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← A nova urgência da alteração climática

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Showing Revision 33 created 10/20/2020 by Margarida Ferreira.

  1. Chris Anderson: Bem-vindo, Al.
  2. Olha, apenas há seis meses
  3. — parece que foi há uma eternidade,
    mas foram mesmo só seis meses —
  4. o clima era um assunto muito falado
    por qualquer pessoa no planeta.
  5. Os acontecimentos recentes parecem
    ter desviado toda a nossa atenção.
  6. Estás muito preocupado com isso?
  7. Al Gore: Bem, antes de tudo, Chris,
    muito obrigado por me teres convidado

  8. para esta conversa.
  9. As pessoas estão a reagir
    de formas diferentes
  10. à crise climática
  11. no meio de todos estes
    grandes problemas
  12. que se apoderaram da nossa atenção,
  13. adequadamente.
  14. Uma das razões é algo que mencionaste.
  15. As pessoas percebem que,
    quando os cientistas as avisam
  16. com termos cada vez mais terríveis
  17. e as deixam com os cabelos em pé,
    por assim dizer,
  18. é melhor ouvir
    o que eles estão a dizer.
  19. Acho que esta lição começou
    a ser entendida de um novo modo.
  20. Outra similaridade, já agora,
  21. é que a crise climática,
    tal como a pandemia da COVID-19,
  22. tem revelado de uma nova forma
  23. as injustiças chocantes,
    as desigualdades e disparidades
  24. que afetam as comunidades de cor
  25. e as comunidades de rendimentos baixos.
  26. Há diferenças.

  27. A crise climática tem efeitos
    que não se medem em anos,
  28. como acontece com a pandemia,
  29. mas tem consequências que se medem
    em séculos ou ainda mais tempo.
  30. A outra diferença é que,
    em vez de reprimir a atividade económica,
  31. para lidar com a crise climática,
  32. como as nações de todo o mundo
    tiveram de fazer com a COVID-19,
  33. temos a oportunidade de criar
    dezenas de milhões de novos empregos.
  34. Isto soa a conversa política,
  35. mas é literalmente a verdade.
  36. Nos últimos cinco anos,
  37. o emprego que mais cresceu nos EUA
    foi o de instalador de painéis solares.
  38. O segundo que mais cresceu
    foi o de técnico de turbinas eólicas.
  39. E o "Oxford Review of Economics",
    apenas há umas semanas,
  40. apontou o caminho para uma recuperação,
    rica em postos de trabalho,
  41. se dermos ênfase às energias renováveis
    e à tecnologia sustentável.
  42. Por isso, penso que estamos
    a chegar a um ponto de viragem,
  43. e só precisamos de olhar
    para os planos de recuperação
  44. que estão a ser apresentados
    em nações de todo o mundo
  45. para vermos que eles estão muito
    virados para uma recuperação sustentável.
  46. CA: Quer dizer, um impacto óbvio
    da pandemia

  47. é que ela provocou uma paragem arrepiante
    na economia mundial
  48. reduzindo as emissões de gases
    com efeito de estufa.
  49. Até que ponto tem sido este efeito,
  50. e será inequivocamente
    uma boa notícia?
  51. AG: De certa forma,
    isso é uma ilusão, Chris.

  52. Basta olharmos para
    a Grande Recessão em 2008 e 2009,
  53. quando houve uma redução
    de 1% nas emissões.
  54. Mas depois, em 2010,
  55. elas voltaram em força
    durante a recuperação
  56. com um aumento de 4%.
  57. As últimas estimativas são de que
    as emissões diminuirão em 5%,
  58. durante este "coma induzido",
  59. como descreveu o economista
    Paul Krugman de forma tão perspicaz,
  60. mas, quer aconteça ou não, o mesmo
    que aconteceu durante a grande recessão,
  61. isso, em parte, depende de nós,
  62. e se os planos sustentáveis da recuperação
    da economia forem mesmo implementados
  63. — e eu sei que muitos países
    estão determinados em implementá-los —
  64. não precisamos de repetir esse padrão.
  65. Afinal de contas,
    todo este processo está a ocorrer
  66. durante um período
    em que o custo das energias renováveis
  67. dos veículos elétricos, das baterias
  68. e de uma série de outras
    abordagens à sustentabilidade
  69. continuam a baixar de preço,
  70. e estão a tornar-se
    muito mais competitivas.
  71. Apenas uma rápida referência
    à rapidez com que isto se passa:

  72. há cinco anos, a eletricidade
    produzida pela energia solar e eólica
  73. era mais barata do que a eletricidade
    proveniente das energias fósseis
  74. apenas em 1% do mundo.
  75. Este ano, está mais barata
    em dois terços do mundo,
  76. e daqui a cinco anos,
  77. vai ser mais barata
    praticamente em 100% do mundo.
  78. Os veículos elétricos vão ter
    um custo competitivo dentro de dois anos,
  79. e continuarão a diminuir de preço.
  80. Há mudanças em curso
  81. que poderão interromper o padrão
    que vimos após a Grande Recessão.
  82. CA: Essas diferenças de preços
    que acontecem no mundo

  83. ocorrem por causa de diferentes
    quantidades de sol e de vento
  84. e por causa de diferentes
    custos de construção, etc.
  85. AG: Sim, e as políticas governamentais
    também têm muita responsabilidade.

  86. O mundo continua a subsidiar
    os combustíveis fósseis
  87. numa quantia ridícula,
  88. muito mais em países em desenvolvimento
    do que nos EUA e nos países desenvolvidos,
  89. mas também é subsidiado aqui.
  90. Mas em todo o mundo,
  91. a energia eólica e a solar serão
    fontes de energia elétrica mais baratas
  92. do que os combustíveis fósseis,
  93. dentro de poucos anos.
  94. CA: Eu acho que ouvi dizer
    que a queda nas emissões

  95. causada pela pandemia
  96. não é muito mais do que
    a redução de que vamos precisar
  97. todos os anos
  98. se quisermos
    cumprir as metas das emissões.
  99. Isso é verdade?
  100. E, se é, não parece
    terrivelmente desanimador?
  101. AG: Parece desanimador,
    mas primeiro olha bem para o número.

  102. Esse número resultou de um estudo
    de há pouco mais de um ano,
  103. lançado pelo IPCC
  104. quanto ao que seria necessário para evitar
  105. que as temperaturas da Terra aumentassem
    mais do que 1,5 graus Celsius.
  106. E sim, as reduções anuais
    seriam significativas,
  107. na ordem do que vimos com a pandemia.
  108. E sim, isso parece desanimador.
  109. No entanto, temos a oportunidade
    de fazer algumas alterações drásticas,
  110. e o plano não é mistério.
  111. Começa-se com os dois setores que estão
    mais próximos de uma transição eficaz
  112. — produção de eletricidade,
    como já mencionei —
  113. e no ano passado, em 2019,
  114. se olharmos para toda
    a nova geração elétrica
  115. construída em todo o mundo,
  116. 72% dessa energia provinha
    da energia eólica e solar.
  117. Sem os continuados subsídios
    atribuídos aos combustíveis fósseis
  118. veríamos muitas mais destas centrais
    a encerrarem.
  119. Há centrais fósseis novas
    em construção,
  120. mas muitas mais estão a ser fechadas.
  121. No que diz respeito aos transportes,

  122. o segundo setor pronto a arrancar,
  123. para além dos preços mais baixos
    para veículos elétricos como referi,

  124. há cerca de 45 jurisdições
    em todo o mundo
  125. — nacionais, regionais e municipais —
  126. onde foram aprovadas leis para
    iniciar uma eliminação progressiva
  127. de motores de combustão interna.
  128. Mesmo a Índia, disse que em 2030,
    portanto daqui a menos de 10 anos,
  129. será ilegal vender
    qualquer motor de combustão interna.
  130. na Índia.
  131. Há muitos outros exemplos.
  132. Então as pequenas reduções anteriores

  133. podem não ser um indicador preciso
    para aquilo que podemos alcançar
  134. com verdadeiros programas nacionais
  135. e um esforço com foco global.
  136. CA: Então, Al, ajuda-nos
    a entender o quadro geral.

  137. Eu acho que antes da pandemia,
  138. o mundo estava a emitir
  139. cerca de 55 gigatoneladas do que
    se chama o "equivalente a CO2",
  140. ou seja, incluindo outros gases
    com efeito de estufa
  141. tal como o metano, referido
    como sendo equivalente ao CO2.
  142. Se não estou em erro,
    estou convencido que o IPCC,
  143. que é a organização
    global de cientistas,
  144. recomenda que a única
    maneira de resolver esta crise
  145. é reduzir esse número de 55 para zero
  146. no máximo até 2050.
  147. Mesmo aí, existirá a hipótese de
    termos aumentos de temperatura
  148. talvez de 2º Celsius em vez de 1,5º?
  149. Quer dizer, é esse o quadro geral
  150. que o IPCC está a recomendar?
  151. AG: Sim, está correto.

  152. O objetivo global estabelecido
    na conferência de Paris
  153. é chegar ao zero líquido globalmente
  154. por volta de 2050.
  155. Muitas pessoas
    acrescentam rapidamente
  156. que isso significa uma redução
    de 45% para 50% até 2030
  157. para tornar viável esse caminho
    até ao zero líquido.
  158. CA: E é esse tipo de horizonte temporal

  159. que as pessoas nem conseguiam imaginar.
  160. É difícil pensar numa medida política
    para daqui a 30 anos.
  161. Por isso, essa é realmente
    uma boa antecipação,
  162. que a tarefa da Humanidade seja
    reduzir as emissões para metade até 2030,
  163. falando em termos aproximados.
  164. Penso que isso significa uma redução
    de uns 7% ou 8% ao ano,
  165. algo do género, se não estou enganado.
  166. AG: Não é tanto.
    Não é assim tanto

  167. mas anda lá perto, sim.
  168. CA: Então talvez seja necessário algo
    como o efeito que experimentámos este ano

  169. talvez seja necessário.
  170. Este ano, fizemo-lo basicamente
    paralisando a economia.
  171. Estás a falar numa forma de o fazer
    durante os próximos anos
  172. que traga maior crescimento económico
    e mais novos empregos.
  173. Fala-nos mais sobre isso.
  174. Referiste alterarmos
    as nossas fontes energéticas,
  175. alterarmos o modo
    como nos transportamos.
  176. Se fizéssemos essas coisas,
  177. em que medida
    ficaria resolvido o problema?
  178. AG: Bem, podemos...

  179. para além dos
    dois setores que mencionei,
  180. também temos de lidar com o fabrico
    e todos os casos de utilização
  181. que requerem temperaturas
    de mil graus Celsius.
  182. Aí também há soluções.
  183. Hei de voltar atrás e referir uma medida
    entusiasmante que a Alemanha adotou.
  184. Também temos de abordar
    a agricultura regenerativa.
  185. Há a oportunidade de sequestrar
    uma grande quantidade de carbono
  186. em solos aráveis de todo o mundo
  187. alterando as técnicas agrícolas.
  188. Há um movimento liderado
    por agricultores para fazer isso.
  189. Precisamos também de reabilitar edifícios.
  190. Precisamos de mudar a nossa gestão
    das florestas e dos oceanos.
  191. Mas deixa-me apenas mencionar
    duas coisas rapidamente.

  192. Em primeiro lugar, os casos
    de utilização de altas temperaturas.
  193. Angela Merkel, ainda há 10 dias,
  194. com a liderança do
    seu ministro Peter Altmaier,
  195. que é um bom amigo
    e um excelente servidor público,
  196. embarcaram numa estratégia
    sustentável de hidrogénio
  197. para criar hidrogénio
  198. com energia renovável
    sem custos marginais.
  199. E repara nisto, Chris:
  200. já ouvimos falar da intermitência
    da energia eólica e solar
  201. — a solar não produz eletricidade
    quando o sol não brilha,
  202. e a eólica não produz eletricidade
    quando o vento não sopra —
  203. mas as baterias estão a melhorar,
  204. e estas tecnologias estão a ficar
    mais potentes e eficientes.
  205. Assim, há um crescente
    número de horas diárias,
  206. em que se produz muito mais
    eletricidade do que a que é utilizada.
  207. O que fazer em relação a isso?
  208. O custo marginal do
    kilowatt-hora seguinte é zero.
  209. Por isso de repente,
  210. o processo que exige muita energia
    para obter hidrogénio a partir da água
  211. torna-se economicamente exequível,
  212. e pode ser um substituto
    para o carvão e para o gás,
  213. e isso já está a ser feito.
  214. Há uma empresa sueca que já
    produz aço com hidrogénio sustentável.
  215. Como já referi, a Alemanha decidiu
    tomar a importante iniciativa de o fazer.
  216. Penso que eles estão
    a dar o exemplo ao resto do mundo.
  217. Agora, é importante referir
    a reabilitação de edifícios,

  218. porque cerca de 20% a 25%
    da poluição devida ao aquecimento global
  219. no mundo e nos EUA
  220. é proveniente de edifícios ineficientes
  221. que foram construídos
    por empresas e particulares
  222. que tentavam ser competitivos no mercado
  223. e manter as suas margens
    razoavelmente elevadas
  224. e, por isso, economizavam
    nos isolamentos e nas janelas
  225. nas luzes LED e noutras coisas.
  226. Contudo, a pessoa ou empresa
    que comprar ou alugar aquele edifício
  227. quer que as suas despesas mensais
    de utilização sejam mais baixas.
  228. Então agora há formas
  229. para acabar com a chamada
    separação mandante-mandatário,
  230. com os incentivos diferenciadores
    para o construtor e para o ocupante,
  231. e podemos reabilitar edifícios
    através de um programa
  232. que se reembolsa a si mesmo,
  233. ao fim de três a cinco anos.
  234. Podemos dar trabalho
    a dezenas de milhões de pessoas
  235. com empregos que, por norma,
    não podem ser subcontratados
  236. porque existem em todas as comunidades.
  237. Devemos levar esta questão a sério,
  238. porque vamos precisar
    de todos esses empregos
  239. para atingir prosperidade sustentável
    nos tempos pós-pandemia.
  240. CA: Voltemos à economia do hidrogénio

  241. que mencionaste há pouco.
  242. Quando as pessoas ouvem
    falar nisso, pensam:
  243. "Ah, estão a falar
    dos carros a hidrogénio."
  244. E já ouviram que provavelmente
    não será uma estratégia vencedora,
  245. Mas acho que estás a pensar
    muito para além disso,
  246. e não apenas no hidrogénio enquanto
    um tipo de mecanismo de armazenagem
  247. que serve de amortecedor
    para as energias renováveis
  248. mas como sendo também essencial
  249. noutros processos económicos
    como a produção do aço,
  250. do cimento,
  251. que são, de momento, processos
    com uma significativa emissão de carbono
  252. mas que podem transformar-se
  253. se tivermos fontes de hidrogénio
    mais económicas.
  254. É isso?
  255. AG: Sim, eu sempre fui cético
    no que toca ao hidrogénio, Chris,

  256. principalmente porque sempre foi
    muito dispendioso produzi-lo,
  257. de "sacá-lo da água", como dizem.
  258. Mas o ponto de viragem tem sido
  259. a incrível abundância
    de eletricidade solar e eólica
  260. em volumes e quantidades
    que ninguém esperava,
  261. e, de repente, é suficientemente
    barata para ser utilizada
  262. nestes processos de enorme
    consumo energético
  263. como criar hidrogénio sustentável.
  264. Continuo cético quanto
    à sua utilização em veículos.
  265. A Toyota anda a apostar nisso há 25 anos
    e não tem funcionado.
  266. Nunca se diz nunca,
    talvez venha a funcionar,
  267. mas creio que será mais útil em processos
    industriais a altas temperaturas,
  268. e já temos um caminho traçado para
    a redução do carbono nos transportes
  269. através da eletricidade
  270. que tem resultado muitíssimo bem.
  271. A Tesla será em breve a empresa automóvel
    mais valiosa do mundo.
  272. já o é nos EUA
  273. e está prestes a ultrapassar a Toyota.
  274. Havia uma empresa de semi-reboques
    que é agora gerida pela Tesla
  275. e uma outra que será híbrida
    com eletricidade e hidrogénio sustentável.
  276. Veremos se eles conseguem
    funcionar nesses moldes.
  277. Mas penso que a eletricidade é
    preferível nos carros e nos camiões.
  278. CA: Daqui a pouco vamos responder
    a perguntas da comunidade.

  279. Mas, entretanto, quero falar
    sobre energia nuclear.
  280. Há ambientalistas que acreditam
    que a energia nuclear,
  281. ou talvez a energia nuclear
    de nova geração
  282. é uma parte essencial da equação
  283. se queremos chegar a um futuro
    verdadeiramente puro,
  284. um futuro de energia pura.
  285. Continuas muito cético relativamente
    à energia nuclear, Al?
  286. AG: Bom, o mercado é cético
    em relação a isso, Chris.

  287. Tem sido uma desilusão esmagadora
    para mim e para muitos outros.
  288. Eu já representei a Oak Ridge,
    onde a energia nuclear teve início,
  289. e quando eu era um jovem congressista,
  290. era um entusiasta.
  291. Era muito apaixonado por aquilo.
  292. Mas os custos excessivos
  293. e os problemas na construção das centrais
  294. tornam-se tão pesados
  295. que os serviços de utilidade pública
    perdem o interesse.
  296. Tornou-se a fonte de eletricidade
    mais dispendiosa.
  297. Mas não quero deixar de acrescentar que há
    uns reatores nucleares mais antigos
  298. que têm mais tempo útil que podia
    ser adicionado à sua existência
  299. E tal como muitos ambientalistas,
  300. cheguei à conclusão de que,
  301. se puderem ser classificados como seguros,
  302. devia ser permitida a sua utilização
    por mais algum tempo.
  303. Mas no que diz respeito
    às novas centrais nucleares.

  304. eis uma forma de ver a questão.
  305. Tu já foste um CEO, Chris.
  306. — suponho que ainda sejas.
  307. Se fores o CEO de um
    fornecedor de eletricidade,
  308. e disseres à equipa executiva,
  309. "Quero construir uma central
    de energia nuclear,"
  310. duas das primeiras perguntas
    que irias fazer seriam:
  311. Número um:
    Quanto é que vai custar?
  312. Não há nenhuma empresa
    de consultadoria em engenharia
  313. que eu tenha encontrado
    em parte alguma do mundo
  314. que subscreva um parecer,
  315. dando-te uma estimativa de custo.
  316. Eles pura e simplesmente não sabem.
  317. A segunda pergunta é:
  318. Quanto tempo levará a construir,
    para começarmos a vender eletricidade?
  319. E, novamente, a resposta será:
  320. "Não fazemos a mínima ideia."
  321. Portanto, se não sabemos
    quanto vai custar,
  322. nem quando vai estar terminada,
  323. e já sabemos que a eletricidade
    é mais cara
  324. do que as formas alternativas
    de a produzir,
  325. vamos ficar desencorajados.
  326. De facto, tem sido essa a situação
    com serviços do mundo inteiro.
  327. CA: OK.

  328. Esse é definitivamente
    um debate interessante,
  329. mas vamos continuar com algumas
    perguntas da comunidade.
  330. Vamos mostrar a primeira, por favor.
  331. De Prosanta Chakrabarty:
  332. "Quem é cético em relação à COVID
    e às alterações climáticas
  333. parece ser cético relativamente
    à ciência em geral.
  334. Será que a mensagem
    que os cientistas tentam passar
  335. poderá ser minimizada e complicada?
  336. Como corrigimos isso?"
  337. AG: Essa é uma excelente
    pergunta, Prosanta

  338. Vou tentar explicá-la de modo
    curto e sucinto.
  339. Penso que tem havido
  340. um sentimento de que
    os especialistas em geral
  341. desiludiram os EUA
    de alguma forma.
  342. E essa ideia é muito mais evidenciada
    nos EUA do que noutros países.
  343. Eu creio que a opinião
    dos especialistas
  344. tem sido diluída
    ao longo das últimas décadas
  345. pelo prejudicial domínio do dinheiro
    no nosso sistema político,
  346. que encontrou formas de
    distorcer a política económica
  347. para beneficiar elites.
  348. Isto soa um pouco radical,
  349. mas é exatamente o que aconteceu.
  350. E já vivemos há mais de 40 anos

  351. sem um aumento significativo
    do salário médio.
  352. No que diz respeito às injustiças
    sofridas pelos afro-americanos
  353. e por outras comunidades de cor,
  354. a diferença entre salários pagos
  355. a afro-americanos
    e à maioria dos americanos
  356. é a mesma que era em 1968,
  357. e a riqueza das famílias
  358. o património líquido
  359. — são precisas 11 famílias e meia
    típicas de afro-americanos típicos
  360. para igualar o património líquido
    de uma família americana branca típica.
  361. Olhamos para salários elevadíssimos
  362. do 1% do topo, ou 0,1% do topo,
  363. e pensamos: "Esperem lá.
  364. "Quem quer que sejam os especialistas
    que definiram estas políticas,
  365. "não têm feito um bom trabalho."
  366. Um último ponto, Chris:

  367. Tem havido um ataque à razão.
  368. Tem havido uma guerra contra a verdade.
  369. Tem havido uma estratégia,
  370. talvez mais conhecida como a estratégia
    usada pelas tabaqueiras há décadas
  371. que contratavam atores e os vestiam
    de médicos para enganarem as pessoas
  372. e tranquilizá-las dizendo que fumar
    não era perigoso para a saúde,
  373. E cem milhões de pessoas morreram
    como resultado disso.
  374. Essa mesma estratégia de
    diminuir a importância da verdade,
  375. de diminuir, como alguém disse,
    a autoridade do conhecimento,
  376. deu origem a um género de caça
  377. a qualquer verdade inconveniente
  378. — desculpa, mais uma frase feita,
    mas é adequada.
  379. Não podemos abandonar a nossa
    crença nas evidências disponíveis
  380. postas à prova em discursos racionais
  381. e utilizadas como base
  382. para as melhores políticas
    que podemos criar.
  383. CA: Será possível, Al, que uma
    das consequências da pandemia

  384. seja um número
    crescente de pessoas
  385. a rever as suas opiniões
    sobre os cientistas?
  386. Ou seja, nos últimos meses
    tivemos oportunidade de dizer:
  387. "Vou acreditar no meu líder político
    ou vou acreditar neste cientista
  388. "relativamente ao que têm dito
    sobre este vírus?"
  389. Podemos, quem sabe,
    tirar uma lição disto?
  390. AG: Sabes, eu acho que,
    se as sondagens estão corretas,

  391. as pessoas confiam mais nos seus médicos
    do que alguns políticos parecem confiar
  392. pois parecem mais interessados
    em fingir que a pandemia não é real.
  393. E se olhares para o enorme fracasso
  394. no comício do Presidente Trump em Tulsa,
  395. um estádio de 19 000 pessoas com
    menos de um terço de ocupação,
  396. de acordo com o oficial de segurança,
  397. viam-se todos os lugares vazios,
    se víssemos as imagens do noticiário.
  398. Por isso, até os apoiantes
    mais leais de Trump
  399. terão decidido confiar nos seus médicos
    e recomendações médicas
  400. e não no Dr. Donald Trump.
  401. CA: Porventura, com uma pequena ajuda
    da geração TikTok.

  402. AG: Certo, mas isso não
    afetou o resultado.

  403. O que eles fizeram, inteligentemente
    — e dou-lhes os meus parabéns —
  404. foi afetar as expetativas da
    Casa Branca de Trump.
  405. Eles foram a razão por que
    ele se manifestou uns dias antes e disse:
  406. "Temos um milhão
    de pessoas inscritas."
  407. Mas eles não impediram...
  408. não ocuparam lugares
    que outros podiam ter ocupado.
  409. Não afetaram o resultado,
    apenas as expetativas.
  410. CA: OK, vamos à próxima pergunta.

  411. "Preocupa-o que as pessoas voltem
    à utilização de veículo próprio
  412. "com medo de viajarem
    em transportes públicos?"
  413. AG: Bom, essa pode realmente ser
    uma das consequências, sem dúvida.

  414. Agora, a tendência do transporte coletivo
  415. já estava a avançar na direção errada
  416. por causa da Uber, da Lyft
    e dos serviços partilhados,
  417. e se a autonomia
    vier a atingir os objetivos
  418. que os seus defensores esperavam
  419. isso também poderá
    resultar num efeito semelhante.
  420. Mas não há dúvidas
    de que algumas pessoas
  421. estão provavelmente mais relutantes
  422. em utilizar transportes públicos
  423. até o medo da pandemia
    ter desaparecido.
  424. CA: Pois, somos capazes de precisar
    de uma vacina para isso.

  425. AG: Pois.

  426. CA: Próxima pergunta.

  427. Soonar Luthra, obrigado
    por esta pergunta, vinda de LA
  428. "Devido ao aumento da temperatura
    no Ártico na última semana,
  429. "parece que o ritmo a que perdemos
    sorvedouros de carbono
  430. "como o "permafrost" ou as florestas
  431. tem acelerado mais do que o previsto.
  432. Estarão os nossos modelos
    demasiado focados nas emissões humanas?"
  433. Uma pergunta interessante.
  434. AG: Bom, os modelos
    estão focados nos fatores

  435. que levaram a estes picos
    de temperatura impressionantes
  436. no norte do Círculo Polar Ártico.
  437. Eles foram e têm sido previstos,
  438. e uma das razões para isso
  439. é que, à medida que a neve
    e as camadas de gelo derretem,
  440. os raios de sol que nos chegam já
    não são refletidos de volta para o espaço
  441. em 90% dos casos.
  442. Em vez disso, quando incidem
    na tundra sombria ou no oceano sombrio.
  443. são absorvidos a uma taxa de 90%.
  444. Isso intensifica o aquecimento no Ártico,
  445. e já tinha sido previsto.
  446. Há uma série de outras consequências
    que constam nesses modelos,
  447. mas alguns podem ter
    de ser reajustados.
  448. Os cientistas, agora, têm receio

  449. de que tanto as emissões de CO2
    como as de metano
  450. provenientes do degelo da tundra
  451. possam ser mais elevadas
    do que eles esperavam.
  452. E acabou de ser realizado um estudo.
  453. Não vou perder muito tempo com ele,
  454. porque abrange um conceito "geek"
    chamado "sensibilidade climática",
  455. que tem sido um fator nos modelos
    com grandes margens de erro
  456. por ser muito difícil de compreender.
  457. Mas as últimas provas
    indicam, preocupantemente,
  458. que a sensibilidade pode ser
    maior do que pensavam,
  459. e teremos uma tarefa
    ainda mais difícil.
  460. Isso não devia desencorajar-nos.
  461. Eu acredito que, depois
    de ultrapassado este ponto crítico
  462. — e acho que isso já está a acontecer,
    como já referi —
  463. vamos encontrar muitas formas
  464. de acelerar a redução de emissões.
  465. CA: Vamos responder a mais uma
    pergunta da comunidade.

  466. "A Geoengenharia tem feito
    progressos extraordinários.
  467. "A Exxon está a investir na
    tecnologia da Global Thermostat
  468. "que parece promissora.
  469. "O que pensa destas tecnologias de captura
    de carbono através de ar e água?"
  470. Stephen Petranek.
  471. AG: Pois. Bem, tu e eu já
    discutimos isto, Chris.

  472. Tenho-me oposto veementemente
  473. contra fazer uma experiência
    global não planeada

  474. que pode correr pessimamente,
  475. e a maioria está muito receosa
    desta abordagem.
  476. No entanto, o termo "geoengenharia" é um
    termo camuflado que esconde muita coisa.
  477. Se quiserem pintar os telhados de branco
    para refletir mais energia
  478. nas paisagens urbanas,
  479. isso não acarretará
    um efeito descontrolado perigoso,
  480. e há outras coisas como essa
  481. a que são chamam genericamente
    "geoengenharia", e que não têm problema.
  482. Mas a ideia de bloquear os raios solares,
  483. na minha opinião, é irracional.
  484. Acontece que as plantas precisam de
    luz solar para a fotossíntese
  485. e os painéis solares precisam de luz solar
  486. para produzirem eletricidade
    proveniente dos raios solares.
  487. E as consequências de alterarmos
    tudo aquilo que conhecemos
  488. e pretendermos que as consequências
    vão precisamente anular
  489. a experiência imprevista
    do aquecimento global
  490. que já está a decorrer,
  491. são falhas no pensamento.
  492. Uma delas é a "falácia da solução única".
  493. Há pessoas que sentem
    a necessidade de dizer,
  494. "Só precisamos de nos agarrar
    a essa solução e pô-la em prática.
  495. "As consequências que vão para o diabo."
  496. Isso é de loucos.
  497. CA: Mas deixa-me voltar
    um bocadinho atrás.

  498. Digamos que concordamos
    que é uma loucura uma única solução,
  499. uma tentativa de tudo-ou-nada
    em geoengenharia.
  500. Mas há cenários em que
    o mundo olha para as emissões
  501. e vê que, ao fim de 10 anos, suponhamos,
  502. a redução não foi
    suficientemente rápida
  503. e que estamos em risco
    de muitas outras situações
  504. em que este comboio que perdemos
    não esperará por nós,
  505. e vamos assistir a subidas de temperatura
    de três, quatro, cinco, seis, sete graus,
  506. e toda a civilização fica em risco.
  507. Certamente existe uma
    abordagem da geoengenharia
  508. que poderá ser modelada, de certo modo,
    conforme abordamos a medicina.
  509. Por exemplo, durante centenas de anos,
    não compreendíamos o corpo humano,

  510. realizavam-se intervenções,
  511. e algumas resultavam, outras não.
  512. Na medicina ninguém diz:
  513. "Intervém e toma uma decisão
    de tudo-ou-nada"
  514. sobre a vida de alguém.
  515. Dizem antes: "Vamos testar
    algumas coisas."
  516. Se uma experiência pode ser reversível,
  517. se é plausível logo de início,
  518. se há razões para
    pensar que vai funcionar,
  519. devemos à saúde futura da Humanidade
  520. que se façam vários tipos de testes
    para vermos o que funciona.
  521. Então, pequenos testes para
    vermos se, por exemplo,
  522. semear algo no oceano
  523. pode criar, de forma não nociva,
  524. sorvedouros de carbono.
  525. Ou talvez, em vez de se encher
    a atmosfera de dióxido de enxofre,
  526. fazer-se uma experiência
    em menor escala
  527. para ver se, de forma rentável,
    se podia reduzir um pouco a temperatura.
  528. De certeza que isso não é
    completamente descabido
  529. e não será algo que devíamos,
    no mínimo, ponderar
  530. caso as outras medidas não resultem?
  531. AG: Bem, já se fizeram experiências dessas

  532. de plantar no oceano
  533. para testar se isso aumentava
    a captação de CO2.
  534. Essas experiências acabaram
    por ser um absoluto fracasso,
  535. como muitos previam.
  536. Mas, novamente, é o tipo de abordagem
  537. que é muito diferente
  538. de colocar tiras de papel-de-alumínio
    na atmosfera a orbitar a Terra.
  539. Foi assim que a proposta de
    geoengenharia solar começou.
  540. Agora estão focados no calcário,
  541. então temos poeira calcária
    por todo o lado.
  542. Mas, mais grave que isso,
    é o facto de poder ser irreversível.
  543. CA: Mas, Al, essa é a resposta retórica.

  544. A quantidade de pó que precisamos
  545. para baixar um ou dois graus
  546. não resultaria em poeira
    calcária por todo o lado.
  547. Seria incrível...
  548. Seria menos do que a poeira
    com que as pessoas lidam diariamente.
  549. Quer dizer, eu só...
  550. AG: Primeiro que tudo, eu não sei

  551. como se faz uma experiência
    pequena na atmosfera.
  552. E em segundo lugar,
  553. se fossemos adotar essa abordagem,
  554. teríamos de aumentar continuamente
  555. a quantidade da substância
    que decidissem usar.
  556. Teríamos de aumentá-la
    todos os anos
  557. e, se alguma vez parássemos,
  558. dar-se-ia um retrocesso repentino,
  559. como naquele antigo livro e filme,
    "O Retrato de Dorian Gray",
  560. em que, de repente, acontece
    tudo mal ao mesmo tempo.
  561. O simples facto de haver alguém
    a considerar estas hipóteses, Chris,
  562. só demonstra o
    sentimento de desespero
  563. que algumas pessoas
    começaram a sentir,
  564. que eu compreendo,
  565. mas que não nos deve levar ao encontro
    dessas experiências imprudentes.
  566. E, já agora, usando a tua analogia
    aos tratamentos de cancro experimentais,
  567. por exemplo,
  568. normalmente obténs
    o consentimento do paciente.
  569. Conseguir o consentimento consciente
    de cerca de 7800 milhões de pessoas

  570. que não têm voz nem opinião,
  571. que estão submetidas às potenciais
    consequências catastróficas
  572. desta ideia tola que alguém
    se lembra de inventar
  573. para tentar reorganizar a atmosfera
    da Terra na totalidade
  574. e esperar e pretender
    que isso vai anular
  575. o facto de emitirmos
    152 milhões de toneladas
  576. de gases poluidores da atmosfera,
    criados pelo homem
  577. para o céu todos os dias.
  578. Isso é que é realmente de loucos.
  579. Um cientista há umas décadas
    fez a seguinte comparação:
  580. "Se tivermos duas pessoas
    num barco que está a afundar-se
  581. "e uma delas disser:
  582. " 'Olha, se calhar podíamos usar espelhos
    para fazer sinais para a costa
  583. " 'para construírem
    uma máquina sofisticada
  584. " 'para geração de ondas
  585. " 'que acabe com o balançar do barco
  586. " 'causado pelas pessoas
    que estão na parte de trás',
  587. "ou então podem fazer com que
    eles deixem de balançar o barco."
  588. É isso que tem de ser feito.
    Temos de parar com o que causa a crise.
  589. CA: Sim, essa é uma ótima história

  590. mas, se o esforço para os fazer
    parar de balançar o barco
  591. for tão complexo como
    a proposta científica que descreveste,
  592. enquanto que o plano para parar as ondas
  593. for tão fácil quanto pedir às pessoas
    para deixarem de balançar o barco,
  594. o caso muda de figura.
  595. Eu concordo que essa questão
    do consentimento
  596. é muito problemática,
  597. mas ninguém deu consentimento
  598. para fazer todas as outras coisas
    que andamos a fazer à atmosfera.
  599. E concordo que o risco moral
  600. é preocupante.
  601. Se nos tornarmos
    dependentes da geoengenharia
  602. e não nos esforçarmos para o resto,
  603. isso será uma tragédia.
  604. Eu gostava que fosse possível
    haver um debate variado
  605. de pessoas que dissessem:
  606. "Sabem que mais?
  607. "Há múltiplos indicadores
    para um problema muito complexo.
  608. Vamos ter de ajustar muitos deles
    com muito cuidado
  609. e continuar a comunicar uns com os outros.
  610. Não seria esse o objetivo
  611. de tentar ter um debate
    mais flexível sobre isto,
  612. em vez de discutir
    tudo o que não resulta
  613. na geoengenharia?
  614. AG: Bem, eu referi algumas,

  615. as boas medidas que mencionei,
  616. não as estou a excluir.
  617. Mas bloquear os raios solares
    do planeta Terra,
  618. não só afetaria 7800 milhões de pessoas,
  619. como afetaria as plantas
  620. e os animais
  621. e as correntes oceânicas
  622. e as correntes eólicas
  623. e processos naturais
  624. que estamos na iminência
    de comprometer ainda mais.
  625. Otimismo tecnológico é algo
    que me interessou no passado,
  626. mas agarrar-me a uma qualquer solução
  627. com base na alta tecnologia
  628. para reestabelecer todo
    o sistema natural da Terra
  629. só porque alguém se considera
    suficientemente esperto
  630. para o fazer de forma
    a anular as consequências
  631. de utilizar a atmosfera
    como um esgoto a céu aberto
  632. para os gases com efeito de estufa
    emitidos pelo Homem? Não.
  633. É muito mais importante
    deixarmos de usar a atmosfera
  634. como um esgoto a céu aberto.
  635. É esse o problema.
  636. CA: Muito bem, concordamos que
    isso é o mais importante, sem dúvida,

  637. e já que falamos nisso,
  638. acreditas que é preciso estipular
    preços para o carbono,
  639. e existe alguma probabilidade
    de lá chegarmos?
  640. AG: Sim. Sim às duas perguntas.

  641. Há décadas que quase
    todos os economistas
  642. que respondem a perguntas
    sobre a crise climática, respondem:
  643. "Bem, basta atribuir
    um preço ao carbono."
  644. Eu sou totalmente a favor dessa ideia.
  645. Mas é muito complicado.
  646. Contudo, há 43 jurisdições no mundo
  647. que já têm um preço sobre o carbono.
  648. Está a acontecer na Europa.
  649. Finalmente esclareceram
    o mecanismo do preço do carbono.
  650. É uma versão da
    comercialização das emissões.
  651. Temos locais que aplicaram
    uma taxa ao carbono.
  652. Esse é o procedimento que
    os economistas preferem.
  653. A China está a começar a implementar
    o programa nacional de comercialização.
  654. A Califórnia e mais alguns estados
    nos EUA já o estão a fazer.
  655. Pode ser devolvido às pessoas
    sem incidência nas receitas.
  656. Mas a oposição a isso, Chris,
    a que te referiste,

  657. é suficientemente impressionante
    para termos de seguir outros planos,
  658. e eu diria que a maioria dos ativistas
    climáticos agora dizem:
  659. "Não digamos que o ótimo
    é inimigo do bom."
  660. Também há outras formas de o fazer.
  661. Precisamos de toda e qualquer solução
    que possamos aplicar racionalmente,
  662. incluindo através de regulamentação.
  663. Muitas vezes, quando a oposição política
    a uma ideia se torna demasiado difícil,
  664. numa abordagem
    orientada para o mercado,
  665. o retrocesso é na regulamentação,
  666. e dá-se-lhe um nome negativo:
    regulamentação,
  667. mas em muitos sítios
    já está a ser aplicada.
  668. A eliminação progressiva
    dos motores de combustão interna
  669. é um exemplo disso.
  670. Há 160 cidades nos EUA
  671. que já determinaram, com regulamentação,
    que, a partir de uma data específica,
  672. 100% de toda a eletricidade terá de ser
    proveniente de recursos renováveis.
  673. E novamente, as forças do mercado
    que regulam os custos da energia renovável
  674. e as soluções sustentáveis
    sempre mais baratas,
  675. dão-nos força para continuar.
  676. Isso joga a nosso favor.
  677. CA: Ou seja, o retrocesso
    no estabelecimento de preços do carbono

  678. avança frequentemente graças
    a fações do movimento ambiental,
  679. que constituem uma resistência
    ao papel da indústria, em geral.
  680. Na verdade, a indústria — bom,
    o capitalismo — é responsabilizada
  681. pela crise climática
  682. devido ao crescimento incessante,
  683. ao ponto de muita gente não acreditar
  684. que a indústria possa
    fazer parte da solução.
  685. A única maneira de avançarmos
    é a regulamentação,
  686. obrigar a indústria a fazer o correto.
  687. Pensas que a solução terá
    de passar pelas empresas?
  688. AG: Absolutamente,

  689. porque a canalização de capital
    necessária para resolver esta crise
  690. é maior do que a que os governos
    conseguem aguentar.
  691. E as empresas estão a começar,
  692. muitas empresas começam
    a ter um papel muito construtivo.
  693. Está a ser-lhes exigido que o façam
  694. pelos seus clientes,
    pelos seus investidores,
  695. pelas suas administrações,
  696. pelas suas equipas executivas,
    pelas suas famílias.
  697. E já agora,
  698. a geração atual está a exigir
    um futuro próspero,
  699. e quando os CEOs entrevistam
    potenciais candidatos,
  700. descobrem que, afinal, os candidatos
    é que os estão a entrevistar.
  701. Querem receber um bom salário,
  702. mas querem poder dizer às suas
    famílias e amigos e colegas
  703. que estão a fazer mais alguma coisa
    do que apenas a ganhar dinheiro.
  704. Uma ilustração de como esta
    geração está a mudar, Chris:
  705. de momento existem
    65 universidades nos EUA
  706. onde os Clubes de Jovens Republicanos
    Universitários se uniram
  707. para em conjunto exigirem
    ao Comité Nacional Republicano
  708. que mudasse a sua política ambiental,
  709. para não perderem toda uma geração.
  710. Isto é um fenómeno global.
  711. A Geração Greta está agora a comandar
  712. de tantas formas
  713. e, se olhares para as sondagens,
  714. novamente, a vasta maioria
    de jovens Republicanos
  715. pedem uma mudança na política ambiental.
  716. Isto é um verdadeiro movimento
  717. que está a desenvolver-se.

  718. CA: Ia falar-te disso,
  719. porque uma das coisas mais
    penosas dos últimos 20 anos
  720. tem sido o modo como
    o ambiente tem sido politizado,
  721. particularmente, nos EUA.
  722. Provavelmente sentiste-te assim
    no meio disso durante muito tempo,
  723. com pessoas a atacarem-te pessoalmente
  724. das formas mais cruéis
    e frequentemente injustas.
  725. Vês mesmo sinais de que
    isso pode estar a mudar,
  726. com a liderança da próxima geração?
  727. AG: Sim, sem dúvida alguma.

  728. Eu não quero guiar-me demasiado
    pelas sondagens.
  729. Já falei delas.
  730. Mas houve uma que foi divulgada
  731. que se baseou nos apoiantes
    vacilantes de Trump,
  732. aqueles que o apoiavam
    fortemente no passado
  733. e querem voltar a fazê-lo.
  734. O principal motivo,
    para surpresa de alguns,
  735. que os está a fazer hesitar,
  736. é a insanidade de Trump
    e da sua administração
  737. quanto ao clima.
  738. Estamos a assistir a grandes
    maiorias do Partido Republicano
  739. afirmarem que estão prontos
    para explorar verdadeiras soluções
  740. para a crise climática.
  741. Eu penso que estamos
    a caminhar para lá, sem dúvida.
  742. CA: Tens sido o representante
    no levantamento deste problema,

  743. e és Democrata.
  744. Há alguma coisa que
    pessoalmente possas fazer
  745. para abrir a porta, receber as pessoas,
  746. tentar dizer: "Isto vai além
    da política, meus amigos"?
  747. AG: Sim. Bom, eu já tentei
    tudo isso antes,

  748. e talvez tenha feito uma
    pequena diferença positiva.
  749. Trabalhei extensivamente com Republicanos.
  750. E, sabes, logo após ter
    saído da Casa Branca,
  751. tinha Newt Gingrich e Pat Robertson
  752. e outros Republicanos importantes
  753. a aparecer em anúncios de TV comigo
  754. a dizerem que tínhamos de
    resolver a crise climática.
  755. Mas a indústria petrolífera
  756. redobrou de esforços
  757. e restabeleceu a disciplina
    dentro do Partido Republicano.
  758. Repara nos ataques
    que lançaram ao Papa
  759. quando ele surgiu com a sua encíclica
  760. e foi severamente criticado,
  761. não por todos certamente.
  762. Estavam lá militaristas
    do movimento anti-ambiente
  763. que, de imediato, apontaram
    as armas ao Papa Francisco,
  764. e há muitos mais exemplos.
  765. Eles impõem disciplina
  766. e tentam fazer disso
    um assunto partidário,
  767. mesmo quando os Democratas
    se chegam à frente
  768. para tentar torná-lo bipartidário.
  769. Concordo totalmente contigo em como
    não devia ser um assunto partidário.
  770. Antigamente não era
  771. mas tem sido artificialmente
    armado como tal.
  772. CA: Quer dizer, os CEOs de empresas
    petrolíferas também têm filhos

  773. que falam com eles.
  774. Parece que alguns deles se estão a mexer
  775. e a tentar investir
  776. e encontrar formas
    de fazerem parte do futuro.
  777. Vês sinais disso?
  778. AG: Sim.

  779. Penso que os líderes empresariais,
    incluindo empresas de petróleo e gás,
  780. estão a dar ouvidos às suas famílias.
  781. Estão a dar ouvidos aos seus amigos.
  782. Estão a dar ouvidos aos seus funcionários.
  783. E, por acaso, vimos
    na indústria tecnológica
  784. algumas demissões em massa
    por parte dos funcionários
  785. que exigem que algumas
    das empresas de tecnologia
  786. ajam mais e levem isto a sério.
  787. Tenho imenso orgulho na Apple.
  788. Perdoa-me por, entre parênteses,
    elogiar a Apple.
  789. Sabes, eu sou suspeito,
    mas sou grande fã do Tim Cook
  790. e dos meus colegas na Apple.
  791. É um exemplo de uma
    empresa de tecnologia
  792. que está realmente a fazer
    coisas fantásticas.
  793. E há outras também.
  794. Há várias em muitas indústrias.
  795. Mas a pressão sobre
    as empresas petrolíferas e de gás
  796. é, de facto, extraordinária.
  797. A BP reduziu deliberadamente
    12 500 milhões de dólares
  798. em ativos de petróleo e gás
  799. e disse que eles nunca verão a luz do dia.
  800. Dois terços dos combustíveis fósseis
    que já foram descobertos
  801. não podem ser queimados
    nem serão queimados.
  802. Isso representa um grande risco
    económico para a economia global,
  803. como a crise hipotecária de alto risco.
  804. Temos 22 biliões de dólares
    em recursos de carbono de alto risco
  805. e ainda ontem
    saiu um relatório importante
  806. sobre o fraturamento hidráulica nos EUA
  807. que está a atravessar
    uma maré de insolvências
  808. porque o preço do petróleo
    e do gás fraturado
  809. desceu até níveis abaixo
    do que os torna económicos.

  810. CA: Será que podemos
    resumir o que aconteceu
  811. dizendo que os carros e as tecnologias
    elétricas e solares, etc.,
  812. ajudaram a baixar o preço do petróleo
  813. ao ponto de uma enorme
    quantidade de reservas
  814. já não poderem ser exploradas
    lucrativamente?

  815. AG: Sim, é isso mesmo.
  816. É essencialmente isso.
  817. As projeções para as fontes de energia
    nos próximos anos
  818. preveem unanimemente que a eletricidade
    proveniente do vento e do sol
  819. continuará a apresentar
    reduções de preço,
  820. e, consequentemente,
    usar gás ou carvão
  821. para criar vapor para rodar as turbinas
  822. não será económico.
  823. Do mesmo modo, a eletrificação
    do setor dos transportes
  824. está a ter o mesmo efeito.
  825. Alguns estão também a olhar para tendência
  826. dos governos locais,
    regionais e nacionais.
  827. Já mencionei isto antes,
  828. mas eles estão a prever um
    futuro energético muito diferente.
  829. Mas deixa-me voltar atrás, Chris,
  830. porque falámos sobre líderes de negócio.
  831. Creio que estavas há pouco a iniciar
    uma questão sobre o capitalismo,

  832. e eu quero falar sobre isso,
  833. porque há muita gente que diz
  834. que o capitalismo é talvez
    o principal problema.
  835. Eu penso que o capitalismo atual
    precisa urgentemente de uma melhoria.
  836. A perspetiva a curto prazo
    é mencionada várias vezes
  837. mas a forma como avaliamos
    aquilo que para nós é valioso
  838. é também o motor da crise
    do capitalismo moderno.
  839. O capitalismo está na base
    de qualquer economia bem sucedida,
  840. e equilibra a oferta e a procura,
  841. desbloqueia uma grande fração
    do potencial humano,
  842. e não irá a lado nenhum,
  843. mas precisa de ser melhorado,
  844. pois a forma como medimos
    o que agora é valioso
  845. ignora as chamadas consequências negativas
  846. como a poluição.
  847. E ignora também consequências positivas

  848. como investimentos no ensino
    e nos cuidados de saúde,
  849. nos cuidados de saúde mental,
    nos serviços de apoio à família.
  850. Ignora a escassez de recursos
    como os aquíferos e os solos férteis
  851. e a rede de espécies vivas.
  852. E ignora a distribuição
    de receita e património líquido.
  853. Por isso, quando o PIB cresce,
    as pessoas festejam,
  854. 2%, 3%, 4%, e pensam: "Excelente!"
  855. Mas isso vem acompanhado
    de vastos aumentos da poluição,
  856. de défice crónico no investimento
    de bens públicos,
  857. de esgotamento de recursos
    naturais insubstituíveis,

  858. e da pior crise de desigualdade
    a que assistimos em mais de cem anos
  859. que ameaça o futuro
    do capitalismo e da democracia.
  860. Por isso temos de mudar isso.
    Temos de reformar isso.
  861. CA: Portanto, reformar o capitalismo
    mas não o deitar fora.

  862. Vamos precisar dele como ferramenta
    à medida que avançarmos
  863. se quisermos resolver isto.
  864. AG: Sim, acho que é isso,
    e um último ponto:

  865. os piores excessos ambientais
    dos últimos cem anos
  866. aconteceram em jurisdições que fizeram
    experiências ao longo do século XX
  867. com alternativas ao capitalismo
    de esquerda e de direita.
  868. CA: Interessante. Muito bem.

  869. Últimas duas perguntas
    da comunidade, rapidamente.
  870. Chadburn Blomquist:
  871. "Enquanto aguardamos uma previsão
    do impacto da atual pandemia,
  872. "e considerando a nossa resposta
    ao combate à alteração climática,
  873. "qual pensa que será a lição
    de maior impacto a retirar?"

  874. AG: Bem, essa pergunta é muito profunda,
  875. e gostava que a minha resposta
    estivesse ao mesmo nível.
  876. Eu diria que, primeiro,
  877. não ignorar os cientistas.
  878. Quando existe praticamente unanimidade
  879. entre cientistas e médicos especialistas,
  880. prestem atenção.
  881. Não se deixem dissuadir
    por qualquer político.
  882. Acho que o presidente Trump
    tem vindo a aprender lentamente
  883. que é complicado ignorar um vírus.
  884. Ele tentou ignorar o vírus em Tulsa.
  885. Não correu muito bem,
  886. e tragicamente, há um mês
    ele decidiu arriscar imprudentemente
  887. e ignorar as recomendações
    de utilização de máscaras
  888. e de distanciamento social
  889. e as outras coisas.
  890. Acho que essa lição
    começa a tomar uma posição
  891. muito mais firme.
  892. Mas para além disso, Chris,
  893. penso que este período
    tem sido caracterizado
  894. por uma das oportunidades mais profundas
  895. para as pessoas repensarem
    os seus hábitos de vida
  896. e considerarem se podemos ou não
    fazer melhor numa série de coisas
  897. e de forma diferente.
  898. E acho que a nova geração
    de que falei antes
  899. tem sido ainda mais
    profundamente afetada
  900. por este intervalo,
  901. que espero que termine em breve,
  902. mas espero que as lições prevaleçam.
  903. E suponho que vão.
  904. CA: Sim, é incrível a quantidade
    de coisas que se podem fazer

  905. sem emissão de carbono,
  906. e que temos sido forçados a fazer.
  907. Vamos só a mais uma pergunta.
  908. Frank Hennessy: "Sente-se animado
    pela capacidade das pessoas
  909. "de se adaptarem ao novo normal
    devido à COVID-19
  910. "demonstrando que conseguem
    e vão mudar os seus hábitos
  911. "para combaterem a alteração climáticas?
  912. AG: Sim, mas temos de manter em mente

  913. que há uma crise dentro desta crise.
  914. O impacto na comunidade afro-americana,
    que mencionei anteriormente,
  915. ou na comunidade latino-americana,
  916. nos povos indígenas.
  917. A taxa mais elevada de infeção
    atualmente é na Nação Navajo.
  918. Por isso, algumas destas questões
    parecem distintas
  919. das que estão realmente
    a sentir o embate desta crise
  920. e é inaceitável permitirmos
    que isto continue.
  921. Para mim e para ti
    parecem-nos de uma maneira
  922. e, provavelmente, para muitos
    dos que estão aqui a assistir,
  923. mas para comunidades de cor
    de baixos rendimentos,
  924. a crise é completamente diferente,
  925. e devemos-lhes
  926. e a todos nós
  927. deitar mãos à obra e começar
    a usar a melhor ciência
  928. e solucionar esta pandemia.
  929. Conheces a expressão
    "economia pandémica"?
  930. Alguém disse que, o primeiro princípio
    da economia pandémica
  931. é tratar da pandemia,
  932. e ainda não estamos a fazer isso.
  933. Estamos a assistir ao presidente
    a tentar brincar com a economia,
  934. para a sua reeleição,
  935. desprezando a previsão
  936. de dezenas de milhares
    de mortes de americanos.
  937. Na minha opinião, isso é imperdoável.
  938. CA: Obrigado, Frank.

  939. Então, Al, tu e outros na comunidade
    representaram um papel fundamental
  940. a incentivar a TED a lançar a iniciativa
    a que chamámos "Countdown"
  941. Obrigado por isso,
  942. e suponho que esta conversa vai
    continuar entre muitos de nós.
  943. Se tiverem ficado interessados
    pelo ambiente, depois de verem isto,
  944. visitem o "website" do Countdown,
  945. countdown.ted.com,
  946. e façam parte do 10/10/2020,
  947. dia em que tentaremos enviar
    um alerta a todo o mundo
  948. em como o ambiente não pode esperar,
  949. que realmente importa,
  950. e teremos muito conteúdo incrível
  951. gratuito para o mundo nesse dia.
  952. Obrigado, Al, pela inspiração
    e apoio neste projeto.
  953. Estava a pensar que podias
    terminar a sessão de hoje
  954. deixando-nos uma perspetiva
  955. de como as coisas poderão desenvolver-se
    ao longo da próxima década.
  956. Diz-nos se ainda existe ou não
    uma réstia de esperança.
  957. AG: Com todo o gosto.

  958. Tenho de fazer aqui uma referência.
    Serei breve.
  959. De 18 de julho a 26 de julho,
  960. O Projeto de Realidade Climática
    fará uma formação global.
  961. Já temos 8000 inscritos.
  962. Podem ir a climatereality.com.
  963. Agora, um futuro próspero
  964. começa com todos os tipos de esforços,
  965. que tu próprio fizeste para
    organizar o Countdown.
  966. Chris, tu e a tua equipa
    têm sido fantásticos
  967. enquanto colegas de trabalho
  968. e estou extremamente entusiasmado
    com o projeto Countdown.
  969. A TED tem uma capacidade inigualável
  970. para propagar ideias que valem a pena,
  971. para consciencializar,
  972. para instruir pessoas de todo o mundo,
  973. e isso é necessário para o ambiente
    e para as soluções para a crise climática
  974. como nunca foi antes,
  975. e quero agradecer-te
    pelo que pessoalmente estás a fazer
  976. para organizar este fantástico
    programa Countdown.
  977. CA: Obrigado.

  978. E o mundo? Vamos fazer isto?
  979. Acham que a humanidade
    vai conseguir dar volta a isto
  980. e que os nossos netos
  981. vão ter vidas maravilhosas
  982. onde poderão celebrar a Natureza
    em vez de passarem os dias
  983. com medo do próximo furação ou tsunami?
  984. AG: Estou otimista em que o vamos fazer,

  985. mas a resposta está nas nossas mãos.
  986. Tivemos tempos obscuros no passado,
  987. e estivemos à altura do desafio.
  988. Temos as limitações
    da nossa herança evolutiva
  989. e de elementos da nossa cultura,
  990. mas também temos a capacidade
    de transcender as nossas limitações,
  991. e quando baixamos a guarda,
  992. e a sobrevivência está em risco
  993. e as crianças e as gerações
    futuras estão em risco,
  994. somos capazes de mais do que aquilo
    que alguma vez pensámos.
  995. Este é um desses momentos.
  996. Eu acredito que estaremos à altura,
  997. e que criaremos um futuro
  998. limpo, próspero, justo e equilibrado.
  999. Acredito nisso com todo o meu coração.
  1000. CA: Al Gore, obrigado
    pela tua vida de trabalho,

  1001. por evidenciares este problema
  1002. e por passares este tempo connosco.
  1003. Obrigado.
  1004. AG: A ti também. Obrigado