Portuguese, Brazilian subtitles

← Como a pandemia moldará o futuro próximo

Get Embed Code
36 Languages

Showing Revision 60 created 08/11/2020 by Maricene Crus.

  1. Chris Anderson: Bem-vindo, Bill Gates.
  2. Bill Gates: Obrigado.
  3. CA: É ótimo ter você aqui, Bill.
  4. Tivemos uma conversa TED
    há cerca de três meses
  5. sobre esta pandemia,
  6. acho que foi no final de março,
  7. nessa altura, menos de mil pessoas
    haviam morrido nos EUA
  8. e menos de 20 mil em todo o mundo.
  9. Agora são cerca de 128 mil mortos nos EUA
  10. e mais de meio milhão em todo o mundo,
  11. dentro de três meses.
  12. Três meses!
  13. Qual é o seu diagnóstico
    para o restante deste ano?
  14. Você analisa muitos padrões.
  15. Na sua opinião, quais são
    os melhores e piores cenários?
  16. BG: Infelizmente, a variedade
    de cenários é enorme,

  17. considerando que,
    quando entrarmos no outono,
  18. podemos ter taxas de mortalidade
    que rivalizem com o pior do que tivemos
  19. no período de abril.
  20. Se muitos jovens forem infectados,
  21. eles vão acabar infectando
    idosos novamente,
  22. e assim teremos o vírus
    nas casas de repouso,
  23. nos abrigos para sem-teto,
  24. em lugares onde já tivemos
    muitas mortes no país.
  25. O caminho da inovação,
    que provavelmente alcançaremos
  26. com diagnósticos, terapêutica, vacinas,
  27. apresenta um bom progresso,
  28. mas nada que alteraria
    fundamentalmente o fato
  29. de que este outono nos EUA
    poderia ser muito ruim,
  30. e é pior do que eu teria
    esperado ver há um mês,
  31. o nível de alta mobilidade
    que voltamos a assumir,
  32. sem o uso da máscara,
  33. e agora o vírus chegou a muitas cidades
  34. onde não havia estado antes
    de forma significativa,
  35. então esse será um desafio.
  36. Não há indicação de que chegamos
    muito abaixo da taxa de mortalidade atual

  37. de cerca de 500 mortes por dia,
  38. mas há um risco significativo
    de que poderia aumentar
  39. aos mesmos 2 mil por dia
    que tínhamos antes,
  40. pois não temos mantido
    o mesmo distanciamento,
  41. a mesma mudança de comportamento
    que mantivemos em abril e maio.
  42. E sabemos que esse vírus
    é um tanto sazonal,
  43. então o poder de infecção,
  44. seja pela temperatura, umidade,
    ou mais tempo dentro de casa,
  45. será pior quando entrarmos no outono.
  46. CA: Existem cenários nos EUA,

  47. os quais, se extrapolarmos
    esses números adiante,
  48. acabamos com mais
    de 250 mil mortes, talvez,
  49. ainda neste ano, se não tivermos cuidado,
  50. e em todo o mundo,
  51. o número de mortos até o final do ano
    poderia ficar na casa dos milhões.
  52. Existe evidência de que temperaturas
    mais quente do verão
  53. estejam, na verdade, nos ajudando?
  54. BG: Não se pode afirmar isso com certeza,

  55. mas o padrão IHME definitivamente
    queria usar essa estação,
  56. incluindo a temperatura e a umidade,
  57. para tentar explicar por que maio
    não foi pior que o previsto.
  58. Com isso, conforme saímos
    e a mobilidade aumentou,
  59. os padrões eram de mais infecções
    e mortes por conta disso,
  60. mas o padrão continuou repetindo
  61. que era preciso usar essa sazonalidade
  62. para entender por que maio e junho
    não foram piores do que o esperado.
  63. E quando observamos o Hemisfério Sul,

  64. o Brasil, por exemplo,
  65. que está na estação oposta,
  66. agora toda a América do Sul
    está tendo uma crescente epidemia.
  67. A África do Sul apresenta
    uma epidemia de crescimento rápido.
  68. Felizmente, a Austrália e a Nova Zelândia,
    os últimos países no Hemisfério Sul,
  69. têm uma contagem de casos bem baixa,
  70. e, apesar de eles precisarem
    continuar combatendo a doença,
  71. se eles por exemplo, têm dez casos,
  72. o que consideram um problema sério,
    eles tratam de lidar com isso.
  73. Eles são esses países incríveis
    que conseguiram baixar tanto seus números
  74. que o teste, a quarentena e o rastreamento
  75. estão funcionando para combater
    e manter os casos bem próximos de zero.
  76. CA: Ajudou talvez o fato
    de serem mais fáceis de se isolar

  77. e por terem uma densidade
    populacional menor.
  78. Mesmo assim,
    políticas inteligentes ajudaram.
  79. BG: Sim, tudo é tão exponencial

  80. que um pouco de boas políticas
    faz uma grande diferença.
  81. Não é um jogo linear.
  82. O rastreamento de contatos, se você tiver
    o número de casos que temos nos EUA,
  83. é muito importante de ser feito,
    mas não nos levará de volta ao zero.
  84. Ele nos ajudará a diminuir os casos,
    mas os números são incontroláveis.
  85. CA: Certo, em maio e junho nos EUA,

  86. os números foram um pouco melhores
    que alguns dos padrões previstos,
  87. e a hipótese é a de que isso
    se deve em parte ao clima quente.
  88. Pelo que estamos observando,
    você descreveria
  89. como um aumento muito alarmante
    no número de casos nos EUA?
  90. BG: Isso mesmo.

  91. Na área de Nova York, por exemplo,
  92. os casos continuam diminuindo um pouco,
  93. mas em outras partes do país,
  94. principalmente na região Sul agora,
  95. vemos aumentos se equiparando,
  96. e taxas de jovens com teste positivo
  97. superiores ao que vimos até mesmo
    em algumas das áreas mais afetadas.
  98. Claramente, os jovens
    voltaram à mobilidade
  99. mais do que os idosos,
  100. então a estrutura etária
    agora é bem jovem,
  101. mas, por causa de familiares
    agregados multigeracionais,
  102. as pessoas trabalham em casas de repouso,
  103. infelizmente, isso vai
    fazer o caminho de volta,
  104. tanto o atraso no tempo
    quanto a transmissão até os idosos,
  105. o que trará de volta o aumento
    da taxa de mortalidade.
  106. Ela está bem mais abaixo
  107. dos anteriores 2 mil
    para os atuais 500 casos.
  108. CA: E será que isso se dá em parte
    porque há um atraso de três semanas

  109. entre os números de casos
    e os de fatalidades?
  110. E será também em parte
    por ter havido intervenções eficazes,
  111. e estamos vendo a possibilidade
  112. de que a taxa geral de fatalidade
    esteja caindo um pouco agora
  113. que adquirimos um conhecimento maior?
  114. BG: Sim, certamente
    a taxa de mortalidade é sempre menor

  115. quando não estamos sobrecarregados.

  116. Quando estavam sobrecarregados na Itália,
  117. na Espanha, até em Nova York no início,
  118. e certamente na China,
  119. não havia condições
    de fornecer sequer o básico,
  120. o oxigênio e outros itens.
  121. Um estudo que nossa fundação
    financiou no Reino Unido
  122. descobriu o único medicamento
    além do remdesivir,
  123. que é uma terapêutica comprovada,
  124. a dexametasona,
  125. a qual, para pacientes graves,
  126. representa cerca de 20%
    de redução de mortes,
  127. e ainda há muito para acontecer
    nesse sentido.
  128. A hidroxicloroquina
    nunca estabeleceu resultados positivos;

  129. não há mais nada a fazer quanto a isso.
  130. Existem alguns experimentos em andamento,
  131. mas considerando tudo
    que está sendo testado,
  132. incluindo os anticorpos monoclonais,
  133. teremos algumas ferramentas
    adicionais para o outono.
  134. Então, quando falamos
    sobre taxas de mortalidade,
  135. a boa notícia é que já fizemos progresso
  136. e faremos mais ainda mesmo no outono.
  137. Devemos começar a ter
    anticorpos monoclonais,
  138. o tratamento que mais me deixa animado.
  139. CA: Nos fale sobre isso em breve,

  140. mas apenas para concluir
    sobre as taxas de mortalidade:
  141. num sistema de saúde que funcione bem,
  142. por exemplo, quando os hospitais
    nos EUA não estão superlotados,
  143. na sua opinião,
  144. quais são, aproximadamente,
    os números atuais de fatalidade,
  145. como uma porcentagem do total de casos?
  146. Estamos bem abaixo de 1%, talvez?
  147. BG: Se todos os casos
    foram encontrados, sim,

  148. estamos bem abaixo de 1%.
  149. Estão considerando 0,4% a 0,5%.
  150. Quando consideramos os assintomáticos,
  151. provavelmente ficamos abaixo de 0,5%,
  152. e essa é uma boa notícia.
  153. Esta poderia ter sido uma doença
    com 5% de mortalidade.
  154. As dinâmicas de transmissão dessa doença
  155. são mais complexas
  156. do que até mesmo especialistas previram.
  157. Por exemplo, o número de contaminações
    pré-sintomáticas e assintomáticas,
  158. e o fato de não haver tosse envolvida,
    o que sinalizaria um dos sintomas,
  159. já que a maioria das doenças
    respiratórias provoca a tosse,
  160. não há tosse nesta doença
    nos estágios iniciais.
  161. Você pode estar cantando,
    rindo, conversando,
  162. e particularmente as pessoas
    com cargas virais muito altas,
  163. são as que causam esse contágio,
    e isso ainda é muito novo.
  164. Mesmo os especialistas dizem:
    "Nossa, isso nos pegou de surpresa".
  165. O número de contaminações assintomáticas
    e o fato de não haver tosse
  166. e ela não ser um sintoma importante
    como na gripe ou na tuberculose.
  167. CA: Essa é a astúcia diabólica do vírus.

  168. Qual é a porcentagem total
    de contaminação assintomática?
  169. Ouvi dizer que até mesmo
    metade de todas as contaminações
  170. poderiam ser basicamente pré-sintomáticas.
  171. BG: Sim, se contarmos os pré-sintomáticos,

  172. a maioria dos estudos mostra até 40%,
  173. e também temos os assintomáticos.
  174. A quantidade de vírus que infecta o trato
    superior do sistema respiratório
  175. é um tanto desconexa.
  176. Alguns terão muitos vírus nessa região
    e bem poucos nos pulmões,
  177. e os que chegam aos pulmões
    causam sintomas muito ruins,
  178. e em outros órgãos também,
    mas principalmente nos pulmões,
  179. e é quando se deve procurar tratamento.
  180. O pior caso em termos de contaminação
  181. é alguém que tem muitos vírus
    no trato respiratório superior
  182. mas quase nenhum nos pulmões,
  183. ele não procura por cuidados.
  184. CA: Certo.

  185. E assim, se adicionarmos pessoas
    assintomáticas às pré-sintomáticas,
  186. então mais de 50% da contaminação
  187. é, na verdade, feita por
    pessoas assintomáticas?
  188. BG: Sim, a contaminação
    fica mais difícil de ser medida.

  189. Nós vemos certos surtos,
  190. mas essa é uma grande questão
    em relação à vacina:
  191. será que, além de evitar
    que você fique doente,
  192. que é o que será testado,
  193. ela também vai impedir
    que você transmita o vírus?
  194. CA: Essa vacina é algo importante
    e vamos falar sobre isso.

  195. Mas antes, houve quaisquer
    outras surpresas nos últimos meses
  196. que descobrimos sobre esse vírus
  197. que impactam o modo
    como devemos confrontá-lo?
  198. BG: Ainda não conseguimos
    definir o perfil dos indivíduos

  199. com forte potencial de contaminação
    e talvez jamais consigamos.
  200. Talvez seja algo bem aleatório.
  201. Se pudéssemos identificá-los,
  202. eles são responsáveis
    por boa parte da contaminação,
  203. indivíduos com cargas virais muito altas.
  204. Infelizmente, ainda não descobrimos isso.
  205. Esse modo de contaminação,
  206. se você está numa sala mas ninguém fala,
  207. há bem menos contaminação.
  208. Em parte é por isso que, embora o vírus
    possa ser transmitido em aviões,
  209. não é tanto pela duração
    do contato ou pela proximidade,
  210. mas porque, ao contrário de cantar
    num coral ou estar num restaurante,
  211. a pessoa não exala ar ao falar alto
  212. tanto quanto em outros ambientes internos.
  213. CA: O que acha da ética de alguém
    que esteja viajando de avião

  214. e se recusa a usar uma máscara?
  215. BG: Se for um jato particular, tudo bem.

  216. Se houver outros passageiros no avião,
  217. significaria colocá-los em risco.
  218. CA: No início da pandemia,

  219. a OMS não aconselhou o uso de máscaras.
  220. Estavam preocupados que elas fariam falta
    aos prestadores de serviços médicos
  221. da linha de frente.
  222. Em retrospecto, esse foi
    um erro terrível que cometeram?
  223. BG: Sim.

  224. Todos os especialistas
    sentem-se culpados...
  225. a importância das máscaras
    está ligada aos assintomáticos;
  226. se alguém apresenta muitos sintomas,
  227. como foi com o ebola,
  228. então fica evidente e ele é isolado,
  229. e assim não há necessidade
    do uso da máscara.
  230. Nesse caso, o fato de a máscara cirúrgica
    fazer parte de uma cadeia de distribuição
  231. diferente das máscaras normais,
  232. e de podermos aumentar bastante
    a produção das máscaras normais,
  233. e que iria impedir que a transmissão
    do pré-sintomático e do assintomático,
  234. foi um erro!
  235. Mas não uma conspiração.
  236. Sabemos mais a respeito agora.
  237. Ainda assim, nosso nível de erro quanto
    ao benefício das máscaras são mais altos
  238. do que gostaríamos de admitir,
    mas já é um benefício significativo.
  239. CA: Temos algumas perguntas da comunidade.

  240. Jim Pitofsky: "Você acha que os esforços
    de reabertura foram prematuros nos EUA,
  241. e se foram, até onde podemos avançar para
    enfrentar a pandemia de modo responsável?"
  242. BG: Bem, a pergunta sobre o equilíbrio

  243. entre os benefícios, digamos,
    de voltar às aulas na escola
  244. versus o risco de as pessoas
    ficarem doentes se fizerem isso
  245. são questões muito difíceis
  246. que, a meu ver, ninguém poderia dizer
  247. que realmente sabe como resolver.
  248. O entendimento de onde
    a contaminação acontece,
  249. e o fato de que os jovens se contaminam
  250. e podem transmitir o vírus
    para outras gerações,
  251. deveríamos desconsiderar isso.
  252. Se observarmos o aspecto da saúde,
  253. a reabertura foi generosa demais.
  254. Mas, a abertura em termos de saúde mental

  255. e a busca de aspectos normais de saúde
    como vacinas ou outros cuidados,
  256. trazem benefícios.
  257. Acho que alguns aspectos da reabertura
    tenham criado mais risco do que benefício.
  258. Reabrir bares tão rápido como aconteceu
    era mesmo crucial para a saúde mental?
  259. Talvez não.
  260. Então não acho que temos sido
    muito rigorosos com a reabertura,
  261. assim como tenho certeza,
  262. conforme estudamos isso,
  263. que vamos perceber que alguns lugares
    não deviam ter sido reabertos tão rápido.
  264. Mas aí temos as escolas,
  265. que, mesmo considerando hoje,
  266. o plano exato de reabrir escolas
    dos bairros mais pobres no outono,
  267. não me parece uma questão simples
  268. alcançar um equilíbrio
    entre benefício e risco envolvidos nisso.
  269. Existem enormes benefícios em deixar
    essas crianças irem para a escola,

  270. e como avaliamos o risco?
  271. Numa cidade com poucos casos,
  272. eu diria que isso é um benefício.
  273. Mas isso significa que podemos
    ser surpreendidos.
  274. Os casos podem aparecer,
    e então teríamos que mudar isso,
  275. o que não é fácil.
  276. Mas acho que por todos os EUA,
  277. haverá lugares onde esse tipo de coisa
    não será uma boa escolha.
  278. Então, quase qualquer
    dimensão de desigualdade

  279. que essa doença tenha piorado:
  280. tipo de trabalho, conexão à internet,
  281. a capacidade da escola
    de oferecer o aprendizado on-line.
  282. Pessoas que podem trabalhar de casa,
  283. e algumas têm vergonha de admitir isso,
  284. são mais produtivas
  285. e aproveitam a flexibilidade
    que o trabalho em casa tem proporcionado,
  286. e isso parece terrível,
  287. porque sabemos que muitos estão sofrendo
    com isso de várias maneiras,
  288. principalmente porque os filhos deles
    não podem ir pra escola.
  289. CA: É verdade. Próxima pergunta.

  290. Nathalie Munyampenda: "Em Ruanda,
    as intervenções políticas precoces
  291. fizeram a diferença.
  292. Neste momento, quais intervenções
    políticas você sugere para os EUA?"
  293. Bill, eu sonho com o dia
    em que você será nomeado
  294. o czar do coronavírus
  295. com autoridade para se dirigir ao público.
  296. O que você faria?
  297. BG: As ferramentas de inovação

  298. são, provavelmente, o maior conhecimento
    que eu e a fundação temos a oferecer.
  299. Obviamente, algumas das políticas
    na reabertura foram generosas demais,
  300. mas acho que todo mundo
  301. poderia se envolver nisso.
  302. Precisamos de liderança
  303. que admita que ainda temos
    um grande problema a resolver
  304. e não tornar isso algo político
  305. assumindo que foi uma decisão genial.
  306. Não, não foi genial,
  307. mas há muitas pessoas,
    incluindo os especialistas,
  308. que não entenderam muita coisa
  309. e todos gostariam que qualquer ação
    que eles tenham tomado,
  310. tivesse sido tomada uma semana antes.
  311. O trabalho da Fundação Gates
    está nas ferramentas de inovação,
  312. na criação de anticorpos, vacinas...
  313. Temos profunda experiência,
  314. e isso está além do setor privado,
  315. por isso temos uma capacidade neutra
    de trabalhar com todos os governos
  316. e com as empresas que escolhermos.
  317. E quando se trabalha
    com produtos de ponto de equilíbrio,

  318. qual deles deve obter recursos?
  319. Não há sinal de mercado para isso.
  320. Especialistas devem dizer qual anticorpo
    ou qual vacina merecem ser fabricados,
  321. porque temos uma fabricação
    muito limitada para ambos,
  322. e será entre empresas,
    o que normalmente nunca acontece.
  323. Num geral, uma empresa o inventa
  324. e aí usamos as fábricas de muitas empresas
  325. pra obter o maior volume da melhor opção.
  326. Eu coordenaria esse tipo de coisa,
  327. mas precisamos de um líder
    que nos mantenha atualizados,
  328. que seja realista
  329. e nos mostre o comportamento correto,
  330. além de impulsionar o caminho à inovação.
  331. CA: Você precisa ter muita diplomacia
    ao falar sobre esse tipo de assunto.

  332. Posso quase perceber seu desconforto.
  333. Você fala regularmente com Anthony Fauci,
  334. que é uma voz sábia a respeito disso
    na opinião da maioria das pessoas.
  335. Mas até que ponto ele está de mãos atadas?
  336. Ele não tem permissão
    para desempenhar o papel
  337. que ele poderia nessa circunstância.
  338. BG: O Dr. Fauci falou nos canais
    que ele foi autorizado a ter oportunidade,

  339. e mesmo que ele estivesse
    falando a realidade,
  340. o prestígio dele veio para ficar.
  341. Ele pode se expressar dessa maneira.
  342. Normalmente,
  343. o Centro de Controle de Doenças,
    o CDC, seria a voz principal aqui.
  344. Não que seja necessário,
  345. mas em crises de saúde anteriores,
  346. eram os especialistas
    dentro do CDC que falavam.
  347. Eles são treinados para isso,
  348. e por isso é um pouco incomum
    o quanto tivemos que confiar no Dr. Fauci
  349. e não no CDC.
  350. Deveria ser o Dr. Fauci,
    que é um pesquisador genial,
  351. muito experiente,
    principalmente com vacinas.
  352. De certa forma, ele tomou a palavra,
    usando o conselho mais amplo,
  353. ou seja, o da epidemiologia,
  354. e explicando da maneira correta,
  355. quando ele admite que podemos
    voltar a ter um aumento nos casos,
  356. e é por isso que precisamos
    nos comportar de tal maneira.
  357. Mas é fantástico que ele tenha tido
    autorização para falar.
  358. CA: Às vezes.

  359. Vamos à próxima pergunta.
  360. (Risos)
  361. Nina Gregory: "Como você e sua fundação
    estão abordando as questões éticas
  362. sobre quais países devem
    receber a vacina primeiro,
  363. caso vocês descubram uma?"
  364. Bill, use o momento para falar sobre
    os progressos na busca pela vacina
  365. e quais são alguns dos principais pontos
    que todos deveríamos considerar
  366. enquanto acompanhamos
    as notícias sobre o assunto.
  367. BG: Existem três vacinas que,
    se funcionarem, serão as primeiras:

  368. a Moderna, que infelizmente,
    não será produzida facilmente,
  369. então, se funcionar, será direcionada
    principalmente aos EUA;
  370. depois temos a AstraZeneca,
    que vem de Oxford;
  371. e a Johnson e Johnson.
  372. Essas são as três primeiras.
  373. E temos dados em animais
  374. que parecem potencialmente bons,
  375. mas não são definitivos,
  376. em particular, se a vacina
    funcionará nos idosos.
  377. E, para elas, teremos dados de testes
    em humanos nos próximos meses.
  378. Essas três serão restritas
    pelo estudo de segurança e eficácia.

  379. Ou seja, conseguiremos fabricá-las,
    embora não tantas quanto queremos,
  380. mas serão fabricadas
    antes do final do ano.
  381. Se a Fase 3 vai ser bem-sucedida
    e completada antes do final do ano,
  382. eu não seria tão otimista sobre isso.
  383. Essa é a fase na qual os perfis
    de segurança e eficácia
  384. precisam ser observados,
    mas eles serão iniciados.
  385. E depois há quatro ou cinco vacinas
    com abordagens diferentes
  386. que estão uns três ou quatro meses atrás:
  387. Novavax, Sanofi, Merck.
  388. Estamos financiando a capacidade
    da fábrica para muitas delas.
  389. Algumas negociações complexas
    estão ocorrendo no momento,
  390. para conseguirmos fábricas que produzirão
    para os países mais pobres,
  391. aqueles de baixa e média renda.
  392. E vamos nos concentrar
    em produtos mais escaláveis
  393. que incluem AstraZeneca
    e Johnson e Johnson,
  394. os custos deles são menores
  395. e é possível construir uma única fábrica
    que produza 600 milhões de doses.
  396. Portanto, existem várias
    possibilidades para vacina,

  397. mas nada que possa ser concluído
    antes do final do ano.
  398. Essa é realmente a melhor chance,
  399. e agora se resumem a algumas opções,
  400. nas quais, normalmente, existem
    grandes chances de fracasso.
  401. CA: Bill, esse é o caso

  402. que, se você e sua fundação
    não tivessem entrado em cena,
  403. a dinâmica do mercado provavelmente
    levaria a uma situação
  404. na qual, assim que um candidato
    promissor à vacina surgisse,
  405. os países mais ricos
    basicamente iriam devorar
  406. todo o suprimento inicial disponível?
  407. Levaria pouco tempo para fabricá-las,
  408. e não restaria nada
    para os países mais pobres.
  409. Mas, efetivamente, ao dar garantias
    e capacidade de fabricação
  410. para alguns desses candidatos,
  411. você está possibilitando que ao menos
    algumas das primeiras unidades vacinais
  412. irão para os países mais pobres?
  413. É isso?
  414. BG: Não se trata apenas de nós,

  415. mas sim, temos um função central lá,
  416. juntamente com um grupo
    que criamos, o CEPI,
  417. Coligação para Inovações
    de Preparação para Epidemias,
  418. e os líderes europeus concordam com isso.
  419. Agora, nós temos a experiência
    para observar cada uma das vacinas
  420. e perguntar: "Onde existe uma fábrica
    com a capacidade pra produzir essa vacina?
  421. Em qual delas devemos injetar
    o dinheiro adiantado?
  422. Quais deveriam ser os avanços
  423. para que possamos passar a injetar
    dinheiro numa outra fábrica?"
  424. Algumas pessoas do setor privado,
  425. que realmente entendem desse assunto,
  426. trabalham para nós
  427. e somos uma parte confiável nisso;
  428. somos nós que coordenamos muito disso,
    particularmente a fabricação.
  429. Normalmente, espera-se que os EUA
    encarem isso como um programa global
  430. e se envolvam.

  431. Até agora,
  432. não houve nenhuma atividade nessa frente.
  433. Tenho discutido com membros
    do Congresso e do governo
  434. sobre o próximo projeto de lei
    para a ajuda econômica
  435. que poderia, talvez, direcionar 1% disso
    para as ferramentas que ajudariam
  436. o mundo todo.
  437. Então é possível,
  438. mas é uma pena,
  439. e esse vácuo aqui é que o mundo
    não está tão acostumado com isso,
  440. e muitos estão se posicionando,
    inclusive a nossa fundação,
  441. pra tentar ter uma estratégia
    que inclua países mais pobres,
  442. os quais sofrerão uma alta taxa
    das mortes e efeitos negativos,
  443. como seus sistemas de saúde
    sendo sobrecarregados.
  444. A maioria das mortes acontecerá
    nos países em desenvolvimento,
  445. apesar do enorme número de mortes
    que vimos na Europa e nos EUA.
  446. CA: Gostaria de ser uma mosca pra ouvir
    você e a Melinda falando sobre isso,
  447. por causa de todos
    os "crimes" éticos, digamos,

  448. executados por líderes
    que deveriam ser mais sensatos.
  449. Uma coisa é não dar
    o exemplo usando máscara,
  450. mas não desempenhar um papel
    na ajuda ao restante do mundo
  451. quando confrontado com um inimigo comum,
    respondendo como uma humanidade,
  452. e ao invés disso,
  453. encorajar uma disputa indecente entre
    nações na luta por vacinas, por exemplo.
  454. A História, certamente,
    irá julgar isso severamente.
  455. Isso é simplesmente doentio, não é?
  456. Ou entendi tudo errado?
  457. BG: Bem, não é tão simples assim.
  458. Os EUA investem mais dinheiro
    que qualquer outro país

  459. para financiar a pesquisa básica
    dessas vacinas,
  460. e essa pesquisa não é restrita.
  461. Não há nenhum direito de acesso que diz:
  462. "Se vocês aceitarem nosso dinheiro,
    terão que pagar pelos direitos aos EUA".
  463. O financiamento das pesquisas
    vai para todo mundo,
  464. mas o financiamento das fábricas
    vai apenas para os EUA.
  465. O problema é que, em qualquer
    outro assunto de saúde global,
  466. por exemplo, os EUA lideram
    totalmente a erradicação da varíola,
  467. e são o líder absoluto
    na erradicação da poliomielite,
  468. com os principais parceiros: CDC, OMS,
    Rotary, UNICEF e a nossa fundação.
  469. E também o HIV,
  470. sob a liderança do presidente Bush,
    mas foi algo muito bipartidário,
  471. algo chamado PEPFAR, foi inacreditável.
  472. Salvou dezenas de milhões de vidas.
  473. O mundo sempre esperou que os EUA
    estivessem à frente das negociações
  474. no financiamento, na estratégia,
    tentando obter fábricas para o mundo,

  475. mesmo que fosse para evitar
    que a infecção voltasse aos EUA
  476. ou pra manter a economia global ativa,
  477. o que é bom para empregos nos EUA
    para ter demanda vinda do exterior.
  478. Então, existe toda essa incerteza
    sobre o que vai funcionar
  479. e decidir quem está no comando.
  480. A retirada da OMS, é uma dificuldade
  481. que esperamos ser remediada
    em algum momento,
  482. pois precisamos dessa coordenação
    através da OMS.

  483. CA: Vamos a outra pergunta.
  484. Ali Kashani: "Existem outros padrões
    particularmente bem-sucedidos
  485. de como lidar com uma pandemia
    que você já tenha visto pelo mundo?"

  486. BG: É fascinante que,
    além de ação precoce,
  487. observamos em pessoas com teste positivo
    que tiveram a pulsação monitorada
  488. ou seja, o nível de saturação
    de oxigênio na corrente sanguínea,

  489. com um medidor de pulsação bem barato,
  490. e assim conseguimos saber que elas
    devem logo ser levadas ao hospital.
  491. Os pacientes não sabem que estão prestes
    a ficar gravemente doentes.
  492. É uma razão fisiológica interessante,
    mas não vou abordar isso agora.
  493. A Alemanha tem uma taxa
    de mortalidade bem baixa
  494. devido a esse tipo de monitoramento.
  495. É claro, quando o assunto é instalações,
  496. descobrimos que o respirador,
    apesar das boas intenções,
  497. a princípio foi demasiadamente
    usado e de modo incorreto.
  498. Os médicos estão bem melhor informados
    sobre o tratamento atualmente.
  499. Muito disso vale para o mundo todo.
  500. O medidor de pulsação
    deverá ser implantado amplamente,
  501. mas a Alemanha foi pioneira nisso.
  502. E agora temos a dexametasona
    que, felizmente, é barata, oral,
  503. e podemos acelerar a sua fabricação.
  504. Isso também em nível global.
  505. CA: Bill, eu gostaria de saber
  506. como tem sido para você,
    pessoalmente, todo esse processo.
  507. Porque, apesar da sua paixão
    e boa intenção neste tópico,

  508. parece totalmente óbvio pra qualquer um
    que tenha passado um tempo com você,
  509. que existem teorias da conspiração
    medonhas sobre você.
  510. Acabei de verificar com uma empresa
    chamada Zignal que monitora mídia social.
  511. Disseram que, até o momento,
    somente no Facebook,
  512. foram publicados mais
    de 4 milhões de posts
  513. que associam seu nome a algum tipo
    da teoria da conspiração sobre o vírus.
  514. Eu li sobre uma enquete
    na qual mais de 40% dos republicanos
  515. acreditam que a vacina que você lançaria
  516. implantaria um microchip nas pessoas
    para rastrear a localização delas.
  517. Eu nem consigo acreditar
    na porcentagem dessa enquete.
  518. Algumas pessoas parecem
    levar isso muito a sério,
  519. e algumas dessas notícias até foram
    recirculadas na "Fox News".
  520. Alguns levam isso tão a sério
    que fazem horríveis ameaças.
  521. Você parece não se incomodar com isso,
  522. mas, na verdade, quem mais
    já esteve nesta posição?
  523. Como você está lidando com isso?
  524. Que mundo é esse que permite
    que esse tipo de desinformação aconteça?
  525. O que fazer para ajudar a corrigir isso?
  526. BG: Não tenho certeza.
  527. E algo novo
  528. essa coisa de teorias da conspiração.
  529. A Microsoft teve
    sua parte da controvérsia,

  530. mas pelo menos isso tinha a ver
    com o mundo real, sabe?
  531. O Windows travou mais do que deveria?
  532. Tivemos problemas antitruste.
  533. Mas pelo menos eu sabia do que se tratava.
  534. Quando isso surgiu, meu instinto
    foi de levar na brincadeira.
  535. Disseram-me que era inapropriado,
    pois isso é algo muito sério.
  536. Pode ser que as pessoas fiquem
    com receio de tomar uma vacina.
  537. E, é claro, uma vez que a tivermos,
    será como foi com as máscaras:
  538. teremos que conseguir envolver as pessoas.
  539. Quando se trata de uma vacina
    que bloqueia a contaminação,
  540. há um benefício enorme para a comunidade
    com a ampla adoção da vacinação.
  541. Fico um pouco sem saber
    o que dizer ou fazer,
  542. porque essa coisa de conspiração
    é algo novo para mim.
  543. O que dizer
  544. para não dar credibilidade a isso?
  545. O fato de uma comentarista da "Fox News",
  546. Laura Ingraham,
  547. ter dito isso que vou implantar
    um microchip nas pessoas,
  548. a enquete não é tão surpreendente,
    pois é o que as pessoas viram na TV.
  549. Isso é inacreditável!
  550. E as pessoas estão, obviamente,
    buscando explicações mais simples
  551. do que terem que estudar virologia.
  552. CA: O TED não é político,
  553. mas acreditamos na verdade.
  554. Eu diria: Laura Ingraham você deve
    desculpas e uma explicação ao Bill Gates.

  555. Deve mesmo.
  556. E qualquer um assistindo,
  557. que ache que esse homem está
    envolvido em alguma conspiração,
  558. devia passar por um exame mental.
  559. Você está louco!
  560. Muitos de nós conhecemos
    o Bill há muitos anos,
  561. somos testemunhas da paixão
    e do engajamento dele para saber
  562. que você é louco.
  563. Então, caia na real,
  564. e vamos tentar resolver essa pandemia.
  565. É sério!
  566. Se alguém no bate-papo aqui
    tem uma sugestão positiva
  567. de como nos livrarmos de conspirações,
    pois elas se alimentam uma da outra,
  568. do tipo: "Bem, eu diria tal coisa,
    porque sou parte da conspiração".
  569. Como podemos voltar a ter um mundo
    no qual a informação pode ser confiável?
  570. Temos que ser melhores nisso.
  571. Alguma outra pergunta da comunidade?
  572. Aria Bendix de Nova York:
    "Quais são suas recomendações pessoais
  573. para quem quer reduzir o risco de infecção
    em meio a um aumento dos casos?"
  574. BG: Bem, é ótimo se você tem um emprego
  575. que te permita ficar em casa
  576. e você possa fazer reuniões on-line,
  577. e até algumas atividades sociais;
  578. eu faço videochamadas com muitos amigos.

  579. Tenho amigos na Europa que nem imagino
    quando poderei vê-los novamente,
  580. mas marcamos chamadas
    regulares para conversar.
  581. Se você se isolar o bastante,
  582. não corre muito risco.
  583. Mas é quando a pessoa
    se reúne com muitas outras,
  584. seja através do trabalho ou socialização,
    que gera esse risco.
  585. E, particularmente nessas comunidades
    nas quais o número de casos aumentou,
  586. mesmo que não seja obrigatório,
  587. espero que os números da mobilidade
    mostrem que as pessoas estão respondendo
  588. e minimizando esses contatos externos.
  589. CA: Bill, eu gostaria de te perguntar
    um pouco sobre filantropia.
  590. Obviamente, sua fundação tem desempenhado
    um papel enorme na pandemia,
  591. mas filantropia, num geral.

  592. Você deu início
    à campanha "The Giving Pledge",
  593. e recrutou todos esses bilionários
  594. que se comprometeram a doar
    metade do seu patrimônio líquido
  595. antes ou depois da morte deles.
  596. Mas é realmente difícil de fazer isso,
    doar tanto dinheiro assim.
  597. Desde que iniciou The Giving Pledge,
  598. há uns dez anos,
    não tenho certeza quando foi,
  599. o seu próprio patrimônio
    dobrou desde esse período
  600. apesar de você ser
    líder filantropo mundial.
  601. Será que é fundamentalmente difícil
    doar dinheiro efetivamente
  602. para tornar o mundo melhor?
  603. Ou os doadores do mundo,
    especialmente os ricos,
  604. deveriam começar a se comprometer
    com um cronograma do tipo:
  605. "Aqui está uma porcentagem
    do meu patrimônio líquido a cada ano
  606. que, à medida que envelheça,
    possivelmente aumente.
  607. Para levar isso a sério,
    devo abrir mão, de alguma forma,
  608. e encontrar uma maneira
    de fazer isso efetivamente"?
  609. Essa é uma questão injusta e insensata?
  610. BG: Seria ótimo aumentar essa taxa.
  611. Nosso objetivo, tanto com a Fundação Gates
    ou através da The Giving Pledge,
  612. é ajudar as pessoas a encontrar causas
    com as quais elas se conectem.
  613. As pessoas doam pela paixão.
  614. Sim, os números são importantes,
    mas há muitas causas mundo afora.

  615. Você vai escolher uma quando
    vê alguém que está doente,
  616. ou que não esteja sendo atendido
    pelos serviços sociais.
  617. Você vê algo que pode
    ajudar a reduzir o racismo,
  618. se sente muito envolvido
    e então doa pra essa causa.
  619. E claro, algumas doações
    filantrópicas não dão certo.
  620. Precisamos aumentar o nível
    de ambição dos filantropos.
  621. A filantropia colaborativa
  622. que vocês estão ajudando a facilitar
    através do Audacious Project,
  623. há outros quatro ou cinco grupos
    que estão reunindo filantropos,
  624. é fantástica,
  625. porque uns aprendem com os outros,
    eles conquistam mútua confiança,
  626. e pensam: "Eu doei tal valor,
    outras quatro pessoas investiram,
  627. então estou tendo mais impacto".
  628. E espero que isso possa ser divertido
    para eles mesmo quando descobrem
  629. que aquela doação não tenha
    funcionado tão bem,
  630. mas eles seguem adiante.
  631. Então, sim, eu gostaria de ver
    a taxa de filantropia aumentar,
  632. e para as pessoas que se mantêm nela,
  633. é divertido, é recompensador,
  634. você escolhe membros da família
    para a parceria na doação.
  635. Melinda e eu adoramos fazer isso juntos,
  636. nós aprendemos muito.
  637. Algumas famílias envolvem os filhos,
    que, às vezes, são bem mandões.
  638. Quando você tem muito, ainda acha
    que US$ 1 milhão é muito dinheiro,
  639. mas se você tem bilhões,
    deveria estar doando centenas de milhões.
  640. Então é meio charmoso que,
    em termos de despesas pessoais,

  641. você se mantenha no nível
    em que estava antes.
  642. É socialmente bem apropriado.
  643. Mas na sua doação, você precisa aumentar
  644. ou o dinheiro irá para o seu testamento,
  645. e você não conseguirá gerenciá-lo
    e aproveitá-lo da mesma maneira.
  646. Não queremos fazer uma imposição,
  647. mas sim, eu e você
    queremos inspirar filantropos
  648. a ver essa paixão, essas oportunidades,
    mais rapidamente do que no passado,
  649. seja pela causa do racismo ou uma doença,
    ou todos os outros males sociais.
  650. A inovação do que a filantropia
    pode fazer rapidamente,
  651. se funcionar, o governo pode
    entrar na retaguarda e dimensionar,
  652. e Deus sabe que precisamos de soluções,
    desse tipo de esperança e progresso
  653. que são tão necessários
  654. e que resolverão problemas muito difíceis.
  655. CA: Muitos dos filantropos,
    até o melhor deles,
  656. acham difícil doar mais do que 1%
    de seu patrimônio líquido todos os anos,
  657. ainda assim, o mais rico do mundo
    muitas vezes tem acesso
  658. a grandes oportunidades de investimento.
  659. Muitos deles estão ganhando uma riqueza
    entre 7% e 10% a mais por ano.

  660. Não seria o caso de, pra ter uma chance
    real de doar metade da sua fortuna,
  661. você tem que planejar doar entre 5% a 10%
    do seu patrimônio líquido anualmente?
  662. Não é lógico que isso
    já deveria estar acontecendo?
  663. BG: Sim, existem pessoas
    como Chuck Feeney,
  664. que deu um bom exemplo
    e doou todo o dinheiro dele.
  665. Até Melinda e eu estamos considerando
    se devemos aumentar a taxa que doamos.
  666. Como você disse,
  667. temos tido muita sorte com investimentos
    através de uma variedade de opções.

  668. As fortunas tecnológicas, em geral,
    têm dado muito certo,
  669. mesmo este ano,
  670. que é um daqueles grandes contrastes
  671. quanto ao que está acontecendo no mundo.
  672. Acho que há uma expectativa
    que devemos acelerar,
  673. e há uma razão para fazermos isso,
  674. e o governo não conseguirá
    atender muitas das necessidades.
  675. Sim, há muito dinheiro
    dos governos mundo afora,
  676. mas devemos ajudar para que seja
    gasto de maneira sensata,
  677. a encontrar lugares
    onde as doações não estão crescendo,
  678. e se as pessoas estão dispostas a doar
    para os países em desenvolvimento,
  679. esses países não têm governos que podem
    imprimir cheques para 15% do PIB.
  680. O sofrimento nesses lugares,
  681. considerando-se apenas
    o aspecto econômico,
  682. deixando a pandemia de lado,
  683. é trágico.
  684. É um retrocesso de cinco anos
    em termos de avanços nesses países,
  685. e, em alguns casos, a situação
    é tão crítica que coloca em risco
  686. a própria estabilidade do país.
  687. CA: Bem, Bill, fico admirado
  688. com o que você e Melinda têm feito.
  689. Vocês percorrem um caminho estreito
  690. tentando equilibrar
    tantas coisas diferentes,
  691. e todo esse tempo que dedicam
    à melhoria do mundo como um todo,

  692. e definitivamente a quantidade de dinheiro
    e de paixão que vocês colocam nisso
  693. é realmente incrível.
  694. E sou muito grato a você
    por passar esse tempo conosco.
  695. Muito obrigado,
  696. e honestamente, no restante deste ano,
  697. suas habilidades e recursos
    serão mais necessários do que nunca,
  698. então boa sorte.
  699. BG: Obrigado. É um trabalho divertido
    e estou bastante otimista.
  700. Obrigado, Chris.