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← Um bafômetro poderia detectar o câncer? - Julian Burschka

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Showing Revision 12 created 01/22/2020 by Maricene Crus.

  1. Como pode um bafômetro medir
    o nível de álcool no nosso sangue,
  2. horas depois da última ingestão,
    com base apenas no sopro?
  3. O ar exalado dos pulmões contém
    vestígios de centenas, até mesmo milhares,

  4. de compostos orgânicos voláteis:
  5. pequenas moléculas, leves o bastante
    para viajarem facilmente como gases.
  6. Uma delas é o etanol,
    que consumimos em bebidas alcoólicas.
  7. Ele viaja pela corrente sanguínea,
    até os alvéolos pulmonares,
  8. passando para o ar exalado
    a uma concentração 2 mil vezes menor,
  9. em média, do que no sangue.
  10. Quando alguém sopra em um bafômetro,

  11. o etanol presente no ar exalado
    passa para uma câmara de reação.
  12. Lá, ele é convertido em outra molécula,
    chamada acido acético,
  13. em um tipo especial de reator que produz
    uma corrente elétrica durante a reação.
  14. A força da corrente indica a quantidade
    de etanol na amostra de ar,
  15. e, por conseguinte, no sangue.
  16. Além dos compostos orgânicos voláteis,

  17. como o etanol ingerido
    dos alimentos e das bebidas alcoólicas,
  18. os processos bioquímicos de nossas células
    produzem muitos outros.
  19. E quando algo interfere
    nesses processos, como uma doença,
  20. os compostos orgânicos voláteis presentes
    no ar exalado também podem variar.
  21. Será que poderíamos detectar doenças
    analisando o ar exalado por uma pessoa,
  22. sem exames de diagnósticos mais invasivos
  23. como biópsias, radiação
    e exames de sangue?
  24. Teoricamente, sim.

  25. Mas os testes de doenças são bem mais
    complicados que os de nível alcoólico.
  26. Para identificar doenças,
  27. os pesquisadores precisariam considerar
    dezenas de compostos no ar exalado.
  28. Uma dada doença pode fazer
    com que alguns desses compostos
  29. aumentem ou diminuam de concentração,
    enquanto outros talvez não mudem.
  30. É provável que o perfil seja
    diferente para cada doença
  31. e que possa até mesmo variar
    em diferentes estágios dela.
  32. Por exemplo, os tipos de câncer
    estão entre os candidatos

  33. mais pesquisados para o diagnóstico
    pela análise do ar exalado.
  34. Uma das reações bioquímicas
    que muitos tumores podem causar
  35. é um grande aumento em um processo
    de geração de energia chamado glicólise,
  36. conhecido como "Efeito Warburg",
  37. Esse aumento da glicólise eleva
    os metabólitos, como o lactato,
  38. que, por sua vez, podem afetar
    uma série de processos metabólicos
  39. e, por fim, resultar
    na composição alterada do ar,
  40. possivelmente incluindo uma concentração
    aumentada de compostos voláteis,
  41. como o sulfóxido de dimetilo.
  42. Mas o Efeito Warburg é apenas um possível
    indicador de atividade cancerosa
  43. e não revela nada sobre o tipo de câncer.
  44. Mais indicadores são necessários
    para fazer um diagnóstico.
  45. Para encontrar essas diferenças sutis,

  46. os pesquisadores comparam
    o ar exalado por pessoas saudáveis
  47. com o de pessoas
    que sofrem de alguma doença,
  48. usando perfis baseados
    em centenas de amostras de ar.
  49. Essa análise complexa requer
    um tipo de sensor bem diferente
  50. e mais versátil que o bafômetro.
  51. Alguns estão sendo desenvolvidos.
  52. Alguns diferenciam
    os compostos individuais,
  53. observando como eles se movem
    por uma série de campos elétricos.
  54. Outros utilizam uma gama de resistores
    feitos de diferentes materiais,
  55. os quais alteram a resistência
    quando expostos a uma certa mistura
  56. de compostos orgânicos voláteis.
  57. Há outros desafios também.

  58. Essas substâncias estão presentes
    em concentrações incrivelmente baixas,
  59. geralmente apenas partes por bilhão,
  60. muito inferiores às concentrações
    de etanol no ar exalado.
  61. Os níveis dos compostos podem ser
    influenciados por fatores além da doença,
  62. incluindo idade, gênero,
    alimentação e estilo de vida.
  63. Por fim, existe a necessidade
    de distinguir quais compostos da amostra
  64. foram produzidos no organismo do paciente
  65. e quais foram inalados no ambiente,
    pouco antes do teste.
  66. Em razão desses desafios,

  67. a análise do ar exalado
    ainda não está disponível.
  68. Mas os testes clínicos preliminares
    em câncer nos pulmões, no cólon
  69. e em outros tipos de câncer
    têm apresentado resultados encorajadores.
  70. Um dia, a detecção precoce do câncer
  71. poderá ser tão fácil
    quanto inspirar e expirar.