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Showing Revision 10 created 09/05/2013 by Gustavo Rocha.

  1. Meu nome é Dan Cohen, e eu sou
    um acadêmico, como ele disse.
  2. E o que isso significa é que eu discuto.
  3. É uma parte importante da minha vida,
    e eu gosto de discutir.
  4. E eu não sou apenas
    um acadêmico, sou um filósofo,
  5. então gosto de pensar que sou
    realmente muito bom em discutir.
  6. Mas eu também gosto
    de pensar muito sobre discussão.
  7. E pensando sobre discussão,
    eu me deparei com alguns enigmas,
  8. e um dos enigmas é que
  9. como estive pensando
    sobre discussão ao longo dos anos,
  10. e já se passaram décadas,
    eu melhorei minha discussão,
  11. mas quanto mais eu discuto
    e melhor fico na discussão,
  12. mais eu perco. E isso é um enigma.
  13. E o outro enigma é que eu
    não me importo com isso.
  14. Por que é que não me importo de perder
  15. e por que é que acho que os bons argumentadores
  16. são realmente melhores em perder?
  17. Bem, há alguns outros enigmas.
  18. Um deles é, por que discutir?
    Quem ganha com discussões?
  19. E quando eu penso
    em discussões agora, estou falando,
  20. vamos chamá-las de discussões
    acadêmicas ou discussões cognitivas,
  21. onde algo cognitivo está em jogo.
  22. Essa proposta é verdade?
    Essa é uma boa teoria?
  23. Será que é uma interpretação viável
    dos dados ou do texto?
  24. E assim por diante. Eu não estou mesmo
    interessado em discussões
  25. sobre de quem é a vez de lavar a louça
    ou quem tem que tirar o lixo.
  26. Sim, nós temos essas discussões também.
  27. Eu costumo ganhar essas discussões,
    porque eu conheço os truques.
  28. Mas essas não são as discussões importantes.
  29. Estou interessado em
    discussões acadêmicas hoje,
  30. e aqui estão as coisas que me intrigam.
  31. Primeiro, o que bons argumentadores ganham
    quando ganham uma discussão?
  32. O que eu ganho se eu convencê-lo que
  33. utilitarismo não é o quadro adequado
    para pensar sobre teorias éticas?
  34. Então, o que nós ganhamos
    quando ganhamos uma discussão?
  35. Mesmo antes disso, o que me importa
  36. se você tem essa ideia
    de que a teoria de Kant funciona
  37. ou Mill é o moralista
    mais adequado de seguir?
  38. Não me faz a menor diferença se você pensa
  39. que o funcionalismo é uma teoria viável da mente.
  40. Então, por que ainda tentamos argumentar?
  41. Por que tentamos convencer outras pessoas
  42. a acreditar em coisas em que
    elas não querem acreditar?
  43. E será que é uma coisa agradável a fazer?
    Será que é uma boa maneira
  44. de tratar outro ser humano, tentar fazê-los
  45. pensar em algo em que
    eles não querem pensar?
  46. Bem, a minha resposta vai fazer referência a
  47. três modelos de discussão.
  48. O primeiro modelo, vamos chamá-lo
    de modelo dialético,
  49. é que pensamos sobre discussões como
    uma guerra e vocês sabem como é isso.
  50. Há um monte de gritos e berros
  51. e ganhadores e perdedores,
  52. e isso não é mesmo um modelo
    muito útil de discussão
  53. mas é um modelo muito comum
    e enraizado de discussão.
  54. Mas há um segundo modelo de discussão:
    discussões como provas.
  55. Pense na discussão de um matemático.
  56. Eis meu argumento.
    Será que funciona? Será que é bom?
  57. As premissas são justificadas?
    As inferências são válidas?
  58. A conclusão segue das premissas?
  59. Sem oposição, sem adversariedade,
  60. não necessariamente uma discussão
    no sentido adversarial.
  61. Mas há um terceiro modelo a ter em mente
  62. que eu acho vai ser muito útil,
  63. e são discussões como performances,
  64. discussões como estar
    na frente de uma plateia.
  65. Podemos pensar em um político
    tentando apresentar uma posição,
  66. tentando convencer
    o público de alguma coisa.
  67. Mas há outro detalhe neste modelo
    que eu realmente acho que é importante,
  68. que quando discutimos
    na frente de uma plateia,
  69. às vezes a plateia tem um papel
    mais participativo na discussão,
  70. isto é, discussões também são
    audiências na frente de júris
  71. que fazem um julgamento e decidem o caso.
  72. Vamos chamar isso de modelo retórico,
  73. onde você tem que adaptar seu argumento
    para o público à disposição.
  74. Sabem, apresentar uma discussão sólida,
  75. bem construída e firme em inglês
    para um público francófono
  76. simplesmente não vai funcionar.
  77. Então temos esses modelos --
    discussão como guerra,
  78. discussão como prova
    e discussão como performance.
  79. Desses três, a discussão
    como guerra é a dominante.
  80. Ela domina como falamos de discussões,
  81. domina o modo como
    pensamos sobre discussões,
  82. e por isso, molda como discutimos,
  83. nossa verdadeira conduta nas discussões.
  84. Agora, quando falamos de discussões,
  85. Sim, falamos numa linguagem
    bem militarista.
  86. Queremos discussões fortes,
    discussões que tenham ímpeto,
  87. discussões que vão direto ao alvo.
  88. Queremos ter nossas defesas preparadas
    e nossas estratégias em ordem.
  89. Queremos discussões matadoras.
  90. Esse é o tipo de discussão que queremos.
  91. É a forma dominante
    de pensar sobre discussões.
  92. Quando falo de discussões,
    foi provavelmente nisso
  93. que vocês pensaram, no modelo adversarial.
  94. Mas a metáfora de guerra,
    o paradigma de guerra
  95. ou modelo de pensar sobre as discussões,
  96. tem, eu acho, efeitos deformantes
    na forma como discutimos.
  97. Primeiro ele prioriza tática
    em detrimento à substância.
  98. Você pode estudar lógica, argumentação.
  99. Você aprende tudo sobre
    os subterfúgios que as pessoas usam
  100. para tentar ganhar
    discussões, os falsos passos.
  101. Isso amplia o aspecto de nós-contra-eles.
  102. Torna-se adversarial. É polarizador.
  103. E os únicos resultados previsíveis
  104. são triunfo, triunfo glorioso,
    ou uma miserável derrota vergonhosa.
  105. Acho que esses são os efeitos
    deformantes, e o pior de tudo,
  106. parece evitar coisas como negociação
  107. ou deliberação ou compromisso
  108. ou colaboração.
  109. Pensem sobre isso. Alguma vez vocês
    já entraram em uma discussão
  110. pensando: "Vamos ver se conseguimos
    botar algo para fora
  111. ao invés de brigar. O que
    podemos trabalhar juntos?"
  112. E eu acho que a metáfora
    da discussão como guerra
  113. inibe os outros tipos de resolução
    para a argumentação
  114. E, finalmente, esta é
    realmente a pior coisa,
  115. discussões não parecem
    nos levar a lugar nenhum.
  116. São becos sem saída. São rotatórias
  117. ou engarrafamentos ou
    um impasse na conversa.
  118. Não chegamos a lugar nenhum.
  119. Ah, e mais uma coisa, e como educador,
  120. é esta que realmente me incomoda:
  121. Se a discussão é uma guerra,
    então há uma equação implícita
  122. de aprender com a perda.
  123. E deixem-me explicar o que quero dizer.
  124. Suponha que você e eu
    tenhamos uma discussão.
  125. Você acredita em uma
    proposição, P, e eu não.
  126. E eu digo: "Bem, por que
    você acredita em P?"
  127. E você me dá suas razões.
  128. E eu me oponho e digo:
    "Bem, e que tal ... ?"
  129. E você responde minha oposição.
  130. E eu tenho uma pergunta:
    "Bem, o que você quer dizer?
  131. Como isso se aplica aqui?
    E você responde minha pergunta.
  132. Agora, suponhamos que, no final do dia,
  133. eu tenha me oposto, tenha questionado,
  134. levantei todos os tipos
    de contra-considerações,
  135. e em todos os casos
    você respondeu à minha satisfação.
  136. E assim, no final do dia, eu digo,
  137. "Sabe o quê? Acho que você está certo. P."
  138. E tenho uma nova crença.
    E não é apenas uma crença,
  139. mas é uma bem articulada e examinada,
  140. é uma crença testada em batalha.
  141. Grande ganho cognitivo. Ok.
    Quem ganhou essa discussão?
  142. Bem, a metáfora de guerra
    parece obrigar-nos a dizer
  143. que você ganhou, mesmo que eu tenha sido
    o único que teve qualquer ganho cognitivo.
  144. O que você ganhou
    cognitivamente ao me convencer?
  145. Claro, você teve algum prazer com isso,
    talvez o seu ego afagado,
  146. talvez você obteve algum
    status profissional no assunto.
  147. Esse cara é um bom argumentador.
  148. Mas cognitivamente -- só do ponto de vista
    cognitivo -- quem foi o vencedor?
  149. A metáfora de guerra obriga-nos a pensar
  150. que você é o vencedor e eu perdi,
  151. mesmo que eu tenha ganhado.
  152. E há algo de errado com essa imagem.
  153. E é essa a imagem que eu realmente
    quero mudar, se pudermos.
  154. Então, como podemos encontrar
    maneiras de fazer as discussões
  155. produzirem algo positivo?
  156. O que precisamos é de novas estratégias
    de saída para as discussões.
  157. Mas não vamos ter novas estratégias
    de saída para as discussões
  158. até que tenhamos novas abordagens
    de entrada para as discussões.
  159. Precisamos pensar em
    novos tipos de discussão.
  160. Para fazer isso, bem,
  161. eu não sei como fazer.
  162. Essa é a má notícia.
  163. A metáfora da discussão como guerra
    é só-- é um monstro.
  164. Só está tomando espaço em nossa mente,
  165. e não há nenhuma
    bala mágica que vai matá-la.
  166. Não há nenhuma varinha mágica
    que vai fazê-la desaparecer.
  167. Eu não tenho uma resposta.
  168. Mas tenho algumas sugestões
    e aqui vai a minha sugestão.
  169. Se quisermos pensar
    em novos tipos de discussão,
  170. o que precisamos fazer é pensar
    em novos tipos de argumentadores.
  171. Então, tentem isso.
  172. Pensem em todos os papéis que as pessoas
    desempenham nas discussões.
  173. Há o proponente e o adversário
  174. em uma discussão adversarial, dialética.
  175. Há o público em discussões retóricas.
  176. Há o pensador em discussões como prova.
  177. Todos esses diferentes papéis.
    Agora, vocês podem imaginar uma discussão
  178. em que vocês são o argumentador,
    mas também estão na plateia
  179. observando-se discutir?
  180. Vocês podem se imaginar
    vendo a si mesmo discutir,
  181. perder a discussão, e ainda,
    no final da discussão,
  182. dizer: "Uau, essa foi uma boa discussão."
  183. Conseguem fazer isso? Eu acho que sim.
  184. E acho que, se vocês puderem
    imaginar esse tipo de discussão
  185. onde o perdedor diz ao vencedor
  186. e o público e o júri podem dizer,
  187. "Sim, essa foi uma boa discussão",
  188. então vocês imaginaram uma boa discussão.
  189. E mais do que isso,
    acho que vocês imaginaram
  190. um bom argumentador,
    um argumentador que é digno
  191. do tipo de argumentador
    que vocês deveriam tentar ser.
  192. Agora, eu perco um monte de discussões.
  193. É preciso prática para se tornar
    um bom argumentador
  194. no sentido de ser capaz
    de se beneficiar de uma perda,
  195. mas, felizmente, eu tive
    muitos, muitos colegas
  196. que estiveram dispostos a se levantar
    e proporcionar essa prática para mim.
  197. Obrigado.
  198. (Aplausos)