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Portuguese, Brazilian υπότιτλους

← Economic Calculation in a Natural Law / RBE, Peter Joseph, The Zeitgeist Movement, Berlin

Πάρτε τον Κωδικό ενσωμάτωσης
8 Γλώσσες

Showing Revision 124 created 03/15/2015 by Graciela Kunrath Lima.

  1. [aplausos]
  2. Olá, me chamo Franky.
  3. Como vocês já sabem, também
    trabalho com o Movimento Zeitgeist.
  4. E gostaria de saudar
    todos aqui,
  5. todos que vieram de
    longe. Muito obrigado.
  6. Gostaria de aproveitar esta oportunidade
    para agradecer especialmente
  7. os times do Movimento Zeitgeist.
  8. Time linguístico,
    de Web, de Tecnologia,
  9. de Ativismo e também o time de Projetos
  10. que coordenou este projeto.
  11. O capítulo Alemão todo
    fez um grande trabalho
  12. estabelecendo este evento
    dentro de apenas um mês.
  13. Eu gostaria pessoalmente
    de agradecer a todos.
  14. Que bom ver vocês aqui.
  15. Acho que Peter Joseph
    não precisa de introdução.
  16. Acredito que todo mundo
    aqui sabe quem ele é.
  17. Para ser curto e preciso, obrigado
  18. e entrego agora o microfone ao Peter.
  19. [Aplausos]
  20. Você pode desligar esse microfone
    já que eu não vou usá-lo.
  21. Ah, é este outro... Oi !
  22. Como está todo mundo?
  23. Eu realmente agradeço a
    todos vocês por estarem aqui.
  24. Quero agradecer Franky
    e o time de Berlim
  25. por agirem tão rápido,
    foi realmente fenomenal.
  26. Já realizei muitos eventos ao longo
    dos anos, não é uma tarefa fácil.
  27. E sempre me lembro, quando eu viajo,
  28. que o Movimento Zeitgeist é um verdadeiro
    fenômeno global, nessa etapa, não?
  29. Não importa qual lugar do planeta
    qualquer um de nós está,
  30. não é preciso ir muito longe para encontrar
    amigos que partilham valores semelhantes
  31. nesta busca por um mundo melhor.
  32. O título desta palestra é
  33. "Cálculo Econômico em uma economia de
    Lei Natural Baseada em Recursos".
  34. Durante os últimos cinco anos ou mais
  35. o Movimento Zeitgeist produziu
    um extenso material educacional
  36. no que diz respeito ao que advogamos.
  37. E a curva de aprendizagem
    tem sido bastante intensa.
  38. Tem havido uma tendência a generalizar
  39. com relação a como as coisas
    de fato funcionam tecnicamente.
  40. Este é o conteúdo desta apresentação.
  41. Na parte um e dois eu vou refinar
  42. as falhas inerentes ao
    modelo de mercado atual
  43. a respeito de porque
    nós precisamos mudar
  44. apresentando juntamente
    as vastas possibilidades
  45. que atualmente temos para
    resolver grandes problemas,
  46. melhorar a eficiência e
    gerar uma forma de abundância
  47. que possa atender a todas
    as necessidades humanas.
  48. O termo comum que ganhou
    popularidade nos últimos dois anos
  49. é chamado de pós-escassez,
  50. mesmo que essa palavra seja
  51. um pouco imprecisa semanticamente,
    como eu vou explicar.
  52. E na terceira parte vou mostrar
    como essa nova sociedade
  53. funciona de modo geral na sua
    estrutura e cálculo básico.
  54. Eu acho que a maioria das pessoas
    no planeta sabem que há
  55. algo muito errado com a atual
    tradição socioeconômica.
  56. Só não sabem como
    pensar sobre a solução,
  57. ou, mais precisamente,
    como chegar a tais soluções.
  58. E até que isso seja abordado,
    não vamos chegar muito longe.
  59. Na mesma nota, dentro de poucos meses,
    um texto bastante substancial
  60. vai ser posto em circulação,
    disponível gratuitamente
  61. e também em forma impressa
    ou disponível para download
  62. a preço de custo, é uma
    obra sem fins lucrativos.
  63. Esperamos que seja concluída
    até o primeiro mês do próximo ano.
  64. E será a expressão definitiva,
    de forma condensada,
  65. sobre o Movimento, algo que
    há muito está atrasado.
  66. É chamado de "O Movimento Zeitgeist:
    Uma nova forma de pensar" (PT-BR)
  67. e vai servir tanto como
  68. uma orientação, quanto
    um guia de referência.
  69. E terá, provavelmente, mais de
    mil notas de rodapé e fontes.
  70. Uma vez terminado, uma série de
    vídeos educativos será criada,
  71. dividida em cerca de 20 partes
    para produzir o material,
  72. juntamente com um guia de
    referência para ajudar as pessoas
  73. que querem aprender
    a falar sobre essas ideias
  74. porque precisamos de mais pessoas
  75. a nível internacional para sermos capazes
    de nos comunicar, como eu tento fazer.
  76. É algo muito importante, e
    acho que o futuro do movimento
  77. jaz, em parte, em nossa
    capacidade de criar
  78. uma eficiente máquina
    educacional internacional
  79. com linguagem consistente
  80. juntamente com projetos de design
    reais e suas inter funcionalidades.
  81. Parte 1: Por que estamos aqui?
  82. É este tipo de mudança
    em grande escala,
  83. que o movimento defende,
    realmente necessária?
  84. Não podemos apenas trabalhar
    para corrigir e melhorar o
  85. atual modelo econômico,
    mantendo o quadro geral de dinheiro,
  86. comércio, lucro, poder, propriedade
    e assim por diante?
  87. A resposta curta é um definitivo "não",
  88. como eu vou explicar.
  89. Se houver qualquer interesse
    real para resolver a crescente
  90. crise na saúde pública
    e ambiental atualmente,
  91. este sistema precisa acabar.
  92. O capitalismo de mercado, não importa
    como você queira regulamentá-lo
  93. ou não regulamentá-lo,
    depende com quem você fala,
  94. contém severas falhas estruturais
  95. que irão sempre, de uma
    forma ou de outra,
  96. perpetuar o abuso ambiental
    e a desestabilização,
  97. desrespeito humano e
    cáustica desigualdade social.
  98. Dito de outra forma,
    desequilíbrios ambientais e sociais
  99. e uma falta de base de sustentabilidade
    ambiental e cultural
  100. é inerente à economia de mercado,
    e sempre foi.
  101. A diferença entre o capitalismo de hoje
    e, digamos, do século 16
  102. é que a nossa capacidade tecnológica
    de acelerar rapidamente
  103. e ampliar este processo de mercado
  104. trouxe à tona consequências que
    simplesmente não podiam ser entendidas
  105. ou mesmo percebidas durante
    aqueles tempos mais primitivos.
  106. Em outras palavras, os princípios
    básicos da economia de mercado
  107. sempre foram intrinsecamente falhos.
  108. Levou todo esse tempo
    para a gravidade dessas falhas
  109. surtirem efeito.
  110. Deixe-me explicar um pouco.
  111. De um ponto de vista ambiental,
  112. a percepção do mercado simplesmente
    não consegue enxergar a Terra
  113. como nada além de um inventário
    para fins de exploração.
  114. Por quê? Porque toda a existência
    de uma economia de mercado
  115. tem a ver com manter o dinheiro
    em circulação a uma taxa
  116. que possa manter as pessoas
    empregadas tanto quanto possível.
  117. Em outras palavras, a economia mundial
    é alimentada pelo consumo constante.
  118. Se os níveis de consumo cairem,
    a demanda de trabalho cai também,
  119. e assim também o poder de
    compra da população em geral
  120. e, portanto, o mesmo acontece
    com a demanda por bens
  121. já que o dinheiro não
    está lá para comprá-los.
  122. Este consumo cíclico é a força vital
  123. da nossa existência econômica.
  124. A própria ideia de ser conservador
    ou verdadeiramente eficiente
  125. com os recursos finitos da
    Terra de alguma forma
  126. é estruturalmente contraproducente
  127. para essa necessária
    força motriz de consumo.
  128. Se você não acredita nisso,
    pergunte a si mesmo por que
  129. praticamente todos os sistemas de suporte
    à vida no planeta estão em declínio.
  130. Nós temos a perda crescente
    da camada superficial do solo,
  131. perda da água doce, desestabilização
    atmosférica e climática,
  132. uma perda de plâncton produtor
    de oxigênio no oceano
  133. que é fundamental para a
    ecologia marinha e atmosférica,
  134. o esgotamento contínuo
    da população de peixes,
  135. a redução das florestas tropicais, etc.
  136. Em outras palavras, uma perda global
    generalizada da biodiversidade
  137. está ocorrendo e de forma crescente.
  138. Para aqueles não familiarizados com
    a importância crucial da biodiversidade,
  139. bilhões de anos de evolução
    criaram uma vasta biosfera
  140. interdependente de seus
    sistemas a nível planetário.
  141. E a violação de um sistema tem sempre
    um efeito sobre muitos outros.
  142. Isso, claro, não é uma nova observação.
  143. Em 2002, 192 países, em
    associação com as Nações Unidas
  144. se reuniram em torno de algo chamado
    "Convenção sobre Diversidade Biológica".
  145. Eles assumiram um compromisso público de
    reduzir significativamente esta perda até 2010.
  146. E o que mudou oito anos mais tarde?
  147. Nada.
  148. Em sua publicação oficial
    em 2010, eles afirmam:
  149. "Nenhuma das 21 sub-metas que
    acompanhavam o objetivo global
  150. de reduzir significativamente a taxa
    de perda de biodiversidade até 2010
  151. pode se afirmar definitivamente ter
    sido alcançada globalmente."
  152. "Ações para promover a biodiversidade recebem
    uma minúscula fração do financiamento
  153. em comparação com infraestrutura
    e desenvolvimento industrial. "
  154. (Hmm) Eu me pergunto por quê?
  155. "Além disso, considerações
    sobre biodiversidade
  156. são frequentemente ignoradas
  157. quando tais desenvolvimentos
    são projetados..."
  158. "A maioria dos cenários futuros preveem
  159. a continuidade de elevados níveis de extinções
  160. e perda de habitats ao longo deste século."
  161. Em um estudo publicado em 2011
    que foi, em parte,
  162. uma resposta a uma chamada geral
    para isolar e proteger certas regiões
  163. para garantir alguma segurança
    desta biodiversidade,
  164. constatou-se que, mesmo com milhões de
    quilômetros quadrados de terra e oceano
  165. atualmente sob proteção legal,
    houve pouco efeito
  166. em diminuir a tendência de declínio.
  167. Eles também fizeram a seguinte
    conclusão altamente preocupante,
  168. combinando esta tendência com o estado
    do nosso consumo de recursos:
  169. "O uso excessivo de recursos da Terra é possível
  170. porque os recursos podem ser
    colhidos mais rapidamente
  171. do que podem ser substituídos.
  172. A excedência de recursos acumulada
    a partir de meados da década de 1980 a 2002
  173. resultou em uma 'dívida ecológica'
  174. que exigiria 2,5 planetas Terra para pagar.
  175. Se a tendência atual se mantiver, as
    nossas exigências sobre o planeta Terra
  176. poderiam alcançar a produtividade
    de 27 planetas em 2050. "
  177. E não há falta de outros
    estudos que confirmam,
  178. de uma forma ou de outra, que estamos
    realmente excedendo em muito
  179. a capacidade anual de produção da Terra,
  180. juntamente com a poluição
    e destruição colateral
  181. causados por padrões
    de consumo e industriais.
  182. Mais uma vez, esse tipo de pesquisa
    foi publicada por muitas décadas.
  183. Por que é que, mesmo com
    todos esses dados coletados,
  184. parece que não conseguimos frear
    o esgotamento do suporte à vida
  185. e nossa excessiva tendência de consumo?
  186. Será que é porque há
    muitas pessoas no planeta?
  187. Será que é porque nós somos
    apenas absolutamente incompetentes
  188. e não temos nenhum controle
    consciente sobre nossas ações?
  189. Não.
  190. O problema é que temos
  191. uma tradição econômica
    global ainda em vigor
  192. enraizada no pensamento pré-industrial
    do século 16 orientados à manufatura
  193. que coloca o ato de consumir,
  194. comprar e vender como o condutor central
    de todos os desdobramentos sociais.
  195. A melhor analogia que posso
    pensar é a de considerar
  196. o pedal do acelerador em um carro:
  197. Quanto maior o consumo de combustível,
    mais rápido ele vai.
  198. E comprar coisas em nosso
    mundo é o combustível.
  199. Se você diminuir o consumo,
    o crescimento econômico diminui,
  200. pessoas perdem empregos,
    poder de compra cai,
  201. as coisas desestabilizam
    e assim por diante.
  202. Então, eu espero
    que esteja claro
  203. que o sistema simplesmente
    não recompensa ou mesmo apoia
  204. sustentabilidade ambiental,
    na forma de conservação.
  205. Na verdade, ele não recompensa
    a sustentabilidade em nenhuma forma
  206. de eficiência física e planetária,
  207. como explicarei com mais
    detalhes em um momento.
  208. Ao invés disso, recompensa o fornecimento
    de serviços, de negócios e o desperdício.
  209. E quanto mais problemas
    e ineficiências temos,
  210. para não mencionar o
    quanto mais inseguros,
  211. materialistas e necessitados nos tornamos,
  212. melhor para a indústria.
  213. O que é melhor para o PIB,
    o que é melhor para o emprego,
  214. independentemente do fato de
    que nós podemos literalmente
  215. estar matando a nós mesmos no processo.
  216. Meu amigo John McMurtry, um filósofo
    canadense, refere-se a este estado
  217. como:
    "A fase cancerígena do capitalismo",
  218. um sistema que agora está destruindo
    seu hospedeiro, nós e a Terra,
  219. quase sem saber, porque muito
    poucos hoje realmente entendem
  220. quão insustentáveis os princípios
    condutores do mercado realmente são.
  221. A segunda consequência estruturalmente
    inerente que quero mencionar
  222. é o fato de que, empiricamente,
  223. o capitalismo de mercado
    é socialmente desestabilizador.
  224. Ele cria desigualdade
    desnecessária e desumana,
  225. e consequentemente conflitos
    humanos desnecessários.
  226. Na verdade, eu diria que o estado
    mais natural do capitalismo
  227. é o conflito e desequilíbrio.
  228. Eu classificaria duas formas
    de conflito no mundo:
  229. nacional e de classe.
  230. Eu não vou gastar muito tempo
    sobre as causas da guerra nacional,
  231. pois devem ser bastante óbvias para
    a maioria de nós neste momento.
  232. Nações soberanas que em parte
    são instituições protecionistas
  233. às mais poderosas forças de negócios,
    muitas vezes se engajaram
  234. no ato mais primal de concorrência:
    assassinato sistemático em massa.
  235. A fim de preservar a integridade econômica
    de suas economias nacionais
  236. e selecionar interesses empresariais,
    que compõem invariavelmente
  237. o corpo político
    de qualquer país.
  238. Todas as guerras da história,
    embora muitas vezes
  239. convenientemente mascaradas
    por desculpas variadas,
  240. têm sido predominantemente sobre
    a terra, os recursos naturais,
  241. ou estratégia geoeconômica
    em um nível ou outro.
  242. A instituição estatal
    sempre foi impulsionada
  243. por interesses comerciais e de propriedade,
    existentes tanto como um regulador
  244. das operações econômicas
    internas básicas do dia-a-dia,
  245. na forma da legislação e como uma
    ferramenta para a consolidação de poder
  246. e vantagem competitiva das
    indústrias mais dominantes
  247. da economia nacional ou mesmo, na
    verdade, mais importante ainda, global.
  248. Há muitas pessoas no mundo que ainda
    olham para essa causalidade em sentido inverso.
  249. Em alguns pontos de vista econômicos,
  250. o governo estatal é considerado
    o problema central,
  251. em oposição ao interesse próprio
    e à vantagem competitiva
  252. de ethos inerente
    ao capitalismo de mercado.
  253. Como o argumento "Se o poder estatal
    fosse removido ou reduzido drasticamente,
  254. o mercado e a sociedade seriam livres
    da maioria dos seus efeitos negativos. "
  255. O problema com este argumento
    é que ele se esquece
  256. que o capitalismo
    é apenas uma variação
  257. de um sistema baseado na escassez,
  258. especialização e troca de propriedade.
  259. Um sistema que, na verdade,
    remonta a milênios, de uma forma ou de outra.
  260. Assentamentos, na antiguidade,
    precisavam se proteger, uma vez que
  261. a aquisição de recursos e de terras
    se expandia ao longo do tempo.
  262. Exércitos foram criados para proteger
    recursos de forças invasoras e afins.
  263. Ao mesmo tempo, pessoas engajavam-se
  264. em empregar a agricultura e artesanato,
  265. o que revelou "trabalho" e "valor de troca"
    em uma forma muito primitiva.
  266. Daí o valor da propriedade,
    em meio a essa escassez,
  267. exigiu regulamentação e leis;
  268. não só para proteger a propriedade,
    mas para proteger o comércio
  269. e também evitar golpes e
    fraudes em transações.
  270. Esta é a semente do estado!
  271. O mercado é um jogo e
    pessoas podem trapacear.
  272. Você precisa de regulamentação.
  273. Este é o problema básico.
  274. O mercado também permite,
    e aqui está a moral da história,
  275. que a regulação possa ser
    comprada por dinheiro.
  276. Portanto, não há uma integridade garantida.
  277. O Estado e o mercado tanto lutam entre si
  278. como complementam um ao outro.
  279. Sempre existirá poderes reguladores centralizados
    em uma economia de mercado.
  280. O Estado e o mercado são inseparáveis;
  281. caminham lado a lado.
  282. Agora, como um aparte, algumas pessoas
    costumam desafiar essa realidade
  283. com argumentos morais ou éticos,
  284. que, lamento dizer, são inteiramente
    subjetivos culturalmente.
  285. Em um mundo onde tudo está à venda,
  286. onde o reforço à recompensa,
    a condição operante,
  287. está diretamente ligada à busca
    de ganhos e vantagens pessoais,
  288. quem pode dizer onde as linhas
    devem ser traçadas?
  289. É por isso que os princípios morais,
    sem reforço estrutural
  290. são inúteis.
  291. No final, a questão não é o que é
    moralmente certo ou moralmente errado.
  292. A questão é o que funciona
    e o que não funciona.
  293. Às vezes é preciso uma
    grande quantidade de tempo
  294. para a verdade de tais
    padrões se materializar.
  295. Por exemplo, a maioria
    das pessoas veem, com razão,
  296. a abjeta escravidão
    histórica do ser humano
  297. como uma condição
    moralmente errada.
  298. Mas vamos aprofundar as características,
    pensar mais profundamente.
  299. Eu acho que é muito mais produtivo
    reconhecer que a escravidão não funcionou
  300. no sentido de que foi
    culturalmente insustentável.
  301. Fanatismo em todas as formas
    não só é horrendo,
  302. é culturalmente insustentável
    porque gera conflito.
  303. Eu não estou ciente de qualquer
    sociedade escravista
  304. que não sofreu grandes
    rebeliões de escravos.
  305. É instável e, portanto, insustentável.
  306. O capitalismo de mercado
    está no mesmo caminho.
  307. Há mais escravos no mundo hoje,
  308. operando dentro dos limites
    da economia de mercado
  309. do em qualquer momento
    na história humana.
  310. E não duvido de que, se conseguirmos
    passar por este período árduo
  311. sem destruir a nós mesmos
    através de guerra,
  312. revoltas ou colapso ecológico,
  313. as pessoas no futuro vão
    olhar para trás e enxergar
  314. o nosso mundo atual com
    a mesma repugnância
  315. à violação dos direitos humanos
    pelo sistema econômico,
  316. como nós, hoje, enxergamos o período
    da abjeta escravidão humana no passado.
  317. Luta de classes.
  318. Isso nos direciona bem
    para o tema da luta de classes
  319. e desigualdade socioeconômica.
  320. A longa história do chamado clamor "socialista"
    tem sido em grande parte sobre
  321. este desequilíbrio constante e
    desumano em um nível ou outro.
  322. Grande parte do tempo foi gasta
    por muitos críticos do capitalismo,
  323. descrevendo como ele é, realmente,
    um sistema de exploração,
  324. o qual inerentemente separa a sociedade
    em camadas econômicas estratificadas
  325. e garante a dominância da classe baixa
    pela classe alta estruturalmente.
  326. É estruturalmente parte do sistema.
  327. Se você é uma daquelas pessoas
    que não concordam com esta realidade,
  328. pergunte-se por que há greves trabalhistas
    uma após a outra durante os últimos 300 anos,
  329. por que sindicatos
    trabalhistas sequer existem,
  330. e por que CEOs tendem a ganhar centenas de vezes
  331. mais dinheiro do que o trabalhador comum,
  332. ou por que 46% da riqueza do mundo é, agora,
    propriedade de 1% da população,
  333. que são quase exclusivamente algo
    que poderíamos chamar de
  334. a classe proprietária capitalista.
  335. Desigualdade e separação de classe
    é um resultado matemático direto
  336. da orientação inerentemente
    competitiva do mercado
  337. que divide indivíduos em pequenos grupos,
    enquanto estes trabalham
  338. para competir uns contra os outros
    pela sobrevivência e segurança.
  339. É totalmente orientada ao individualismo;
  340. impulsionada por um sistema de incentivos
    baseado em autopreservação individual,
  341. assumindo a necessidade de reforçar
    constantemente a própria segurança financeira
  342. uma vez que o ambiente de mercado
    não dá nenhuma certeza
  343. de bem-estar por si próprio.
  344. Medo e ganância.
  345. Os ricos ficam mais ricos,
  346. porque o modelo favorece-os,
    e os pobres, basicamente, ficam na mesma,
  347. porque este sistema funciona
    contra eles, em comparação.
  348. É estruturalmente classificada.
  349. Aqueles com mais dinheiro têm mais opções
    e influência do que aqueles com menos.
  350. Você é tão livre quanto
    seu poder de compra
  351. permitir que você seja.
  352. O sistema de crédito
    é um exemplo perfeito.
  353. O dinheiro é tratado como
    nada mais do que um produto
  354. no sistema de crédito / bancário.
  355. Dinheiro é vendido pelos bancos
    através de empréstimos, por lucro,
  356. que vem sob a forma de juros.
  357. Se você perder os pagamentos
    ou violar seu contrato,
  358. frequentemente, a taxa de juros é elevada
  359. porque você é agora considerado
    um consumidor de maior risco.
  360. Se você não conseguir atender
    aos juros ou pagamentos futuros,
  361. você se torna inadimplente,
    por causa do empréstimo.
  362. Seu castigo é a ruína
    de sua avaliação de crédito
  363. ou reputação nos
    círculos financeiros.
  364. Quando isso acontece, a sua flexibilidade
    financeira é ainda mais sufocada,
  365. pois seu acesso econômico
    se torna mais limitado.
  366. As pessoas veem isso como
    apenas "a forma como as coisas são",
  367. mas eles não percebem
    como isso é insidioso.
  368. Isso força as classes mais baixas
    a ficar sempre embaixo
  369. por motivos e forças de coerção
    que são incorporados na estrutura
  370. que estão além de seu controle.
    Eu poderia dar muitos outros exemplos.
  371. Tudo neste sistema
    funciona contra você,
  372. se você não for afluente
    na sociedade,
  373. e, adivinhem, estas políticas
    financeiras foram criadas
  374. por uma lógica de mercado
    orientada pelo interesse pessoal,
  375. e não por algum político
    ou algum governo.
  376. E eu não vou nem discorrer sobre
    o fato de que os juros cobrados
  377. para a venda de dinheiro, hoje, não existe
    no próprio suprimento de dinheiro,
  378. o que cria uma espécie de sistema
    à base de coerção social
  379. forçando a inevitabilidade de
    inadimplência ao longo do tempo.
  380. Juntamente com atos
    de desespero econômico,
  381. como a venda de imóvel
    que você preferiria não vender,
  382. apenas para atender
    às suas necessidades básicas,
  383. ou assumir cargos de trabalho
    que você não gostaria.
  384. O mercado gera desespero
    como o seu método de coerção.
  385. Isso nos leva a outra confusão
    muito comum sobre "livre mercado",
  386. que frequentemente vejo na
    popular comunidade "Laissez-faire".
  387. Eles falam sobre o livre comércio como
    o comércio que é inteiramente voluntário
  388. como se tal coisa pudesse existir
    em um sentido empírico.
  389. Todas as decisões de comércio
    vem de influências e pressões.
  390. Apenas, talvez, o super-ricos
    que literalmente não precisam
  391. se preocupar com a sobrevivência
    básica devido à sua riqueza,
  392. pode-se dizer, se envolvem no ato
    de livre comércio voluntário.
  393. Para o resto dos 99% da população mundial,
    ou trocamos ou não sobrevivemos.
  394. Essa pressão é empiricamente coercitiva.
  395. E não, isso não tem que ser assim,
  396. que é o ponto de todo
    este novo modelo social.
  397. Assim, com tudo isso de lado,
    e com esta compreensão
  398. de que a desigualdade de riqueza
    é inerente ao próprio capitalismo
  399. - Você não pode eliminá-la -
  400. A principal questão que
    quero abordar aqui tem a ver
  401. com o que a separação de classes
    e a desigualdade social nos faz
  402. no contexto da saúde pública.
  403. Não é apenas uma simples questão
    de alguns terem mais que outros,
  404. e outros sofrendo a mera
    inconveniência material
  405. ou a pressão para se envolver em trabalhos
    ou trocas que prefeririam não fazer.
  406. Vai muito além disso.
  407. A desigualdade socioeconômica é um veneno,
  408. uma forma de poluição desestabilizadora
  409. que afeta a saúde psicológica
    e fisiológica de maneira profunda,
  410. ao mesmo tempo, muitas vezes acumulando
    raiva em relação a outros grupos,
  411. e, por conseguinte, uma
    geração de instabilidade social.
  412. O melhor termo que eu conheço que
    incorpora esta questão é "violência estrutural".
  413. Se eu colocar uma arma
    na cabeça de alguém,
  414. digamos um homem de 30 anos,
    puxar o gatilho e matá-lo
  415. - assumindo uma expectativa
    média de vida de 84 anos -
  416. você pode argumentar que,
    de certa forma, 54 anos de vida
  417. foram roubados dessa pessoa
    em um ato direto de violência.
  418. No entanto, se uma
    pessoa nasce pobre
  419. no meio de uma sociedade abundante
  420. onde é estatisticamente comprovado
    que não prejudicaria ninguém
  421. sanar as necessidades
    básicas desta pessoa,
  422. e ainda assim ela morre aos 30 anos,
    devido a uma doença cardíaca
  423. a qual hoje é relacionada estatisticamente
  424. àqueles que sofrem o estresse e os efeitos
  425. do baixo status socioeconômico,
  426. é a morte dessa pessoa
  427. - a remoção desses 54 anos -
  428. um ato de violência?
  429. A resposta é "sim, é".
  430. Nosso sistema legal
    nos condicionou a pensar
  431. que a violência é um ato
    comportamental direto.
  432. A verdade é que a
    violência é um processo,
  433. não um ato, e pode
    assumir muitas formas.
  434. Você não pode separar qualquer resultado
    do sistema a partir do qual ele é orientado.
  435. E isso é praticamente ausente
    na forma como as pessoas pensam
  436. sobre causa e efeito em um
    sistema socioeconômico.
  437. Os efeitos do capitalismo de mercado
    não podem ser reduzidos
  438. ou, devo dizer, não podem
    ser deduzidos logicamente
  439. a partir de um exame
    local ou reducionista.
  440. É como se as coisas funcionassem
    como um relógio:
  441. O mercado é um sistema sinérgico,
    a economia é um sistema sinérgico,
  442. e o comportamento do conjunto, ou seja,
  443. as consequências sociais de larga escala
  444. tais como a perpetuação de
    desigualdade ou violência,
  445. só podem ser avaliadas em
    relação a esse conjunto.
  446. É por isso que tem havido
    uma grande dicotomia
  447. entre o que os teóricos
    de mercado acham que
  448. supostamente deveria
    acontecer em seu mundo
  449. e o que está realmente acontecendo.
  450. Por exemplo,
  451. não há dúvida de que a pobreza
    e a desigualdade social
  452. está, e sempre esteve, causando um vasto
    espectro de problemas de saúde pública,
  453. tanto no contexto de privação absoluta,
    o que significa não ter
  454. o dinheiro para simplesmente sanar as
    necessidades básicas, como alimentação,
  455. e no contexto de privação relativa,
  456. que é um fenômeno psicológico
    relacionado ao estresse,
  457. o estresse psicossocial
    de simplesmente viver
  458. em uma sociedade
    altamente estratificada.
  459. Um dos maiores preditores na
    redução de saúde pública
  460. é identificado hoje
    como desigualdade social.
  461. Se você comparar nações desenvolvidas
    pelo nível de desigualdade de riqueza
  462. vai constatar que nações mais igualitárias
    têm índices muito melhores de saúde
  463. do que as nações menos igualitárias.
  464. Isso inclui a saúde física, saúde mental,
  465. abuso de drogas, níveis de ensino,
    prisão, obesidade,
  466. mobilidade social, a confiança ou o
    "capital social",
  467. a vida comunitária, a violência,
  468. gravidez na adolescência,
    e bem-estar infantil, em média.
  469. Estes resultados são
    significativamente piores
  470. nos países ricos com maior desigualdade.
  471. No entanto, se você tentou reduzir
    e analisar, em uma única pessoa,
  472. qualquer um desses fatores
    de saúde pública citados,
  473. você nunca teria certeza se essa
    pessoa é realmente uma vítima
  474. do estresse psicológico
  475. ou da própria condição da
    violência relativa ou absoluta.
  476. A causalidade só pode ser entendida
  477. em larga escala, probabilisticamente,
  478. o que representa a importância
    da análise estatística.
  479. O mercado só pode ser
    percebido como um todo
  480. para podermos mensurar a
    verdade de seus efeitos.
  481. É por isso que o nosso sistema
    jurídico é tão básico e primitivo.
  482. Dito isto, gostaria de detalhar outros
    exemplos de violência estrutural,
  483. uma vez que, obviamente,
    manifesta-se de muitas outras formas.
  484. Quando vemos que 1,5 milhões de crianças
    morrem a cada ano por doenças diarreicas,
  485. um problema totalmente evitável,
  486. o qual não é resolvido
  487. devido a uma limitação financeira em todo o mundo,
  488. vemos, na verdade, o assassinato
    de 1,5 [milhões] de crianças
  489. por um sistema que é tão ineficiente em seu processo,
  490. que não consegue tornar disponíveis
  491. os recursos necessários
    em determinadas regiões,
  492. mesmo que eles já estejam lá.
  493. Dependência de drogas,
    que se tornou uma praga
  494. da sociedade moderna em todo o mundo,
    não apenas trazendo mortes,
  495. mas também um espectro de sofrimento,
  496. comprovou-se ter raízes no estresse.
  497. Tem a ver com a falta de apoio
  498. que cria uma reação
    em cadeia psicológica
  499. que leva a preencher seus sentimentos
    de dor com auto-medicação.
  500. Você raramente vai encontrar um estudo
    sobre os padrões de dependência
  501. que não vê uma correlação direta
  502. com as condições de vida
    instáveis e estresse.
  503. E qual seria a característica
    psicológica dominante da pobreza?
  504. Sentimentos de insegurança e submissão.
  505. Até mesmo a grande maioria
    dos comportamentos violentos
  506. surgem de condições
    prévias que foram ligadas
  507. a privações e abusos
    induzidos pela pobreza.
  508. O ex-chefe de estudos sobre Violência
    de Harvard, Dr. James Gilligan,
  509. foi um psiquiatra penitenciário
    por várias décadas,
  510. analisando as razões para atos
    extremos de assassinato e afins.
  511. Em praticamente todos os casos, altos
    níveis de privação, negligência e abuso
  512. ocorreram na vida dos criminosos.
    E adivinha o quê?
  513. A pobreza é o melhor preditor
  514. de abuso infantil e negligência.
  515. Em um estudo realizado nos EUA,
    as crianças que viviam em famílias
  516. com uma renda anual
    inferior a 15 mil dólares
  517. têm risco 22 vezes maior de serem
    abusadas ou negligenciadas
  518. do que crianças que vivem em famílias
    com renda anual de 30 mil dólares ou mais.
  519. Aristóteles disse:
    "A pobreza é a mãe da revolução e do crime."
  520. Gandhi disse:
    "A pobreza é a pior forma de violência."
  521. E o interessante nisso tudo
  522. é que todos nós somos
    possíveis vítimas de seus efeitos,

  523. pois cada vez que você
    ouvir falar de um roubo,
  524. ato de violência, assassinato, ou similar,
  525. é provável que as origens
    desse comportamento
  526. vieram de uma forma de privação evitável.
  527. Digo "evitável" porque hoje
  528. não há absolutamente
    nenhuma razão técnica para
  529. qualquer ser humano viver em situação
    de pobreza e privação de recursos.
  530. Resolver a desigualdade social
    não é apenas uma boa ação,
  531. é um verdadeiro imperativo
    de saúde pública.
  532. Assim como ter certeza que
    a nossa água não está poluída,
  533. para que não fiquemos doentes.
  534. E cada um de nós não tem ideia de quando
    poderemos ser submetido a, digamos,
  535. violência produzida por essa privação.
  536. É uma forma de efeito colateral.
  537. Assim como o que alguns teóricos
    sociais pensam sobre as razões
  538. do terrorismo moderno oriundo
    de países que sofrem abuso.
  539. Um país como os Estados Unidos
    bombardeiam alguma cidade;
  540. as pessoas nessa cidade perdem tudo.
  541. Certas pessoas são profundamente afetadas
  542. e não encontram nenhum
    outro recurso emocional
  543. além de vingar-se de
    forma mais violenta possível.
  544. Em seguida, uma bomba explode em um café
  545. em sua cidade, matando seu irmão.
  546. Em suma, se você quer produzir uma
    mentalidade criminosa ou de quadrilha,
  547. deixe-os serem criados num
    ambiente onde crescem
  548. com a sensação de que a sociedade
    não se preocupa com eles.
  549. Assim, eles não têm necessidade de
    se preocupar com a sociedade.
  550. Esta é a marca registrada,
  551. a característica essencial
  552. da ordem social capitalista.
  553. E, antes de seguir em frente,
    acho muito interessante
  554. que a grande maioria das
    instituições de direitos civis hoje,
  555. ou instituições de direitos humanos,
  556. que ainda exigem mais igualdade
    de raça, sexo, crença e igualdade política,
  557. tendam a fazer muito pouco para abordar
    as raízes da desigualdade econômica.
  558. É uma contradição muito interessante.
    Estou firmemente convencido de que,
  559. à medida que o tempo avança,
    a igualdade econômica vai se transformar
  560. e adquirir o mesmo papel que
    a igualdade de gênero e raça,
  561. em que suprir as necessidades humanas
    e prover um alto padrão de vida
  562. será uma questão de
    direitos humanos,
  563. não uma conveniência de mercado,
  564. nem do darwinismo social
    em que se baseia.
  565. Parte Dois: Pós-Escassez.
  566. Eu gostaria de passar um
    momento esclarecendo o que
  567. "Sociedade Focada em Abundância"
    realmente significa
  568. e dar algumas extrapolações
    estatísticas tangíveis
  569. para confirmar esse potencial.
  570. A Economia Baseada em Recursos
    e Lei Natural (EBRLN) não é uma utopia.
  571. O Movimento Zeitgeist busca uma
    abundância alta, relativa e sustentável
  572. aliviando as formas mais
    relevantes de escassez.
  573. Muitos que ouvem tais distinções
    desconsideram imediatamente
  574. tais qualificações como meras opiniões.
  575. O fato é que não há opinião quando
    se trata de suporte à vida
  576. ou necessidades humanas empíricas.
  577. Abundância sustentável
    relativa significa
  578. buscar mais do que o suficiente para
    atender todas as necessidades humanas e além,
  579. enquanto se mantém o equilíbrio ecológico.
  580. "As formas mais relevantes de escassez"
    significa diferenciar
  581. entre a escassez que se
    refere às necessidades humanas
  582. e a escassez que se refere
    aos desejos humanos,
  583. já que não são a mesma coisa.
  584. Infelizmente, a lógica do mercado
    faz de conta que são.
  585. O mercado não tem como separar
    necessidades de desejos.
  586. E isso nos leva a raiz do
    transtorno do sistema de valores,
  587. que continua a distorcer nossa cultura.
  588. A lógica é a seguinte: se existir
  589. qualquer forma de escassez de
    qualquer coisa, em qualquer nível,
  590. então precisamos de dinheiro e
    do mercado competitivo para regulamentá-la.
  591. Deixe-me explicar isso um pouco mais.
  592. Um dos membros da nossa equipe
    de palestras internacionais, Matt Berkowitz,
  593. entrevistou para o rádio um economista
    austríaco muito popular pouco tempo atrás,
  594. e quando o tema da escassez surgiu,
    esse economista respondeu assim:
  595. "Nem todo mundo pode ter um
    bife de primeira ou uma Ferrari!"
  596. Essa foi a sua posição definitiva
    em relação à escassez.
  597. Isso pode até ser verdade.
    Nem todo ser humano
  598. pode ter uma mansão de 500 quartos,
    com três aviões no gramado da frente,
  599. e metade do continente africano
    como seu quintal.
  600. Em teoria, poderíamos
    evocar qualquer coisa
  601. e defender a escassez
    através do luxo,
  602. assim fundamentando a existência
    de um mercado competitivo.
  603. Então, quais são as necessidades humanas?
    Seriam subjetivas?
  604. As necessidades humanas foram criadas
  605. pelo processo de evolução
    física e psicológica.
  606. O não cumprimento dessas necessidades
    virtualmente empíricas gera,
  607. como observado anteriormente,
  608. um espectro desestabilizador,
    estatisticamente previsível,
  609. de distúrbios físicos,
    mentais e sociais
  610. Os desejos humanos, por outro lado,
    são manifestações culturais
  611. que foram sujeitas a uma enorme
    mudança subjetiva ao longo do tempo,
  612. revelando, na verdade,
    algo de natureza arbitrária.
  613. Isto não quer dizer que obsessões compulsivas
    não podem ser tão desejadas
  614. que começam a assumir
    o papel de necessidades.
  615. Esse é um fenômeno que ocorre facilmente
  616. em nossa sociedade
    materialista, na verdade.
  617. É exatamente por isso que as questões de
    desigualdade financeira anteriormente assinaladas,
  618. ou seja, a resposta de
    estresse psicossocial
  619. resultante da comparação social,
    são o que são.
  620. É uma parte da nossa psicologia
    evolutiva de muitas maneiras.
  621. Mas é em parte por isso que as
    sociedades mais desiguais também
  622. são as sociedades menos saudáveis,
    porque perpetuamos isso.
  623. O Movimento Zeitgeist não está promovendo
    uma abundância universal infinita de tudo,
  624. o que é claramente impossível
    num planeta finito.
  625. Em vez, promove uma visão de
    mundo "pós-escassez" ou de abundância,
  626. reconhecendo os limites naturais
    de consumo no planeta,
  627. e procurando um equilíbrio.

  628. E o que separa o mundo de hoje
    do mundo do passado
  629. é que a nossa capacidade
    científica e tecnológica
  630. chegou a um ponto de
    aceleração da eficiência
  631. onde a criação de um alto padrão de vida,
    para todas as pessoas do planeta
  632. com base nas preferências
    culturais atuais, na verdade,
  633. é possível agora dentro
    destes limites sustentáveis
  634. sem a necessidade destrutiva de competir
    através do mecanismo de mercado.
  635. Isto é feito com a chamada
    'efemerização',
  636. um termo cunhado pelo engenheiro
    R. Buckminster Fuller,
  637. e o entendimento é muito simples:
  638. "A quantidade de recursos e energia necessárias
    para executar uma determinada tarefa
  639. diminuiu constantemente ao longo do tempo,
  640. enquanto a eficiência da tarefa
    tem aumentado, paradoxalmente."
  641. Um exemplo é a comunicação por satélite,
  642. que usa exponencialmente menos material
  643. do que o fio de cobre grosso tradicional
  644. e é mais versátil e eficaz.
  645. Em outras palavras, estamos sempre
    fazendo mais com menos,
  646. e essa tendência pode ser notada em todas
    as áreas de desenvolvimento industrial,
  647. dos processadores de computador ou a Lei de Moore
  648. até a rápida aceleração
    do conhecimento humano
  649. ou da tecnologia da informação
  650. E não é apenas nos bens físicos.
  651. Também se aplica a processos ou sistemas.
  652. Por exemplo, o sistema de trabalho,
    hoje com a automação,
  653. mostra exatamente o mesmo padrão.
  654. A indústria se tornou mais produtiva
    com menos pessoas,
  655. máquinas cada vez mais eficientes
  656. com um consumo de energia e materiais cada vez
    menor por operação ao longo do tempo.
  657. Agora um breve parêntesis, alguns podem ter notado
  658. que constantemente uso a seguinte frase:
  659. "Alto padrão de vida".
    O que isso significa?
  660. Quem pode dizer o que um
    alto padrão de vida deve ser?
  661. A resposta a essa pergunta
    não "quem", é "o quê".
  662. E 'o quê' determina o nosso padrão de vida
  663. é justamente o nosso
    estado atual da tecnologia.
  664. e o que é necessário para manter
  665. a sustentabilidade social e ambiental
    em um planeta finito.
  666. Essa é a equação.
  667. Se nós, como sociedade, desejamos
    manter os valores do materialismo,
  668. crescimento e consumo, promovendo
    a virtude de ter desejos infinitos
  669. então podemos muito bem
    nos matar agora mesmo,
  670. já que será o resultado final
    se continuarmos a ultrapassar
  671. os limites do mundo físico em relação
    à nossa exploração dos recursos
  672. e à perda da biodiversidade.
  673. Então quero deixar bem claro:
    esta nova proposta econômica
  674. não trata apenas de ver como
    o mercado é obsoleto por si só,
  675. dada a nossa nova e poderosa
    percepção de eficiência técnica,
  676. também trata do fato de
    que precisamos sair
  677. do paradigma do mercado
    o mais rápido possível
  678. antes que cause ainda mais danos.
  679. OK, Pós-Escassez.
  680. As quatro categorias que eu quero
    abordar em detalhes em relação a isso
  681. são alimentos, água,
    energia e bens materiais.
  682. Por favor, notem que,
    para alimentos, energia e água,
  683. esta é uma avaliação realmente
    muito conservadora,
  684. através de estatísticas e medidas
    baseadas apenas
  685. em métodos existentes que
    foram postos em uso industrial,
  686. não em coisas teóricas de que
    pessoas falam o tempo todo.
  687. E tudo o que eu vou fazer
    é aumentar a escala,
  688. usando o contexto da
    teoria dos sistemas.
  689. Alimentos.
  690. De acordo com as Nações Unidas,
    uma em cada oito pessoas na Terra,
  691. quase um bilhão de pessoas,
    sofrem de desnutrição crônica.
  692. No entanto, admite-se que há
    comida suficiente, produzida hoje
  693. pelos métodos tradicionais do mercado,
    para fornecer a todos no mundo
  694. pelo menos 2720 kilocalorias por dia,
  695. que é mais que o suficiente para
    manter a saúde básica para a maioria.
  696. Portanto, em princípio, neste momento,
  697. a existência de um grande número
    de pessoas cronicamente famintas
  698. revela, no mínimo, de que há algo
    fundamentalmente errado
  699. com o processo industrial
    e econômico global.
  700. De acordo com a Instituição
    de Engenheiros Mecânicos,
  701. "Estima-se que 30 a 50% de todos
    os alimentos produzidos
  702. nunca atinge o estômago humano
  703. e este número não reflete o fato
    de que grandes quantidades de terra,
  704. energia, fertilizantes e água
    também foram perdidos
  705. na produção de gêneros alimentícios
    que simplesmente vão para o lixo. "
  706. Enquanto há certamente
    um imperativo
  707. para considerar a relevância
    destes padrões de desperdício,
  708. parece que o jeito
    mais eficiente e prático
  709. de superar completamente
    essa deficiência mundial
  710. é atualizar o próprio sistema
    de produção de alimentos
  711. com a localização mais estratégica
  712. a fim de reduzir o desperdício causado
  713. pelas deficiências na cadeia
    de fornecimento global atual.
  714. Talvez o mais promissor
    desses arranjos é algo chamado
  715. agricultura vertical, com o qual suponho
    que muitos já estão familiarizados.
  716. A agricultura vertical tem sido
    posta à prova em várias regiões
  717. com resultados extremamente promissores
    em relação à eficiência e à conservação.
  718. Este método de produção de
    alimentos abundantes não apenas
  719. usa menos recursos por unidade produzida,
    gerando menos desperdício,
  720. tem um impacto ecológico reduzido,
  721. alimentos de melhor qualidade,
  722. como também usa uma
    superfície menor do planeta,
  723. usa menos área de terra
    do que estamos usando hoje.
  724. Pode ser feito até mesmo
    no mar, de tão versátil,
  725. permitindo que certos tipos de alimentos,
    impossíveis de serem produzidos em certos climas e regiões,
  726. possam ser cultivados, simplesmente
    porque é um sistema fechado.
  727. Um sistema de fazenda vertical
    em Cingapura, por exemplo,
  728. tem um gabinete transparente
    construído sob medida,
  729. que usa um sistema hidráulico
    automatizado em circuito fechado
  730. para fazer as plantas circularem
    entre a luz do sol
  731. e tratamento de nutrientes orgânicos,
  732. custando apenas cerca 3 dólares por mês
  733. em eletricidade para cada gabinete.
  734. Este sistema também é relatado
    em ter 10 vezes
  735. mais produtividade por metro quadrado
    do que a agricultura convencional,
  736. novamente, usando muito
    menos água, trabalho e fertilizantes.
  737. Estudantes da Universidade
    de Columbia nos EUA
  738. determinaram que, para alimentar 50 mil pessoas,
    uma fazenda de 30 andares
  739. construída no espaço de
    um quarteirão seria necessário,
  740. o que dá cerca de 2,5 hectares.
  741. Se extrapolarmos isso no contexto
    da cidade de Los Angeles, Califórnia
  742. de onde venho, com uma população
    de mais ou menos de 4 milhões,
  743. com uma área total de,
    aproximadamente, 128 mil hectares,
  744. levaria 78 estruturas para
    alimentar todos os residentes.
  745. Isso equivale a cerca de 0,1%
    da área total de Los Angeles
  746. para alimentar toda a população.
  747. Se aplicarmos esta extrapolação para a Terra
  748. e à população humana de 7,2 bilhões
    de pessoas, acabamos precisando de
  749. cerca de 144 mil fazendas verticais
    para alimentar o mundo todo.
  750. Isso equivale a cerca de 368 mil hectares
    de terra para colocar essas fazendas que,
  751. dado que uns 38% das terras do planeta
  752. são, atualmente, utilizadas
    para a agricultura tradicional,
  753. chegamos à conclusão que precisamos
    de apenas cerca de 0,006%
  754. das terras agrícolas existentes na Terra
  755. para atender às necessidades de produção.
  756. Vamos ser um pouco mais coerentes.
  757. Dentro dessa estatística de 38%
    de uso do solo para a agricultura,
  758. muitas dessas terras
    são também utilizadas
  759. para a criação de gado, e não apenas
    para o cultivo de safras.
  760. Assim, se fôssemos usar, teoricamente,
  761. somente as terras de produção de safras,
  762. que são cerca de 1,6 bilhões de hectares,
  763. substituindo o cultivo em terra
  764. por estas fazendas verticais de 30 andares
    colocadas lado a lado, em teoria
  765. a produção de alimentos seria suficiente
    para atender as necessidades nutricionais
  766. e alimentar 34,4 trilhões de pessoas.
  767. Dado que só precisaremos alimentar
    cerca de 9 bilhões de pessoas em 2050,
  768. precisamos aproveitar apenas cerca de 0,02%
    desta capacidade teórica, que,
  769. como poderiamos argumentar,
    torna bastante discutível as objeções práticas
  770. comuns contra as extrapolações
    mencionadas acima.
  771. Em suma, temos um potencial
    de completa abundância global de alimentos.
  772. Água.
  773. Segundo a Organização Mundial de Saúde,
    cerca de 2,6 bilhões de pessoas,
  774. metade do mundo em desenvolvimento,
    carecem de saneamento básico adequado
  775. e cerca de 1,1 bilhão
    de pessoas não têm acesso
  776. a qualquer tipo de
    fonte de água potável.
  777. Devido ao esgotamento em curso, em 2025,
  778. estima-se que cerca de
    2 bilhões de pessoas
  779. viverão em áreas duramente
    afetadas pela escassez de água,
  780. com 2/3 de toda a população mundial
  781. vivendo em áreas com
    períodos de falta de água.
  782. A causa? Obviamente
    desperdício e poluição,
  783. mas não vou falar sobre isso.
  784. Os detalhes, causas e prevenção,
    não são o tema aqui.
  785. Em vez disso, vamos adotar, mais uma vez,
    apenas uma abordagem da capacidade tecnológica,
  786. considerando os sistemas modernos
    de purificação e dessalinização
  787. na escala macro industrial.
  788. A purificação.
  789. Globalmente, cada pessoa usa, em média,
    1.385m³ de água por ano.
  790. Isso leva em conta toda a atividade industrial,
    bem como a agricultura.
  791. Por uma questão de argumentação,
    vamos considerar o que levaria para purificar
  792. toda a água doce que é usada no mundo, em média, por ano.
  793. Dada a média global de 1385m³
  794. e uma população de 7,2 bilhões,
  795. chegamos a um consumo anual total
    de cerca de 10 trilhões de m³.
  796. Usando como base uma uma estação de desinfecção
    por Raios UV do Estado de Nova Iorque,
  797. que possui capacidade de produção de cerca
    de 3 bilhões de metros cúbicos por ano,
  798. ocupando cerca de 0,9 hectares de terra,
  799. precisaríamos de 3.327 estações
  800. para purificar toda a água utilizada
    por toda a população global,
  801. ocupando cerca de 3.000 hectares de terra.
  802. Nem é preciso dizer que há
    muitos outros fatores que entram em jogo,
  803. tais como as necessidades de energia,
    localização, etc. Isso faz sentido.
  804. No entanto, esse é um pequeno problema.
  805. 3.000 hectares não são nada comparados
  806. aos 9 bilhões de hectares
    de terra do planeta.
  807. Para dar um exemplo mais prático:
    os militares dos EUA, sozinhos,
  808. tem cerca de 845 mil bases militares
  809. e edifícios.
  810. Foi relatado que isso usa até 7,5 milhões
    de hectares em todo o mundo.
  811. Somente 0,04% dessa terra seria necessário
  812. para tratar a água fresca total
    que o planeta inteiro consome.
  813. Isso caso fosse necessário, o que, obviamente, não é.
  814. Dessalinização.
  815. Vamos usar a mesma extrapolação
    teórica para a dessalinização.
  816. O método de dessalinização mais comum hoje
    é chamado de "osmose inversa".
  817. De acordo com a Associação
    Nacional de Dessalinização,
  818. é responsável por 60% do tratamento
    de dessalinização, a nível mundial.
  819. Há uma série de outros métodos
    que estão emergindo muito rapidamente
  820. com níveis elevados de eficiência, os quais podem
    tratar a água muito mais rapidamente.
  821. Mas não vou falar sobre isso.
  822. Quero falar somente dos métodos
    comuns, aplicados hoje.
  823. Apenas tenha em mente que
    tudo o que eu estou falando
  824. tem imensas melhorias
    chegando muito em breve.
  825. Há uma estação de dessalinização da água do mar
    por osmose inversa avançada na Austrália
  826. capaz de produzir cerca de
    150 milhões de m³ de água doce por ano
  827. ocupando aproximadamente
    13 hectares.
  828. Dado que uso anual total
    de água do mundo, hoje,
  829. é cerca de 10 trilhões
    de metros cúbicos,
  830. levaria 60 mil estações
    para produzir
  831. toda a água usada globalmente hoje.
  832. Considerando as dimensões
    dessa estação, que é muito grande,
  833. tal façanha levaria mais ou menos
    29 mil quilômetros de litoral,
  834. ou 8,5% dos litorais do mundo.
  835. Obviamente, isso não é o ideal, é muito litoral,
  836. mas este exercício é sobre proporções.
  837. É óbvio que não precisamos
    dessalinizar toda a água usada,
  838. nem ignoraríamos o uso
    de processos de purificação
  839. ou ignoraríamos as vastas reformas necessárias
    para preservar a eficiência e a água doce;
  840. ou, de igual importância, os sistemas
    de reuso que estão vindo à fruição
  841. onde os edifícios são capazes
    de usar a água várias vezes,
  842. reciclando a água que vem da pia
    para ser usada em descargas,
  843. e outros mecanismos que, infelizmente,
    não são usados pela a grande maioria.
  844. Vamos fazer uma extrapolação
    um pouco mais prática e real,
  845. combinando apenas
    purificação e dessalinização,
  846. com estatísticas reais
    de escassez regionais.
  847. No continente africano,
    há cerca de 345 milhões de pessoas
  848. que não têm acesso a água potável.
  849. Se aplicarmos a taxa de
    consumo média global observada,
  850. novamente: 1385m³ por ano,
  851. procurando fornecer essa quantidade
    a cada uma dessas 345 milhões de pessoas,
  852. precisaríamos produzir cerca de 480 bilhões
    de metros cúbicos anualmente.
  853. Se dividirmos esse número na metade
  854. e usarmos a purificação para uma parte
    e dessalinização para a outra parte,
  855. o processo de dessalinização usaria 1,9%
  856. ou 795 km de litoral para suas instalações,
  857. e apenas cerca de 118 hectares de terra
    para instalações de purificação,
  858. que é uma fração minúscula
    do continente africano
  859. que possui cerca de
    2,8 bilhões de hectares.
  860. Portanto, isso é altamente realizável,
    mesmo neste exemplo bruto.
  861. De qualquer maneira, maximizaríamos
    estrategicamente o processos de purificação,
  862. já que é claramente mais eficiente,
  863. e usaríamos a dessalinização
    apenas para a demanda restante.
  864. Em suma, é um absurdo
    para qualquer um no planeta
  865. ficar sem água doce,
    sem falar, entre parêntesis,
  866. que 70% de toda a água doce usada hoje
  867. vai para a agricultura em nossos métodos
    agrícolas com alto desperdício. 70%!
  868. Se, por exemplo, aplicássemos sistemas
    de fazendas verticais cuja economia
  869. de água já foi constatada em mais de 80%,
  870. veríamos um enorme aumento
    na disponibilidade
  871. desse recurso escasso.
  872. Passando para a energia.
  873. Vivemos em uma massiva máquina de
    motor-perpétuo conhecida como Universo.
  874. O fato de ainda estarmos usando reservas
    de combustíveis fósseis poluidores na Terra
  875. ou o fenômeno nuclear
    incrivelmente instável,
  876. o qual deixa pouco espaço
    para a falibilidade humana,
  877. é verdadeiramente assustador.
  878. Existem quatro principais
    ontes de energias renováveis
  879. de grande capacidade
  880. que são atualmente ideais,
  881. conforme o nosso estado atual
    da aplicação tecnológica.
  882. São as estações
    geotérmicas, eólicas,
  883. solares e energia
    à base de água.
  884. Devido à falta de tempo,
    não vou explicar o que são
  885. e suponho que a maioria já sabe.
    Eu só vou fazer
  886. uma comparação da abundância.
  887. Geotérmica.
  888. Um relatório de 2006 do MIT
    sobre energia geotérmica
  889. constatou que 13 mil zettajoules de energia
    estão atualmente disponíveis na Terra,
  890. com 2 mil zettajoules ao alcance
  891. com o aperfeiçoamento
    de tecnologias.
  892. O consumo total de energia de
    todos os países do planeta
  893. é apenas metade de
    um zettajoule por ano.
  894. Isto significa, literalmente, que milhares
    de anos de energia planetária
  895. poderiam ser aproveitados
    apenas por este meio.
  896. A energia geotérmica também usa muito menos
    área do que outras fontes de energia.
  897. Por aproximadamente 30 anos,
  898. um período de tempo
    comumente usado
  899. para comparar o impacto do ciclo
    de vida de diferentes fontes de energia,
  900. verificou-se que uma instalação
    de energia geotérmica
  901. usa 404 m² de terreno
    por gigawatt hora,
  902. enquanto uma
    termelétrica a carvão
  903. usa 3.632 m² por
    gigawatt hora.
  904. Se fizessemos uma comparação básica
    entre energia geotérmica e a carvão,
  905. usando essa proporção
    de m² por gigawatt hora,
  906. veríamos que dá para encaixar
    9 usinas geotérmicas
  907. no espaço de uma usina a carvão.
  908. E isso sem contar a enorme
    quantidade de terra
  909. que é utilizada atualmente para
    a extração do carvão.
  910. Esses enormes buracos
    que vemos na terra.
  911. E alias a beleza da energia
    geotérmica e, de fato,
  912. de todas as fontes de energias
    renováveis sobre as quais vou falar,
  913. é que o local de
    extração [de energia]
  914. é quase sempre no mesmo lugar
    da produção [de eletricidade]
  915. e da distribuição também.
  916. Todas as fontes de hidrocarbonetos,
    por outro lado, exigem que a extração
  917. e as instalações de produção de energia
    fiquem quase sempre em locais separados,
  918. e às vezes refinarias também,
    em outro local.
  919. Em 2013, foi anunciado que uma
    termelétrica de 1.000 megawatts
  920. seria construída na Etiópia.
  921. Vamos usar isso como uma
    base teórica para extrapolação.
  922. Se fosse uma usina geotérmica
    de 1.000 megawatts
  923. operando a plena capacidade,
  924. 24 horas por dia,
    365 dias por ano,
  925. produziria 8,7 milhões de
    megawatts hora por ano.
  926. A demanda atual de energia
    mundial é de mais ou menos
  927. 153 bilhões
    megawatts hora por ano,
  928. o que significa que seriam
    necessárias, teoricamente,
  929. umas 17 mil usinas geotérmicas
    para suprir a demanda global.
  930. Há mais de 2.300 termelétricas a
    carvão em operação no mundo hoje.
  931. Usando a comparação de tamanho
    mencionada anteriormente,
  932. de nove usinas geotérmicas cabendo
    no espaço de uma termelétrica a carvão,
  933. seria necessário o espaço de
    1.940 termelétricas a carvão
  934. para conter as 17 mil
    usinas geotérmicas
  935. ou 84% do total das termelétricas
    a carvão existentes hoje.
  936. Além disso, dado que o carvão
    corresponde por apenas 41%
  937. de produção de
    energia atualmente,
  938. esta extrapolação teórica
    também mostra
  939. como, em 84% do espaço atualmente
    usado por termelétricas a carvão,
  940. as usinas geotérmicas
    poderiam fornecer
  941. 100% da demanda
    energética global.
  942. Parques eólicos.
  943. Calcula-se, hoje, com a tecnologia
    de turbinas existentes,
  944. que está melhorando rapidamente,
  945. que a Terra pode produzir
  946. centenas de trilhões de watts
    de potência, muitas vezes mais
  947. do que o mundo
    consome no total.
  948. No entanto, de forma simplificada,
    usando os 3600 hectares
  949. do Parque Eólico Alta, na Califórnia,
    como base teórica,
  950. que tem uma capacidade ativa
    de 1320 megawatts de potência,
  951. uma produção anual de 11 milhões
    de megawatts hora é possível, em teoria.
  952. Isso significa que 13 mil
    parques eólicos de 3600 hectares
  953. seriam necessários para atender
  954. demanda global total de
    153 bilhões de megawatts hora.
  955. Isso requer cerca de 48 milhões
    de hectares de terra
  956. ou 0,3% da superfície da Terra
  957. para fornecer energia ao
    mundo todo, em abstração.
  958. No entanto, a energia eólica
    em mar aberto
  959. é geralmente muito mais poderosa
    do que quando baseada em terra.
  960. De acordo com a
  961. 'Avaliação de Recursos Eólicos em
    Mar Aberto para os Estados Unidos':
  962. um potencial de 4150 gigawatts
    em turbinas eólicas
  963. poderia ser gerado
  964. em mar aberto, apenas
    nos Estados Unidos.
  965. Supondo que esta fonte de energia
    fosse estável durante um ano inteiro,
  966. ficaríamos com um total de energia de
    36 bilhões de megawatts hora no ano.
  967. Sendo que Estados Unidos, em 2010,
  968. usou 25,7 bilhões
    de megawatts hora,
  969. concluímos que a produção de
    energia eólica em mar aberto sozinha
  970. atenderia e excederia
    o uso total nacional
  971. em cerca de 10,6 bilhões
    megawatts hora, ou 41%.
  972. E axiomaticamente, extrapolando
    esse nível nacional de capacidade
  973. para as demais linhas
    costeiras do planeta,
  974. levando também em conta as estatísticas
    baseadas em terra mencionadas anteriormente,
  975. é claro que podemos abastecer
    em energia o mundo várias vezes
  976. com energia eólica e
    de forma bastante prática.
  977. Usinas solares.
  978. Se a humanidade pudesse capturar 0,1%
    da energia solar que incide na Terra
  979. teríamos acesso a
    seis vezes mais energia
  980. de que consumimos em
    todas as formas hoje.
  981. A capacidade de aproveitar essa
    energia depende da tecnologia
  982. e do percentual de
    conversão da radiação.
  983. O Sistema Solar Elétrico Ivanpah,
    na Califórnia,
  984. é um campo de
    1400 hectares
  985. com uma geração anual de cerca de
    um milhão de megawatts hora.
  986. Se extrapolássemos, utilizando
    isso como a base teórica,
  987. levaria cerca de 142 mil campos ou
    cerca de 200 milhões de hectares de terra
  988. para atender ao consumo
    global atual de energia.
  989. Isso dá cerca de 1,5% da
    área total da Terra.
  990. Os desertos cobrem cerca de 1/3 do mundo,
    ou cerca de 4,8 bilhões de hectares
  991. e eles tendem a ser bastante
    favoráveis a usinas solares,
  992. embora muitas vezes a menos propícios
    ao suporte à vida para o ser humano.
  993. Tendo em conta os cerca de
    200 milhões de hectares
  994. teoricamente necessários para abastecer
    o mundo com energia, como calculado,
  995. apenas 4,1% dos desertos do
    mundo seriam necessários
  996. para conter essas usinas.
  997. É terra que praticamente
    não tem outra utilidade.
  998. Energia baseada em água.
  999. Existem cinco tipos dominantes de
    energia a base de água: ondas, das marés,
  1000. corrente oceânicas, osmótica,
  1001. oceano térmica, e cursos de água.
  1002. Em geral, a tecnologia para
    o aproveitamento do oceano
  1003. está em sua infância,
    mas o potencial é muito grande.
  1004. E com base em
    estimativas tradicionais,
  1005. seguem os potenciais globais
    geralmente aceitos,
  1006. estimados usando
    os métodos existentes.
  1007. Não estamos usando tecnologia avançada
    que não já esteja em aplicação.
  1008. A soma dá em torno de
    150 mil terawatt hora por ano
  1009. ou 96% do uso global atual
  1010. de meio zetta joule.
  1011. É o suficiente para abastecer o mundo a partir
    de uma só fonte, se fosse explorada.
  1012. No entanto, para dar uma ideia do
    potencial tecnológico crescente,
  1013. porque eu acho que isso é importante,
    considerando como a tecnologia
  1014. de energia orientada a água está
    profundamente em sua infância,
  1015. desenvolvimentos recentes no
    aproveitamento das correntes oceânicas
  1016. - as correntes que existem no fundo do oceano -
  1017. que podem abranger velocidades muito
    mais baixas agora do que costumavam,
  1018. foi estimado que o oceano,
    sozinho, poderia hoje,
  1019. teoricamente, abastecer o mundo inteiro,
    se explorado corretamente.
  1020. Vamos recapitular:
  1021. Eólica, solar, d'água e a
    energia geotérmica demonstraram,
  1022. como grande fontes de
    energia renovável,
  1023. que são capazes, individualmente,
    de atender e até exceder em muito
  1024. a demanda anual global
    de energia neste momento.
  1025. E, obviamente, uma abordagem de sistemas,
    harmonizando uma fração otimizada
  1026. de cada uma dessas fontes
    renováveis, estrategicamente,
  1027. é a chave para alcançar a
    abundância total e global de energia.
  1028. Por exemplo, não é
    inconcebível imaginar
  1029. uma série de ilhas
    artificiais flutuantes
  1030. em litorais selecionados, projetadas
    para aproveitar, de uma só vez,
  1031. o vento, o sol, a diferença térmica,
    as ondas, as marés e as correntes,
  1032. todos ao mesmo tempo
    e no mesmo local.
  1033. Tais ilhas de energia enviariam, então,
    sua colheita de volta a terra
  1034. para armazenamento
    e distribuição.
  1035. Projetar coisas desse tipo depende
    apenas da nossa engenhosidade.
  1036. Localização e reuso.
  1037. A última coisa que quero
    mencionar sobre energia,
  1038. que se baseia explicitamente
    neste pensamento sistêmico,
  1039. tem a ver com a localização
    e esquemas de reuso.
  1040. A exploração local de energia
    não recebe um décimo
  1041. da atenção que
    precisa hoje.
  1042. Métodos renováveis de pequena
    escala menor que favorecem
  1043. estruturas individuais
    ou pequenas áreas
  1044. se enquadram na mesma lógica de sistemas,
    qualquer que seja a combinação.
  1045. Esses sistemas locais poderiam
    também, se for necessário,
  1046. estar ligados com o sistema
    de carga base maior,
  1047. criando uma rede global integrada
    e de fontes diversificadas,
  1048. que acontece às vezes hoje
    com a energia solar.
  1049. Existem muitos sistemas localizados
    lá fora que pode extrair energia
  1050. do ambiente próximo:
    há matrizes de energia solar,
  1051. há sistemas de captação
    de vento de pequeno porte,
  1052. aquecimento e
    arrefecimento geotérmico
  1053. e até mesmo projetos arquitetônicos
    que simplesmente tornam o uso
  1054. da luz natural e o isolamento
    térmico mais eficientes.
  1055. Buckminster Fuller foi genial
    com suas estruturas geodésicas
  1056. e como elas conseguem reter
    energia muito bem. É a mesma ideia.
  1057. Olhando para a
    infra-estrutura das cidades,
  1058. vemos o mesmo desperdício de
    eficiência possível em quase toda parte.
  1059. Uma tecnologia simples
    chamada piezoeletricidade
  1060. é capaz de converter energia mecânica
    e pressão diretamente em eletricidade.
  1061. É um excelente exemplo de um método de
    reaproveitamento de energia com grande potencial.
  1062. As aplicações existentes
    incluem a geração de energia
  1063. por pessoas simplesmente andando
    sobre estes pisos e calçadas,
  1064. ruas que podem gerar energia
    pelo tráfego de veículos,
  1065. e sistemas ferroviários que
    também podem capturar energia
  1066. da passagem de trens
    através de pressão.
  1067. Pessoas que estudaram
    isso sugeriram
  1068. que um trecho de estrada de
    um quilômetro e meio de comprimento,
  1069. quatro faixas de largura,
    uma rodovia,
  1070. e trafegada por cerca de
    mil veículos por hora
  1071. pode criar cerca de
    0,4 megawatts de energia,
  1072. o que é suficiente para
    alimentar 600 casas.
  1073. Agora, extrapole para o grosso
    das estradas do mundo,
  1074. você tem uma fonte muito poderosa
    de energia regenerativa.
  1075. No geral, se pensarmos sobre o enorme
    desperdício de energia mecânica
  1076. apenas por veículos e pedestres
    em centros de alto tráfego,
  1077. o potencial de energia a
    ser regenerada é substancial.
  1078. É este o pensamento
    sistêmico que é necessário
  1079. para manter a sustentabilidade
  1080. e ao mesmo tempo buscar essa
    abundância de energia global.
  1081. O último assunto, mais complexo,
    além da energia,
  1082. será o tema de
    abundância material
  1083. e da criação dos bens de
    consumo necessários à vida.
  1084. Ao contrário da categoria
    anterior, mais simples,
  1085. a pós-escassez da água
    e da energia e etc.,
  1086. a criação de uma ampla
    abundância material
  1087. de todos os itens básicos que compõem
    a média atual, pode-se dizer,
  1088. do que é culturalmente considerado
    um "alto padrão de vida", hoje,
  1089. é substancialmente mais
    radical em sua necessidade
  1090. de revisão e mudança
    da cadeia industrial.
  1091. Como dito anteriormente, o método
    atual altamente ineficiente
  1092. de design industrial, produção,
    distribuição e regeneração
  1093. é uma das principais razões
    por estarmos em um estado constante
  1094. de excesso global na
    utilização dos recursos
  1095. e de perda desestabilizadora
    de biodiversidade.
  1096. Além disso, como observado antes,
    o mercado não incentiva
  1097. estados avançados
    de eficiência,
  1098. já que a eficiência sempre
    reduz a quantidade de trabalho,
  1099. recursos e serviços necessários
    para um determinado fim
  1100. e, portanto, reduz a
    circulação monetária.
  1101. Não consigo deixar
    de reforçar isso sempre.
  1102. Portanto, um nova visão
    sistêmica sinérgica da indústria
  1103. focalizada explicitamente na eficiência
    no uso dos materiais e da mão de obra
  1104. juntamente com uma estratégia otimizada
    para a sustentabilidade está em pauta.
  1105. Por uma questão de tempo e como
    transição para a última parte dos cálculos,
  1106. eu vou focar em alguns
    princípios ou protocolos
  1107. e como cada protocolo
    auxilia na eficiência
  1108. para esta abundância
    pós-escassez.
  1109. Sem isso levaria uma
    quantidade enorme de tempo.
  1110. Não é tão simples quanto
    as extrapolações anteriores.
  1111. No entanto, neste livro que
    eu mencionei haverá um capítulo
  1112. dedicada a esta temática,
    com muitos detalhes.
  1113. 1) Acesso, não propriedade privada.
  1114. Uma sociedade baseada na propriedade
    incentiva a preferência de possuir
  1115. um determinado produto, em vez de alugar
  1116. ou ter acesso, quando necessário.
  1117. Eu sou um cineasta e apesar, de alugar
    alguns equipamentos de vez em quando,
  1118. é muito mais econômico e
    inteligente comprar as coisas
  1119. porque elas têm
    valor de revenda.
  1120. Este incentivo à propriedade universal
    é um incrível desperdício
  1121. quando examinamos o tempo de
    uso real de um determinado bem.
  1122. Facilitar os meios de acesso quando as
    coisas podem ser compartilhadas
  1123. permitirá que muitos ganhem acesso aos bens
    que de outra forma não poderiam usar
  1124. bem como a redução na produção,
    em proporção, desses bens.
  1125. Numa Economia Baseada
    em Recursos e Lei Natural
  1126. procuramos criar uma abundância de acesso,
    não uma abundância de propriedade
  1127. que é inerentemente
    um desperdício.
  1128. Em paralelo, também é importante
    notar que a propriedade
  1129. não é um
    conceito empírico.
  1130. Apenas o acesso é
    empiricamente válido.
  1131. Propriedade é um
    artifício protecionista.
  1132. O acesso é a realidade
    da condição social humana.
  1133. Para que você possa realmente
    dizer que "possui" um computador,
  1134. você tem que ter
    chegado sozinho
  1135. a todo o processo tecnológico
    que fez essa coisa
  1136. juntamente com as ideias
    que compõem as ferramentas
  1137. que você poderia ter usado
    para fazer esse computador.
  1138. Isso é literalmente impossível
  1139. e é o que destrói a antiga
    teoria do valor-trabalho.
  1140. - propriedade é o que é apresentada
    pelos economistas clássicos -
  1141. Não existe propriedade.
    Há apenas o acesso e partilha,
  1142. não importa o sistema
    social que usa.
  1143. 2) Reciclagem no próprio Design.
  1144. Ao contrário da nossa intuição,
    não existe desperdício
  1145. no mundo natural.
  1146. Não só do ponto de vista
    da biosfera, que reutiliza
  1147. tudo em seu processo,
  1148. os 92 principais elementos que ocorrem
    naturalmente na tabela periódica
  1149. que compõem toda a matéria
    não podem ser esgotados.
  1150. A humanidade tem dado
    muito pouca consideração
  1151. para o papel de regeneração dos materiais
    e como todas as nossas práticas de design
  1152. devem levar em conta
    essa reciclagem.
  1153. Na verdade, como alguns devem saber,
    o mais elevado estado desta reciclagem
  1154. eventualmente acabará vindo
    com a nanotecnologia.
  1155. A nanotecnologia será
    capaz de criar produtos
  1156. no nível atômico e
    desmontá-los de volta
  1157. praticamente para
    o ponto de partida.
  1158. É a forma perfeita de reciclagem.
    Por sinal, não estou sugerindo isso.
  1159. Não estou sugerindo que a nanotecnologia
    seja mesmo necessária neste momento,
  1160. como se fosse o que
    estamos fazendo agora.
  1161. É que este é um grande
    princípio para referenciar
  1162. em relação à importância
    da regeneração.
  1163. Hoje, a indústria tem pouco senso
    de sinergia nesse contexto.
  1164. A reciclagem é pensada depois.
    As empresas continuam fazendo coisas
  1165. como revestir cegamente materiais
    com tintas químicas e afins
  1166. que distorcem as propriedades
    desses materiais
  1167. fazendo com que sejam
    menos reaproveitáveis,
  1168. ou talvez completamente irrecuperáveis
    pelos métodos de reciclagem atuais.
  1169. Isso acontece o tempo todo.
    Então, resumindo,
  1170. a reciclagem estratégica
    é, provavelmente, o mais importante
  1171. núcleo para a
    abundância sustentada.
  1172. Cada aterro na Terra é apenas
    um desperdício de potencial.
  1173. Número 3: adequação estratégica
    ao design correto.
  1174. para o uso dos materiais
  1175. mais abundantes e
    propícios conhecidos.
  1176. Você vai notar essa qualificação
    da eficiência no que eu disse:
  1177. propício e abundante.
  1178. Propício significa mais adaptados com
    base nas propriedades dos materiais.
  1179. Abundante significa que
    você leva também em conta
  1180. a acessibilidade do material
    e o impacto ambiental
  1181. na comparação com outros materiais
    que podem ser menos ou mais propícios.
  1182. Esta é uma comparação
    da eficiência sinérgica.
  1183. Me desculpem se o vocabulário
    fica um pouco complicado.
  1184. Provavelmente o melhor exemplo disso
    seja a construção de um lar ou domicílio.
  1185. O uso comum de madeira, tijolos,
    parafusos e a vasta gama de peças
  1186. típicas de uma casa comum é muito
    ineficiente comparado com
  1187. materiais mais modernos, simplificados
    e pré-fabricados ou moldáveis.
  1188. A casa tradicional de 200
    metros quadrados requer cerca de
  1189. 40 a 50 árvores,
    ou seja um hectare.
  1190. Compare isso com casas que podem
    ser criadas com processos de pré-fabricação
  1191. com polímeros
    ecológicos simples,
  1192. concreto ou outros métodos
    facilmente moldáveis.
  1193. A impressão em 3D, por exemplo,
    está a caminho.
  1194. Estas novas abordagens têm um impacto
    ambiental muito pequeno quando comparado
  1195. à continua destruição das florestas
    do planeta para extração de madeira.
  1196. A construção civil é, hoje, um dos setores
    industriais que mais consome e desperdiça
  1197. matéria prima no mundo.
  1198. com cerca de 40% de toda a
    matéria prima usada na construção
  1199. acabando como lixo
    no final da obra.
  1200. Número 4: Design propício para
    a automação do trabalho.
  1201. Bom isso é muito
    estranho para muitos.
  1202. Quanto mais nos conformamos
    com o estado atual
  1203. dos processos de produção
    rápida e eficiente,
  1204. maior a abundância gerada.
  1205. Se você ler textos sobre
    processos de fabricação,
  1206. eles normalmente separam
    o trabalho em três categorias.
  1207. Há a montagem humana, a
    mecanização e a automação.
  1208. Montagem humana
    significa feito à mão.
  1209. Mecanização significa máquinas
    auxiliando o trabalhador,
  1210. e automação significa que
    não há participação humana.
  1211. Imagine que você está precisando de
    uma cadeira e existem três modelos.
  1212. O primeiro é elaborado e complexo
    e só pode ser feito à mão.
  1213. O segundo é mais simples,
    e poderia ser feito de peças
  1214. feitas por máquinas, mas
    teria que ser montado à mão.
  1215. A terceira cadeira é produzida por um
    processo completamente automatizado.
  1216. Esta última cadeira seria, em teoria,
    o objetivo de design
  1217. desta nova abordagem.
  1218. Isso teria por efeito reduzir a
    complexidade do processo de automação,
  1219. com pouco ou nenhum
    trabalho humano.
  1220. Imagine uma fábrica que
    não só produz carros,
  1221. mas produz praticamente
    qualquer tipo de coisa
  1222. feita dos mesmos
    materiais básicos.
  1223. Isto é muito viável.
  1224. Isto iria aumentar a
    produção significativamente.
  1225. Em outras palavras, estamos
    otimizando os meios de produção.
  1226. E entre parêntesis, muitos que
    vêem coisas como esta
  1227. acham que isso significa que não vai
    existir mais qualquer variedade no futuro,
  1228. que tudo vai ser básico e uniformizado e
    todo mundo vai ter as mesmas coisas.
  1229. Não, eu só estou usando isso como um
    exemplo para falar sobre eficiência.
  1230. Ser propício para a automação não
    significa a uniformidade universal
  1231. porque a quantidade
    de variações possíveis
  1232. com nossa tecnologia de automação
    atual é incrível e está acelerando.
  1233. Robótica modular: há muitas
    máquinas de auto-mudança
  1234. que podem criar uma grande
    quantidade de variações.
  1235. Tudo isso significa os processos
    existentes em seu estado atual
  1236. devem ser respeitados
    para facilitar a produção.
  1237. Por favor, não confunda isso com
    "todo mundo tem o mesmo modelo de tudo".
  1238. O que eles recebem são os mesmos
    princípios básicos de sustentabilidade,
  1239. que vêm em em formas diferentes,
    se você conseguir compreender isso.
  1240. Estes 4 parâmetros sendo utilizados,
    juntamente com a intenção básica
  1241. de auxiliar a tendência de
    efemerização em todos os níveis,
  1242. há pouca dúvida de
    que todo ser humano
  1243. poderia ter um
    alto padrão de vida.
  1244. É simplesmente uma questão de
    converter toda a ineficiência que temos
  1245. diretamente em produtividade,
    de forma estratégica.
  1246. Vou concluir esta seção, sinalizando
    que R. Buckminster Fuller
  1247. foi provavelmente o único
    ser humano que já tentou
  1248. levar em conta e quantificar o
    estado dos recursos e seu potencial
  1249. dentro dos últimos cem anos e,
    apesar de primitivo,
  1250. ele foi capaz de chegar
    à seguinte conclusão em 1969:
  1251. "O ser humano desenvolveu uma mecanização
    tão intensa na Primeira Guerra Mundial
  1252. que a percentagem da população
    total do mundo dos "ricos" industriais
  1253. subiu, em 1919, para 6%.
  1254. Esta foi uma mudança
    muito brusca na história.
  1255. Até a segunda guerra mundial,
    20% de toda a humanidade
  1256. tinha se tornado parte
    dos "ricos" industriais.
  1257. Atualmente, a proporção desses
    "ricos" é de 40% da humanidade.
  1258. Se aumentássemos o desempenho
    dos recursos do nível atual
  1259. para a eficiência global
    altamente viável de 12% acima
  1260. - aumentar o uso em 12%
    de forma holística, em média -
  1261. toda a humanidade
    pode ser atendida."
  1262. O aumento exponencial da tecnologia
    da informação desde 1969,
  1263. junto com a tecnologia aplicada e
  1264. o entendimento sinérgico
    avançado que temos hoje,
  1265. eu suspeito que, agora,
    excede em muito.
  1266. Ou seja, estamos muito além do aumento de
    eficiência de 12%, que ele viu como necessário.
  1267. O problema agora, em parte, é se adequar
    à facilitação industrial da maneira correta,
  1268. o que atualmente não é feito.
  1269. Isso nos leva à Parte III:
    Organização e Cálculos Econômicos.
  1270. Se você está se perguntando
    por que eu passei tanto tempo
  1271. nos pontos anteriores
    de pós-escassez
  1272. e esses dois problemas centrais
    inerentes ao capitalismo de mercado,
  1273. desequilíbrio social e
    desequilíbrio ambiental,
  1274. é porque não dá para entender
    a lógica dos fatores econômicos
  1275. envolvidos neste modelo sem
    essas percepções anteriores.
  1276. A Economia Baseada em Recursos e Lei Natural
    não é apenas uma consequência progressiva
  1277. da nossa capacidade crescente de
    sermos produtivos como espécie,
  1278. como se fôssemos simplesmente evoluir
    gradualmente para fora do sistema de mercado,
  1279. um passo de cada vez,
    sob esta abordagem.
  1280. Não. A extrema necessidade
    de remoção deste sistema
  1281. deve ser percebida mais uma vez.
  1282. Tem que se tornar
    uma parte, na verdade,
  1283. da estrutura de incentivos
    do novo modelo:
  1284. a compreensão histórica de que
    se não nos ajustarmos desta forma
  1285. vamos reverter para o
    período altamente instável
  1286. no qual estamos
    neste momento.
  1287. Um modelo econômico
    é uma construção teórica
  1288. que representa processos compostos
    por um conjunto de variáveis ou funções,
  1289. descrevendo as relações
    lógicas entre eles.
  1290. Definição básica.
  1291. Se alguém já estudou modelagem econômica
    tradicional ou baseada em mercado,
  1292. uma grande quantidade de tempo muitas vezes
    é gasta em coisas como a tendências de preços,
  1293. padrões de comportamento,
    funções utilitaristas,
  1294. inflação, flutuações cambiais, etc.
  1295. Raramente, ou nunca, algo é dito
    sobre a saúde pública ou ecológica.
  1296. Por quê? Porque o mercado é,
    novamente, cego em relação à vida
  1297. e dissociado da ciência de
    suporte à vida e sustentabilidade.
  1298. É simplesmente um
    sistema de procuração.
  1299. A melhor maneira de pensar sobre esta
    economia não é com termos tradicionais,
  1300. mas sim como um sistema
    avançado de produção,
  1301. distribuição e gerenciamento, no qual
    o público é democraticamente envolvido,
  1302. via uma uma espécie
    de economia participativa
  1303. que facilita os processos de entrada,
    como propostas de design
  1304. e avaliação da demanda,
    enquanto filtra todas as ações
  1305. através do que vamos chamar de
    protocolos de sustentabilidade e eficiência.
  1306. Estas são as regras básicas
    de ação industrial
  1307. estabelecidas pelas leis da natureza,
    não a opinião humana.
  1308. Como observado antes, nenhum desses
    interesses são estruturalmente inerentes
  1309. ao modelo capitalista e é claro que
    a humanidade precisa de um modelo
  1310. que tem esse tipo de coisa
    embutida para consideração.
  1311. Objetivos do sistema estrutural.
  1312. Todos os sistemas econômicos
    têm objetivos estruturais
  1313. que podem não ser óbvios.
  1314. O objetivo estrutural do capitalismo de mercado,
    conforme descrito, é o crescimento
  1315. e manutenção das taxas de consumo altas o
    suficiente para manter as pessoas empregadas
  1316. a todo momento, e o emprego exige também
    uma cultura, real ou percebida,
  1317. de ineficiência, e isso
    significa, essencialmente,
  1318. a preservação de escassez,
    de uma forma ou de outra.
  1319. Este é o seu objetivo estrutural.
  1320. E boa sorte em fazer com que
    um economista de mercado admita isso.
  1321. O objetivo deste modelo [a EBRLN]
    é otimizar a eficiência técnica
  1322. e criar o mais alto nível de
    abundância que for possível,
  1323. dentro dos limites da
    sustentabilidade na Terra,
  1324. buscando atender as necessidades
    humanas diretamente.
  1325. Panorama do sistema.
  1326. Um dos grandes mitos sobre este modelo
    é que tem um planejamento central.
  1327. Tenho certeza que muitos
    de nós já ouvimos isso.
  1328. O que isto significa baseado em
    precedentes históricos é que supõe-se
  1329. que um grupo de elite basicamente
    tomará as decisões econômicas
  1330. para a sociedade.
  1331. Não. Este modelo é um sistema
    de design colaborativo:
  1332. CDS (Collaborative Design System).
    Sem planejamento central.
  1333. É baseado inteiramente em
    interações com o público
  1334. facilitadas por um sistema programado
    em linguagem aberta (Open-Source),
  1335. que permite um fluxo constante
    de informação e resposta
  1336. e que pode, literalmente, permitir
    a opinião do público
  1337. sobre qualquer assunto industrial,
    seja pessoal ou social.
  1338. Agora, uma pergunta comum,
    quando se fala desse assunto:
  1339. "Quem programa esse sistema?"
  1340. A resposta é:
    todo mundo e ninguém.
  1341. As regras concretas das
    leis da natureza, como se aplicam
  1342. à sustentabilidade ambiental
    e à eficiência da engenharia,
  1343. são um quadro de referência
    completamente objetivo.
  1344. As nuances podem mudar em
    algum grau ao longo do tempo,
  1345. mas os princípios
    gerais permanecem.
  1346. Ao longo do tempo, a lógica dessa abordagem
    também irá se tornar mais rígida
  1347. porque aprendemos mais de acordo com
    o aperfeiçoamento do nosso entendimento
  1348. e, portanto, menos espaço
    para a subjetividade
  1349. em certas áreas que
    poderiam ter tido antes.
  1350. Mais uma vez, vou descrever
    isso melhor num momento.
  1351. Além disso, os próprios programas estarão
    disponíveis em uma plataforma open source
  1352. para avaliação e críticas do público,
    absolutamente transparente.
  1353. E se alguém notou
    um problema
  1354. ou percebe que uma estratégia de otimização
    não foi aplicada, como provavelmente será o caso,
  1355. isso é avaliado e testado
    pela comunidade
  1356. como uma espécie de
    Wikipedia para cálculos,
  1357. mas muito menos subjetivo
    do que a Wikipedia,
  1358. sem aqueles administradores
    temperamentais.
  1359. Outra confusão tradicional
    envolvendo o conceito
  1360. e, que para muitos, passou
    a definir a diferença
  1361. entre capitalismo
    e todo o resto.
  1362. E tem a ver com o fato
    de os meios de produção
  1363. serem de propriedade
    privada ou não.
  1364. Aparece em todas as toneladas
    de textos literários tradicionais
  1365. sobre o capitalismo
    quando eles descrevem
  1366. isso como a manifestação final do
    comportamento humano, da sociedade.
  1367. Se você não souber o que isso
    significa, os "meios de produção"
  1368. se referem aos ativos não-humanos
    usados para criar bens, como máquinas,
  1369. ferramentas, fábricas,
    escritórios e similares.
  1370. No capitalismo, os meio de
    produção são de propriedade
  1371. do capitalista, por definição histórica,
    daí a origem do termo.
  1372. Estou abordando isso porque existe
    uma discussão centenária
  1373. que qualquer sistema cujos meios de
    produção não sejam de propriedade privada,
  1374. não vai ser tão eficiente
    em termos econômicos
  1375. como um sistema onde são, ou talvez
    nem mesmo tenha eficiência alguma.
  1376. Isso, como o argumento descreve,
    é por causa da necessidade de preço:
  1377. o mecanismo de preços.
  1378. O preço, que tem
    uma capacidade fluida
  1379. de permitir a troca de bens de
    praticamente qualquer tipo,
  1380. devido à indivisibilidade de seu valor,
    cria de fato um mecanismo de retorno
  1381. que liga a totalidade do sistema de
    mercado de um modo restrito.
  1382. O preço é uma maneira de alocar recursos
    escassos entre interesses conflitantes.
  1383. Preços, propriedade e dinheiro
    traduzem, em suma,
  1384. as preferências subjetivas
    de demanda
  1385. em valores de troca
    semi-objetivos.
  1386. Digo "semi" porque é apenas uma
    medida culturalmente relativa,
  1387. ausentes a maioria dos fatores que consideram
    a verdadeira eficiencia técnica
  1388. para um determinado
    material ou bem.
  1389. Não tem nada a ver com o que
    os materiais ou mercadorias são.
  1390. É apenas um mecanismo.
  1391. Talvez o único dado
    realmente técnico, na verdade,
  1392. que o preço abrange, de
    forma bem grosseira,
  1393. tenha a ver com a escassez de
    recursos e a energia de trabalho.
  1394. A escassez de recursos
    e energia de trabalho.
  1395. Você pode encontrar
    isso no valor do "preço".
  1396. Então neste contexto,
    a pergunta se torna:
  1397. Será possível criar
    um sistema que pode,
  1398. com eficiência
    igual ou melhor,
  1399. facilitar o retorno dos consumidores em
    relação às suas preferências, da demanda,
  1400. do valor do trabalho e da escassez
    de recursos ou de componentes
  1401. sem o sistema de preço ou os valores
    subjetivos de propriedade ou de troca?
  1402. E é claro que é possível.
  1403. O truque é eliminar
    completamente a troca
  1404. e criar uma ligação
    de controle e feedback direto
  1405. entre o consumidor e os
    próprios meios de produção.
  1406. O consumidor se torna parte
    dos meios de produção
  1407. e o "complexo industrial" se torna
    nada mais do que uma ferramenta
  1408. acessada pelo público
    para gerar bens.
  1409. Na verdade, conforme mencionado,
    esse mesmo sistema
  1410. pode ser usado para virtualmente
    qualquer cálculo societal
  1411. praticamente eliminando
    o governo, de fato,
  1412. e a política como
    a conhecemos.
  1413. É um processo participativo
    de tomada de decisão.
  1414. Entre parêntesis, na medida em
    que realmente sempre haverá
  1415. escassez de alguma
    coisa no mundo,
  1416. que é a própria base da existência do
    preço, do mercado e do dinheiro,
  1417. os seres humanos podem entender
    novamente a extrema necessidade
  1418. de existir em uma relação estável
    e constante com a natureza
  1419. e a espécie humana global
    para a sustentabilidade
  1420. cultural e ambiental,
    ou não.
  1421. Podemos ou continuar no mesmo
    caminho em que estamos agora
  1422. ou nos tornarmos
    mais conscientes,
  1423. responsáveis com o mundo
    e com os outros,
  1424. buscando a pós-escassez e usando
    as leis da natureza para a sustentabilidade
  1425. e a eficiência para decidirmos
    a melhor forma de alocar
  1426. nossa matéria-prima, ou não.
  1427. Mas eu acho que o dito
    caminho é o mais inteligente.
  1428. Digo isso porque este
    argumento dos recursos
  1429. sempre se resume à
    abstração da escassez.
  1430. Nunca especifica o que a
    escassez é em certos contextos.
  1431. Não separa a escassez,
    e isso é a sua falha fatal,
  1432. entre as necessidades
    e os desejos humanos.
  1433. Além disso, eu quero
    salientar outra falácia
  1434. sobre a propriedade privada
    dos meios de produção.
  1435. Uma falácia desse conceito amplo
    é o seu atraso cultural.
  1436. Hoje estamos vendo uma
    fusão de bens de capital,
  1437. bens de consumo
    e força de trabalho.
  1438. Máquinas estão substituindo
    a força de trabalho humano
  1439. tornando-se bens de capital
    e ao mesmo tempo
  1440. reduzindo seu tamanho para se
    tornarem bens de consumo.
  1441. Tenho certeza que quase todos nesta
    sala têm uma impressora em casa.
  1442. Quando você envia um arquivo para a
    impressora a partir de seu computador,
  1443. você está no controle de uma
    mini-versão de um meio de produção.
  1444. E quanto a
    impressoras 3D?
  1445. Em algumas cidades, hoje, já existem
    laboratórios de impressão 3D
  1446. onde as pessoas podem
    enviar seu projeto
  1447. para imprimir
    um objeto físico.
  1448. O modelo que eu vou descrever
    é uma ideia similar.
  1449. O próximo passo
    é a criação
  1450. de um complexo industrial
    estrategicamente automatizado,
  1451. localizado o mais próximo possível,
  1452. que se destine a produzir,
    através de meios automatizados,
  1453. a média de tudo que uma determinada
    região expressou demanda.
  1454. Pense nisso: produção sob
    demanda em uma escala maciça.
  1455. Considere, por um momento,
    quanto espaço de armazenamento,
  1456. energia e transporte
    e excedentes inúteis
  1457. seriam imediatamente eliminados
    por esta abordagem.
  1458. Eu acho que os dias da produção desperdiçante
    em massa e de economias de escala,
  1459. estão chegando
    ao fim.
  1460. Bem, se nós quisermos.
  1461. Este tipo de pensamento:
    cálculo econômico real,
  1462. no sentido mais técnico do termo.
  1463. Estamos calculando como ser tão
    tecnicamente eficientes e conservadores
  1464. quanto possível, que, de novo e quase
    paradoxalmente, é o que vai facilitar
  1465. uma abundância de acesso mundial, para
    atender todas as necessidades humanas e além.
  1466. Estrutura e processos.
  1467. Vou percorrer os
    três processos seguintes:
  1468. (1) A interface de design colaborativo
    e esquemática industrial;
  1469. (2) Gestão de recursos,
    feedback e valor; e
  1470. (3) Princípios gerais de sustentabilidade
    e de cálculo macro.
  1471. A interface de design colaborativo é,
    essencialmente, o novo mercado;
  1472. é um mercado de ideias.
  1473. Este sistema é o primeiro passo
    para tudo que seja de interesse produzir.
  1474. Pode ser iniciado por uma única pessoa,
    pode ser iniciado por uma equipe,
  1475. se você tem amigos e pretendem
    trabalhar em conjunto,
  1476. como as empresas funcionam;
    pode ser iniciado por todos.
  1477. É de linguagem aberta (open-source)
    e de acesso aberto.
  1478. E a sua ideia está aberta para a contribuição
    de qualquer pessoa interessada
  1479. nesse tipo de produto ou qualquer um
    que esteja on-line e que queira contribuir.
  1480. Obviamente, toma a forma
    de um site, como eu disse,
  1481. e da mesma forma, o que quer
    que exista como produto final,
  1482. tudo o que é colocado em
    produção, embora em teoria
  1483. tudo estará sob
    modificação constante,
  1484. mas o que foi aprovado, por assim dizer,
    é armazenado de forma digital
  1485. em um banco que disponibiliza
    o produto para todos.
  1486. Como uma espécie de
    catálogo de produtos,
  1487. exceto que contém todas
    as informações digitais
  1488. necessárias para produzi-las.
  1489. É assim que a
    demanda é avaliada.
  1490. A partir de feedback
    do usuário e é imediato.
  1491. Em vez, é claro, de
    fazer propaganda
  1492. e do sistema de proposta
    de produtos unidirecional
  1493. que temos hoje, onde as empresas basicamente
    dizem o que você deveria comprar,
  1494. com o público em geral
    indo com o fluxo,
  1495. favorecendo um bom componente
    ou funcionalidade usando o preço,
  1496. e se o público não gostar de algum produto,
    este, obviamente, não será mais produzido,
  1497. para podar a oferta
    e a demanda.
  1498. Este sistema funciona
    da maneira oposta.
  1499. Toda a comunidade tem
    a opção de apresentar ideias
  1500. para que todos possam
    ver, avaliar e acrescentar.
  1501. Qualquer coisa que não interessa
    simplesmente não será executada.
  1502. Não há teste nenhum aqui,
    como você vê no marketing,
  1503. o que é um desperdício
    incrível. É simples assim.
  1504. O mecanismo de proposta
  1505. será uma interface
    de design interativo
  1506. como vemos com Design por Computador,
    ou "CAD", como é chamado,
  1507. ou, mais especificamente,
    Engenharia Assistida por Computador
  1508. que é um processo
    sinérgico mais complicado.
  1509. Entre parêntesis, alguns veem programas
    de computador para realizar projetos
  1510. como muito demorados para
    aprender a utilizar, e de fato são,
  1511. mas, assim como os
    primeiros computadores
  1512. eram interfaces baseadas
    em códigos muito difíceis
  1513. que mais tarde foram substituídos
    por pequenos programas
  1514. com os ícones gráficos com os quais
    estamos todos tão familiarizados,
  1515. os futuros programas de CAD poderiam
    ser orientados exatamente da mesma forma
  1516. para se tornarem
    mais fáceis de utilizar.
  1517. Obviamente, nem todo mundo
    tem de se envolver com projetos.
  1518. Algumas pessoas, como a maioria hoje em dia,
    apenas aprecia o que já foi criado.
  1519. Eles absorvem e utilizam
    o que outras pessoas inventaram.
  1520. Portanto, haverá uma tendência menor de
    projetos falhos, de uma certa maneira.
  1521. Nem todo mundo vai querer exercer
    algum papel nesse tipo de projeto.
  1522. Mas muitos vão e muitos
    vão gostar do processo.
  1523. E você pode personalizar as coisas durante
    o processo, o que é uma grande vantagem.
  1524. Há diversas minúcias durante a produção de um
    produto as quais muita gente não faz nem ideia,
  1525. mas talvez a pessoa só
    queira mudar a cor e pronto.
  1526. Obviamente, isso não precisa
    de muito conhecimento.
  1527. Mais importante,
    tecnicamente falando,
  1528. a beleza desses programas
    de design e engenharia hoje,
  1529. é que incorporam
    simulações físicas avançadas
  1530. e outras propriedades da
    lei natural do mundo real.
  1531. Assim, um produto não é apenas
    visível como um modelo 3D estático.
  1532. Pode ser testado
    digitalmente ali mesmo.
  1533. E embora a capacidade de teste
    possa ser limitada hoje,
  1534. é simplesmente uma questão de foco
    para aperfeiçoar esses meios digitais.
  1535. Por exemplo, na indústria automobilística,
    muito antes das novas ideias serem construídas,
  1536. elas passam por processos
    de testes digitais similares
  1537. e não há nenhuma
    razão para acreditar
  1538. que não acabará sendo
    possível representar,
  1539. imitar e implementar,
    digitalmente,
  1540. praticamente todas as leis
    conhecidas da natureza,
  1541. e ser capaz de aplicá-las a diferentes contextos.
  1542. Da mesma forma,
    e isto é importante,
  1543. o desenho proposto no
    presente sistema é filtrado
  1544. através de uma série de protocolos
    de sustentabilidade e eficiência
  1545. que se relacionam não só
    à situação do mundo natural
  1546. mas também ao
    sistema industrial total,
  1547. analisando o
    que é compatível.

  1548. Os processos de avaliação
    e sugestão incluiriam o seguinte:
  1549. durabilidade maximizada
    estrategicamente,
  1550. adaptabilidade,
  1551. padronização dos gêneros
    de componentes,
  1552. facilitação da reciclagem estrategica, como eu mencionei antes,
  1553. e facilitação estratégica
    do projeto em si,
  1554. tornando-os propícios para
    automação do trabalho.
  1555. Vou passar por cada
    tópico rapidamente.
  1556. Durabilidade significa apenas
  1557. construir os produtos tão resistentes
    e tão duradouros quanto é relevante.
  1558. Os materiais utilizados, considerando
    possíveis substituições,
  1559. devido aos níveis de escassez e outros fatores,
  1560. seriam calculados dinamicamente,
  1561. de fato automaticamente
  1562. pelo sistema de projetos,
  1563. para que sejam os mais propícios a um
    padrão de durabilidade otimizada.
  1564. Adaptabilidade.
  1565. Isto significa o estado mais
    elevado de flexibilidade
  1566. para a substituição
    de componentes.
  1567. Alguém viu essa coisa
    chamada "Phonebloks"?
    [phonebloks.com]
  1568. Brilhante.
  1569. No caso de um componente
    de qualquer produto quebrar
  1570. ou ficar ultrapassado, o projeto
    facilita, sempre que possível,
  1571. que tais componentes sejam
    facilmente substituídos
  1572. para maximizar a vida útil
    do produto como um todo.
  1573. Padronização dos gêneros
    de componentes.
  1574. Quaisquer novos projetos deverão estar
    em conformidade com ou substituir,
  1575. caso estejam desatualizados,
  1576. componentes que,
    ou já são muito utilizados,
  1577. ou estão ultrapassados devido a uma
    relativa falta de desempenho.
  1578. Muitos não sabem, mas em 1801
    um homem chamado Eli Whitney
  1579. foi o primeiro a realmente aplicar
    a padronização na produção.
  1580. Ele fazia mosquetes e na
    época eram feitos à mão,
  1581. e eles não eram intercambiáveis.
  1582. Então se alguma peça
    do mosquete quebrasse
  1583. não podia ser trocada por uma
    peça de outro mosquete.
  1584. Ele foi o primeiro até a criar as
    ferramentas para isso
  1585. e foi o que basicamente começou todo
    o processo de padronização,
  1586. e os militares dos EUA eram então capazes
    de comprar grandes lotes de mosquetes e
  1587. repor suas peças.
    Era muito mais sustentável,
  1588. mesmo sendo para
    matar pessoas. (risos)
  1589. O que é interessante para os militares,
    porque se você pensar nisso,
  1590. as forças armadas são um dos
    sistemas mais eficientes do planeta
  1591. porque não há economia de mercado.
  1592. Se você realmente quer olhar
    onde a eficiência industrial nasceu,
  1593. por mais que eu não goste deles,
    foi justamente com os militares
  1594. que houve o máximo
    de aproveitamento [de recursos].
  1595. De qualquer forma, essa lógica não se
    aplica apenas a um determinado produto,
  1596. é aplicada a todos os gêneros
    produzidos: padronização.
  1597. Inclusive, essa eficiência nunca vai
    acontecer em uma economia de mercado
  1598. com a sua base na concorrência,
    já que a tecnologia proprietária
  1599. remove toda essa eficiência
    colaborativa. Ninguém quer isso.
  1600. Ninguém quer
    compartilhar tudo assim.
  1601. Caso contrário, as pessoas não teriam
    que voltar para a empresa de origem
  1602. e comprar a peça, elas
    iriam para outro lugar
  1603. onde têm acesso através
    de outros meios.
  1604. Facilitação da reciclagem.
  1605. Como observado anteriormente, isso significa
    que tudo deve estar em conformidade com
  1606. o estado das possibilidades
    de regeneração.
  1607. O desmonte de qualquer
    produto deve ser previsto
  1608. e pensado da maneira
    mais otimizada
  1609. e facilitar a automação
    de trabalho.
  1610. Isto significa que o
    estado atual da produção
  1611. automatizada otimizada é
    diretamente levado em conta,
  1612. buscando refinar
    o processo
  1613. (perdão), buscando refinar
    o projeto que é apresentado
  1614. para que seja mais favorável para
    o estado atual de produção
  1615. com a menor quantidade de trabalho
    ou monitoramento humano.
  1616. Procuramos simplificar a maneira que os
    materiais e os meios de produção são usados
  1617. de modo que o número máximo de
    produtos podem ser produzidos
  1618. com a menor variação de materiais e
    equipamentos de produção.
  1619. É um ponto muito importante.
  1620. Esses cinco fatores serão
    o que nós podemos chamar
  1621. de Função de Eficiência de Projeto
    Otimizado, em termo técnico.
  1622. Tenha isso em mente pois retornarei
    a este assunto em um momento.
  1623. Passando para o complexo industrial, o layout.
  1624. Ou seja, a rede de instalações
    que é diretamente conectada
  1625. ao sistema de projetos e banco de dados
    que acabei de descrever.
  1626. Basicamente os servidores, a produção,
    a distribuição e a reciclagem.
  1627. Além disso, teríamos que relacionar
    o estado atual dos recursos,
  1628. de importância crítica, de acordo com
    a rede global de gestão de recursos,
  1629. outra camada, a qual também
    vou descrever em um momento.
  1630. Produção.
  1631. No caso, o ato de
    produzir evoluiria,
  1632. pois, como dito antes,
    fábricas automatizadas
  1633. seriam cada vez mais
    capazes de produzir mais
  1634. com menos insumos materiais e menos máquinas:
    a chamada "Efemerização".
  1635. Se pudermos remover questões complexas
    desnecessárias dentro de um projeto
  1636. Podemos aprofundar ainda mais
    esta tendência à eficiência.
  1637. Com níveis cada vez mais baixos de impacto
    ambiental e utilização de recursos,
  1638. enquanto maximizamos nosso
    potencial de produção de abundância.
  1639. O número de unidades de produção,
  1640. seja homogêneo ou heterogêneo,
    como eles seriam chamados,
  1641. seriam distribuídos estrategicamente
    baseados de acordo
  1642. com a topografia e estatísticas demográficas,
    coisas muito simples.
  1643. Não é diferente do que como
    supermercados funcionam hoje
  1644. onde eles tentam manter
    distâncias médias
  1645. entre grupos de pessoas e bairros
    da melhor forma possível.
  1646. Você pode chamar isso de
    "estratégia de proximidade",
  1647. que eu vou falar novamente
    em um momento.
  1648. Distribuição.
  1649. Pode ser efetuada diretamente
    através da unidade de produção
  1650. como no caso de uma produção por
    demanda única e personalizada
  1651. ou pode ser enviada para uma
    "biblioteca" de distribuição
  1652. para o acesso do público em massa,
  1653. com base na demanda e
    interesse naquela região.
  1654. O sistema de "biblioteca" é o lugar
    onde os bens podem ser obtidos.
  1655. Alguns produtos podem ser
    propícios à baixa demanda
  1656. e produção personalizada
    e alguns não serão.
  1657. A comida é um exemplo fácil de uma
    necessidade de produção em massa,
  1658. enquanto uma peça única
    de mobilia sob medida
  1659. viria diretamente das instalações industriais,
    quando fosse produzida.
  1660. Eu suspeito que este processo
    de produção por demanda,
  1661. o qual será igualmente tão utilizado
    quanto a produção em massa,
  1662. será uma enorme vantagem.
  1663. Como se observa, a produção
    por demanda é mais eficiente
  1664. uma vez que os recursos vão ser
    utilizados para a demanda exata
  1665. em oposição à produção em
    grandes lotes que fazemos hoje.
  1666. Distribuição
  1667. Desculpe-me, deveria dizer
  1668. E no contexto de distribuição:
    Biblioteca de Distribuição.
  1669. O inventário é avaliado em trocas
    diretas de informação e feedback
  1670. entre a produção,
    distribuição e demanda.
  1671. Se isso não faz sentido para você,
    você só precisa pensar em
  1672. como funciona o rastreamento e
    gerenciamento de inventário
  1673. de qualquer grande centro de
    distribuição comercial atual,
  1674. com, naturalmente, alguns ajustes
    feitos para este novo modelo.
  1675. Nós já fazemos este
    tipo de atividade.
  1676. E independentemente do local para onde
    este produto está destinado a ir,
  1677. se é personalizado ou não, para
    bibliotecas ou para um usuário direto,
  1678. este ainda é um
    sistema de acesso.
  1679. Em outras palavras, a qualquer momento,
    o utilizador desse produto personalizado
  1680. pode devolver o item
    para reprocessamento
  1681. assim como a pessoa que obteve
    algo da biblioteca pode também.
  1682. Uma vez que, como observado anteriormente,
    o produto foi pré-otimizado
  1683. - Todos os bens são pré-otimizados
    para reciclagem inteligente -
  1684. as instalações de reciclagem serão,
    na verdade, construídas diretamente
  1685. na unidade de produção ou de acordo com
    o gênero da unidade de produção,
  1686. dependendo do número de
    instalações que você precisa
  1687. para atender à variedade de demanda.
  1688. Portanto, não há lixo aqui:
    se é um telefone,
  1689. um sofá, um computador,
    uma jaqueta ou um livro,
  1690. tudo volta ao local de onde foi produzido
    para reprocessamento direto.
  1691. Idealmente, esta é uma
    economia de desperdício zero.
  1692. Gestão de Recursos, feedback e valor.
  1693. O processo de desenho assistido
    por computador e engenharia
  1694. obviamente não existe no vácuo.
  1695. Processando a demanda requisitada a partir
    dos recursos naturais disponíveis.
  1696. Assim, ligado a este processo de
    projeto e literalmente inserido
  1697. na Função de Eficiência de Projeto Otimizado,
    a qual observamos antes,
  1698. está a dinâmica troca de informações
  1699. a partir de um sistema de
    gerenciamento em escala global
  1700. o qual nos dá dados sobre
    todos os recursos relevantes
  1701. que contabilizam todas
    as demandas e produções.
  1702. Hoje, a maioria das grandes indústrias
    mantém dados periódicos
  1703. de seus materiais no que diz respeito
    à quantidade que elas possuem,
  1704. mas evidentemente é difícil
    determinar o total [global]
  1705. devido à existência de segredos
    corporativos e coisas semelhantes.
  1706. Mas ainda assim é feito.
  1707. Na proporção em que
    é tecnicamente possível,
  1708. todos os recursos seriam
    rastreados e monitorados,
  1709. o mais próximo do
    tempo real possível.
  1710. Por quê? Principalmente porque
    temos de manter o equilíbrio
  1711. com processos de regeneração da Terra,
    em todos os momentos,
  1712. ao mesmo tempo que, como dito antes,
    trabalharíamos para maximizar estrategicamente
  1713. a utilização de materiais
    mais abundantes,
  1714. enquanto tentaríamos minimizar
  1715. qualquer recurso que
    tivesse perigo de escassez.
  1716. Valor.
  1717. Como medida do valor,
    as duas medidas dominantes,
  1718. que serão constantemente submetidas
    a novos e dinâmicos cálculos
  1719. através do feedback, à medida
    que a indústria se desenvolve,
  1720. é "escassez" e "complexidade do trabalho."
  1721. Ao valor de escassez,
    sem um sistema de mercado,
  1722. pode ser atribuído
    um valor numérico,
  1723. dizer, de 1 a 100.
  1724. 1 denotaria a
    escassez mais grave
  1725. no que diz respeito à
    taxa atual de utilização,
  1726. e 100 a menos grave.
  1727. 50 marcaria a linha divisória
    de estado estacionário.
  1728. Por exemplo, se a
    utilização de madeira chega
  1729. abaixo do nível de
    equilíbrio de 50,
  1730. o que significaria o
    consumo está superando
  1731. a taxa de regeneração
    natural da Terra,
  1732. isso resultaria em um
    movimento de retenção,
  1733. tal como o processo de
    substituição de materiais,
  1734. encontrando alternativas
    para substituição da madeira,
  1735. em quaisquer
    produções futuras.
  1736. E, se você é daquela mentalidade de
    livre mercado, ouvindo isso
  1737. vai provavelmente se opor a este ponto,
    dizendo "sem um sistema de preços,
  1738. como você pode comparar o valor de um
    material com outro ou com vários materiais?"
  1739. Simples: você organiza gêneros
  1740. ou grupos de materiais
    com utilidades similares
  1741. e quantifica, da melhor maneira possível,
    as suas propriedades relacionadas
  1742. e grau de eficiência
    para um determinado fim.
  1743. Em seguida, você aplica um espectro geral
    de valores numéricos
  1744. a essas relações também.
  1745. Por exemplo, há um
    espectro de metais
  1746. que têm diferentes eficiências
    de condutividade elétrica.
  1747. Estas eficiências podem
    ser quantificadas.
  1748. Se elas podem ser quantificadas,
    elas podem ser comparadas.
  1749. Então, se o cobre vai abaixo do valor médio
    de 50 em relação à sua escassez,
  1750. cálculos são desencadeados
    pelo programa de gerenciamento
  1751. para comparar o estado de outros materiais
    favoráveis na sua base de dados,
  1752. comparar o seu nível de
    escassez e sua eficiência,
  1753. preparando para a substituição,
    e esse tipo de informação
  1754. é enviada diretamente de
    volta para os projetistas.
  1755. Naturalmente, este tipo de raciocínio
    pode ficar extremamente complicado,
  1756. como são inúmeros recursos e
    inúmeras eficiências e propósitos,
  1757. e é exatamente por isso que ele é calculado
    por uma máquina, não pessoas,
  1758. e é também por isso que
    supera o sistema de preços,
  1759. quando se trata de verdadeira consciência
    dos recursos e gestão inteligente.
  1760. Complexidade de Trabalho.
  1761. Isto significa simplesmente estimar a
    complexidade de uma determinada produção.
  1762. Complexidade, no contexto de uma
    indústria orientada à automação,
  1763. pode ser quantificada
    definindo e comparando
  1764. o número de etapas do
    processo, por assim dizer.
  1765. Qualquer bem de produção
    pode ser prefigurado
  1766. sobre quantas "etapas de produção" ele irá
    requerer antes do ato de produzir.
  1767. Ele pode, então, ser comparado
    a outros bens de produção,
  1768. de preferência no mesmo gênero,
    para uma avaliação quantificável.
  1769. Em outras palavras, as unidades
    de medida são as etapas.
  1770. Por exemplo, uma cadeira que pode
    ser moldada em 3 minutos,
  1771. a partir de polímeros em um
    simples processo terá um menor
  1772. valor de complexidade de trabalho do que
    uma cadeira que requer montagem automatizada,
  1773. uma cadeia produtiva mais trabalhosa
    com utilização de materiais diferentes.
  1774. Caso o valor de um determinado processo
    seja muito complexo
  1775. ou ineficiente em termos do que é
    atualmente possível em produção
  1776. ou muito ineficiente em comparação
    a outro projeto já existente
  1777. da mesma natureza; o projeto,
    juntamente com outros parâmetros,
  1778. seria sinalizado para
    ser reavaliado.
  1779. Tudo isso viria de informações de feedback
    da interface de Projetos,
  1780. e não há nenhuma razão para supor que,
    com o avanço contínuo
  1781. em IA, inteligência artificial,
  1782. [o sistema] de feedback não só
    destacaria o problema
  1783. mas também daria
    sugestões ou substituições
  1784. para melhor entendimento,
    diretamente na interface.
  1785. Macro-cálculo.
  1786. Vamos colocar alguns
    destes raciocínios juntos.
  1787. Espero que todos tenham
    paciência comigo. (risos)
  1788. Se o objetivo for
    analisar um bom projeto
  1789. na forma mais ampla possível no que
    diz respeito ao desdobramento industrial,
  1790. acabaríamos com cerca de
    quatro funções ou processos
  1791. cada relativa aos quatro estágios
    dominantes e contínuos de projeto,
  1792. produção, distribuição e reciclagem.
  1793. As seguintes proposições devem ser
    óbvias o suficiente como regra estrutural.
  1794. Todos os Projetos de produto devem
    adaptar-se à eficiência do projeto otimizado.
  1795. Todos eles devem se adaptar a
    eficiência da produção otimizada.
  1796. Eles devem se adaptar a
    eficiência da distribuição otimizada,
  1797. e eles devem se adaptar a
    eficiência de reciclagem otimizada.
  1798. Parece redundante, mas é assim
    que temos que pensar nisso.
  1799. Aqui é um esquema linear de blocos e
    a representação simbólica da lógica,
  1800. que incorpora os
    sub-processos ou funções
  1801. as quais irei simplificar
    de forma bem genérica.
  1802. Processo 1: O Projeto (Design).
  1803. Eficiência do projeto otimizado.
  1804. A concepção do produto deve atender
    ou adaptar-se a um conjunto de critérios
  1805. pelo o que chamamos os
    padrões de eficiência atuais.
  1806. Este processo eficiência tem
    cinco sub processos avaliativos,
  1807. como observado anteriormente
    na apresentação:
  1808. durabilidade, capacidade de
    adaptação, a estandardização
  1809. reciclagem inteligente, maximização
    inteligente da automação.
  1810. Uma maior simplificação dessas
    variáveis e associações lógicas
  1811. pode ser feita, figurativamente,
  1812. mas não acho que seja
    propício para esta apresentação
  1813. pois estaríamos nos perdendo
    em minúcias reducionistas,
  1814. mas este material será desenvolvido
    muito mais e colocado
  1815. no livro anteriormente citado,
    e estará disponível gratuitamente.
  1816. Vou tentar fazer o meu melhor para demonstrar
    o processo de eficiência geral aqui.
  1817. Então por fim, tratando-se deste processo
    de Eficiência do Projeto Otimizado
  1818. chegamos a esta função
    de projeto no topo.
  1819. Só para demonstrar, vou listar todos
    os significados de cada função no final.
  1820. Passamos para
    o processo 2.
  1821. Eficiência da produção.
  1822. Em suma, este
    é o filtro digital
  1823. que aloca o projeto para um dos
    dois tipos de instalações de produção:
  1824. Uma de alta demanda
    ou produção em massa,
  1825. e outra de demanda menor,
    personalizada ou sob medida.
  1826. A primeira utiliza automação
    fixa, o que quer dizer
  1827. produção sem variações,
    ideal para alta demanda.
  1828. E a segunda utiliza
    automação flexível,
  1829. a qual pode fazer uma variedade de coisas,
    geralmente mais eficiente em pequenas tiragens.
  1830. Esta é uma distinção
    que é comumente feita
  1831. em produções tradicionais.
  1832. Esta estrutura supõe apenas
    dois tipos de instalações,
  1833. mas, obviamente, poderia haver mais,
    baseadas em outros fatores de produção.
  1834. Entretanto se as regras do processo
    projetual forem respeitadas,
  1835. como dito antes, é provável que não haja
    muitas variações [em tipos de instalações]
  1836. Ao longo do tempo, as coisas
    ficam cada vez mais simples.
  1837. Vou resumir rapidamente
    para aqueles
  1838. que gostam de
    coisas simplificadas:
  1839. Todos os projetos de
    produtos são filtrados por
  1840. uma Determinação Classificatória
    de Demanda, processo "D".
  1841. O processo de Determinação Classificatória
    de Demanda faz a filtragem
  1842. com base nas normas estabelecidas
    para baixa ou alta demanda.
  1843. Todos os projetos de
    produtos de baixa demanda
  1844. serão fabricados pelo processo
    de automação flexível.
  1845. Todos os projetos de
    produtos de alta demanda
  1846. serão fabricados pelo
    processo de automação fixa.
  1847. Além disso, os projetos de Produtos,
  1848. tanto de baixa quanto de alta demanda,
  1849. serão distribuídos regionalmente de
    acordo com a estratégia de proximidade
  1850. da instalação de fabricação.
    Isto significa simplesmente
  1851. vamos manter as coisas o mais perto possível,
    tanto baseado na distância média
  1852. de qualquer demanda, quanto no tipo
    de instalação que você está usando.
  1853. Isso vai mudar ao longo do tempo de
    acordo com mudanças populacionais,
  1854. portanto continuamos atualizando.
  1855. Processo 3.
  1856. Depois que processo 2 for concluído,
  1857. o projeto do produto é
    agora um produto físico
  1858. e será alocado de acordo com a
    Eficiência de Distribuição Otimizada.
  1859. Em suma, todos os produtos
    são previamente alocados
  1860. com base na Determinação Classificatória
    de Demanda, citada anteriormente.
  1861. Assim, produtos de baixa demanda
    seguem o processo de distribuição direta.
  1862. Produtos de alta demanda seguem
    o processo de distribuição em massa,
  1863. que, neste caso, seriam
    as "Bibliotecas de Acesso".
  1864. Ambos os produtos, de
    baixa e alta demanda,
  1865. serão atribuídos regionalmente
    pela estratégia de proximidade.
  1866. E o processo 4, muito simples: o produto
    passa por seu período de vida útil.
  1867. Idealmente, este foi atualizado e
    adaptado, utilizado em sua plenitude
  1868. e feito da forma mais avançada
    tecnologicamente possível dentro sua vida útil.
  1869. E ao perder sua função e tornar-se
    obsoleto, passamos para o processo 4,
  1870. que é a Eficiência de Reciclagem Otimizada.
  1871. Todos os produtos obsoletos
    seguirão um protocolo regenerativo
  1872. que é um sub-processo que
    eu não vou me aprofundar
  1873. pois é bastante complexo,
  1874. e cujo papel cabe aos engenheiros
    em desenvolver ao longo do tempo.
  1875. Esta é apenas uma simples
    macro-representação
  1876. uma vez que estas sub-variáveis e
    sub-processos são ainda mais amplos.
  1877. Mantendo tudo isto em mente, mais uma
    vez, grande quantidade disso estará no livro,
  1878. e espero que outras pessoas
    que sejam proficientes nisso
  1879. e que estejam de acordo com este tipo de pensamento,
    possam ver este material
  1880. e aprimorar mais, aperfeiçoar
    essas equações e relações.
  1881. O que eu tentei fazer
    aqui é mostrar um esboço
  1882. de como este tipo de
    coisa se desenvolve.
  1883. E como conclusão eu
    diria, mais ou menos,
  1884. que este esboço de
    sustentabilidade e eficiência,
  1885. é uma coisa muito
    simples e lógica.
  1886. Você não tem que ser um cientista
    para entender como as coisas funcionam.
  1887. A criação de um programa real que
    pode calcular e levar em consideração
  1888. centenas, se não milhares de
    sub-processos, de forma algorítmica,
  1889. os quais dizem respeito a um
    complexo econômico é, de fato,
  1890. um grande projeto em si, mas
    é mais um projeto tedioso.
  1891. Você não precisa ser um gênio
    para conceber uma coisa dessas.
  1892. Acho que este é um excelente
    programa para 'Think Tanks'
  1893. para todos que estejam
    interessados em projetos.
  1894. Eu tenho vários pequenos projetos
    que estou tentando por em prática
  1895. quando eu tiver tempo, um deles se
    chama Instituto Global de Redesign (GRI),
  1896. que é uma abordagem
    macro-económica a fim de
  1897. redesenhar toda a superfície
    do planeta, basicamente.
  1898. E neste outro conceito de programação que
    nós criamos uma plataforma open source
  1899. onde as pessoas podem começar
    a projetar este mesmo programa
  1900. o qual acabei de descrever.
  1901. E é isso. Eu ia fazer uma conclusão
    para essa conversa,
  1902. mas já falei demais.
  1903. Portanto, espero que isso dê uma
    compreensão mais profunda do modelo
  1904. e como ele funciona e
    agradeço pela atenção.
  1905. [Aplausos]
  1906. [ A parte de perguntas e respostas ainda não está traduzida ]
    [ Agradecemos pela atenção e por assistir ao vídeo! ]
    [ Movimento Zeitgeist - movimentozeitgeist.com.br ]