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← A paz mundial começa connosco | Mari Arimitsu | TEDxOhyunHighSchool

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Showing Revision 4 created 05/14/2018 by Margarida Ferreira.

  1. Na parte final do programa
    de pós-graduação,
  2. criámos um vídeo online para campanha
    contra o tráfico humano.
  3. O meu professor, na altura, disse:
  4. "Vocês não vão mudar
    o mundo com este projeto,
  5. "mas vão acrescentar uma colher de açúcar
    ao oceano salgado, para o adoçar".
  6. Podem pensar que a paz começa
    com presidentes, primeiros-ministros,
  7. líderes de alguns países
    a apertar as mãos uns aos outros,
  8. ou com as Nações Unidas,
  9. com trabalhadores das ONG
    que trabalham incansavelmente,
  10. na área menos desenvolvida
    dos mais pobres dos pobres.
  11. Eu também pensava o mesmo
  12. antes de começar
    o programa de pós-graduação.
  13. Mas hoje vão ficar a saber
    que a paz começa connosco.
  14. Cheguei à Coreia do Sul
    para fazer investigação no terreno
  15. sobre a questão de "mulheres conforto",
  16. "Mulheres conforto" é um eufemismo
    inventado pelo exército imperial japonês
  17. antes e durante a II Guerra Mundial.
  18. São mulheres que foram forçadas
    à escravidão sexual pelo exército
  19. e a maior parte delas
    são daqui, da Coreia do Sul.
  20. Mas também há sobreviventes da China,
    de Taiwan, da Indonésia e das Filipinas.
  21. Quando disse aos meus amigos
    e à minha família, no Japão,
  22. que ia investigar
    a questão das mulheres conforto,
  23. eles diziam normalmente:
  24. "Vais tratar
    de um problema muito difícil".
  25. Perguntei à minha mãe porquê
    e ela respondeu:
  26. "Ouvi dizer que o exército japonês
    fez coisas horríveis no passado,
  27. "mas é uma parte embaraçosa
    em que ninguém quer mexer".
  28. Muitos de vocês devem ter ouvido,
    no ano passado,
  29. que os governos do Japão
    e da Coreia do Sul chegaram a acordo
  30. sobre a questão das mulheres conforto.
  31. Segundo esse acordo,
    o governo do Japão
  32. pagará mil milhões de ienes a uma fundação
    que o governo sul-coreano estabeleceu
  33. para providenciar cuidados de saúde
    e outros serviços
  34. às antigas mulheres conforto idosas.
  35. Além disso, o governo do Japão
    pediu que retirassem a estátua
  36. em frente da embaixada japonesa,
    que presta homenagem às mulheres conforto,
  37. dizendo que o acordo se destinava
    a evitar que as gerações futuras
  38. tivessem que continuar
    a pedir desculpas.
  39. Eu acho, pelo contrário,
    que a estátua não deve ser retirada
  40. e que a questão das mulheres conforto
    deve continuar a ser discutida
  41. e transmitida às gerações futuras
    para que a história não se repita.
  42. A violência sexual e sexista
    não é uma coisa do passado
  43. mas prolifera na vida quotidiana atual.
  44. As mulheres sofrem,
    desproporcionadamente,
  45. porque a violência
    é, com frequência, sexista
  46. com agressões como a violação
    e a violência doméstica.
  47. Segundo a Organização Mundial da Saúde,
  48. uma em cada três mulheres,
    a nível mundial,
  49. sofrem de violência física
    ou sexual, durante a sua vida.
  50. Aqui, na Coreia do Sul, o número
    de agressões sexuais está a aumentar.
  51. No entanto, um especialista diz
  52. que esse número é apenas
    a ponta do icebergue.
  53. porque há muitas mulheres
    que não os denunciam
  54. porque receiam serem agredidas de novo.
  55. A situação no Japão é muito semelhante.
  56. Muitas sobreviventes de agressões
    não querem fazer queixa
  57. porque sentem-se envergonhadas
    ou insultadas.
  58. As sociedades patriarcais,
    centradas no homem,
  59. dificultam falar sobre a experiência
    de abusos sexuais,
  60. porque ser agredida sexualmente
  61. impõe uma forma de estigma
    na nossa sociedade.
  62. Admiro todas as mulheres coreanas
    que se expuseram publicamente
  63. e começaram a falar
    das suas experiências penosas
  64. enquanto mulheres conforto.
  65. Mal podemos imaginar
    como é difícil
  66. falar dessas experiências em público,
  67. de serem violadas vezes sem conta
    pelos soldados japoneses,
  68. sem nunca serem assistidas,
    mesmo quando ficavam doentes.
  69. Também há muitas mulheres
    que foram abandonadas e assassinadas
  70. no fim da guerra.
  71. As mulheres conforto sobreviventes
  72. ainda continuam a lutar
    pelos seus direitos
  73. e pela restauração da sua dignidade.
  74. Há algumas sobreviventes que participam
  75. na manifestação semanal
    em frente da embaixada japonesa
  76. exigindo ao governo japonês,
  77. que assuma a responsabilidade
    legal da sua causa.
  78. Como trabalho final do meu curso
  79. quisemos criar um vídeo
    de campanha na Internet
  80. para causar um poderoso impacto
    nos espetadores.
  81. Juntamente com as minhas colegas
    Arunima, Caroline e Rebekka,
  82. quisemos chamar a atenção
    para o tráfico de crianças.
  83. Foi este o nosso esforço
    para adoçar um pouco o oceano.
  84. (Vídeo)
  85. (Despertador)
  86. [Segundo a Organização
    Internacional do Trabalho
  87. [há cerca de 17,2 milhões de crianças
    em todo o mundo
  88. [são escravizadas em trabalhos domésticos]
  89. [Há crianças com cinco anos].
  90. [Isto acontece em todo o mundo].
  91. [Vocês podem contribuir para a solução!]
  92. A escravatura doméstica infantil
  93. é uma forma de escravatura
    dos nossos dias.
  94. Milhões de crianças, por todo o mundo,
    estão a ser traficadas para serem escravas
  95. com a falsa promessa
    de educação e de uma vida melhor.
  96. Muitas destas crianças
    trabalham 18 horas por dia.
  97. Frequentemente, não são pagas.
  98. O mundo praticamente vira as costas
    a estas crianças exploradas
  99. a não ser que haja alguém com coragem
  100. para questionar esta prática
    e a sua moral.
  101. Mesmo assim, as mudanças nas culturas
  102. e leis suficientes para impedir
    o tráfico de crianças
  103. provavelmente chegarão tarde.
  104. Vejamos, por exemplo,
    a questão das mulheres conforto,
  105. muitas delas tinham apenas 12 anos
  106. quando foram forçadas
    à escravatura sexual.
  107. Não puderam falar
    sobre as suas experiências
  108. numa sociedade profundamente patriarcal.
  109. Mas, com a democratização
    da Coreia do Sul e o movimento feminista
  110. começaram a falar em público,
    pela primeira vez, nos anos 90.
  111. Foi nessa altura que se abriu a porta
  112. que permitiu que o tabu
    das mulheres conforto
  113. se tornasse numa questão
    discutida na Coreia do Sul, no Japão,
  114. e no resto do mundo.
  115. O meu trabalho começou pela curiosidade.
  116. Eu tinha muitas perguntas:
  117. "Porque é que há mulheres idosas
    que continuam a lutar
  118. "pelos seus direitos
    e pela reposição da sua dignidade?"
  119. "Como e porquê os EUA desempenham
    um papel para se atingir um acordo?"
  120. "Quem, na verdade, tem poder
    neste mundo?"
  121. A minha esperança também é
  122. acrescentar uma colher de açúcar
    neste oceano salgado.
  123. Gostava de encontrar uma forma adequada
    de prestar homenagem à vida das mulheres
  124. não apenas das idosas sobreviventes,
    mas também das muitas jovens
  125. que foram abandonadas e assassinadas
  126. no campo de batalha fora do seu país.
  127. Creio que, ao fazê-lo,
    podemos conversar melhor
  128. sobre a violência sexual e sexista,
    que existe nos nossos países.
  129. Tornemo-nos curiosos
    sobre a exploração no mundo atual.
  130. Tentemos perceber porque é
    que o mundo é como é, neste momento.
  131. Porque é que há países ricos e poderosos
    enquanto os outros não são?
  132. Porque é que há discriminação
    contra certas populações?
  133. Porque é que há certas pessoas
  134. a fazer certas tarefas
    na nossa comunidade?
  135. Porque é que não há mulheres
    nas salas de reuniões?
  136. Porque é que um amigo nosso
    está a ser vítima de violência na turma?
  137. Depois, estendamos a mão
    às pessoas que precisam de ajuda.
  138. A nossa ajuda pode ser
    tão pequena como uma colher de açúcar
  139. mas, se muita gente fizer o mesmo,
    penso que podemos mudar o mundo.
  140. Então, veremos que essa paz
    começa de facto connosco.
  141. Muito obrigada.
  142. (Aplausos)