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← Uma ideia ousada para substituir políticos

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Showing Revision 11 created 03/13/2019 by Maricene Crus.

  1. Sou só eu

  2. ou há outras pessoas aqui
  3. que estão um pouco decepcionadas
    com a democracia?
  4. (Aplausos)

  5. Vamos analisar alguns números.

  6. Observando todo o mundo,
  7. o comparecimento médio
    em eleições presidenciais
  8. nos últimos 30 anos
  9. tem sido de apenas 67%.
  10. Agora, se observarmos a Europa
  11. e analisarmos as pessoas que participaram
    das eleições parlamentares da UE,
  12. o comparecimento médio nessas eleições
  13. foi de apenas 42%.
  14. Agora, observemos Nova Iorque
  15. e vejamos quantas pessoas votaram
    na última eleição para prefeito.
  16. Descobriremos que apenas 24%
    das pessoas foram votar.
  17. Isso significa que, se "Friends"
    ainda estivesse no ar,
  18. Joey, e talvez Phoebe, teriam ido votar.
  19. (Risos)

  20. E não se pode culpar as pessoas,
    pois estão cansadas dos políticos

  21. e de outras pessoas que usam
    as informações que elas geraram
  22. ao se comunicar com amigos e família
  23. para direcionar-lhes propaganda política.
  24. Mas isso não é novidade.
  25. Hoje, pessoas usam curtidas
    para direcionar propagandas a vocês;
  26. antes, usavam seu CEP,
    seu gênero ou sua idade.
  27. Porque a ideia de direcionar propagandas
    a pessoas com fins políticos
  28. é tão antiga quanto a política em si.
  29. E essa ideia existe porque a democracia
    tem uma vulnerabilidade básica:
  30. a ideia de um "representante".
  31. Em princípio, democracia é a capacidade
    de as pessoas exercerem o poder.

  32. Mas, na prática, temos que delegar
    esse poder a um representante
  33. que o exercerá em nosso nome.
  34. Esse representante é um gargalo
  35. ou um ponto fraco.
  36. É o alvo a ser atingido
    se quisermos atacar a democracia,
  37. porque podemos capturá-la
    capturando esse representante
  38. ou capturando o modo
    como as pessoas o escolhem.
  39. Então, a grande questão é:
  40. este é o fim da história?
  41. Isto é o melhor que podemos fazer
  42. ou há alternativas?
  43. Algumas pessoas têm
    pensado em alternativas,

  44. e uma das ideias que surgiu
    é a de democracia direta.
  45. É a ideia de ignorar
    completamente os políticos
  46. e permitir que votemos
    diretamente as questões,
  47. votemos diretamente os projetos de lei.
  48. Mas essa ideia é ingênua,
  49. pois há muitas questões
    que teríamos que decidir.
  50. Se observarem o 114º Congresso americano,
  51. verão que a Câmara dos Deputados
  52. analisou mais de 6 mil projetos de lei,
  53. e o Senado mais de 3 mil,
  54. e ambos aprovaram mais de 300 leis.
  55. Estas teriam sido muitas decisões
  56. que cada pessoa teria que tomar por semana
  57. em assuntos pouco conhecidos.
  58. Logo, há um grande problema
    de recurso cognitivo básico
  59. se formos pensar a democracia direta
    como alternativa viável.
  60. Algumas pessoas pensaram na ideia
    de democracia líquida ou fluida,

  61. na qual você endossaria
    seu poder político a alguém
  62. que o endossaria a outra pessoa
  63. e, finalmente, seria criada
    uma grande rede de seguidores
  64. que, ao final, teria poucas pessoas
    tomando as decisões
  65. em nome de seus seguidores
    e dos seguidores destes.
  66. Mas essa ideia também não soluciona
    o problema do recurso cognitivo básico
  67. e é bem similar à ideia
    de ter um representante.
  68. Então, hoje, serei um pouco provocativo
  69. e perguntarei a vocês:
  70. e se, em vez de tentar
    ignorar os políticos,
  71. nós tentássemos automatizá-los?
  72. A noção de automação não é nova.

  73. Ela se iniciou há mais de 300 anos,
  74. quando tecelões franceses
    decidiram automatizar o tear.
  75. O vitorioso nessa guerra industrial
    foi Joseph-Marie Jacquard.
  76. Ele era mercador e tecelão francês
  77. e combinou o tear com o motor a vapor
  78. para criar teares autônomos.
  79. Por meio desses teares autônomos,
    ele obteve controle.
  80. Agora, ele conseguia fazer tecidos
    mais complexos e mais sofisticados
  81. do que aqueles feitos à mão.
  82. Mas também, ao vencer
    aquela guerra industrial,
  83. ele definiu o que se tornaria
    o modelo da automação.
  84. A maneira como automatizamos
    as coisas pelos últimos 300 anos

  85. tem sido a mesma:
  86. primeiro, identificamos uma necessidade;
  87. depois, criamos uma ferramenta
    para satisfazer essa necessidade,
  88. como o tear, neste caso;
  89. e, então, estudamos
    como essa ferramenta é usada,
  90. e automatizamos o usuário.
  91. Foi assim que passamos do tear mecânico
  92. para o tear autônomo,
  93. e isso nos levou mil anos.
  94. Agora, nós levamos apenas 100 anos
  95. para automatizar o carro
    usando o mesmo roteiro.
  96. Mas, desta vez,
  97. a automatização é para valer.
  98. Este é um vídeo compartilhado
    por um colega da Toshiba

  99. que mostra a fábrica que produz
    unidades de estado sólido.
  100. A fábrica toda é robotizada.
  101. Não há humanos naquela fábrica.
  102. E os robôs, em breve, deixarão as fábricas
  103. e se tornarão parte de nosso mundo,
    de nossa mão de obra.
  104. No meu trabalho diário,
  105. eu crio ferramentas que integram
    dados para países inteiros
  106. para que tenhamos
    o alicerce que precisamos
  107. para um futuro em que precisemos
    gerenciar essas máquinas.
  108. Mas, hoje, não estou aqui
    para falar sobre essas ferramentas

  109. que integram dados para países.
  110. Estou aqui para falar
    sobre uma outra ideia
  111. que talvez nos ajude a pensar em como usar
    inteligência artificial na democracia.
  112. As ferramentas que construí são projetadas
    para decisões executivas.
  113. São decisões que podem ser
    tomadas de maneira objetiva,
  114. decisões de investimento público.
  115. Mas há decisões que são legislativas,
  116. e elas exigem comunicação entre pessoas
  117. que têm diferentes pontos de vista,
  118. exigem participação, debate, deliberação.
  119. Por muito tempo, pensamos
  120. que o que se precisava para aprimorar
    a democracia era mais comunicação.
  121. Então, todos os avanços tecnológicos
    que tivemos no contexto da democracia,
  122. sejam eles jornais ou redes sociais,
  123. tentaram nos proporcionar
    mais comunicação.
  124. Mas nós já seguimos por esse caminho
    e sabemos que não é essa a solução,
  125. porque não se trata
    de problema de comunicação,
  126. e sim de recursos cognitivos básicos.
  127. Então, se o problema é
    de recursos cognitivos básicos,
  128. prover as pessoas com mais comunicação
  129. não vai ser a solução.
  130. Precisaremos de outras tecnologias
  131. que nos ajudem a lidar
    com parte da comunicação
  132. que nos sobrecarrega.
  133. Pensem em um pequeno avatar,
  134. um agente de software,
  135. um Grilo Falante digital,
  136. (Risos)

  137. que seja capaz de responder em seu nome.

  138. Se tivéssemos essa tecnologia,
  139. poderíamos descarregar
    parte dessa comunicação
  140. e, talvez, ajudar a tomar decisões
    melhores ou em maior escala.
  141. Essa noção de agentes de software
    também não é nova.
  142. Já os utilizamos todo o tempo.
  143. Usamos agentes de software
  144. para decidir que caminho tomaremos
    ao dirigir para certo lugar,
  145. que música ouviremos
  146. ou o próximo livro que devemos ler.
  147. No século 21, há uma ideia óbvia,

  148. tão óbvia quanto a ideia
  149. de combinar o motor a vapor
    e o tear na época de Jacquard,
  150. que é a de combinar a democracia direta
    com agentes de software.
  151. Imaginem, por um segundo, um mundo
  152. em que, em vez de alguém representar você
  153. e milhões de outras pessoas,
  154. você tenha um representante apenas seu,
  155. com suas visões políticas variadas,
  156. aquela estranha combinação
    de libertário e liberal
  157. e talvez um pouco conservador
    em algumas questões
  158. e talvez muito progressista em outras.
  159. Hoje em dia, políticos são como pacotes
    e estão cheios de compromissos.
  160. Mas talvez tenhamos alguém
    que represente apenas "você",
  161. se estiver disposto a abandonar a ideia
  162. de que esse representante seja humano.
  163. Se esse representante
    for um agente de software,
  164. podemos ter um Senado que tenha tantos
    senadores quanto nós temos cidadãos.
  165. Esses senadores poderão ler
    cada projeto de lei
  166. e votar em cada um deles.
  167. Há uma ideia óbvia
    que talvez devamos analisar.

  168. Entendo que, nos dias de hoje,
    ela possa ser um tanto assustadora.
  169. Na verdade, pensar
    em um robô vindo do futuro
  170. para nos ajudar a governar
    parece assustador.
  171. Mas já passamos por isso.
  172. (Risos)

  173. E ele até que foi um cara legal.

  174. Como seria essa ideia
    na versão do tear de Jacquard?

  175. Seria um sistema bem simples.
  176. Imaginem um sistema em que você
    se conectaria e criaria seu avatar
  177. e começaria a treiná-lo.
  178. Você poderia fornecer
    ao seu avatar seus hábitos de leitura,
  179. conectá-lo a suas mídias sociais
  180. ou a outras informações,
  181. por exemplo, ao fazer testes psicológicos.
  182. O bom disso é que não há enganação.
  183. Você não está fornecendo dados
    para se comunicar com amigos e família
  184. que, então, são usados
    em um sistema político.
  185. Você está fornecendo dados
    a um sistema projetado para ser usado
  186. na tomada de decisões
    políticas em seu nome.
  187. Depois, você pega esses dados
    e escolhe um algoritmo de treinamento,
  188. porque é um mercado aberto,
  189. em que diferentes pessoas
    podem enviar diferentes algoritmos
  190. para prever como vocês vão votar,
    com base nos dados que forneceram.
  191. O sistema é aberto, então ninguém
    controla os algoritmos:
  192. alguns algoritmos se tornam
    mais populares e outros menos.
  193. Por fim, você pode auditar o sistema.
  194. Pode ver como seu avatar funciona.
  195. Se gostar, pode deixá-lo no automático.
  196. Ou, se quiser um pouco mais de controle,
  197. pode configurá-lo para que lhe pergunte
    toda vez que for tomar uma decisão
  198. ou qualquer outra configuração.
  199. Uma das razões pelas quais usamos
    a democracia tão pouco
  200. talvez seja por ela ter
    uma interface de usuário ruim.
  201. E, se melhorarmos a interface
    de usuário da democracia,
  202. talvez a usemos mais.
  203. Por certo, vocês devem
    ter muitas perguntas:

  204. Como treinar esses avatares?
  205. Como manter os dados seguros?
  206. Como manter os sistemas
    distribuídos e auditáveis?
  207. E quanto à minha avó, de 80 anos,
    que nem sabe usar a internet?
  208. Acreditem em mim, já ouvi todas elas.
  209. Ao se pensar sobre uma ideia como esta,
    deve-se estar atento aos pessimistas,
  210. porque eles são conhecidos por terem
    um problema para toda solução.
  211. (Risos)

  212. Gostaria de convidá-los
    a pensarem sobre ideias maiores.

  213. As perguntas que acabei
    de lhes mostrar são ideias menores,
  214. porque são perguntas
    sobre como isso não funcionaria.
  215. As grandes ideias são ideias como:
  216. o que mais pode ser feito
    se isso funcionasse?
  217. E uma dessas ideias é: quem faz as leis?
  218. No início, poderíamos fazer
    os avatares já existentes
  219. votarem em leis feitas
    por senadores ou políticos
  220. já existentes.
  221. Se isso funcionasse,
  222. poderia ser criado um algoritmo
  223. que tentaria fazer uma lei
  224. para obter uma certa
    porcentagem de aprovação,
  225. e se poderia reverter o processo.
  226. Vocês podem achar essa ideia absurda
    e que não deveríamos tentar realizá-la,
  227. mas não podem negar ser uma ideia
    que somente é possível
  228. em um mundo em que a democracia direta
    e agentes de software
  229. são uma forma viável de participação.
  230. Então, como iniciamos a revolução?

  231. Não iniciamos esta revolução
    com cercas ou protestos
  232. ou exigindo que nosso políticos atuais
    sejam transformados em robôs.
  233. Isso não funcionará.
  234. É bem mais simples,
  235. mais lento
  236. e bem mais modesto.
  237. Iniciamos esta revolução criando
    sistemas simples como esse em faculdades,
  238. livrarias, organizações
    sem fins lucrativos.
  239. E tentamos resolver todas aquelas
    pequenas questões e aqueles problemas
  240. que teremos que resolver
    para tornar esta ideia viável,
  241. para transformá-la em algo confiável.
  242. Ao criar esses sistemas,
    que terão centenas, milhares,
  243. centenas de milhares de pessoas votando
    de modo não politicamente vinculante,
  244. estaremos desenvolvendo
    confiança nesta ideia,
  245. o mundo irá mudar,
  246. e aqueles tão jovens
    quanto minha filha hoje
  247. irão crescer.
  248. E, quando minha filha tiver minha idade,
  249. talvez a ideia, que hoje
    sei ser bem maluca,
  250. não seja maluca para ela e os amigos dela.
  251. Naquele momento,
  252. estaremos no fim de nossa história,
  253. mas eles estarão no começo da deles.
  254. Obrigado.

  255. (Aplausos)