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← A nova história política que poderia mudar tudo

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Showing Revision 22 created 08/29/2019 by Leonardo Silva.

  1. Vocês se sentem presos
  2. em um modelo econômico falido?
  3. Um modelo que está destruindo o mundo
  4. e ameaça a vida de nossos descendentes?
  5. Um modelo que exclui bilhões de pessoas
  6. enquanto torna um punhado
    inimaginavelmente rico?
  7. Que nos separa em vencedores e perdedores,
  8. e depois culpa os perdedores
    pela infelicidade deles?
  9. Bem-vindos ao neoliberalismo,
  10. a doutrina zumbi
    que parece não morrer nunca,
  11. mesmo que seja amplamente desacreditada.
  12. Vocês podem ter imaginado
    que a crise financeira de 2008
  13. teria levado ao colapso do neoliberalismo.
  14. Afinal de contas, ela expôs
    as características principais dele -
  15. a desregulamentação
    do mundo dos negócios e das finanças,
  16. a derrubada de proteções públicas,
  17. nos jogando em competição extrema
    uns com os outros -
  18. como, bem, um tanto quanto falhas.
  19. Intelectualmente, a crise perdeu a força,
  20. mas, ainda assim, domina nossa vida.
  21. Por quê?
  22. Acredito que a resposta seja
    que ainda não produzimos
  23. uma nova história para substituí-la.
  24. As histórias são o modo
    pelo qual viajamos pelo mundo.

  25. Elas nos permitem interpretar
    seus sinais complexos e contraditórios.
  26. Quando queremos entender algo,
  27. o sentido que buscamos não é o científico,
  28. mas a fidelidade da narrativa.
  29. Será que o que ouvimos reflete o modo
  30. como esperamos que os seres humanos
    e o mundo se comportem?
  31. É um modo consistente?
  32. Será que progride
  33. como uma história deve progredir?
  34. Somos criaturas da narrativa,

  35. e uma série de fatos e números,
    por mais importantes que sejam...
  36. e, sabem, sou empirista,
    acredito em fatos e números...
  37. mas fatos e números não têm o poder
    de substituir uma história convincente.
  38. A única coisa que pode
    substituir uma história
  39. é uma história.
  40. Não se pode tirar a história de uma pessoa
  41. sem dar a ela uma nova.
  42. Não estamos acostumados
    meramente com histórias em geral,
  43. mas com estruturas narrativas específicas.
  44. Há uma série de enredos básicos
    que usamos repetidas vezes,
  45. e, na política, há um enredo básico
  46. que se revela extremamente poderoso
  47. e que chamo de "história da restauração".
  48. É o seguinte.
  49. A desordem aflige a terra,

  50. causada por forças poderosas e abomináveis
  51. que trabalham contra
    os interesses da humanidade.
  52. Mas o herói se revoltará
    contra essa desordem,
  53. combaterá essas forças poderosas,
  54. as derrubará custe o que custar
  55. e restaurará a harmonia na terra.
  56. Vocês já ouviram essa história antes.

  57. É a história da Bíblia.
  58. É a história de "Harry Potter".
  59. É a história de "O Senhor dos Anéis".
  60. É a história de "Nárnia".
  61. Mas também é a história
  62. que acompanha quase todas
    as transformações políticas e religiosas
  63. há milênios.
  64. De fato, poderíamos chegar a dizer
  65. que, sem uma história
    nova e poderosa de restauração,
  66. uma transformação política e religiosa
  67. poderia não acontecer.
  68. Vejam como é importante.
  69. Depois que a economia do "laissez-faire"
    desencadeou a Grande Depressão,

  70. John Maynard Keynes sentou-se
    para compor uma nova economia
  71. e contou uma história de restauração,
  72. e foi algo assim.
  73. A desordem aflige a terra!

  74. (Risos)

  75. Causada pelas forças poderosas
    e abomináveis da elite econômica,

  76. que se apropriaram da riqueza do mundo.
  77. Mas o herói da história,
  78. o Estado favorável, apoiado pelas pessoas
    das classes trabalhadora e média,
  79. contestará essa desordem,
  80. combaterá essas forças poderosas
    redistribuindo a riqueza
  81. e, ao gastar dinheiro público
    em bens públicos,
  82. gerará renda e empregos,
  83. restaurando a harmonia na terra.
  84. Como todas as boas
    histórias de restauração,

  85. essa repercutiu
    em todo o espectro político.
  86. Democratas e republicanos,
    trabalhistas e conservadores,
  87. esquerda e direita, todos se tornaram,
    em geral, keynesianos.
  88. Quando o keynesianismo encontrou problemas
  89. na década de 1970,
  90. os neoliberais, pessoas
    como Friedrich Hayek e Milton Friedman,
  91. apresentaram sua nova
    história de restauração,
  92. e foi algo assim.
  93. Vocês nunca adivinharão o que virá.

  94. (Risos)

  95. A desordem aflige a terra!

  96. Causada pelas forças
    poderosas e abomináveis
  97. do Estado poderoso demais,
  98. cujas tendências coletivizantes
    esmagam a liberdade, o individualismo
  99. e as oportunidades.
  100. Mas o herói da história, o empreendedor,
  101. combaterá essas forças poderosas,
  102. reverterá o Estado
  103. e, pela criação de riqueza
    e oportunidades,
  104. restaurará a harmonia na terra.
  105. Essa história também repercutiu
    em todo o espectro político.
  106. Republicanos e democratas,
    conservadores e trabalhistas,
  107. todos se tornaram, em geral, neoliberais.
  108. Histórias opostas
  109. com uma estrutura narrativa idêntica.
  110. Então, em 2008,

  111. a história neoliberal desmoronou
  112. e seus adversários se apresentaram com...
  113. nada!
  114. Nenhuma história nova de restauração!
  115. O melhor que tinham a oferecer
    era um neoliberalismo aguado
  116. ou um keynesianismo requentado.
  117. É por isso que estamos presos.
  118. Sem essa nova história,
  119. estamos presos à velha história fracassada
  120. que continua fracassando.
  121. Desespero é o estado em que caímos
  122. quando nossa imaginação fracassa.
  123. Quando não temos uma história
    que explique o presente
  124. e descreva o futuro,
  125. a esperança se esvai.
  126. O fracasso político é, no fundo,
  127. um fracasso da imaginação.
  128. Sem uma história de restauração
  129. que possa nos dizer
    para onde precisamos ir,
  130. nada irá mudar,
  131. mas, com uma história
    de restauração como essa,
  132. quase tudo pode mudar.
  133. A história que precisamos contar
  134. é uma história que atrairá
    o maior número possível de pessoas,
  135. cruzando linhas de falhas políticas.
  136. Deve repercutir com necessidades
    e desejos profundos.
  137. Deve ser simples e inteligível
  138. e deve ser baseada na realidade.
  139. Admito que tudo isso
    parece um pouco difícil,

  140. mas creio que, nas nações ocidentais,
  141. há, na verdade, uma história como essa
  142. esperando para ser contada.
  143. Ao longo dos últimos anos,
  144. houve uma convergência
    fascinante de descobertas
  145. em várias ciências diferentes,
  146. na psicologia, antropologia,
    neurociência e biologia evolutiva,
  147. e todas elas nos dizem
    algo bastante surpreendente:
  148. os seres humanos têm
    uma capacidade enorme de altruísmo.
  149. Claro, todos temos um pouco de egoísmo
    e ganância dentro de nós,
  150. mas, na maioria das pessoas,
    esses não são nossos valores dominantes.
  151. Também nos tornamos
    extremos colaboradores.
  152. Sobrevivemos às savanas africanas,
  153. apesar de sermos mais fracos e lentos
  154. do que nossos predadores
    e a maioria de nossas presas,
  155. por uma capacidade incrível
    de nos empenharmos em ajuda mútua,
  156. e esse desejo de colaborar
    foi integrado em nossa mente
  157. por meio da seleção natural.
  158. Estes são os fatos principais
    e decisivos sobre a humanidade:
  159. altruísmo e colaboração surpreendentes.
  160. Mas algo deu muito errado.

  161. A desordem aflige a terra.
  162. (Risos)

  163. Nossa boa natureza
    foi frustrada por várias forças,

  164. mas acho que a mais poderosa delas
    é a narrativa política dominante
  165. de nossos tempos,
  166. que nos diz que devemos viver
    em extremo individualismo
  167. e competição uns com os outros.
  168. Ela nos leva a lutar uns contra os outros,
    a temer e a desconfiar uns dos outros.
  169. Fragmenta a sociedade.
  170. Enfraquece os laços sociais
    que fazem nossa vida valer a pena.
  171. Nesse vácuo,
  172. crescem forças violentas e intolerantes.
  173. Somos uma sociedade de altruístas,
  174. mas somos governados por psicopatas.
  175. (Aplausos) (Vivas)

  176. Mas não precisa ser assim,

  177. não mesmo,
  178. porque temos uma capacidade incrível
    de união e pertencimento
  179. e, ao invocar essa capacidade,
  180. podemos recuperar estes componentes
    surpreendentes de nossa humanidade:
  181. nosso altruísmo e nossa colaboração.
  182. Onde há fragmentação, podemos construir
    uma vida cívica próspera
  183. com uma cultura rica e participativa.
  184. Onde nos encontramos esmagados
    entre mercado e Estado,
  185. podemos construir uma economia
    que respeite as pessoas e o planeta.
  186. E podemos criar essa economia
  187. em torno de uma grande
    esfera negligenciada:
  188. os comuns.
  189. Os comuns não são mercado, Estado,
    capitalismo, nem comunismo,

  190. mas consistem de três
    elementos principais:
  191. um recurso específico,
  192. uma comunidade específica
    que gerencia esse recurso,
  193. e as regras e negociações que a comunidade
    desenvolve para gerenciá-lo.
  194. Pensem na banda larga
    e nas cooperativas de energia comunitárias
  195. ou na terra compartilhada
    para cultivar frutas e verduras
  196. que, na Grã-Bretanha, chamamos de lotes.
  197. Um bem comum não pode ser
    vendido, nem doado,
  198. e seus benefícios são compartilhados
    igualmente entre os membros da comunidade.
  199. Onde fomos ignorados e explorados,
  200. podemos reavivar nossa política.
  201. Podemos recuperar a democracia
    das pessoas que tomaram posse dela.
  202. Podemos usar novas regras
    e novos métodos de eleições
  203. para garantir que o poder financeiro
    nunca supere o democrático novamente.
  204. (Aplausos)

  205. A democracia representativa deve ser
    moderada pela democracia participativa,

  206. para que possamos refinar
    nossas escolhas políticas,
  207. e essa escolha deve ser exercida,
    tanto quanto possível, em nível local.
  208. Se algo pode ser decidido localmente,
    não deve ser determinado nacionalmente.
  209. Chamo tudo isso
    de política do pertencimento.
  210. Acho que isso tem o potencial de atrair

  211. uma ampla série de pessoas,
  212. e o motivo é que
    entre os pouquíssimos valores
  213. que tanto a esquerda
    quanto a direita compartilham
  214. estão o pertencimento e a comunidade.
  215. Podemos querer dizer
    coisas um pouco diferentes,
  216. mas, pelo menos, começamos
    com alguma linguagem em comum.
  217. De fato, podemos ver muita política
    como uma busca pelo pertencimento.
  218. Mesmo os fascistas buscam a comunidade,
  219. embora seja uma comunidade
    assustadoramente homogênea,
  220. em que todos parecem iguais,
    vestem o mesmo uniforme
  221. e entoam os mesmos lemas.
  222. Precisamos criar uma comunidade
    baseada em redes de ligação,

  223. não redes de vinculação.
  224. Uma rede de vinculação reúne
    pessoas de um grupo homogêneo,
  225. enquanto uma rede de ligação
    reúne pessoas de grupos diferentes.
  226. Acredito que, se criarmos
  227. comunidades de ligação
    ricas e vibrantes o bastante,
  228. podemos frustrar o desejo das pessoas
    de se esconderem na segurança
  229. de uma comunidade de vinculação homogênea
  230. defendendo-se contra os outros.
  231. Em resumo,
  232. nossa nova história
    poderia ser algo assim.
  233. A desordem aflige a terra!

  234. (Risos)

  235. Causada pelas forças
    poderosas e abomináveis

  236. de pessoas que dizem que não existe
    essa coisa de sociedade,
  237. que nos dizem que nosso
    maior propósito na vida
  238. é lutar como cães perdidos
    por uma lata de lixo.
  239. Mas os heróis da história, nós,
  240. nos revoltaremos contra essa desordem.
  241. Combateremos essas forças abomináveis
  242. construindo comunidades ricas,
    envolventes, inclusivas e generosas
  243. e, ao fazer isso,
  244. restauraremos a harmonia na terra.
  245. (Aplausos) (Vivas)

  246. Quer vocês achem ou não
    que esta é a história certa,

  247. espero que concordem
    que precisamos de uma.
  248. Precisamos de uma nova
    história de restauração,
  249. que nos guie para fora
    da bagunça em que estamos,
  250. que nos diga por que estamos
    na bagunça e como sair dela.
  251. Se contarmos direito essa história,
  252. ela influenciará a mente das pessoas
    em todo o espectro político.
  253. Nossa tarefa é contar a história

  254. que ilumine o caminho
    para um mundo melhor.
  255. Obrigado.

  256. (Aplausos) (Vivas)