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← Um olhar honesto ao preço, à inovação e a quem comanda a economia

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Showing Revision 38 created 01/16/2020 by Maricene Crus.

  1. Criação de valor.
  2. Criação de riqueza.
  3. São palavras realmente poderosas.
  4. Talvez vocês pensem em finanças,
    inovação e em criatividade.
  5. Mas quem são os criadores de valor?
  6. Se usarmos essa palavra, talvez estejamos
    sugerindo que alguns não criam valor.
  7. Quem são eles? Os sedentários no sofá?
  8. Os extratores de valor?
  9. Os destruidores de valor?
  10. Para responder isso, precisamos ter
    uma teoria adequada do valor.
  11. E estou aqui, como economista,
    para revelar a vocês
  12. que acabamos nos perdendo nesta questão.
  13. Não fiquem tão surpresos.

  14. O que quero dizer é
    que paramos de contestar,
  15. de fazer as perguntas realmente difíceis
  16. sobre qual é a diferença
    entre criação e extração de valor,
  17. atividades produtivas e improdutivas.
  18. Permitam-me apresentar algum contexto.

  19. O ano de 2009, quase um ano e meio
  20. depois de uma das maiores
    crises financeiras do nosso tempo,
  21. perdendo apenas para
    a Grande Depressão de 1929,
  22. foi quando o CEO da Goldman Sachs disse
  23. que os funcionários deles eram
    os mais produtivos no mundo.
  24. Eficiência e produtividade,
    para um economista,
  25. têm muito a ver com valor.
  26. Você produz algo,
    de modo dinâmico e eficiente.
  27. Também produz o que o mundo
    precisa, quer e compra.
  28. Mas como isso poderia ter sido dito
    apenas um ano após a crise
  29. pela qual passou esse banco,
    assim como muitos outros?
  30. Estou criticando apenas o Goldman Sachs,
  31. no centro da crise, porque eles produziram
  32. produtos financeiros bem problemáticos,
    não apenas relacionados a hipotecas,
  33. que fizeram com que milhares de pessoas
    perdessem a casa delas.
  34. Em 2010, apenas no mês de setembro,
  35. 120 mil pessoas perderam sua casa
    com execuções de hipotecas daquela crise.
  36. Entre 2007 e 2010,
  37. 8,8 milhões de pessoas perderam o emprego.
  38. O banco também precisou ser "socorrido"
    na época pelo contribuinte norte-americano
  39. pela soma de US$ 10 bilhões.
  40. Não ouvimos contribuintes se gabando,
    considerando-se criadores de valor,
  41. mas, tendo socorrido uma das maiores
    companhias produtivas de criação de valor,
  42. talvez devessem ter se gabado.
  43. A seguir, quero que nos perguntemos

  44. como nos perdemos,
  45. como foi que uma declaração como aquela
    pôde quase passar despercebida,
  46. pois não foi uma piada casual;
    foi dita com muita seriedade.
  47. Assim, quero levar vocês de volta
    300 anos no pensamento econômico,

  48. quando o termo foi contestado,
  49. o que não significa
    que estavam certos ou errados,
  50. mas não era possível simplesmente
    se intitular criador de valor, de riqueza.
  51. Havia muito debate entre os economistas.
  52. E argumento que meio
    que nos perdemos no caminho,
  53. e isso fez com que esse termo,
    "criação de riqueza e valor",
  54. se tornasse bem fraco e preguiçoso,
    e fosse facilmente apreendido.
  55. Vamos começar, odeio dizer
    isso a vocês, há 300 anos.

  56. O interessante, naquele tempo,
  57. é que a sociedade ainda era
    tipicamente agrícola.
  58. Então, não é nenhuma surpresa
    que os economistas da época,
  59. chamados de fisiocratas,
  60. colocavam o trabalho agrícola
    no centro da atenção deles.
  61. Quando indagavam: "De onde vem o valor?",
    eles consideravam a agricultura.
  62. E produziram o que foi, provavelmente,
    a primeira planilha do mundo,
  63. chamada "Tableau Économique",
  64. elaborada por François Quesnay,
    um dos líderes deste movimento.
  65. E foi bem interessante,
  66. pois eles não disseram apenas:
    "Agricultura é a fonte de valor".
  67. Eles se preocupavam com o que acontecia
    com aquele valor quando era produzido.

  68. O que o Tableau Économique fazia,
    e tentei simplificar aqui para vocês,
  69. era dividir as classes sociais em três.
  70. Os agricultores, criando valor,
    eram chamados de "classe produtiva".
  71. Os comerciantes, que apenas
    moviam parte desse valor
  72. mas eram úteis, necessários,
    eram chamados de "proprietários".
  73. E havia ainda outra classe
    que cobrava uma taxa dos agricultores
  74. por um ativo existente, as terras,
  75. e eles eram chamados de "classe estéril".
  76. Essa é uma palavra bem pesada
    se pensarmos no seu significado:
  77. se muitos dos recursos
    vão para os proprietários,
  78. isso coloca o potencial
    de reprodução do sistema em risco.
  79. Então, todas essas flechas ali
    eram a maneira de simular...
  80. planilhas e simuladores,
    eles já usavam "big data",
  81. o que realmente acontecia
    em diferentes cenários
  82. se a riqueza não estivesse sendo
    reinvestida na produção
  83. para tornar essas terras mais produtivas,
  84. mas sim desviada de maneiras diferentes,
  85. ou mesmo se os proprietários
    estavam faturando demais.
  86. Mais tarde nos anos 1800,

  87. e essa já não era mais
    a Revolução Agrícola
  88. mas a Industrial,
  89. os economistas clássicos,
  90. como Adam Smith, David Ricardo,
    Karl Marx, o revolucionário,
  91. também perguntaram: "O que é valor?"
  92. Mas não é de se surpreender que,
    porque estavam vivendo numa era industrial
  93. com o surgimento de máquinas e fábricas,
  94. eles disseram que se tratava
    de trabalho industrial,
  95. e havia uma "teoria trabalhista" do valor.
  96. Mas, de novo, o foco era a reprodução,
  97. uma preocupação real com o valor criado,
    se ele estava sendo desviado.
  98. E em "A Riqueza das Nações",
    Adam Smith dá um ótimo exemplo

  99. da fábrica de pinos, no qual ele disse
  100. que se houver apenas uma pessoa
    fazendo cada parte do alfinete,
  101. no máximo ela fará um alfinete por dia.
  102. Mas se você investisse em produção
    de fábrica e divisão do trabalho,
  103. no novo pensamento,
  104. hoje usaríamos a palavra
    "inovação organizacional",
  105. aumentando, assim, a produtividade,
    e o crescimento e a riqueza das nações.
  106. Ele mostrou que dez
    trabalhadores bem treinados,
  107. cujo capital humano
    havia recebido investimento,
  108. poderiam produzir 4,8 mil pinos ao dia,
  109. ao contrário de apenas um feito
    por um trabalhador não treinado.
  110. E ele e seus colegas economistas clássicos
  111. também dividiram as atividades
    em produtivas e improdutivas.
  112. (Risos)

  113. E as improdutivas não eram...

  114. Devem estar rindo porque a maioria
    de vocês está nessa lista, não?
  115. (Risos)

  116. Advogados!

  117. Acho que ele estava certo quanto a eles,
    certamente não quanto aos professores
  118. e outras profissões relacionadas.
  119. Então advogados, professores,
    lojistas, músicos...
  120. Ele obviamente odiava ópera.
  121. Deve ter visto a pior
    apresentação da vida dele
  122. na véspera de escrever este livro.
  123. Ao menos três profissões ali
    têm a ver com ópera.
  124. Mas esse não foi um exercício
    para dizer: "Não façam essas coisas".

  125. Era apenas: "O que acontecerá
  126. se acabarmos permitindo que partes
    da economia cresçam muito,
  127. sem realmente pensar em como
    aumentar a produtividade
  128. da fonte do valor, a qual eles
    julgavam ser a mais importante,
  129. ou seja, o trabalho industrial.
  130. E não se perguntem se isso está
    certo ou errado; era só muito contestado.

  131. Ao fazerem essas listas,
  132. isso os forçava também
    a fazer perguntas interessantes.
  133. E o foco dos economistas clássicos,
    tal como o dos fisiocratas,
  134. eram as condições objetivas da produção.
  135. Observavam também a luta de classes.
  136. A compreensão deles dos salários
  137. tinha a ver com o objetivo,
    as relações de poder de barganha
  138. do capital e do trabalho.
  139. Mas, novamente, fábricas,
    máquinas, divisão do trabalho,
  140. terras agrícolas e o que estava
    acontecendo com tudo.
  141. Então, a grande revolução
    que aconteceu na época...

  142. e isso, a propósito, nem sempre é
    ensinado em aulas de economia,
  143. com o sistema atual do pensamento
    econômico que temos,
  144. chamado de "economia neoclássica",
  145. foi que a lógica mudou totalmente
    em duas maneiras:
  146. deste foco em condições
    objetivas para subjetivas.
  147. Explicarei o que quero dizer.

  148. Objetiva, como expliquei;
  149. subjetiva, no sentido
    de que toda a atenção
  150. foi para como indivíduos diferentes
    tomam suas decisões.
  151. Trabalhadores estão maximizando
    suas escolhas de lazer versus trabalho;
  152. consumidores estão maximizando
    seu chamado "utilitário",
  153. que é um "proxy" para a felicidade,
  154. e empresas estão maximizando seus lucros.
  155. E a ideia por trás disso era
    que então poderíamos agregar isso,
  156. e vemos no que se transforma:
  157. essas curvas de oferta e procura bacanas
    que produzem um preço de equilíbrio.
  158. É assim porque também adicionamos
    muitas equações da física newtoniana
  159. nas quais os centros de gravidade
    são boa parte do princípio organizador.
  160. Mas o segundo ponto aqui
    é que esses preços de equilíbrio
  161. revelam valor.
  162. Assim, a revolução aqui é uma mudança
    do objetivo ao subjetivo,

  163. mas também a lógica
    não tem mais a ver com o que é valor,
  164. como está sendo determinado,
  165. qual é o potencial
    reprodutivo da economia,
  166. o que leva a uma teoria do preço,
    mas sim o contrário:
  167. uma teoria de preço e troca
    que revela valor.
  168. Essa é uma mudança enorme.

  169. E não é apenas um exercício acadêmico,
    por mais fascinante que possa ser.
  170. Afeta como medimos o crescimento,
  171. como guiamos economias pra produzir mais
    de algumas atividades, menos de outras,
  172. como também remuneramos
    algumas atividades mais que outras.
  173. E isso também faz você pensar:
  174. você é feliz em sair da cama,
    se é criador de valor ou não,
  175. e como é o próprio sistema de preços
    se você não está determinando isso?
  176. Eu mencionei que isso afeta
    como pensamos sobre produção.

  177. Se apenas incluirmos no PIB, por exemplo,
    as atividades que têm preços,
  178. muita coisa estranha acontece.
  179. Economistas feministas e ambientalistas
    têm escrito bastante sobre isso.
  180. Darei alguns exemplos.
  181. Se você se casar com a sua babá,
    o PIB vai cair, então não faça isso.
  182. Evite fazer isso, pois uma atividade
    antes paga continua sendo feita,
  183. mas não é mais paga.
  184. Se você polui, o PIB aumenta.

  185. Então não polua, mas se poluir,
    ajudará a economia.
  186. Por quê? Porque temos que pagar
    alguém pra se livrar da poluição.
  187. Também foi interessante
    o que aconteceu com o financiamento,

  188. no setor financeiro do PIB.
  189. Isso também é algo
    que sempre me surpreende,
  190. pois muitos economistas não sabem.
  191. Até 1970,
  192. boa parte do setor financeiro
    nem era incluída no PIB.
  193. Era meio que indireto,
    talvez inconscientemente,
  194. ainda sendo visto
    através da lente dos fisiocratas
  195. como um tipo de movimentação de coisas,
    não produzindo nada de novo.
  196. Então, apenas essas atividades
    com um preço explícito eram incluídas.
  197. Por exemplo, se você buscava
    uma hipoteca, pagava uma taxa.
  198. Isso ia pro PIB e para os registros
    da receita e do produto nacional.
  199. Mas, por exemplo, pagamentos
    de juros líquidos não iam.
  200. A diferença entre o que os bancos
    estavam ganhando em juros,
  201. se eles lhe dessem um empréstimo
    e o que pagavam por um depósito,
  202. isso não era incluído.
  203. E assim tesoureiros começaram
    a observar alguns dados

  204. que passaram a mostrar
    que o número de financiamentos
  205. e os pagamentos de juros líquidos
    estavam crescendo substancialmente.
  206. E chamaram isso de "problema bancário".
  207. Havia pessoas trabalhando
    dentro das Nações Unidas,
  208. em um grupo chamado
    Systems Nacional Accounts, SNA,
  209. que chamaram isso de problema bancário,
  210. tipo: "Nossa, isso é enorme,
    e nem estamos incluindo-o".
  211. Então, em vez de fazer
    aquele Tableau Économique
  212. ou essas perguntas fundamentais
    que os clássicos também faziam,
  213. por exemplo, sobre a divisão do trabalho
  214. entre diferentes tipos
    de atividades na economia,
  215. eles apenas deram um nome
    a estes pagamentos de juros líquidos.
  216. Os bancos comerciais chamaram
    isso de "mediação financeira",
  217. que foi para as contas do NIPA.
  218. Já os bancos de investimento chamaram
    de "assunção dos riscos da atividade",
  219. e isso foi aderido.
  220. Caso não tenha explicado corretamente,
    a linha vermelha indica a rapidez
  221. com que a mediação financeira
    crescia como um todo,
  222. comparada ao resto da economia,
    a indústria, na linha azul.
  223. E isso foi extraordinário,

  224. pois o que ocorreu, e hoje sabemos,
    e muitos estão escrevendo a respeito,
  225. esses dados são do Banco da Inglaterra,
  226. é que muito do que os financiamentos
    fizeram de 1970 a 1980 em diante,
  227. foi basicamente financiar a si mesmos:
    financiamento financiando financiamento.
  228. E isso significa financiamento,
    seguros e mercado imobiliário.
  229. Na verdade, no Reino Unido,
  230. cerca de 10% a 20% dos financiamentos
  231. encontram seu caminho
    na economia real, na indústria,
  232. digamos, no setor de energia, de TI,
    de produtos farmacêuticos,
  233. mas a maioria volta para financiamentos,
    seguros e mercado imobiliário,
  234. convenientemente chamado
    de FIRE, fogo, em inglês.
  235. Isso é interessante porque, de fato,

  236. não quer dizer que financiamento
    seja bom ou ruim,
  237. mas até o ponto de simplesmente
    ter que dar um nome a ele,
  238. porque havia uma renda sendo gerada,
  239. em vez de apenas perguntar:
    "O que ele está realmente fazendo?"
  240. foi uma oportunidade perdida.
  241. Do mesmo modo, na economia real,
    na própria indústria, o que acontecia?

  242. E esse foco real nos preços,
  243. e também seu compartilhamento,
  244. criou um enorme problema
    de reinvestimento.
  245. Novamente, a atenção real que ambos
    os fisiocratas e os clássicos tinham
  246. na medida em que o valor
    sendo gerado na economia
  247. estava de fato sendo reinvestido.
  248. Assim, o que temos hoje é
    um setor industrial ultrafinanciado
  249. no qual, cada vez mais, uma parte
    dos lucros e da renda líquida
  250. não está voltando à produção,
  251. em treinamento de capital humano,
    em pesquisa e desenvolvimento,
  252. mas apenas sendo desviado em termos
    de recompra de suas próprias ações,
  253. o que aumenta as opções de ações,
  254. que é como muitos executivos
    estão sendo pagos.
  255. E a recompra de ações é algo bom,
  256. mas esse sistema está
    totalmente fora de controle.
  257. Esses números mostram que nos últimos
    10 anos, 466 das empresas S&P 500
  258. gastaram mais de US$ 4 trilhões
    apenas recomprando suas ações.
  259. E o que vemos se agregarmos
    isso ao nível macroeconômico,
  260. se observarmos o investimento
    empresarial agregado,
  261. que é uma porcentagem do PIB,
  262. também vemos uma queda nesse nível
    de investimento empresarial.
  263. E isso é um problema.
  264. Na verdade, é um problema enorme
    para habilidades e criação de empregos.

  265. Ouvimos falar muito sobre a atenção atual
    para: "Robôs roubarão nossos empregos?"
  266. Bem, a mecanização tem,
    por séculos, eliminado empregos,
  267. mas enquanto os lucros estavam
    sendo reinvestidos na produção,
  268. não importava; novos empregos surgiam.
  269. Mas essa falta de reinvestimento
    é, na verdade, muito perigosa.
  270. Do mesmo modo, na indústria farmacêutica,
    por exemplo, como os preços são definidos,

  271. é bem interessante como não se consideram
    essas condições objetivas
  272. da maneira coletiva na qual o valor
    é criado na economia.
  273. No setor com muitos atores diferentes
    como público, privado, é claro,
  274. mas também organizações
    do setor terceirizado criando valor,
  275. nós o medimos através
    do próprio sistema de preços.
  276. Os preços revelam valor.
  277. Então quando, recentemente,
  278. o preço de um antibiótico aumentou 400%
    da noite pro dia, e perguntaram ao CEO:
  279. "Como podem fazer isso? As pessoas
    precisam desse antibiótico. É injusto".
  280. Ele disse: "Temos um imperativo moral
    de permitir que os preços subam
  281. o máximo que o mercado suportar",
  282. descartando completamente o fato
    de que nos EUA, por exemplo,
  283. o National Institutes of Health
    gastou mais de US$ 30 bilhões ao ano
  284. na pesquisa médica que leva
    a esses medicamentos.
  285. Novamente, há falta de atenção
    a essas condições objetivas,
  286. permitindo que o próprio
    sistema de preços revele o valor.
  287. Esse não é apenas um exercício acadêmico,

  288. por mais interessante que seja.
  289. Tudo isso é importante mesmo
    para como medimos a produção,
  290. como direcionamos a economia,
  291. se sentimos que somos produtivos,
  292. quais setores acabamos ajudando, apoiando
  293. e fazendo com que as pessoas
    tenham orgulho de fazer parte disso.
  294. Voltando àquela citação,
  295. não é surpreendente que Blankfein
    tenha dito aquilo.
  296. Ele tinha razão.
  297. Do modo que medimos produção,
    produtividade e valor na economia,
  298. os funcionários da Goldman Sachs
    são os mais produtivos!
  299. Eles ganham mais; o preço
    do trabalho revela o valor deles.
  300. Mas isso torna-se tautológico, é claro.
  301. Há uma necessidade real de repensar:

  302. como estamos medindo a produção,
  303. e há algumas experiências
    incríveis no mundo todo.
  304. A Nova Zelândia, por exemplo, tem agora
    um indicador nacional bruto de felicidade.
  305. No Butão, também consideram
    indicadores de felicidade e bem-estar.
  306. Mas o problema é que não basta
    ficar adicionando coisas.
  307. Temos que pausar,
  308. e acho que é um oportuno momento pra isso,
  309. já que tão pouco parece ter mudado
    desde a crise financeira,
  310. para nos certificarmos
    de que não estamos confundindo
  311. extração de valor com criação de valor,
  312. considerando o que está incluído,
    não apenas adicionando mais,
  313. para garantir que não estamos, talvez,
    confundindo aluguéis com lucros.
  314. Aluguel, para os clássicos,
    tinha a ver com renda não adquirida.
  315. Hoje, quando se fala
    em aluguéis, na economia,
  316. é somente uma imperfeição
    para um preço competitivo
  317. que poderia ser contestado
    se tirássemos algumas assimetrias.
  318. Segundo, podemos direcionar atividades
    para o que os clássicos chamavam

  319. de "limite de produção".
  320. Não deve ser um "nós contra eles",
  321. financiamentos grandes e ruins
    versus outros setores bons.
  322. Podemos reformar o financiamento.
  323. Perdeu-se uma boa oportunidade,
    de certa forma, após a crise.
  324. Poderíamos ter tido o imposto
    sobre transações financeiras,
  325. que teria recompensado
    o longo prazo sobre o curto prazo,
  326. mas não decidimos fazer isso globalmente.
  327. Podemos ainda mudar de ideia.
  328. E podemos configurar
    novos tipos de instituições.
  329. Há diferentes tipos de instituições
    financeiras públicas em todo o mundo
  330. que oferecem um financiamento
    a longo prazo tranquilo e comprometido,
  331. que ajuda pequenas empresas a crescer,
    e a infraestrutura e inovação acontecem.
  332. Mas isso não pode ter a ver
    somente com a produção,

  333. ou com a taxa de produção.
  334. Devemos também, como sociedade, pausar
    e perguntar: "Que valor estamos criando?"
  335. Quero encerrar com o fato de que estamos
    comemorando esta semana
  336. o 50º aniversário do pouso na Lua.
  337. Isso exigiu que os setores público
    e privado investissem e inovassem
  338. em várias frentes,
    não apenas na aeronáutica.
  339. Isso incluiu investimento em áreas
    como nutrição e materiais.
  340. Muitos erros reais aconteceram
    ao longo do caminho.
  341. De fato, o governo usou todo seu poder
    de aquisição, por exemplo,
  342. para abastecer aquelas soluções
    de baixo para cima,
  343. mas algumas falharam.
  344. Mas falhas fazem parte
    da criação de valor?
  345. Ou são apenas erros?
  346. Ou como também nutrimos o experimento,
  347. a "tentativa e erro" e o "erro e erro"?
  348. Bell Labs, o laboratório de pesquisa
    e desenvolvimento da AT&T,

  349. veio de uma época na qual
    o governo era bem corajoso.
  350. Na verdade, pediu a AT&T que,
    para manter seu status de monopólio,
  351. reinvestisse seus lucros na economia real
    e na inovação além das telecomunicações.
  352. Esse foi o início
    da história do Bell Labs.
  353. Então, como obter novas condições
    em torno de reinvestimento
  354. para investir coletivamente
    em novos tipos de valor
  355. direcionados a alguns dos maiores
    desafios do nosso tempo,
  356. como mudanças climáticas?
  357. Esta é uma questão-chave.
  358. Mas também devemos nos perguntar:

  359. "Se tivesse sido feito um cálculo
    do valor presente líquido
  360. ou uma análise de custo-benefício
  361. sobre se deveriam ou não sequer
    tentar ir à Lua e voltar numa geração,
  362. provavelmente não teríamos nem começado".
  363. Então ainda bem,
  364. porque sou economista
    e posso dizer a vocês
  365. que valor não é apenas preço.
  366. Obrigada.

  367. (Aplausos)