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← Como a pandemia irá modelar o próximo futuro

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Showing Revision 45 created 10/25/2020 by Margarida Ferreira.

  1. Chris Anderson: Bem-vindo, Bill Gates.
  2. Bill Gates: Obrigado.

  3. CA: É um prazer ter-te aqui, Bill.

  4. Sabes, há três meses,
    tivemos aqui no TED uma conversa,
  5. sobre esta pandemia,
  6. e, nessa altura — acho que foi
    em finais de março —
  7. nessa altura tinham morrido
    menos de 1000 pessoas nos EUA
  8. e menos de 20 000 em todo o mundo.
  9. Agora, os números
    são de 128 000 mortos nos EUA
  10. e mais de meio milhão em todo o mundo,
  11. em três meses.
  12. Em três meses.
  13. Qual é a tua previsão do que é possível
    para o resto do ano?
  14. Analisas muitos modelos.
  15. Na tua opinião, quais podem
    ser os melhores e os piores cenários?
  16. BG: Bem, o número de cenários,
    infelizmente, é bastante grande,

  17. incluindo o facto de,
    ao entrarmos no outono,
  18. podermos ter uma taxa de mortalidade
    equivalente ao pior que tivemos em abril.
  19. Se houver muitos jovens contaminados,
  20. poderão, novamente,
    contagiar pessoas idosas,
  21. e assim chegará aos lares,
  22. aos refúgios dos sem-abrigo,
  23. os locais onde temos tido
    muitas das nossas mortes.
  24. No que diz respeito à inovação,
    de que provavelmente falaremos
  25. — diagnósticos, terapêuticas, vacinas —
  26. tem havido muitos progressos,
  27. mas nada que, efetivamente, altere o facto
  28. de que este outono nos EUA
    poderá ser bastante mau,
  29. e isto é pior do que
    eu esperava há um mês,
  30. o nível de mobilidade a que voltámos
  31. sem uso de máscaras,
  32. e, agora, o vírus chegou a muitas cidades
  33. onde ainda não tinha entrado
    de forma significativa,
  34. portanto vai ser um problema.
  35. Em caso algum conseguiremos baixar muito
    a atual taxa de mortalidade,

  36. que é cerca de 500 mortes por dia,
  37. mas há um risco significativo de voltarmos
  38. às 2000 mortes por dia,
    que já tivemos antes,
  39. porque não temos o distanciamento,
  40. a alteração de comportamento
  41. no mesmo nível que tivemos
    em abril e maio.
  42. E sabemos que este vírus
    é de alguma forma sazonal,
  43. de modo que o aumento das infeções,
  44. devido à temperatura, humidade,
    e maior permanência em casa,
  45. será pior à medida que
    entrarmos no outono.
  46. CA: Há cenários, em que, nos EUA,

  47. se extrapolarmos esses números,
    para o futuro,
  48. acabaremos com mais de 250 mil mortes,
  49. ainda este ano, se não formos cuidadosos,
  50. e a nível mundial, acho que
    as mortes, até ao final do ano,
  51. estarão na casa dos milhões.
  52. Há provas de que as temperaturas
    mais quentes do verão
  53. têm de facto ajudado?
  54. BG: Não há uma certeza absoluta,

  55. mas de certeza que o modelo IHME
    usou a estação do ano,
  56. incluindo temperatura e humidade,
  57. para tentar explicar
    por que razão maio não foi ainda pior.
  58. E à medida que fomos saindo
    e a mobilidade aumentou,
  59. os modelos esperavam mais infeções
    e mortes como consequência,
  60. e o modelo continuou a querer dizer:
  61. "Mas eu preciso usar esta sazonalidade
  62. "para explicar porque é
    que maio não foi pior,
  63. "porque é que junho não foi pior."
  64. E vemos no hemisfério sul,

  65. por exemplo, no Brasil,
  66. que está na estação oposta,
  67. e agora toda a América do Sul
    está com uma enorme epidemia.
  68. A África do Sul está com uma epidemia
    em rápido crescimento.
  69. Felizmente, a Austrália e Nova Zelândia,
  70. os últimos países do hemisfério sul,
  71. estão com números muito baixos,
  72. e, apesar de terem de continuar
    a combater o vírus, dizem:
  73. "Oh, temos 10 casos,
  74. "é um problema, vamos acabar com ele."
  75. Portanto, são um desses países incríveis
    que têm números tão baixos
  76. que os testes, a quarentena e o rastreio
  77. resultam para manter os números
    perto de zero.
  78. CA: Ajudados um pouco, talvez,
    pela facilidade de isolamento,

  79. e pela menor densidade populacional.

  80. Mas apesar disso,
    lá têm políticas inteligentes.
  81. BG: Sim, as coisas são tão exponenciais

  82. que um pouco de bom trabalho
    tem bons resultados.
  83. Não é um jogo linear.
  84. O rastreio dos contactos,
    com os números que temos nos EUA,
  85. é de extrema importância,
  86. mas não baixa até zero.
  87. Ajuda a manter os números baixos,
  88. mas a situação é demasiado avassaladora.
  89. CA: OK, então em maio e junho nos EUA,

  90. os números foram ligeiramente melhores
    do que alguns dos modelos previam,
  91. e é possível que isso seja,
    em parte, devido ao tempo mais quente.
  92. Agora estamos a assistir, digamos,
  93. a um aumento bastante alarmante
    de casos nos EUA?
  94. BG: Sim, eu diria

  95. — por exemplo, na área de Nova Iorque,
  96. os casos continuam a descer um pouco,
  97. mas noutras regiões do país,
  98. principalmente no sul, neste momento,
  99. há crescimentos
    que estão a contrabalançar isso,
  100. e há taxas de testes positivos em jovens
  101. que são realmente superiores ao que vimos
    mesmo nalgumas das regiões mais afetadas.
  102. Então, claramente, os jovens
    aumentaram a mobilidade
  103. mais do que os mais velhos,
  104. portanto, a estrutura etária
    é agora muito jovem,
  105. mas por causa dos agregados familiares
    multigeracionais,
  106. e das pessoas que trabalham em lares,
  107. infelizmente, haverá um retorno
  108. tanto do desfasamento de tempo
    como da transmissão
  109. para as pessoas mais velhas,
  110. o que levará ao aumento
    da taxa de mortalidade,
  111. que está baixa...
  112. desceu de 2000 para cerca de 500,
    neste momento.
  113. CA: E isso deve-se em parte
    ao desfasamento de três semanas

  114. entre o número de casos
    e o número de fatalidades?
  115. E poderá ser também,
    — talvez, em parte —
  116. porque tem havido algumas
    intervenções eficazes,
  117. e estamos, realmente,
    a ver a possibilidade
  118. de a taxa de mortalidade
    descer, efetivamente, um pouco
  119. agora que adquirimos algum
    conhecimento adicional?
  120. BG: Sim, certamente, a taxa
    de mortalidade é sempre mais baixa

  121. quando não se está sobrecarregado.
  122. Por isso, quando Itália
    estava sobrecarregada,
  123. Espanha, até mesmo Nova Iorque, no início,
  124. e, sem dúvida, a China,
  125. ali não foi possível assegurar o básico,
  126. tal como o oxigénio e outras coisas.
  127. Um estudo que a nossa fundação
    financiou no Reino Unido
  128. encontrou a única coisa
    além do Remdesivir,
  129. que é uma terapêutica comprovada,
  130. a dexametasona,
  131. que, em doentes graves,
  132. reduz a mortalidade em cerca de 20%,
  133. e há ainda vários outros
    medicamentos desses a surgir.
  134. A hidroxicloroquina
    nunca demonstrou dados positivos,

  135. por isso está praticamente excluída.
  136. Ainda há alguns ensaios a decorrer,
  137. mas a lista de coisas a serem testadas,
  138. incluindo, eventualmente,
    os anticorpos monoclonais,
  139. teremos mais algumas
    ferramentas no outono.
  140. Por isso, quando se fala
    de taxa de mortalidade,
  141. a boa notícia é que já temos
    alguma inovação,
  142. e teremos mais, mesmo no outono.
  143. Devemos começar a ter
    anticorpos monoclonais,
  144. que é a única terapêutica
    com que estou entusiasmado.
  145. CA: Na verdade, vou pedir-te que me fales
    um pouco mais sobre isso a seguir,

  146. mas, para encerrar o tema
    da taxa de mortalidade:
  147. num sistema de saúde que funciona bem.
  148. Por exemplo, os EUA,
    quando não estão sobrelotados,
  149. o que achas,
  150. de os números atuais de fatalidade
    estarem sensivelmente a crescer
  151. em percentagem do total de casos?
  152. Estamos abaixo de 1%, talvez?
  153. BG: Se encontrássemos todos os casos, sim,

  154. estamos claramente abaixo de 1%.
  155. As pessoas discutem, 0,4% ou 0,5%.
  156. Se incluirmos os assintomáticos,
  157. está provavelmente abaixo de 0,5%,
  158. e isso é uma boa notícia.
  159. Esta podia ter sido uma doença de 5%.
  160. As dinâmicas de transmissão desta doença
  161. são mais difíceis do que
    os especialistas previram.
  162. A quantidade de pré-sintomáticos
    e assintomáticos aumenta
  163. e o facto de não haver tosse,
  164. nesse caso, notava-se:
    "Atenção, estou a tossir."
  165. — muitas doenças respiratórias
    provocam tosse.
  166. Esta doença, na fase inicial,
    não é tossir.
  167. É cantar, rir, conversar,
  168. em particular para
    os super-transmissores,
  169. com cargas virais muito elevadas,
  170. que provocam esse contágio.
  171. Isto é uma novidade,
  172. e por isso, até os especialistas dizem:
  173. "Uau, fomos apanhados de surpresa."
  174. A quantidade de transmissão assintomática
  175. e o facto de não haver tosse
  176. não é uma peça importante
    como na gripe ou tuberculose.
  177. CA: Sim, essa é a esperteza
    diabólica do vírus.

  178. Qual a parte que essa transmissão
    não-sintomática
  179. representa na transmissão total?
  180. Tenho ouvido números que indicam
    que metade de todos os contágios
  181. são basicamente pré-sintomáticos.
  182. BG: Sim, se contarmos
    os pré-sintomáticos,

  183. então a maioria dos estudos
    mostram que são cerca de 40%
  184. e também há os totalmente assintomáticos.
  185. A quantidade de vírus que temos
    no aparelho respiratório superior
  186. não tem grande relação.
  187. Algumas pessoas terão aí muitos vírus
    e poucos nos pulmões,
  188. e o que apanhamos nos pulmões
    provoca sintomas muito maus
  189. — e noutros órgãos,
    mas sobretudo nos pulmões —
  190. e é quando procuramos tratamento.
  191. Por isso, o pior cenário
    em termos de transmissão
  192. é alguém que tem muito
    no trato respiratório superior
  193. mas quase nada nos pulmões,
  194. e que, por isso, não procura tratamento.
  195. CA: Certo.

  196. E, assim, se juntarmos os assintomáticos
  197. aos pré-sintomáticos,
  198. teremos mais de 50%
    da transmissão
  199. a partir de pessoas assintomáticas?
  200. BG: Bem, a transmissão
    é mais difícil de medir.

  201. Sabes, vemos alguns pontos críticos
  202. mas há uma grande questão com a vacina:
  203. será que, para além de evitar a doença,
  204. que é o que o ensaio vai verificar,
  205. também nos irá impedir
    de sermos transmissores?
  206. CA: Essa vacina é uma questão
    muito importante,

  207. vamos falar dela.
  208. Mas antes disso, há outras surpresas
    nos últimos meses
  209. que aprendemos acerca deste vírus
  210. que efetivamente influenciam
    a forma como devemos responder?
  211. BG: Ainda não conseguimos caracterizar
    quem são os super-transmissores

  212. em termos de conhecer o perfil,
  213. e podemos nunca vir a saber.
  214. Pode ser bastante aleatório.
  215. Se os pudéssemos identificar,
  216. eles são responsáveis
    pela maioria dos contágios,
  217. poucas pessoas com cargas virais elevadas.
  218. Mas infelizmente, não descobrimos isso.
  219. Neste modo de transmissão,
  220. se estivermos numa sala e ninguém falar,
  221. há menor transmissão.
  222. É em parte por isso que,
    apesar de haver transmissão nos aviões,
  223. ela é abaixo do esperado,
  224. em termos de medidas
    de proximidade de tempo,
  225. porque ao contrário, por exemplo,
    de um coro ou restaurante,
  226. não expiramos tanto,
    em conversas em voz alta,
  227. como noutros ambientes interiores.
  228. CA: O que achas da ética de alguém
    que entrasse num avião

  229. e se recusasse a usar máscara?
  230. BG: Se forem os donos do avião,
    não veria problema.

  231. Se houver outras pessoas no avião,
  232. isso ia colocar em perigo
    essas outras pessoas.
  233. CA: No início da pandemia,

  234. a OMS não aconselhou o uso de máscaras.
  235. Tinham receio de as retirar
  236. aos profissionais de saúde
    na linha da frente.
  237. Em retrospetiva, isso foi
    um erro terrível?
  238. BG: Sim.

  239. Todos os especialistas se sentem mal
    quanto ao valor das máscaras
  240. — que está de alguma forma relacionado
    com os assintomáticos.
  241. Se as pessoas tivessem muitos sintomas,
  242. como no Ébola,
  243. então saberíamos e elas seriam isoladas,
  244. pelo que não haveria
    necessidade de máscara.
  245. O valor das máscaras,
  246. o facto de as máscaras cirúrgicas
    terem uma distribuição diferente
  247. das máscaras normais,
  248. o facto de se poder incrementar
    tão bem as máscaras normais,
  249. o facto de pararem a transmissão dos
    pré-sintomáticos, nunca sintomáticos,
  250. é um erro.
  251. Mas não é conspiração.
  252. É algo que agora sabemos mais.
  253. E mesmo agora, as margens de erro
    sobre os benefícios das máscaras
  254. são mais altas
    do que gostaríamos de admitir,
  255. mas é um benefício significativo.
  256. CA: Certo. Vou começar com
    algumas perguntas da comunidade.

  257. Vamos passá-las ali.
  258. Jim Pitofsky: "Acha que a reabertura
    nos EUA foi prematura,
  259. "e, se sim, como podemos enfrentar
    esta pandemia com responsabilidade?"
  260. BG: Bem, a questão sobre
    como alcançamos compromissos

  261. entre os benefícios,
    digamos, de ir à escola
  262. versus o risco de as pessoas
    adoecerem, porque vão à escola,
  263. são questões muito difíceis
  264. e acho que ninguém pode afirmar:
  265. "Vou dizer como se fazem
    estes compromissos".
  266. Compreender onde temos a transmissão,
  267. e o facto de os jovens serem infetados
  268. e fazerem parte de uma cadeia
    de transmissão multigeracional,
  269. isso devia ser explicado.
  270. Se olharmos apenas para a saúde,
  271. acabámos com o confinamento
    demasiado cedo.
  272. Mas, em termos de saúde mental,

  273. e procurar coisas normais de saúde
    como vacinas e outros cuidados,
  274. traz benefícios.
  275. Acho que uma parte do desconfinamento
    criou mais riscos que benefícios.
  276. A rapidez com que se abriram os bares,
  277. será essencial para a saúde mental?
  278. Talvez não.
  279. Por isso, acho que não fomos
    sensatos no desconfinamento,
  280. porque tenho a certeza de que,
    à medida que o estudamos,
  281. vamos perceber que havia coisas
    que não devíamos ter permitido tão cedo.
  282. Mas, quando se trata das escolas,
  283. mesmo estando aqui hoje,
  284. o plano exato, para as escolas
    das cidades, no outono,
  285. eu não tenho uma visão preto e branco
  286. acerca dos equilíbrios relativos
    envolvidos aqui.
  287. Há benefícios enormes
    em deixar as crianças ir à escola,

  288. e como avaliamos o risco?
  289. Numa cidade com poucos casos,
  290. diria que o benefício está lá.
  291. Agora, isso significa que
    podíamos ficar surpreendidos.
  292. Os casos podiam aumentar
    e então tínhamos de mudar isso
  293. o que não é fácil.
  294. Mas acho que, nos EUA,
  295. haverá locais onde não haverá
    um bom equilíbrio.
  296. Portanto, quase todas as desigualdades

  297. pioraram com esta doença:
  298. o tipo de emprego, a ligação à Internet,
  299. a capacidade de a escola ensinar "online".
  300. Os trabalhadores de colarinho branco,
  301. as pessoas têm receio de reconhecer,
  302. mas alguns são mais produtivos,
  303. e apreciam a flexibilidade
    que o teletrabalho criou,
  304. e sentimos que isso é terrível
  305. quando pensamos nas pessoas
    que sofrem de tantas maneiras,
  306. incluindo quando
    as suas crianças não vão à escola.
  307. CA: De facto. Passemos à próxima pergunta:

  308. "Para nós, no Ruanda,
  309. "a intervenção política precoce
    fez a diferença.
  310. "Nesta altura, que intervenção política
    sugere agora para os EUA?"
  311. Bill, sonho com o dia
    em que sejas nomeado
  312. o czar do coronavírus
  313. com autoridade para falar ao público.
  314. O que farias?
  315. BG: Bem, as ferramentas de inovação

  316. estão onde eu e a Fundação temos
    provavelmente mais conhecimentos.
  317. Claramente, algumas das políticas,
    de reabertura foram demasiado generosas,
  318. mas acho que todos
  319. podiam empenhar-se nisso.
  320. Precisamos de liderança
  321. para reconhecer que ainda temos
    um grande problema,
  322. e não tornar isso
    numa coisa quase política, tipo:
  323. "Oh, não é brilhante o que fizemos?"
  324. Não, não é brilhante,
  325. mas há muitas pessoas,
    incluindo os especialistas,
  326. há muitos que não perceberam
  327. e todos desejam que,
    qualquer que seja a ação que tomem,
  328. terem-na tomado na semana anterior.
  329. As ferramentas de inovação,
  330. é nisso que a Fundação trabalha:
  331. nos anticorpos, vacinas.
  332. Temos uma profunda especialização,
  333. e está fora do sector privado,
  334. e temos uma espécie de capacidade neutra
    para trabalhar com todos os governos
  335. e empresas para escolher.
  336. Sobretudo quando
    produzimos sem lucro,

  337. qual deles deve receber os recursos?
  338. Não há nenhum sinal de mercado para isso.
  339. Os peritos têm de dizer:
    "OK, este anticorpo merece ser produzido.
  340. "Esta vacina merece ser produzida",
  341. porque temos uma produção limitada
    para ambas as coisas,
  342. e será entre empresas,
    o que nunca acontece num caso normal,
  343. em que uma empresa inventa
  344. e depois usamos
    as fábricas de muitas companhias
  345. para obter a quantidade máxima
    da melhor escolha.
  346. Então, eu estaria
    a coordenar essas coisas,
  347. mas precisamos de um líder
    que nos mantenha atualizados,
  348. seja realista,
  349. e nos mostre o comportamento certo,
  350. e conduza a linha da inovação.
  351. CA: Quero dizer,
    és um mestre em diplomacia

  352. pelo modo como falas do assunto.
  353. Por isso valorizo esse desconforto.
  354. Mas, digamos, falas regularmente
    com o Anthony Fauci,
  355. que é uma voz sensata nesta questão,
    na opinião da maioria.
  356. Mas até que ponto está ele bloqueado?
  357. Ele não pode desempenhar plenamente
  358. o papel que teria nestas circunstâncias.
  359. BG: O Dr. Fauci apareceu onde lhe foi
    permitido ter algum tempo de antena,

  360. e apesar de fazer afirmações realistas,
  361. o prestígio dele ficou intacto.
  362. Ele pode falar daquela maneira.
  363. Tipicamente, o CDC
    seria aqui a principal voz.
  364. Não é absolutamente necessário,
  365. mas em crises sanitárias anteriores,
  366. deixavam os peritos
    dentro do CDC ser essa voz.
  367. Eles são treinados para fazer isso,
  368. e, por isso, é um pouco estranho agora,
    o quanto temos de nos apoiar no Fauci
  369. e não no CDC.
  370. Devia ser o Fauci, que é
    um investigador brilhante,
  371. muito experiente,
    particularmente em vacinas.
  372. De certo modo, ele tornou-se,
    considerando o conselho alargado,
  373. que é o conselho epidemiológico
  374. e explicando-o na forma correta,
  375. em que ele reconhecerá;
  376. "OK, podemos ter aqui um novo recuo,
  377. "e é por isso que precisamos
    de nos comportar desse modo."
  378. Mas é fantástico poder ouvir a voz dele.
  379. CA: Às vezes.

  380. Passemos à próxima pergunta.
  381. Nina Gregory:
    "Como está o Bill e a Fundação
  382. "a lidar com a questão ética relativa
    aos países que recebem a vacina primeiro,
  383. "assumindo que descobrem uma?"
  384. Bill, aproveita este momento
  385. para falar sobre onde estamos
    na procura da vacina
  386. e quais são os aspetos chave
    que devemos considerar,
  387. quando seguimos notícias sobre este tema.
  388. BG: Há três vacinas
    que estão mais avançadas,

  389. se funcionarem:
  390. a da Moderna que, infelizmente, não será
    produzida facilmente em grande escala
  391. e, por isso, se funcionar,
    será sobretudo destinada aos EUA;
  392. depois temos a da AstraZeneca
    que vem de Oxford;
  393. e a da Johnson & Johnson.
  394. Estas são as três mais avançadas.
  395. E temos dados de animais
  396. que parecem potencialmente bons
    mas não são definitivos,
  397. em particular se funcionarão nos idosos,
  398. e teremos dados de seres humanos
    nos próximos meses.
  399. Estas três serão balizadas pelos
    testes de segurança e eficácia.

  400. Isto é, poderemos produzir essas vacinas
  401. mas em menor quantidade do que queremos.
  402. Poderemos produzi-las antes do fim do ano.
  403. Quanto aos testes da Fase 3 resultarem
  404. e ficarem concluídos
    antes do fim do ano,
  405. eu não estaria muito otimista.
  406. É na Fase 3 que temos mesmo de olhar
    para o perfil de segurança e de eficácia,
  407. mas os testes vão começar.
  408. Depois há quatro ou cinco vacinas
    que usam abordagens diferentes
  409. que podem estar três ou quatro meses
    mais atrasadas:
  410. Novavax, Sanofi, Merck.
  411. Portanto, estamos a criar capacidade
    de produção para muitas destas
  412. — neste preciso momento, estão a decorrer
    algumas negociações complexas —
  413. para conseguir fábricas que estarão
    dedicadas aos países mais pobres,
  414. chamados de rendimentos
    médios e baixos.
  415. E é n os projetos mais fáceis
    de produzir em maior escala
  416. — que incluem a AstraZeneca
    e a Johnson & Johnson —
  417. que nos vamos focar,
  418. nos que são baratos,
  419. e podemos construir uma única fábrica
    para produzir 600 milhões de doses.
  420. Portanto, há vários projetos
    de vacinas com potencial.

  421. Não prevejo nada antes do fim do ano,
  422. na melhor das hipóteses.
  423. Neste momento, não passam de projetos,
  424. que normalmente têm
    taxas de insucesso elevadas
  425. CA: Bill, a verdade é que,

  426. se tu e a tua Fundação
    não estivessem envolvidos
  427. a dinâmica de mercado levaria
    provavelmente a uma situação
  428. em que, logo que surgisse
    um candidato promissor a vacina,
  429. os países mais ricos
    iriam simplesmente agarrar,
  430. devorar toda a produção inicial disponível
  431. — demora algum tempo a produzi-las —
  432. e não restaria nada
    para os países pobres.
  433. O que estás efetivamente a fazer
  434. ao dar garantias de produção e capacidade
  435. a alguns destes candidatos,
  436. estás a tornar possível que, pelo menos
    uma parte das primeiras vacinas,
  437. chegue aos países mais pobres.
  438. Está correto?
  439. BG: Bem, não somos só nós, mas sim,

  440. temos aqui um papel central,
  441. juntamente com um grupo que criámos,
  442. o CEPI — Coalition
    for Epidemic Preparedness,
  443. e os líderes europeus concordam com isto.
  444. Nós temos os conhecimentos para olhar
    para cada um dos projetos e dizer:
  445. "OK, onde é que há uma fábrica no mundo
  446. "que tenha a capacidade para a produzir?
  447. "Onde devemos colocar o dinheiro inicial?
  448. "Quais serão os critérios
  449. "que nos levarão a colocar
    o dinheiro noutra?"
  450. Porque há pessoas do setor privado
  451. que realmente percebem deste assunto,
  452. e algumas delas trabalham para nós.
  453. Nós somos um parceiro
    de confiança nestas coisas,
  454. coordenamos muito,
    sobretudo na parte da produção.
  455. Normalmente, esperaríamos que os EUA
    pensassem nisto como um problema global,

  456. e se envolvessem.
  457. Até agora, não foi tomada
    nenhuma iniciativa nesta frente.
  458. Tenho falado com pessoas
    no Congresso e na Administração
  459. sobre quando chegará
    a próxima lei de ajuda
  460. em que, talvez, 1% possa ser
    para as ferramentas
  461. para ajudar o mundo inteiro.
  462. E, por isso, é possível,
  463. mas infelizmente,
  464. há aqui um vazio,
  465. o mundo já não é o que era,
  466. e muitas pessoas estão a intervir
    incluindo a nossa Fundação,
  467. a tentar ter uma estratégia,
  468. incluindo para os países mais pobres,
  469. que irão sofrer uma alta percentagem
    de mortes e efeitos negativos,
  470. incluindo a sobrecarga
    dos seus sistemas de saúde.
  471. A maioria das mortes será
    nos países em desenvolvimento,
  472. apesar do grande número de mortes
    que temos visto na Europa e EUA.
  473. CA: Gostava de ser mosca

  474. e ouvir-te a ti e à Melinda
    falar sobre isto,
  475. porque muitos dos, digamos...
    "crimes" éticos,
  476. executados por líderes
    que deviam ter mais juízo,
  477. uma coisa é não ser um bom exemplo
    na utilização da máscara,
  478. mas não ter um papel
    na ajuda ao mundo
  479. quando se enfrenta um inimigo comum,
  480. responder como uma só Humanidade,
  481. e em vez disso....
  482. catalisar uma confusão
    inconveniente entre nações
  483. lutar pelas vacinas, por exemplo.
  484. Certamente que a História
    irá fazer um julgamento duro.
  485. Isto é revoltante.
  486. Não achas? Escapa-me alguma coisa?
  487. BG: Bem, não é tão linear como isso.

  488. Os EUA já contribuíram com mais dinheiro
  489. para financiar a pesquisa básica
    destas vacinas
  490. do que qualquer outro país,
  491. e essa pesquisa não é restrita.
  492. Não é como uma "realeza" que estipula:
    "Se aceitares o nosso dinheiro,
  493. "tens de pagar 'royalties' aos EUA."
  494. O financiamento da investigação
  495. é feito para toda a gente.
  496. O financiamento das fábricas
    é apenas para os EUA.
  497. O que torna isto difícil é que, em todos
    os outros problemas globais de saúde,
  498. os EUA lideram totalmente
    a erradicação da varíola,
  499. os EUA são os líderes
    na erradicação da poliomielite,
  500. com parceiros chave — CDC, OMS,
    Rotary, UNICEF e a nossa Fundação.
  501. Portanto, o mundo — e no VIH, —
  502. sob a liderança do presidente Bush,
    que era muito bipartidário,
  503. o PEPFAR era inacreditável.
  504. Salvou dezenas de milhões de vidas.
  505. E isso é o que o mundo
    sempre esperou dos EUA,

  506. que, pelo menos, estivesse na liderança,
  507. financeira, estrategicamente,
  508. como se conseguem
    estas fábricas para o mundo,
  509. nem que seja só para evitar
    que a infeção regresse aos EUA
  510. ou para manter
    a economia global a funcionar,
  511. o que é bom para o emprego nos EUA
  512. ter procura fora dos EUA.
  513. O mundo também está numa espécie de
  514. — digamos, há toda esta incerteza
    sobre qual irá resultar,
  515. e ainda a questão
    "OK, quem manda aqui?"
  516. Por isso a pior coisa, a saída da OMS,

  517. é uma dificuldade
    que esperamos seja remediada
  518. mais tarde ou mais cedo,
  519. porque precisamos dessa coordenação
  520. através da OMS.
  521. CA: Passemos a outra pergunta.

  522. Ali Kashani: "Há algum modelo,
    com especial sucesso,
  523. para lidar com a pandemia
    que tenha visto pelo mundo fora?"
  524. BG: Bem, é fascinante que,
    além da resposta antecipada,

  525. há efetivamente medidas,
    nas pessoas que testaram positivo,
  526. monitorizamos a oximetria do pulso,
  527. que é o nível de saturação
    de oxigénio no sangue,
  528. e que é um detetor muito barato.
  529. Assim, sabemos que devemos
    levá-los para o hospital bastante cedo.
  530. Estranhamente, os doentes não sabem
    quando o seu estado se está a agravar.
  531. É uma razão fisiológica interessante
    que não vou abordar.
  532. A Alemanha tem uma taxa
    de mortalidade bastante baixa,
  533. que têm conseguido graças
    a esse tipo de monitorização.
  534. E depois, claro,
    quando chegamos aos hospitais,
  535. aprendemos que o ventilador,
    ainda que muito bem intencionado,
  536. foi usado em demasia
    e da forma errada
  537. naqueles primeiros tempos.
  538. Portanto, a saúde — os médicos
    sabem muito mais sobre o tratamento agora.
  539. A maior parte disto, eu diria, é global.
  540. Usar o oxímetro de pulso como
    indicador precoce,
  541. poderá vir a tornar-se habitual,
  542. mas a Alemanha foi pioneira.
  543. E agora, claro, a dexametasona —
    felizmente é barata e é oral,
  544. e podemos aumentar a produção.
  545. Também é global.
  546. CA: Bill, quero perguntar-te uma coisa:

  547. como tem sido este processo todo
    para ti pessoalmente.
  548. Porque, estranhamente, apesar
    de a tua paixão e boas intenções,
  549. parece óbvio para quem
    tenha estado um momento consigo,
  550. há estas teorias de conspiração
    loucas sobre ti.
  551. Eu confirmei com
    uma empresa chamada Zignal
  552. que monitoriza os espaços
    na comunicação social.
  553. Eles dizem que, até agora,
    acho que apenas no Facebook,
  554. houve mais de quatro milhões
    de publicações
  555. que te associam a uma espécie de teoria
    de conspiração acerca do vírus.
  556. Eu li que houve uma sondagem
    em que 40% dos Republicanos
  557. acreditam que a vacina que irás lançar
  558. vai implantar um "microchip" nas pessoas
    para detetar a sua localização.
  559. Eu nem consigo acreditar
    nos números desta sondagem.
  560. E algumas pessoas estão
    a levar isto muito a sério,
  561. e algumas delas têm circulado
    na Fox News e não só,
  562. algumas pessoas
    levam isto tão a sério
  563. que fazem ameaças bastante horríveis.
  564. Parece que estás a fazer um bom trabalho,
    a relativizar isto, até certo ponto
  565. mas, de facto, quem mais
    esteve alguma vez nesta posição?
  566. Como estás a gerir isto?
  567. Em que tipo de mundo estamos a viver
  568. que deixa esta desinformação
    andar por aí?
  569. Como podemos ajudar a corrigi-la?
  570. BG: Não tenho a certeza.

  571. É uma coisa nova,
  572. e há teorias de conspiração.
  573. A Microsoft teve
    a sua parte de controvérsia,
  574. mas, pelo menos, estava relacionada
    com o mundo real.
  575. O Windows teve
    mais problemas do que devia?
  576. Sim, tivemos problemas de concorrência
  577. mas, pelo menos, eu sabia o que era.
  578. Devo dizer que, quando isso apareceu,
  579. o meu instinto foi brincar com isso.
  580. As pessoas têm dito
    que não foi apropriado,
  581. porque é um assunto muito sério.
  582. As pessoas vão estar
    menos dispostas a levar a vacina.
  583. E, claro, quando tivermos a vacina,
  584. será como as máscaras.
  585. Interessa abranger muitas pessoas,
  586. em particular se for uma vacina
    que impeça a transmissão.
  587. Haverá um grande benefício
    para a comunidade
  588. numa adoção alargada da vacina.
  589. Por isso, estou um pouco indeciso,
  590. sem saber o que dizer ou fazer,
  591. porque a conspiração é algo novo para mim.
  592. O que é que podemos dizer
  593. que não dê credibilidade a isto?
  594. O facto de uma comentadora
    da Fox News, Laura Ingraham,
  595. dizer que eu coloco
    "microchips" nas pessoas
  596. não é assim tão surpreendente
    porque é o que ouviram na televisão.
  597. É uma loucura.
  598. As pessoas estão claramente
    à procura de explicações mais simples
  599. do que ir estudar virologia.
  600. CA: Quero dizer, o TED é apolítico,

  601. mas acreditamos na verdade.
  602. Eu diria o seguinte:
  603. Laura Ingraham, deves ao Bill Gates
    um pedido de desculpas e um desmentido.
  604. Deves mesmo.
  605. E quem estiver a ver isto
  606. e pense, nem que seja por um minuto,
  607. que este homem está envolvido
    numa conspiração,
  608. precisa de um exame à cabeça.
  609. Estás louca.
  610. Muitos de nós conhecemos o Bill há anos
  611. e temos visto a sua paixão e empenho,
  612. para saber que tu estás louca.
  613. Esqueçamos isto
  614. e olhemos para o problema atual
    que é resolver a pandemia.
  615. Francamente,
  616. se alguém aqui na conversa
    tiver uma sugestão,
  617. uma sugestão positiva
  618. para como podemos
    livrar-nos de conspirações,
  619. porque umas alimentam outras.
  620. Agora "Oh, bem, eu diria isso,
    porque faço parte da conspiração,"
  621. ou o que seja.
  622. Como regressamos a um mundo
  623. onde podemos confiar na informação?
  624. Temos de ser melhores nisso.
  625. Há outras perguntas da comunidade?
  626. Aria Bendix de Nova Iorque:
  627. "Qual é a sua recomendação pessoal
    para quem quer reduzir
  628. "o risco de infeção
    com o aumento de casos?"
  629. BG: Bem, é excelente se tiver um trabalho

  630. em que possa ficar em casa
    e fazê-lo através de reuniões virtuais,
  631. e mesmo uma parte da sua vida social,
  632. por exemplo, eu faço
    videochamadas com muitos amigos.
  633. Tenho amigos na Europa que
    não sei quando poderei ver,
  634. e marcamos chamadas regulares para falar.
  635. Se ficar bastante isolada,
  636. não corre grande risco.
  637. É quando nos juntamos
    a muitas outras pessoas,
  638. tanto no trabalho como na socialização,
  639. que criamos esse risco
  640. em particular, nas comunidades
    com um aumento de casos,
  641. mesmo que não venha a ser obrigatório,
  642. espero que os números da mobildiade
    mostrem as pessoas a corresponder
  643. e a minimizar esses contactos
    fora de casa.
  644. CA: Bill, será que te posso pedir

  645. que fales um pouco de filantropia.
  646. Obviamente, a tua fundação
    tem tido um papel enorme nisto,
  647. mas a filantropia em termos mais gerais.
  648. Começou o movimento Giving Pledge,
  649. recrutou todos esses multimilionários
  650. que se comprometeram
    a dar metade da sua fortuna
  651. antes ou depois da morte.
  652. Mas é mesmo difícil.
  653. É difícil dar tanto dinheiro.
  654. Tu próprio, creio,
  655. desde que o Giving Pledge começou
  656. — quando? Há 10 anos ou assim,
    não sei bem quando —
  657. mas creio que a tua fortuna
    duplicou desde essa altura
  658. apesar de seres o maior filantropo
    a nível mundial.
  659. Será que é de facto difícil dar dinheiro
  660. para tornar o mundo melhor?
  661. Ou os doadores mundiais,
  662. em especial os doadores
    realmente ricos,
  663. deviam comprometer-se
    com um calendário,
  664. como, "aqui está uma percentagem
    da minha fortuna, em cada ano,
  665. "e à medida que envelheço,
  666. "pode aumentar.
  667. "Se eu levar isto a sério,
  668. "tenho de dar — de algum modo,
    tenho de encontrar uma forma
  669. "de o fazer de forma eficaz."
  670. Esta é uma pergunta louca e injusta?
  671. BG: Bem, seria ótimo subir a percentagem,

  672. e o nosso objetivo,
    na Fundação Gates e na Giving Pledge,
  673. é ajudar as pessoas a encontrar
    causas com que tenham ligação.
  674. As pessoas dão por paixão.
  675. Sim, os números são importantes,
  676. mas há por aí tantas causas.
  677. A forma como vais escolher é,
    se vires alguém doente,
  678. vês alguém
    que não tem apoio social,
  679. vês algo que ajuda a reduzir o racismo.
  680. Ficas muito entusiasmado e,
    por isso, doas para essas causas.
  681. E, claro,
  682. algumas ofertas filantrópicas
    não resultam.
  683. Precisamos de aumentar
    a ambição dos filantropos.
  684. Agora, a filantropia colaborativa
  685. que estamos a tentar facilitar
    através do projeto Audacious
  686. — há mais quatro ou cinco grupos,
    que estão a juntar filantropos —
  687. é fantástica,
  688. porque eles aprendem uns com os outros,
  689. ganham confiança com os outros
    e dizem:
  690. "Eu dou x, e há mais quatro
    que contribuem
  691. "por isso conseguimos maior impacto"
  692. e felizmente, podem ter prazer
    mesmo quando descobrem,
  693. "OK, aquela doação particular
    não resultou muito bem,
  694. "mas continuemos."
  695. Portanto, filantropia, sim,
  696. gostava de ver a taxa subir,
  697. e as pessoas que continuam,
  698. é engraçado,
  699. é gratificante,
  700. escolhemos que membros
    da família participam.
  701. No meu caso, a Melinda e eu
    adoramos fazer isto juntos,
  702. aprender juntos.
  703. Algumas famílias vão até envolver
    as crianças nas atividades,
  704. por vezes as crianças pressionam.
  705. Quando se tem muito dinheiro,

  706. ainda se pensa num milhão de dólares
    como muito dinheiro,
  707. mas se tivermos milhares de milhões,
  708. devíamos dar centenas de milhões.
  709. Por isso, é de certa forma encantador,
    em termos do gasto pessoal,
  710. ficamos no nível onde estávamos antes.
  711. Socialmente é muito conveniente.
  712. Mas quando doamos,
    precisamos de aumentar a escala
  713. ou será o nosso testamento
  714. e não poderemos modelá-lo
    e apreciá-lo da mesma forma.
  715. Por isso, sem...
  716. — não o queremos obrigar —
  717. mas sim, tu e eu
    queremos inspirar filantropos
  718. para ver essa paixão,
    para ver essas oportunidades
  719. bastante mais rapidamente
    do que no passado,
  720. porque quer seja uma raça ou uma doença,
    ou todos os outros problemas sociais,
  721. a inovação onde a filantropia
    pode chegar e fazer depressa,
  722. se resultar, o governo
    pode vir atrás e ampliar.
  723. Deus sabe que precisamos de soluções,
  724. precisamos de esperança e progresso
  725. as expetativas são altas,
  726. que irão resolver problemas
    muito difíceis.
  727. CA: A maioria dos filantropos,
    mesmo os melhores,

  728. acham difícil dar mais do que
    uma percentagem da fortuna todos os anos,
  729. e, contudo, os mais ricos do mundo
    têm muitas vezes acesso
  730. a grandes oportunidades de investimento.
  731. Muitos estão a ganhar riqueza
    7 a 10% mais em cada ano.
  732. Não será que, para
    ter uma oportunidade real,
  733. de dar metade da fortuna,
  734. chega-se a um ponto, em que
    é necessário planear dar 5, 6, 7, 8,
  735. 10% da fortuna anualmente?
  736. E não é essa a lógica
    do que devia estar a acontecer?
  737. BG: Sim, há pessoas como
    Chuck Feeney,

  738. que deu um bom exemplo
    e deu todo o seu dinheiro.
  739. Até a Melinda e eu debatemos
    se devíamos aumentar a taxa que damos.
  740. Como dizes, temos tido muita sorte
    do lado do investimento,
  741. através de várias coisas.
  742. As fortunas de tecnologia
    têm-se saído bem,
  743. mesmo este ano,
  744. que é um daqueles grandes contrastes
  745. do que se passa no mundo.
  746. E acho mesmo que há uma expetativa
    que devíamos acelerar,
  747. e há uma razão para acelerar.
  748. O governo vai falhar
    numa série de necessidades.
  749. Sim, há toneladas de
    dinheiro do governo por aí,
  750. mas ajudar a que seja bem gasto,
  751. ajudar a encontrar lugares,
    não é interferir
  752. e se as pessoas estão dispostas a dar
    aos países em desenvolvimento,
  753. eles não têm governos
  754. que possam imprimir cheques
    de 15% do PIB,
  755. e, por isso, o sofrimento genericamente,
    a questão económica por si só,
  756. pondo a pandemia de lado,
  757. é trágico.
  758. É um retrocesso de cerca de cinco anos
  759. em termos do avanço
    destes países,
  760. e em poucos casos, é tão duro
    que a própria estabilidade do país
  761. está em causa.
  762. CA: Bom, Bill,

  763. Tenho grande admiração pelo que
    tu e a Melinda fizeram.
  764. Percorres este caminho apertado
  765. de tentar gerir tantas coisas diferentes,
  766. e o tempo que dedicas
    à melhoria do mundo em geral,
  767. e sem dúvida, o dinheiro
  768. e a paixão que aí colocas
  769. — é fantástico.
  770. Estou-te muito grato
    por teres estado este tempo connosco.
  771. Muito obrigado,
  772. e honestamente, o resto do ano,
  773. as tuas capacidades e recursos
    vão ser mais necessários do que nunca,
  774. por isso, boa sorte.
  775. BG: Obrigado.

  776. O trabalho é divertido e estou otimista.
    Obrigado, Chris.