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← Traduzindo palestras TED para o holandês

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Showing Revision 8 created 06/04/2016 by Maricene Crus.

  1. Alguém aí traduziu
    a palestra do Erin Mckean?
  2. Para os que não traduziram,
    aqui vai um trechinho.
  3. "Lexicográfico" é o mesmo padrão
    de "higgeldy piggeldy" (desordenado).
  4. É uma palavra divertida de dizer,
    e acabo usando-a muito.
  5. Eu acrescentaria que "higgeldy-piggeldy"
  6. é um palavra divertida
    de se traduzir também.
  7. Em holandês, eu usava "olleke bolleke"
  8. como em "Olleke bolleke, rubisolleke,
  9. olleke bolleke, rubisolleke,
    olleke bolleke, knol!"
  10. Ainda bem que essa rimazinha
    é conhecida
  11. nas duas maiores regiões
    onde o holandês é falado.
  12. O holandês é a língua materna
    de 23 milhões de pessoas,
  13. das quais 16 milhões vivem na Holanda,
  14. 6 milhões ao nordeste da Bélgica,
    também conhecida como Flandres,
  15. e 400 mil no Suriname, na América do Sul.
  16. Temos oficialmente
    uma "União da Língua Holandesa".
  17. Então, onde está o problema?
  18. O holandês da Holanda e o de Flandres
    soam muito diferentes.
  19. Se você encontrar o Johan Cruyff de manhã
  20. e for sortudo, ele vai
    lhe dizer um "Goeiemorgen".
  21. O Kim Clijster vai dizer "Goeiemorgen".
  22. Em legendas, claro que isso é irrelevante.
  23. Então, novamente: qual é o problema?
  24. Todos nós usamos palavras diferentes.
  25. Um holandês vai chamar
    isso de "klokkromme".
  26. Em Flandres nós falamos "Gauss-curve".
  27. E por último, mas não menos importante,
  28. todo grupo tem o seu conjunto
    de "dúvidas típicas",
  29. ou desvios em relação ao holandês padrão
  30. que ocorrem mais numa região
    do que em outra.
  31. Ao longo dos anos, os holandeses
    têm perdido a sensibilidade
  32. para o gênero de nomes holandês.
  33. E só um holandês poderia cogitar
    se uma vaca é fêmea ou macho
  34. ou pelo menos e assim que a gente
    implica com eles lá em Flandres.
  35. Por outro lado, na Bélgica,
    gostemos ou não,
  36. a nossa língua é influenciada pelo nossos
    compatriotas que falam francês,
  37. levando às vezes a construções esquisitas,
    emprestadas do francês.
  38. Então, eis o problema:
  39. se uma revisora da Holanda
  40. revisar o trabalho
    de um colega da Bélgica,
  41. ela pode ver um texto que ela mesma
    jamais teria escrito daquele jeito,
  42. ou o contrário.
  43. Se ela começa a corrigi-lo,
    antes que perceba,
  44. estará presa em infinitas
    discussões sim-não.
  45. Aconteceu comigo logo
    quando eu entrei no TED.
  46. Confesso que na minha primeira tradução,
  47. eu me certifiquei de que tinha solicitado
    um tradutor do meu próprio país
  48. fizesse a revisão,
    pois me senti desconfortável
  49. com uma revisão vinda do "outro lado".
  50. Mas aprendi rapidinho que se você se fixa
    num número limitado de regras básicas,
  51. você supera essa dificuldade facilmente.
  52. É isso que eu queria
    compartilhar com vocês hoje.
  53. A melhor maneira de evitar discussões
    sobre "quem está certo",
  54. é concordar sobre o padrão utilizado.
  55. No holandês isso é bem fácil.
  56. O léxico oficial, o principal dicionário
  57. e a gramática padrão
    estão disponíveis on-line.
  58. Todos os três são amplamente usados
    e aceitos na Holanda e na Bélgica.
  59. Se de início você indica
    que vai usá-los como padrão,
  60. consegue evitar muita tensão e discussão.
  61. Mas mesmo se uma palavra "existir",
  62. ela pode ser muito incomum
    numa das duas regiões.
  63. Vamos pegar a palavra "klokkromme".
  64. Raramente um belga iria utilizá-la,
  65. no entanto, não é difícil de entender
  66. especialmente quando temos contexto,
  67. como é o caso das palestras TED.
  68. Não tem sentido substituí-la
    por um termo que nenhum holandês usaria.
  69. Eu trato essa como uma "palavra
    que vale a pena divulgar".
  70. Mas, se a palavra inusitada é difícil
    de entender, a história é diferente.
  71. Mas, então, ao invés de substituir
    a palavra por uma de Flandres,
  72. convido meu parceiro de tradução
  73. a buscar uma alternativa
    que seja aceitável para nós dois.
  74. Gostaria de terminar
    com umas poucas palavras
  75. sobre o que tento focar ao revisar
    ou traduzir para o holandês.
  76. Em primeiro lugar, eu foco o público.
  77. Estou escrevendo para pessoas
    de diferentes regiões.
  78. Eu poderia também tentar
    me colocar no lugar deles
  79. e evitar palavras ou expressões
    que eu sei que são confusas.
  80. Em segundo lugar, eu foco
    o meu parceiro de tradução,
  81. especialmente quando revisando,
  82. Numa das minhas primeiras revisões,
  83. cometi o erro de marcar
    a tradução como revisada
  84. sem ter entrado em contato
    com meu parceiro.
  85. No fim das contas, na minha mente
    eu só tinha corrigido alguns erros óbvios.
  86. Desde então, sempre entro
    em contato com o tradutor
  87. e pergunto se concorda
    com minhas propostas.
  88. Em terceiro lugar, não perco de vista
    que traduzo para TED
  89. para ajudar a divulgar as ideias
    interessantes dos palestrantes.
  90. O negócio não é "vencer"
    discussões com outros tradutores,
  91. e sim trabalhar juntos para fazer
    com que o TED seja acessível
  92. ao máximo de pessoas possível.
  93. No ano passado,
    um tradutor holandês do TED
  94. me perguntou se eu achava necessário
    ter grupos de tradução separados
  95. para o holandês da Holanda e o da Bélgica.
  96. Eu disse a ele que para mim
    isso não fazia sentido,
  97. pois faria duplicar o esforço
    de divulgação das ideias.
  98. Isso me incentivava a melhorar
  99. em encontrar coisas comuns
    entre as regiões.
  100. E, por fim, posso afirmar
    que traduzir para o TED
  101. tem sido uma experiência imensamente
    enriquecedora para mim.
  102. Meu pensamentos finais são
    para meus companheiros tradutores do TED.
  103. Eu gostaria de criar algum tipo
    de gráfico de "Hans Rosling",
  104. mas terão que se virar com um Wordle,
    no qual o tamanho do nome
  105. representa o número de vezes
    que trabalhei com eles.
  106. Desejo a vocês todos um excelente workshop
  107. e um instigante evento TED Global 2011.