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← Como vencer uma discussão (no Supremo Tribunal dos EUA ou em qualquer outro lugar)

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Showing Revision 6 created 10/12/2020 by Margarida Ferreira.

  1. Há catorze anos,
  2. defendi o meu primeiro processo
    no Supremo Tribunal.

  3. Não era um processo qualquer,
  4. era um processo
    que os especialistas consideraram
  5. um dos casos mais importantes
    da história do Supremo Tribunal.
  6. Tratava-se de decidir
    se Guantánamo era constitucional
  7. e se as Convenções de Genebra
    se aplicavam à guerra ao terrorismo.
  8. Isso foi poucos anos depois
    dos terríveis ataques
  9. de 11 de setembro.
  10. O Supremo Tribunal tinha
    nomeado sete Republicanos
  11. e dois Democratas
  12. e o meu cliente era o motorista
    de Osama bin Laden.
  13. O meu adversário
    era o Procurador-Geral dos EUA,
  14. o melhor advogado de barra dos EUA.
  15. Já tinha defendido 35 casos.
  16. Eu nem sequer tinha 35 anos.
  17. E para piorar as coisas,
  18. o Senado, pela primeira vez
    desde a Guerra Civil,
  19. aprovara uma lei para tentar retirar
    o processo da alçada do Supremo Tribunal.
  20. Bom, os especialistas em oratória diriam
  21. que eu devia gerar tensão
    e não vos contar o final.

  22. Mas acontece que nós ganhámos. Como?
  23. Hoje, eu vou falar sobre
    como ganhar uma discussão
  24. no Supremo Tribunal
    ou em qualquer outro lugar.
  25. O senso comum é que
    devemos falar com confiança.
  26. É assim que conseguimos persuadir.

  27. Eu acho que isso está errado.
  28. Penso que a confiança
    é inimiga da persuasão.
  29. A persuasão é uma questão de empatia,
  30. de entrar na cabeça das pessoas.
  31. É isso que faz o TED ser o que é.
  32. É por isso que vocês estão
    a assistir a esta palestra.
  33. Vocês podiam ter apenas lido
    um resumo da palestra, mas não.
  34. A mesma coisa acontece
    no Supremo Tribunal.
  35. Nós escrevemos resumos
    em folhas de papel
  36. mas também temos a argumentação oral.
  37. Não temos só um sistema
    em que a Justiça escreve perguntas
  38. e nós escrevemos as respostas.
  39. Porquê? Porque a argumentação
    é uma questão de interação.
  40. Eu vou levar-vos aos bastidores
    para vos contar o que fiz
  41. e como essas lições
    podem ser generalizadas,

  42. não só para vencer processos no tribunal,
  43. mas para algo muito mais profundo.
  44. Agora, é óbvio que é necessário praticar,
  45. mas nem todas as práticas servem.
  46. Na primeira sessão prática
    para Guantánamo,
  47. apanhei um avião para Harvard
  48. e escutei todos aqueles
    professores lendários
  49. a bombardearem-me com perguntas.
  50. Apesar de eu já ter lido tudo
    e ensaiado um milhão de vezes,
  51. eu não estava a convencer ninguém.
  52. Os meus argumentos
    não convenciam ninguém.
  53. Eu estava desesperado.
    Tinha feito tudo o que podia,
  54. tinha lido todos os livros,
    tinha ensaiado um milhão de vezes,

  55. mas não chegava a parte alguma.
  56. Até que esbarrei num tipo,
  57. — era professor de teatro,
    nem sequer era advogado,
  58. nunca havia sequer pisado
    o Supremo Tribunal.
  59. Ele entrou no meu escritório um dia
    com uma camisa branca amarrotada
  60. e uma gravata à "cowboy".
  61. Olhou para mim, com os meus
    braços cruzados, e disse:
  62. "Olha, Neal, bem vejo
    que achas que isto não vai funcionar
  63. "mas vamos tentar mesmo assim.
  64. "Apresenta-me os teus argumentos."
  65. Eu agarrei no meu bloco-notas

  66. e comecei a ler os meus argumentos.
  67. Ele perguntou:
    "O que estás a fazer?"
  68. E eu: "A apresentar
    os meus argumentos."
  69. E ele: "Os teus argumentos
    são um bloco-notas?"
  70. E eu: "Não, mas os meus argumentos
    estão num bloco-notas".
  71. E ele: "Neal, olha para mim
  72. "e diz-me os teus argumentos".
  73. Foi o que eu fiz.
  74. Instantaneamente, percebi.
  75. Os meus argumentos
    estavam a fazer sentido.
  76. Eu estava a estabelecer ligação
    com outro ser humano.
  77. E ele pôde ver um sorriso
    a começar a formar-se no meu rosto
  78. enquanto eu ia proferindo
    as minhas palavras.
  79. E disse: "OK, Neal, agora
    apresenta os argumentos
  80. "enquanto seguras na minha mão."
  81. E eu disse: "O quê?"
  82. E ele: "Sim, segura na minha mão".
  83. Eu estava desesperado, por isso obedeci.
  84. E então percebi: "Uau, isto é ligação.
  85. "Isto é o poder da persuasão."
  86. Aquilo ajudou-me muito.

  87. Mas, sinceramente, eu continuava nervoso
    com o julgamento que se aproximava.
  88. Eu sabia que, apesar de uma argumentação
  89. ser uma questão de nos colocarmos
    no lugar do outro, e ter empatia,
  90. eu precisava de partir
    de uma base sólida.
  91. Então, fiz uma coisa fora
    da minha zona de conforto.
  92. Comecei a usar acessórios,
    mas não qualquer acessório,
  93. foi uma pulseira que o meu pai
    tinha usado durante toda a vida,
  94. até morrer, apenas uns meses
    antes do julgamento.
  95. Usei uma gravata
  96. que a minha mãe me havia dado,
    especialmente para essa ocasião.
  97. Agarrei no meu bloco-notas
    e escrevi nele os nomes dos meus filhos,
  98. porque esse era o motivo pelo qual
    eu estava a fazer tudo aquilo.
  99. Por eles, para lhes deixar um país melhor
    do que o que eu encontrara.
  100. Cheguei ao tribunal, e estava calmo.

  101. A pulseira, a gravata
    e os nomes dos meus filhos,
  102. tudo ajudou a manter-me concentrado.
  103. Tal como um alpinista a olhar
    para a beira do precipício,
  104. se tivermos um ponto de apoio sólido,
    podemos arriscar-nos.
  105. E como argumentar
    é uma questão de persuasão,

  106. eu sabia que tinha de evitar emoções.
  107. As demonstrações de emoção falham.
  108. Seria como escrever um "e-mail" usando
    apenas letras maiúsculas em negrito.
  109. Isso não convence ninguém.
  110. Dessa forma, o foco está todo
    em nós, o emissor,
  111. e não no ouvinte ou no destinatário.
  112. Claro, nalgumas situações, mostrar
    emoções é uma boa solução.

  113. Quando discutimos com os pais
  114. e usamos as emoções, isso funciona.
  115. Porquê?
    Porque os nossos pais amam-nos.
  116. Mas os juízes do Supremo Tribunal
    não nos amam.
  117. Eles não gostam de pensar
    que são o tipo de pessoas
  118. que podem ser convencidas
    por emoções.
  119. E eu também aproveitei a ideia
    para criar uma armadilha
  120. para levar o meu adversário
    a provocar uma reação emocional,
  121. para eu poder ser visto
    como a voz firme e calma da lei.
  122. Isso funcionou.
  123. Lembro-me de estar sentado
    no tribunal e saber que tínhamos ganho,

  124. que os tribunais de Guantánamo
    iam ser desativados.
  125. Quando saí do tribunal, fui recebido
    com uma tempestade dos "media".
  126. Quinhentas câmaras,
    e todos a perguntar:
  127. "O que é que essa decisão significa?
    O que é que ela diz?"
  128. Bom, a decisão completa tinha 185 páginas.
  129. Eu não tinha tempo para ler tudo,
    ninguém tinha.
  130. Mas eu sabia o que ela significava.
  131. E foi isso que eu disse
    à porta do tribunal:

  132. "Eis o que aconteceu hoje.
  133. "Nós temos aqui a escória
  134. "— esse homem, que foi acusado
    de ser o motorista de bin Laden,
  135. "um dos homens mais terríveis do mundo.
  136. "Ele não processou um qualquer,
  137. "mas a nação, o homem
    mais poderoso do mundo
  138. "o presidente dos EUA.
  139. "E levou esse processo
    não a um tribunal qualquer,
  140. "mas ao mais alto tribunal do país,
  141. "ao Supremo Tribunal dos EUA.
  142. "E venceu!
  143. "Isto é uma coisa incrível neste país.
  144. "Em muitos outros países,
  145. "este motorista teria sido assassinado,
  146. "apenas por apresentar o seu caso.
  147. "E eu, enquanto seu advogado,
    também teria sido assassinado.
  148. "Mas é isso que torna os EUA diferente.
  149. "É isso que torna os EUA especial."
  150. Graças a essa decisão,
  151. as convenções de Genebra passaram
    a aplicar-se à guerra ao terrorismo,
  152. o que significa o fim das prisões
    clandestinas em todo o mundo,
  153. das torturas por afogamento
    em todo o mundo,
  154. e dos julgamentos militares de Guantánamo.
  155. Construindo metodicamente o caso
  156. e entrando na cabeça dos juízes,
  157. nós conseguimos, literalmente,
    mudar o mundo.
  158. Parece fácil, não é?

  159. Vocês praticam muito,
  160. evitam demonstrar emoções,
  161. e também podem vencer
    qualquer discussão.
  162. Sinto muito, mas não é assim tão simples.
  163. As minhas estratégias não são infalíveis,
  164. e, apesar de eu ter vencido
    mais casos no Supremo Tribunal
  165. do que quase toda a gente,
  166. também perdi muitos.
  167. Na verdade, quando
    Donald Trump foi eleito,

  168. eu fiquei aterrorizado,
    constitucionalmente falando.
  169. Por favor, compreendam:
  170. não é uma questão de Esquerda
    contra a Direita, nada disso.
  171. Não é disso que eu venho aqui falar.
  172. Mas ainda na primeira semana
    do mandato do novo presidente,
  173. devem lembrar-se daquelas
    cenas nos aeroportos.
  174. O presidente Trump construiu
    a sua campanha fazendo uma promessa:
  175. "Eu, Donald J. Trump,
    vou lutar pelo fim absoluto
  176. "da imigração de muçulmanos para os EUA."
  177. E também disse:
    "Eu acho que o Islão nos odeia."
  178. E cumpriu essa promessa,
  179. proibindo a imigração de sete países
    de população maioritariamente islâmica.
  180. Eu e a minha equipa legal entrámos
    imediatamente com um processo,
  181. e derrotámos essa proibição.
  182. Trump reformulou a sua proibição.
  183. Fomos novamente a tribunal
    e derrotámo-la de novo.
  184. Ele reformulou-a mais uma vez
  185. e, dessa vez, incluiu a Coreia do Norte,
  186. Porque todos sabemos
  187. que os EUA têm um grande problema
    de imigração com a Coreia do Norte.
  188. Mas isso permitiu que os seus advogados
    fossem ao Supremo Tribunal dizer:
  189. "Estão a ver, não é discriminação
    contra os muçulmanos,
  190. "também inclui outras pessoas!"

  191. Eu achava que tínhamos um excelente
    argumento contra isso.

  192. Não vou aborrecer-vos com os detalhes.
  193. O importante é que perdemos.
  194. Cinco votos a quatro.
  195. E eu fiquei arrasado.
  196. Fiquei com receio de ter perdido
    os meus poderes de persuasão.
  197. E, então, aconteceram duas coisas.

  198. A primeira foi que reparei que a opinião
    duma parte do Supremo Tribunal
  199. sobre a proibição da imigração
  200. falara dos campos de concentração
    para japoneses nos EUA.
  201. Foi um momento terrível da nossa história,
  202. em que mais de 100 mil americanos de etnia
    japonesa ficaram alojados nesses campos.
  203. A minha pessoa favorita
    que desafiou essa posição
  204. foi Gordon Hirabayashi,
  205. um estudante da Universidade
    de Washington.
  206. Ele entregou-se ao FBI, que disse:
  207. "Tu não tens antecedentes
    criminais, podes ir para casa."
  208. E o Gordon disse:
  209. "Não, eu sou 'quaker'.
    Preciso de resistir contra leis injustas."
  210. Então, foi preso e condenado.
  211. O caso dele chegou ao Supremo Tribunal.
  212. E lá vou eu de novo

  213. acabar com qualquer sentimento
    de previsão que vocês possam ter,
  214. e contar o que aconteceu.
  215. Gordon perdeu.
  216. Mas perdeu por um motivo simples.
  217. Porque o Procurador Geral,
  218. o principal advogado do governo,
  219. disse ao Supremo Tribunal
  220. que os campos de concentração
    se justificavam por necessidade militar.
  221. E assim foi,
  222. apesar de a sua própria
    equipa ter concluído
  223. que não havia necessidade
    do confinamento dos americanos japoneses
  224. e que o FBI e a comunidade
    dos serviços de informações
  225. acreditavam nisso.
  226. E que, na verdade, tudo fora motivado
    por preconceito racial.
  227. A equipa solicitou ao Procurador Geral:
  228. "Diga a verdade, não omita provas."
  229. E o que fez o Procurador Geral?
  230. Nada.
  231. Manteve a história
    da "necessidade militar".
  232. E o Supremo Tribunal manteve
    a condenação de Gordon Hirabayashi.
  233. E, no ano seguinte, repetiu
    a condenação de Fred Korematsu.
  234. Agora, porque é que eu
    estava a pensar nisto?

  235. Porque quase 70 anos depois,
    eu ocupei a mesma posição,
  236. de chefe da Procuradoria Geral,
  237. e pude corrigir os erros,
  238. explicar que o governo havia interpretado
    os factos erroneamente
  239. no caso dos campos de concentração.
  240. E quando pensei na opinião do Supremo
    Tribunal sobre a proibição de imigração,
  241. eu percebi que o Supremo Tribunal,
    nessa decisão,
  242. se esforçou muito para derrubar
    o processo contra Korematsu.
  243. Agora, não era somente o Departamento
    de Justiça que estava a dizer
  244. que os campos de concentração
    eram um erro,
  245. mas o Supremo Tribunal também.
  246. Isso é uma lição crucial
    sobre argumentar: o momento certo.

  247. Todos vocês, quando estiverem a discutir,
    têm uma importante decisão a tomar:
  248. Quando devem apresentar
    os vossos argumentos?
  249. Não basta ter os argumentos certos,
  250. é preciso o argumento certo
    na altura certa.
  251. Em que momento a vossa audiência
    — um cônjuge, um chefe ou um filho —
  252. estará mais recetiva?
  253. Algumas vezes, isso foge
    totalmente do nosso controlo.

  254. Os atrasos custam demasiado caro.
  255. Então podemos entrar e lutar
  256. e, tal como eu, errar o momento.
  257. Foi o que pensámos quanto
    à proibição de imigração.
  258. Vejam bem, o Supremo Tribunal
    não estava preparado,
  259. logo no início do mandato
    do presidente Trump,
  260. para vetar a sua iniciativa principal,
  261. assim como não estava preparado para vetar
    os campos de concentração de Roosevelt.
  262. Algumas vezes, simplesmente
    temos de arriscar.
  263. E é muito doloroso quando perdemos.
  264. É muito difícil ter paciência.
  265. Mas isso recorda-me a segunda lição.

  266. Mesmo que a vitória venha depois,
  267. eu percebi como é importante
    a luta do momento.
  268. Porque ela inspira, ela educa.
  269. Eu lembro-me de ler
    uma coluna de Ann Coulter

  270. sobre o veto aos muçulmanos.
  271. Eis o que ela disse:
  272. "A discutir contra Trump estava
    um americano filho de imigrantes,
  273. "Neal Katyal.
  274. "Há inúmeras pessoas cujas famílias
    odeiam os EUA há 10 gerações.
  275. "Porque não chamar um deles para defender
    que devíamos destruir o nosso país
  276. "através da imigração em massa?"

  277. É nessa altura que a emoção,
  278. que é tão prejudicial
    para uma boa discussão,
  279. era importante para mim.
  280. Eu precisava de emoções fora do tribunal,
    para voltar para a luta.
  281. Quando li as palavras da Coulter,
    fiquei furioso.

  282. Eu rejeito a ideia
  283. de que ser um americano filho de
    imigrantes me desqualificaria.
  284. Eu rejeito a ideia de que
    a imigração em massa
  285. destruiria este país,
  286. em vez de reconhecer
    que essa é a fundação
  287. sobre a qual este país foi construído.
  288. Quando li a Coulter,

  289. pensei em muitas coisas do meu passado,
  290. pensei no meu pai,
  291. que chegou aqui vindo da Índia
    apenas com oito dólares,
  292. sem saber se devia usar a casa de banho
    dos brancos ou o das "pessoas de cor".
  293. Pensei no primeiro emprego
    que ele encontrou, num matadouro.
  294. Um péssimo emprego para um hindu.
  295. Pensei em como, quando nos mudámos
    para um novo bairro em Chicago,
  296. com outra família indiana,
  297. que essa família teve uma cruz
    queimada no seu quintal,
  298. porque os racistas não são muito bons
  299. em distinguir hindus de afro-americanos.
  300. E pensei em todas as críticas que recebi
    durante o caso Guantánamo
  301. por ser um "simpatizante de muçulmanos".
  302. Os racistas também não são bons
    em distinguir hindus de muçulmanos.
  303. Ann Coulter pensou que ser filho
    de um imigrante era uma fraqueza.

  304. Ela estava profundamente enganada.
  305. Essa é a minha força,
  306. porque eu sabia
    o que os EUA deviam defender.
  307. Eu sabia que, nos EUA,
  308. eu, filho de um homem que chegou aqui
    apenas com oito dólares no bolso,
  309. podia apresentar-se
    no Supremo Tribunal dos EUA,
  310. representando um estrangeiro odiado,
  311. como o motorista de Osama bin Laden,
  312. e ganhar.
  313. Isso fez-me perceber que,
    apesar de eu ter perdido a causa,

  314. também estava certo quanto ao veto
    à imigração de muçulmanos.
  315. Fosse qual fosse a decisão do Tribunal
  316. eles não podiam mudar o facto
  317. de os imigrantes fortalecerem esse país.
  318. Na verdade, de muitas formas, são
    os imigrantes que mais amam este país.
  319. Quando eu li as palavras da Ann Coulter,
  320. pensei nas gloriosas palavras
    da nossa Constituição.
  321. Na Primeira Emenda:
  322. "O Congresso não deve criar leis
    estabelecendo uma religião".
  323. Eu pensei no nosso lema nacional,
  324. "E pluribus unum",
  325. "de muitos, um".
  326. Acima de tudo, eu percebi

  327. que a única forma de verdadeiramente
    perder uma discussão
  328. é desistir.
  329. Então, juntei-me ao processo
    movido pelo Congresso
  330. contestando a decisão de Trump de incluir
    uma pergunta sobre cidadania no censo,
  331. uma decisão com grandes implicações.
  332. Foi um processo muito difícil.
  333. A maioria acreditava que perderíamos.
  334. Mas acontece que ganhámos.
  335. Cinco votos contra quatro.
  336. O Supremo Tribunal basicamente disse
  337. que o presidente Trump e o secretário
    do seu gabinete haviam mentido.
  338. Então eu levantei-me e voltei à luta,

  339. e espero que cada um de vocês,
    à vossa maneira, faça o mesmo
  340. Eu estou a voltar à luta,
  341. porque acredito que os bons argumentos
    sempre vencem no final.
  342. O arco da justiça é longo,
  343. e, muitas vezes, curva-se lentamente,
  344. mas só se curva se nós o curvarmos.
  345. Eu percebi que não se trata
    de vencermos todas as discussões,
  346. mas de nos levantarmos
    e continuarmos quando perdemos.
  347. Porque, a longo prazo,
  348. os bons argumentos prevalecem.
  349. Se tivermos um bom argumento,
  350. ele tem o poder de nos sobreviver
  351. de se espalhar para além de nós,
  352. de alcançar mentes futuras.
  353. É por esse motivo que tudo isso
    é tão importante.

  354. Eu não estou a ensinar-vos a vencer
    discussões só por vencer.
  355. Isto não é um jogo.
  356. Eu estou a dizer-vos isto
    porque, mesmo que não ganhem agora,
  357. se tiverem um bom argumento,
    a história vai mostrar que estavam certos.
  358. Eu penso imensas vezes
    naquele professor de teatro.

  359. Acabei por perceber
  360. que a mão que eu estava a segurar
    era a mão da justiça.
  361. Essa mão estendida vai-vos aparecer.
  362. A decisão é vossa:
    ou a empurram para longe
  363. ou continuam a segurá-la.
  364. Muito obrigado pela vossa atenção.