado?
  279. Talvez o filho tenha entornado
    suco nas calças dele
  280. justo quando estava saindo de casa.
  281. Presumindo boa-fé, calamos
    o diabinho em nosso ouvido
  282. porque assim afastamos o julgamento,
  283. e nos forçamos a buscar a empatia.
  284. "Por que uma pessoa boa agiria assim?"
    é uma pergunta a fazermos a nós mesmos
  285. que imediatamente nos torna membros mais
    inteligentes emocionalmente numa equipe.
  286. O outro comportamento é buscar a fonte,
  287. é fazer exatamente o que descrevi antes,
  288. ir ao colega de trabalho e dizer:
  289. "Olha, aconteceu isso,
    está me incomodando, não foi legal.
  290. Precisamos conversar".
  291. E se você conseguir fazer
    com que sua equipe
  292. adote somente esses dois comportamentos,
  293. bem, você terá plantado neles
    a essência do trabalho em equipe,
  294. porque esses são os comportamentos-chave
    para conflitos saudáveis no trabalho
  295. e para nos desviar dos padrões
    de conflitos não saudáveis.
  296. Ah, e a fofoca continuará pelos cantos,
  297. a rádio-corredor continuará existindo,
  298. mas será um pouco diferente.
  299. Agora, o funcionário A
    procurará um colega pra dizer:
  300. "Ei,
  301. acredita que a Jane chamou o Jack
    na chincha hoje de manhã
  302. e disse que estava incomodada
    com o fato de ele molengar o trabalho?
  303. E a reação dele até que foi tranquila".
  304. E, nessa hora, o colega
    pode responder baixinho:
  305. "Tô sabendo!"
  306. (Risos)
  307. Obrigado.
  308. (Aplausos)