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← Quer falar como um líder? Comece dizendo seu nome direito | Laura Sicola | TEDxPenn

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Showing Revision 99 created 01/15/2017 by Leonardo Silva.

  1. Um dos tópicos mais abordados
    em cursos e livros atualmente,

  2. sobre as habilidades
    de comunicação de líderes,
  3. é o conceito de "presença executiva".
  4. O que significa? Qual a sua definição?
  5. Ela pode ser ensinada ou aprendida?
  6. O Center for Talent Innovation
    identificou seus três pilares:
  7. aparência, habilidades
    comunicativas e seriedade.
  8. Seriedade tem a ver com coisas
    como: "Suas palavras conseguem convencer?"
  9. "Você é capaz de tomar
    decisões difíceis e sustentá-las?"
  10. Uma das peças que faltam
  11. quando pensamos sobre o que há
    entre as linhas de conceitos amplos,
  12. como habilidades
    comunicativas e seriedade,
  13. é a "presença executiva vocal",
    como a chamo.
  14. É o elo perdido.
  15. Como soamos ao tomar decisões difíceis?
  16. Sua postura reforça sua mensagem
    e cria a imagem que você quer?
  17. Ou ela a sabota?
  18. O que acontece quando estou tentando
    dissipar uma situação tensa e digo:
  19. "Atenção, todo mundo, muita calma agora,
    precisamos reavaliar a situação".
  20. Na pior das hipóteses, estou
    colocando mais lenha na fogueira;
  21. na melhor, vão acabar me aconselhando
    a passar a tomar café descafeinado.
  22. (Risos)
  23. Tem a ver com como nos conectamos.
  24. Costumo trabalhar com pessoas
  25. que estão se preparando para apresentações
    e coletivas de imprensa.
  26. E tem gente que fala assim:
  27. "Temos paixão
  28. por ajudar crianças e melhorar
    a qualidade de nossas escolas".
  29. E penso comigo mesma:
    "Sério? Você quase me enganou".
  30. Há uma declaração sobre paixão,
    mas não há evidência disso.
  31. O problema é a dissociação
  32. entre a escolha das palavras
    e sua execução, a forma como são ditas.
  33. E isso cria um problema de credibilidade.
  34. Existe um importante estudo
    sobre os sentimentos e as atitudes
  35. como resultado da consistência
    ou da inconsistência
  36. das pistas verbais
    e não verbais das mensagens.
  37. E o que descobriram
  38. foi que, quando pediam às pessoas
    para avaliar palestrantes
  39. no quesito sinceridade,
  40. 38% das avaliações se basearam
    no tom de voz do palestrante.
  41. O tom aqui como os altos e baixos
    nos padrões da entonação.
  42. Por outro lado, apenas 7% dessas decisões
  43. foram baseadas nas palavras
    do orador escolhido,
  44. e os restantes 55%, que estavam
    observando pistas não verbais,
  45. se basearam em pistas não verbais
    como postura, contato visual, etc.
  46. Bem, isso é um estudo.
  47. Temos de ser cuidadosos,
    pois muitas pessoas adoram deturpá-lo.
  48. E ouvimos pessoas
    encherem a boca para falar:
  49. "Vocês sabem, 55% de toda
    a comunicação é não verbal".
  50. Isso está longe de ser verdade,
    e não é o que o estudo está dizendo,
  51. mas o que podemos pegar desse estudo,
    e montes de pesquisas posteriores na área,
  52. é a importância de parecermos confiáveis.
  53. Gostaria que pensassem nisso
  54. no contexto de uma preparação
    para algum tipo de apresentação.
  55. Você passa 38% do seu tempo
    trabalhando na apresentação?
  56. Se for como a maioria das pessoas,
  57. provavelmente passa grande parte,
    senão todo o tempo,
  58. trabalhando no conteúdo: o esquema,
    o roteiro, os eslaides do PowerPoint,
  59. se assegurando de ter um gráfico legal
    e algumas animações maneiras,
  60. processando dados para colocar em tabelas.
  61. No entanto, depois de todo esse trabalho,
  62. nós meio que improvisamos a apresentação,
    esperando que seja boa o suficiente.
  63. E, no final, ela é relativamente fraca,
  64. e pode sabotar tanto seus objetivos
    e metas imediatos,
  65. quanto sua imagem e reputação
    permanentemente.
  66. O fato é que, se quiser
    ser visto como um líder,
  67. você tem de falar como um.
  68. Você tem de demonstrar
    presença executiva vocal.
  69. Parte da presença executiva vocal
  70. é a habilidade de ler uma plateia
    e identificar o tipo de pessoa
  71. de quem ela estaria mais propensa
    a receber sua mensagem,
  72. e depois descobrir como falar
    como aquele tipo de pessoa.
  73. Bem, de maneira geral,
    todos nascemos com a voz que temos,
  74. mas temos muito controle
    sobre como a usamos.
  75. Um grande exemplo
    disso é Margaret Thatcher.
  76. Ela foi a primeira mulher
    no parlamento britânico,
  77. e era abertamente caçoada
    por muitos de seus oponentes
  78. com frases como: "Penso
    que a senhora berra demais",
  79. porque, quando ela estava
    no calor de uma discussão,
  80. o tom de sua voz subia
    e se tornava bastante estridente.
  81. Assim, quando decidiu
    se candidatar a primeira-ministra,
  82. ela treinou com um tutor
    do Teatro Nacional,
  83. que a ajudou a abaixar seu tom de voz,
    de modo a soar com mais autoridade.
  84. E isso é de fato muito importante,
  85. pois a voz provoca efeitos tanto
    cognitivos quanto emocionais no ouvinte.
  86. Vamos começar com os cognitivos.
  87. Falamos sobre o tom, aqueles 38%,
    os altos e baixos de sua voz.
  88. Se usarmos isso de forma estratégica,
  89. podemos de fato ajudar o ouvinte a focar
  90. as palavras e partes
    mais importantes da mensagem,
  91. o que contribui para suavizar
    o processamento
  92. e o ajuda a compreender e potencialmente
    lembrar o que estamos dizendo.
  93. E isso pode ter uma influência persuasiva.
  94. Quando ouvimos um discurso,
  95. nós o processamos na forma
    das chamadas unidades ou grupos tonais.
  96. E começamos primeiro
    fixando o padrão da entonação
  97. e ancorando o que ouvimos
    onde esses picos mais altos estão.
  98. E, então, se necessário,
  99. permitimos nossa imaginação preencher
    o que há nesses vales de sons mais baixos.
  100. Um exemplo disso são as letras de música.
  101. Todos já vivemos a situação
  102. de estarmos cantando
    nossa música favorita
  103. e, de repente, percebermos -- ou talvez
    alguém nem tão gentil assim aponta --
  104. que estamos cantando errado a letra.
  105. Já passaram por isso?
  106. Muita gente balançando a cabeça.
  107. Há uma canção famosa,
  108. "What a wonderful world",
    de Louis Armstrong.
  109. Acho que todos a conhecem.
  110. E nela há uma frase que fala:
  111. "o brilho abençoado do dia
    e a escuridão sagrada da noite".
  112. Mas, quando eu era criança,
    pensava que a frase era:
  113. "o brilho abençoado do dia
    e a escuridão da sacada da noite".
  114. (Risos)
  115. Bem, isso faz algum sentido?
  116. Não, mas aceitei isso, em parte
    porque, primeiro e antes de tudo,
  117. combina esses padrões de entonação
    e também esses picos tonais,
  118. as vogais, essas sílabas,
    que estão no alto.
  119. E então, nas partes
    que são menos salientes,
  120. que foram menos enfatizadas,
    nesse vales tonais,
  121. eu me permiti criar o resto.
  122. Isso também reflete por que falantes
    eficazes, quando estão falando,
  123. vão enfatizar as palavras mais importantes
    com um tom mais alto.
  124. Bem, se usarmos a tonalidade
    de forma estratégica,
  125. isso pode influenciar positivamente
    a impressão que vamos causar,
  126. para tentar estabelecer
    nós mesmos como líderes
  127. no momento em que conhecemos alguém.
  128. É realmente importante, é claro,
  129. causar uma primeira impressão
    inesquecível, boa e forte.
  130. Mas isso é difícil quando sentimos
  131. que não prestamos nem pra lembrar
    o nome das pessoas.
  132. Já se sentiu assim?
  133. Bem, vou absolvê-lo de metade dessa culpa.
  134. E isso porque, quando a maioria
    das pessoas se apresentam a você,
  135. elas pronunciam seu próprio nome errado.
  136. Bem, talvez não tecnicamente errado,
  137. mas elas o pronunciam de uma forma
    que usa um ritmo e um padrão de entonação
  138. que torna isso mais difícil para você
    entender o que elas estão dizendo.
  139. E, aliás, absolvo você apenas
    da metade da responsabilidade,
  140. porque na outra metade do tempo
    você é a pessoa se apresentando.
  141. Assim, se eu quiser saber
    se estou me apresentando
  142. e ajudando o ouvinte a realmente
    entender meu nome,
  143. e, ao entendê-lo,
  144. eles poderão felizmente se lembrar dele,
    e, consequentemente, lembrar de mim,
  145. preciso começar deixando minha voz subir,
  146. alta assim, no meu primeiro nome,
    como se dissesse: "Ainda não terminei",
  147. então, no topo fazemos uma pequena pausa,
  148. que vai permitir uma pausa de som
    para indicar ligação de palavra,
  149. e então, no nosso último nome,
    queremos descer, deixar o tom cair,
  150. como se disséssemos: "Agora acabei",
  151. como se estivéssemos colocando
    um pequeno ponto no fim.
  152. Assim, em vez de embaralhar
    seu caminho ao se apresentar,
  153. como: "Oi, meu nome
    é Laura Sicola", e blá-blá-blá,
  154. quero focar e ajudar
    meu ouvinte a entender,
  155. e então vou fazer meu melhor para dizer:
    "Oi, meu nome é Laura Sicola".
  156. E vão ficar impressionados com a diferença
    que esse tom estratégico pode fazer
  157. mesmo em algo tão pequeno assim.
  158. Agora, claro, se usamos nossa entonação
    de forma automática,
  159. colocando-a no lugar errado,
  160. podemos causar o efeito exatamente oposto.
  161. Podemos distrair a atenção do ouvinte
    do que é o mais importante,
  162. e tornar mais difícil para ele
    processar o que estamos dizendo.
  163. E um dos exemplos mais comuns
    e, na minha opinião, mais chatos disso,
  164. que tem se tornado mais e mais prevalente
    na sociedade hoje em dia,
  165. é um fenômeno chamado "subir o tom",
  166. conhecido como "subir a conversa"
    ou, tecnicamente, entonação ascendente.
  167. É o padrão que as pessoas
    estão usando para falar,
  168. adicionando esses tons interrogativos
  169. nos finais de todas
    suas frases e sentenças:
  170. "Sabe?", como se estivessem sugerindo
  171. um monte de "tás" e "certos",
    um atrás do outro,
  172. como se houvesse uma profunda insegurança
  173. e necessidade patológica
    de constante validação?
  174. (Risos)
  175. Sabe?
  176. (Risos)
  177. O problema de falar assim
    é que acabamos enfatizando
  178. apenas seja lá o que aleatoriamente
    estiver no fim da frase.
  179. Isso não ajuda ninguém a processar
    o que você está dizendo.
  180. E a repetição dessa monótona retomada
    cadenciada pode ser bem hipnótica
  181. e, então, depois de um tempo,
    nem sabemos mais
  182. se a plateia está ouvindo alguma coisa
    do que estamos dizendo, muito menos isso.
  183. Aliás, eu tenho de ressaltar
  184. que isso não é apenas
    um fenômeno das patricinhas,
  185. como é conhecido por muitas pessoas.
  186. Mais e mais hoje em dia esse crime
    vocal contra a humanidade
  187. está sendo perpetrado
    por homens e mulheres, velhos e jovens,
  188. de todos os níveis de instrução.
  189. Parabéns, pessoal, vocês acabaram
    com a lacuna de gênero.
  190. É assim que se faz!
  191. (Risos)
  192. Continuando, um dos problemas
  193. é que, obviamente, quando as pessoas,
    ouvem essa entonação,
  194. tendem ter uma resposta
    muito negativa e até visceral.
  195. Nao é apenas a antítese
    da autoridade vocal.
  196. É quase como o equivalente vocal
    de ficar enrolando o cabelo, sabe?
  197. Assim, quando as pessoas têm
    essa resposta visceral,
  198. isso nos leva agora
    aos efeitos emocionais da voz.
  199. Vamos começar pensando sobre algumas
    pessoas que têm vozes inconfundíveis.
  200. Vamos começar com James Earl Jones,
  201. talvez melhor conhecido
    como a voz icônica do Darth Vader.
  202. Bem, na minha opinião, com aquela voz
    profunda, rica, grave, que ele tem,
  203. até a leitura dos ingredientes
    num vidro de shampoo
  204. soaria como poesia.
  205. (Risos)
  206. Mas ele provavelmente
    não teria sido bem-sucedido
  207. se tivesse tentado fazer o papel
    de Elmo na Vila Sésamo.
  208. (Risos)
  209. Que tal alguém como Fran Drescher,
  210. com aquela voz nasal inconfundível,
    chorosa, direto do Queens, NY?
  211. Ela era ótima na TV como "The Nanny",
  212. mas ela provavelmente teria tido
    menos sucesso como Darth Vader.
  213. (Risos)
  214. Vocês conseguem imaginá-la ao lado
    de Luke Skywalker dizendo:
  215. "Luke, eu sou seu pai!"
  216. (Risos)
  217. Simplesmente não ia funcionar!
  218. Mas é uma ótima voz para comédias,
  219. mas não necessariamente
    a voz que queremos encontrar
  220. quando você estiver procurando
    alguém para cuidar de um funeral.
  221. O contexto é tudo.
  222. No contexto de um funeral, busca-se
    alguém que fale de modo empático,
  223. com compaixão, que pareça alguém
    em quem se pode confiar
  224. para tomar conta de você e sua família
    num momento de grande estresse emocional.
  225. E o problema é que, quando encontramos
    alguém com uma voz desagradável
  226. ou alguém que não parece
    ter tais características
  227. do tipo de pessoa que estamos procurando,
    que não parece esse tipo de pessoa,
  228. podemos descartá-los.
  229. Podemos nos desligar,
  230. e não queremos nem mesmo
    ouvir o resto da mensagem,
  231. não importa quão importante
    a informação seja.
  232. Inconscientemente, queremos realmente
    uma voz que combine com a mensagem.
  233. Isso significa que a presença executiva
    vocal tem a ver com representar?
  234. Não, pelo contrário,
    é exatamente o oposto.
  235. Você tem de ser autêntico,
    tem de ser você mesmo.
  236. Mas o segredo é reconhecer
  237. quais partes de sua personalidade precisam
    brilhar em determinado momento
  238. e como transmitir isso através
    de sua voz e do estilo do seu discurso.
  239. Bem, vocês estão me ouvindo aqui hoje
  240. em parte porque a maneira
    com me apresento faz sentido para vocês
  241. e vai ao encontro de suas expectativas
    de como uma palestrante TED deve falar.
  242. Mas não posso usar este mesmo estilo
    de discurso com meu sobrinho de três anos.
  243. Ele ia ficar imaginando por que
    a tia Laura não é divertida mais,
  244. e provavelmente não iria brincar comigo.
  245. Mas, ao mesmo tempo,
    não posso vir aqui hoje
  246. e falar com vocês da mesma forma
    como falo com ele.
  247. Conseguem me imaginar dizendo:
  248. "Oi, pessoal, tenho uma ótima ideia!
  249. Vamos falar sobre presença
    vocal executiva!"
  250. (Risos)
  251. Vocês pensariam: "Você está
    de brincadeira? Quem é esta louca?
  252. O que ela pode saber
    sobre liderança ou algo executivo?
  253. E, falando nisso, quem a convidou?"
  254. A propósito, foram eles.
  255. (Risos)
  256. Eu chamo isso de "trabalhar
    sua voz prismática".
  257. Mas eu não estou atuando.
  258. É apenas uma forma de reconhecer
  259. e estar ciente de duas necessidades
    e expectativas diferentes da plateia,
  260. e então identificar quais partes
    da minha personalidade
  261. quero deixar transparecer e como,
  262. de modo a garantir que estejam
    abertos a minha mensagem.
  263. E com relação à grande noção,
    à metáfora, a voz prismática,
  264. da mesma forma que a luz branca
    passa pelo prisma
  265. e se decompõe nas cores do arco-íris
    que compõem aquela luz branca,
  266. quando a luz branca de sua personalidade
  267. passar através do prisma
    de algum contexto situacional,
  268. você precisa olhar
    para todas as cores disponíveis,
  269. todas as partes diferentes de sua personalidade,
  270. e decidir qual vai precisar
    ressaltar no momento e como,
  271. de modo a ser mais efetivo
    e apropriado naquele momento.
  272. E se você descobrir como usar bem isso,
  273. então pode criar seu próprio, único
    e autêntico discurso de liderança.
  274. Obrigada.
  275. (Aplausos)