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Zeige Revision 5 erzeugt am 12/04/2020 von Margarida Ferreira.

  1. Atualmente, a maioria dos refugiados
    vive nas cidades,
  2. e não em campos de refugiados.
  3. Nós representamos mais de 60%
  4. do número de refugiados globalmente.
  5. Com a maioria dos refugiados
    a viver em áreas urbanas
  6. há uma grande necessidade de mudança
    de paradigma e de pensamento.
  7. Em vez de gastar dinheiro
    a construir muralhas,
  8. seria melhor gastá-lo em programas
  9. para ajudar os refugiados
    a ajudarem-se a si próprios.
  10. (Aplausos)

  11. Temos sempre de deixar para trás
    todas as nossas posses,

  12. mas não as nossas
    aptidões e conhecimentos.
  13. Se nos permitirem
    viver uma vida produtiva,
  14. os refugiados podem
    assistir-se a si mesmos
  15. e contribuir para o desenvolvimento
    do seu novo país.
  16. Eu nasci numa cidade chamada Bukavu,

  17. a sul de Kivu,
  18. na República Democrática do Congo.
  19. Sou o quinto numa família de 12 filhos.
  20. O meu pai, um mecânico de profissão,
  21. trabalhou muito
    para me mandar para escola.
  22. Assim como qualquer outro jovem,
  23. eu tinha muitos planos e sonhos.
  24. Eu queria terminar os meus estudos,
  25. conseguir um bom emprego,
  26. casar-me e ter filhos
  27. e sustentar a minha família.
  28. Mas isso não aconteceu.
  29. A guerra na minha terra
    forçou-me a fugir para o Uganda em 2008,
  30. há nove anos.
  31. A minha família juntou-se
    a um êxodo constante de refugiados,
  32. que se estabeleceu
    na capital do Uganda, Kampala.
  33. No meu país,
  34. já vivia na cidade
  35. e achámos que Kampala era muito melhor
    que um campo de refugiados.
  36. Aos refugiados nas cidades

  37. sempre foi negada
    assistência internacional,
  38. mesmo após o seu reconhecimento,
    em 1997, pelo ACNUR,
  39. o Alto Comissariado das Nações Unidas
    para os Refugiados.
  40. Além da pobreza que enfrentávamos
  41. tal como os pobres locais e urbanos,
  42. tivemos de enfrentar desafios
    devido ao nosso estatuto de refugiados,
  43. como, por exemplo, a barreira linguística.
  44. No Congo, o idioma oficial é o francês,
  45. mas, no Uganda, é o inglês.
  46. Nós não tínhamos acesso
    à educação e à saúde.
  47. Éramos expostos a perseguição,
  48. exploração, intimidação e descriminação.
  49. As organizações humanitárias,
  50. maioritariamente focadas
    na instalação formal em áreas rurais,
  51. não tinham nada em mente para nós.
  52. Mas nós não queríamos donativos.
  53. Queríamos trabalhar e sustentar-nos.
  54. Juntei-me a dois colegas meus exilados

  55. e criámos uma organização
    para ajudar outros refugiados.
  56. YARID, Jovens Africanos Refugiados
    para o Desenvolvimento Integral,
  57. começou como uma conversa
    dentro da comunidade congolense.
  58. Perguntámos à comunidade
  59. como eles se podiam organizar
    para resolver estes problemas.
  60. Os programas do YARID
    para apoios evoluem por etapas,
  61. progredindo de uma comunidade de futebol,
  62. para a língua inglesa
  63. e para meios de subsistência,
    através da costura.
  64. O futebol mudou a energia
  65. dos jovens desempregados
  66. e conectou pessoas
    de comunidades diferentes.
  67. As aulas grátis de inglês
  68. capacitaram as pessoas para
    se envolverem com a comunidade ugandesa
  69. permitindo-lhes conhecer os seus vizinhos
    e vender mercadorias.
  70. O programa de treino vocacional
    ofereceu aptidões de subsistência
  71. e, com eles, oportunidades importantes
    de autossuficiência económica.
  72. Vimos muitas famílias
  73. tornarem-se autossustentáveis.
  74. Vimos quem já não precisa da nossa ajuda.

  75. À medida que os programas
    do YARID se expandiam,
  76. uma maior variedade de nacionalidades
    foram sendo incluídas,
  77. congoleses, ruandeses, burundianos,
  78. somalis, etíopes, sul-sudaneses.
  79. Hoje, o YARID já apoiou mais de
    3000 refugiados em Kampala
  80. e continua a apoiar mais.

  81. (Aplausos)

  82. Os refugiados querem empoderamento,
    não donativos.
  83. Nós conhecemos a nossa comunidade
    melhor que ninguém.
  84. Nós compreendemos os desafios
    e as oportunidades que enfrentamos
  85. para nos tornarmos autossuficientes.
  86. Eu sei melhor que ninguém
  87. que as iniciativas criadas
    por refugiados funcionam.
  88. Elas precisam de ser internacionalmente
    reconhecidos e apoiados.
  89. Deem-nos o apoio que merecemos
  90. e pagaremos de volta com juros.

  91. Muito obrigado.

  92. (Aplausos)