Return to Video

Uma rocha antiga sugere uma nova teoria para o início da vida na Terra

  • 0:01 - 0:06
    A Terra tem 4,6 bilhões de anos,
  • 0:06 - 0:11
    mas o tempo de vida de um humano
    em geral é de menos de 100 anos.
  • 0:11 - 0:15
    Então por que nos preocuparmos
    com a história do nosso planeta
  • 0:15 - 0:20
    quando esse passado tão distante parece
    não ter consequências na vida cotidiana?
  • 0:21 - 0:23
    Vejam, até onde sabemos,
  • 0:23 - 0:26
    a Terra é o único planeta
    em nosso sistema solar
  • 0:26 - 0:29
    conhecido por ter formas de vida,
  • 0:29 - 0:34
    e o único sistema capaz de fornecer
    suporte à vida dos seres humanos.
  • 0:35 - 0:36
    Então por que a Terra?
  • 0:37 - 0:40
    Sabemos que a Terra é única
    por ter placas tectônicas,
  • 0:40 - 0:44
    água em estado líquido na superfície
    e atmosfera rica em oxigênio.
  • 0:44 - 0:47
    Mas nem sempre foi assim,
  • 0:47 - 0:52
    e sabemos disso pois rochas antigas
    registraram momentos cruciais
  • 0:52 - 0:54
    na evolução planetária da Terra.
  • 0:56 - 0:59
    E um dos melhores lugares
    para observar essas rochas antigas
  • 0:59 - 1:02
    é a região de Pilbara,
    na Austrália Ocidental.
  • 1:03 - 1:08
    As rochas lá têm 3,5 bilhões de anos,
  • 1:08 - 1:13
    e contêm algumas das evidências
    mais antigas da vida no planeta.
  • 1:13 - 1:16
    Normalmente, quando pensamos
    no começo da vida,
  • 1:16 - 1:19
    imaginamos um estegossauro
  • 1:19 - 1:22
    ou talvez um peixe
    rastejando para a terra.
  • 1:23 - 1:25
    Mas o começo da vida
    sobre o qual estou falando
  • 1:25 - 1:29
    é vida simples e microscópica,
    como as bactérias.
  • 1:30 - 1:32
    E seus fósseis normalmente
    estão preservados
  • 1:32 - 1:36
    como estruturas de camadas rochosas
    chamadas estromatólitos.
  • 1:37 - 1:41
    Essa forma de vida simples é praticamente
    tudo que vemos nos registros fósseis
  • 1:42 - 1:46
    dos primeiros 3 bilhões de anos
    da vida na Terra.
  • 1:46 - 1:50
    Nossa espécie só pode ser
    rastreada em registros fósseis
  • 1:50 - 1:52
    até há algumas centenas
    de milhares de anos.
  • 1:52 - 1:54
    Sabemos, pelos registros fósseis,
  • 1:54 - 1:58
    que a vida das bactérias
    teve um grande impulso
  • 1:58 - 2:02
    há cerca de 3,5 a 4 bilhões de anos.
  • 2:02 - 2:04
    As rochas mais antigas do que isso
  • 2:04 - 2:09
    foram destruídas ou altamente deformadas
    pelas placas tectônicas.
  • 2:10 - 2:12
    Então a peça que ainda falta
    no quebra-cabeça
  • 2:12 - 2:17
    é exatamente quando e como
    a vida na Terra começou.
  • 2:19 - 2:23
    Aqui temos novamente a paisagem
    vulcânica ancestral de Pilbara.
  • 2:23 - 2:28
    Mal sabia eu que nossa pesquisa aqui
    traria uma nova pista
  • 2:28 - 2:30
    para o quebra-cabeça da origem da vida.
  • 2:31 - 2:33
    Na minha primeira viagem de campo aqui,
  • 2:33 - 2:37
    ao fim de um projeto de mapeamento
    que durou uma semana
  • 2:37 - 2:40
    me deparei com algo muito especial.
  • 2:41 - 2:45
    O que provavelmente se parece
    com um monte de pedras velhas e enrugadas
  • 2:45 - 2:47
    são na verdade estromatólitos.
  • 2:47 - 2:51
    E no centro desta pilha
    havia um rocha pequena e peculiar,
  • 2:51 - 2:54
    do tamanho da mão de uma criança.
  • 2:54 - 2:59
    Levou seis meses até analisarmos
    essa rocha em um microscópio,
  • 2:59 - 3:02
    quando um dos meus mentores
    na época, Malcolm Walter,
  • 3:02 - 3:06
    sugeriu que a rocha
    se assemelhava a geiserite.
  • 3:06 - 3:10
    Geiserite é um tipo de rocha
    que só se forma
  • 3:10 - 3:14
    dentro e em volta de piscinas
    de fontes termais.
  • 3:14 - 3:18
    Para entendermos
    a importância do geiserite,
  • 3:18 - 3:22
    precisamos voltar alguns séculos no tempo.
  • 3:23 - 3:28
    Em 1871, em uma carta
    a seu amigo Joseph Hooker,
  • 3:28 - 3:29
    Charles Darwin sugeriu:
  • 3:30 - 3:34
    "E se a vida começou
    em um pequeno lago quente
  • 3:34 - 3:36
    com todo tipo de elementos químicos,
  • 3:36 - 3:40
    pronta para passar
    por mudanças mais complexas?"
  • 3:41 - 3:44
    Conhecemos pequenos lagos quentes;
    são chamados de "fontes termais".
  • 3:44 - 3:46
    Nesses ambientes, temos água quente
  • 3:46 - 3:49
    dissolvendo minerais
    das rochas subjacentes.
  • 3:50 - 3:55
    Essa solução se mistura
    com compostos orgânicos
  • 3:55 - 3:58
    e resulta em uma espécie
    de fábrica química,
  • 3:58 - 4:04
    que pesquisadores mostraram que pode
    produzir estruturas celulares simples
  • 4:04 - 4:07
    que são os primeiros passos
    em direção à vida.
  • 4:07 - 4:10
    Mas, 100 anos depois da carta de Darwin,
  • 4:10 - 4:14
    fontes hidrotermais
    foram descobertas no oceano.
  • 4:14 - 4:16
    E elas também são fábricas químicas.
  • 4:16 - 4:20
    Esta fica ao longo
    do arco vulcânico Tonga,
  • 4:20 - 4:24
    1,1 mil metros abaixo do nível do mar
    no Oceano Pacífico.
  • 4:26 - 4:29
    A fumaça negra que vemos sair
    dessas estruturas parecidas com chaminés
  • 4:29 - 4:31
    também é um fluido rico em minerais,
  • 4:31 - 4:34
    alimentado por bactérias.
  • 4:35 - 4:37
    Desde a descoberta dessas fontes
    no oceano profundo,
  • 4:37 - 4:42
    o cenário mais favorável
    para a origem da vida tem sido o oceano.
  • 4:42 - 4:44
    E há uma boa razão para isso:
  • 4:45 - 4:48
    sabe-se das fontes do oceano profundo
    por registros de rochas antigas,
  • 4:48 - 4:52
    e imagina-se que, nos primórdios,
    a Terra tinha um oceano global
  • 4:52 - 4:54
    e pouca superfície de terra.
  • 4:54 - 4:59
    A probabilidade de as fontes do oceano
    profundo serem abundantes na Terra
  • 4:59 - 5:02
    encaixa-se bem com a origem da vida
  • 5:02 - 5:03
    no oceano.
  • 5:04 - 5:05
    No entanto...
  • 5:07 - 5:11
    nossa pesquisa em Pilbara provê e sustenta
  • 5:11 - 5:13
    uma perspectiva alternativa.
  • 5:14 - 5:19
    Depois de três anos, finalmente
    podíamos mostrar que, de fato,
  • 5:20 - 5:23
    nossa pequena rocha era geiserite.
  • 5:23 - 5:27
    Essa conclusão não só sugeriu
    a existência de fontes termais
  • 5:27 - 5:31
    no vulcão de 3,5 bilhões
    de anos em Pilbara,
  • 5:31 - 5:37
    mas retrocedeu a evidência de vida
    em fontes termais terrestres
  • 5:37 - 5:40
    no registro geológico da Terra
  • 5:40 - 5:44
    por 3 bilhões de anos.
  • 5:45 - 5:48
    Assim, por uma perspectiva geológica,
  • 5:48 - 5:55
    o pequeno lago quente de Darwin
    é candidato razoável à origem da vida.
  • 5:57 - 6:01
    Claro, ainda se pode debater
    sobre como surgiu vida na Terra,
  • 6:01 - 6:03
    e provavelmente sempre será assim.
  • 6:03 - 6:06
    Mas é evidente que ela se desenvolveu;
  • 6:06 - 6:07
    ela se diversificou
  • 6:07 - 6:10
    e foi se tornando cada vez mais complexa.
  • 6:10 - 6:13
    Finalmente, chegou à era dos humanos,
  • 6:13 - 6:17
    uma espécie que começou
    a questionar a própria existência
  • 6:17 - 6:20
    e a existência da vida em outros lugares.
  • 6:21 - 6:24
    Há uma comunidade cósmica
    esperando para conectar-se conosco,
  • 6:24 - 6:26
    ou só nós existimos?
  • 6:27 - 6:31
    Uma pista para esse quebra-cabeça
    vem de um registro de uma rocha antiga.
  • 6:32 - 6:36
    Há evidências de que,
    há 2,5 bilhões de anos,
  • 6:36 - 6:39
    as bactérias começaram
    a produzir oxigênio,
  • 6:39 - 6:42
    mais ou menos como as plantas
    fazem atualmente.
  • 6:42 - 6:44
    Os geólogos se referem
    ao período que se seguiu
  • 6:44 - 6:47
    como a "Grande Oxigenação".
  • 6:47 - 6:52
    Isso é sugerido por rochas chamadas
    de "formações ferríferas bandadas",
  • 6:52 - 6:54
    muitas das quais podem ser observadas
  • 6:54 - 6:57
    como blocos de rochas
    com centenas de metros de espessura
  • 6:57 - 6:59
    expostos em desfiladeiros
  • 6:59 - 7:03
    entalhados no Karijini National Park
  • 7:03 - 7:05
    na Austrália Ocidental.
  • 7:05 - 7:10
    O surgimento do oxigênio livre permitiu
    duas mudanças principais em nosso planeta.
  • 7:10 - 7:13
    Primeiro, permitiu que se desenvolvessem
    formas de vida mais complexas.
  • 7:13 - 7:17
    Vejam, a vida precisa de oxigênio
    para se tornar grande e complexa.
  • 7:18 - 7:21
    E formou a camada de ozônio,
    que protege a vida moderna
  • 7:21 - 7:24
    dos efeitos danosos da radiação solar UVB.
  • 7:25 - 7:26
    Então, em uma reviravolta irônica,
  • 7:26 - 7:30
    a vida microbiana abriu caminho
    para formas de vida complexas,
  • 7:30 - 7:33
    e, em essência, abriram mão
    de seu reinado de 3 bilhões de anos
  • 7:33 - 7:35
    no planeta.
  • 7:35 - 7:39
    Hoje, escavamos complexas
    formas de vida fossilizadas
  • 7:39 - 7:40
    e as queimamos como combustível.
  • 7:41 - 7:46
    Esta prática emite quantidades imensas
    de dióxido de carbono na atmosfera
  • 7:46 - 7:48
    e, como nossos predecessores microbianos,
  • 7:48 - 7:51
    começamos a produzir mudanças
    substanciais em nosso planeta.
  • 7:53 - 7:57
    E o aquecimento global
    reflete os efeitos dessas mudanças.
  • 7:59 - 8:04
    Infelizmente, esta reviravolta irônica
    pode ser o fim da humanidade.
  • 8:04 - 8:08
    Então talvez o motivo de não estarmos
    nos conectando com vida em outros lugares,
  • 8:08 - 8:10
    com vida inteligente em outros lugares,
  • 8:10 - 8:13
    seja porque, uma vez que ela evolui,
  • 8:13 - 8:15
    ela se extingue rapidamente.
  • 8:16 - 8:18
    Se as rochas falassem,
  • 8:18 - 8:21
    acho que elas diriam isto:
  • 8:22 - 8:25
    "A vida na Terra é preciosa.
  • 8:27 - 8:31
    É o produto de cerca de 4 bilhões de anos
  • 8:31 - 8:36
    de uma coevolução complexa e delicada
  • 8:36 - 8:38
    entre a vida e a Terra,
  • 8:38 - 8:44
    da qual os humanos representam
    apenas o último trecho".
  • 8:45 - 8:50
    Vocês podem usar essa informação
    como um guia ou como uma previsão,
  • 8:50 - 8:55
    ou uma explicação de por que parece
    tão solitária essa parte da galáxia.
  • 8:57 - 9:00
    Mas usem isso para ter alguma perspectiva
  • 9:01 - 9:06
    sobre o legado que querem deixar
  • 9:06 - 9:11
    no planeta que chamamos de lar.
  • 9:12 - 9:13
    Obrigada.
  • 9:13 - 9:16
    (Aplausos)
Title:
Uma rocha antiga sugere uma nova teoria para o início da vida na Terra
Speaker:
Tara Djokic
Description:

Exatamente quando e onde começou a vida na Terra? Por muito tempo os cientistas acharam que ela tinha emergido do oceano há 3 bilhões de anos, até que a astrobiologista Tara Djokic e sua equipe fizeram uma descoberta inesperada no deserto ocidental australiano. Saiba como uma rocha antiga encontrada próxima a uma piscina vulcânica quente está mudando nosso entendimento sobre o quebra-cabeça da origem da vida.

more » « less
Video Language:
English
Team:
TED
Project:
TEDTalks
Duration:
09:30

Portuguese, Brazilian subtitles

Revisions