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← O poder da conexão | Hedy Schleifer | TEDxTelAviv

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Showing Revision 46 created 05/01/2018 by Custodio Marcelino.

  1. Sinto-me privilegiada por estar aqui.

  2. Chorei. Sorri.
  3. Fui tocada profundamente
  4. e sinto-me privilegiada por estar viva.
  5. Sou grata por estar viva.
  6. Em 1944, meus pais estavam
    em um campo de concentração
  7. em Vichy, na França.
  8. Minha mãe planejou uma fuga.
  9. Ela conseguiu tirar meu pai de lá.
  10. E eles atravessaram os Alpes a pé.
  11. Minha mãe estava grávida de mim.
  12. E, quando chegaram à fronteira da Suíça,
  13. ela estava fechada para refugiados.
  14. Minha mãe se jogou para dentro da Suíça.
  15. Qualquer coisa era melhor do que voltar
  16. para o inferno de onde veio.
  17. Meu pai também conseguiu se infiltrar
  18. alguns dias depois.
  19. E, em 1944, eu nasci.
  20. Décadas depois, estou
    sentada com minha mãe

  21. em uma casa antiga em Israel.
  22. Não suporto vê-la.
  23. (Choro) (Suspiro)
  24. Ela está em uma cadeira de rodas.
  25. Ela não sabe quem eu sou.
  26. Sinto-me culpada, triste.
    Estou lutando. Sinto raiva.
  27. Esta é minha heroína.
    Por que ela não está aqui?
  28. E percebo que não estou com ela.
  29. Estou com minhas próprias emoções.
  30. E tomo uma decisão.
  31. Irei atravessar a ponte
  32. para o mundo de minha mãe.
  33. Vou deixar o mundo onde estou lutando.
  34. E irei encontrá-la.
  35. E terei um novo olhar.
  36. E assim fiz.
  37. Sentei de frente pra ela
    e atravessei a ponte.
  38. Desembarquei em seu mundo.
  39. E olhei para ela.
  40. E ela olhou para mim.
  41. E ela falou em iídiche:
  42. "Du bist mein Tochter".
  43. Você é minha filha.
  44. Comecei a chorar e ela gentilmente
    enxugou minhas lágrimas.

  45. Ela não me reconhecia há meses.
  46. Claro, eu não estava lá, emocionalmente.
  47. Este milagre com minha mãe ilustra

  48. os três conectores invisíveis
    sobre os quais irei falar hoje,
  49. que são o espaço relacional, o espaço;
  50. a ponte entre os mundos, a ponte;
  51. e o encontro.
  52. Essência humana para essência humana.
  53. O encontro.
  54. Esses três conectores invisíveis,
    vocês os conhecem.
  55. Vocês os vivem.
  56. Mas talvez nunca
    os tenham visto desta maneira.
  57. Trabalhando com casais
    por muitos, muitos anos
  58. vi que esses são
    os três conectores invisíveis.
  59. Começarei falando a respeito do espaço.

  60. O filósofo judeu Martin Buber disse:
  61. "Nosso relacionamento
    vive no espaço entre nós.
  62. Não está em mim ou em você
  63. ou mesmo no diálogo
    que temos um com o outro.
  64. Está no espaço onde vivemos juntos".
  65. E ele continua: "Este espaço
    é espaço sagrado".
  66. Se não sabemos sobre o espaço,
  67. se não sabemos como assumir
    a responsabilidade
  68. pelo espaço em que vivemos juntos,
  69. nós o poluiremos,
  70. do mesmo jeito que eu poluí
    o espaço com minha mãe.
  71. Poluí o espaço com minha mãe
  72. não porque estivesse sentindo
    meus sentimentos.
  73. Poluí o espaço com minha mãe
  74. porque coloquei inconscientemente
    todas as emoções entre nós,
  75. inconscientemente.
  76. Quando não sabemos sobre o espaço,
  77. nós o poluímos automaticamente.
  78. Uma palavra, um olhar,
    uma reação, um afastamento,
  79. uma crítica, um julgamento.
  80. Colocamos lá, inconscientemente.
  81. E o espaço fica desconfortável.
  82. E quando o espaço fica desconfortável,
  83. reagimos a esse desconforto
  84. e o espaço fica mais desconfortável.
  85. E devagar, mas com certeza,
    desconforto após desconforto,
  86. o espaço fica perigoso.
  87. E então reagimos ao perigo no espaço.
  88. E como reagimos?
  89. Alguns reagem explodindo
    a própria energia.
  90. Falam alto, gritam, xingam,
  91. bem na sua cara.
  92. Alguns reagem ao perigo no espaço
  93. reprimindo, escondendo,
    drenando essa energia.
  94. E quando essas duas reações se juntam
  95. como uma reação ao perigo no espaço,
  96. o perigo cresce
  97. e reagimos juntos à poluição e ao perigo
  98. que cocriamos no espaço relacional.
  99. O que devemos fazer?
  100. Como assumir a responsabilidade
    pelo espaço entre nós?
  101. O qual é sagrado, como disse Martin Buber.
  102. Aqui temos a metáfora da ponte.

  103. Assumimos a responsabilidade
    pelo espaço entre nós,
  104. atravessando a ponte para o mundo do outro
  105. e levando todo nosso eu para o outro lado.
  106. Como fazemos isso?
  107. Primeiro,
  108. sente-se.
  109. Respire profundamente.
  110. Ponha seus pés no chão.
  111. Permita-se sentir o momento presente.
  112. Alinhe-se com o aqui e agora.
  113. Sinta-se vivo!
  114. Seja grato por este momento
    em sua vida. Agora mesmo!
  115. Isso já é um importante começo
  116. para sua jornada pela ponte.
  117. Então, consciente e deliberadamente,
  118. comece a caminhar pela ponte,
    empurrando o elástico
  119. que o traz de volta
    para seus preconceitos,
  120. sua história, sua identidade,
  121. quem você pensa que é, seus sentimentos,
    suas emoções, o que houver no seu mundo.
  122. Tudo que você leva através da ponte
  123. é um sacolinha plástica, transparente,
  124. com um passaporte e um visto.
  125. O motivo para ser transparente:
  126. você não pode levar
    nada seu para o outro lado.
  127. E quando você chegar ao outro lado,
  128. o que você faz?
  129. Você escuta.
  130. Escuta com o coração aberto.
  131. Escuta com novos olhos.
  132. Marcel Proust, escritor francês, falou:

  133. "A aventura da vida não é
    descobrir novas paisagens.
  134. A aventura da vida é ver
    as antigas com novos olhos".
  135. Traga novos olhos, coração aberto
  136. e generosidade de espírito
  137. e escute como se estivesse
    aprendendo uma nova língua,
  138. uma nova música, um novo ritmo.
  139. Escute repetindo as palavras.
  140. Escuto você falar.
  141. Eu te entendi?
  142. E você aprende.
  143. Aprende sobre a paisagem
    desse outro mundo.
  144. E o que pode acontecer do outro lado?

  145. O que acontece do outro lado
  146. é o encontro.
  147. Agora, o que é o encontro?
  148. Biologicamente, o encontro
  149. é a ressonância entre dois cérebros.
  150. Os neurobiologistas relacionais chamam
    essa ressonância de ponte do cérebro.
  151. Dois sistemas límbicos ressonando juntos.
  152. A semente de nossas emoções
    começando a ressoar juntas.
  153. Os neurobiologistas relacionais
  154. descobriram que, quando ocorre
    essa ressonância entre dois cérebros,
  155. nosso sistema nervoso central
    começa a se acalmar.
  156. Porque, eles também descobriram,
  157. nosso cérebro é o único órgão interno
  158. que não se regula internamente.
  159. É regulado de fora
    através de outro cérebro.
  160. Precisamos uns dos outros
    para nos regularmos.
  161. Só podemos nos regular através do outro.
  162. Através dos olhos do outro.
    Através dessa ressonância.
  163. E o que ocorre depois
    é muito interessante,
  164. pois, aproximadamente dez anos atrás,
    neurobiologistas relacionais descobriram
  165. aqueles neurônios espelho
  166. que temos em nosso cérebro.
  167. Nossa capacidade de compaixão,
  168. de empatia,
  169. de entender o outro profundamente.
  170. E, durante o encontro, esses neurônios
    espelho tornam-se bem ativos.
  171. E o que acontece então?
  172. Novas vias neurais começam
    a se formar no cérebro.
  173. Novas vias neurais que nos dão
  174. a capacidade de nos relacionarmos.
  175. Porque descobriu-se que o cérebro
    possui uma enorme plasticidade.
  176. Ele pode mudar a qualquer
    momento durante nossa vida.
  177. E essas novas vias neurais
    que se formaram em nosso cérebro
  178. nos dão a chance de nos tornarmos
  179. mais inteligentes e mais maduros
    na maneira como nos relacionamos.
  180. Este é o encontro em termos biológicos.
  181. Mas, em outro âmbito, é difícil definir

  182. o que é o encontro.
  183. É a reunião de duas
    presenças humanas completas.
  184. Ou duas essências humanas.
  185. Ou a força vital de cada um.
  186. Ou a união de duas almas.
  187. E o que é essa força vital?
  188. O que é a essência humana?
  189. Meu pai tem uma história sobre isso.
  190. Meu pai tinha a maior coleção
    de histórias iídiches do universo.
  191. E ele amava contá-las.
  192. E ele ria mais alto que qualquer um
  193. quando contava suas histórias.
  194. Esta história é sobre
    o Sr. Goldberg, o alfaiate.

  195. Alguém veio buscar um terno
    do Sr. Goldberg, o alfaiate.
  196. Ele experimenta o terno e diz:
  197. "Sr. Goldberg, este terno parece
    muito estranho. Esta manga não serve".
  198. E o Sr. Goldberg olha seriamente
    e diz: "Você tem razão.
  199. Para esta manga você tem
    que segurar a mão assim, certo?"
  200. E o homem fala: "Sabe, a outra manga
    também não serve. Olhe, olhe aqui!"
  201. Então, o Sr. Goldberg diz:
    "Você está certíssimo.
  202. Para esta manga você segura sua mão assim
    e deixa seu ombro assim, certo?"
  203. "E a perna direita? Ela parece
    muito estranha. O que acha?"
  204. E o Sr. Goldberg diz: "Tem razão.
  205. Você tem que colocar o seu pé
    um pouco para dentro assim".
  206. "E esta aqui?", ele diz.
    "Bem, para esta você coloca seu pé assim."
  207. Agora o terno está bom
    e o homem sai da loja.
  208. Ele está caminhando na rua,
    um casal passa por ele
  209. e a mulher diz ao seu marido:
    "Que alfaiate fantástico!
  210. Um homem naquela condição,
    e o terno fica perfeito!"
  211. (Risos)
  212. (Aplausos)
  213. Bem… Assim somos nós.
    Nós estamos neste terno.

  214. Andamos por aí neste terno
    porque nos adaptamos à nossa vida.
  215. Nós nem sabemos que é um terno,
    um terno de sobrevivência.
  216. Sabemos que somos assim.
  217. Por exemplo, se me adapto
    sendo recluso, frio e distante,
  218. penso que sou eu assim.
  219. Dentro do terno está
    nossa essência humana, intacta!
  220. Dentro de nossa adaptação de sobrevivência
  221. somos nossa essência.
  222. E atravessar a ponte permite
    que nosso espírito seja nutrido.
  223. E permite que ocorra a transformação
    dessa roupa de sobrevivência
  224. para nossa verdadeira essência humana.
  225. É deste contato com o outro
    que nossa essência se revela.
  226. Isto me lembra este maravilhoso ditado:
  227. "Eu costumava ser diferente.
    E agora sou o mesmo".
  228. Comecei com uma história sobre minha mãe.

  229. Agora quero contar uma sobre meu neto Leo.
  230. Eu estava em Istambul com Leo
    e estávamos na cama,
  231. aconchegados, vendo um filme.
  232. E ao final do filme, o Leo
    olhou para mim e disse:
  233. "Bube, vovó, eu te amo".
  234. E eu falei:
  235. "Eu também te amo, Leo".
  236. E ele disse: "Não, eu te amo".
  237. E falei: "Claro, meu bem,
    você me ama e eu te amo".
  238. Ele disse: "Não, Bube. Eu te amo".
  239. Então, entendi.
  240. Ele não queria que eu evitasse seu amor.
  241. Ele queria que eu
    atravessasse a ponte até ele,
  242. e recebesse o amor puro e essencial
    que ele estava me dando.
  243. E assim o fiz. Eu o olhei. Eu o recebi.
  244. Deixei penetrar tudo que ele
    me dava naquele momento .
  245. E disse: "Leo, escuto você
    me dizer que me ama".
  246. E seu rosto brilhou.
  247. Ele me ensinou que é preciso
    coragem para se conectar.
  248. Quero dividir com vocês
    uma de minhas frases favoritas

  249. do poeta sufi Rumi, do século 13,
  250. que disse:
  251. "Além do pensamento correto
  252. e além do pensamento errado
  253. há um campo.
  254. Vou encontrá-lo lá".
  255. Sonho com 90 milhões de casais

  256. honrando os três conectores invisíveis,
  257. honrando o espaço entre eles,
    atravessando a ponte entre eles
  258. e encontrando um ao outro,
    de essência humana para essência humana.
  259. Isso, para mim, é importantíssimo,
  260. porque nossos filhos
    crescem no espaço entre nós.
  261. O espaço entre o casal
  262. é o parquinho da criança.
  263. E quando soubermos como honrar
    este espaço e fazê-lo sagrado,
  264. nossas crianças poderão florescer
  265. em espaço sagrado.
  266. E tenho uma data:
  267. 11 de novembro de 2012.
  268. Dia internacional de cruzar a ponte.
  269. Não apenas para casais.
  270. Para os seres humanos
    e para todas as nações.
  271. Imagino um momento em que as nações
  272. reconhecerão que o espaço entre elas
  273. é um espaço sagrado.
  274. Que há uma ponte a atravessar
    para conhecer a cultura do outro.
  275. E que podemos encontrar um ao outro.
  276. Essência humana para essência humana.
  277. Além do pensamento correto
    e além do pensamento errado
  278. há um campo.
  279. Encontrarei vocês lá.
  280. Obrigada.
  281. (Aplausos)