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← O primeiro sistema mundial de monitorização de tráfego espacial alimentado por utilizadores

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Showing Revision 7 created 09/09/2019 by Margarida Ferreira.

  1. Eu sou um astrodinamicista
  2. — vocês sabem, como o Rich Purnell
    no filme "Perdido em Marte".
  3. E o meu trabalho é estudar e prever
    o movimento de objetos no espaço.
  4. Hoje, rastreamos cerca de 1%
    de objetos perigosos em órbita
  5. — perigosos para serviços
    como a localização,
  6. agricultura, setor bancário,
  7. televisão e comunicações,
  8. e em breve — muito em breve —
  9. até a própria Internet.
  10. Estes serviços não estão protegidos
    dos cerca de meio milhão de objetos

  11. do tamanho de uma partícula de tinta
  12. até ao tamanho de um autocarro escolar.
  13. Uma partícula de tinta,
  14. a viajar à velocidade certa,
  15. chocando com um destes objetos,
  16. poderia torná-lo absolutamente inútil.
  17. Mas nós não conseguimos rastrear coisas
    tão pequenas como um salpico de tinta.
  18. Apenas conseguimos rastrear coisas
    tão pequenas como um telemóvel.
  19. Assim, deste meio milhão de objetos
    com que nos devemos preocupar,
  20. apenas conseguimos rastrear
    cerca de 26 000 destes objetos.
  21. E, destes 26 000, apenas 2000
    realmente funcionam.
  22. Tudo o resto
  23. é lixo.
  24. É bastante lixo.
  25. Para tornar as coisas um pouco piores,

  26. a maioria do que lançamos
    em órbita nunca regressa.
  27. Enviamos o satélite em órbita,
  28. ele deixa de trabalhar,
    fica sem combustível,
  29. e nós enviamos outro ...
  30. e depois enviamos mais outro...
  31. e depois outro.
  32. E, de vez em quando,

  33. duas destas coisas
    vão colidir entre si
  34. ou uma destas coisas vai explodir,
  35. ou ainda pior,
  36. alguém pode simplesmente destruir
    um de seus satélites em órbita,
  37. e isto gera muitos mais fragmentos,
  38. a maioria dos quais
    também nunca regressará.
  39. Estas coisas não estão simplesmente
    espalhadas aleatoriamente em órbita.

  40. Acontece que, dada a curvatura
    do espaço-tempo,
  41. existem localizações ideais
  42. onde colocamos alguns destes satélites
  43. — pensem nisto como se fossem
    estradas no espaço.
  44. Tal como as estradas na terra,
  45. estas estradas espaciais têm
    uma capacidade máxima de tráfego
  46. para poderem sustentar
    operações espaciais seguras.
  47. Ao contrário das estradas na terra,
  48. não existem regras de trânsito no espaço.
  49. Absolutamente nenhuma, ok?
  50. Uau.
  51. O que poderia correr mal?
  52. (Risos)

  53. Agora, o que seria muito bom

  54. era se tivéssemos algo,
    como um mapa de tráfego espacial,
  55. como um Waze para o espaço,
    em que eu pudesse procurar
  56. e ver quais eram as condições atuais
    de tráfego no espaço,
  57. talvez até prever essas condições.
  58. Contudo, o problema disto
  59. é que, se perguntar
    a cinco pessoas diferentes:
  60. "O que se está a passar em órbita?
  61. "Para onde estão a ir as coisas?"
  62. provavelmente vai receber
    dez respostas diferentes.
  63. Porquê?
  64. Porque a informação sobre
    o que está em órbita
  65. também não é comummente partilhada.
  66. E se tivéssemos um sistema
    de informação de tráfego espacial

  67. globalmente acessível, aberto
    e transparente
  68. que pudesse informar o público
    de onde está tudo localizado
  69. para tentar manter
    o espaço seguro e sustentável?
  70. E se o sistema pudesse ser usado
  71. para criar normas de comportamento,
    baseadas em evidência
  72. — essas regras de trânsito espacial?
  73. Então, eu desenvolvi o ASTRIAGraph,

  74. o primeiro sistema mundial
    de monitorização de tráfego espacial
  75. alimentado por utilizadores,
    na Universidade de Texas, em Austin.
  76. O ASTRIAGraph combina múltiplas fontes
    de informação de todo o mundo
  77. — governo, indústria e academia —
  78. e representa-a numa estrutura comum
    que qualquer pessoa pode aceder hoje.
  79. Aqui, vocês podem ver
    26 000 objetos a orbitar a terra,
  80. várias opiniões,
  81. e é atualizado em praticamente tempo real.
  82. Mas, voltando ao meu problema
    do mapa de tráfego espacial:

  83. E se vocês apenas tivessem informações
    do governo americano?
  84. Nesse caso, isto seria como o vosso
    mapa de tráfego espacial se pareceria.
  85. Mas, o que acham os russos?
  86. Parece significativamente diferente.
  87. Quem está correto? Quem está errado?
  88. Em quem devo acreditar?
  89. No que posso acreditar?
  90. Este é parte do problema.
  91. Na ausência desta estrutura

  92. para monitorizar
    o comportamento espaço-ator,
  93. para monitorizar a atividade espacial,
  94. onde estes objetos estão localizados,
  95. para reconciliar estas inconsistências
  96. e tornar este conhecimento comum,
  97. na verdade, arriscamos perder a capacidade
  98. de usar o espaço
    para o benefício da humanidade.
  99. Muito obrigado.

  100. (Aplausos)