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A tirania do mérito

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    Eis uma pergunta
    que todos devíamos fazer:
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    O que é que correu mal?
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    Não só com a pandemia
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    mas também com a nossa vida cívica.
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    O que nos trouxe a este momento político
    polarizado e rancoroso?
  • 0:15 - 0:17
    Nas últimas décadas,
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    a divisão entre vencedores e falhados
    tem-se aprofundado,
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    envenenando a nossa política,
  • 0:23 - 0:25
    separando-nos.
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    Em parte, esta divisão surge
    por causa da desigualdade.
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    Mas também surge por causa
    das atitudes face a ganhar e perder
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    que a têm acompanhado.
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    Quem alcançou o topo
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    passou a crer que o sucesso
    foi um feito seu,
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    é uma medida do seu mérito,
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    e que quem saiu a perder
    só tem de se culpar a si próprio.
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    Esta forma de pensar no sucesso
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    emerge de um princípio
    aparentemente atraente.
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    Se todos têm as mesmas oportunidades,
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    os vencedores merecem as suas vitórias.
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    É esta a essência do ideal meritocrático.
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    Na prática, claro, as coisas
    são muito diferentes.
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    Nem todos têm as mesmas
    oportunidades para subir.
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    Os filhos de famílias pobres
    costumam manter-se pobres ao crescer.
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    Os pais abastados conseguem
    passar as suas vantagens aos filhos.
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    Nas universidades da Ivy League,
    por exemplo
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    — as de maior prestígio nos EUA —
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    há mais estudantes
    do um por cento do topo
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    do que de toda a metade inferior
    do país em conjunto.
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    Mas o problema não é só
    não conseguirmos estar à altura
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    dos princípios meritocráticos
    que proclamamos.
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    O ideal em si tem falhas.
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    Tem um lado negro.
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    A meritocracia corrói o bem comum.
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    Leva à arrogância entre os vencedores
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    e à humilhação entre quem sai a perder.
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    Encoraja quem tem sucesso
    a inalá-lo demasiado profundamente,
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    a esquecer a sorte e a boa fortuna
    que os ajudou pelo caminho.
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    E leva-os a desprezar
    os menos afortunados,
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    os menos credenciados que eles.
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    Isto é importante para a política.
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    Umas das fontes mais potentes
    de revolta popular
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    é a sensação, entre muitos trabalhadores,
    de que a elite os despreza.
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    É uma queixa legítima.
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    Mesmo quando a globalização
    trouxe um agravamento da desigualdade
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    e a estagnação dos salários,
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    os seus defensores deram aos trabalhadores
    um conselho estimulante.
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    "Se querem competir e vencer
    na economia global,
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    "vão para a universidade."
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    "O que ganham depende do que aprendem."
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    "Se tentarem, podem ter sucesso."
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    Escapa a estas elites o insulto
    implícito nestes conselhos.
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    Se não forem para a universidade,
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    se não prosperarem na nova economia,
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    o vosso fracasso é culpa vossa.
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    É essa a implicação.
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    Não é de admirar que muitos trabalhadores
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    se tenham revoltado
    contra as elites meritocráticas.
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    Então, o que devemos fazer?
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    Precisamos de repensar três aspetos
    da nossa vida cívica.
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    O papel da universidade,
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    a dignidade do trabalho
  • 3:45 - 3:47
    e o significado do sucesso.
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    Devíamos começar por repensar
    o papel das universidades
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    enquanto árbitros da oportunidade.
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    Para quem passa os dias
    na companhia dos credenciados,
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    é fácil esquecer um facto simples:
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    a maioria das pessoas não tem
    um curso universitário de quatro anos.
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    De facto, quase dois terços
    dos americanos não os têm.
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    Portanto, é uma insensatez
    criar uma economia
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    que faz de um diploma universitário
    uma condição necessária
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    para um trabalho digno e uma vida decente.
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    Encorajar as pessoas a ir
    para a universidade é uma coisa boa.
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    Alargar o acesso a quem
    não tem meios para a pagar
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    é ainda melhor.
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    Mas isto não é uma solução
    para a desigualdade.
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    Devíamos focar-nos menos
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    em armar as pessoas
    para o combate meritocrático,
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    e focarmo-nos mais em melhorar a vida
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    de quem não tem um diploma
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    mas que faz contribuições fundamentais
    para a nossa sociedade.
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    Devíamos renovar a dignidade do trabalho
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    e colocá-la no centro da nossa política.
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    Devíamos lembrar-nos de que o trabalho
    não é só sobre ganhar a vida.
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    É também sobre contribuir
    para o bem comum
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    e obter reconhecimento por isso.
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    Robert F. Kennedy expressou bem isto
    há meio século.
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    Comunhão, comunidade,
    patriotismo partilhado.
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    Estes valores fundamentais não aparecem
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    só por comprarmos e consumirmos
    bens juntos.
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    Aparecem a partir de um emprego digno,
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    de um salário decente.
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    O tipo de emprego
    que nos permita dizer:
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    "Eu ajudei a construir este país.
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    "Participo nos seus grandes
    empreendimentos públicos."
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    Este sentimento cívico
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    está largamente em falta
    na nossa vida pública de hoje.
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    Muitas vezes, assumimos
    que o dinheiro que as pessoas ganham
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    é a medida da sua contribuição
    para o bem comum.
  • 6:01 - 6:03
    Mas isto é um erro.
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    Martin Luther King Jr. explicou porquê.
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    Refletindo sobre uma greve
    de trabalhadores de saneamento
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    em Memphis, no Tennessee,
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    pouco antes de ser assassinado,
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    King disse:
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    "A pessoa que apanha o nosso lixo
    é, em última análise,
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    "tão importante quanto o médico,
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    "pois, se não fizer o seu trabalho,
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    "as doenças assumem
    proporções devastadoras.
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    "Todos os trabalhos têm dignidade."
  • 6:36 - 6:38
    A pandemia de hoje torna isto claro.
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    Revela o quão profundamente dependemos
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    de trabalhadores que,
    muitas vezes, ignoramos.
  • 6:46 - 6:47
    Distribuidores,
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    técnicos de manutenção,
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    empregados de balcão de mercearias,
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    empregados de armazém,
  • 6:53 - 6:54
    camionistas,
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    auxiliares de enfermagem,
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    educadores de infância,
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    prestadores de cuidados de saúde
    ao domicílio.
  • 7:00 - 7:05
    Não são os trabalhadores mais bem pagos
    nem os mais reverenciados.
  • 7:05 - 7:10
    Mas, agora, reconhecemos
    que são trabalhadores essenciais.
  • 7:10 - 7:14
    Este é um momento para um debate público
  • 7:14 - 7:20
    sobre como alinhar
    o seu salário e reconhecimento
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    com a importância do seu trabalho.
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    Também é tempo de uma viragem
    moral e até espiritual,
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    de questionarmos
    a nossa arrogância meritocrática.
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    Moralmente, mereço os talentos
    que me permitiram prosperar?
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    É obra minha
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    eu viver numa sociedade
    que valoriza os talentos
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    que, por acaso, eu tenho?
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    Ou tive muita sorte?
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    Insistir que o meu sucesso
    só a mim se deve
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    dificulta o exercício de me colocar
    no lugar dos outros.
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    Apreciar o papel da sorte na vida
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    pode instigar uma certa humildade.
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    Cheguei ali por ter nascido onde nasci,
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    ou pela graça de Deus,
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    ou pelo mistério do destino.
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    Este espírito de humildade
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    é a virtude cívica que faz falta agora.
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    É o início do caminho de regresso
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    da dura ética de sucesso
    que nos afasta.
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    Remete-nos para lá da tirania do mérito,
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    para uma vida pública
    menos rancorosa e mais generosa.
Title:
A tirania do mérito
Speaker:
Michael Sandel
Description:

O que explica a nossa vida pública polarizada, e como é que podemos começar a saná-la? O filósofo político Michael Sandel oferece uma resposta surpreendente: quem prosperou precisa de se ver ao espelho. Sandel explora como a "arrogância meritocrática" leva muitos a acreditar que o sucesso é um feito seu e a desprezar os que não tiveram sucesso, provocando ressentimentos e inflamando a linha divisória entre "vencedores" e "falhados" na nova economia. Ouçam por que motivo precisamos de reconsiderar o significado do sucesso e de reconhecer o papel da sorte, de forma a criarmos uma vida cívica menos rancorosa, e mais generosa.

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Video Language:
English
Team:
TED
Project:
TEDTalks
Duration:
08:47
Margarida Ferreira approved Portuguese subtitles for The tyranny of merit
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for The tyranny of merit
Margarida Ferreira accepted Portuguese subtitles for The tyranny of merit
Margarida Ferreira edited Portuguese subtitles for The tyranny of merit
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Andreia Frazão edited Portuguese subtitles for The tyranny of merit
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