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← O que os refugiados precisam para iniciar uma nova vida

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Showing Revision 3 created 04/10/2019 by Margarida Ferreira.

  1. Há cerca de dois anos,
  2. recebi um telefonema
    que mudou a minha vida.
  3. "Olá, sou o teu primo Hassen".

  4. Fiquei paralisado.

  5. Tenho mais de 30 primos direitos
  6. mas não conhecia nenhum
    chamado Hassen.
  7. Acontece que Hassen era
    primo da minha mãe

  8. e acabara de chegar a Montreal
    como refugiado.
  9. Durante os meses seguintes,
  10. havia mais três familiares meus
    a chegar ao Canadá, pedindo asilo
  11. com pouco mais do que a roupa
    que traziam vestida.
  12. Dois anos depois daquela chamada,
  13. a minha vida estava totalmente alterada.
  14. Saí da academia
  15. e agora lidero uma equipa diversificada
    de tecnólogos, investigadores e refugiados
  16. que está a trabalhar em recursos
    de autoajuda para recém-chegados.
  17. Queremos ajudá-los a ultrapassar
    as barreiras da língua, culturais e outras
  18. que lhes fazem sentir que perderam
    o controlo da sua vida.
  19. Sentimos que a IA pode ajudar a repor
    os direitos e a dignidade
  20. que muita gente perde
    quando procura ajuda.
  21. A experiência dos refugiados
    da minha família não é única.

  22. Segundo a UNHCR
    — a agência da UE para os refugiados —
  23. em cada minuto,
    há mais 20 pessoas desalojadas,
  24. por causa da alteração climática,
    da crise económica,
  25. e da instabilidade social e política.
  26. Foi quando fazíamos trabalho voluntário
    num abrigo local do YMCA,
  27. para onde o meu primo Hassen
    e outros familiares foram enviados
  28. que vimos e aprendemos a apreciar
  29. o esforço e a coordenação
    que um realojamento exige.
  30. A primeira coisa a fazer, quando chegam,
    é arranjar um advogado

  31. e preencher documentos legais
    num prazo de duas semanas.
  32. Também precisam programar
    um exame médico
  33. com um médico pré-autorizado,
  34. para poderem requerer
    uma autorização de trabalho.
  35. É preciso começar a procurar
    um local para viver,
  36. antes de receber qualquer
    tipo de assistência social.
  37. Com milhares a fugir dos EUA,

  38. e a procurar asilo no Canadá,
    nos últimos anos,
  39. vimos logo o que ia acontecer
  40. quando há mais pessoas a precisar de ajuda
    do que recursos para os ajudar.
  41. Os serviços sociais
    não aumentam rapidamente
  42. e, apesar de as comunidades
    fazerem o melhor que podem,
  43. para ajudarem as pessoas
    com recursos limitados,
  44. os recém-chegados gastam
    muito tempo à espera no limbo,
  45. sem saberem para onde se virar.
  46. Em Montreal, por exemplo,

  47. apesar de se gastarem milhões de dólares
    para apoiar o esforço de realojamento,
  48. quase 50% dos recém-chegados
    ainda não sabem
  49. que existem recursos gratuitos
  50. para os ajudar com tudo,
    desde o preenchimento da papelada
  51. até arranjar trabalho.
  52. O problema não é
    que essas informações não existam.
  53. Pelo contrário, os que precisam de ajuda
    são bombardeados com tantas informações
  54. que é difícil perceberem aquilo tudo.
  55. "Não me dem mais informações,
    digam-me só o que devo fazer"
  56. era um lamento
    que ouvíamos a toda a hora.
  57. Reflete como é extremamente difícil
    orientarmo-nos
  58. quando chegamos a um país
    pela primeira vez.
  59. Eu tive a mesma dificuldade
    quando cheguei a Montreal
  60. e tenho um doutoramento.
  61. (Risos)

  62. Como disse outro membro da nossa equipa,
    também um refugiado:

  63. "No Canadá, um cartão SIM
    é mais importante que comida,
  64. "porque não morreremos de fome".
  65. Mas ter acesso aos recursos
    e às informações adequadas
  66. pode fazer a diferença
    entre a vida e a morte.
  67. Vou repetir;
  68. ter acesso aos recursos
    e às informações adequadas
  69. pode fazer a diferença
    entre a vida e a morte.
  70. Para resolver estes problemas,
    criámos Atar,

  71. o primeiro defensor virtual
    alimentado por Inteligência Artificial
  72. que orienta, passo a passo,
    durante a primeira semana
  73. depois da chegada a uma nova cidade.
  74. Basta dizer a Atar em que é
    que é preciso ajuda
  75. e a Atar, depois, faz
    algumas perguntas básicas
  76. para perceber
    as circunstâncias individuais
  77. e determinar o grau de elegibilidade
    para os recursos.
  78. Por exemplo: "Tem um sítio
    onde passar esta noite?
  79. "Se não tem, prefere um abrigo
    só para mulheres?
  80. "Tem crianças?"
  81. Depois, Atar gera uma lista de tarefas,
    personalizada, passo a passo,
  82. que diz tudo o que é preciso saber,
  83. desde onde ir, como lá chegar,
  84. o que se deve levar
  85. e o que é que se deve esperar.
  86. Pode-se fazer uma pergunta
    sempre que se quiser.
  87. Se a Atar não tiver resposta,
  88. é-se ligado a uma pessoa real
    que responde.
  89. O mais estimulante

  90. é que ajudamos organizações
    humanitárias e de serviços
  91. a recolher dados e as análises
    necessárias para compreender
  92. as necessidades variáveis
    dos recém-chegados,
  93. em tempo real.
  94. É uma coisa que altera tudo.
  95. Já fizemos uma parceria
    com a UNHCR,
  96. para fornecer esta tecnologia
    no Canadá
  97. e, no nosso trabalho, fizemos
    campanhas em árabe, inglês,
  98. francês, crioulo e espanhol.
  99. Quando falamos
    no problema dos refugiados,

  100. concentramo-nos sobretudo
    nas estatísticas oficiais
  101. de 65,8 milhões forçados
    a migrar, a nível mundial.
  102. Mas a realidade
    é muito maior do que isso.
  103. Em 2050, haverá mais
    140 milhões de pessoas
  104. que correm o risco de serem desalojadas,
    devido à degradação do ambiente.
  105. E hoje — estou a falar de hoje —
    há quase mil milhões de pessoas
  106. que já vivem em aglomerados
    ilegais e em bairros de barracas.
  107. O realojamento e a integração
  108. é um dos maiores problemas
    da nossa época
  109. e a nossa esperança é que a Atar
    forneça um advogado a cada recém-chegado.
  110. A nossa esperança é que a Atar
    possa ampliar os esforços existentes
  111. e alivie a pressão sobre uma rede
    de segurança social
  112. que já está a rebentar pelas costuras
    para além da nossa imaginação.
  113. Mas o mais importante para nós
  114. é que o nosso trabalho ajude a repor
    os direitos e a dignidade
  115. que os refugiados perdem
    aquando do realojamento e da integração
  116. ao lhes darem os recursos
    de que eles precisam para sobreviverem.
  117. Obrigado.

  118. (Aplausos)