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← Parem de dar fama a atiradores em massa

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Showing Revision 62 created 07/22/2020 by Raissa Mendes.

  1. O pior pesadelo de todos os pais.
  2. Em 20 de julho de 2012,
  3. meu telefone toca às 4h30 da manhã.
  4. É a namorada do meu filho Alex, Amanda,
  5. dizendo histericamente:
  6. "Tom, Tom, aconteceu um tiroteio,
  7. e me arrastaram pra fora do cinema.
  8. Não me deixaram ficar lá dentro.
  9. Eu queria ficar, mas eles
    me arrastaram pra fora".
  10. Perguntei a ela:
  11. "Amanda, você está bem? Você está ferida?"
  12. E ela respondeu que estava bem,
    que não estava ferida,
  13. que o Alex tinha salvado sua vida.
  14. Aí, perguntei:
  15. "Amanda, onde está o Alex?"
  16. E ela respondeu, soluçando:
  17. "Não sei, não conseguimos encontrá-lo.
  18. Eles me arrastaram pra fora,
    me obrigaram a sair.
  19. Ele foi baleado.
  20. Tentei ver se ele se movia, mas nada.
  21. Ele não respondia.
  22. Eles me arrastaram pra longe.
    Eu não queria deixá-lo lá".
  23. E eu falei pra Amanda:
  24. "A última vez que você viu Alex,
  25. ele estava sangrando?
  26. Havia sangue dele em você?"
  27. E ela, chorando disse: "Sim, muito...",
  28. e desabou.
  29. Alex amava Amanda.

  30. Ele foi um dos homens
    mais honrados do planeta
  31. e, com 24 anos,
  32. teve de tomar a decisão
    de arriscar sua vida
  33. para garantir a vida dela.
  34. No fundo, eu sabia que, se ele não
    tinha conseguido se mover,
  35. devia estar morto.
  36. Eu tinha acabado de chegar,

  37. na noite anterior,
  38. com Caren, minha esposa,
  39. e meu filho caçula
  40. ao Havaí para uma semana de férias.
  41. Estávamos literalmente
  42. a 5,3 mil quilômetros de distância.
  43. Caren e eu começamos a ligar
    freneticamente para o celular dele,
  44. mas em vão.
  45. Deixamos várias mensagens.
  46. Em seguida, procuramos notícias na mídia.
  47. Mas tudo o que conseguimos encontrar
  48. foi informação sobre o assassino
  49. e seu apartamento cheio
    de armadilhas traiçoeiras.
  50. Tentamos ligar para a delegacia de Aurora,

  51. mas era impossível obter uma resposta.
  52. Em retrospectiva, isso era compreensível.
  53. Eles estavam lidando
  54. com 12 mortos, 70 feridos...
  55. E a carnificina foi tão horrível
  56. que a polícia teve de levar
    algumas das vítimas para o hospital
  57. na traseira das viaturas de polícia,
  58. pois as ambulâncias não foram suficientes.
  59. Foi uma cena horrível e caótica.
  60. Nunca mais veríamos Alex.

  61. Seus ferimentos foram tão graves
  62. que tive de proteger a mãe dele,
  63. evitando que até ela o visse,
  64. por medo de que aquela fosse a imagem
    que ela guardaria dele pra sempre.
  65. Mas sabem quem veríamos sem parar?

  66. O assassino.
  67. Suas fotos estavam por toda parte.
  68. Num artigo de 6 parágrafos,
  69. seu nome foi mencionado 41 vezes.
  70. A mídia o tornou famoso.
  71. Mas meu filho primogênito, Alex,
  72. um herói,
  73. estava ausente desses primeiros relatos.
  74. Caren e eu imediatamente
    percebemos que havia algo errado

  75. com a maneira como a mídia reage
    a estes tiroteios em massa aleatórios,
  76. desde o caso de Columbine.
  77. Começamos a pesquisar
  78. e percebemos
  79. que, se pudéssemos mudar
  80. a maneira como a mídia reporta,
  81. poderíamos reduzir
    a quantidade de tiroteios
  82. e salvar vidas.
  83. (Aplausos)

  84. Deixem-me explicar.

  85. Quase todos os atiradores em massa
  86. têm algo em comum.
  87. Alguém consegue adivinhar o que é?
  88. Eles querem notoriedade.
  89. Querem ser famosos.
  90. Na verdade,
  91. no caso desse tipo de assassino,
    eles próprios nos dizem isso.
  92. O assassino de Sandy Hook
  93. mantinha uma planilha
  94. com assassinos em massa anteriores
    e o respectivo número de mortes.
  95. O assassino da boate Pulse, em Orlando,
  96. ligou para uma estação
    de notícias local...
  97. durante seu ataque!
  98. E depois parou pra checar seu Facebook,
    pra saber se tinha viralizado.
  99. O assassino de Parkland
  100. gravou e publicou
  101. um vídeo
  102. afirmando:
  103. "Quando me virem no noticiário,
    vocês vão saber quem eu sou".
  104. O assassino do cinema
    em Aurora disse a seu psiquiatra
  105. que reconhecia que não podia
    causar impacto no mundo da ciência,
  106. mas que poderia ficar famoso
  107. matando pessoas em massa.
  108. E o mais revelador:
  109. o assassino de Umpqua Community College
  110. escreveu em seu blogue
    sobre um assassino em massa anterior,
  111. dizendo:
  112. "Notei que pessoas como ele
  113. são solitárias e desconhecidas,
  114. mas, quando derramam um pouco de sangue,
  115. o mundo inteiro sabe quem elas são".
  116. Um homem que não era conhecido por ninguém
    agora é conhecido por todos,
  117. o rosto dele pipocando em todas as telas,
  118. o nome dele sendo dito
  119. por todos no planeta...
  120. tudo em apenas um dia.
  121. Parece que, quanto mais pessoas você mata,
  122. mais vai ficar no centro das atenções.
  123. Esses são apenas alguns exemplos.
  124. Eu poderia continuar por horas.
  125. Esses assassinos estão nos dizendo
    que querem ser famosos,
  126. assim como os assassinos antes deles,
  127. e a mídia continua dando a eles
    exatamente o que procuram:
  128. notoriedade.
  129. (Suspiro)
  130. O debate sobre armas é muito emocional,

  131. e nossos problemas de saúde mental
    são muito complicados.
  132. Ambos vão levar tempo
    para serem resolvidos.
  133. Mas, para reduzir a carnificina,
  134. não precisamos de um ato do Congresso.
  135. O que precisamos
    é de um ato de consciência
  136. dos produtores e consumidores
    dos meios de comunicação de massa,
  137. para retirar a recompensa da notoriedade.
  138. (Aplausos) (Vivas)

  139. Assim, para salvar vidas,

  140. Caren e eu lançamos a campanha
    "No Notoriety", "Nenhuma Notoriedade",
  141. dedicado a pressionar a mídia
  142. a proteger nossas comunidades,
  143. aderindo aos seguintes princípios
    baseados em pesquisas.
  144. Primeiro: relatem todos os fatos

  145. sobre o modo de pensar
  146. e o perfil demográfico
  147. e motivacional desses atiradores,
  148. mas minimizem seu nome e sua imagem,
  149. a menos que eles sejam fugitivos.
  150. Segundo: limitem o uso do nome do atirador

  151. a uma vez por peça jornalística,
    e nunca nas manchetes,
  152. e nenhuma imagem em local de destaque.
  153. E, terceiro...

  154. Terceiro...
  155. (Risos)

  156. Não sou bom com números.

  157. (Risos)

  158. Recusem-se a publicar
    qualquer material sobre os atiradores

  159. que tenha sido fornecido por eles mesmos.
  160. (Aplausos)

  161. Para ser claro:

  162. isso não é uma violação
  163. dos direitos garantidos
    pela Primeira Emenda da Constituição.
  164. Isso não é censura.
  165. Só o que pedimos à mídia
  166. é que implementem diretrizes
    que eles próprios já têm.
  167. Por exemplo,

  168. a mídia não informa sobre jornalistas
  169. que tenham sido sequestrados
    para que possam protegê-los.
  170. A mídia não divulga
  171. nomes e imagens
  172. de vítimas de agressão sexual ou suicídio.
  173. Essas práticas jornalísticas responsáveis
  174. protegem a segurança pública
  175. sem causar nenhum impacto
  176. no direito à informação.
  177. Estudos acadêmicos mostram

  178. que o consumidor médio de notícias
  179. quer saber menos sobre os atiradores.
  180. Em vez disso,
  181. a mídia deveria ressaltar nomes e imagens
  182. das vítimas, tanto das pessoas
    assassinadas quanto das feridas,
  183. dos heróis e dos socorristas.
  184. (Aplausos)

  185. Eles deveriam promover dados e análises

  186. de especialistas nas áreas
    de saúde mental e segurança pública.
  187. Todos os especialistas concordam.

  188. O FBI,
  189. a International Police Association,
  190. a Major City Chiefs Association
  191. e a A.L.E.R.T.,
  192. a organização legal dedicada
    a treinar os primeiros socorristas
  193. a neutralizar atiradores ativos,
  194. todos endossam os princípios
    da nossa campanha.
  195. Na verdade, em 2014,
  196. em apoio à ideia, o FBI iniciou a campanha
    "Don't Name Them", "Não os Nomeie".
  197. A Associação Americana de Psiquiatria
    apoia reduzir e minimizar
  198. a identificação desses atiradores.
  199. A ideia foi divulgada no mundo todo
  200. quando a primeira-ministra
    da Nova Zelândia
  201. pediu "nenhuma notoriedade"
  202. após os tiroteios em Christchurch.
  203. No entanto, por mais que queiramos
    que a mídia mude de atitude,

  204. trata-se de organizações
    com fins lucrativos.
  205. Elas não vão mudar,
    a menos que as responsabilizemos.
  206. (Aplausos)

  207. A mídia ganha dinheiro

  208. vindo da publicidade
  209. com base no número
    de espectadores e acessos.
  210. Se pudermos reduzir esse número,
    seja no assunto que for,
  211. a mídia vai mudar o modo
    de noticiar esse assunto.
  212. Então, da próxima vez que virem
    qualquer empresa de mídia,

  213. seja impressa, digital,
    rádio ou televisão,
  214. usando indiscriminadamente
    nomes e imagens desses atiradores,
  215. parem de assistir,
  216. parem de ouvir,
  217. parem de acessar,
  218. parem de dar curtidas
  219. e parem de compartilhar.
  220. Escrevam para os produtores,
  221. editores, gerentes de estações e CEOs
  222. desses órgãos de imprensa.
  223. Anotem os anunciantes
    que apoiam esses segmentos
  224. e escrevam para seus CEOs.
  225. Porque, juntos,
  226. nós podemos pressionar
    a mídia para agir no interesse
  227. da segurança pública,
  228. não do lucro.
  229. É tarde demais para Alex,

  230. e é tarde demais para minha família,
  231. mas, por favor, não entrem
    para o nosso clube por falta de ação,
  232. o clube para o qual ninguém quer entrar.
  233. O preço é muito alto.
  234. Porque não é tarde demais
  235. para pessoas que ainda não são vítimas.
  236. Nós temos o poder
  237. de reduzir tiroteios em massa aleatórios.
  238. Vamos usá-lo.
  239. Obrigado.

  240. (Aplausos) (Vivas)