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A injustiça económica do plástico

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    É uma honra estar aqui,
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    e é uma honra vir falar deste assunto,
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    que considero ser de grande importância.
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    Temos falado imenso sobre
    o terrível impacto do plástico
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    no planeta e noutras espécies,
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    mas o plástico também afeta as pessoas,
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    principalmente pessoas pobres.
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    Tanto na produção do plástico,
  • 0:24 - 0:27
    como no seu consumo e no deitá-lo fora,
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    as pessoas que primeiro
    sofrem os seus efeitos
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    são as pessoas pobres.
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    As pessoas ficaram preocupadas
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    com o derrame de petróleo da BP,
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    por uma boa razão.
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    As pessoas pensaram:
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    "Oh, meu Deus. Isto é terrível.
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    "O petróleo está na água,
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    "vai destruir os sistemas dos seres vivos.
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    "As pessoas vão ser prejudicadas.
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    "Isto é uma coisa terrível.
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    "Este petróleo vai prejudicar
    as pessoas do Golfo."
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    Mas as pessoas não pensam
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    no que acontece quando o petróleo
    chega a terra sem problemas.
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    E se o petróleo tivesse chegado
    onde devia ter chegado?
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    Não só teria sido queimado em motores
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    e contribuído para o aquecimento global,
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    mas há um lugar
    chamado "Avenida do Cancro"
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    que se chama "Avenida do Cancro"
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    porque a indústria petroquímica
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    pega no petróleo
    e transforma-o em plástico
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    e, neste processo, mata pessoas.
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    Encurta a vida das pessoas
    que vivem no Golfo.
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    O petróleo e os petroquímicos
    não são um problema
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    só quando há um derrame;
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    são um problema quando não há derrame.
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    Muitas vezes, não consideramos
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    o preço que as pessoas pobres pagam
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    para nós termos
    estes produtos descartáveis.
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    Outra coisa que não temos em conta
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    é que não é só na produção
    que as pessoas pobres sofrem.
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    As pessoas pobres também sofrem
    na fase do consumo.
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    Quem tem um certo nível de rendimentos,
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    tem uma coisa chamada "escolha".
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    Queremos trabalhar
    muito e ter um emprego,
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    não queremos ser pobres, sem dinheiro,
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    para podermos fazer escolhas económicas.
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    Temos a oportunidade de escolher,
    de não consumir produtos
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    que contenham plástico tóxico ou perigoso.
  • 2:00 - 2:03
    As pessoas pobres não têm
    esse tipo de alternativas.
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    As pessoas de poucos recursos são,
    geralmente, quem compra para os filhos
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    os produtos que contêm
    substâncias químicas perigosas.
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    São as pessoas que acabam por consumir
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    e ingerir uma quantidade desproporcionada
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    deste plástico tóxico.
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    E as pessoas dizem:
    "Eles que comprem outros produtos".
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    O problema de se ser pobre
    é não ter essa opção.
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    Frequentemente, têm de comprar
    os produtos mais baratos
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    que são, muitas vezes, os mais perigosos.
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    A produção de plástico
    leva as pessoas a sofrer de cancros
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    em locais como "a Avenida do Cancro"
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    vendo a sua vida a ser encurtada.
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    As crianças pobres são lesadas
    aquando do consumo.
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    Na fase de deitar fora,
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    uma vez mais, são as pessoas pobres
    que mais sofrem.
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    Pensamos que estamos
    a fazer a coisa certa.
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    Estamos no nosso escritório,
    a beber uma garrafa de água
  • 2:49 - 2:52
    e pensamos:
    "Vou deitar isto fora.
  • 2:52 - 2:54
    "Não. Vou fazer isto bem.
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    "Vou pôr a garrafa no ecoponto.
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    "Eu ponho a minha no ecoponto".
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    Depois, olhamos para o colega e dizemos:
  • 3:01 - 3:05
    "Imbecil, puseste a tua no lixo comum".
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    Para nós isto é um divertimento moral.
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    Sentimo-nos bem connosco.
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    Talvez eu me sinta bem.
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    Vocês não, mas eu sinto-me assim.
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    Assim, temos o nosso momento
    de satisfação moral.
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    Mas se pudéssemos seguir
    aquela garrafa na sua viagem,
  • 3:24 - 3:27
    ficaríamos chocados
    ao descobrir que, quase sempre,
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    aquela garrafa é colocada num barco,
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    atravessa todo um oceano
  • 3:32 - 3:34
    — e isso custa dinheiro —
  • 3:34 - 3:37
    e vai acabar num país em desenvolvimento,
    frequentemente na China.
  • 3:37 - 3:40
    Acho que. na nossa mente,
    vemos alguém a pegar naquela garrafa
  • 3:40 - 3:45
    e dizer: "Oh, garrafinha. Estou tão
    contente por te ver.
  • 3:45 - 3:47
    (Risos)
  • 3:47 - 3:49
    "Serviste-nos tão bem."
  • 3:50 - 3:52
    Ela recebe uma pequena massagem,
  • 3:52 - 3:54
    uma medalha para garrafas
    e perguntam-lhe:
  • 3:54 - 3:56
    "O que é que queres fazer agora?"
  • 3:56 - 3:58
    E a garrafinha diz: "Não sei".
  • 4:00 - 4:03
    Mas não é isso que acontece.
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    Aquela garrafa acaba incinerada.
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    Reciclar plástico em muitos países
    em desenvolvimento
  • 4:12 - 4:15
    significa incineração de plástico,
  • 4:15 - 4:16
    queimar o plástico,
  • 4:16 - 4:19
    o que liberta uma quantidade
    incrível de químicos tóxicos
  • 4:19 - 4:21
    que, uma vez mais, mata pessoas.
  • 4:21 - 4:23
    Assim, são as pessoas pobres
  • 4:23 - 4:24
    que fabricam estes produtos
  • 4:24 - 4:27
    em centrais petroquímicas
    como a "Avenida do Cancro".
  • 4:27 - 4:30
    São as pessoas pobres que mais
    consomem estes produtos,
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    e são as pessoas pobres
    que, no final da "reciclagem",
  • 4:33 - 4:35
    veem as suas vidas encurtadas.
  • 4:36 - 4:39
    Todas elas são gravemente lesadas
  • 4:39 - 4:44
    pelo vício que temos
    pelo descartável
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    Agora, devem estar a pensar
    — porque eu conheço-vos:
  • 4:47 - 4:50
    "Isto é realmente horrível
    para essas pobres pessoas.
  • 4:50 - 4:54
    "É simplesmente terrível,
    pobres pessoas.
  • 4:54 - 4:57
    "Espero que alguém faça alguma
    coisa para os ajudar".
  • 4:57 - 5:00
    Mas o que não compreendemos é que...
  • 5:01 - 5:02
    Estamos em Los Angeles.
  • 5:02 - 5:04
    Trabalhámos arduamente
    para reduzir o "smog"
  • 5:04 - 5:06
    que se forma aqui em Los Angeles.
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    Mas, sabem que mais?
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    Dada a produção
    altamente poluente na Ásia,
  • 5:10 - 5:14
    onde as leis ambientais
    não protegem a população asiática,
  • 5:14 - 5:18
    quase todos os níveis de ar limpo
    e ar tóxico
  • 5:18 - 5:20
    que alcançámos aqui na Califórnia
  • 5:20 - 5:24
    foram arruinados pelo ar poluído
    que chega da Ásia.
  • 5:24 - 5:27
    Assim, todos somos atingidos,
    todos sofremos os impactos.
  • 5:27 - 5:30
    Só que a população pobre é atingida
    primeiro e com maior impacto.
  • 5:30 - 5:33
    Mas a produção poluente,
    os tóxicos queimados,
  • 5:33 - 5:36
    a falta de medidas ambientais na Ásia
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    está a gerar tal poluição no ar
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    que atravessa o oceano
  • 5:39 - 5:42
    e elimina o que conseguimos
    aqui na Califórnia.
  • 5:42 - 5:44
    Voltámos à estaca
    em que estávamos nos anos 70.
  • 5:44 - 5:45
    Habitamos um só planeta,
  • 5:45 - 5:48
    temos de conseguir chegar
    à raiz destes problemas.
  • 5:49 - 5:51
    Na minha opinião, a raiz deste problema
  • 5:51 - 5:54
    é a ideia do descartável.
  • 5:54 - 5:57
    Se compreendermos a relação
  • 5:57 - 5:59
    entre o que estamos a fazer
  • 5:59 - 6:02
    ao envenenar e contaminar o planeta
  • 6:02 - 6:04
    e o que fazemos às pessoas pobres,
  • 6:04 - 6:07
    chegamos a uma conclusão
    muito inquietante,
  • 6:07 - 6:09
    mas também muito útil:
  • 6:09 - 6:11
    Para contaminar o planeta
  • 6:11 - 6:13
    temos de contaminar as pessoas.
  • 6:13 - 6:16
    Mas, se criarmos um mundo
    em que não contaminamos pessoas,
  • 6:16 - 6:18
    então não contaminamos o planeta.
  • 6:18 - 6:23
    Estamos na fase em que a união
    da ideia de justiça social
  • 6:23 - 6:25
    com a ideia de ecologia,
  • 6:25 - 6:27
    nos permite finalmente ver
  • 6:27 - 6:30
    que elas são, de facto, apenas uma ideia.
  • 6:30 - 6:33
    É a ideia de que não existe
    nada descartável.
  • 6:33 - 6:36
    Não temos recursos descartáveis.
  • 6:36 - 6:39
    Não temos espécies descartáveis.
  • 6:39 - 6:42
    E também não temos pessoas descartáveis.
  • 6:42 - 6:44
    Não temos um planeta
    e muito menos crianças
  • 6:44 - 6:46
    que possamos deitar fora,
    tudo é precioso.
  • 6:46 - 6:49
    Assim que todos começarmos
    a compreender esta ideia básica,
  • 6:49 - 6:52
    vão surgir novas oportunidades de ação.
  • 6:53 - 6:54
    A biomimética,
  • 6:54 - 6:58
    que é uma ciência que está a surgir,
  • 6:58 - 7:01
    acaba por ser uma ideia
    muito importante de justiça social.
  • 7:01 - 7:04
    Para quem está a ouvir
    este termo pela primeira vez,
  • 7:04 - 7:07
    biomimética significa respeitar
    a sabedoria de todas a espécies.
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    Democracia significa
    respeitar a sabedoria de todas as pessoas
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    — já lá chegaremos.
  • 7:12 - 7:15
    Biomimética significa respeitar
    a sabedoria de todas a espécies.
  • 7:15 - 7:18
    Ao que parece, a nossa espécie
    é bastante inteligente.
  • 7:18 - 7:21
    O nosso grande córtex
    faz-nos sentir muito orgulhosos.
  • 7:21 - 7:24
    Mas, se queremos fazer
    uma coisa difícil, dizemos:
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    "Já sei, vou fazer uma substância dura.
  • 7:26 - 7:29
    "Vou usar aspiradores e fornos
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    "e extrair coisas da terra
  • 7:31 - 7:34
    "e aquecer tudo e contaminar e poluir,
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    "mas consegui esta coisa dura!
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    "Sou tão esperto!"
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    Olhamos para trás
    e tudo à nossa volta é destruição.
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    Mas vejam só! São muito inteligentes
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    mas não tão inteligentes como uma amêijoa.
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    A casca da amêijoa é dura.
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    Sem aspiradores. Sem grandes fornalhas.
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    Não há contaminação, nem poluição.
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    Parece que, afinal, outras espécies
    há muito que descobriram
  • 7:57 - 8:00
    como criar muitas das coisas
    de que necessitamos
  • 8:00 - 8:04
    usando processos biológicos
    que a natureza sabe como usar bem.
  • 8:04 - 8:05
    A biomimética mostra-nos
  • 8:05 - 8:08
    o que os nossos cientistas
    acabaram por perceber.
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    Podemos aprender muito
    com outras espécies.
  • 8:10 - 8:12
    Não estou a falar de pegar num rato
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    e fazer experiências com ele.
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    Não me refiro ao abuso dessas espécies.
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    Quero dizer, respeitando-as
    e respeitando o que elas alcançaram.
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    A isso chama-se biomimética
  • 8:21 - 8:23
    e isso abre a porta
  • 8:23 - 8:25
    para a produção sem desperdícios,
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    para a produção sem poluição,
  • 8:27 - 8:29
    de forma a podermos desfrutar
  • 8:29 - 8:31
    de uma qualidade e nível de vida altos
  • 8:31 - 8:33
    sem destruir o planeta.
  • 8:33 - 8:36
    Esta ideia de biomimética,
  • 8:36 - 8:39
    respeitando a sabedoria das espécies,
  • 8:39 - 8:43
    combinada com a ideia
    de democracia e justiça social,
  • 8:43 - 8:45
    respeitando a sabedoria
    e o valor de todos,
  • 8:45 - 8:47
    poderia mudar a sociedade.
  • 8:47 - 8:49
    Teríamos uma economia diferente.
  • 8:49 - 8:51
    Teríamos uma sociedade ecológica
  • 8:51 - 8:54
    da qual o Dr. King se orgulharia.
  • 8:54 - 8:56
    Este deveria ser o objetivo.
  • 8:56 - 8:58
    E o caminho para lá chegar
    é, primeiro que tudo, reconhecer
  • 8:58 - 9:01
    que a ideia do descartável
  • 9:01 - 9:03
    não só causa danos
  • 9:03 - 9:05
    nas espécies de que falámos
  • 9:06 - 9:08
    como também corrompe a nossa sociedade.
  • 9:08 - 9:11
    Temos tanto orgulho
    em viver aqui na Califórnia.
  • 9:11 - 9:14
    Acabámos de votar e toda a gente pensa:
  • 9:14 - 9:16
    "Não, no nosso estado não.
  • 9:16 - 9:19
    "Não sei o que é
    que os outros estados estão a fazer."
  • 9:19 - 9:21
    (Risos)
  • 9:21 - 9:23
    Estamos tão orgulhosos.
  • 9:24 - 9:26
    E eu também estou orgulhoso.
  • 9:26 - 9:29
    Mas a Califórnia,
  • 9:29 - 9:33
    apesar liderar mundialmente
    nalgumas matérias ecológicas,
  • 9:33 - 9:35
    infelizmente, também dá o mau exemplo,
  • 9:35 - 9:37
    nalgumas coisas "gulag".
  • 9:37 - 9:40
    A Califórnia tem uma das taxas
    mais altas de encarceramento
  • 9:40 - 9:42
    no total dos 50 estados.
  • 9:42 - 9:45
    Temos um problema moral, neste momento.
  • 9:45 - 9:50
    Somos apaixonados pelo resgate
    de materiais dos aterros,
  • 9:50 - 9:52
    mas, por vezes, não somos tão apaixonados
  • 9:52 - 9:56
    no que toca ao resgate
    de seres vivos, de seres humanos.
  • 9:56 - 9:58
    E eu diria que vivemos num país
  • 9:58 - 10:00
    com 5% da população mundial,
  • 10:00 - 10:03
    mas com 25% dos gases
    com efeito de estufa,
  • 10:03 - 10:06
    e também com 25%
    dos prisioneiros do mundo.
  • 10:06 - 10:08
    Uma em cada quatro pessoas
    presas pelo mundo
  • 10:08 - 10:10
    está presa aqui nos EUA.
  • 10:11 - 10:14
    Isso é compatível com a ideia
  • 10:14 - 10:17
    de que descartável é algo
    em que acreditamos.
  • 10:17 - 10:19
    Apesar disso,
  • 10:19 - 10:23
    como um movimento que tem
    de ampliar o seu círculo,
  • 10:23 - 10:25
    que tem de crescer,
  • 10:25 - 10:28
    que tem que chegar
    para além da nossa zona de conforto,
  • 10:28 - 10:31
    um dos desafios para o sucesso
    deste movimento
  • 10:31 - 10:35
    de nos livrarmos de coisas como o plástico
    e ajudarmos à viragem da economia,
  • 10:35 - 10:38
    é que as pessoas olham com desconfiança
    para o nosso movimento
  • 10:38 - 10:40
    e perguntam:
  • 10:40 - 10:43
    "Como é que estas pessoas
    podem ser tão apaixonadas?"
  • 10:43 - 10:47
    As pessoas pobres, de baixos rendimentos,
    alguém da "Avenida do Cancro",
  • 10:47 - 10:51
    alguém de Watts, alguém de Harlem,
    alguém numa reserva indígena,
  • 10:51 - 10:54
    dirá para si mesmo, com toda a razão:
  • 10:54 - 10:56
    "Como é que estas pessoas
    podem ser tão apaixonadas
  • 10:56 - 10:58
    "por se certificarem
  • 10:58 - 11:02
    "que uma garrafa de plástico tem
    uma segunda oportunidade de vida,
  • 11:02 - 11:05
    "ou uma lata de alumínio
    tem uma segunda oportunidade
  • 11:05 - 11:09
    "mas, quando o meu filho está em sarilhos
    e vai para a prisão,
  • 11:09 - 11:11
    "não tem uma segunda oportunidade?"
  • 11:11 - 11:14
    "Como é que este movimento
    pode, de forma tão ardente,
  • 11:14 - 11:17
    "dizer que não devemos
    deitar forma coisas descartáveis,
  • 11:17 - 11:19
    "e aceitar que se descartem vidas,
  • 11:19 - 11:22
    "que se descartem comunidades
    como a da "Avenida do Cancro"?
  • 11:22 - 11:24
    Agora temos a oportunidade
  • 11:24 - 11:27
    de estar orgulhosos deste movimento.
  • 11:27 - 11:29
    Quando discutimos temas como este,
  • 11:29 - 11:33
    lembramo-nos de que temos
    de nos ligar a outros movimentos,
  • 11:34 - 11:36
    tornarmo-nos mais inclusivos e crescer,
  • 11:36 - 11:40
    e finalmente sairmos deste dilema
    em que estamos metidos.
  • 11:40 - 11:43
    A maior parte de vocês são pessoas
    boas, de bom coração.
  • 11:43 - 11:46
    Quando eram jovens
    preocupavam-se com todo o mundo,
  • 11:46 - 11:49
    e a certa altura alguém vos disse
    que tinham que escolher um tema
  • 11:49 - 11:51
    que despertasse o vosso amor.
  • 11:52 - 11:54
    "Não podem amar o mundo inteiro.
  • 11:54 - 11:55
    "Trabalhem com árvores,
  • 11:55 - 11:57
    "ou na imigração.
  • 11:57 - 12:00
    "Têm de escolher e limitar-se
    apenas a uma causa".
  • 12:00 - 12:03
    Basicamente, dizem-nos:
  • 12:03 - 12:05
    "Vão abraçar uma árvore,
  • 12:05 - 12:07
    "ou vão abraçar uma criança? Escolham.
  • 12:07 - 12:09
    "Vão abraçar uma árvore,
  • 12:09 - 12:11
    "ou vão abraçar uma criança? Escolham."
  • 12:11 - 12:14
    Quando começamos a trabalhar
    em coisas como o plástico,
  • 12:14 - 12:16
    apercebemo-nos que tudo está ligado,
  • 12:16 - 12:19
    e felizmente quase todos
    temos dois braços.
  • 12:19 - 12:20
    Podemos abraçar os dois.
  • 12:20 - 12:22
    Muito obrigado.
  • 12:22 - 12:25
    (Aplausos)
Title:
A injustiça económica do plástico
Speaker:
Van Jones
Description:

Van Jones deduz acusação contra a poluição do plástico segundo uma perspetiva de justiça social. O lixo plástico, diz-nos, atinge "primeiro e com mais intensidade" pessoas pobres e países pobres, mas todos sofremos as consequências independentemente do sítio onde vivemos ou do dinheiro que ganhamos. No TEDxGPGP, ele oferece algumas ideias poderosas para nos ajudar a recuperar o nosso planeta descartável.

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Video Language:
English
Team:
TED
Project:
TEDTalks
Duration:
12:29

Portuguese subtitles

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