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Zeige Revision 5 erzeugt am 02/23/2018 von Maricene Crus.

  1. Atualmente,
  2. a maioria dos refugiados vive nas cidades
  3. em vez dos campos de refugiados.
  4. Representamos mais de 60%
  5. do número de refugiados globalmente.
  6. Com a maioria dos refugiados
    vivendo em áreas urbanas,
  7. há uma grande necessidade de uma mudança
    de paradigma e de um novo pensamento.
  8. Em vez de desperdiçar dinheiro
    construindo muros,
  9. seria melhor usá-lo em programas
  10. para ajudar os refugiados a se ajudarem.
  11. (Aplausos)

  12. Sempre temos que deixar
    para trás todos os nossos pertences.

  13. Mas não as habilidades
    e o conhecimento.
  14. Se puderem viver uma vida produtiva,
  15. os refugiados podem se ajudar
  16. e contribuir com o desenvolvimento
    do país anfitrião.
  17. Eu nasci numa cidade chamada Bukavu,

  18. Kivu do Sul,
  19. na República Democrática do Congo.
  20. Sou o quinto de uma família de 12 filhos.
  21. Meu pai, mecânico de profissão,
  22. trabalhou muito para
    me mandar para a escola.
  23. Assim como muitos jovens,
  24. eu tinha muitos planos e sonhos.
  25. Queria concluir meus estudos,
  26. arrumar um bom emprego,
  27. casar e ter meus próprios filhos
  28. e sustentar minha família.
  29. Mas isso não aconteceu.
  30. A guerra na minha terra natal
    me forçou a fugir para a Uganda em 2008,
  31. nove anos atrás.
  32. Minha família se juntou
    a um êxodo fixo de refugiados
  33. que se estabeleceu
    na capital da Uganda, Kampala.
  34. No meu país,
  35. eu já vivia na cidade,
  36. e achamos que Kampala era muito
    melhor que um campo de refugiados.
  37. Sempre negaram

  38. assistência internacional
    para refugiados nas cidades,
  39. mesmo após seu reconhecimento
    pelo ACNUR em 1997.
  40. Além do problema da pobreza
    com o qual fomos confrontados,
  41. como os pobres urbanos locais,
  42. estávamos enfrentando desafios
    devido ao nosso status de refugiados,
  43. como a barreira linguística.
  44. No Congo, o idioma oficial é o francês.
  45. Mas na Uganda, é o inglês.
  46. Não tínhamos acesso à educação e saúde.
  47. Éramos expostos a assédio,
  48. exploração, intimidação e discriminação.
  49. Organizações humanitárias
    se concentravam principalmente
  50. nos assentamentos formais de áreas rurais,
  51. e não havia nada para nós.
  52. Mas não queríamos esmola.
  53. Queríamos trabalhar e nos sustentar.
  54. Juntei-me a dois outros colegas exilados

  55. e criamos uma organização
    para apoiar outros refugiados.
  56. A YARID, Young African Refugees
    for Integral Development,
  57. começou com uma conversa
    na comunidade congolesa.
  58. Perguntamos à comunidade
  59. como ela poderia se organizar
    para resolver esses desafios.
  60. Os programas de apoio da YARID
    evoluem por estágios,
  61. progredindo da comunidade de futebol
    para a de língua inglesa
  62. para costura de subsistência.
  63. O futebol mudou a energia
  64. da juventude desempregada
  65. e conectou pessoas
    de diferentes comunidades.
  66. As aulas gratuitas de inglês
  67. ajudaram a empoderar pessoas
    para se engajarem na comunidade ugandense,
  68. permitindo que eles conhecessem
    os vizinhos e vendessem produtos.
  69. O programa de treinamento vocacional
    oferece habilidades de subsistência,
  70. e com elas, oportunidades importantes
    para a autoconfiança econômica.
  71. Temos visto muitas famílias
  72. tornarem-se autossustentáveis.
  73. Temos visto pessoas que não precisam
    mais da nossa ajuda.
  74. Conforme os programas da YARID
    foram se expandindo,

  75. passaram a incluir uma variação
    crescente de nacionalidades:
  76. congolesa, ruandesa, burundinesa,
  77. somali, etíope, sul-sudanesa.
  78. Atualmente, a YARID já apoiou
    mais de 3 mil refugiados em Kampala
  79. e continua a apoiar mais.
  80. (Aplausos)

  81. Os refugiados querem
    empoderamento, não esmola.

  82. Conhecemos nossa comunidade
    melhor do que ninguém.
  83. Entendemos os desafios
    e oportunidades que encontramos
  84. para sermos independentes.
  85. Sei melhor do que ninguém
  86. que as iniciativas criadas
    por refugiados funcionam.
  87. Elas precisam ser internacionalmente
    reconhecidas e apoiadas.
  88. Deem-nos a oportunidade que merecemos,
  89. e pagaremos de volta com juros.
  90. Muito obrigado.

  91. (Aplausos) (Vivas)