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← O segredo para nos tornarmos mentalmente fortes | Amy Morin | TEDxOcala

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Showing Revision 7 created 08/23/2016 by Margarida Ferreira.

  1. Eu tenho uma amiga no Facebook
    cuja vida parece perfeita.
  2. Vive numa casa maravilhosa.
  3. Tem um trabalho gratificante.
  4. E viaja em família,
  5. ao fim-de-semana,
    vivendo aventuras empolgantes.
  6. Juro-vos que eles devem levar
  7. um fotógrafo profissional com eles...
  8. (Risos)
  9. ... porque, onde quer que vão
    ou o que quer que façam,
  10. parecem sempre uma família maravilhosa.
  11. Ela está sempre a publicar na Internet
    acerca do quão sortuda ela é
  12. e quão grata está pela vida que tem.
  13. Fico com a impressão
    que ela não diz essas coisas
  14. só para pôr no Facebook,
    mas porque acredita realmente nelas.
  15. Quantos de vocês têm um amigo
    mais ou menos assim?
  16. E quantos de vocês
  17. às vezes não gostam muito dessa pessoa?
  18. (Risos)
  19. Toda a gente faz isso, não é?
  20. É difícil não o fazer.
  21. Mas esta forma de pensar custa-nos algo.
  22. E é sobre isto que vos quero falar hoje
  23. — o preço de termos maus hábitos.
  24. Talvez tenham navegado
    pelo vosso "feed" no Facebook
  25. e pensado: "Que mal tem
    dar uma vista de olhos?
  26. "São cinco minutos da minha vida.
  27. "Que mal me pode isso fazer?"
  28. Bem, os investigadores descobriram
  29. que ter inveja dos amigos no Facebook
  30. conduz à depressão.
  31. É apenas uma das armadilhas
    que a nossa mente nos monta.
  32. Já se queixaram do vosso patrão?
  33. Ou olharam para as vidas
    de amigos e pensaram:
  34. "Porque é que eles são tão sortudos?"
  35. Não conseguem evitar pensar assim, não é?
  36. Este modo de pensar
    parece inocente na altura.
  37. Na verdade, pode até fazer-vos
    sentir melhor no momento.
  38. Mas esse modo de pensar
    está a devorar a vossa força mental.
  39. Há três tipos de crenças destrutivas
  40. que nos tornam menos eficazes,
  41. e que nos roubam a nossa força mental.
  42. A primeira é ter opiniões pouco saudáveis
    acerca de nós mesmos.
  43. Temos tendência a ter pena
    de nós próprios.
  44. E, apesar de ser normal estar triste
    quando algo de mal acontece,
  45. a autocomiseração vai mais longe.
  46. É quando começam a ampliar
    a vossa má sorte.
  47. Quando pensam coisas como:
  48. "Porque é que estas coisas
    acontecem sempre comigo?"
  49. "Não devia ter de lidar com isto."
  50. Essa forma de pensar deixa-vos presos,
  51. deixa-vos focados no problema,
  52. e impede-vos de encontrar uma solução.
  53. E mesmo quando não há uma solução,
  54. podem sempre fazer algo para melhorar
    a vossa vida ou a de outra pessoa.
  55. Mas não conseguem fazê-lo
  56. quando estão ocupados a dar
    a vossa própria festa de autocomiseração.
  57. O segundo tipo de crença
    destrutiva que nos limita
  58. são opiniões pouco saudáveis
    acerca dos outros.
  59. Nós achamos que eles nos podem controlar,
  60. e abdicamos do nosso poder.
  61. Mas, como adultos num país livre,
  62. há muito poucas coisas na vida
    que são obrigados a fazer.
  63. Por isso, quando dizem:
    "Tenho de trabalhar até tarde",
  64. estão a abdicar do vosso poder.
  65. Sim, talvez haja consequências
    se não trabalharem até tarde,
  66. mas mesmo assim é uma escolha.
  67. Ou quando vocês dizem:
    "A minha sogra dá comigo em doido",
  68. estão a abdicar do vosso poder.
  69. Talvez ela não seja a pessoa
    mais simpática do mundo,
  70. mas são vocês que decidem
    como lhe respondem,
  71. porque vocês é que têm o controlo.
  72. O terceiro tipo de crença
    destrutiva que nos limita,
  73. são as convicções doentias
    acerca do mundo.
  74. Tendemos a acreditar que o mundo
    nos deve alguma coisa.
  75. Pensamos: "Se eu me esforçar muito,
  76. "então eu mereço ter sucesso."
  77. Mas esperar que o sucesso
    vos caia do céu
  78. como uma espécie de recompensa cósmica,
  79. só leva à desilusão.
  80. Eu sei que é difícil abdicar
    dos maus hábitos mentais.
  81. É difícil livrarmo-nos
    dessas crenças doentias
  82. que andaram connosco
    durante tanto tempo.
  83. Mas não nos podemos dar ao luxo
    de não abdicar delas.
  84. Porque mais tarde ou mais cedo,
    há de chegar uma altura na vida
  85. em que iremos precisar de toda
    a força mental possível.
  86. Quando eu tinha 23 anos,
  87. eu pensava que tinha
    a minha vida toda resolvida.
  88. Acabei a universidade.
  89. Arranjei o meu primeiro
    trabalho a sério, como terapeuta.
  90. Casei-me.
  91. E até comprei uma casa.
  92. E pensei: "Isto vai ser maravilhoso!"
  93. "Eu tenho este enorme avanço
    para uma vida de sucesso."
  94. O que poderia correr mal?
  95. Tudo mudou um dia,
  96. quando recebi uma chamada da minha irmã.
  97. Ela disse que a nossa mãe
    tinha sido encontrada inconsciente
  98. e tinha sido levada para o hospital.
  99. O meu marido Lincoln e eu metemo-nos
    no carro e corremos para o hospital.
  100. Não conseguíamos imaginar
    o que tinha acontecido.
  101. A minha mãe só tinha 51 anos.
  102. Não tinha nenhum historial
    de qualquer tipo de problema de saúde.
  103. Quando chegámos ao hospital,
  104. os médicos explicaram que ela
    tinha tido um aneurisma cerebral.
  105. E, em 24 horas, a minha mãe,
  106. que costumava acordar de manhã a dizer:
    "Que belo dia para se estar vivo",
  107. faleceu.
  108. A notícia foi devastadora para mim.
  109. A minha mãe e eu éramos muito chegadas.
  110. Como terapeuta, eu sabia a teoria toda
    de como ultrapassar o luto.
  111. Mas sabê-lo e fazê-lo
    são coisas muito diferentes.
  112. Foi preciso muito tempo até eu sentir
    que estava realmente a sarar.
  113. E depois, três anos após
    a morte da minha mãe,
  114. uns amigos ligaram,
  115. e convidaram-me a mim e ao Lincoln
    para um jogo de basquetebol.
  116. Por coincidência, o jogo iria ser
    no mesmo pavilhão
  117. onde tinha visto a minha mãe
    pela última vez,
  118. na noite antes de ela ter falecido.
  119. Eu não tinha lá estado desde então.
  120. Nem sequer sabia se queria lá voltar.
  121. Mas falei com o Lincoln sobre isso,
    e acabámos por concordar:
  122. "Talvez fosse uma boa forma
    de honrar a sua memória."
  123. Então fomos ao jogo.
  124. E até passámos um bom bocado
    com os nossos amigos.
  125. Nessa noite, no regresso para casa,
  126. nós falámos de quão bom era
    conseguir finalmente voltar àquele local,
  127. e lembrar a minha mãe com um sorriso,
  128. em vez de todos aqueles
    sentimentos de tristeza.
  129. Mas pouco depois de chegarmos a casa,
    o Lincoln disse que não se sentia bem.
  130. Uns minutos depois desmaiou.
  131. Tive de chamar uma ambulância.
  132. A família dele foi ter comigo
    à sala das urgências.
  133. Nós esperámos o que
    pareceu uma eternidade,
  134. até aparecer finalmente um médico.
  135. Mas em vez de nos levar
    com ele para ver o Lincoln,
  136. ele levou-nos para uma sala privada,
  137. mandou-nos sentar,
  138. e explicou-nos que o Lincoln,
  139. a pessoa mais aventureira
    que eu alguma vez conhecera,
  140. tinha partido.
  141. Nós na altura não sabíamos,
    mas ele tivera um ataque cardíaco.
  142. Ele só tinha 26 anos.
  143. Não tinha qualquer historial
    de problemas cardíacos.
  144. Portanto, ali estava eu,
    uma viúva de 26 anos,
  145. e não tinha a minha mãe.
  146. Eu pensei: "Como é que eu
    vou ultrapassar isto?"
  147. Descrevê-lo como um período
    doloroso na minha vida
  148. parece um eufemismo.
  149. Foi durante esse período
    que eu me apercebi
  150. que quando passamos
    por tempos difíceis
  151. ter bons hábitos não chega.
  152. Basta um ou dois pequenos hábitos
  153. para nos deter.
  154. Eu esforcei-me ao máximo,
  155. não apenas para criar bons hábitos,
  156. mas para me livrar
    desses pequenos hábitos,
  157. por mais pequenos que parecessem.
  158. Durante isso tudo,
  159. eu mantive a esperança que um dia
    a vida pudesse melhorar.
  160. E acabou por melhorar.
  161. Uns anos mais tarde conheci o Steve
  162. e apaixonámo-nos.
  163. Voltei a casar.
  164. Vendemos a casa em que
    tinha vivido com o Lincoln,
  165. e comprámos uma nova, numa zona nova.
  166. Eu arranjei um novo trabalho.
  167. Mas ainda eu estava a começar
    a respirar de alívio
  168. com esse recomeço que tivera,
  169. disseram-nos que o pai do Steve
    tinha um cancro terminal.
  170. Eu comecei a pensar:
  171. "Porque é que estas coisas
    me acontecem sempre?"
  172. "Porque tenho de perder
    todos os meus familiares?"
  173. "Isto não é justo."
  174. Mas se aprendera algo,
  175. era que esse modo de pensar
    me iria deitar abaixo.
  176. Eu sabia que iria precisar
    de tanta força mental quanta possível,
  177. para ultrapassar mais uma perda.
  178. Então sentei-me e escrevi uma lista
  179. de todas as coisas que as pessoas
    mentalmente fortes não fazem.
  180. E reli essa lista.
  181. Era um lembrete de todos
    esses maus hábitos
  182. que eu tinha feito em algum momento,
    e que me deixariam presa.
  183. Continuei a reler essa lista
    vezes sem conta.
  184. E realmente precisava disso.
  185. Porque umas semanas após a escrever,
  186. o pai do Steve faleceu.
  187. A minha história ensinou-me
    que o segredo para ter força mental
  188. é abdicar de todos
    os maus hábitos mentais.
  189. A força mental é muito parecida
    com a força física.
  190. Se quisessem ser fisicamente fortes,
  191. teriam de ir para o ginásio
    e levantar pesos.
  192. Mas se realmente quisessem resultados,
  193. também teriam de abdicar
    de comer coisas pouco saudáveis.
  194. A força mental é idêntica.
  195. Se quiserem ser mentalmente fortes,
  196. têm de ter bons hábitos,
    tais como praticar a gratidão.
  197. Mas também têm de largar maus hábitos,
  198. como ter inveja do sucesso de alguém.
  199. Não importa quantas vezes acontece,
  200. isso vai sempre limitar-vos.
  201. Então, como treinar o vosso cérebro
    a pensar de forma diferente?
  202. Como abdicar desses maus hábitos mentais
  203. que andaram convosco este tempo todo?
  204. Começa-se por combater
    as crenças destrutivas de que falei
  205. com crenças mais saudáveis.
  206. Por exemplo, as crenças destrutivas
    acerca de nós mesmos
  207. em geral existem porque nos sentimos
    desconfortáveis com as nossas emoções.
  208. Sentirmo-nos tristes, magoados,
    zangados ou assustados,
  209. todas essas coisas são desconfortáveis.
  210. Por isso esforçamo-nos muito
    para evitar esse desconforto.
  211. Tentamos escapar-lhe,
  212. fazendo coisas como
    enchermo-nos de autocomiseração.
  213. E embora isso seja
    uma distração no momento,
  214. apenas prolonga a dor.
  215. A única forma de ultrapassarmos
    emoções desconfortáveis,
  216. a única forma de lidarmos com elas,
    é vivendo essas emoções.
  217. Permitirmo-nos estar tristes,
    e depois seguir em frente.
  218. Ter confiança na nossa capacidade
  219. de lidar com esse desconforto.
  220. As crenças destrutivas acerca dos outros
  221. surgem porque nos comparamos
    com as outras pessoas.
  222. Nós achamos que eles estão
    ou acima ou abaixo de nós.
  223. Ou que eles podem controlar
    como nos sentimos.
  224. Ou que podemos controlar
    como eles se comportam.
  225. Ou culpamo-los por nos retraírem.
  226. Mas as nossas escolhas é que são
    os verdadeiros culpados.
  227. Temos de aceitar que somos nós mesmos,
  228. e os outros estão separados de nós.
  229. A única pessoa com quem
    nos deveríamos comparar
  230. é a pessoa que fomos ontem.
  231. E as crenças destrutivas acerca do mundo
  232. surgem porque, lá no fundo,
    queremos que o mundo seja justo.
  233. Nós queremos acreditar que,
    se fizermos suficientes boas ações,
  234. nos acontecerão suficientes coisas boas.
  235. Ou que, se aguentarmos
    bastantes períodos difíceis,
  236. iremos receber algum tipo de recompensa.
  237. Mas por fim teremos de aceitar
    que a vida não é justa.
  238. E isso pode ser libertador.
  239. Sim, significa que poderemos não ser
    compensados pela nossa bondade,
  240. mas também significa que,
    por mais que tenhamos sofrido,
  241. não estamos condenados
    a sofrer eternamente.
  242. O mundo não funciona assim.
  243. O nosso mundo é o que fazemos dele.
  244. Mas claro que antes de podermos
    mudar o nosso mundo,
  245. temos de acreditar que podemos mudá-lo.
  246. Eu trabalhei uma vez com um homem
    que era diabético há anos.
  247. O médico dele recomendou-lhe fazer terapia
  248. porque ele tinha alguns
    maus hábitos mentais
  249. que começavam a afetar
    a sua saúde física.
  250. A mãe dele tinha morrido ainda nova,
    devido a complicações da diabetes,
  251. por isso ele achava que estava condenado,
  252. e tinha desistido por completo de tentar
    controlar o seu nível de glicemia.
  253. Aliás, os níveis de glucose dele
    tinham-se tornado tão elevados
  254. que já estavam a afetar a sua visão.
  255. E tiraram-lhe a carta de condução.
  256. O mundo dele estava a encolher.
  257. Quando chegou ao meu gabinete,
  258. era óbvio que ele sabia
    tudo o que podia fazer
  259. para controlar os níveis de glicemia.
  260. Ele só não achava que valesse a pena.
  261. Mas, por fim, acabou por concordar
    em fazer uma pequena mudança.
  262. Ele disse: "Vou deixar o meu hábito
    dos dois litros de Pepsi por dia,
  263. "e trocá-lo por Pepsi Diet ."
  264. Ele nem queria acreditar quão rápido
    os números começaram a melhorar.
  265. E apesar de todas as semanas
  266. ele me relembrar o quão horrível
    era o sabor da Pepsi Diet,
  267. manteve-se firme.
  268. Assim que começou a ver progressos, disse:
  269. "Bem, talvez eu pudesse
    analisar outros hábitos meus.
  270. "Eu podia trocar
    a minha taça noturna de gelado
  271. "por um lanche com menos açúcar."
  272. Um dia, ele estava numa loja
    de artigos usados com uns amigos
  273. e encontrou uma bicicleta elíptica
    já velha e desgastada.
  274. Comprou-a por uns tostões,
  275. levou-a para casa,
    e pô-la em frente à televisão.
  276. Começou a pedalar todas as noites,
  277. enquanto via alguns
    dos seus programas favoritos.
  278. Não só perdeu peso
  279. como, um dia, ele notou
    que conseguia ver televisão
  280. com um pouco mais de nitidez
    do que via antigamente.
  281. De repente passou-lhe pela cabeça
  282. que talvez os danos na visão
    não tivessem sido permanentes.
  283. Então, definiu um novo objetivo,
  284. recuperar a sua carta de condução.
  285. A partir desse dia, ninguém o parou.
  286. Nas nossas últimas sessões,
    ele aparecia todas as semanas a dizer:
  287. "Então, o que vamos fazer esta semana?
  288. Porque ele finalmente acreditava
    que conseguia mudar o seu mundo
  289. e que tinha a força mental
    necessária para o fazer.
  290. E que era capaz de deixar
    os maus hábitos mentais.
  291. Tudo começou com um só pequeno passo.
  292. Por isso, convido-vos a perguntarem-se:
  293. "Que maus hábitos mentais
    vos estão a empatar?
  294. "Que crenças destrutivas
  295. "vos impedem de ser mentalmente fortes?
  296. "Que pequeno passo poderiam dar hoje?"
  297. Aqui mesmo, agora mesmo.
  298. Obrigada.
  299. (Aplausos)