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← O primeiro sistema de monitoramento de tráfego espacial colaborativo do mundo

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Showing Revision 9 created 07/08/2019 by Leonardo Silva.

  1. Sou especialista em astrodinâmica.
  2. Sabem, como aquele cara, Rich Purnell,
    do filme "Perdido em Marte"?
  3. Minha tarefa é estudar e prever
    o movimento de objetos no espaço.
  4. Atualmente, rastreamos cerca de 1%
    de objetos perigosos em órbita,
  5. perigosos para serviços como localização,
  6. agricultura, bancos,
  7. televisão e comunicações,
  8. e breve, muito em breve,
  9. até mesmo a própria internet.
  10. Esses serviços não estão protegidos
    de cerca de meio milhão de objetos

  11. do tamanho de uma mancha de tinta
  12. até o tamanho de um ônibus escolar.
  13. Uma mancha de tinta,
  14. viajando na velocidade certa,
  15. impactando um desses objetos,
  16. poderia inutilizá-lo totalmente.
  17. Mas não conseguimos rastrear objetos
    tão pequenos quanto uma mancha de tinta.
  18. Só podemos rastrear objetos tão pequenos
    quanto, digamos, um smartphone.
  19. Desses meio milhão de objetos
    com os quais deveríamos nos preocupar,
  20. conseguimos rastrear apenas 26 mil,
  21. dos quais só 2 mil funcionam na verdade.
  22. Todo o restante
  23. é lixo.
  24. É muito lixo.
  25. Para piorar um pouco,

  26. a maior parte do que lançamos
    em órbita nunca retorna.
  27. Colocamos o satélite em órbita,
  28. ele para de funcionar,
    fica sem combustível,
  29. e mandamos mais algum objeto pra cima...
  30. e depois enviamos mais outro...
  31. e mais outro.
  32. E, de vez em quando,

  33. dois desses objetos colidem
  34. ou um deles explode,
  35. ou até pior:
  36. alguém pode destruir
    um de seus satélites em órbita,
  37. e isso gera muitos mais fragmentos,
  38. a maioria dos quais também nunca retorna.
  39. Esses objetos não só ficam
    aleatoriamente dispersos em órbita.

  40. Acontece que, dada a curvatura
    do espaço-tempo,
  41. há posições ideais
  42. em que colocamos alguns desses satélites.
  43. Pensem neles como rodovias espaciais.
  44. Muito parecidas com as rodovias da Terra,
  45. essas rodovias espaciais possuem
    uma capacidade máxima de tráfego
  46. para manter operações seguras no espaço.
  47. Diferente das rodovias da Terra,
  48. não há, na verdade,
    regras de tráfego espacial.
  49. Absolutamente nenhuma, está bem?
  50. Uau.
  51. O que poderia dar errado nisso?
  52. (Risos)

  53. Seria muito bom

  54. se tivéssemos algo
    como um mapa de tráfego espacial,
  55. como um Waze para o espaço,
    no qual eu pudesse pesquisar
  56. e ver as condições atuais
    do tráfego no espaço,
  57. talvez até prevê-las.
  58. O problema com isso, no entanto,
  59. é que, se perguntarmos
    a cinco pessoas diferentes:
  60. "O que está havendo em órbita?
  61. Pra onde vão os objetos?",
  62. receberemos provavelmente
    dez respostas diferentes.
  63. Por quê?
  64. Porque a informação
    sobre os objetos em órbita
  65. também não é geralmente compartilhada.
  66. E se tivéssemos um sistema
    de informação de tráfego espacial

  67. mundialmente acessível,
    aberto e transparente
  68. que pudesse informar ao público
    a localização de todo objeto
  69. para tentar manter o espaço
    seguro e sustentável?
  70. E se o sistema pudesse ser usado
  71. para formar normas de comportamento
    baseadas em evidências:
  72. essas regras de tráfego espacial?
  73. Então, desenvolvi ASTRIAGraph,

  74. o primeiro sistema de monitoramento
    de tráfego espacial colaborativo do mundo
  75. na Universidade do Texas em Austin.
  76. ASTRIAGraph combina várias fontes
    de informação de todo o mundo -
  77. governo, indústria e mundo acadêmico -
  78. e representa isso em uma estrutura comum
    que qualquer um pode acessar hoje.
  79. Aqui vocês podem ver
    26 mil objetos em órbita na Terra,
  80. várias opiniões,
  81. atualizados quase em tempo real.
  82. Mas, de volta ao meu problema
    de mapa de tráfego espacial:

  83. e se tivéssemos apenas informação
    do governo dos EUA?
  84. Nesse caso, é assim que seria
    nosso mapa de tráfego espacial.
  85. Mas o que os russos acham disso?
  86. Isso parece significativamente diferente.
  87. Quem está certo? Quem está errado?
  88. No que devemos acreditar?
  89. No que podemos confiar?
  90. Isso faz parte do problema.
  91. Na ausência

  92. dessa estrutura
  93. para monitorar o comportamento
    de objetos no espaço,
  94. para monitorar a atividade no espaço,
  95. a localização desses objetos,
  96. para ajustar essas inconsistências
  97. e tornar esse conhecimento um lugar-comum,
  98. arriscamos, na verdade,
    perder a capacidade
  99. de usar o espaço
  100. para o benefício da humanidade.
  101. Muito obrigado.

  102. (Aplausos) (Vivas)