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← Os últimos membros vivos de uma espécie extinta - Jan Stejskal

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Zeige Revision 8 erzeugt am 08/15/2020 von Leonardo Silva.

  1. Nas savanas do Quênia, duas fêmeas
    de rinoceronte-branco do norte,
  2. Nájin e Fatu,
  3. mastigam alegremente a grama.
  4. No momento da publicação deste vídeo,
  5. estes são os dois últimos
    rinocerontes-brancos do norte conhecidos
  6. que restaram na Terra.
  7. Sua espécie está praticamente extinta.
  8. Sem um macho, Nájin e Fatu
    não podem se reproduzir.
  9. Porém ainda há esperança de reviver
    o rinoceronte-branco do norte.

  10. De que maneira?
  11. A história começa há cerca de 50 anos,

  12. quando caçadores ilegais começaram a caçar
    milhares de rinocerontes em toda a África
  13. por seus chifres.
  14. Combinado com guerras civis
    em seu território,
  15. isso dizimou populações
    de rinocerontes-brancos do norte.
  16. Conservacionistas preocupados começaram
    a tentar reproduzi-los em cativeiro
  17. na década de 1970,
  18. coletando e armazenando sêmen de machos.
  19. Apenas quatro rinocerontes
  20. nasceram por meio do ambicioso
    programa de reprodução.
  21. Nájin e a filhote Fatu
    foram as duas últimas.
  22. Em 2014, conservacionistas descobriram
    que nenhuma das duas pode ter um filhote.

  23. Embora Nájin tenha dado à luz Fatu,
    ela agora tem patas traseiras fracas,
  24. o que pode prejudicar sua saúde
    se ela engravidar novamente.
  25. Fatu, por sua vez, tem
    revestimento uterino debilitado.
  26. Em seguida, o último macho da espécie
    de rinoceronte-branco do norte, Sudão,
  27. morreu em 2018.
  28. Mas havia um raio de esperança:
    a reprodução artificial.
  29. Sem machos vivos nem fêmeas
    capazes de engravidar,
  30. esse processo é complicado e arriscado,
    para dizer o mínimo.
  31. Embora cientistas
    houvessem armazenado sêmen,
  32. eles teriam que coletar os óvulos,
  33. um procedimento complexo
  34. que requer que a fêmea
    seja sedada por até duas horas.
  35. Depois, eles criariam
    um embrião viável no laboratório,
  36. algo que nunca havia sido feito,
    e ninguém sabia como fazer.
  37. Mesmo isso era apenas o começo.
  38. Uma mãe substituta
    de outra espécie de rinoceronte
  39. teria que carregar o embrião até o fim.
  40. Fêmeas de uma espécie
    intimamente relacionada,

  41. o rinoceronte-branco do sul,
  42. tornaram-se o segredo para desenvolver
    um embrião de rinoceronte em laboratório
  43. e também as candidatas principais
    a mães substitutas.
  44. Rinocerontes-brancos do norte e do sul
    se afastaram há cerca de um milhão de anos
  45. e se tornaram espécies distintas,
    embora ainda intimamente relacionadas.
  46. Eles habitam regiões diferentes
  47. e têm características físicas
    ligeiramente diferentes.
  48. Em uma feliz coincidência,
    várias fêmeas de rinoceronte-branco do sul

  49. precisaram de tratamento
    para seus problemas reprodutivos,
  50. e pesquisadores conseguiram coletar óvulos
    como parte desse tratamento.
  51. No zoológico Dvůr Králové,
    em outubro de 2015,
  52. especialistas do IZW Berlin
  53. começaram a coletar óvulos
    de rinocerontes-brancos do sul
  54. e enviá-los para Avantea, um laboratório
    de reprodução animal na Itália.
  55. Lá, cientistas desenvolveram
    e aperfeiçoaram uma técnica
  56. para criar um embrião viável.
  57. Depois de dominar a técnica,

  58. pesquisadores extraíram os óvulos
    de Nájin e Fatu em 22 de agosto de 2019
  59. e os enviaram para a Itália.
  60. Três dias depois,
    eles fertilizaram os óvulos
  61. com esperma de um macho
    de rinoceronte-branco do norte.
  62. Depois de outra semana, dois dos óvulos
    chegaram ao estágio de desenvolvimento
  63. em que o embrião pode ser congelado
    e preservado para o futuro.
  64. Outra coleta em dezembro de 2019
    produziu mais um embrião.
  65. A partir do início de 2020,
  66. o plano é coletar os óvulos
    de Nájin e Fatu três vezes por ano,
  67. se estiverem saudáveis ​​o bastante.
  68. Enquanto isso, pesquisadores procuram

  69. mães substitutas promissoras
    do rinoceronte-branco do sul,
  70. de preferência que já tenham
    engravidado antes.
  71. O plano de barriga de aluguel
    é um ato de fé.
  72. Rinocerontes-brancos
    do sul e do norte se cruzaram
  73. durante o último período glacial
    e, mais recentemente, em 1977.
  74. Portanto, pesquisadores estão otimistas
    de que um rinoceronte-branco do sul
  75. consiga carregar até o fim
    um rinoceronte-branco do norte.
  76. Além disso, as gestações
    das duas espécies têm a mesma duração.
  77. Ainda assim, transferir um embrião
    para um rinoceronte é complicado
  78. por causa do formato do colo do útero.
  79. O objetivo final, que levará décadas,

  80. é estabelecer uma população reprodutora
    de rinocerontes-brancos do norte
  81. em sua região geográfica original.
  82. Estudos sugerem que temos amostras
    de espécimes suficientes
  83. para recriar uma população
  84. com a diversidade genética
    que a espécie tinha um século atrás.
  85. Embora os detalhes exatos
    desse esforço sejam únicos,

  86. à medida que mais espécies enfrentam
    perigo crítico ou extinção funcional,
  87. também são um campo de discussão
    para questões importantes:
  88. será que temos a responsabilidade
    de tentar salvar as espécies,
  89. principalmente quando foi a própria
    ação humana que as colocou em perigo?
  90. Será que há limites para o esforço
    que devemos empregar
  91. para salvar animais ameaçados de extinção?