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← O mito de Loki e o azevinho mortal — Iseult Gillespie

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Zeige Revision 4 erzeugt am 12/06/2020 von Margarida Ferreira.

  1. Baldur — filho de Odin, o Pai de Todos
    e da Rainha Frigg,
  2. marido de Nanna, a Pacífica
    e deus da verdade e da luz —
  3. era o ser mais gentil
    e mais adorado de toda a Asgard.
  4. No seu grande salão de Breidablik,
  5. a presença calmante de Baldur
    amenizava as preocupações dos seus súbditos.
  6. Mas, ultimamente, estava a ser perseguido
    por graves problemas.
  7. Todas as noites,
    Baldur tinha visões macabras
  8. que lhe anunciavam a sua morte iminente.
  9. Determinada a proteger o seu filho
    dessas profecias sombrias,

  10. a Rainha Frigg percorreu nove reinos,
  11. implorando a todos os seres vivos
    que não fizessem mal a Baldur.
  12. A sua graciosidade comoveu
    todos os seres que ela encontrou.
  13. Todos os animais e elementos,
    todas as pragas e plantas,
  14. todas as folhas e insetos
  15. comprometeram-se de bom grado.
  16. Frigg regressou a Breidablik e organizou
    um grande banquete para festejar

  17. O vinho corria sem restrições
    e, em breve, os deuses revezaram-se
  18. para testar
    a imunidade de Baldur.
  19. Espreitando do seu canto,
    Loki revirava os olhos.
  20. O deus mais vigarista
    nunca apreciara Baldur o Brilhante
  21. e achava aquele novo dom
    profundamente irritante.
  22. Certamente havia qualquer falha
    no plano de Frigg.
  23. Assumindo a forma duma velha,

  24. Loki arrastou-se até perto de Frigg
    e fingiu-se confuso.
  25. "Porque é que os deuses atacavam
    o simpático Baldur,
  26. "que era tão amado por toda a gente?"
  27. Frigg contou-lhe os juramentos,
    mas a velha pressionou-a.
  28. "Certamente não recebeste
    uma jura de tudo", perguntou.
  29. Frigg encolheu os ombros.
  30. O único ser que ela não tinha
    visitado fora o azevinho.
  31. Afinal, o que é que um deus podia recear
    duma erva tão insignificante?
  32. Aí, Loki esgueirou-se para o exterior
    para procurar um rebento de azevinho.

  33. Quando regressou, a balbúrdia
    da festa era cada vez maior.
  34. Mas nem todos os deuses
    estavam a divertir-se na festa.
  35. Hodur, o irmão de Baldur, que era cego
    e não tinha armas, sentia-se deprimido.
  36. Aproveitando essa oportunidade,
  37. o vigarista ofereceu sorrateiramente
    a Hodur uma hipótese de participar.
  38. Loki armou-o com o azevinho,
    guiou-o na direção do irmão,
  39. e disse a Hodur para o atingir
    com toda a força.
  40. O azevinho penetrou no peito de Baldur
    com uma força mortal.

  41. A luz do deus extinguiu-se rapidamente
    e o desespero percorreu a multidão.
  42. Em pouco tempo, o impacto
    da morte de Baldur
  43. repercutiu-se pelos nove reinos.
  44. Mas Hermod o Bravo destacou-se
    do meio das massas chorosas.
  45. O deus guerreiro acreditava que,
    com a ajuda do poderoso corcel de Odin,
  46. não havia planície
    onde não pudesse chegar.
  47. Iria até aos salões da própria Hel,
    e trazer Baldur para casa.
  48. O deus cavalgou durante nove dias
    e nove noites,

  49. transpôs salões de cadáveres
    e caminhos juncados de ossos.
  50. Quando finalmente chegou
    à Rainha do Mundo Subterrâneo,
  51. Hermod implorou-lhe que devolvesse
    Baldur à sua família.
  52. Hel dispôs-se a mostrar compaixão,
  53. mas queria saber qual a extensão
    do desgosto dos deuses.
  54. Concordou em libertar a alma de Baldur
  55. se Hermod pudesse provar

  56. que todos os seres vivos
    choravam a morte de Baldur.
  57. Hermod regressou ao reino dos vivos.
  58. Encontrou-se com todas as criaturas
    que Frigg tinha visitado anteriormente
  59. — todas elas choravam Baldur
    e imploravam o seu regresso.
  60. Entretanto, Loki observava
    a missão de Hermod com desdém.
  61. Não ia deixar que o seu trabalho
    fosse desfeito facilmente
  62. mas, se interferisse demasiado,
  63. podia revelar o seu papel
    no assassínio de Baldur.
  64. Disfarçando-se de gigante feroz,
    escondeu-se na última paragem de Hermod.

  65. Quando o guerreiro chegou,
  66. o vento sibilante e as rochas escarpadas
    declararam o seu amor por Baldur.
  67. Mas o gigante só demonstrou
    desprezo pelo falecido.
  68. Por mais que Hermod implorasse,
    ele não derramou uma única lágrima.

  69. Frustrada a sua última esperança,
  70. o deus começou a chorar Baldur
    uma segunda vez.
  71. Mas um eco da gruta
    sobressaiu acima dos seus soluços.
  72. O cacarejar de Loki era bem conhecido
    de todos os habitantes de Asgard,
  73. e Hermod percebeu
    que tinha sido enganado.
  74. Quando deu um salto
    para apanhar o vigarista,
  75. Loki tomou a forma de um salmão
    e mergulhou na cascata.
  76. Ali ficou protegido
    até Thor chegar ao local.

  77. Arrastando Loki para a gruta,
  78. os deuses amarraram-no
    com uma serpente venenosa.
  79. Ali, Loki ficaria acorrentado
    até ao final dos tempos
  80. — com a serpente a pingar veneno
    na testa dele, como castigo
  81. por ele ter apagado a luz
    mais brilhante de Asgard.