Portuguese subtitles

← O mito de Jasão, de Medeia e do Tosão de Ouro — Iseult Gillespie

Get Embed Code
23 Languages

Showing Revision 5 created 08/09/2020 by Margarida Ferreira.

  1. No centro de Cólquida,
    num jardim encantado,
  2. a pele de um místico carneiro voador
    está pendurada no carvalho mais alto,
  3. guardado por um dragão que nunca dorme.
  4. Jasão terá de se aproximar cuidadosamente
    para a surripiar das garras do Rei Eetes
  5. e reconquistar o seu trono prometido.
  6. Mas a diplomacia não era
    um dos atributos dos Argonautas.
  7. Jasão terá de executar
    esta difícil tarefa sozinho.
  8. Pelo menos, era o que pensava.
  9. Permitindo que a maioria
    da sua tripulação esfarrapada descanse,

  10. Jasão dirigiu-se ao palácio com alguns
    dos seus homens mais equilibrados.
  11. O seu primeiro instinto foi pedir
    apenas ao rei aquela sua valiosa posse.
  12. Mas Eetes ficou enfurecido
    com o desaforo do herói.
  13. Se aquele forasteiro
    cobiçava o seu tesouro,
  14. teria de provar o seu valor
    enfrentando três perigosas tarefas.
  15. As provas começariam no dia seguinte
    e Jasão tratou de se preparar.

  16. Mas outro membro da família real
    também estava a tramar qualquer coisa.
  17. Graças ao encorajamento dos guardiões
    de Jasão no Monte Olimpo,
  18. Medeia, princesa de Cólquida,
    e sacerdotisa da deusa feiticeira Hécate,
  19. tinha-se apaixonado pelo competidor.
  20. Tinha a intenção de proteger o seu amado
    dos truques do seu pai — a qualquer custo.
  21. Depois de uma noite de vigília,
    Jasão marchou taciturno para o castelo

  22. mas foi intercetado.
  23. A princesa forneceu-lhe
    frascos e bugigangas esquisitas
  24. em troca da promessa
    de devoção eterna.
  25. Enquanto sussurravam
    e planeavam a sua vitória,
  26. o herói e a princesa sucumbiram
    profundamente ao feitiço um do outro.
  27. Desconhecendo o plano da sua filha,

  28. o rei, seguro de si mesmo, guiou Jasão,
    para este enfrentar a sua primeira tarefa.
  29. O herói foi levado
    a um enorme campo de bois
  30. que se interpunham entre ele e o tosão,
  31. e mandaram-lhe arar a terra
    em volta das manadas de bois.
  32. Uma tarefa simples
    — foi o que Jasão pensou.
  33. Mas Medeia tinha preparado
    um unguento à prova de fogo
  34. e, assim, ele arou os terrenos
    em chamas, saindo incólume.
  35. Para a segunda tarefa,

  36. deram-lhe uma caixa com dentes de serpente
    para ele plantar na terra queimada.
  37. Logo que Jasão as espalhou,
  38. de cada semente brotou
    um guerreiro sanguinário.
  39. Apinharam-se à volta dele
    barricando-lhe o caminho,
  40. mas Medeia também o tinha
    preparado para aquela tarefa.
  41. Arremessando-lhes uma pesada pedra
    que ela lhe tinha dado,
  42. os guerreiros deram a volta
    enquanto a foram buscar
  43. deixando-o escapar-se da peleja.
  44. Para a terceira tarefa,

  45. Jasão encontrou-se finalmente
    cara a cara com o guardião do tosão.
  46. Esquivando-se às suas garras afiadas
    e ao seu sopro abrasador,
  47. Jasão trepou pela árvore
    e aspergiu o dragão
  48. com uma poção de aroma doce.
  49. Quando a melodia dos encantamentos
    de Medeia chegou aos ouvidos dele
  50. e a poção lhe atingiu os olhos,
    o dragão mergulhou num sono profundo.
  51. Eufórico, Jasão subiu
    até ao topo do mais alto carvalho
  52. onde retirou o tosão reluzente
    do ramo em que estava pendurado.
  53. Quando o rei viu o herói a fugir

  54. — não só com o tosão
    mas também com a sua filha a reboque —
  55. percebeu que tinha sido traído.
  56. Furioso, enviou um exército
    chefiado pelo seu filho Absirto,
  57. para recuperar o prémio roubado
    e levar para casa a sua filha conivente.
  58. Mas todos os atores desta lenda
    tinham subavaliado a crueldade

  59. destes apaixonados desonestos.
  60. Com grande horror dos deuses, Jasão
    retalhou Absirto a sangue frio.
  61. Medeia ajudou-o a espalhar
    os pedaços do corpo pela costa,
  62. perturbando o choroso pai
    enquanto os Argonautas escapavam.
  63. Quando Cólquida e os seus perseguidores
    diminuíram no horizonte,

  64. fez-se um silêncio solene
    a bordo do Argo.
  65. Agora, Jasão podia regressar
    vitorioso à Tessália
  66. mas o seu ato terrível
    tinha manchado a honra da tripulação
  67. e virara os deuses contra eles.
  68. Fustigada por ventos hostis,
  69. a tripulação naufragada foi dar
    à ilha da feiticeira Circe.
  70. Medeia implorou à sua tia
    que os absolvesse dos maus atos
  71. mas as ações sanguinolentas
    não são esquecidas facilmente
  72. e os heróis caídos
    não se redimem com rapidez.